Capítulo XLIII
Revelações
Mary entrou em seu quarto, fechou a porta e ligou o rádio. Colocando o CD para tocar a mesma música repetidas vezes. Deitou-se na sua cama e ficou olhando o teto de seus quarto, pensando naquele beijo e o que poderia significar.
Não conseguia entender. Rapazes como ele não gostam de garotas como ela. Mary já estava conformada com este fato. Estava satisfeita em ter apenas a sua amizade e guardar para si seus verdadeiros sentimentos. Sabendo que nunca poderiam ser correspondidos.
Então, por que ele a beijou?
Pediu a Lucian e a Craig para se encontrarem com ela em uma das salas de estudo da Faculdade. Era o lugar ideal para apresenta-lhes o seu projeto como pretendia fazê-lo ao seu professor dali a alguns dias. Estaria defendendo a sua tese como avaliação final daquele semestre e queria saber a opinião dos seus amigos, para determinar se ainda precisava fazer alguma alteração.
A sala de reuniões que reservou ficava dentro da sala de estudos. Uma mesa retangular ampla ficava ao meio, rodeada de várias cadeiras. Um pequeno armário com uma televisão, um aparelho de DVD e um retroprojetor estavam em um canto.
Os dois chegaram cedo e decidiu dar inicio logo a apresentação, assim teriam tempo o suficiente para ouvir a opinião dos dois e discutir as possibilidades de alteração.
Usou o slide show e apresentou com tranqüilidade a sua tese. Há muito que já não sentia intimidada pela presença dos dois e sentia-se confiante em apresentar-lhes a sua opinião acadêmica.
Após apresentação, os três conversaram. Craig e Lucian pareciam ter gostado da apresentação e ressaltaram pequenos detalhes que Mary se esquecera de abordar em sua apresentação.
Mary fez as observações concernentes às ressalvas e começou a guardar os seus materiais. Craig precisava resolver um problema pessoal e deixou-os sozinhos pouco tempo depois de ela ter terminado a sua apresentação. Mary esperava que Lucian seguisse o amigo, mas ele ficou para trás, ajudando-a a guardar seus materiais.
De repente, sentiu a presilha que prendia o seu cabelo em um coque ser retirada de seu cabelo. Sentiu o coque se desmanchar, o cabelo caindo em cascata em suas costas, abrindo-se como um leque em espiral. Voltou-se para Lucian e o viu com a presilha em mãos e um sorriso de aprovação no rosto.
--O que está fazendo? – Questionou-o.
--Queria saber como você fica com o cabelo solto. – Ele respondeu com naturalidade.
--Devolva. – Ordenou, estendo a mão e esperando que ele devolvesse sua presilha.
--Não. – Lucian riu-se.
--Devolva. – Mary comandou, andando em sua direção.
--Não. – Ele repetiu, divertido, dando passos para trás.
--Lucian, não tem graça! Devolva! – Mary resmungou, atacando-o e tentando tirar a presilha de suas mãos.
--Não! – Lucian gargalhava, segurando a presilha no alto.
Mary segurou-o pelos braços com força e fez pressão para que ele os abaixasse, permitindo-lhe alcançar a presilha. Mas Lucian desvencilhou-se dela e passou a contornar a mesa ao centro da sala, fazendo-a persegui-lo.
Mary sentia-se estúpida. Custava a acreditar que estava participando de uma brincadeira tão infantil quanto aquela. E se perguntava por que Lucian gostava tanto de fazê-la fazer papel de boba.
Estava quase o alcançando, quando seu pé ficou preso na alça da mochila dele que estava no chão, próximo a cadeira que ele estivera sentado. Mary tropeçou e sentiu que estava sendo arremessada para frente. Sabia que cairia de cara no chão. Só teve tempo de estender os braços para amortecer a queda, quando mãos firmes seguraram-na e impediram o seu contato com o chão frio.
--Está bem? – Lucian perguntou, preocupado, quando ela conseguiu ficar ereta.
--Sim. – Murmurou em resposta, evitando olhá-lo nos olhos.
Sabia que estava ruborizada e se perguntava se algum dia poderia vir a si sentir mais patética do que agora.
