Citações

Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.(Jane Austen)

Por Uma Noite Apenas - Capítulo II

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CAPÍTULO II

O elevador parou e, com um leve ruído, as portas se abriram para uma luxuosa área de recepção, tranquila e vazia agora; exceto pelo suave brilho da luz, iluminando os corredores que levavam para duas alas separadas do escritório.

Às 19h45min, todas as salas estavam escuras e vazias, exceto por aquela bem no fim do corredor. Elizabeth estivera contando que o hábito dele de trabalhar até tarde agisse em seu favor e tinha ficado aliviada quando viu o Porsche preto no estacionamento do subsolo.

Elizabeth parou em frente à porta da sala dele, o coração disparado no peito, bateu levemente na porta. Não houve resposta. Fechou os olhos, respirou fundo e segurou a maçaneta, virando-a e abrindo a porta.

Abriu os olhos e, pela fresta da porta, espiou a sala. Não o encontrou sentado atrás da sua mesa como esperava. Por um instante, temeu que houvessem se desencontrado. Que enquanto ela subia até o seu andar por um elevador, ele estivesse descendo até a garagem pelo outro. E que a luz da sua sala estivesse acesa por mera falta de atenção de sua parte ao ir embora.

Mas o barulho de folhas de papel sendo viradas chamou a sua atenção para um movimento que capturara com a visão periférica. Abriu um pouco mais a porta e colocou a cabeça para dentro, virando o rosto em sua direção. Ele estava sentado em uma poltrona, de costas para a porta e para ela consequentemente. Tinha um manuscrito em mãos e o lia com tanto afinco que parecia não ter mesmo notado a sua presença.

Elizabeth voltou para o corredor e tentou se acalmar. Uma nova ideia se formando em sua cabeça. Tinha um plano arquitetado para esta noite, mas isto não significava que seus planos não pudessem se amoldar as oportunidades que lhe fossem apresentadas.

Mordiscando o lábio inferior, abriu a sua bolsa e retirou de dentro dela uma echarpe de seda ameixa que estava guardada para quando estivessem a sós no destino final daquela noite. Deslizando-a entre as mãos, distraidamente, sentindo a textura fria, macia e altamente sedutora entre os dedos. Sorriu ao pensar no que planejava fazer com aquele pedaço de tecido.

Voltando o olhar para a porta, se aproximou novamente. Com a echarpe segura em uma mão, apoiou-se na soleira da porta e retirou os sapatos. Deixando-os perto da porta da sala, para apanhá-los mais tarde quando estivessem de saída; adentrou a sala de Darcy com passos leves e silenciosos.

Ela atravessou a sala, admirando a vista dos ombros fortes malmente escondidos naquele terno feito sob medida. Os cabelos castanho-escuros eram sedosos e macios, como se ele repetidamente os penteasse para trás com os dedos.

Viu-o erguer a mão e virar outra folha do manuscrito. A mão era grande e máscula, com dedos longos, viris e, sem dúvida, capazes de fazer o corpo de uma mulher responder a seus toques. Um arrepio percorreu a espinha de Elizabeth ao se lembrar do quanto era capaz de acender um fogo em seu íntimo.

Ela tremeu em antecipação, até que uma ponta de insegurança a dominou. Era confiante no trabalho, agressiva quando a necessidade pedia. Mas estaria mentindo se não admitisse que se sentia um pouco nervosa sobre sequestrar Darcy para uma noite erótica, na qual eles saciariam todos os seus desejos.

Antes que pudesse mudar de ideia, parou atrás dele, deslizou-lhe a echarpe dobrada sobre a cabeça e lhe cobriu os olhos.

O corpo inteiro de Darcy imediatamente ficou tenso. O barulho de papeis caindo no chão, quando o manuscrito escapou dos dedos incertos de Darcy, ecoou pela sala. E ele agarrou o tecido de seda que ela usava como venda de olhos.

- O que...? – Grunhiu, ao mesmo tempo em que tentava se erguer.

Elizabeth, em pânico, segurou com uma mão as duas pontas da echarpe, enquanto apoiava a outra mão em seu ombro e tentava mantê-lo no mesmo lugar.

- Não a remova – sussurrou ela, a respiração movimentando os fios de cabelo de Darcy perto da orelha. E soltando o seu ombro, segurou-lhe o pulso, detendo-o antes que ele pudesse rasgar a echarpe.

Darcy, ouvindo o comando suave, inclinou a cabeça para trás, tentando enxergá-la através da venda.

- Elizabeth? – O tom de voz baixo e rouco revelava tanto surpresa, quanto incredulidade.

Ele não soava zangado, o que ela entendeu como um sinal positivo.

- Sim, sou eu – respondeu.

E soltando o seu pulso, usou as duas mãos para amarrar as pontas do tecido de seda num nó firme atrás da cabeça dele.

- Pensei que você tivesse partido. Para sempre. – Ele comentou, voltando o rosto para frente e permanecendo imóvel enquanto ela trabalhava na echarpe.

- Eu voltei para cuidar de alguns assuntos pendentes. – Elizabeth argumentou, nervosamente, terminando o nó e soltando a echarpe.

Ele voltou a virar o rosto na sua direção diante deste comentário, tentando e não conseguindo enxergá-la.

- Comigo? – Interrogou; sobrancelhas escuras se arquearam acima do tecido ameixa, dando a ele uma aparência muito devassa.

