Capítulo XXXVIII
Dia dos Namorados – Parte II
Lydia não estava gostando muito daquele passeio. Primeiro porque ir ao cinema no Dia dos Namorados com um grupo de amigos não lhe parecia um programa muito romântico. Está certo que ela não tinha um namorado, mas se fosse a sua irmã estaria irritada com Zackary por sua falta de criatividade. No entanto, Catherine não parecia se importar com isso. Na verdade, não parecia ter muita consciência de mais ninguém ao seu lado a não ser o próprio namorado.
Outra coisa que irritava Lydia imensamente: Catherine não era mais a sua comparsa atenta a cada uma de suas palavras e sempre pronta para aprontar uma de suas traquinagens. Agora parecia que o seu mundinho girava entorno do namorado e não mais entorno dela, Lydia.
E, para piorar tudo, Lydia ficara interessada em Ralph, o baterista da banda de Zackary. Ele é loiro, alto e tem a mesma idade do irmão de Zackary. Mas, para o seu desgosto, ele parecia estar interessado em Sunny. Quem estava encantada com suas atenções. Restando para Lydia se contentar com Saul, o tecladista da banda. Que não é tão bonito ou inteligente na matéria da paquera quanto o amigo.
Lydia não via a hora daquele programa acabar e ela poder ir para casa. Não acreditava que passara tanto tempo se arrumando para aquele passeio a toa. Para que ninguém lhe desse o seu devido valor ou a merecida atenção!
Tomou uma decisão naquele instante. Não pensaria mais em meninos da sua idade. Eles são bobos e não sabem como tratar uma mulher. Focaria suas energias em encontrar um homem de verdade com quem pudesse se relacionar, um homem mais velho e maduro. E não um garoto infantil e inútil.
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Ao som da campainha, Betsy foi abrir a porta. Eric e Max entraram no apartamento e se acomodaram no sofá. Betsy foi até o quarto de Georgiana e avisou-lhe que Eric já chegara. Em seguida, retornou para a sala juntamente com Georgiana.
Sua amiga se sentou ao lado do namorado. Betsy não querendo ficar na companhia do casal sem ter com quem conversar, já que estava chateada com Max por seu comportamento, decidiu ir para a cozinha.
Estava procurando com o que se ocupar, parada diante da porta da geladeira, quando Max entrou na cozinha chamando sua atenção.
--Quase não te vi esta semana. Como foram os seus dias?
--Você está falando comigo agora? – Betsy resmungou, fechando a geladeira e voltando-se de frente para ele.
--Eu nunca deixei de falar com você, Betsy. – Max respondeu, estranhando sua atitude.
--Não. Só andou me ignorando este tempo todo. – Betsy continuou a reclamar, soando mais sarcástica a cada momento. – Mas também anda tão ocupado com as novas amizades. Quem pode lhe recriminar por se esquecer das velhas?!
Max parecia não saber como responder, então ela continuou.
--Eu nem sei o que você está fazendo aqui. Não devia estar na companhia daquela garota sem sal que não parece desgrudar de você para nada?!
--Sabe qual é o seu problema? – Max explodiu, enraivecido, silenciando-a. – Você não me quis como namorado. E agora não me quer como amigo. Mas pode ter certeza de uma coisa: eu não vou ser seu capacho!
Saindo da cozinha sem esperar uma resposta sua. Atravessou a sala e abriu a porta, batendo de frente com Russell. Ultrapassou-o sem lhe dirigir um olhar ou pedido de desculpas, indo embora.
--O que deu nele? – Russell perguntou, ao entrar no apartamento e encontrar Eric e Georgiana a assistir aquela cena.
Nenhum dos dois respondeu sua pergunta. Pois neste instante Betsy saiu da cozinha e foi para o seu próprio quarto. Georgiana foi atrás, mas Betsy não quis abrir a porta para ela e conversar sobre o que tinha acontecido.
Rebecca não demorou a se juntar a Georgiana ao corredor, em frente à porta do quarto de Betsy. Quis saber o que estava acontecendo e, quando Georgiana começou a lhe explicar, Betsy abriu a porta do quarto. Decidiu que não desperdiçaria a noite do dia dos namorados trancada em seu quarto, zangada com Max, enquanto ele devia estar se divertindo com a tal fulana que andava cercando-o.
Com os outros dois casais, saiu do apartamento e foi para o pub onde Patrick trabalha de bartender. O pub estava tão lotado que eles não conseguiram encontrar uma mesa onde se sentar. Precisaram se acomodar em um canto próximo ao balcão do bar, que também estava totalmente ocupado.
Normalmente, os bartenders trabalham em dias específicos da semana. Esta noite, entretanto, todos os bartenders estavam presentes. Três atrás do balcão do bar e outros três circulando entre as mesas. Todos, sem exceção, estavam vestidos de cúpido – torso nu, asas artificiais presas as costas, arco e flecha a tiracolo.
E nesta noite, ao invés do costumeiro jogo do Bartender’s Kiss a meia noite, ocorreria um leilão dos bartenders que são solteiros para um jantar romântico no pub no fim de semana seguinte.
