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Coisas da vida - Parte I

Escrito por Maria Souza Ligado . Publicado em Coisas da vida

Elizabeth e William haviam se casado com há alguns anos, formavam um lindo casal, Elizabeth era morena clara, tinha cabelos castanhos escuros e encaracolados, olhos castanhos escuros, estatura mediana, mas perto de seu marido ela era realmente baixa. Ele tinha cabelos castanhos só que mais claro que o dela, era alto e de porte altivo, que chamava a atenção aonde chegava e tinha olhos azuis.  O amor deles era visível a todos, a ternura e o carinho eram constantes, não importava onde estivessem ou quem estava com eles. Desse amor há quatro anos, nasceram sua filhas gêmeas, Anne e Margareth, lindas, um mix de ambos. Tinham os cabelos escuros e encaracolados de Elizabeth e os olhos azuis de William.

Mas como nem tudo são flores em nenhum relacionamento, o ponto fraco entre eles era a diferença social de onde vieram. William era de uma família bem sucedida de empresários reconhecida internacionalmente e Elizabeth era de classe média, na realidade mais para baixa, onde tudo o que tinha era conseguido com muito esforço. No começo tinha sido bem complicado, pois ela não se conformava de não trabalhar, ou de conseguir um trabalho só por ser uma Darcy.

 O assunto era meio tabu ente eles, William concordou que ela continuasse trabalhando, sempre que ela tinha que trocar de emprego ele retornava ao assunto de tê-la trabalhando com ele, mas ela era insistente em conseguir um trabalho independente e por mérito próprio, não queria ser admitida só pelo nome de Darcy, ou ser tratada diferente por ser esposa do dono da empresa. Por isso, apesar de nos documentos constar seu nome completo, ela se apresentava por Eliza Bennet, pouco falava sobre sua vida particular e quando seu real status era descoberto, ela logo caia fora, pois se tinha uma coisa que a irritava imensamente, era ser tratada diferente por ser esposa de William; e era o que sempre acontecia.

Este último trabalho estava sendo uma exceção, já estava na editora há quase dois anos, era seu recorde. Mas ela não gostava de trabalhar lá por ter que ficar muito tempo longe das filhas, e tinha uma pedra enorme no seu sapato chamado Collins, ele realmente era insuportável, chato ao extremo, incompetente e o pior, sempre levava a melhor por ser protegido do Sr. Phillips, dono da editora. O que ainda segurou lá por mais tempo, fora o fato de ninguém ter descoberto seu segredo e as duas amigas, Charlotte e Jane, que ela havia feito lá, além de gostar dos outros colegas de trabalho, como o Sr. Gardiner, que era um dos sábios coordenadores que conseguia contornar os problemas que Collins criava com os outros funcionários.  A sua situação com Collins estava saindo do controle, pois agora ele resolveu dar em cima dela, apesar de saber que ela era casada, e ela resolveu que era hora de sair, já havia feito entrevista numa nova editora onde trabalharia apenas meio período e estava aguardando a resposta.

As três amigas trabalhavam no setor financeiro da editora, Jane era a encarregada, Charlotte e Elizabeth suas auxiliares, mas na realidade, sempre acabavam tendo que fazer trabalho de outros setores, principalmente do setor de Marketing, que Collins era o encarregado, mas na realidade, não produzia e nem coordenava nada, ele realmente era um zero a esquerda, o que estava levando a editora ao caos.

Suas amigas sempre a questionavam sobre sua família, mas ela ainda não se sentia segura o bastante para contar a elas, até que um dia Charlotte resolveu questioná-la mais uma vez:

- Eliza deixa de ser chata vai, mostra pelo menos uma foto das meninas.

Jane entrou no jogo de Charlotte:

- Por favor, Eliza, somos suas amigas.

 Elizabeth que aquele dia estava de bom humor, diga-se de passagem, ótimo humor, pensando ainda em como fora acordada esta manhã, William havia acordado primeiro e levado o café na cama para ela, a acordou com uma seção de beijos calientes e algo mais, que nem sempre era possível, pois as meninas sempre acordavam primeiro. Charlotte continuou insistindo:

- Está vendo Jane, ela está no mundo da lua, e fica enrolando só para não nos mostrar. Acho que ela não é feliz com sua família.