O tom de descrença de Darcy era justificado, considerando quanto tempo Elizabeth vinha lutando contra sua fascinação por ele, contra sua atração por um homem absolutamente charmoso e sexy.

- Sim, com você. – Respondeu.

Ela o circulou lentamente, contornando a poltrona em que ele estava sentado. Roçando os dedos pelo seu braço, até alcançar a sua mão máscula. Observando-o virar a cabeça cegamente a sua procura. A sua mão tentou se fechar envolta de seus dedos, mas Elizabeth os removeu com suavidade, provocando-o.

Viu o manuscrito no chão, aos seus pés. Abaixou-se, recolheu e arrumou-o com cuidado sobre a mesinha de centro.

E, ficando de frente para Darcy, observou-o. Embora ela tivesse coberto os fascinantes olhos azuis acinzentados de Darcy, os quais sempre pareciam ver demais; agora, porém, a boca sexy e carnuda estava mais proeminente. A curva sensual dos lábios macios convidando-a a prová-la com a língua.

Inalando profundamente, Elizabeth declarou suas intenções antes que perdesse a coragem:

- Eu estava esperando que você aceitasse participar de um joguinho que planejei para nós dois. – Tentando soar altamente sedutora e, mais, irresistível. Não queria lhe dar a chance de recusar.

Darcy inspirou com dificuldade. O seu pomo-de-adão subiu e desceu várias vezes. E ele lambeu os lábios.

- Por que não me deixa olhar para você? – Pediu, rouco.

Elizabeth deixou escapar uma risadinha nervosa.

- Faz parte da brincadeira. – Replicou.

A verdade é que a venda não só tornaria esta noite mais excitante e aventureira, como também permitiria que ela fosse mais desinibida. Assim como impediria que Darcy olhasse em seus olhos, observasse a sua expressão e enxergasse o quanto estava apaixonada por ele há alguns meses.

Passou muito tempo ponderando a atitude dele naquela noite. Por que ele se sentira tão à vontade para abordá-la daquela forma, quando nunca, sequer, demonstrara a mínima preferência por sua pessoa.

Era bastante simples, na verdade: ele acreditara que ela entrara em sua sala para se oferecer a ele – como muitas outras de suas funcionárias. E apenas tomou aquilo que acreditava estar sendo lhe dado de bandeja.

E se ele viesse a descobrir sobre esta sua paixonite só seria inconveniente. Uma verdade desagradável e humilhante.

- Você não sabe o que o som de sua voz está fazendo comigo? – Ele perguntou, despertando-a de seu devaneio.

O rosto de Elizabeth esquentou quando um rápido olhar por sua figura revelou um volume maior em sua calça. Darcy estava impressionantemente excitado e o corpo de Elizabeth umedeceu com o pensamento de que finalmente seria capaz de mergulhar em uma ou duas de suas fantasias com ele.

- Então, aceita a minha proposta? – Perguntou-lhe, insegura. Mesmo com todas aquelas evidencias, sua mente ainda se perguntava: e se ele dissesse não?

A respiração de Darcy se aprofundou, um sinal de que ela definitivamente o intrigava. E respondeu:

- Eu lhe dou permissão para fazer tudo o que quiser comigo. Absolutamente qualquer coisa.

- Há uma condição com a qual você tem de concordar, antes de irmos mais longe. – Elizabeth decidiu alertá-lo logo. – A venda fica nos seus olhos o tempo todo. Você pode usar a imaginação, é claro. – Aproximando-se dele, separou seus joelhos com os próprios joelhos e inclinou-se sobre ele.

Ela colocou as mãos sobre o peitoral dele, encontrando os mamilos tão rígidos quanto os seus sob o tecido da camisa.

- Eu serei os seus olhos por esta noite. – Murmurou ao seu ouvido.

Afastou-se o suficiente para fitá-lo e deslizou os lábios ao longo do maxilar dele, mordiscando-o. Darcy segurou-a pelos braços antes que pudesse se afastar mais e, instintivamente, seguindo o seu hálito quente, encontrou a sua boca e tomou posse dela com furor.

Darcy a apertou ainda mais em seus braços, aprofundando o beijo; admirado com o fato de ela ter se encaixado com tanta perfeição em seu corpo quando se inclinou contra o mesmo.

- Sim, eu aceito seu convite. – Respondeu, arfante, ao interromper o beijo.

Queria nada mais que puxá-la para o seu colo e possuía-la ali mesmo, naquele instante.

- Ótimo. – Darcy sentiu o suspiro quente de Elizabeth em seu pescoço.

E ela logo começou a se distanciar, escapando de seus braços e se reerguendo.

- Venha. – Chamou-o.

Alcançando sua mão, puxou-o para si. Forçando-o a se pôr de pé. Darcy imediatamente tentou abraçá-la, mas Elizabeth o deteve.

- Aqui não. – Declarou.

- Aonde, então?

--Você verá... – Respondeu, enigmática. Depois, rindo, corrigiu-se. – Talvez, não. – E, puxando-o pela mão, guiou-o.

Ao chegar à porta da sala, soltou a sua mão por um instante.

- Aonde você vai?

Ouviu-o questionar, erguendo a mão até a venda como se pretendesse removê-la.

- Hei, você prometeu. – Advertiu-o.

Ele abaixou a mão, obediente.

Elizabeth abaixou-se para calçar de volta os sapatos. Depois apagou a luz e, segurando novamente em sua mão, guiou-o para fora da sala.

 

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