Citações

Tenha sensibilidade para o suave, humor para o alegre, atenção para o sábio e paciência para o cansativo.(Jane Austen)

Colisão - Capítulo XLII

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Capítulo XLII

‘Ela dormiu no calor dos meus braços...’

 

Darcy não conseguia dormir. Sempre que sentia as pálpebras de seus olhos pesarem e era forçado a fechá-los por alguns segundos, despertava do breve cochilo com um sobressalto. Seus olhos recaiam sobre Elizabeth, deitada ao seu lado, dormindo; e tranqüilizava-se ao ver que ela estava mesmo ali, que aquela noite fora real e não apenas mais um de seus sonhos eróticos.

Parara de chover em algum momento daquela madrugada e a aurora já apontava no céu lá fora. Mas Darcy ainda estava desperto, passando os minutos decorando as linhas do rosto e os contornos do corpo dela.

Elizabeth estava deitada de lado, voltada de frente para ele. Permitindo-lhe ter uma visão desobstruída de seu rosto de feições femininas delicadas. As sobrancelhas bem delineadas, os olhos fechados de cílios longos, o nariz arrebitado, os lábios perfeitos de uma boca carnuda avermelhada – levemente entreaberta, permitindo-lhe sentir o seu hálito quente no mesmo compasso de sua respiração lenta.

Os cabelos longos e ondulados espalhados sobre o travesseiro, deixando descoberto o pescoço esguio e ombros, de pele delicada e alva.

Lembrou da ocasião em que a esprietou tirando fotos, quando estavam na Escócia, e viu uma pintinha preta que ela tinha no pescoço, próxima a orelha; Darcy ergueu parcialmente o corpo, apoiando o cotovelo no colchão, e levou a mão até o seu pescoço. Passando a ponta dos dedos pela sua pele, até que sentiu a pintinha preta atrás de sua orelha.

Curioso, enquanto permitia que as pontas dos dedos continuassem a percorrer a sua pele – descendo pelo ombro e seguindo em direção a sua cintura – seus olhos continuaram a sua investigação minuciosa de seu corpo. Queria descobrir aonde mais ela possuía pintinhas como aquela.

Com um gemido de satisfação, encontrou uma pintinha escondida no vale dos seus seios. Uma localização privilegiada para o seu exclusivo deleite. E esta constatação o fez pensar no fato de que era provavelmente o único a saber de sua existência, além da própria dona. O júbilo que aquele fato lhe proporcionava não era pouco.

Não se considerava machista. Até este dia nunca se incomodara com a possibilidade de Elizabeth já ter dividido a cama com outro homem. Na verdade, preferia não pensar neste fato.

Mas o conhecimento de que ela nunca permitira que outro homem a tocasse e a fizesse gemer de êxtase antes – e, se dependesse dele, nunca o faria – o agradava imensamente.

Os dedos refizeram o caminho de sua cintura até os ombros. E, tentado pelo que via, Darcy deixou que eles encontrassem o caminho até o vale dos seus seios e contornassem aquela pintinha.

Ela arfou e os seus seios endureceram com o seu toque. Darcy ergueu o seu olhar para o seu rosto e viu que Elizabeth estava acordada. Os olhos bem abertos, ardendo de paixão.

E, abrindo a mão sobre o seu seio e tomando-o, acariciando-o com suavidade, trouxe sua boca para perto da dela, beijando-a com amor.

Acordou horas depois com um barulho e a voz baixa e zangada de Elizabeth, proferindo uma série de impropérios. Abriu os olhos, mas fechou-os em seguida por causa da claridade do quarto. Abriu-os uma segunda vez e forçou-se a ficar com os olhos abertos até que se acostumasse com a claridade.

Então procurou por Elizabeth. Ela já não estava na cama ao seu lado. Estava de pé, andando de um lado a outro, atordoada. Tentando alcançar o zíper do vestido em suas costas e fechá-lo.

--Elizabeth? – Chamou a sua atenção, sentando-se na cama; tentando afastar o sono ao esfregar os olhos com os nós dos dedos.

--Desculpe-me por tê-lo acordado. – Ela pediu, voltando-se de frente para ele. – Você viu os meus sapatos? E a minha bolsa? – Perguntou logo em seguida, procurando pelos itens pelo chão a sua volta ao mesmo tempo em que pelejava consigo mesma para fechar o zíper do vestido.