 Jane com uma gargalhada rebateu:

- Nisso eu não concordo Char, olha só a carinha de apaixonada dela. 

Isso a trouxe de volta de suas lembranças, e ela foi logo dizendo:

- Tudo bem eu mostro, mas com algumas condições, sem perguntas sobre eles e não podem comentar as outras pessoas daqui da editora.

 Char ainda tenta rebater:

- Por que tanto segredo?

 Elizabeth responde:

- Um dia vocês vão me entender. Então, vão querer ver ou não?

Elas concordaram e começou a seção de fotos que estavam no celular de Elizabeth, eram muitas fotos.  Jane e Char estavam encantadas com a beleza das meninas, quando começaram fotos em que William também aparecia, Elizabeth começou a ficar nervosa e vermelha. Jane tentou brincar:

 - Uau! Eliza, esse deus grego é seu marido? Não é a toa que você estava nas nuvens agora a pouco, não vai contar o que a fez tão leve e feliz hoje?

- Meninas realmente ficarei devendo, jamais falaria da minha vida íntima, digamos apenas que tive um ótimo café da manhã.

Char foi emendando:

- Deve ter sido muito bom mesmo. Olha, sei que é seu marido, mas não podemos negar, o que é bonito é para ser visto e falado, e ele realmente é lindo, só que eu tenho a sensação de que o conheço de algum lugar. Não vai dizer nadinha mesmo Eliza?

- Eu disse sem perguntas Char, e vamos trabalhar, aproveitando o clima tranquilo já que o chato do Collins hoje não veio para cá, por conta da organização da tarde de autógrafos. E se preparem tenho certeza que vai sobrar mais uma vez para nós, essa organização nas mãos do Collins simplesmente não vai dar certo, ele não faz e não sai da frente, e vamos ter que correr para não ficar feio. Mudando o assunto, estou aguardando a resposta de outro emprego, não gostaria de deixar vocês, mas tenho ficado muito tempo longe das meninas, me sinto meio culpada de deixa-las e a situação com o Collins esta simplesmente impossível, se meu marido apenas sonhar com o que está acontecendo não vai ser legal, é capaz até de ele querer acertar o idiota de jeito. Todas riram, e continuaram a executar suas tarefas.

A semana passou voando e a sexta-feira chegou por sinal mais agitada que as outras, pois era à tarde de autógrafos, as coisas não estavam indo muito bem, como elas haviam previsto, o Sr. Collins enrolou e não fez o que deveria ser feito. Depois de muito vai e vem e muito trabalho para Elizabeth, Charlotte e Jane, conseguiram ajeitar os pormenores e o evento estava fluindo como deveria ter sido desde o começo. Elizabeth e suas colegas não participavam do evento, apenas foram chamadas para resolver os problemas nos “bastidores”, quando ela e Charlotte haviam conseguido voltar para sua sala de trabalho propriamente dita, estavam conversando, quando o Sr. Gardiner entrou na sala delas:

- Olá, meninas! Parabéns vocês mais uma vez se superaram, pena que o idiota do Collins é quem levará todo o crédito novamente. Vocês sabem que eu não concordo com essas coisas, e para mim já deu. Consegui uma colocação em outra empresa e vim me despedir, sentirei muita falta desta equipe maravilhosa. Infelizmente o Phillips não enxerga os verdadeiros tesouros desta empresa, espero que ele acorde em tempo de não perder todos eles. Onde esta Jane, queria me despedir dela também.

Char respondeu:

- Ela ficou presa no evento, para o caso de mais algum imprevisto, mais já deve estar subindo também. Os três caem na risada, pois ninguém suporta a burrice e o convencimento do Collins. É assim que Jane encontra os três, ela e o Sr. Gardiner entram para a sala dela. Char comentou:

- Acho que eu e Jane teremos que procurar outro emprego também, O Sr. Gardiner era quem nos defendia e apoiava, está indo embora, logo você também vai, será impossível trabalhar aqui.