As solteiras mais eriçadas aproveitavam os momentos em que os cúpidos cruzavam seus caminhos para prender notas de dinheiro em suas calças, como se estivessem lidando com dançarinos de strip-tease.
Como um gesto de brincadeira, as três amigas prenderam notas de dinheiro na calça de Patrick também. Mas Eric e Russell logo impediram suas respectivas namoradas de repetir o gesto, fosse com Patrick ou qualquer outro cúpido.
Betsy estava repetindo a brincadeira em outro bartender, quando viu Max se aproximar de seu grupo de amigos acompanhado da menina qual Betsy suspeitava que ele estivesse se relacionando.
--Pessoal, esta é Melannie. – Max apresentou a menina a todos com naturalidade.
Betsy, por sua vez, não correspondeu ao cumprimento da menina. Saiu de perto de seu grupo às pressas em direção ao banheiro, sendo seguida pelas suas amigas.
Rebecca e Georgiana esperavam encontrar Betsy fumegando de raiva no banheiro, fazendo ameaças a Max. Ao invés disso, ao se aproximar da amiga com a intenção de acalmá-la, viram que Betsy estava se segurando para não chorar – seus olhos estavam marejados de lágrimas e ela prendia os soluços na garganta.
Georgiana trocou um olhar alarmado com Rebecca e decidiu ali que revelaria a Betsy o plano de Patrick para Max lhe fazer ciúmes. Afinal, prometera manter segredo apenas se não magoasse sua amiga.
Betsy limpou as lágrimas do rosto com um gesto zangado ao ouvir o que a amiga tinha para lhe contar.
--Ahh, mas ele vai ver só! – Exclamou irritada, ao sair do banheiro e atravessar o pub em direção ao seu grupo de amigos de forma decidida.
--Ih... isso não vai prestar! – Rebecca comentou, seguindo-a juntamente com Georgiana.
Viram o momento em que a amiga se aproximou de Max e, como fizera no dia do show, agarrou-o pelo pescoço e beijou-o sem piedade ou pudor. Restando a Max segurá-la pela cintura, indeciso quanto a empurrá-la ou puxá-la mais para perto de si.
--Você venceu! – Betsy exclamou ao final do beijo, arfante. – Eu admito, está bem? Eu gosto de você. Já sei disso há muito tempo! – Confessou com um tom de voz contrariado. – Você já pode parar com este joguinho, fingindo que está interessado nesta aí. Eu me rendo, tá!?
Max estava perplexo. Não sabia o que responder. Pois, ao olhar na direção de Melannie, viu que a menina estava boquiaberta com o que estava presenciando e ouvindo.
--Você é inacreditável! – Max resmungou, segurando-a pelo braço e arrastando-a para longe dos outros. Escondendo-se dos olhares curiosos de seus amigos atrás de uma pilastra. – Eu não estou fazendo joguinho algum.
--Está sim. Georgie me contou que Patrick te convenceu a me dar um gelo. – Betsy contestou, soltando-se de seu aperto.
--Deixei de seguir os conselhos de Patrick há muito tempo. – Max explicou, irritado. – Percebi que se eu precisava fingir ser uma pessoa que eu não sou para você querer ficar comigo, então você não valia a pena! – Afirmou com seriedade.
Betsy ficou sem reação momentaneamente. Era evidente que aquela revelação de sua parte abatera um pouco a sua convicção em seus argumentos. Por fim, disse.
--Você é meu melhor amigo. – Tentando justificar seu comportamento. – Eu só fiquei com medo de que se nos envolvêssemos e desse errado, nossa amizade acabasse também.
Max mantinha seus olhos pregados no rosto de Betsy. E não conseguia enxergar um vestígio de dissimulação em sua expressão ou palavras. O que começou a dissolver a sua raiva.
--Acabei estragando a nossa amizade do mesmo jeito, não é? – Ela perguntou, escorando-se a pilastra; arrependimento evidente em seu tom de voz.
Ele manteve-se calado, apenas liberando um suspiro pesado.
--Eu estou apaixonada por você! – Ela disse, em uma última tentativa. – Me perdoe por demorar este tempo todo para te dizer isto. Mas é a mais pura verdade. Você sabe que é verdade.
Max imitou o seu gesto, encostando o ombro na pilastra e aproximando sua testa da dela, ao mesmo tempo em que erguia a mão até o seu rosto, encaixando-a em sua nuca, e puxava-a para mais perto de si.
--O que é que eu vou fazer com você? – Murmurou, antes de selar seus lábios com um beijo demorado.
A resposta de Betsy foi jogar os braços envolta de seu pescoço mais uma vez e abraçá-lo com força, fazendo-o mudar de posição. Ao mover-se, encostando as costas na pilastra, trouxe o corpo dela junto ao seu, envolvendo-a pela cintura.
Este movimento fez com que saíssem da posição reclusa atrás da pilastra e permitiu que aqueles, dentre seu grupo de amigos, que ainda estivesse olhando naquela direção, os visse aos beijos. Inclusive Melannie. Quem, constrangida com a situação, se afastou de seus amigos sem lhes dizer nenhuma palavra.