--O que você está fazendo? – Interrogou-a, tentando não soar zangado.

Era capaz de perceber com facilidade o que ela estava fazendo. Tentando se vestir e escapar-lhe antes que ele conseguisse sair da cama. Só custava em entender o porquê. Teria se arrependido da noite passada? E mais cedo esta manhã?

Ela não respondeu. Continuou a procurar pelos sapatos e bolsa. Desistindo de fechar o vestido temporariamente, ajoelhou-se no chão e olhou debaixo da cama. Mas, ao não encontrá-los, pôs-se de pé novamente.

--Você os deixou na sala ontem. – Darcy informou-lhe, recuperando a sua atenção.

Imaginou que ela correria para sala, recuperaria os seus pertences e iria embora. Mas ela contornou a cama e se aproximou dele. Virando-lhe as costas e retirando o cabelo do caminho, pediu-lhe.

--Você poderia...? Por favor!– E indicou-lhe o zíper do vestido.

Darcy demorou um segundo apenas para segurá-la pela cintura e puxá-la para cama. Derrubando-a e deitando-se por cima, segurou os seus braços sobre a sua cabeça, impedindo-a de continuar a se debater.

--William! – Ela gritou, em protesto.

--O que você está fazendo? – Darcy repetiu a pergunta com um tom de voz mortal.

--Estou atrasada. – Ela exclamou, exasperada com a sua atitude. – O desfile! Charlotte vai me matar!

O alivio que Darcy sentiu com aquela explicação não foi pouco.

-- Por favor, deixe-me levantar! – Ela implorou.

E ele instantaneamente afrouxou o aperto sobre ela e permitiu que se sentasse na cama.

--Me ajude! – Ela pediu em seguida, voltando às costas para ele e indicando o zíper do vestido de novo.

--Pensei que o desfile seria de tarde. – Comentou, enquanto subia o zíper de seu vestido e prendia o gancho de segurança.

--Que horas você acha que são? – Ela questionou, erguendo-se da cama. – Eu já devia estar fazendo o cabelo e maquiagem! – Explicou, correndo para a sala. – Charlotte vai me matar! – Gritou da sala.

Darcy saiu da cama e procurou suas roupas, vestindo as calças antes de seguir a sua procura na sala. Ao atravessar a porta do quarto para sala, colidiu com Elizabeth. Quem voltava para o quarto correndo.

Antes que pudesse reagir ao seu assalto, ela tinha lhe dado um beijo rápido nos lábios e corrido para a porta, saindo do seu quarto de hotel.

Darcy pegou o seu relógio no bolso da calça e verificou o horário. Demorou a crer, mas tinham passado a manhã inteira na cama. Já passara do meio-dia.

Decidiu voltar para o quarto e pedir que trouxesse o seu café da manhã ao serviço de quarto. Teria de comer sozinho. Após desligar o telefone, seguiu para o banheiro e tomou um banho demorado, organizando mentalmente o seu itinerário.

Teria que mudar a reserva de vôo, programada para este mesmo dia com destino a Milão, para amanhã e com destino a Londres. E teria que fazer uma reserva no mesmo vôo para Elizabeth. Assim voltavam juntos para casa e anunciariam o casamento juntos aos seus respectivos familiares.

Depois, teria que ligar para Bingley e descobrir se ele se sente apto a liderar a reforma do Museu em sua ausência por mais alguns dias. Não imaginava que conseguiria retornar para Milão de Londres tão prontamente. Deduzia que enfrentariam alguma resistência por parte de seus pais quanto ao casamento.

Quanto aos pais de Elizabeth, não saberia dizer. Lembrava-se perfeitamente de como o sr. Bennet soou possessivo em relação a Elizabeth quando fora em sua casa a primeira vez, com a intenção de levar a sua filha para jantar. Tinha a ligeira impressão de que ele também não ficará extasiado de felicidade com a novidade.

E depois teria de ir ao Consolado Britânico e registrar a certidão de casamento, para que, quando retornasse a Londres, tomasse as devidas providências para legalizar esta situação sem maiores problemas.

~#~

Elizabeth atravessou o salão apressada. Via alguns funcionários do hotel terminando de organizar as cadeiras alinhadas com a passarela e outros testando as luzes e o som. Tudo isto sob a supervisão de Anne De Bourgh e Adolfo Collins.

