Citações

Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

Ano Novo, Vida Nova

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“Ano novo, vida nova?”

 

Mais um ano chegava ao fim e eu logo teria que dar adeus à 2008. E eu não teria dificuldade nenhuma em me despedir de 2008, visto que nada de especial aconteceu nesse ano... Ok, eu recebi uma promoção e contava com um salário maior deste março, mas tirando isso: nada de mais...

E de repente, minha vida profissional não me parecia mais tão importante quanto antigamente. Eu era bem sucedida, sim, tinha prestígio e uma ótima colocação no mercado de trabalho: tudo o que eu costumava ansiar quando mais nova. Então por que eu me sentia tão incompleta? Por que o que eu costumava querer tanto já não me bastava? Eu sabia a resposta para todas essas perguntas, só não queria admitir. Mas o pior erro é querer enganar a si mesma, e era o que eu fazia há anos...

 

Minha vida continuava a mesma de sempre: nada pacata e uma correria só. Eu vivia para o trabalho. E como era a única solteira da empresa – praticamente a única, exceto pelas estagiárias adolescentes – não me importava em cobrir as folgas dos outros. Não tinha porque chegar em casa cedo. Encontrar o apartamento vazio me deixava deprimida. E eu não levava ninguém à minha casa: ela era um pouco pequena, incompatível com o meu estilo de vida. Não que eu tivesse vergonha dela... Ok, eu admito que talvez eu tenha um pouco de vergonha dela, mas eu não trocaria meu cantinho por nenhum outro. Eu comprara o mesmo apartamento pequeno da época de faculdade, pois foi ali que eu vivi o ano mais feliz da minha vida.


Tentei seguir em frente, mas não consegui esquecê-lo. E percebi que não adiantava fugir, ele continuava presente na minha mente, o tempo todo. E eu o amaria para sempre. E quando vi aquele apartamento à venda quase três anos depois: não resisti. E era ali que eu vivia desde então. E nesse final de ano, completaria seis anos que o vira pela ultima vez... Seis longos anos.


Resolvi que 2009 seria diferente. Eu cuidaria de mim. Tiraria férias, conheceria todo o Brasil, começando pela região Nordeste. Meu Reveillon seria em Porto Seguro. Tudo certo, tudo definido. Ano novo, vida nova! Chega de ficar chorando pelo passado. O que passou, passou. E afinal de contas, como na tão conhecida frase: quem vive de passado é museu. Chega! Eu cansei!


Mudaria minha vida e faria tudo diferente: eu tiraria férias! Ok, 15 dias de descanso não eram realmente férias, mas era muito mais do que eu costumava me permitir há anos. Liguei para a Aline para confirmar a nossa viagem. A Carla já tinha desistido, pois arranjou um compromisso de última hora. Eu não entendia isso: como um namoradinho de duas semanas podia se tornar mais importante do que as amigas?

 
- Aline? – ela não conseguia falar direito no telefone, e me deixou esperando um bom tempo na linha.
 

- Lizzy? Desculpa, aqui está uma loucura.
 

- Tudo bem amiga, eu só estou ligando para confirmar nossa viagem.

- Ah, Lizzy... Nem sei como te dizer isso, mas acabei de descobrir que não me darão folga... Eu terei que trabalhar dia 30 e dia 2 de janeiro.

- Ah não! – que droga, que droga, era só o que eu conseguia pensar.

- Desculpa....

- Tudo bem, não é tua culpa. – e eu nem poderia reclamar, pois geralmente era eu que costumava fazer isso com elas. – Vou tentar ligar para a agência de viagens e tentar reaver meu dinheiro.

- A gente pode ir em fevereiro, o que você acha?

- Tudo bem, depois a gente vê... – estava desanimada e sem vontade de conversar e logo encerrei a conversa.

Fiquei um bom tempo com o aparelho vermelho na mão. Sim, eu comprei um telefone vermelho, igual ao que o William me presenteou na época faculdade. O mesmo que durante uma briga eu joguei em cima dele e que se espatifou no chão. Realmente, eu não me esforçava muito para esquecê-lo, procurava revivê-lo sempre em pequenos detalhes. Mas fazer o quê, eu bem que tentei, mas ninguém mexeu comigo do mesmo modo que ele...

- Mãe? – liguei para casa dos meus pais – Ainda tem lugar para mim na casa que vocês alugaram em Garopaba?

