Citações

Marienne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas.(Jane Austen)

Colisão - Capítulo XXXIX

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Capítulo XXXIX

Las Vegas

 

O mês de Fevereiro passou lentamente para o casal, sem que nenhum dos dois conseguisse descobrir um meio de se reencontrar. No inicio de Março, com a reforma do Museu transcorrendo sem nenhuma complicação aparente, Darcy começou a tomar as devidas providências para poder viajar de volta a Londres e rever Elizabeth.

E, no último momento, não pôde agir conforme os seus desejos. A entrega de um material especial para a reforma do teto em formato de abobada de um dos salões principais se atrasou. Para que a obra não fosse prejudicada por esta fatalidade, Darcy precisou desfazer seus planos de ir a Londres.

Passou os dias em que deveria estar com Elizabeth tentando encontrar uma solução viável ainda em Milão, na companhia de Bingley. Precisaram mudar os planos originais da reforma, adiando a reconstrução do teto daquele salão e focando-se em antecipar a reforma de outra parte do Museu, para não atrasarem todo o projeto.

A segunda tentativa de se encontrarem também foi frustrada por agentes exteriores. Elizabeth fizera reservas para um vôo, planejando passar pelo menos três dias em Milão com Darcy. Chegou a fazer as malas e ir para o aeroporto.

Entretanto, ao chegar lá se deparou com uma grande confusão. A companhia aérea com que fizera suas reservas estava com sérios problemas em várias aeronaves e muitos de seus vôos estavam atrasados ou foram cancelados.

Elizabeth permaneceu no aeroporto por várias horas, procurando encontrar uma solução para o seu problema – descobrir se havia alguma chance de ainda conseguir algum vôo para Milão na mesma companhia aérea ou em outra companhia. Mas a demanda dos passageiros que se encontravam na mesma situação que ela era tanta que não havia mais passagens disponíveis para Milão naquele dia.

Ela ainda tentou fazer uma reserva para o dia seguinte, mas somente havia disponibilidade para o terceiro dia. O que frustrou os seus planos de se encontrar com Darcy.

--Parece que o destino está conspirando para nos manter afastados. – Ela disse, um dia, enquanto conversavam ao telefone. – Às vezes, eu quase não consigo me lembrar do seu rosto.

--Eu não posso permitir que isto aconteça. – Ele replicou, com seriedade.

E, imediatamente, enviou-lhe uma foto sua tirada com o celular. Ele estava deitado em sua cama, tão à vontade quanto ela se lembrava de tê-lo visto na Escócia, com roupas simples de algodão e cabelo – um pouco mais longo do que ela se lembrava – totalmente despenteado.

Este ato desencadeou uma nova forma de comunicação entre eles. E-mails eram sempre bem-vindos. Mas como gostavam de ouvir um a voz do outro, preferiam se falar ao telefone. Aproveitavam as diversas funções de seus aparelhos eletrônicos e passaram a enviar vídeos de si mesmos. Gravando mensagens e filmando os ambientes em que se encontravam durante estas conversas – seus quartos; Darcy filmou o Museu e Elizabeth a locação de uma de suas sessões de fotos, em um balão sobrevoando o Hyde Park.

Elizabeth já tinha perdido suas esperanças de conseguirem se encontrar antes de Maio. Mas Darcy ainda tentava achar outra oportunidade de se verem antes disso.

Em Abril, Elizabeth pegou um avião para os Estados Unidos. Chegou a Las Vegas[1], em Nevada, no final da manhã. Charlotte a esperava no portão de desembarque sozinha. Elizabeth foi ao seu encontro questionando-se se este era um bom sinal; se a ausência de seu primo ao lado de Charlotte era evidência do fim de seu relacionamento.

Quando Charlotte a contratara, requisitando que viesse aos EUA para ser a sua modelo destaque no seu desfile de promoção, não mencionara nada a respeito de seu primo Collins. Elizabeth esperava descobrir mais a este respeito assim que estivesse acomodada em seu quarto de hotel.

Juntas, tomaram um táxi até Las Vegas Boulevard[2], aonde, entre os famosos hotéis cassinos, virá a se hospedar por pelos menos dois dias.

Elizabeth sentiu de imediato a mudança de clima[3]. A temperatura estava um pouco elevada – não muito, como no verão. Mas o suficiente para que Elizabeth precisasse retirar a sua jaqueta jeans.

Charlotte explicou-lhe o mesmo que Collins se dera o trabalho de informá-la – que a estação de chuva durava de Janeiro e Março, mas ocorriam as ocasionais precipitações ainda em Abril. Quando o clima esquentava um pouco e ficava aquela sensação de mormaço antes de começar a chover. E, pelo que sabia, o clima estava assim pelos últimos dias. Quente e úmido, ameaçando chover a qualquer instante.