Elizabeth encontrou a porta para um corredor da área de serviços e, de lá, outra porta para o camarim improvisado. Onde encontrou Charlotte atazanada em organizar os vestidos pela ordem de aparição na passarela, ao mesmo tempo em que tentava controlar as modelos – fazê-las se alternarem entre fazer os penteados e a maquiagem. Parecia estar completamente perdida em seu primeiro desfile.

--Char? – Elizabeth chamou por ela.

--Onde você estava? – Charlotte exclamou, sem lhe dirigir o olhar diretamente; andando de um lado para o outro, organizando os vestidos em uma arara. – Eu liguei para você...

--Me desculpe... Eu não ouvi o celular tocar. – Elizabeth argumentou e estava sendo sincera; deixara o celular dentro da bolsa e a bolsa na sala, somente tomando o conhecimento de suas ligações quando estava no elevador a caminho dali.

--Eu passei no seu quarto! – Charlotte continuou a exclamar, como se não houvesse escutado sua justificativa.

--Eu não estava em meu quarto... – Elizabeth esclareceu, murmurando, constrangida; as modelos, o maquiador e o cabeleireiro a estavam olhando.

--Oh nossa! – Charlotte exclamou, finalmente parando de andar e olhando para Elizabeth. – A noite foi boa, hem? – E, naquele milésimo de segundo, dirigiu-lhe um sorriso safado.

Elizabeth viu o seu próprio reflexo no espelho às costas de Charlotte e entendeu o seu comentário. Na sua pressa de chegar ali a tempo, não se incomodara em se olhar no espelho antes de deixar o quarto de Darcy. E só agora percebia que devia tê-lo feito. O seu cabelo estava uma loucura – tão cheio e cacheado quanto à juba de um leão.

Ainda mais constrangida, passou as duas mãos no cabelo, tentando diminuir o seu volume. Charlotte caminhou em sua direção e, pegando-a pelo braço, guiou-a até o cabeleireiro.

--Ela é sua prioridade. Assim que terminar aí, você conserta... isto. – Disse ao cabeleireiro, quem estava ajeitando o cabelo de outra modelo. – E, você! – Voltou-se para Elizabeth. – Depois você vai me contar tudinho. Nos mínimos detalhes! Deus sabe que estou precisando de uma emoçãozinha ultimamente! – Comentou, abanando-se sugestivamente.

--Charlotte! – Elizabeth a repreendeu.

--O que? Não estou tentando desmerecer o seu primo. – Charlotte contestou. – Adolfo até que é jeitosinho e sabe usar as mãos muito bem.

--Eu não quero ouvir isto. – Elizabeth resmungou, fazendo uma careta de desgosto.

--Mas o seu William Darcy é um homem com H maiúsculo. – Charlotte prosseguiu, ignorando o comentário da amiga.

--Charlotte! – Elizabeth voltou a repreendê-la; embora o cabeleireiro, maquiador e as modelos fingissem estar ocupados com seus próprios afazeres, Elizabeth sabia que estavam prestando atenção na conversa das duas.

Charlotte não fez outro comentário. Voltou a organizar os modelitos para o desfile. E poucos minutos depois o cabeleireiro liberou a modelo em quem estava trabalhando e mandou Elizabeth ocupar a cadeira que a modelo vagara.

Depois do cabeleireiro, o maquiador começou o seu trabalho. Foi no momento em que começou a passar a base em seu rosto que ele comentou, com um ar afetado.

--Linda jóia! – E Elizabeth percebeu que ele estava fitando o seu anel. – Mas você não é um pouco jovem... para já estar casada?

--Casada?! – Charlotte arfou. – Casada? – Repetiu a pergunta, acercando-se de Elizabeth.

--Podia ser um anel de noivado. – O maquiador ponderou. – Mas está na mão errada, querida. – Tomando as mãos de Elizabeth nas suas e observando a jóia de perto.

--Está na mão certa. – Elizabeth murmurou, constrangida, recolhendo a sua mão e tentando esconder a jóia dos olhares curiosos.

Mas Charlotte já estava ao seu lado e tomou-lhe a mão, esticando-lhe o braço e trazendo a sua mão quase na altura de seus olhos.

--Você se casou? Aqui, em Vegas? Ontem? Com o sr. Darcy?! – Questionava-lhe sem lhe dar uma chance de responder.

--Oh, eu acho estes casamentos repentinos aqui em Las Vegas tão românticos! – O cabeleireiro comentou, suspirando.