- Claro, minha filha. Mas o que houve com a viagem para Porto Seguro?

- Cancelada. – eu simplesmente respondi.

- Que ótimo, Lizzy! Nem acredito que conseguirei reunir todas as minhas cinco filhas! – ela parecia super empolgada – E quando você vai?

- Só no dia 31. Vou ver se ainda consigo uma passagem de ônibus.

- Ônibus? Lizzy! Liga para a Jane, ela vai de carro com o Charles. O namorado dela é tão querido, você tem que conhecê-lo. E pode ir de carona com eles.

Eu achei graça.

- Eu já o conheço, mãe. – mas não entrei em detalhes. Ela certamente ficaria magoada e ofendida ao saber que Jane escondera Charles dela por 6 meses. Que esperou que eles ficassem mais firmes para finalmente apresentá-lo. 

Bom, digamos que nossa mãe é meio espirituosa e um pouco impertinente, e que a gente tem que ter certeza que nossos namorados estão completamente apaixonados antes de introduzi-los na família. E ninguém nunca soube do meu envolvimento com William. Se minha mãe soubesse que eu estava envolvida com um integrante da família Darcy certamente enlouqueceria e me enlouqueceria também. E ela iria querer que eu me casasse com ele, que não o deixasse escapar de jeito nenhum. Imagina se ela soubesse que eu perdi a chance de fazê-lo... Que eu disse não a ele. Acredito que ela surtaria e que me mataria.

Mas isso faz parte do passado... E eu não estou arrependida: eu tinha uma ótima oferta de emprego, assim como ele. Por que a dele era mais importante do que a minha? Por que eu deveria ter largado tudo e ter ido morar em Londres com ele? Não era justo. E ele também poderia ter recusado a oferta e ter ficado aqui, comigo. A culpa não é minha, de jeito nenhum. Foi ele que quis partir. Esquece isso, Lizzy. Ano novo, vida nova. Tente sorrir.

Eu iria para Garopaba, uma praia linda de Santa Catarina, com a minha família. Não era o meu plano ideal de Reveillon, mas com certeza era uma idéia agradável. Meus pais alugaram uma casa ampla, com cinco quartos, quase na beira do mar, e todas as minhas irmãs iriam. Além disso, Jane levaria Charles e Mary levaria seu namorado.


Ok. Só eu e as minhas duas irmãs mais novas estávamos solteiras. Jane noiva de Charles e até Mary já fazia planos de casar. Mas se era para ter um namorado feito o de Mary, eu preferia morrer solteirona! Os dois juntos era tão irritantes que só de pensar neles perdi o resto do meu bom humor.

Mary e Mateus passavam horas sentados na mesma posição, sem se mexer, como duas perfeitas estátuas. Vendo televisão, lendo um livro, ou o que quer que fosse. E eu nem podia sentar no sofá da sala, por que eles estavam sempre lá, o tempo todo no mesmo lugar. E por mais que o sol brilhasse e convidasse com insistência para um banho de mar, eles não saiam de casa. Só de noite. Era tão estranho e irritante! E os dois eram tão parecidos (até o nome de ambos começava com Ma) que era como se não acrescentassem nada um ao outro.

Então os dias passaram e eu acabei indo mesmo para Garopaba. Na noite da virada de ano comemos a nossa tradicional ceia, enchemos nossas taças com champanhe e seguimos para a beira da praia. O pai pegou uma garrafa de champanhe cheia e o Charles outra e fomos esperar os fogos da meia noite. E depois teria um show de uma conhecida banda de rock em um palco montado na areia.

Tinha uma multidão e era fácil se perder. O Charles tinha combinado de se encontrar com um amigo e com a família dele e eu achei que seria impossível achar alguém no meio de tanta gente, mas me enganei. E de qualquer forma, eu reconheceria e encontraria aquele rosto em qualquer lugar, mesmo que eu não estivesse procurando por ele. O Charles tinha dito que o nome do amigo dele era William, mas eu conhecia tantos Willians que nunca poderia imaginar que ele estava falando do meu William. Nunca. E eu que achei que nunca mais fosse vê-lo... Doce ilusão.