Sentiu uma das mãos dele contornar o seu rosto na medida em que ele mexia em seu cabelo, permitindo que os seus dedos penetrassem entre alguns fios de cabelo. Ergueu o olhar para ele e o viu percorrer cada centímetro de seu rosto com um olhar admirado, antes de recair sobre os seus lábios.
Mary não conseguia respirar; o seu coração estava entalado em sua garganta, obstruindo sua respiração. E permaneceu de olhos arregalados mesmo depois de Lucian se inclinar e pressionar com determinação seus lábios sobre os dela. Beijando-a sem um pingo de hesitação.
Lucian passou os braços pela sua cintura e puxou o seu corpo de encontro ao dele. Mary ergueu as mãos, mas ficou em duvida se as colocava em seu peitoral ou em seus ombros. Então permaneceu com elas erguidas, mas sem tocar nele.
Lentamente, fechou os olhos e relaxou. Sem pensar, permitiu que as mãos tocassem-no, descansando-as sobre os braços dele. Então, tudo acabou. Ele interrompeu o beijo e a soltou, como se houvesse lavado um choque.
Há passos de distância, fitava-a com uma expressão de incredulidade e remorso no rosto. Então, recolheu sua mochila do chão e saiu da sala de estudos com tanta pressa que parecia que mil demônios o perseguiam. Deixando Mary ali, paralisada e atordoada.
--Por que ele me beijou? – Mary se perguntou em voz alta.
--Quem lhe beijou? – Lydia perguntou, arrancando-a de seus devaneios.
Mary ergueu-se de sua cama, sentando-se, e fitou a sua irmã com alarme. Estava tão distraída com seus pensamentos que não virá ou escutará Lydia entrar no quarto. Nem ela, nem Catherine – quem estava ao lado de Lydia e a fitava com a mesma curiosidade aguçada da irmã mais nova.
--Quem lhe beijou? – Catherine repetiu a pergunta de Lydia.
--Ninguém. – Resmungou.
--Não minta! – Lydia reclamou. – Nós ouvimos bem o que você disse. Alguém te beijou!
--É... E você está aí deitada há um tempão, com o olhar perdido, ouvindo esta música... “Estes sentimentos não vão embora... Eles têm me tirado do rumo... Têm me deixado perdido... Sempre que você está por perto...” – Catherine comentou, cantando um pedaço da música; após ouvi-las tantas vezes, já sabia cantar o seu refrão.
--“Estes sentimentos não vão embora... Eles têm me tirado do rumo... Eu continuo acreditando que com o tempo eles irão embora... Mas estes sentimentos não vão embora.” – Lydia continuou a cantá-la em tom de deboche. – Quem foi que te deixou assim... tão melancólica?!
--Ninguém. – Mary repetiu, levantando-se da cama e indo até o rádio, desligando-o.
--Ah Mary, não seja chata. – Lydia resmungou. – Somos suas irmãs, você pode confiar na gente.
--Nós não vamos contar a ninguém. – Catherine prometeu.
--Quem sabe, podemos até ajudá-la. – Propôs Lydia.
--Me ajudar? – Mary soou incrédula.
--Sim. – Lydia resmungou, ofendida. – Nós sabemos mais sobre meninos que você, disso tenho certeza! – Defendeu, com superioridade.
Catherine confirmou com acenos de cabeça.
--Conte-nos, por favor! – Catherine implorou.
Mary hesitou, mas, por fim, voltou a se sentar em sua cama e começou a falar.
--O nome dele é Lucian Scott. – Disse, ainda surpresa consigo mesma por ter aceitado se abrir com suas irmãs mais novas. – Vocês o conheceram quando foram lá na Universidade comigo daquela vez.
Lydia e Catherine se entreolharam, confusas. Não conseguiam se lembrar.
--Eu me esbarrei nele, derrubando a braçada de livros que carregava e vocês duas ficaram paquerando-o... – Mary insistiu, mas elas continuaram a olhá-la com expressões perdidas.
Mary decidiu não insistir mais. Estava claro que suas irmãs paqueravam tantos garotos que não conseguiam se lembrar de todos. Embora Mary achasse um absurdo que elas conseguissem se esquecer de Lucian, em particular. Ninguém em sã consciência poderia se esquecer dele.