As outras modelos abafaram um risinho. Elizabeth puxou a mão e escondeu-a no seu colo, tapando a visão do anel com a outra mão.

--Você é minha heroína! – Charlotte debochou. – Eu não conheço uma mulher hoje em dia que tenha se casado virgem! Além de você, é claro!

--Você era virgem? – O maquiador exclamou, abismado.

--Muito obrigada! – Elizabeth resmungou, dirigindo um olhar azedo a Charlotte; quem continuou a rir.

No entanto, sua gargalhada foi interrompida de repetente. Rendendo-a ao mutismo completo.

Estranhando o seu comportamento, Elizabeth voltou o rosto na direção de seu olhar e viu Anne De Bourgh parada a porta de entrada do camarim. Estava branca feito papel.

Em poucos passos, Anne tinha atravessado o camarim e se postado de pé, a sua frente. Tomou a mão de Elizabeth em um gesto parecido ao de Charlotte e fitou longamente a jóia em seu dedo.

Elizabeth detectou uma mescla de ressentimento e inveja em seu olhar. O que era compreensivo. Afinal, fora namorada de Darcy por anos e ele nunca lhe dera sequer um anel de noivado. E Elizabeth namorou-o por alguns míseros meses e já ostentava uma aliança de casamento.

--É muito bonita. – Anne comentou, finalmente erguendo o olhar para o rosto de Elizabeth e fitando-a nos olhos. – Parabéns! – Concluiu, lhe dando um meio sorriso, ao soltar a sua mão. – Você precisa de alguma ajuda, Charlotte? – Questionou em seguida, voltando a sua atenção para Charlotte e se afastando de Elizabeth.

~#~

Depois de ir ao Consulado Britânico e resolver as questões burocráticas do seu casamento, Darcy retornou para o Hotel. Chegou quando o desfile já estava pela metade e foi se juntar ao seu primo na platéia.

Viu que Catherine reservara-lhe um lugar ao seu lado – próximo à sua filha e o namorado dela. Mas Richard também guardara um lugar ao seu lado, o que muito agradou a Darcy. Podendo assim escapar daquela cama de gato em que sua ex-sogra insistia em conduzi-lo.

--Onde estava? – Richard questionou-lhe assim que se sentou ao seu lado. – Catherine perguntou por você várias vezes. Queixando-se que enviara Collins a sua procura pela manhã para tomar café em sua companhia, mas que você não estava em seu quarto.

--Estava sim. – Darcy respondeu, sem lhe dar muita atenção. Os olhos vivos na passarela, procurando por Elizabeth.

--Collins alegou que você não atendeu a porta quando ele bateu, então deduziu que você não estava lá. – Richard replicou. – Pelo menos, fora isto que explicara a Catherine. O que ele achou um tanto estranho, já que conferira na recepção se você havia deixado a chave do quarto lá ao sair e recebera a informação de que você ainda estava em seus aposentos.

Este comentário finalmente chamou a sua atenção. E Darcy dirigiu um olhar indignado a Richard ao replicar.

--Não sabia que teria todos os meus passos vigiados durante a minha estadia aqui.

--Você vem dizer isto para mim?! – Richard contestou. – Eu sabia muito bem que você não desejaria ser perturbado esta manhã, por isso sequer me incomodei em convidá-lo para tomar café da manhã em minha companhia.

Os dois ficaram calados, observando o vai e vem das modelos na passarela. Até que Richard questionou.

--Você ignorou Collins de propósito? – Curioso.

--Eu nem o ouvi batendo na porta. – Darcy foi sincero, arrancando uma risada do primo.

--Você parece cansado para alguém que dormiu mais que o de costume. – Richard comentou em seguida, fitando-o com um ar de deboche.

Darcy lançou um olhar ao primo que lhe dizia: “você sabe muito bem que eu não estava dormindo!”; arrancando outra risada do primo.

Elizabeth entrou na passarela e as piadas de Richard a seu respeito deixaram de chamar a atenção de Darcy. Ao passar em sua frente, ela não parou ou sorriu para ele. Mas piscou com um olho sedutoramente para ele antes de se afastar.

Ao fim do desfile, Catherine o abordou. Collins, como sempre, comportava-se como uma sombra. Sempre por perto, subserviente. E, ocasionalmente, intrometia-se na conversa alheia.