Antes que Eliza respondesse seu telefone tocou, era da portaria:

- Eliza tem duas meninas aqui acompanhadas de uma senhora, Anne e Margareth e a Sra. Reynolds, elas estão perguntando se podem subir.

Eliza assustada autoriza a entrada e diz que vai esperá-las na porta do elevador. Antes de sair, ela diz:

- Char você vai conhecer minhas lindas pessoalmente, elas estão subindo, não sei o que pensar, nem o que está acontecendo.

- Não se preocupe, Eliza, não deve ter acontecido nada de grave, pois do contrário não seriam as meninas que viriam, não acha?

Quando o elevador chega uma das meninas já sai falando:

- Mamãe viemos te buscar, podemos ver onde a senhora trabalha?

Elizabeth responde meio atordoada:

- Tudo bem, vamos para lá, mas quero saber o motivo desta visita, Anne.  

Agora já é Margareth que responde:

- Mamãe, o papai queria fazer uma surpresa para você! Por favor, por favor, vem com a gente!

Elizabeth pergunta:

- Ele está com vocês?

Maggie responde:

- Ele está no carro, só descemos eu, Anne e a Sra. Reys.

Quando elas entraram na sala, encontraram Jane e o Sr Gardiner junto com Charlotte, os três olharam curiosos para Eliza, que agitada foi fazendo as apresentações:

- Pessoal essas são Anne e Margareth, minhas filhas, e esta é a Sra. Reys, que me ajuda com elas. Meninas esses são O Sr. Gardiner, Jane e Charlotte.

Feitas as devidas apresentações, o Sr. Gardiner se desculpa e sai, pois ainda tem que se despedir dos demais colegas.

Assim que ele fecha a porta Elizabeth começa a questionar as três:

- Então, agora podem começar a falar, o que está acontecendo?

 A Sra. Reys é quem começa a responder:

- Sra. Dar.. desculpe Sra. Elizabeth, a Srta. Georgiana está chegando de surpresa e pediu que vocês a encontrassem no aeroporto, o patrão está nos aguardando no carro.

Char acaba entrando na conversa:

- Sra. Elizabeth? É estranho ouvir te chamarem assim, até me esqueço de que este é o seu nome, você só se apresenta como Eliza Bennet.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa Anne a interrompe:

- Mamãe trouxemos um vestido para você se trocar, e um sapato que combina com ele também! É o preferido do papai! Srta. Char precisa ver a cara do papai quando a mamãe usa esse vestido.

- Anne, minha filha, que é isso?

Diz Elizabeth vermelha feito um tomate maduro.

- A senhora sabe que é verdade, mamãe.

Maggie entra na conversa:

- Vamos logo mamãe, estou louca para ver a titia, estou com muitas saudades, e quero saber também se ela nos trouxe presentes.

- Logo vi que devia haver interesse por trás dessa saudade toda Maggie, tenho que primeiro pedir permissão para minha chefe antes de ir embora.

Jane que estava se divertindo com a cena diz:

- Eliza não sei por que você está tão agitada, mas não se preocupe, está tudo sob controle, acho que não há problema de você ir agora.

- Jane eu poderia usar seu banheiro particular para me trocar, elas não vão sossegar enquanto não me verem nesse vestido. Estou curiosa para saber o que estão aprontando, diz Elizabeth.

- Seu marido não vai subir?

Jane pergunta ao que Elizabeth responde:

- Meu marido ficou no carro, nós temos um acordo de não interferência no meu ambiente de trabalho, sempre que acontece dele vir me buscar ele espera no carro.

Char diz:

- Você e seus segredos em relação a seu marido, não consigo entender, mas também com aquele deus grego, só pode ser para evitar a concorrência.

 A Sra. Reys ri e entra na conversa:

- Está ai uma coisa que ela não precisa se preocupar, o Sr. Dar... o patrão é completamente apaixonado por ela.

- Nossa vocês estão me deixando constrangida assim.

- Desculpe-me, senhora, mas admita realmente isso não é segredo para ninguém.

Jane virou-se para Elizabeth e disse-lhe:

- Pode usar a sala mesmo que é melhor; você precisa de ajuda?

