... Mas o que viu – quem poderia imaginar - a deixou estática, boquiaberta, sem reação....
Havia cinco quadros com a reprodução perfeita de Elizabeth, mais parecendo uma fotografia, e em cada um ela segurava um livro diferente à mão. E o título acima deles: “A garota do metrô.”
Os livros que eu li no último ano! – concluiu em pensamento, atônica – então ele já me observa há um ano e eu não percebi?
Em quatro deles, menores, ela estava de cabeça baixa, lendo com concentração. Em um desses quatro, ela deixava escapar um sorriso no canto dos lábios, em outro, parecia estar com vontade de chorar. Então era isso: ele conseguiu captar e retratar o que ela sentia com cada livro!
E havia um quadro maior, central, diferente dos outros: nesse ela não olhava para os livros, nesse ela estava virada, reparando em algo que havia em suas costas. E a expressão que fazia? Nem ela percebeu que fazia aquela expressão naquele momento. Que vergonha – ela constatou – ao ver sua própria imagem bem desenhada.
- E esse quadro? – ela indagou, apontando para o quadro, sem acreditar no que via. Ainda estava atônica, de boca aberta, e não conseguia desgrudar os olhos das imagens.
- Foi na semana passada. – ele respondeu, simplesmente, sem maiores explicações.
- Foi de quando eu te vi pela primeira vez, eu sei. – ela riu, ainda sem coragem de olhar para ele. – Que vergonha, eu nem consegui disfarçar o que senti quando te vi...
- E o que você sentiu? – ele tomou coragem, chegando mais próximo a ela.
- Fazia três semanas que eu te olhava, mas você nunca baixava aquele jornal e eu não conseguia ver o teu rosto... E eu fiquei tão surpresa quando finalmente te vi, que pelo visto nem consegui disfarçar...
- Três semanas? Tudo isso? E como eu não percebi? – ele falou quase junto ao ouvido dela. Ela ainda mantinha-se de costas para ele, mas ele estava cada vez mais próximo e praticamente colara seu corpo no dela. Apenas poucos centímetros os separavam naquele momento.
- É... – ela não conseguiu dizer mais nada, senti-lo tão perto a desconcertava. Não conseguia racionar com clareza, apenas ansiava por ficar ainda mais próxima dele. E para disfarçar o que sentia, mantinha os olhos fixos nos quadros. Mas já não olhava para eles, já não via mais nada.
Ele – parecendo ler seus pensamentos – tocou inicialmente de leve em seu ombro e em seguida espalmou sua mão sobre ele. E esse simples toque provocou um turbilhão de sensação em ambos. Ela fechou os olhos, esperando pelo que viria em seguida. Encolheu-se um pouco, como resposta involuntária àquela mão presa ao seu ombro. E quando por fim relaxou, jogou propositalmente seu corpo para trás, acabando de vez com a barreira que havia entre eles.
Ele, rapidamente, enlaçou-a pela cintura com ambos os braços, comprimindo um pouco mais seu corpo contra o dela. E ao menos tempo em que fazia isso, depositava suaves beijos em seu pescoço. Elizabeth, com a proximidade, apoiara a cabeça sobre o peito dele, inclinando um pouco o pescoço e deixando-o exposto e oferecido a ele.
Nenhum dos dois falava nada, não precisavam de palavras naquele momento. E não havia nada a ser dito: aqueles quadros diziam tudo por eles.
Ela girou um pouco a cabeça para olhar para o rosto dele, enquanto que ele mantinha os braços em torno dela. Seus olhos se encontraram por poucos segundos, mas logo em seguida desviaram seu foco de atenção. E os olhos passaram a focalizar a boca um do outro, tão próxima de si. E rapidamente, romperam a distância que ainda havia entre os lábios, comprimindo o lábio de um contra a boca do outro. Ambos estavam inebriados, apaixonados e entregues. E ao provar aquele beijo, tiveram certeza que nunca mais iriam querer saber de nenhum outro.
O beijo começou suave, com um toque sutil de lábios. Mas o desejo de ambos era intenso, e logo passaram a se devorar através daquele beijo. Com movimentos frenéticos de língua, beijavam-se com voracidade. Ele apertou a nuca dela durante o beijo, como se tentasse trazê-la para mais perto ainda. E ela envolveu o corpo dele num abraço apertado, cravando por vezes as unhas em suas costas. Se pudessem, devorariam um ao outro ali mesmo, em pé, no meio da galeria. Mas ouviram vozes e tiveram que se separar. Soltaram-se rapidamente, como que trazidos de volta à realidade.