--De qualquer forma, o nome dele é Lucian... – Prosseguiu com o seu relato; contando-lhes sobre a ajuda que lhe ofereceu com o seu projeto de conclusão de semestre, como se tornaram amigos e como sempre acreditou que ele nunca pensou nela como nada além de amiga. Até o fatídico beijo aquela manhã.
--É o que a gente vive te dizendo, não? – Lydia declarou ao fim de seu discurso. – É claro que ele fugiu. Olha para você! – Mary obedeceu, olhando para si mesma com uma expressão confusa no rosto. – Você é muito esquisita! – Lydia continuou, ganhando um olhar azedo da irmã.
--Se você se arrumasse mais um pouquinho... – Catherine acrescentou, tentando ser mais boazinha em suas críticas.
--Ele arrumou o seu cabelo, não foi? Então? – Lydia continuou. – Até ele sabe que você não sabe se arrumar!
Mary ficou com uma carranca ainda mais profunda.
--Mary, ele já está atraído por você... – Catherine ponderou.
--Deus sabe lá porque, mas é verdade. – Lydia concordou. – Senão ele não teria te beijado. O que você precisa fazer agora é ficar irresistível.
--Ficar irresistível? – Mary questionou, cética.
--Eu sei. – Lydia riu-se, como se aquela possibilidade fosse uma piada. – A verdade é que você precisa mudar este look de rata de biblioteca para algo mais atraente.
--Eu não vou mudar quem eu sou por causa de um homem, Lyd! – Mary protestou.
--A gente não está dizendo para você mudar quem é, só o visual. – Catherine argumentou.
--É, Mary. O conteúdo é o mesmo, só vamos mudar a embalagem! – Lydia ponderou.
E decidia, abriu o armário da irmã e começou a mexer em suas coisas. Atirando roupas na cama.
--Você precisa de um guarda-roupa novo. – Declarou, por fim. – Nada que você tem aqui serve!
Mary ficou ali, sentada, boquiaberta.
--Vamos pedir mamãe dinheiro para ir ao shopping! – Catherine propôs.
--E você acha que mamãe vai dar dinheiro para vocês duas? – Mary interrogou, cética; Lydia e Catherine já estouraram dois cartões de crédito da sra. Bennet com “algumas comprinhas”.
--Para mudar o seu visual? – Lydia questionou, retoricamente. – Vai sim!
--Com certeza! – Catherine concordou.
E as duas saíram do quarto, animadas, deixando Mary pra trás ainda incerta do que acabara de fazer. Onde se enfiara.
~#~
Como os Bennet estariam aguardando o retorno de Elizabeth a Londres naquele mesmo dia, Darcy e Elizabeth decidiram comunicar aos pais dela sobre o casamento primeiro.
Assim que desembarcaram em Londres, tomaram um taxi até o apartamento de Darcy. Onde deixaram as bagagens e pegaram o carro dele, seguindo para a casa dos pais de Elizabeth em seguida.
Ao estacionarem o carro enfrente a Agência, Elizabeth percebeu que ainda havia movimento dentro da Agência. Pouco movimento, mas alguns funcionários ainda estavam ali. Fazendo a limpeza rápida antes de fechar o expediente por aquele dia.
Procurou se informar onde a sua mãe estava e descobriu que já estava em seu apartamento. Guiou Darcy até a escada e subiram para os andares superiores. Ao surgir no ultimo andar, encontram a porta do apartamento aberta e conseguiram ouvir uma algazarra de vozes femininas excitadas.
Ao surgir ao batente da porta, viram a sra. Bennet e as irmãs de Elizabeth na sala, rodeadas por sacolas de compras. Lydia e Catherine abriam as sacolas e exibiam as roupas e acessórios que passaram a tarde inteira comprando no shopping. E a sra. Bennet examinava tudo com bastante atenção.
Jane estava sentada ao lado de sua mãe e ria indulgente para a cena que presenciava. Um menina de cabelos curtos, na altura dos ombros e franginha, na cor castanho escuro com luzes cobre, pele branca e estatura mediana estava de pé ao lado de Lydia, mas não participava da alegria alheia.