--Aqueles dois não têm jeito. – Eric comentou, chamando a atenção dos outros para o que via.
--Pelo menos, parece que se acertaram. – Russell acrescentou.
--Assim espero. – Rebecca afirmou. – Já não agüentava mais o mau humor de Betsy.
--Eu também. – Georgiana concordou com a amiga.
Georgiana estava desviando o seu olhar de Betsy e Max e acabou vendo outra cena intrigante. Holly estava atrás de outra pilastra, longe do olhar do namorado – quem voltara para detrás do balcão do bar. E aproveitava-se do momento de distração do namorado para flertar com outro cúpido – um dos bartenders solteiros que seria leiloado.
Ela pediu o seu bloco de notas e sua caneta, rabiscou algo rapidamente. Rasgou o pedaço de papel onde tinha escrito, devolvendo-lhe o bloco de notas e a caneta. Dobrou o papel e depositou-o no bolso da calça do cúpido, ao mesmo tempo em que aproximava a boca de seu ouvido e sussurrava-lhe algo. Fazendo-o sorrir descaradamente e se afastar logo em seguida.
Holly, então, voltou-se em sua direção e ao vê-la a observá-la, riu-se. Piscou para Georgiana com um olho, faceira, e saiu de seu esconderijo. Seguindo para o balcão do bar e chamando a atenção de Patrick para si, requisitando um beijinho dele – o que ele prontamente atendeu.
Georgiana tentou tirar aquela imagem da cabeça e voltou a sua atenção ao seu grupo de amigos. Vindo a perceber que Eric estivera olhando na mesma direção que ela e vira tudo o que se passara. E agora carregava uma expressão sombria no olhar.
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Morar juntos estava sendo uma experiência boa, na opinião de Richard. Ele e Moira não tiveram mais que duas ou três discussões bobas – geralmente envolvendo o que iam comer ou como iriam acomodar os pertences de Richard no apartamento de Moira, o qual parecia encolher com o passar do tempo.
Não houve um dia sequer que não houvessem terminado a noite consumidos pelo fogo da paixão e dormindo abraçadinhos na cama.
Esta noite, por exemplo, estavam jantando em um restaurante moderno, num ambiente tranqüilo e acolhedor, com a culinária de paladar refinado. Uma banda de jazz tocava uma música envolvente e num local reservado com o piso de madeira escura alguns casais dançavam embalados pela música.
Antes da sobremesa, Richard levou Moira para aquele tablado de madeira e dançaram lentamente ao som do jazz. Aproveitando-se desta oportunidade para lhe fazer carinhos antes não possíveis com uma mesa a separá-los. Abraçava-a forte pela cintura e lhe dizia palavras doces aos sussurros no ouvido.
Tudo naquele jantar transpirava sedução e fazia-lhes promessas para o que viria depois, quando estivessem sozinhos em casa.
Após dançarem, voltaram para mesa e degustaram a sobremesa. Richard ocasionalmente olhava para o relógio de pulso que ganhara da namorada naquela mesma noite e verificava as horas. Ansioso para levá-la para casa e terminar aquela noite com chave de ouro com a surpresinha que reservara para Moira.
Assim que ela terminou a sua sobremesa, pediu a conta e se retiraram do restaurante. Envolvendo-a pela cintura, continuou a sussurrar a seu ouvido enquanto esperavam o manobrista trazer o seu carro.
O manobrista parou o carro a sua frente e entregou a chave a Richard, que abriu a porta do carro para Moira. Antes que ela pudesse entrar no carro ouviram alguém chamar por ele.
--Richard, é você mesmo? – Detendo-os ali e fazendo-os voltar suas atenções para a pessoa que chamava por ele. – É você!
Uma mulher alta, de pernas longas e vestida elegantemente com um vestido preto sedutor se aproximou, deixando o seu acompanhante parado à porta do restaurante a lhe esperar. E, ignorando Moira por completo, ergueu a mão de unhas longas e pintadas até o rosto dele e tentou beijá-lo na boca. Alcançando apenas o canto dos lábios de Richard, porque ele virou o rosto a tempo para evitar o beijo.
--Oi, Alisson. – Richard a cumprimentou, o mais educadamente possível dentro das circunstancias. Mas evidentemente constrangido.
--Há quanto tempo eu não te vejo, sumido. – A mulher exclamou, animada e faceira. – Você nunca mais me procurou, seu danadinho. – Disse, em tom de falsa reclamação, batendo de leve em seu peito com o dedo indicador.
--Hum-hum... – Richard pigarreou alto, dando um passo para trás para se afastar dela. – Alisson, esta é a minha mulher, Moira. – Acrescentou rapidamente, puxando a namorada para perto de si e a envolvendo pela cintura.
--Sua mulher?! – Alisson exclamou de forma exagerada. – Que novidade é esta? Você se casou? De verdade? Nunca imaginei que um dia ia ouvir isto de sua boca!
