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Quando lhe falta o que ambiciona, o verdadeiro filósofo contenta-se com o que tem.(Jane Austen)

Colisão - Capítulo XXXVI

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Capítulo XXXVI

Amor: bicho complicado

 

Mary circulava por entre as estantes de livros daquela exposição, aguardando o momento de adentrar no auditório e assistir ao seminário dos assuntos que mais lhe interessavam no Congresso daquele ano organizado pela Universidade. Professores de outras universidades e cientistas de vários lugares da Inglaterra estavam presentes.

Encontrou o livro do autor que procurava e folheava-o, quando sentiu um leve puxão no seu cabelo – hoje penteado em um perfeito rabo de cavalo. Virou o rosto, procurando quem fizera aquilo. Encontrou o meio sorriso provocante de Lucian e aquele olhar acinzentado penetrante.

Passou-se um longo minuto em que Mary ficou perdida dentro daqueles olhos, sem perceber que Lucian lhe dizia algo de forma bastante animada. Até que ouviu a voz de Craig e dirigiu o olhar em sua direção pela primeira vez.

--Está no mundo da Lua? – Ele perguntava.

--Desculpe-me, estava distraída. – Mary rapidamente replicou. – Vocês estavam falando sobre o que? – Tentou disfarçar, mas sabia que ambos podiam ver o rubor em suas faces.

--Das palestras. Você já assistiu alguma? – Lucian perguntou, mudando o assunto.

Mary agradeceu-o mentalmente por isto naquele momento. Mas pegou-se a si perguntar por que ele fazia isso. Fingia não notar como ela se sentia perto dele.

Juntos, seguiram para o auditório pouco tempo depois. Assistiram a algumas palestras. Lucian com uma seriedade solene; Craig atencioso e, em determinados momentos, impaciente quando se via diante de algo que julgava errôneo. E Mary entretida e divertida.

Sentia-se sortuda quando um deles fazia algum comentário sobre algum assunto debatido no seminário e levantava outra linha de raciocínio, desvendando um novo mistério. Sentia um prazer enorme quando a incluíam na conversa, querendo saber sua opinião e escutavam com atenção – de um jeito que lhe parecia como algo beirando ao respeito. Sentia-se parte do grupo e não mais uma simples observadora.

Após as palestras, eles ainda ficaram no primeiro salão. Percorrendo as estantes de livros, conversando com outros colegas de turma que encontravam por ali.

Em determinado momento, Mary foi ao banheiro. E ao retornar dele, encontrou os meninos ainda a esperando no mesmo lugar onde os deixara. Mas eles não estavam mais sozinhos. Um grupo de garotas lhes fazia companhia. Garotas bonitas. Garotas que atraiam o olhar e o interesse de qualquer garoto comum.

Deteve-se a certa distância e observou-os interagindo. Sorriam e flertavam com aquelas garotas. E, com desgosto, constatou que Lucian e Craig eram homens como qualquer outro neste departamento. Eles podiam aceitá-la como amiga; ela, Mary, e suas esquisitices. Mas era aquele tipo de garota que os atraiam quando pensavam em algo remotamente parecido com um romance.

Decepcionada, voltou-lhe as costas. Imaginando que podia aproveitar a distração deles e ir embora sem dar maiores explicações. Não que imaginasse que eles fossem se importar muito com a sua ausência naquele momento.

Mas viu Johnny vindo em sua direção. Estivera evitando encontrar-se com ele pela faculdade desde a volta às aulas. Sempre que o via, evitava-o. Saindo da biblioteca quando precisava ou mudando de direção nos corredores.

Estava preste a tomar o caminho até o banheiro feminino, que não estava tão longe assim, quando percebeu que ele já a vira. Na verdade, parecia estar se aproximando com o único propósito de conversar com ela. Ainda conseguiria entrar no banheiro antes que ele a alcançasse, mas não queria ficar presa lá até que ele desistisse e fosse embora.

Decidiu enfrentá-lo.

--Oi, Mary. – Johnny a cumprimentou amistosamente.

