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Imagino quem primeiro descobriu a eficácia da poesia em afastar o amor! (Jane Austen)

Colisão - Capítulo XLIV

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Capítulo XLIV

Novas inseguranças

 

O escritório do sr. Bennet não era mais que uma pequena sala, com uma janela retangular voltada para a rua estreita e a lateral do prédio vizinho. Todo o espaço do escritório estava completamente ocupado; duas paredes estavam ocultas por altas estantes repletas de livros e uma terceira parede estava parcialmente bloqueada por um sofá-cama. À quarta parede, uma mesa estava disposta com o computador antigo e vários papéis espalhados.

Ao entrar no escritório, Elizabeth encontrou o seu pai sentado a cadeira do computador, mas voltado não para este aparelho e sim para a montanha de papéis em que estivera trabalhando antes de sua chegada ao apartamento. O seu olhar parecia perdido em um mundo distante.

Elizabeth caminhou até o sofá-cama e sentou-se a sua beirada, com a postura ereta e tensa. E ficou a observar o seu pai, sentado de costas para ela. Ele, lentamente, virou a cadeira em sua direção e fitou-a longamente. Sua expressão ainda mais sombria.

--No que você estava pensando? – Ele a interrogou. – Você enlouqueceu? – Ele continuou a ventar suas frustrações.

Elizabeth suspirou, baixando a cabeça, envergonhada.

--CASAR?! – Ele estava ficando mais exaltado a cada nova exclamação. – Com ele?!

Ao notar sua entonação significativa ao se dirigir a Darcy, Elizabeth ergueu a cabeça e o fitou nos olhos.

--Papai... – Tentou se explicar, mas ele a interrompeu.

--Ele é mesmo o que você quer?! – Joseph questionou-a, apoiou ambos os cotovelos nos joelhos e inclinou-se em sua direção, lançando-lhe um olhar penetrante. – Ele é rico, sem dúvida. E vem de uma boa família e, claro, o seu nome vai lhe dar bastante prestígio... Talvez, até ajude a decolar a sua carreira, como sua mãe sempre sonhou e tanto encorajou você e as suas irmãs a fazerem. Mas é isso mesmo o que você quer?

Elizabeth estava tão surpresa com a sua linha de raciocínio que não soube como replicar de imediato. Permitindo que ele continuasse.

--Eu sei que a sua mãe sempre tentou influenciá-las a procurar se relacionar com pessoas importantes... Mas eu sempre acreditei que com Jane e você eu não precisaria me preocupar. Estava confiante de que vocês duas teriam juízo o suficiente para não basear suas escolhas em interesses escusos!

Elizabeth estava literalmente boquiaberta, fitando-o em silêncio.

--Eu não lhe ensinei nada? Eu falhei tanto assim como você?! – Joseph reclamou. –Casamento é algo sagrado! Foi feito para se criar uma família... e não como um meio de ascensão social! – Sr. Bennet declarou, furioso.

--Papai! – Elizabeth protestou, abismada.

--Eu sei que hoje em dia as pessoas se casam já pensando que se não der certo, eles podem se divorciar. – Mas ele não lhe deu chance para interrompê-lo. – É assim que você pensa? Casou com ele imaginando que em poucos anos se separaria?! E então, o quê? Vai viver de pensão alimentícia?!

--O senhor está me ofendendo! – Elizabeth resmungou. – Eu me casei com ele por que... – Tentou explicar, mas entre a raiva e as lágrimas de frustração embaçando a sua visão, as palavras ficaram entaladas em sua garganta.

--Por quê? – Seu pai demandou.

--Eu não consegui dizer ‘não’ quando ele me pediu. – Ela explicou, pensando no momento em que Darcy lhe fez a proposta de casamento. – Eu não quis dizer ‘não’. – Acrescentou, com firmeza, secando a lágrima que escapou dos olhos com as costas da mão, em um gesto zangado. – Eu o amo. – Sussurrou, emocionada. – Eu o amo. – Repetiu um pouco mais alto, fitando o pai nos olhos.

O sr. Bennet suspirou, recostando-se na cadeira e passando as mãos no cabelo, abalado.