Rindo, dirigiu um olhar minucioso na direção de Moira. Demorando-se um pouco mais em suas mãos, antes de erguer o olhar até o seu rosto. Encontrando-a a fitá-la com uma expressão assassina no rosto. O que a fez rir ainda mais, ao voltar-se para Richard e dizer.
--Casado, é? Não está faltando uma aliança no dedo dela, querido? – De forma debochada. – Eu sabia que você só podia estar brincando. – Continuou alegremente, ignorando o transtorno aparente de Richard. – Vê se me liga, viu. – Recomendou, dando-lhe as costas e se aproximando do seu acompanhante.
Moira apressou-se a se desvencilhar de Richard e a entrar no carro, batendo a porta. Passou o caminho até o seu apartamento completamente calada, como se mantivera durante todo aquele episódio. Segura de que se abrisse a boca, seria para esculachá-lo sem piedade.
--Eu não tive culpa, Moira. – Richard repetiu pela milionésima vez, ao entrarem no apartamento e Moira seguir em direção ao quarto ainda sem lhe dirigir a palavra. – Você não pode continuar a me ignorar pelo resto da noite.
--Olha, tudo o que eu quero agora é encerrar esta noite. – Ela enfim se pronunciou. – Tomar um banho e ir para cama, dormir.
--Inacreditável! – Ele resmungou, seguindo-a até o quarto e impedindo-a de entrar no banheiro. – Você quer terminar esta noite indo para cama zangada comigo por algo que eu não tive culpa?!
--Como não teve culpa? Se aquela zinha agiu daquela forma foi porque você lhe deu liberdade. – Moira rebateu.
--Desde que reatamos, eu não tenho lhe dado motivo algum para você questionar a minha fidelidade ou comprometimento neste relacionamento. – Ele argumentou.
--Vamos ver até quando isto vai durar. – Ela resmungou, sarcástica.
--Como é? – Ele questionou, incrédulo.
--Mais cedo ou mais tarde você vai cansar de brincar de casinha comigo e vai voltar ao seu antigo eu. – Moira refutou prontamente.
--Brincar de casinha. – Ele repetiu, abismado. – É isto que você acha que estamos fazendo? Brincando de casinha?!
Ela não replicou. Ele lhe deu as costas, furioso, e fez o caminho de volta para sala. Só para desistir no meio do caminho e voltar para perto dela, fumegando de raiva.
--Eu saí do meu apartamento e me mudei para cá com todas as minhas coisas. Enquanto você cria um empecilho atrás do outro. – Reclamou, exaltado. – Se tem alguém não levando o nosso relacionamento a sério aqui é você!
Ele foi até o armário e abriu uma de suas portas, tirando de lá um pacote relativamente grande embrulhado para presente. Fechou o armário e se reaproximou de Moira, entregando-lhe em mãos o pacote, dizendo:
--Feliz Dia dos Namorados. – Sem nenhuma entonação amorosa. – Era para ser um presente para nós dois, mas...
Deixando a explicação inacabada, saiu do quarto.
Moira largou o pacote sobre a cama e se fechou no banheiro, tomando um banho demorado para relaxar. Saiu do banheiro e foi se vestir para dormir, voltando a pegar o pacote quando ia se deitar.
Quis se fazer acreditar que poderia guardá-lo sem abri-lo, mas sua curiosidade falou mais alto e abriu o pacote. Encontrando ali um conjunto de lingerie – corset na cor bordô e com detalhes em renda preta, calçinha de renda preta e meias arrastão com cinta-liga, ambas pretas.
Fechou o pacote e foi guardá-lo no armário. Deitou-se na cama, mas não conseguiu dormir. Levantou-se da cama e foi ver onde Richard estava e o que estava fazendo. Encontrando-o na sala. Sapatos ao chão ao lado do sofá, blazer e gravata sobre a mesinha de centro, e ele deitado ao sofá. Onde, obviamente, pretendia dormir aquela noite.
Deu a volta e seguiu em direção ao quarto. Sentou-se na beirada da cama e ficou quieta, sentindo a raiva se apagar lentamente e restar-lhe apenas arrependimento pelas palavras amargas que lhe dirigira.
Hesitante, fez o caminho de volta para a sala e se acercou dele no sofá. Ele estava deitado com os braços cruzados em baixo da cabeça e elevou o olhar para ela. Sem dizer nada, Moira deitou-se sobre ele, abraçando-o e recostando a cabeça em seu peito.
Richard suspirou pesadamente e retirou os braços de baixo da cabeça, abraçando-a.
--Por que você faz isso? – Questionou-a.
--Eu tenho medo. – Ela murmurou, chorosa.
--Você não tem motivo para temer. – Argumentou, acariciando suas costas. – Eu amo você. Quero ficar com você para sempre. – Dizendo isto, levou a mão até o seu queixo e ergueu o seu rosto, para poder beijá-la.