- Não, Jane, é só me trocar.

- Então vai logo, eu fico aqui conversando com essas lindas, Eliza.

Elizabeth entra para a sala de Jane e começa a se arrumar, pensando na reação dos seus colegas de trabalho que não estavam acostumados a lhe ver com aquelas roupas. Quando Lizzie saiu da sala trocada, maquiada e com o cabelo solto deixou Char e Jane embasbacadas, elas nunca a haviam visto com os cabelos soltos e com roupas que marcavam seu corpo, Char logo foi dizendo:

- Ei quem é você e o que você fez com a Eliza? Uau! Meninas, agora entendi o que quiseram dizer com a cara do papai quando a vê nesse vestido! Foi só risada na sala! Gostaria de conhecer seu marido e ver a cena com meus próprios olhos!

Elizabeth responde:

- Bom, meu marido vai ficar para outra oportunidade. Quem sabe um dia...

Em outro lugar, fora da editora, Richard, que era primo de Darcy e era convidado da tarde de autógrafos o havia visto Darcy no carro, na porta da editora, quando chegou e não deu trégua até que ele entrou para o evento que já estava no final. Darcy foi apresentado por Richard ao dono da editora, que logo ficou babando por ter uma figura tão ilustre em sua editora. Richard questionou Darcy:

- Ei, perdido por aqui Darcy? O que faz aqui? Não acredito que veio para a tarde de autógrafos.

- Não mesmo, nem sei que é o autor ou o livro, só vim buscar a Elizabeth, as meninas subiram para buscá-la, elas já devem estar saindo.

Nisso o telefone dele toca, era Lizzie para saber exatamente onde ele estava, pois elas já estavam esperando o elevador para descer. Ele vendo quem era no visor do aparelho, pediu licença dizendo que era uma ligação importante que ele estava aguardando e foi atender afastado dos outros. William atendeu e foi logo dizendo:

- Lizzie, oi, amor.

-Oi, Will, onde você está?

-Estou no evento, Ric...

- Como assim, você entrou?

- Liz, não fique brava, me escute primeiro. Eu estava no carro, mas o Richard me viu e me intimou a entrar no evento, estou tentado escapar do seu chefe, mas não está sendo uma tarefa fácil. O que eu faço, onde te espero?

Lizzie responde irritada...

- Isso realmente vai ser complicado, William, espere-nos ai mesmo, até que demorou a descobrirem, pelo menos já tenho outro emprego em vista. Vou tentar me acalmar enquanto estamos descendo. E quer saber, vou aproveitar a oportunidade para ser sincera com minhas amigas, você se importa se eu lhes apresentar?

Ele responde:

- Lizzie meu amor, você é quem insiste em se manter anônima.  E adoraria conhecer suas amigas. E desculpe realmente não foi minha intenção entrar, mas você conhece o Richard.

- Tudo bem Will, e você está certo em estranhar, mas já que os outros vão nos ver juntos, nada mais justo que eu lhe apresente minhas amigas. Logo estaremos aí.

A essa altura toda a mulherada da editora estava em polvorosa, pois já havia se espalhado a noticia que o bonitão e rico William Darcy estava no evento, todas queriam dar uma voltinha para vê-lo de perto e conferir o que diziam da beleza dele de perto. Elizabeth retornou a sua sala bem na hora em que Jane e Charlotte estavam falando dele e Char disse:

- Pensei que você já tinha ido embora, mas já que você voltou lhe contaremos a novidade.

Elizabeth a interrompe e diz:

- Bem é melhor vocês irem me contando no caminho, vocês não queriam conhecer meu marido, ele está no evento e vou lhes apresentar, isto é se assim o quiserem.

Jane é quem responde sem nem pensar direito:

- Demorou, claro que queremos, vamos indo, assim também aproveitamos para ver o bonitão que as meninas estão dizendo que está lá também.

 Vão assim se dirigindo para lá e Eliza continua a conversa:

- Então qual é a novidade e quem é o bonitão que estavam falando?

Char toda entusiasmada responde:

- Bem, na realidade o bonitão é a novidade. 

Elizabeth já fazendo uma conexão em sua mente, questiona quem é o bonitão então?