--Eu sei que não agimos certo nos casando assim... E queria poder dizer que estou arrependida. – Elizabeth disse, tentando se justificar. – Mas a verdade é que... se ele me pedisse em casamento de novo... agora... a minha resposta ainda seria a mesma.

--Minha filha! – Ele parecia ainda mais transtornado com esta sua afirmação que com as suas suspeitas equivocadas.

Elizabeth não sabia o que estava fazendo-o reagir desta forma. Notando a sua incompreensão, Joseph disse.

--Você sabe que eu me preocupo com você e suas irmãs. Tudo o que quero é que vocês sejam felizes.  – Tentando explicar os seus receios. – E eu ficaria satisfeito em lhes dar a minha benção se eu acreditasse que este homem fosse lhe fazer feliz. Mas não acredito.

--Por que não? – Elizabeth murmurou, angustiada. – O senhor não o conhece, papai. William é... Eu sei que ele é um pouco frio... a primeira impressão. Eu pensei que ele fosse orgulho e arrogante. Mas eu estava errada. Ele é... Ela pestanejou para encontrar as palavras certas para descrevê-lo ao pai, descrever as suas qualidades; nunca imaginara que se encontraria nesta situação. – Ele é bastante sério e retraído... Mas, na verdade, ele é... bom. Gentil e amoroso.

--Eu não o conheço, como você mesma colocou. E não vou tentar desmerecê-lo. – Seu pai contrapôs. – Mas você deve considerar que... Por mais que eu abomine o senso de superioridade do meu sobrinho, Adolfo, e suas idéias sobre classes sociais. Eu temo que o preconceito deste tipo entre o meio social dele ainda exista. – Joseph disse. – E tenho certeza de que se o sr. Darcy não pensa assim, a família dele o fará. A família dele deve ter as suas expectativas com relação à esposa dele.

Elizabeth engoliu em seco diante de suas palavras.

--Expectativas estas que, conhecendo você do jeito que conheço, sei que você não vai querer atender. – Joseph continuou a argumentar. – Eu a vi brigar e enfrentar a sua mãe tantas vezes, para vir a acreditar que você estaria disposta a baixar a sua cabeça e se submeter à vontade de outros assim.

Elizabeth apressou-se a limpar novas lágrimas, muda.

--Então, entenda, minha filha. O que eu antevejo no seu futuro é... – E foi a sua vez de pestanejar para encontrar as palavras. – De duas, uma: você vai viver sua vida em constante conflito com o seu marido, ou irá se modificar completamente para agradá-lo e à sua família. – Joseph sentenciou, com uma seriedade lúgubre. – De qualquer forma, eu não consigo ver como você será feliz.

Os dois permaneceram em silêncio, abalados com o teor daquela conversa. Até que o sr. Bennet disse, emocionado.

--Eu torço para estar errado. Torço para que ele saiba lhe dar valor. – E, com aquele mesmo olhar penetrante, acrescentou. – Eu desejo que ele saiba amá-la como você merece, minha filha.

Elizabeth não conseguiu mais ficar ali, sob o olhar sofrido do pai. Ergueu-se do sofá-cama e saiu do escritório. Mas não quis voltar para a sala, onde ouvia a voz de sua mãe fazendo milhares de perguntas a Darcy sobre a sua família – se eles já sabiam do casamento e como reagiram. Já fazendo planos para um jantar entre as duas famílias.

Elizabeth se sentia muito abalada e se voltasse para a sala de imediato todos notariam que estivera chorando. Então, foi para o seu próprio quarto. Ao entrar, fechou a porta e se recostou a ela, fechando os olhos e suspirando pesadamente. Queria acalmar o seu coração e impedir-se de recomeçar a chorar.

Caminhou até a sua cama e deitou-se, fitando o teto. Queria poder ignorar as palavras de seu pai, mas não podia. Seria uma boba se o fizesse. Lembrava-se perfeitamente como Darcy se comportara assim que se conheceram. A atitude esnobe dele deve ser fruto de sua criação. E se os pais dele forem iguais a soberba Catherine De Bourgh?