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Mesmo com as horas passando e a meia noite se aproximando, a multidão no pub não diminuía. Georgiana e seus amigos ainda não haviam conseguido ocupar uma das mesas. Em alguns momentos foi possível estabelecerem-se ao balcão do bar, os meninos permitindo que as meninas ocupassem os baquinhos enquanto eles permaneciam de pé.
Betsy e Rebecca queriam ficar no pub até o leilão dos cúpidos por mera curiosidade e seus namorados estavam dispostos a atender este desejo. Mas Georgiana estava ficando cansada daquele ambiente abafado e barulhento. E após trocar algumas palavras com Eric, conseguiu convencê-lo a ir embora.
Juntos foram para o seu apartamento, àquele momento completamente vazio. Em termos de intimidade, seu relacionamento não se aprofundara muito naqueles meses de namoro.
Foram poucas as ocasiões em que se permitiu ficar a sós com ele em seu quarto, quando ocorria de ir ao seu apartamento e um dos meninos, ou ambos, se encontrar na sala assistindo televisão. Como normalmente namoravam no sofá da sala – fosse no seu apartamento ou no dele – preferiram se recolher no quarto dele nestas ocasiões para terem um pouco de privacidade.
Desta vez, no entanto, o seu apartamento estava totalmente deserto. Poderiam permanecer na sala que ninguém violaria a sua privacidade. E ainda assim, Georgiana guiou Eric até o seu quarto, apresentando-o a ele pela primeira vez. Ela nunca tivera a ousadia de dar aquele passo antes e sentia-se hesitante e envergonhada em fazê-lo até mesmo naquele momento.
Eric podia pressentir o seu desconforto, então tentou aliviar a sua tensão ao circular pelo seu quarto e fazer-lhe perguntas sobre objetos específicos que estavam à vista. Por fim, sentou-se na cama e convidou-a a fazer o mesmo.
Georgiana se aproximou e sentou-se ao seu lado, desviando o rosto e evitando fitá-lo nos olhos. Com as mãos sobre os joelhos, mantinha sua coluna ereta, sentada com uma postura tensa. Seu peito arfava e, para aliviar sua agitação interna, respirou algumas vezes lentamente.
Eric ergueu a mão até o seu rosto e com carinho ajeitou uma mecha de cabelo atrás de sua orelha, antes de acariciar a sua face rosada. Segurou o seu queixo e a fez virar o rosto em sua direção. Com suavidade, encostou seus lábios aos dela e passou a beijá-la.
Pequenos beijos no começo, mero roçar de lábios. Conforme ela correspondia, ele foi aprofundando e intensificando os beijos. Até o momento em que se encontravam deitados em sua cama, acariciando-se e despindo-se mutuamente.
Quando as únicas peças de roupas ainda em seus corpos eram aquelas peças mais intimas e mesmo estas estavam a ponto de serem descartadas, Georgiana despertou daquele momento inebriante com um rompante de insegurança e agitação. Alarmada, empurrou Eric para longe de si e ergueu-se da cama.
Cambaleando entre sapatos e peças de roupas largadas ao chão, procurou por algo com que pudesse cobrir a sua nudez parcial. Apressadamente, pegou a blusa de Eric do chão e a vestiu, sem dirigir um olhar na direção dele.
--Georgie? – Ouviu a voz dele atordoada.
Constrangida com sua própria atitude, Georgiana caminhou até a porta do quarto que estava fechada e encostou-se a ela, ainda de costas para Eric. Cobriu o rosto com ambas as mãos e bateu a testa na porta duas, três vezes.
--Georgie. – Eric repetiu o seu chamado, sua voz um pouco mais firme.
Georgiana voltou-se de frente para ele, sem se afastar da porta, e abaixou as mãos. Cruzando-as sobre os seios e abraçando-se, em um gesto de auto-preservação. Encontrando-o ainda sentado em sua cama.
--Me perdoe, Eric. – Pediu, com a voz nervosa.
--Tudo bem. – Ele replicou prontamente. – Não precisa acontecer nada esta noite.
--Não é que eu não queira. Eu quero. – Georgiana tentou explicar, mas incerta de como fazê-lo. – Eu só... Eu tenho que te contar uma coisa. – Disse com a voz falhando de nervosismo. E tentando controlar sua ansiedade, acrescentou. – Uma coisa que você não sabe sobre mim.
--Você é virgem. Eu sei. – Eric adiantou-se a ela, pensando estar ajudando-a. – Eu imaginei que fosse.
--Não. – Georgiana contestou, negando também com gestos com a cabeça. – Eu não sou... virgem. – Murmurou, quase não conseguindo pronunciar a última palavra. – Não, tecnicamente. – Acrescentou, tentando controlar melhor o seu tom de voz.
Eric não disse nada em resposta, apenas a observou em silêncio. Confuso.
--No meu último ano no ginásio, eu fui oficialmente apresentada a Holly em um jantar de negócios do meu pai. – Georgiana começou a narrar a sua história, com a voz tremida e expressão apreensiva. – Eu a conhecia do colégio, de vê-la pelos corredores e pátios. Mas nós não tínhamos muito em comum. Ela era popular e eu... o oposto.