-Estão dizendo que o lindo e rico, mas infelizmente casado Sr. William Darcy está lá embaixo, estão todas em ouriçadas para conhecê-lo e conferir de perto. 

Elizabeth segura uma risada e olha para as filhas e para Sra. Reys pondo o dedo nos lábios para que elas não digam nada, as três abafam risinhos.

Outra noticia já estava agitando os funcionários, um dos rapazes viu Eliza sair da sala de Jane toda produzida e saiu cantando louvores ao corpo da normalmente discreta morena que era assistente de Jane. Onde ela passava era só cochichos, alguns mais ousados chegavam a ela e perguntavam quem eram as meninas, que eram devidamente apresentadas.

Lizzie chegou ao salão onde estava sendo o evento, ergueu a cabeça, suspirou fundo e entrou, segurando as filhas, uma em cada mão. Na hora que ela entrou foi vista imediatamente por William, que para variar parou olhando para ela apaixonado, ia se aproximando delas quando foi quase derrubado por uma das meninas que se soltou de Lizzie e foi correndo em sua direção. Anne gritava:

- Papai, papai, viu como a mamãe está linda, nós trouxemos o vestido que você gosta.

William vermelho como uma beterraba abraça Lizzie e lhe dá um selinho nos lábios. Sussurra em seu ouvido:

- Já disse como você fica divina nesse vestido?

Ela se derrete em seus braços e responde ao seu ouvido:

- Todas as vezes que eu o uso.

- Mas não me canso de dizer e admirar. Te amo, fique tranquila que dará tudo certo.

- Também te amo.

 A Sra. Reys os interrompe:

- Senhor Darcy estou indo para o carro, devo levar as meninas ou deixá-las?

É quando se lembram de que não estão sozinhos, Elizabeth é quem responde:

- Obrigado Sra. Reys, mas pode deixá-las conosco.

Nisto se vira para as amigas que estavam boquiabertas com a cena e as apresenta:

- William essas são minhas amigas: Jane e Charlotte, meninas esse é o meu marido William Darcy.

O dono da editora que não havia perdido William de vista foi logo se aproximando do casal, ao mesmo tempo que Richard que foi dizendo:

- Como vai, Elizabeth?

Antes que ela respondesse a Richard o dono da editora cortou:

- Eliza é você? Porque eles estão te chamando de Elizabeth?

Ela respira fundo e responde:

- Olá, Richard, estou bem. Não sabia que você estava na cidade e muito menos que estaria aqui hoje. Ah, Sr. Phillips, meu nome é Elizabeth, Eliza é um apelido.

O Sr. Phillips diz:

- Acho que perdi algum fato aqui. Ajude-me a entender, você é a esposa do Sr. Darcy?

Quem responde é o próprio Darcy:

- Sim essa é minha esposa Elizabeth Darcy e essas são nossas filhas Anne e Margareth.

O burburinho foi geral na sala, pois nessa hora já haviam muitos dos funcionários da empresa andando por lá. Char vira para a Jane e diz:

- Caramba, Jane, que gafe, eu disse no elevador que infelizmente ele era casado, agora entendo por que as quatro ficaram com aquelas caras. Mas a danadinha escondeu o jogo. Sabia que o conhecia de algum lugar quando vi as fotos, mas na hora que ela me mostrou não associei que era o Sr. Darcy, da Darcy Corp. Mas agora me diz o que essa menina está fazendo aqui, aguentando desaforo do Collins e do Sr. Phillips?

 Ao que Jane responde:

- Também não sei e ainda estou pasma até agora.

Collins se juntando ao grupo, sem prestar atenção direito ao que estava acontecendo foi logo dizendo todo assanhado:

- Nossa Eliza que transformação! Você está muito bonita!

 Fato que não passou despercebido de Darcy, que abraçou sua esposa pela cintura deixando claro que não estava gostando da situação, foi dizendo:

- Para você é Sra. Darcy!

Lizzie olhou para o marido e sorriu se aconchegando ao abraço dele e o apresentou:

- Sr. Collins, esse é o Sr. William Darcy, meu esposo.