--Eu ainda não entendi porque você vai fazer o seu desfile aqui em Vegas. – Elizabeth comentou, assim que entraram no elevador após fazerem o check in na recepção e receber a chave do quarto que estaria dividindo com duas outras modelos. – A sua butique não fica em Los Angeles?

--Foi uma questão estratégica. – Charlotte replicou. – Idéia do seu primo, na verdade. Como Anne e eu queríamos fazer um desfile para promover nossa marca assim que inauguramos a butique, começamos a fazer planos e orçamentos para ter uma idéia de quanto íamos gastar. Sabe que uma boa publicidade agora abrirá as portas para nós na Fashion Week no fim do ano.

--Imagino que sim. – Concordou.

--Foi então que, enquanto conversava com Adolfo sobre o assunto, ele sugeriu que usássemos o evento da divulgação do projeto de reforma do Hotel que a mãe de Anne havia adquirido para fazer o desfile. Assim pouparíamos dinheiro com a locação do ambiente do desfile, utilizando um dos salões do cassino para montar a passarela do desfile. E ainda receberíamos a publicidade adicional que o próprio projeto de reforma do Hotel deve atrair.

Elizabeth, após ouvir esta explicação, não pôde mais negar que seu primo tinha o tino para o negócio.

--Então, o evento do Hotel e o desfile serão no mesmo dia?

--Ah não. – Charlotte respondeu. – A apresentação do projeto de reforma do Hotel será esta noite, num jantar super chique a que nós duas fomos convidadas... – Charlotte respondeu, rindo-se, satisfeita.

Deixando Elizabeth a se perguntar se aquele convite estendido a ela seria obra de seu primo, tentando esbanjar, ou caridade de Anne De Bourgh.

--E o desfile será amanhã à tarde. – Charlotte continuou. – Por isso, precisamos cuidar da prova de roupa agora e adiantar qualquer alteraçãozinha que for preciso fazer. Já que não vamos ter tempo de fazer isto amanhã.

--E as outras modelos? Já estão aqui? E não farão a prova também?

--As duas modelos que dividirão quarto com você são americanas, de Los Angeles. As roupas delas já estão perfeitas, já que trabalhei com elas durante estes últimos meses. Elas estarão chegando amanhã pela manhã bem cedo, estão vindo de Nova York, onde desfilam esta noite. E as outras três são modelos locais, daqui de Las Vegas mesmo, e fizeram a prova ontem, quando as contratei. Vão estar aqui amanhã, duas horas antes do desfile para fazer cabelo e maquiagem.

~#~

Cerca de uma hora após a chegada do vôo de Elizabeth, Darcy desembarcava no mesmo aeroporto no Estado de Nevada. Ninguém o aguardava, assim como ele queria. As únicas pessoas que sabiam de sua viagem eram Charles Bingley – quem ficou em Milão, cuidando da reforma do Museu pelos próximos dias – e Moira, quem fizera as reservas de vôo e hospedagem para ele a seu pedido.

Tomara a decisão de comparecer ao anuncio do projeto vencedor de reforma do Hotel de Catherine De Bourgh quando Elizabeth lhe informou, em um telefonema, que estaria em Las Vegas na mesma época, participando de um desfile.

Este fato, no entanto, não esclareceu a seu sócio ou a sua assistente pessoal. Aproveitou-se do fato de que Catherine acharia uma ofensa de sua parte não comparecer ao evento – mesmo enviando representantes de sua sociedade – como desculpa para sua súbita mudança de opinião a este respeito.

Darcy também sentiu os efeitos do clima ao sair do aeroporto. Tomou um táxi até o Hotel e não teve problema alguma em fazer o check in na recepção. De onde seguiu diretamente para o seu quarto. Guardou seus pertences e ligou para a recepção, pedindo serviço de quarto. Decidiu comer alguma coisa já que estava com fome e a manhã estava chegando ao seu fim.

Enquanto esperava que trouxessem seu pedido ao quarto, foi tomar banho. Ao sair do banheiro, com uma toalha enrolada na cintura, pegou o seu celular e ligou para o de Elizabeth. Queria saber se ela já estava no Hotel e se podia vê-la. Mas a chamada caiu na caixa de mensagem. Antes que pudesse lhe deixar uma mensagem, ouviu baterem a sua porta.

Imaginando tratar-se do serviço de quarto, trazendo a sua comida, foi abrir a porta do quarto como estava vestido. Deparou-se com Adolfo Collins parado a sua porta.