Elizabeth estava se perguntando quem era aquela amiguinha de suas irmãs mais novas, porque não se lembrava de tê-la visto antes, quando a menina olhou em sua direção e exclamou:
--Lizzie!
--Mary?! – Elizabeth questionou, abismada. – É você? – Elizabeth se aproximou da irmã, admirando-a dos pés a cabeça.
Além da mudança de corte de cabelo, Mary também estava vestida diferente. Usava um jeans azul claro desbotado; uma blusa sem decotes, mas transada; sapatos de salto médio que simulava o efeito de uma bota.
--Ela não está bonita? – Catherine pediu a sua opinião, animada.
Elizabeth concordou, sorrindo.
--Modéstia a parte, a obra é minha! – Lydia se congratulou.
--Nossa! – Catherine reivindicou.
--Eu não fiz nada! – Jane disse com ironia, divertida; mas suas irmãs mais novas a ignoraram.
--Eu pareço ser outra pessoa, não pareço? – Mary indagou a Elizabeth num murmúrio desanimado.
--Não. Apenas está com mais cor... Viva. – Elizabeth argumentou, mexendo no cabelo da irmã; deixando Mary corada. – Você está muito bonita.
Lydia e Catherine desataram a relatar como se procedeu a sua transformação. Como as duas a convenceram a mudar o visual e com a permissão da mãe, além da ajuda de Jane, foram ao shopping e fizeram compras. Em seguida, levaram Mary ao cabeleireiro e convenceram-na – quase a forçaram – a cortar o cabelo e tingi-lo.
Mary foi a primeira a notar a presença de Darcy. Ele continuava ao batente da porta do apartamento, constrangido com a cena que presenciava. Não sabia o que fazer, se entrava ou saia. Não estava acostumado com aquela comoção de mulheres, tratando de assuntos estritamente femininos.
E Mary chamou a atenção de Elizabeth para ele.
--Will, entre. – Elizabeth o convidou, se reaproximando dele e segurando em sua mão, guiando-o para dentro do apartamento.
--Sr. Darcy! – A sra. Bennet exclamou. – Por favor, entre. Entre! E sinta-se a vontade! A casa é sua! – Aclamou, afobada; começando a recolher as roupas largadas em cima da mesinha da sala e recolocá-las nas sacolas.
Suas filhas seguiram o seu exemplo e, por fim, Lydia, Catherine e Mary foram levar as sacolas para o quarto. Retornando para sala em seguida.
--Lizzie, por que você não nos informou que o sr. Darcy estaria vindo com você? – A sra. Bennet ralhou com a filha. – O seu vôo não devia ter chegado pela manhã?
--Eu troquei de vôos, mamãe. – Elizabeth explicou, constrangida com a atitude de sua mãe. – Eu liguei e informei a Jane...
--Eu não lhe disse nada sobre a mudança de vôos, mamãe? – Jane perguntou, remorso estampado em seu rosto; não gostava de mentir e sabia que não dissera nada a mãe de propósito, a pedido de Elizabeth. – Eu jurava que tinha dito, devo ter esquecido. Afinal, eu saí com as garotas e...
--Onde está sua mala, Lizzie? – Mary perguntou, chamando a atenção de todos para aquele pequeno detalhe naquele instante.
--Ahm.. – Elizabeth pestanejou. – Cadê papai? – Perguntou em seguida, tentando mudar o foco da conversa.
--Está no escritório dele. – Lydia respondeu. – Onde estão as suas coisas? – Repetiu a pergunta de Mary, não deixando o assunto morrer.
--Eu vou chamar o papai. – Jane propôs, saindo da sala às pressas.
--Sr. Darcy, sente-se, por favor. – A sra. Bennet urgiu. – Posso lhe servir alguma coisa?
--Não, obrigado. – Darcy respondeu, com a voz profunda e embargada. Indo se sentar onde a sra. Bennet lhe indicara; levando Elizabeth consigo e fazendo-a se sentar ao seu lado.
Elizabeth lhe lançou um breve olhar e percebeu que ele estava nervoso. Mas antes que pudesse lhe dizer qualquer coisa como consolo, seu pai entrava na sala na companhia de Jane.
--Lizzie! – Ele exclamou, feliz.
Elizabeth pôs-se de pé de um salto e correu a abraçá-lo.