E ele estava acompanhado pelos pais e pela irmã mais nova, Georgiana, que tinha idade próxima as de minhas irmãs Lídia e Kitty e logo as três estavam perfeitamente entrosadas. E o Charles me apresentou a todos eles, inclusive ao William. Ele foi o último a falar comigo, e apertou minha mão como se não me conhecesse. Não! Ele não poderia ter se esquecido de mim? Ou poderia?

Quando ele chegou perto para me cumprimentar, era como se tudo tivesse parado. Eu não via nada ao me redor, não diferenciava nenhum som, só o que eu percebia era que ele estava ali. E que vinha falar comigo! E eu reconheci aqueles olhos azuis, reconheci aquela face agora mais madura e incrivelmente mais linda, mas me contive. Busquei uma calma que eu nem sabia que existia em mim para não deixar transparecer. E me saí muito bem.

Mas eu esperava que ele falasse algo, qualquer coisa, tipo um: “Oi, quanto tempo?”. Até um: “Você está velha, como você engordou”. Ok, eu não engordei, mas isso não vem ao caso. O que eu quero dizer é que até ouvir isso era melhor do que um mero: “Oi, muito prazer!”. Não! Ele não podia ter me esquecido! Ele ainda estava vivido, nítido, em minha memória, como ele poderia não se lembrar de mim? Que coisa horrível! Que dor insuportável! Será que eu estava tão diferente assim? Ou que o um ano que a gente passou junto não significou nada para ele? Que droga!

E um desespero estava prestes a consumir meu ser... Um emaranhado de emoções há muito tempo trancadas estava a ponto de se exteriorizar com força total. E eu precisava sair dali. Com urgência! Era quase meia noite e eu aproveitaria para sumir na multidão antes dos fogos começarem a explodir no céu. Ou quem explodiria seria eu.

Eu não podia mais me enganar: eu o amava! Igual a sempre, talvez até mais. Como se nunca tivéssemos nos separado. Como se os anos não tivessem passado. Ele ainda habitava meu coração, onde ficara escondido, adormecido, por todos esses anos. Mas ele não me reconheceu... Que dor! Que dor horrível e insuportável! E eu precisava sair dali. Precisava fugir dele. Eu não estava pronta para aquilo e comecei a caminhar sem rumo, com o único objetivo de me afastar.

Se fosse possível, eu cavaria um buraco na areia e me esconderia. Se eu estivesse com a chave de casa, eu iria para lá e me trancaria no quarto. Mas agora, só o que me restava era caminhar sem rumo. Correr para bem longe dele.

E após eu estar a quase dez minutos andando a passos lentos, era difícil caminhar rápido no meio de tantas pessoas, fui surpreendida pelos primeiros fogos que explodiam e iluminavam o céu. Lindo! Um festival de cores e de beleza. E eu tive que parar para observar. Meia noite. Ano novo, vida nova. Será mesmo?

Uma lágrima solitária rolou pelo meu rosto. E a frase “ano novo, vida nova” latejava repetidas vezes em meu pensamento. Eu não queria uma vida nova, um amor novo, eu queria o meu amor William de volta. Meu único amor. E ele voltara de Londres e ironicamente estava na mesma praia que eu. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Fora do meu alcance...

Elevei meu cálice de champanhe aos céus, como se fizesse um brinde com o ar. Um brinde solitário, como eu tinha sido por seis anos. E assim mantive por uns segundos, olhando os fogos, paralisada com o meu braço suspenso. Até que senti um copo tocando o meu, um brinde inesperado pelas minhas costas.

- Feliz ano novo, Liz. – ele falou e eu reconheci a voz. Não consegui me virar. Fiquei sem reação, sem saber como agir.

Será que ele havia me seguido? E o pior, ou melhor, não sei mais, pois não quero me iludir: será que ele havia me reconhecido? Sim, por que só havia uma pessoa que me chamava de Liz. Ninguém mais me chamava dessa forma. De Elisa sim, de Lizzy também, mas não de Liz. Só o meu William me chamava assim. Só ele. Droga! O que eu faço? Respirei fundo, tentando me acalmar e decidi me virar para encarar de vez aquele par de olhos azuis.

- Feliz ano novo? – eu não sabia o que dizer, então retribui o brinde, encostando novamente meu copo no dele.

Ele me fitou de uma forma enigmática e com um meio sorriso. Eu fiquei confusa. O que ele queria de mim? E por que ele estava de volta ao Brasil? E há quanto tempo ele já estava aqui? E certamente a expressão do meu rosto refletiu minhas perguntas. Eu não consegui disfarçar. Era difícil pensar com ele tão perto e me olhando daquela maneira. Então eu consegui mais segurar e indaguei:

- Quando você voltou?