Eric permaneceu sentado e em silêncio, atento às suas palavras. Ele tinha suas suspeitas quanto à veracidade da tal alegada amizade entre Holly e Georgiana. Imaginava que agora teria suas suspeitas confirmadas.
--Depois deste jantar, por um motivo desconhecido a mim naquela época, Holly se aproximou de mim, desejando se tornar minha a amiga. Não vou negar, dizendo que não gostei da idéia de me tornar sua amiga... Na verdade, eu adorei. Eu queria uma amiga divertida, espontânea e extrovertida como ela. E, em pouco tempo, eu me deixei acreditar que éramos melhores amigas, inseparáveis.
Georgiana fez uma pequena pausa, mas logo prosseguiu.
--Por nossos pais se conhecerem e serem amigos, a nossa amizade foi bem vista e apoiada por ambas às partes. Quando chegou o verão, meus pais já me davam mais liberdade para sair com Holly e suas amigas, para ir a festas e até para fazer uma pequena viagem à praia em um fim de semana.
Georgiana estava conseguindo manter a sua voz forte ao contar esta parte da história, mas temia não ter forças para continuar agora que estava alcançando a parte traumática daquela narrativa.
--Eu tinha acabado de completar dezoito anos e tinha planos de estudar em Conservatório de Música no semestre seguinte. Holly iria para a Faculdade de Administração como era de desejo de seus pais. Mas ela queria ser modelo/atriz, queria ser famosa e não uma mulher de negócios. E um dia ela me contou o seu segredo: ela tinha entrado em contato com um... fotógrafo... e iria fazer uma sessão de fotos para montar um book.
Eric percebeu que havia algo de errado naquela história, principalmente com relação ao fotógrafo. Porque a voz de Georgiana falhou quando o mencionou.
--Ela me pediu para acompanhá-la a esta sessão de fotos, porque estava nervosa. Eu aceitei sem hesitar. – A voz de Georgiana começou a soar cada vez mais baixa. – O estúdio fotográfico era no próprio apartamento do fotógrafo.
Ela se controlou mais para não permitir que sua voz voltasse a falhar quando falasse nele.
--Ele... – Mas não conseguiu evitar e precisou engolir em seco antes de prosseguir. – Ele foi muito simpático e tranqüilizador durante a sessão de fotos, deixando tanto ela quanto a mim bastante a vontade em sua companhia. E, por fim, levou-nos a um café próximo ao seu apartamento após a sessão de fotos. Onde ele continuou a nos encantar com o seu charme e boas maneiras. Ele queria saber tudo sobre ela e, para minha surpresa, sobre mim também.
Os seus olhos agora já estavam brilhando com lágrimas mal contidas. E sua voz estava bastante tremida.
--Ele nos convidou para uma festa de um amigo e Holly aceitou prontamente, excitada. Eu não tinha certeza se conseguiria ir, porque os meus pais ainda tomavam certos cuidados quando eu pedia para sair à noite. Faziam questão de saber onde eu estaria indo, de quem era a festa e etc. Mas Holly me convenceu a dizer a meus pais que iria dormir em sua casa e ir à festa com ela, que ela não tinha aquele tipo de problema com os seus pais. Contanto que ela fosse de chofer até a festa e ele esperasse por ela, para trazê-la de volta para casa no final, os pais dela não lhe faziam muitas perguntas.
Georgiana fez nova pausa para se acalmar, limpando as lágrimas do rosto antes de continuar.
--Então, nós fomos e... ele estava lá. – Novas lágrimas escaparam de seus olhos, mas ela as limpou apressadamente. – Ele foi tão encantador quanto nós nos lembrávamos e não demorou muito para que eu percebesse que Holly estava interessada nele. Ela não tentava disfarçar suas expectativas com relação a ele. E eu podia perceber que ele também notara isto, mas ele... Ele a tratava do mesmo jeito que me tratava, com a mesma atenção e galanteria.
Ela fez uma nova pausa, pensativa. Parecia estar tentando se lembrar das sensações daquele episódio, mas temesse exatamente a mesma coisa.
--Eu não achava possível que ele pudesse se interessar por mim, então presumi que ele não estava interessado em nenhuma de nós. – Acrescentou, abalada. – Ele nos apresentou aos seus amigos e um deles convidou Holly para dançar. – Ela tentou prosseguir de forma objetiva. – E nós ficamos sozinhos. – Mas logo voltou a soar frágil e desprotegida. – Ele me ofereceu uma bebida e eu não queria que ele pensasse que eu era uma criança, então tomei alguns goles. Mas me prometendo que não passaria de alguns goles. – Novas lágrimas cobriam o seu rosto e sua voz voltou a sumir. – Eu comecei a me sentir tonta, então ele me guiou até um sofá. E me instigou a terminar a bebida e eu tomei mais dois goles.
Ela ficou em silêncio, olhar cabisbaixo e perdido em uma lembrança torturante. Eric podia sentir a tensão pairando no ar.