--Eu enviei o sr. Collins ao seu quarto esta manhã para convidá-lo para tomar café comigo e Anne, mas ele não conseguiu encontrá-lo. – Catherine comentou, evidentemente procurando descobrir seu paradeiro sem fazer-lhe uma pergunta direta.

--Eu estava muito cansado. – Darcy respondeu, evasivo.

--Eu cogitei a possibilidade de você ter partido muito cedo, já que sei que tem outro compromisso em Milão. Mas o sr. Collins me informou que você não fizera o check out na recepção, então...

--Eu só estarei indo embora amanhã. – Darcy informou-lhe.

--Posso lhe perguntar o motivo por detrás desta sua estadia prolongada? – Catherine questionou-lhe tentando não soar muito interessada naquela informação.

--Tenho assuntos pessoais para tratar aqui. – Darcy respondeu, sem aprofundar-se no assunto.

--Bem, se ficará aqui por mais uma noite, talvez queria jantar comigo. – Catherine convidou-o, dirigindo um olhar calculista na direção da filha e de seu namorado.

--Perdoe-me ter de recusar o convite. Mas eu já fiz outros planos.

Diante da negativa de Darcy e a insatisfação de Catherine, Collins tentou remediar a situação.

--Mas, certamente, o senhor pode...

--Não posso. – Darcy interrompeu o seu protesto. – Com licença. – Retirando-se em seguida e aproximando-se do bar, pediu uma bebida como desculpa para poder escapar daquela situação.

Saboreando o seu drinque, Darcy observou o salão. Viu Anne com o seu namorado, conversando com jornalistas que estavam ali para cobrir o seu desfile e tirando fotos. E indagou-se como era possível que Catherine insistisse em algo que já não mais existia. Como era possível que se negasse a enxergar que a vida de sua filha e a dele não estavam mais interligadas.

Richard se aproximou e pediu para si uma bebida, voltando a sua atenção na mesma direção do olhar de Darcy.

--Ele parece ser um cara legal. – Comentou, referindo-se a Albert Hurts.

--Concordo. – Darcy replicou. – Não tive muitas oportunidades de conversar com ele ainda, mas Anne me parece feliz.

--Parece mesmo. – Foi a resposta de Richard. – Ela finalmente está se libertando do controle de sua mãe. E é por isso que Catherine insiste em tentar juntar vocês dois. Uma tentativa desesperada de continuar a exercer uma influência decisiva na vida da filha.

--Ela devia procurar fazer parte da vida da filha de outra forma. Senão correrá o risco de Anne continuar a se afastar dela cada vez mais. – Darcy argumentou, racional.

--Além do que, ela está apostando as fichas no garanhão errado. – Richard contestou, com o seu costumeiro deboche. – Afinal, você já tem dona. – E rindo, completou. – Imagina a reação dela quando souber da novidade. Descobrir que tudo aconteceu bem debaixo de seu nariz e ela sequer desconfiou.

--Collins ficará em maus lençóis. Já que parece ser o responsável por informar-lhe tudo o que eu faço. – Darcy ressaltou; embora seu tom de voz estivesse sério, havia um grau de chacota em suas palavras.

E não conseguiu evitar acompanhar o seu primo na risada. Estava de bom humor e nada mudaria isto.

--Eu disse a Moira que você e Lizzie se casaram, mas ela não quis acreditar. Achou que eu estava tentando lhe pregar uma peça. – Richard comentou em seguida. – Imagina a surpresa dela quando você voltar para casa com uma esposa a tira-colo.

Este comentário fez com que Darcy ficasse sério novamente. Adivinhando o motivo por detrás de sua expressão sombria, questionou.

--Já imaginou como vai contar aos seus pais sobre o seu casamento?

--Sim. – Darcy respondeu, sem elaborar a resposta.

--Preocupado com a reação deles? Do meu tio, em particular? – Insistiu.

--Mais com a reação de Lizzie em resposta a atitude de meu pai. – Darcy esclareceu.

--É... Os próximos dias vão ser conturbados para vocês dois. – Richard constatou. – E quanto aos pais dela?

--Não faço idéia do que esperar com relação a eles. – Darcy foi honesto. – Embora acredite que não será fácil com eles também. Especialmente, com o sr. Bennet.

--O que tem o meu pai? – Elizabeth perguntou, sobressaltando os dois.