Elizabeth não saberia dizer por quanto tempo ficou deitada ali, fitando o vazio. Até que ouviu uma batida na porta e, sentando-se na cama e esfregando apressadamente os olhos, respondeu.

--Entre. – Imaginando que veria Jane, a única em sua casa, além de seu pai, que tinha a educação de bater a porta antes de entrar no seu quarto.

Mas se surpreendeu quando Darcy pôs a cabeça para dentro do quarto e perguntou.

--Posso entrar? – Tímido.

--Claro. – Respondeu, levantando-se da cama.

Ele entrou e fechou a porta, olhando brevemente ao seu redor. Esta era a primeira vez em que pisava em seu quarto. E não falhou em observar que o vaso de orquídea que lhe dera no Dia dos Namorados estava sobre uma mesa enfrente a janela, próximo a sua cama.

--Como soube que eu estava aqui? – Perguntou-lhe.

--Jane foi até o escritório procurá-la. Como não a encontrou, deduziu que estava aqui. – Ele respondeu. – Como foi a conversa com o seu pai? – Perguntou, cauteloso, acercando-se dela.

Elizabeth encolheu os ombros, sacudiu a cabeça e fez uma careta. Mas não disse nada.

Darcy segurou em sua cintura, enlaçando-a, e trazendo o seu corpo para a proteção de seus braços.

--Você quer que eu converse com ele? – Propôs.

--Nada do que você disser vai mudar... – Ela começou a dizer, mas se interrompeu; sabia que se continuasse por este caminho, ele faria perguntas e teria de explicar o teor de sua conversa com o seu pai. – Ele só está... preocupado com a minha felicidade. – Murmurou, abaixando a cabeça e evitando olhá-lo nos olhos.

Darcy a abraçou mais apertado, deu-lhe um suave beijo na testa e murmurou.

--Eu vou te fazer feliz. – Fazendo-a erguer o olhar nublado por lágrimas não derramadas e fitá-lo nos olhos. – Prometo. – Jurou, dando-lhe um cálido beijo nos lábios em seguida.

Elizabeth escondeu o rosto em seu ombro, com a respiração entrecortada e as lágrimas correndo livres pelo seu rosto, abraçando-o forte. E permaneceu assim, sentindo-o acariciar as suas costas e o seu cabelo, consolando-a.

Sabia que teria de arrumar algumas coisas para levar para a casa dele, vindo a levar o restante outro dia quando tivesse tempo. Sabia também que ao reaparecerem na sala, sua mãe insistiria para que ficassem para o jantar. Mas, naquele momento, não queria sair da segurança dos braços dele por nada.

~#~

Georgiana fizera planos com Rebecca e Betsy de saírem juntas aquela noite sem os respectivos namorados. Há tempos que não faziam um programa completamente de garotas.

Mas enquanto terminava de se arrumar, Rebecca entrou no seu quarto para lhe informar que Betsy estava com cólica e dor de cabeça. Que tomara um remédio, mas pretendia se recolher em seu quarto e tentar dormir.

E as duas decidiram cancelar os seus planos daquela noite. Não haveria muita graça sair as duas sem Betsy. Rebecca decidiu ir se encontrar com o namorado, e Georgiana seguiu o seu exemplo.

Ligou para Eric, certificando-se de que ele estava em casa, e saiu do seu apartamento. Estava se aproximando do seu carro, quando uma sensação estranha a fez parar e olhar para trás.

Não havia nada fora do comum na rua àquela hora, então Georgiana acionou o controle do carro e abriu a sua porta, entrando em seguida. Colocou o cinto e ligou o carro. Quando olhou no retrovisor, para ver se era seguro tirar o carro da vaga, o viu na calçada, enfrente a entrada de um prédio.

Alarmada, virou a cabeça para trás, por cima do ombro, e tentou localizá-lo novamente. Mas não havia ninguém lá. Lentamente, voltou a olhar para frente. Inspirou e expirou, tentando acalmar as batidas frenéticas de seu coração. Tirou as mãos do volante e as descansou no colo; elas estavam trêmulas.

Com outro longo e frustrante suspiro, voltou a olhar pelo retrovisor. Continuava a não existir ninguém lá.

--Você está ficando maluca! – Resmungou consigo mesma.