Assustados: olharam-se, como se buscassem explicação para a intensidade daqueles sentimentos. Olharam-se, e descobriram o mesmo espanto estampado na expressão do rosto do outro. E então relaxaram e riram, cúmplices e conscientes da reciprocidade de seus sentimentos.
- Meu irmão, você está ai... Viemos te convidar para jantar com a gente – Uma loira de aproximadamente 20 anos de idade entrou na galeria afoitamente, segurando pela mão um homem alto que a seguia, que pelo visto devia ser seu namorado. Entrou tão rapidamente, que nem percebeu que ele estava acompanhado.
- Oi Georgiana. – ele respondeu, sorrindo com um semblante tranqüilo com há muito tempo não exibia. – obrigada pelo convite, mas já tenho programa para hoje. Esta é a Elizabeth.
Só após essa introdução, Georgiana reparou em Elizabeth que estava parada perto deles.
- Você? – Georgiana balbuciou, confusa, fitando-a dos pés as cabeça, não disfarçando o seu assombro – Mas você é a garota do metrô! E eu achei que você nem existisse!
Falou sem pensar, dizendo o que lhe veio à cabeça. E logo se calou, embaraçada por ter falado demais.
- Desculpa meu irmão, desculpa Elizabeth... – prosseguiu, atrapalhada, dando passos para trás. E logo se retirou, de maneira tão afoita quanto chegou.
Elizabeth achou graça e começou a rir assim que ela saiu. E agindo dessa forma, acabou com qualquer constrangimento que ele pudesse sentir com o comentário da irmã.
- Bom, onde foi que nós paramos? – ele indagou, se aproximando novamente dela.
- William? Qualquer um pode entrar aqui? – ela indagou, após parar de rir.
- Sim, qualquer um. A galeria é aberta a visitantes.
- Hum...Eu penso que não é adequado a gente... bem, você sabe. – se explicou, atrapalhada.
Ele recuou um pouco, se distanciando dela para pensar. Se continuasse tão próximo a ela, não racionaria e a tomaria nos braços imediatamente. Porque a vontade que tinha era de agarrá-la ali mesmo, sem se importar com mais nada.
- Venha, Elizabeth. – após refletir por um momento ele lhe estendeu o braço, como um convite, o que ela aceitou com prontidão.
De mãos dadas, ele a levou para uma sala, que parecia ser um escritório. Entraram, e ele trancou a porta atrás deles. Não acendeu a luz e ela pôde observar alguns poucos móveis através da fraca iluminação que vinha da janela semi-aberta.
Tão logo fechou a porta, se apossou novamente dos lábios dela. E assim, sem se largarem, sem se desgrudarem por nenhum segundo, foram juntos até a escrivaninha, onde se apoiaram. Darcy colocou Elizabeth sentada sobre a mesa e encaixou seu corpo no meio das pernas dela, comprimindo-o, apertando-a. E Elizabeth teve que se apoiar sobre os braços para não cair para trás, pela pressão que ele fazia sobre ela. Aproveitou essa posição para tirar seu casaco, sem encerrar o beijo, sem deixar de beijá-lo.
Sem o fino casaquinho branco, seus ombros ficaram a mostra e seu decote na região do busto mais evidente. Ambos expostos, se oferecendo a ele. E ele não precisou de convite para tocá-los tão logo os viu. Começou acariciando a região da nuca e do pescoço, passando para os ombros, com movimentos ágeis de suas mãos. Logo em seguida desceu e se deteve por mais tempo na região dos seios. Baixou as alças do vestido para deixar o caminho livre para suas investidas e em seguida, com precisão de um amante experiente, abriu o sutiã, atirando-o para cima da mesa, junto com o casaco branco. Parou de beijá-la por alguns segundos, para observar atentamente seu objeto de desejo. Em seguida, olhou para ela e sorriu, satisfeito, e buscou novamente seus lábios. Acariciou ambos os seios ao mesmo tempo, um com cada mão, e ficou um tempo sentindo-os, sem pressa.
Elizabeth, inebriada, fora de si, abriu de forma afoita a camisa dele, com tanta urgência que acabou arrancando um botão. Queria senti-lo, queria tocar em sua pele, queria ele cada vez mais próximo. Sem deixar de beijá-lo, inclinou um pouco a cabeça para conseguir observar seu peito agora exposto. E ficou satisfeita com a visão que obteve de sua barriga perfeita: magra e um pouco definida. Pouco definida como ela gostava, já que não era muito fã de homens musculosos. Sorriu, radiante, sem desgrudar seus lábios dos dele, e em seguida passou a explorar aquele peito agora desnudo.