--Sr. Darcy, que bom vê-lo. – Collins o cumprimentou.

--Como vai? – Darcy correspondeu ao seu cumprimento com um forte aperto de mão.

--A sra. De Bourgh ficou muito contente quando soube que o senhor viria, afinal. – Collins comentou, sorridente e bajulador. – É claro, ela sempre acreditou que o senhor mudaria de idéia e viria. Já que não lhe faria a desfeita de perder este tão maravilhoso evento.

--Que mal lhe pergunte, como ela soube que eu vinha? – Darcy questionou-o.

--Oh... não acontece nada neste Hotel que ela não fique sabendo. Tomamos conhecimento de sua intenção de comparecer ao evento assim que a sua assistente fez a reserva do seu quarto. – Collins explicou-lhe, de forma imediata e eficiente. – E, claro, dei ordens para que fosse avisado assim que o senhor chegasse.

--Imagino. – Darcy resmungou, mas manteve uma expressão normal no rosto.

--A sra. De Bourgh gostaria de convidá-lo para almoçar no restaurante do Hotel. – Collins disse, finalmente chegando ao motivo de sua súbita aparição.

--Eu já pedi serviço de quarto... – Darcy tentou fugir da perspectiva de passar a sua tarde com Catherine ao invés de Elizabeth.

--Não se preocupe. O pedido já foi cancelado. – Collins esclareceu, com aquele mesmo ar eficiente.

Darcy não soube mais como recusar educadamente. E, olhando-se, disse.

--Eu preciso me vestir.

--Claro.

Collins, prontamente, adentrou em seu quarto e foi se sentar no sofá. Deixando Darcy paralisado a porta por alguns instantes, assombrado com seu comportamento. Por fim, fechou a porta do quarto e atravessou a porta para o closet. Vestiu-se e saiu na companhia de Collins.

--Como vai a sua namorada? Charlotte, não é o seu nome? – Perguntou-lhe, procurando uma forma de descobrir algo sobre Elizabeth sem ter de perguntar por ela diretamente.

--Charlotte está aqui. – Collins respondeu, guiando-o do elevador para o restaurante. – Ela está ocupada no momento com os preparativos do desfile que fará amanhã, neste mesmo Hotel.

Darcy não teve mais tempo de lhe fazer perguntas, porque logo estavam se acomodando a mesa em que Catherine e Anne esperavam por eles.

Passaram-se horas antes que Darcy conseguisse se despedir de Catherine, Anne e Collins e se recolher em seu quarto. Catherine fez questão de saber a respeito de tudo envolvendo o seu projeto em Milão. Parecia que toda vez que estava prestes a conseguir escapar, Catherine ou Collins lembrava-se de algo a lhe falar.

Ao ver-se de volta a reclusão de seu quarto de hotel, procurou em sua mala um comprimido para dor de cabeça. Depois ligou pela segunda vez para Elizabeth. E, como da primeira, a ligação caiu na caixa de mensagens.

Darcy preferiu não deixar recado, no entanto. Sabia que ela estaria no jantar de lançamento do projeto de reforma do Hotel esta noite. Anne cuidara de lhe informar isto, como se adivinhasse o seu interesse neste fato. E desejava lhe fazer uma surpresa.

Por isso, quando não conseguiu entrar em contato com ela, não se preocupou tanto. Sabia que se encontrariam sem falta àquela noite. Então, decidiu dormir um pouco. Estava começando a se render aos efeitos do estresse do vôo e acontecimentos daquele dia.

~#~

“Não estou nervosa”, Elizabeth se dizia em pensamento enquanto se fitava no espelho do banheiro do quarto de Hotel. E daí que ela estava demorando um pouquinho a mais que o necessário para ficar pronta? Isto não tem nada a ver com o fato de Anne De Bourgh estar presente no evento desta noite. Não era este o motivo pelo qual Elizabeth estava sendo tão meticulosa com o seu toalete, vestimenta, penteado e maquilagem. Por que seria?

E daí que Anne não é uma mulher superficial e vazia como uma colherinha de chá igual à Caroline Bingley? Quem não tem nada a oferecer além da beleza exterior. Ou pelo fato de que Anne além de bonita e muito atraente, é inteligente, culta e independente? E, ainda pior, teve uma história amorosa de longa data com o homem por quem Elizabeth está definitiva e irrevogavelmente apaixonada.

“Eu não me sinto intimidada por ela, nem um pouco!”, resmungou mentalmente, checando pela última vez o seu reflexo no espelho. Nunca imaginara que um dia se encontraria nesta situação, em que está se vestindo para impressionar alguém – e este alguém não é um homem.