Ligou a seta do carro e o retirou da vaga, seguindo em direção ao apartamento de Eric. Foi o percurso todo tentando acalmar a si mesma e esquecer-se daquela visão assombrosa, produto de sua imaginação.

Estacionou o carro quase enfrente ao prédio de Eric e saiu deste, travando as portas ao mesmo tempo em que olhava ao seu redor, desconfiada. Só se sentiu mais segura quando já estava dentro do prédio, subindo as escadas para o andar do apartamento de Eric.

Max abriu a porta e estranhou ao se deparar com ela.

--Vocês não iam sair... só garotas esta noite? – Questionou-lhe, ao permitir a sua entrada.

--Betsy não estava se sentindo muito bem... e preferiu ficar em casa. – Explicou.

--O que ela tem? – Ele inquiriu, preocupado.

--Coisas de garota. – Replicou, sem jeito; nunca discutira com um homem as intimidades femininas antes. Seja com o seu pai, irmão ou até mesmo primo.

--Ohh... – Mas Max entendeu assim mesmo. – Eu vou ligar para ela. – Afirmou, seguindo em direção ao próprio quarto. – Ah é... Eric está no quarto dele. – Acrescentou, ao se afastar, apontando a porta do quarto de Eric ao passar por ela.

Georgiana foi até o quarto dele e bateu a porta. Ao ouvir a sua resposta, permitindo a sua entrada, abriu a porta e adentrou no quarto, fechando a porta a suas costas.

Encontrou Eric sentado enfrente a sua escrivaninha, com o laptop ligado e digitando. E uma música no volume baixo estava tocando no próprio laptop.

Eric olhou rapidamente em sua direção por cima do ombro, perguntando.

--Oi. Você não ia sair com as garotas? – Também parecendo surpreso com a sua presença.

--Mudança de planos. – Respondeu, vindo a repetir a explicação que dera a Max minutos antes.

Aproximou-se dele, para ver o que Eric estava digitando.

--O que você está fazendo? – Perguntou-lhe.

--Adiantando um trabalho que devo entregar na semana que vem. – Ele respondeu, sem interromper o que estava fazendo; ora digitando com agilidade, ora checando fatos em seu caderno ou livros de pesquisa.

--Devo ir embora?

--O que? – Ele parou momentaneamente para poder olhá-la mais uma vez. – Não. Deixa só eu terminar este tópico e... eu paro. – Acrescentou, voltando a sua atenção para a tela do laptop e lendo o que tinha escrito até então.

--Eu não quero atrapalhá-lo. – Georgiana comentou.

--Não vai me atrapalhar em nada. – Respondeu sem voltar a olhá-la. – Além do mais, Max pediu uma pizza para o nosso jantar e eu ia parar assim que ela chegasse.

Georgiana então caminhou até a cama dele e se sentou. Ficou olhando ao seu redor, observando os detalhes do quarto dele. Em uma estante existiam muitos livros de medicina e poucos livros sobre qualquer outro assunto. Um violão estava encostado à parede em um canto e uma bola de basquete miniatura estava entre seus sapatos, atrás da porta – onde estava pregada uma cesta de basquete também em miniatura.

Estava pensando no quanto o relacionamento deles mudou desde que lhe fizera aquela revelação sobre o seu passado. Embora Eric demonstrasse de várias formas o quanto a amava, ele já não era mais o mesmo – especialmente quando se tratava da parte física da relação.

Ele agia sempre com muita consideração e respeito. Fazendo com que Georgiana chegasse a acreditar que ele talvez já não se sentisse atraído por ela, que já não a desejasse mais. Até mesmo quando a beijava ele parecia cauteloso e hesitante.

Embora ficasse em seu apartamento durante mais de uma noite, dormindo abraçado a ela, ele nunca mais tentara avançar e aprofundar a intimidade. E Georgiana já estava começando a se arrepender de ter lhe contado tudo.

Notou quando ele começou a salvar o arquivo no laptop e fechar o programa. Logo em seguida, ele fechou os livros e caderno, arrumando-o em uma pilha sobre a escrivaninha. Sem desligar o laptop – deixando que continuasse a tocar música ainda no volume baixo – virou a cadeira em sua direção e se aproximou dela, fazendo a cadeira correr pelo quarto em suas rodinhas.