--Ele me beijou... – Ela ergueu o olhar e fitou-o nos olhos ao dizer isto, com a voz chorosa. – E depois disso eu só me lembro de acordar no dia seguinte em uma cama que não era a minha... sem mais nenhuma recordação do que tinha me acontecido na noite passada. Mas era bastante obvio o que tinha acontecido comigo.
--Meu Deus! – Eric murmurou, aterrorizado.
--Eu fui para a casa de Holly, estava desesperada. – Georgiana já não tentava mais controlar suas lágrimas ou o tom amargurado de sua voz. – Ela praticamente me disse que tinha sido minha culpa, que eu tinha ganhado o que tinha pedido.
--Inacreditável. – Eric não conseguia acreditar no que estava ouvido; nunca imaginara que a antipatia que via nos olhos daquelas duas quando se fitavam era fruto de algo tão sombrio.
--Eu decidi ali que não contaria a ninguém o que tinha acontecido. Eu só queria esquecer, fingir que não tinha acontecido, que tinha sido apenas um pesadelo...
--Georgie, ele não pagou pelo que ele te fez?! – Eric questionou, indignado, erguendo-se da cama e tentando se aproximar dela.
Mas Georgiana ergueu as duas mãos, detendo-o ainda próximo a cama, ao dizer.
--Eu ainda não terminei. – Com a voz fraca e vulnerável.
E Eric temeu qualquer outro novo desenvolvimento naquela história. Não era justo que algo mais terrível do que aquilo ainda pudesse lhe acontecer.
--Algumas semanas depois, meu irmão veio até a nossa casa. Ele tinha um pacote nas mãos e estava transtornado. Ele disse que meu primo, quem tinha assumido a direção da companhia da família aquele mês com a aposentadoria do meu pai e do meu tio, tinha recebido aquele pacote endereçado a meu pai. Por imaginar que se tratasse de correspondência relacionada à empresa, abriu o pacote e encontrou... fotografias minhas...
Georgiana arfou, soluçando. E precisou fazer nova pausa para se controlar. Eric queria se aproximar dela e abraçá-la, mas temia que ela não permitisse.
--Ele estava pedindo dinheiro para não vender as fotos aos tablóides... E eu fui forçada a contar ao meu irmão o que tinha acontecido. – Ela disse isso como se estivesse passando por uma nova tortura humilhante. – Meus pais tinham acabado de fazer uma viagem, uma terceira lua de mel, e tiveram que voltar às pressas para casa. Meu irmão contatou o advogado da família e ele contatou um delegado federal, quem organizou toda uma emboscada para quando meu irmão fosse pagar ao fotógrafo e ele fosse preso por chantagear a minha família.
Eric quase não conseguia acreditar como Georgiana conseguia narrar toda aquela história, divulgando detalhes sobre algo tão traumatizante.
--Eu tive que passar por vários exames, mas como eu não os fiz logo no dia seguinte ao incidente não foi possível encontrar muitas evidências das drogas[1] ou do estupro.
Mesmo com a voz falhando e as lágrimas banhando o seu rosto, a ponto de molhar a camisa dele que ela estava usando, Georgiana continuou a contar aquela história de puro terror.
--Não existiam mais vestígios da substância no meu sangue, ou DNA... Apenas ficou determinado que eu havia tido relações sexuais. Houve o processo e ele foi julgado pelos dois crimes, mas... foi condenado apenas pela extorsão.
--Como é? – Eric exclamou, zangado, aproximando-se dela.
Em contrapartida, Georgiana se afastou, contornando a cama e se aproximando da janela do quarto.
--Por quê? – Eric perguntou, parado a porta, onde ela estivera minutos atrás.
--Ele fora modelo antes de ser fotógrafo e era famoso, além de saber interpretar bem o papel de galã de cinema. Soube muito bem convencer a todos que ele não precisava forçar suas atenções em ninguém, que ele podia ter a mulher que quisesse quando quisesse.
Ela explicou, com raiva e indignação evidente em sua voz.
--Que tinha sido eu quem me insinuara para ele, quem o seduzira. O convencera a tirar aquelas fotos. E depois inventara aquela história para não ter de enfrentar a ira dos meus familiares quando eles descobriram as minhas indiscrições. Que o seu único erro foi tentar vender as fotos para os meus familiares em um momento de desespero... Porque estava passando por dificuldades financeiras. Que ele imaginara que a minha família ficaria agradecida que ele houvesse procurado eles primeiro, ao invés de simplesmente vender as fotos aos tablóides. Os quais pagariam uma fortuna para ter um escândalo daquele tamanho em suas mãos.
Após aquela explosão de sentimentos há muito tempo guardados e sufocados em seu peito, Georgiana se sentiu exausta. Seus joelhos tremiam e ela mal conseguia se manter de pé. Ou olhar para Eric sem se sentir suja.
--Depois que ele foi condenado, eu fui passar uma temporada na casa da família no interior. Meus pais ficaram lá comigo, enquanto eu fazia terapia e tentava superar aquilo tudo. – Ela acrescentou posteriormente com amargura. – Eles esperavam que quando eu me recuperasse, que eu voltasse a minha antiga vida. Que ainda quisesse tocar piano e continuasse a ser aquela mesma garota estúpida que acreditava que o mundo era cor de rosa. ...Mas eu não podia mais ser aquela garota. Ela já não existia mais!