Ele riu. E eu então percebi que era tudo fingimento. Que ele sabia o tempo todo quem eu era.


- Semana passada.

- E quando você volta para Londres?


- Nunca mais, eu acho. – e ele me olhou de uma forma que me fez ofegar. Fiquei sem ar.

- Veio para ficar? Para sempre?

- Isso depende.

- Do que?

- De você.

- De mim? – eu fiquei chocada, olhando fixamente para ele. Devo ter ficado pálida.

- Sim, Liz. – ele riu, e me olhou como se quisesse ver através do meu rosto. Olhos penetrantes.

- Isso não foi uma coincidência, não é mesmo? A gente ter se encontrado dessa forma.

- Não. – ele simplesmente respondeu, ficando sério. E eu fiquei encarando ele, esperando pelas respostas que não vieram.

- Não vai me explicar? – eu perguntei já com uma leve irritação, o que o fez sorrir.

- Ainda não.

- Por quê? – eu elevei a voz, alterada. Coloquei as mãos na cintura, enfrentando-o.

- Por isso – ele afirmou e sorriu. – Estava com saudades de te ver braba.

- Mas... – eu estava a ponto de gritar com ele. Que capacidade que ele tinha de me deixar fora me mim, em todos os sentidos. Tudo com ele era muito mais intenso.

E eu ia gritar, mas inesperadamente ele me tomou nos braços e me calou com um beijo. Tão rápido, que eu nem percebi. Que saudades daqueles lábios! Que saudades daquele beijo! E eu não resisti e me entreguei. Era ele, o meu amor. Meu único amor. E eu o abracei com força, enlaçando meus braços ao redor do seu corpo com mais dificuldade do que antigamente. Ele não era mais tão magrinho como antes: ele estava mais velho, mais encorpado. Ouso dizer: mais gostoso. Sim, era isso mesmo. Ele estava mais bonito e mais gostoso, melhor do que em qualquer sonho que eu tive com ele nesses seis anos. E olha que foram muitos sonhos.

- Então? – ele se afastou um pouco para me fitar, mas manteve os braços ao redor do meu corpo, assim como eu – Você ainda me ama, Liz?

Senti um fogo consumir meu rosto. Devo ter ficado vermelha, um pouco por raiva e um pouco por vergonha mesmo. Mas que raios de pergunta era aquela? Se ele achava que eu iria revelar meus sentimentos assim tão fácil estava muito enganado! Que eu iria parecer tão frágil? Nunca! Por mais que eu o amasse, não daria o braço a torcer.

Então eu comecei a me debater, tentando me desvencilhar dos braços dele. Mas ele era mais forte, e não permitiu que eu me soltasse. Ao contrário: apertou o abraço, colando nossos corpos ainda mais. E eu desisti de tentar fugir, apenas baixei a cabeça para tentar desviar daquele olhar penetrante e me apoiei em seu peito. Tentei acalmar as batidas agitadas do meu coração e vi que o dele batia tão ou mais veloz do que o meu.

- Por que, você ainda me ama? – minha voz saiu tão baixa, que eu mal a ouvi.

Ele acariciou meus cabelos e beijou o alto da minha cabeça.

- Sim, Liz. Eu te amo ainda. Eu sempre te amei.

- Verdade? – subi meu rosto para encará-lo. E sorri, sorri feito boba. – E isso não foi coincidência? Você sabia que eu estaria aqui?

- Sim.  

- Foi tudo armado?


- Tudo.

- Até a Aline ter desistido da viagem foi combinado?

- Sim.

- Pela Jane?

- Principalmente por ela e pelo Charles. Tua irmã ficou com medo de você inventar uma desculpa para não vir se soubesse que eu estaria aqui.

- Provavelmente eu faria isso. – sorri sem graça.

- Eu sei. Eu te conheço. – ele acariciou meu rosto e falou próximo ao meu ouvido – Senti tua falta. Nunca te esqueci.

- Nem eu. – respondi no mesmo tom.

- Desde que meu amigo Charles me contou há alguns meses atrás que estava namorando uma Jane Bennet, não consegui mais ter paz. Era como se você tivesse voltado do passado para me assombrar. – ele riu, bem humorado – E então eu pedi que ele me mandasse umas fotos tuas, alegando mera curiosidade. Ele ainda não sabia sobre a gente.