--O que você está fazendo aqui? Você não faz Economia? O que poderia querer num Seminário Biofísico? – Crivou-o de perguntas.

--Imaginei que a encontraria aqui. – Johnny respondeu, com bom humor.

--Está me seguindo? – Mary inquiriu, incrédula.

--Eu diria que arranjei um encontro ao acaso, já que o acaso não tem sido muito competente ultimamente. – Ele replicou, cheio de charme.

--Isso é assustador. – Mary comentou; sentia-se sinceramente incomodada com aquele comportamento. Não estava acostumada com aquele tipo de assédio.

--Nem tanto. – Johnny disse com naturalidade, como se fosse comum garotos se comportarem daquele jeito. – Além do mais, você não me deu seu telefone e eu precisava saber quando vamos sair.

--Sair?

--É. Como num encontro. Cinema, jantar... Essas coisas. – Ele esclareceu. – Não se lembra que aceitou sair comigo?

--Nunca fiz isso. – Mary negou, veemente.

--Concordou sim. Na festa de Ano Novo. Estávamos dançando, você pisou no meu pé, pediu desculpas e eu lhe disse que lhe perdoaria se você aceitasse sair comigo. – Johnny explicou. – Não se lembra?

--Sim, me lembro. Mas também me lembro de não ter aceitado coisa alguma. – Mary respondeu, séria.

E, embora continuasse a rejeitá-lo, Mary via em seus olhos uma teimosia desmedida. Ele não estava abalado de forma alguma. E parecia-lhe que ele não desistiria tão cedo. Então, disse.

--O que você gosta em mim?

Ele não estava preparado para aquela pergunta e pestanejou antes de lhe dar uma resposta.

--Você é diferente da maioria das garotas que conheço. É única. – Vindo a soar mais seguro ao final.

--Na verdade, não sou. Sou bastante comum, comum até demais. – O contrapôs, fria. – Qualquer um que me conheça sabe disso. E você não conhece. Então como pode gostar de mim? – O efeito deste discurso, prosseguido por aquela pergunta, rendeu-o aos gaguejos.

--Ham... Eu... Na verdade... Eu quero conhecê-la melhor...

--No instante que me conhecer, seu interesse desaparecerá. Garanto-lhe. – Mary afirmou, segura. – Não temos nada em comum e o que tanto lhe fascina agora, a idéia da conquista, o joguinho da sedução apimentado pela minha constante recusa, sumirá por completo quando eu me render ao seu charme. Então o seu interesse também desaparecerá.

Johnny estava boquiaberto, mudo a esta altura.

--Por que você não para com estes joguinhos e acha uma garota que realmente esteja interessada em você? E fica com ela? – Mary concluiu o seu discurso e deu-lhe as costas.

Encontrando de imediato o olhar de Lucian. Ele lhe dirigiu aquele mesmo meio sorriso de canto de boca, acompanhado de uma arqueada de sobrancelha zombeteira. Estava claro que assistira àquele episódio a distância, distraído da conversa do seu próprio grupo.

E Mary se perguntou por que as pessoas não gostam das pessoas que gostam delas. Por que insistem em querer aquilo que está fora de seu alcance? Amor não correspondido só é bonito em livros e filmes. Na vida real eles são um saco!

~#~

Richard chegou ao seu apartamento e foi diretamente ao seu quarto. Cuidou de fazer uma pequena mala com roupas limpas para poder passar o fim de semana no apartamento de Moira.

Conferiu o estado de seu apartamento antes de sair novamente. Decidiu passar no restaurante de comida chinesa a caminho do apartamento de Moira. Ela estava tão atarefada nos últimos dias que preferia deixá-la descansar sempre que tinha a oportunidade. Mas não estava com vontade de cozinhar esta noite.

Ao chegar ao apartamento dela, com sua mala em uma mão e a sacola da comida chinesa na outra, teve alguma dificuldade em tocar a campainha. Pensando pela primeira vez como era estranho ainda não possuir a chave do apartamento dela.