- Oh! Prazer em conhecê-lo Sr. Darcy. É uma honra tê-lo em nosso evento e uma honra maior saber que sua esposa trabalha conosco, ela é uma excelente funcionária.

A mudança de atitude com relação à Elizabeth foi instantânea, nenhum dos dois sabia o que fazer, só faltaram mandar vir um trono para colocá-la junto com o marido. Não poupavam elogios a ela. Até o próprio William já estava enojado. Foi à vez de Jane dizer:

- Falsidade suprema! Nunca a trataram bem, nem valorizavam seu trabalho, ao contrário, sempre que conseguiam atribuíam suas ideias ao Collins, agora na frente do marido dela, só porque ele é rico e poderoso no meio corporativo ficam nessa bajulação toda. Ela deve estar quase vomitando.  

Char atordoada com toda a adulação diz:

- Pensando bem, acho que é esse deve ser o motivo dela não querer misturar a família dela com o trabalho, conhecendo-a como conhecemos deve querer ser reconhecida pelo seu talento e não pelo nome do marido.

William ainda segurando Lizzie pela cintura diz:

- Vamos querida, já estamos ficando atrasados.

E ao Sr. Phillips:

- O senhor não se importa que eu leve sua funcionária antes do horário?

- Mas é claro que não Sr. Darcy, ela pode chegar e sair à hora que quiser.

Lizzie não estava mais aguentado a bajulação responde ao marido:

- Vamos, meu amor!

Despede-se de Richard e depois de Jane e Charlotte:

- Meninas depois ligo para vocês e conversamos.

Char vira para Jane e diz:

- Depois do que acabamos de ouvir, acho que ela não volta para trabalhar na segunda-feira, pode ir providenciando outra funcionária.

- É, Char, acredito que você tenha razão, ela não vai suportar essa melação toda. Aguardemos a segunda-feira.

Saíram os quatro William e Lizzie abraçados, cada um segurando uma das meninas, que já estavam impacientes da espera. Já na rua William beija os lábios de Lizzie e pergunta:

- Mais calma agora, meu amor?

- Sim, em seus braços e com seus beijos sempre fico mais calma. Ah Will, ainda bem que você estava comigo, não sei se teria paciência para aguentar aqueles dois. E só não os respondi para não fazer cena na frente das crianças.

Foram rumo ao aeroporto, buscar Georgiana. De lá foram jantar no restaurante preferido das meninas.

À noite quando estavam sozinhos no quarto William puxou o assunto que até então havia sido evitado:

- Lizzie meu amor, você já decidiu se vai continuar a trabalhar lá?

- Will você me conhece, não quero voltar lá, a situação já estava difícil sem saberem que eu sou sua esposa, agora acredito que ficará impossível aguentar, já fiz uma entrevista de emprego, mas agora nem vou esperar a resposta, segunda pela manhã ligo para as meninas explicando a situação e peço para alguém ir lá buscar minhas coisas e entregar minha carta de demissão, só estou triste de deixar Jane e a Charlotte.

- Ainda bem Lizzie porque não gostei nem um pouco de ver como aquele Collins olhou para você.

- Will, perdão por não ter te contado, essa situação estava me irritando muito, por isso já estava procurando outro trabalho.

Willian aproveita a deixa:

- Liz, meu amor, sei que já conversamos sobre isso, não quero voltar a discutir, sei do seu talento, da sua determinação e da sua necessidade de independência financeira, mas realmente vou precisar de uma nova assistente, já estamos em processo de contratação...

- Will...

 - Ouça, Liz, porque você não reconsidera e fica tralhando como minha assistente, você pode executar a maior parte do trabalho a partir daqui de casa, e vai ter mais tempo para estar com as nossas meninas, além do que poderíamos voltar ao nosso projeto de mais um bebê! Não me responda nada agora, mas pense com carinho. O que você resolver eu vou aceitar.

- Está bem, vou pensar com carinho no assunto.

- Mas agora chega dessa conversa que já esta ficando tarde e você sabe que aquelas duas pulam logo cedo da cama e agora eu quero ter outro tipo de conversinha com você...