- E ele mandou?

- Sim, quer ver?

- Ver? – eu perguntei confusa – Você anda com fotos minhas? – não escondi meu assombro.

- Sim, confesso que sim. – ele então abriu a carteira e mostrou fotos minhas ocupando todos os plásticos existentes.

- Ah... – fiquei sem palavras, emocionada. Ele me amava mesmo! Era real!

- E você decidiu voltar?

- Primeiro eu me certifiquei que você ainda estava solteira, não queria correr o risco de te ver com outro.

- Você contou para o Charles sobre a gente?

- Sim, foi ele que me estimulou a voltar. E eu viria mesmo se não conseguisse transferência para trabalhar no Brasil.

- Mas você conseguiu transferência?

- Sim. Está tudo certo. Só não tenho ainda onde ficar. Estava pensando se você teria alguma sugestão. – ele deu um sorriso maroto.

- Quem sabe o teu antigo apartamento, da época da faculdade? Ele é meu agora.

Ele ficou surpreso, talvez um pouco incrédulo.

- É sério? – ele achou graça – Você o comprou? E mora nele?

- Sim. – eu ri, feliz – Estava com saudades. Aquele local é cheio de lembranças.

- É verdade. Mas ele é tão pequeno.

- É. – eu concordei – Talvez pequeno demais para uma só pessoa, imagina para duas.

- Naquela época a gente não precisava de muito espaço. 

- É. – nós dois sorrimos, cada um perdido com sua própria lembrança. A melhor época da minha vida.

- Você se arrepende de não ter ido comigo? – ele perguntou.

- Talvez um pouco, não sei. Eu gosto do meu trabalho, acho que valeu a pena eu ter ficado. E você, se arrepende de ter ido?

- Na verdade, não. Só senti muita a tua falta. Mas agora isso não importa mais, por que eu não vou mais permitir que você saia da minha vida.

Ele novamente colou seus lábios no meu. E foi um beijo calmo, como se a gente tivesse a vida inteira pela frente. Como se nunca mais fossemos se separar. E isso era o que eu mais desejava! Ficamos vários minutos nos beijando, entregues um nos braços do outro. E então ele interrompeu o beijo:

- Liz?

- Que? – eu suspirei. Vê-lo me olhando daquela forma, falando naquele tom de voz, parecia um sonho.
- Você quer nunca mais sair da minha vida? Ficar comigo para sempre?

- Sim, eu quero.

Então ele tirou uma rosa branca do bolso da bermuda, praticamente só o botão, com apenas o início do caule, e me entregou.


- Você aceita se casar comigo, Liz, e ser a minha mulher?

- Aceito – eu respondi, incapaz de disfarçar minha euforia. Meu corpo inteiro sorria, não só o meu rosto.

E ele tirou um barbante do outro bolso – sim, isso mesmo: um barbante com uma tesourinha!

- Mas o quê? – eu me espantei e comecei a rir, compulsivamente, ao perceber o que ele faria. Mas ele não recuou e continuou amarrando o anel de barbante no meu dedo anular direito. Depois cortou com a tesoura.

- Sua vez.

Eu continuei rindo, mas fiz o mesmo com ele.

- Desculpa, meu amor. – ele tentou se justificar pelo nosso precário anel - Mas não tinha certeza se você me aceitaria... E também queria que a gente escolhesse junto as alianças...

- Na verdade William, eu adorei. Eu gosto do diferente.

- Eu sei.

- Agora estamos noivos? – eu elevei meu dedo contra a luz da lua.

- Sim. – ele me abraçou pelas costas e deu um beijo em meu rosto, colocando sua mão direta para o alto ao lado da minha.

- Para sempre?

- Sim.

- Promete?

- Eu te amo, Liz. Minha vida não tem sentido se não for ao teu lado.

Eu então me virei e me joguei nos braços dele, grudando meus lábios nos deles.

Naquele momento, tive certeza que a minha vida não seria mais a mesma e que a frase “Ano novo, vida nova” se enquadrava perfeitamente ao que eu teria pela frente. Ano novo e vida nova e feliz ano lado do meu William. Do único amor da minha vida: William Darcy.

 

  Fim

 

 

 

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