Ela subiu um pouco as pernas, colocando-as em volta da cintura dele, como num abraço. E assim, apertou-as, encaixando ainda mais o corpo dele no dela. Sentindo, dessa forma, o que esperava por ela.
Ele então baixou as mãos e voltou sua atenção para a região das coxas, agarrando-as sob o vestido. Subiu o vestido dela, deixando-o concentrando na região da cintura, com as partes de cima e de baixo do corpo dela praticamente desnudas, exceto pela presença da pequena calcinha rosa de algodão. Buscou o contato do sexo dela ainda sob a calcinha, o que fez com que ela se contraísse um pouco e soltasse um pequeno gemido.
Não se agüentando mais, Elizabeth baixou as mãos para baixo da cintura dele, tocando pela primeira vez naquilo que mais queria. Ficou satisfeita ao senti-lo, por constatar que era muito mais que do esperava. Ele pegou a mão dela e a guiou até seu zíper, ao mesmo tempo em que a ajudava a desafivelar seu cinto. E assim, deixou suas calças caírem aos pés, ficando somente de cuecas, que ela logo tirou também. Então o caminho ficou livre para ela tocá-lo como deveria e como ela queria, deixando-o completamente fora de si. Enlouquecido, Darcy logo arrancou a calcinha dela, jogando-a para longe. E tudo isso sem largarem os lábios um do outro, tudo isso devorando um ao outro através de um beijo.
Mesmo com pouca luz, pararam para se olhar. Olharam-se por poucos segundos e se entenderam sem precisar de palavras. Sabiam que aquilo era muito mais do que sexo. E nesse olhar, entenderam que estavam prontos para ser um do outro. Estavam prontos para se entregar um ao outro.
Darcy recebeu aquele olhar como uma autorização, e com ansiedade, aproximou-se ainda mais dela, buscando encaixar seu corpo no dela. Com agilidade, a penetrou rapidamente, logo ficando dentro dela. Começou com movimentos mais lentos, para que ela o acompanhasse também. Mas logo percebeu que ela sentia-se da mesma forma que ele, ela o apertava e o comprimia cada vez mais com as pernas. Então ele intensificou os movimentos e era tanto desejo acumulado, tanto sentimento reprimido por aquela mulher, que ele sabia que não se agüentaria muito mais. Ele a queria há tanto tempo! E sem mais agüentar, logo chegou ao êxtase, explodindo numa descarga de emoções dentro dela.
- Desculpa Elizabeth... – ele se desculpou sem jeito – Foi tão rápido... Eu não conseguia mais me agüentar... Mas eu te quero há tanto tempo...
Ela o encarou, sorrindo, não havia o que desculpar. Ela estava feliz, como nunca estivera antes.
- Na próxima vez você promete que faz melhor ainda? – ela indagou, sorrindo. Havia um brilho intenso em seu olhar.
- Prometo. – ele respondeu, decidido. – E pode ser daqui a pouco. – ele concluiu, relaxando e sorrindo também.
- Mas aqui? – ela indagou, olhando para os lados, percebendo onde eles estavam. – Vamos para a minha casa?
- Hum rum – ele concordou. Ele sabia que a casa dela era a mais perto da galeria e tinha pressa de estar novamente em seus braços.
Logo estavam vestidos e ele tentava se arrumar do melhor jeito possível colocando a camisa sem botão. Ela olhou para ele e riu, lembrando do botão arrancando.
- Posso ficar com um desses? – ela indagou, ao passar pelos quadros.
- Pode ficar com todos, menos com esse. – apontou para o quadro maior – Esse é meu, para eu sempre recordar da primeira vez que você me olhou.
Ela concordou e escolheu um para ficar com ela.
- Te entrego durante a semana, está bem?
- Sim.
Eles saíram da galeria de arte de mãos dadas, como dois namorados.
- Vamos pegar um táxi? – ela indagou, ao chegar à rua e perceber o adiantado da hora.
- Não, vamos de metrô. – ele respondeu decidido. E como se lesse os pensamentos dela, acrescentou - Mesmo que esteja tarde, penso que devemos ir de metrô. E depois, você não precisa ter medo, desta vez estará comigo.
- É – ela concordou. Olharam-se e riram. Realmente era a melhor decisão.
O homem do jornal e a garota do metrô subiram no trem e pela primeira vez sentaram juntos. Subiram pela primeira vez juntos para nunca mais se separar.
FIM
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