*-*-*

Na segunda-feira quando Jane chegou ao trabalho, encontrou Char sozinha, e a mesa de Lizzie com flores. Ela estranhou e questionou Char:

- Bom dia Char, alguma noticia de Eliza?

- Bom dia Jane, bem Eliza ligou logo cedo dizendo que não vai voltar, pediu-nos desculpa por não vir pessoalmente se despedir, que qualquer dia vai marcar para nos encontrarmos fora da editora, que ela não tem estômago para aguentar a “dupla dinâmica” novamente, sem contar os outros funcionários. Ela está mandando uma pessoa com a carta de demissão e a chave da mesa dela, pediu-nos que enviássemos suas coisas por esta pessoa.

- Que pena, Char, sentirei falta dela, mas no lugar dela também não aguentaria. Ainda mais levando em conta que financeiramente não faz diferença nenhuma para eles. Espero que ela ligue logo, que possamos nos encontrar. Estou realmente curiosa para conhecer mais da história deles e não gostaria de perder a amizade dela.

- Eu também Jane, gosto muito dela, não gostaria de perder o contato.

- E essas flores?

- De quem você acha, são do Sr. Philips e do Sr. Collins. O povo falso e puxa saco.

No dia seguinte Lizzie ligou para elas convidando-as para irem a sua casa no sábado a tarde. Chegando o sábado, Jane e Charlotte se dirigiram ao endereço fornecido por Elizabeth, nem acreditaram no que viram quando lá chegaram. Foram recebidas em festa pelas gêmeas, que já as haviam adotado como tias. Lizzie pediu para que as meninas fossem brincar em outro lugar para poder conversar com as amigas.

- Então como estão as coisas lá na editora?

Jane respondeu:

- Bem a segunda-feira foi mais grave - e já rindo continuou - quase não conseguimos trabalhar, você nem acredita: o telefone não parou e tenho a impressão que todos os funcionários nos visitaram querendo te ver, sem contar que logo cedo o Collins e o Sr. Phillips já haviam enviado aquelas flores para você.

Char agora é quem diz:

- Melhor foi ver a cara deles quando foram te procurar pessoalmente e lhes dissemos que você não trabalhava mais lá, ainda nos questionaram achando que estávamos mentindo, Jane teve que dizer para que consultassem o RH que confirmariam que você havia enviado uma carta de demissão. Realmente foi bom vê-los naquela hora. Mas e você, como esta?

- Estou bem Ch,ar, aproveitando bastante o tempo com minhas filhas e claro com meu marido.

- Sabe, Eliza, não entendi porque você trabalha fora...

- Não gosto de me sentir dependente financeiramente, nem de ficar como uma dondoca fútil que só sabe falar de roupas e da vida dos outros.

Char ri e tenta argumentar:

- Realmente este perfil não combina com você, mas porque não trabalhar na Darcy Corp.

- Por que sempre ficaria na dúvida se estão me tratando pelo que sou, pelos meus méritos, ou por ser a esposa do patrão. Se nos outros lugares que eu trabalhei, quando descobrem quem é meu esposo, já me tratam diferente, imagina lá... Vocês viram a mudança do Sr. Philips e do Sr. Collins quando souberam.

Já recebeu a resposta do outro emprego?

- Não ainda Jane, o processo de seleção ainda não foi concluído, mas agora estou dividida meninas, William me pediu novamente para trabalhar com ele, que poderia executar a maior parte do tempo daqui de casa, assim passaríamos mais tempo juntos e eu poderia estar mais com gêmeas, e também há algum tempo estamos pensando em ter outro bebê, e eu que fui protelando, ele não está me pressionando, nem tocou mais no assunto, deixou a decisão na minha mão.

 Jane lhe pergunta:

- E por que você não aceita? Qual sua dúvida afinal?

- Como eu disse não gosto de ser tratada diferente só porque sou a esposa do patrão... mas pensar que estaria mais disponível para as meninas e mesmo para ele, me fez ficar tentada a aceitar.

Char diz:

- Já que você ficará aqui, trabalhará com pessoas já estão acostumadas com você, porque não tenta. Se não der certo você volta a trabalhar fora. Mas se dê a chance, você é inteligente e jamais seria uma dondoca inútil.