O vestido tomara-que-caia delineava perfeitamente a sua cintura e realçava o seu busto sem parecer vulgar. A saia possui detalhes laterais em pregas no estilo grego, terminando um pouco acima do joelho.

O seu cabelo estava penteado no estilo dos anos 20, mas sem o exagero do cabelo muito avolumado em cima. Preso de lado, com os cachos recaindo por sobre um ombro.

Completou o visual com uma maquilagem para noite – os olhos bem marcantes, sandálias de salto alto fino prata, bolsa de mão também prata e jóias delicadas banhadas a ouro branco.

Charlotte avisara que a aguardaria no salão principal, onde estaria ocorrendo à apresentação do projeto de reforma do Hotel. Estaria acompanhando Collins e ele não poderia se ausentar do salão quando os convidados começassem a chegar. Por isso, Elizabeth deveria se arrumar em seu quarto e ir ao seu encontro lá no salão.

Elizabeth apagou a luz do quarto e saiu, percorrendo o corredor do seu andar até alcançar o elevador. Esperou apenas alguns segundos antes de ele alcançar o seu andar e poder entrar.

Assim que adentrou o salão principal, deixou que seu olhar percorresse o ambiente, procurando Charlotte dentre os ali presentes – jornalistas, arquitetos, investidores e demais convidados. Toda a elite social de Las Vegas parecia estar presente, inclusive donos de outros hotéis cassinos de luxo. Provavelmente, checando o nível da nova concorrência.

Seus olhos finalmente encontraram Charlotte. Ela estava ao lado de Collins, quem conversava com Catherine De Bourgh. Charlotte, por sua vez, conversava com Anne – quem estava tão elegante quanto na Festa do Ano Novo em Londres.

Elizabeth perdeu qualquer linha de raciocínio logo em seguida. Porque em um grupo de homens ao lado de onde Charlotte se encontrava, estava William Darcy. Ele estava conversando com o seu primo, Richard, e dois outros homens.

“Eu devo estar alucinado!”, Elizabeth pensou. “Estou ficando maluca! Só posso estar!”. Repetia para si mesma.

Decidiu se aproximar dele. Imaginando que quando estivesse perto o suficiente, descobriria que estava vendo uma pessoa totalmente diferente e imaginara ser ele.

Quando estava a cinco passos dele, Darcy olhou em sua direção. Diretamente para ela. E Elizabeth ficou paralisada por um instante, sentindo como se o tempo também houvesse parado e nada mais a sua volta existisse.

Ele lhe fitou dos pés a cabeça, lentamente. Daquele mesmo jeito que fizera em sua casa da primeira vez em que saíram juntos. Deixando Elizabeth com a sensação de que estava sendo despida com um olhar; fazendo um arrepio percorrer a sua espinha e a sua face cobrir-se de rubor.

Ele abandonou o seu grupo e começou a andar em sua direção.

~#~

Darcy estranhou quando viu o seu primo naquele salão, com um copo de uísque nas mãos, conversando com Howard Welberg e Franklin Gairkill – os arquitetos contratados de sua sociedade, responsáveis pelo projeto que a sua sociedade enviara como proposta de reforma daquele Hotel.

--O que está fazendo aqui, Richard? – Questionou-o, assim que se aproximou e cumprimentou os seus empregados com um aceno de cabeça e curto aperto de mão.

--Olá para você, primo. – Richard o cumprimentou com o seu costumeiro bom humor. – Há quanto tempo não nos falamos? Como está Milão? E o vôo de hoje, foi cansativo?

--Moira lhe disse que eu vinha. – Darcy constatou.

--Claro. – Richard confirmou. – Mas não te falou que eu também vinha, pelo visto.

--Não, não disse. – Darcy declarou, ainda curioso quanto ao motivo de sua presença ali. – Por que você está aqui?

--A Darcy e Fitzwilliam Corporation está investindo no Hotel juntamente com Catherine De Bourgh. Somos sócios. – Richard esclareceu, deixando Darcy levemente boquiaberto. – E, pela sua reação, seu pai não comentou nada a este respeito.

--Não, não mencionou. – Darcy replicou. – Quando isto aconteceu?

--Na Festa de Ano Novo Catherine abordou o assunto com os nossos pais e em Janeiro, depois de conversar comigo e Noah, comunicamos aos acionistas minoritários e aceitamos o convite de Catherine. – Richard informou. – Eu imaginei que você já soubesse, já que o seu pai estava empolgado com a idéia de trabalharmos juntos neste projeto. Você sendo o responsável pelo projeto da reforma e tal...