--Papai!
--Como foi a sua viagem? Correu tudo bem com o desfile e sua estadia em Las Vegas? – Ele perguntou-lhe logo em seguida.
--Hum-hum. – Elizabeth murmurou.
--Alguma novidade para me contar? – Joseph questionou-a com um tom de voz leve que sugeria ser uma mera curiosidade.
--Sim. – Elizabeth respirou a resposta, sentindo o seu coração bater apressado.
Fora o tom de sua voz ou as batidas apressadas de seu coração que a denunciou, Elizabeth não saberia dizer. Mas imediatamente o sr. Bennet liberou-a de seus braços e fitou-a nos olhos, longamente. Depois redirecionou o seu olhar para Darcy, notando a sua presença pela primeira vez.
--Sr. Bennet. – Darcy o cumprimentou, sério, pondo-se de pé.
Joseph continuou a olhá-lo, desconfiado, ao replicar.
--Sr. Darcy. – Afastando-se de Elizabeth e indo se sentar em sua poltrona favorita. – O que vocês dois têm para me contar? – Questionou a filha em seguida.
Sua pergunta silenciou suas filhas e esposa. E todos assistiram Elizabeth retornar ao seu lugar ao lado de Darcy no sofá, os dois se sentarem e darem as mãos.
O olhar atento de sua mãe recaiu sobre o anel em seu dedo e com um grito de excitação, exclamou.
--Meu Deus, eles ficaram noivos! – Batendo palmas, animada.
--Noivos? – Lydia e Catherine perguntaram em união, tentando descobrir como sua mãe adivinhou tal fato.
O sr. Bennet não parecia tão surpreso, nem tampouco contente.
--Não, mamãe. – Elizabeth apressou-se a corrigi-la. – Não estamos noivos.
--Como não, Elizabeth? – Anita resmungou, contrariada. – Se estou vendo daqui o seu anel de noivado... e o do sr. Darcy também.
Suas irmãs mais novas correram os olhos pelas mãos dos dois, registrando tal evidencia também.
--Não é um anel de noivado e sim de casamento. – Darcy explicou, conciso.
--Casamento? – Mary repetiu. – Vocês se casaram? – Foi a única que teve voz para verbalizar aquela pergunta.
--Sim, nos casamos. – Darcy respondeu de imediato.
Ninguém mais falou nada. O que surpreendia Elizabeth. Esperava que sua mãe exclamasse aos céus, agradecendo pela sua boa fortuna. Parabenizasse-os e enchesse Darcy de novas amabilidades.
Mas ela permaneceu parada, muda. Estática. Jane, a única que sabia do seu segredo, parecia tão surpresa quanto ela. E lhe dirigia um sorriso de conforto. Lydia e Catherine logo passaram a cochichar entre si.
--Casaram em Las Vegas! Parece até um daqueles romances que Mary fica lendo que o casal foge para se casar em Gretna Green. – Lydia comentava e Catherine ria.
Elizabeth ainda observava o seu pai, preocupada com sua reação.
--Como você pôde fazer uma coisa dessas comigo, Elizabeth? – Sua mãe reclamou, exagerada; surpreendendo a todos. – Casar assim... em Las Vegas... como uma foragida? Sem a presença de seus pais e irmãs? Sem festa?! Não pensou que eu gostaria de planejar o seu casamento, a sua festa?! Uma festa digna de princesa?!
--Mamãe. – Elizabeth resmungou, constrangida.
--Que menina ingrata! Eu já devia esperar isto de você! – A sra. Bennet continuou a reclamar em plenos pulmões.
--Já basta! – O sr. Bennet ordenou, silenciando a todos.
--Papai... – Elizabeth tentou se explicar, mas calou-se diante de seu olhar frio.
O sr. Bennet ergue-se de sua poltrona e saiu da sala, retornando para o seu escritório sem dizer mais nenhuma palavra.
Elizabeth assistiu-o ir, boquiaberta. E em seguida, ergueu do sofá com a intenção de segui-lo. Darcy tentou fazer o mesmo, mas ela o impediu.
--Fique aqui. – Pediu, seguindo o pai até o escritório sozinha.
LAST_UPDATED2