--O que foi? – Questionou-a, ao notar sua expressão abatida no rosto.

Georgiana hesitou por um instante, mas disse.

--Você não me deseja mais. – Com a voz falha.

--O que?! – Eric inquiriu, abismado com aquela acusação.

--Desde que eu lhe contei sobre... Você mudou comigo. – Georgiana explicou, desconcertada.

--Está ouvindo a besteira que você está falando? – Eric protestou, empurrando a cadeira para mais perto ainda e, alcançando sua mão, puxou-a para o seu colo. – Eu amo você. – Declarou, abraçando-a pela cintura.

--Eu sei disso. – Georgiana resmungou. – Eu sei que você me ama. – Acrescentou, com um tom de voz mais ameno. – Você só não me deseja mais. – Repetiu, argumentativa.

Sentia o rubor arder em suas bochechas e não conseguia fitá-lo nos olhos, então olhava para a tela do laptop por sobre o ombro dele.

--Georgie, olhe para mim. – Ele pediu.

Quando ela criou coragem para fitá-lo nos olhos, Eric perguntou.

--O que eu preciso fazer para você acreditar em mim? Para você acreditar que eu te desejo? – Perguntou, exasperado. – Quer que eu arranque a sua roupa e faça amor com você agora mesmo? – Inquiriu, retoricamente.

--Sim. – Ela respondeu, automática; deixando-o boquiaberto.

Por um tempo indeterminado, os dois continuaram a se fitar em silêncio, presos naquele impasse. Se for possível, Georgiana estava ainda mais corada. E o seu coração agora palpitava furiosamente.

Ela estava tentada a virar o rosto e fugir do seu olhar penetrante. Mas sabia que não devia fazê-lo, pois ele poderia tomar esta atitude como sinal de que não estava falando a sério.

--Georgie,...

A porta do quarto foi aberta e Max espiou dentro do quarto, interrompendo o que Eric estava para dizer a Georgiana.

--A pizza já chegou. – Max informou.

Georgiana se levantou do colo de Eric como se estivesse sentada em uma fogueira, assim que ouviu a voz de Max. Mas Eric a puxou de volta para o seu colo e voltou o rosto na direção de Max, ordenando.

--Suma!

--Ihh... foi mal, aí! – Max resmungou, fechando a porta logo em seguida; totalmente surpreso por aquela hostilidade gratuita.

Sem olhá-lo, Georgiana aguardou que ele tentasse dissuadi-la de alguma forma. Mas Eric não falou mais nada.

Relutante e temerosa, ela ergueu o olhar para o seu rosto e fitou-o nos olhos. O olhar que Eric lhe lançava estava carregado de sentimentos. Havia amor, mas também existia algo a mais. Georgiana sentia suas mãos suarem e o estômago dar mil nós de ansiedade, ao encará-lo e enxergar uma chama ardendo de paixão naquele olhar.

Observou-o inclinar-se para mais perto, até que conseguisse sentir o seu hálito quente em seus lábios. Sentia os seus próprios lábios formigando de ansiedade por aquele beijo. Mas Eric parecia ter paralisado ali há poucos centímetros de distância, fitando-a com uma interrogação nos olhos.

Georgiana não hesitou. Percorreu a distância restante e pressionou os seus lábios ao dele, beijando a sua boca. E sentiu a imensa satisfação quando Eric a abraçou mais apertado ainda, comprimindo o seu corpo contra o seu peito, e aprofundou aquele beijo com volúpia.

Eles logo perceberam que aquela cadeira só agüentava um casal em plena atividade amorosa até um determinado momento e mudaram para a cama dele.

Eric foi muito atencioso e paciente. Parecia estar sempre procurando obter a sua permissão com gestos ao avançar cada novo estágio. E diferente da outra vez, Georgiana se entregou a ele sem o mesmo medo ou hesitação. Tirando a sua coragem do fato de que Eric conhecia o seu mais sombrio e doloroso segredo, e ainda assim a amava e desejava como mulher.

 

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