--Minha sociedade ainda tem que vencer o concurso. – Darcy contestou.

--Você sabe que no instante em que decidisse fazer o projeto que o trabalho seria seu. – Richard desdenhou. – Catherine quer unir as duas famílias e está fechando o cerco a sua volta de todas as maneiras possíveis. E com o apoio do seu pai, devo acrescentar.

--Isso não significa nada. – Darcy resmungou, contrariado. – A vida ainda é minha.

--E eu não sei! – Richard riu do mau humor do primo. – Você não tem falando com seu pai nestes meses em que esteve em Milão?

--Não sobre trabalho. – Darcy respondeu.

Richard, adivinhando sobre o que ele estava aludindo, guiou-o para longe dos outros dois homens quando um garçom passou por perto deles. Encorajando Darcy a pegar uma bebida.

Quando já estavam longe dos ouvidos alheios, questionou-o.

--Alguma noticia sobre...? Você sabe.

--A última informação que recebemos era de que ele estava em Liverpool[4]. – Darcy respondeu. – O detetive particular está lá, tentando descobrir o lugar exato em que ele anda se escondendo.

--Pelo menos, ele está longe da Georgie. – Richard comentou.

--Pelo menos isso. – Darcy concordou, embora este fato não fosse consolo algum.

Imaginava que era este o motivo de seu pai não estar presente neste evento, mandando Richard como representante da empresa. Não queria estar muito longe da filha caso ela precise dele.

É claro, poderiam ter enviado Noah, já que assumiu o lugar do pai na empresa antes que Richard assumisse o lugar do tio. Mas como Noah está com um filhinho recém-nascido, duvidava que ele desejasse se afastar de casa.

Já com o seu copo de uísque nas mãos, retornou para perto dos outros arquitetos. E tentou descobrir se algum deles sabia alguma informação válida da competência de seus rivais.

Mas não ouviu a discrição de alguns dos projetos antigos dos seus correntes quando os arquitetos começaram a discursar. Sentiu uma sensação estranha, um arrepio na nuca que o fez virar o rosto em outra direção e pousar os olhos em Elizabeth.

Estava com tantas saudades dela que por alguns minutos não fez nada, apenas olhou para ela. Minuciosamente. Apreciando a visão que era aquela mulher, como se estivesse diante de uma obra de arte.

Por fim, recobrando os sentidos, afastou-se do seu grupo e seguiu em sua direção. Ela permaneceu parada, claramente esperando por ele. Darcy parou a sua frente, com poucos centímetros separando seus corpos e lhe sorriu.

--Surpresa! – Murmurou.

Ela arfou e tentou dizer algo, mas não conseguiu. Acabou por ficar boquiaberta, olhando para ele, atônita.

Darcy ergueu a mão até o seu rosto e, colocando-a debaixo de seu queixo, gentilmente fechou a sua boca. Comentando:

--Nossa! Acho que esta é a primeira vez que lhe deixo sem palavras.

Ela sorriu e ele passou o dedo polegar pelo contorno de seus lábios, acompanhando o seu sorriso.

--Oi. – Ela murmurou.

--Oi. – Ele repetiu, inclinando-se em sua direção. Desejando, mais que tudo, poder saborear aqueles lábios carnudos.

 


[1] Las Vegas é a maior cidade do Estado estadunidense de Nevada. Localiza-se no sul do Estado, no Condado de Clark, do qual a cidade é sede. Famosa por seus cassinos, Las Vegas é conhecida como o "Parque de Diversões da América".

 

[2] Na Las Vegas Boulevard, mais conhecida como Strip, se encontram os cassinos mais imponentes do mundo como o Stratosphere, Treasure Island, The Venetian, Paris, Bellagio, MGM Grand, Monte Carlo, New York - New York, Luxor, Mandalay Bay, Excalibur, etc.

 

[3] Las Vegas possui um clima semi-árido, registrando menos que 100 milímetros de precipitação por ano. O verão de Las Vegas é quente, com temperaturas que podem superar os 40°C e temperaturas inferiores a 25°C sendo raras. O inverno da cidade é ameno, com temperatura média de 9,5°C. A menor temperatura já registada na cidade foi de -13°C, em janeiro de 1963.

[4] Liverpool é a quinta maior cidade da Inglaterra com 440 mil habitantes; a mais conhecida internacionalmente por ser o lugar onde surgiram os Beatles nos anos 1960. Situada no oeste da Inglaterra, próxima ao Mar da Irlanda, Liverpool tomou impulso no século 18 com o comércio com países americanos, tornando-se o segundo maior porto britânico.

 

 

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