- Acho que vocês estão certas, estou criando tempestade onde não tem, vou conversar com ele hoje e dizer que vou tentar.

 Char toda empolgada e com uma risada marota diz:

- E assim vocês podem completar a conversa começando as tentativas para o bebê, quem sabe agora não conseguem um menino, ou dois. As três caem na risada.

- Char!!!!

Neste momento foram chamadas para o lanche e descobriram que o marido de Elizabeth tinha visitas. Lizzie foi dizendo:

- Meninas, me desculpem, esqueci-me de dizer que temos outros convidados para o lanche eles não estavam sendo esperados, mas como estão sempre com William não tinha como dizer para eles não ficarem, vamos para o jardim, pedi que o lanche fosse servido lá, acho até bom que vocês os possam conhecer; e agora rindo concluiu: digamos que são bonitos e solteiros, e quem sabe vocês não arrumam um namorado?

Nessa hora chegaram ao jardim e encontraram os três rapazes que se aproximam delas, William foi logo abraçando e beijando Lizzie, Richard para variar foi logo reclamando:

-Vocês dois não enjoam, não cansam, depois de tantos anos ainda ficam se agarrando como se tivessem começado a namorar a poucas horas.

Elizabeth rindo responde:

- O dia em que você se apaixonar, nos entenderá. E antes que você diga mais alguma coisa deixe-me apresentar minhas amigas: Jane, Char esses são: Richard nosso primo e Charles, nosso amigo, meninos essas são Jane e Charlotte.

Os três casais sentaram para lanchar e conversar, esse foi o primeiro de muitos encontros deste tipo que se seguiu. Jane e Charles logo se encantaram um com o outro, Anne e Maggie se juntaram ao grupo, tornando a conversa leve e divertida e assim terminaram à tarde.

À noite quando estavam sozinhos em seu quarto, e como era costume de ambos começaram a conversa sobre o dia, Lizzie estava pensando em como entrar no assunto, mas foi William quem iniciou a conversa:

- Feliz em rever suas amigas Liz?

- Sim, foi muito bom falar com elas, e ainda bem que não voltei mais na empresa. Elas contaram que a segunda-feira foi um tormento, que parecia que todos os funcionários da editora fizeram tour na sala delas, sem contar os telefonemas.

- Acho que começo a entender porque você não se apresenta como Sra. Darcy em seus empregos, aqueles dois deram amostras suficientes... Aquele Collins é sempre pegajoso daquele jeito?

-Bem, depende da pessoa, como você é rico, famoso... ele “gruda” mesmo. Nem sei como ele não descobriu nosso endereço e veio bater aqui.

- Porque não estamos na Lista Telefônica, e somos discretos com as redes sociais.

- Will, eu queria falar da sua proposta...

- Estou ouvindo, prometo que aceitarei sua decisão sem discussões. Ok?

- Ok! Então, eu estava bem dividida, mas hoje conversando com Jane e Char, elas me fizeram alguns questionamentos, que me ajudaram a tomar uma decisão.

- E...

- E eu resolvi aceitar sua proposta, mas com uma condição.

- Qual condição, Lizzie, meu amor?

- Seria uma tentativa, se não der certo volto a trabalhar fora, pode ser?

- Claro, minha linda, você não sabe como fico feliz em ouvir que vai ao menos tentar, e digo que vou fazer o máximo para que de certo.

- E quanto ao bebê, Will o que você acha de começarmos a trabalhar nisso agora?

- Lizzie, te amo demais!

E assim transcorreu a semana, Lizzie se preparando para começar a trabalhar com William, foi se acostumando ao novo ritmo, e mostrando as filhas que haveria horários que ela não poderia lhes dar total atenção, mas como agora ela ficaria praticamente o dia inteiro em casa, elas aceitaram e prometeram cooperar. William era pura felicidade, pois enfim havia conseguido fazê-la trabalhar com ele, o que significava mais tempo juntos, ele faria tudo o que estivesse ao seu alcance para que ela não desistisse e principalmente se sentisse feliz e realizada com o trabalho. 

(Continua na Parte II)