--Eu não sei o que te dizer. – Eric murmurou, ainda distante e cauteloso.
Seu desejo era tomá-la nos braços e confortá-la. Mas temia que ela voltasse a fugir.
--Você não precisa dizer nada. Eu entendo. – Ela disse, abatida. – Agora que você sabe a verdade, eu causo repulsa em você... Eu sei.
--O que? Não! – Eric exclamou, cruzando o quarto com rapidez e parando a sua frente. – Não é verdade. – E tentou abraçá-la, mas ela tentou resisti-lo e afastá-lo.
--Eu nunca planejei me apaixonar por você, mas não pude evitar. – Ela contestou; continuando a manter-se fora de seus braços, mas sem conseguir se libertar completamente. – Mas eu não quero a sua piedade agora!
--Eu não sinto pena de você! – Eric rebateu, segurando-a pelos braços e fazendo-a encará-lo. – Estou zangado, incerto do que fazer para ajudá-la e confortá-la... Mas não sinto pena de você. – Fez uma pausa, procurando em sua mente a palavra certa para descrever o que estava sentindo. – Agora, depois de tudo o que você me contou, eu acho que eu te admiro ainda mais.
--Como você pode me admirar? – Ela questionou, com novas lágrimas banhando o seu rosto.
--Porque você é mais forte do que eu imaginava. – Ele respondeu, largando os seus braços e erguendo as mãos até o seu rosto. Vindo a enxugar as suas lágrimas. – E corajosa também. – E diante de sue olhar incrédulo, esclareceu. – Eu não conheço uma pessoa que tenha passado pelo que você passou e ainda tenha sido capaz de ser assim como você é. Meiga, sincera, aberta a novas amizades. Alguém que me permitiu me aproximar e fazer parte da sua vida. Que não duvida dos meus motivos para querer estar com você, embora tenha todas as razões para ser desconfiada e arredia. Alguém que confia em mim... Tanto que me contou tudo isto. Mesmo que temesse ser julgada por algo que não teve culpa.
Georgiana não conseguia duvidar de suas palavras, porque via sinceridade estampada em seus olhos.
--Você é muito mais corajosa do que imagina. E eu te amo ainda mais por causa disso. – Eric confessou, emocionado.
--Mas eu não sirvo para você. Estou estragada. – Georgiana contestou.
--Você não está estragada. – Eric contradisse.
--Estou sim. – Georgiana repetiu, obstinada. – Talvez eu nunca possa... – Não concluiu a frase ao deixar seu olhar vagar em direção a sua cama.
--Olhe para mim. – Eric exigiu. Quando ela o fez, ele perguntou. – Você me ama?
--Sim. – Georgiana respondeu com um murmúrio.
--Me deseja? – Ele questionou; ela desviou o seu olhar, corando, e confirmou com acenos de cabeça. – É isso que importa. – Ele disse, erguendo o rosto dela e fazendo-a olhá-lo nos olhos. – Nós temos tempo. E com um pouco de paciência vai dar tudo certo.
Eric selou seus lábios com um beijo casto e a acolheu em seus braços, confortando-a.
--Posso dormir aqui esta noite? – Perguntou-lhe um pouco depois.
Georgiana afastou-se dele, para poder fitá-lo, assustada.
--Apenas dormir. – Ele acrescentou, adivinhando o motivo de sua reação. – Eu não quero te deixar sozinha. Só isso.
Hesitante, ela concordou com outro aceno de cabeça. E ele a guiou de volta para cama. Após apagar a luz do quarto, deitou-se ao seu lado na cama de solteiro e a puxou para seus braços.
O sono evadiu-se por algum tempo. Georgiana estava consciente da pele quente e dos músculos fortes e rígidos dele colado ao seu corpo. Mas forçou-se a concentrar-se na sua respiração e nas batidas regulares de seu coração, até que relaxou e adormeceu.
Eric, no entanto, não conseguia esquecer as palavras que ouvira dela e ficava remoendo aquele ódio avassalador em seu peito. Sabia que se um dia cruzasse caminho com o tal fotógrafo, o mataria com as próprias mãos pelo que ele fez a Georgiana.
[1] Chama-se de "Boa Noite, Cinderela" as drogas, especificamente: GHB (ácido gama-hidroxibutírico); Ketamina (Special K); e Rohypnol (Flunitrazepam); também são conhecidas como "rape drugs" (“droga do estupro"). Em comum essas drogas apresentam um efeito depressor sobre o sistema nervoso central, principalmente quando combinadas com o álcool. O nome tem origem no uso dessas drogas para dopar vítimas em potencial de assalto ou abuso. Algumas vezes há lacunas de memória dos eventos no período de intoxicação. O efeito pode durar até três dias e trazer inclusive risco de morte por desidratação ou intoxicação.