Aproximara-se deles sem ser percebida e entreouvira o fim da conversa, no exato momento em que Darcy mencionava o seu pai.

--Estávamos nos perguntando qual será a reação de seus pais a noticia de seu casamento. – Richard informou, já que Darcy se mantivera calado.

Embora estivesse curioso quanto ao que Elizabeth pensava sobre o assunto, queria ter esta conversa quando os dois estivessem a sós. Afinal, é uma questão delicada e muito particular.

Mas Elizabeth não respondeu. Apenas suspirou pesadamente.

Diante de sua reação, Richard mudou de assunto.

--Aceitam jantar comigo? – Disse com um tom animado, tentando desanuviar o clima. – Prometo não tomar muito tempo do casal. – Comprometeu-se, solenemente.

Elizabeth sorriu, educadamente, e replicou.

--Claro. – Lançando um breve olhar a Darcy, para calcular a sua reação. Como ele não pareceu aborrecido, acrescentou. – Eu estou faminta!

Os três decidiram jantar num restaurante fora do Hotel, para não correr riscos de serem obrigados a juntarem-se a Catherine e seus convidados. O jantar foi tranqüilo e bastante agradável. Nenhum dos três abordou questões polêmicas ou preocupantes. E ao fim deste, retornaram ao Hotel.

Richard se despediu do casal e foi para o cassino, decidindo não encerrar a sua noite logo de imediato. E Darcy e Elizabeth foram ao quarto de Elizabeth, para que ela pudesse pegar a sua mala e levá-la para a suíte de Darcy.

Já acomodada na suíte de Darcy, Elizabeth expressou o desejo de tomar um banho. Afinal, ela estava mesmo precisando de um. Darcy não se opôs e ela foi para o banheiro.

Estranhou quando ele não se ofereceu para acompanhá-la. Mas a atitude dele lhe propiciou a oportunidade de relaxar um pouco e pensar nas ponderações de Richard a respeito da reação de seus familiares quanto ao seu casamento.

Ao sair do banheiro, encontrou Darcy andando pelo quarto, inquieto. Retirando a toalha da cabeça, puxando os cabelos por sobre um dos lados do ombro, começou a enxugá-los enquanto se aproximava da cama. Sentou-se a ela ainda vestida com o roupão com o emblema do Hotel e esperou que Darcy se aproximasse, imitando o seu gesto.

Ele estava se preparando para se pronunciar, ainda procurando as palavras certas para abordar aquele assunto, quando ela o interrompeu.

--Arrependido? – Soando mais calma do que realmente se sentia.

--Não! – Ele respondeu de imediato, lançando-lhe um olhar incrédulo com a sua pergunta.

--Talvez não o esteja agora... Mas talvez nos próximos dias, ou daqui a um mês... Você vai pensar na loucura que fizemos ao nos casarmos assim e vai se arrepender. – Ela disse, revelando as suas inseguranças.

--Isto nunca vai acontecer, Elizabeth. – Darcy contestou. – Eu admito que o casamento aqui em Las Vegas foi um impulso do momento. Mas casar-me com você não foi uma loucura. Eu sabia exatamente o que eu estava fazendo. E pode ter certeza de que nunca vou me arrepender. – Ele segurou o seu rosto com as duas mãos, para assegurar-se de que ela não desviasse o seu olhar. – Eu quero que você faça parte da minha vida e isso nunca vai mudar.

Ela fechou os olhos e inclinou levemente a cabeça para baixo, em uma sutil concordância. Mas ele interpretou errado o seu gesto e ponderou, com a voz grave.

--A menos que você esteja incerta quanto ao que sente por mim. – Soltando-lhe o rosto.

Ela abriu os olhos, alarmada, e ergueu a cabeça para poder fitá-lo nos olhos ao replicar.

--Claro que não. Nunca teria aceitado se... – Ela hesitou, porque estava a ponto de dizer-lhe que o amava. Mas sentiu-se tímida de repente. Em especial porque ele nunca lhe dissera que a amava.

Mas pareceu-lhe que Darcy leu em seus olhos o que estava prestes a dizer-lhe, porque o seu gesto seguinte foi envolver a sua nuca com a mão e beijá-la com uma paixão desenfreada. E em poucos segundos, Elizabeth encontrou-se sentada em seu colo, com o roupão entreaberto e quase escorregando por seus ombros, sentindo as mãos de Darcy percorrendo o seu corpo.

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