Moira abriu a porta e ele não demorou em lhe entregar a sacola de comida, seguindo em direção ao quarto para guardar suas coisas enquanto ela ia para a cozinha. Ao juntar-se a ela na cozinha, encontrou Moira servindo a comida.

--Eu estava pensando. – Disse.

Mas Moira prosseguiu com o que estava fazendo sem lhe dar muita atenção.

--Devíamos morar juntos. – Afirmou, finalmente ganhando sua atenção.

--Espere. O que disse? – Questionou, parando o que estava fazendo para olhá-lo.

--Nós dois. Morar juntos. – Richard repetiu, sentando-se a mesa.

--Não. – Moira respondeu, sem pestanejar, também se sentando a mesa.

--Por que não?

--Porque é muito cedo. Não ia dar certo. – Moira argumentou, começando a comer.

--Se você ainda não percebeu, Moira. Nós já estamos morando juntos. – Richard contestou, sem dar atenção a sua comida já em seu prato. – Não há uma noite sequer que não tenhamos dormido juntos desde Pemberley.

Moira preferiu ficar calada.

--Eu não tenho ido ao meu apartamento a não ser para pegar roupas limpas ou checar se está tudo bem por lá. – Richard continuou a argumentar.

--Tudo bem. – Moira disse, parando de comer. – Diga-me uma coisa. Onde vamos morar?

--Meu apartamento é maior. Acomodaria melhor as minhas coisas e as suas. – Richard respondeu. – Além do mais, lá tem garagem para o meu carro. O qual tem dormido na rua todas as noites.

--Eu não vou me mudar para o seu apartamento. – Moira afirmou, voltando a comer.

--Por que não? O que tem de errado com o meu apartamento? – Richard já estava ficando impaciente com as suas negativas.

--Não vou sair do meu apartamento para ir para o seu. – Moira repetiu a negativa. – Se isto não der certo... – Indicou a si mesma e ele com gestos. – eu vou ficar de coração partido e sem lugar para morar.

--... – Richard ia contestar seu argumento, mas ela o interrompeu.

--Não importa o que você diga, não vou me mudar daqui.

--Tudo bem. – Ele se rendeu. – Eu me mudo para cá.

--E as suas coisas? Não há espaço suficiente aqui.

--Eu não preciso da metade das coisas que tenho. – Richard afirmou, começando a comer.

--E o seu carro? – Moira inquiriu.

--É apenas um carro. – Richard respondeu, despreocupado. – Mas vou precisar de uma chave. Não tem cabimento eu continuar a tocar a campainha.

--Você pode fazer uma cópia para você.

~#~

Elizabeth estranhou quando o seu celular começou a tocar aquela manhã e reconheceu o número do celular de sua irmã. Desde que viajara, Jane geralmente ligava para ela de noite – quando já estava no quarto de hotel.

Estava no camarim do estúdio se preparando para uma sessão de fotos para uma revista de moda e aproveitou o momento em que o maquiador foi procurar em outra caixa de maquiagem o tom de sombra que queria para atender ao telefone.

--Jane? – Chamou pela irmã. A chamada era internacional e por um tempo não escutou nada.

--Lizzie. – Jane enfim respondeu.

--Está tudo bem, minha irmã? – Apressou-se em perguntar. – Aconteceu alguma coisa para você estar me ligando agora?

--Eu queria ter lhe falado sobre isso ontem de noite, mas não queria lhe preocupar. Pensei que fosse bobagem minha, mas já não tenho certeza. – Jane respondeu.

--O que é, Jane? – Elizabeth se assustou, a voz da irmã estava ficando cada vez mais triste.

--Eu acho que Caroline estava falando a verdade sobre Charles. Ele me esqueceu. – Ela respondeu, com a voz entrecortada.

--Do que está falando? Conte-me exatamente o que está acontecendo. – Elizabeth exigiu.

--Desde que viajei, tenho tentando manter contato com ele da mesma forma que antes. – Jane começou a explicar. – Mas, as vezes, quando eu ligo, cai na caixa de mensagens. Então, espero e tento de novo. E acontece a mesma coisa. Então, deixo uma mensagem para ele, mas ele não responde ou liga de volta. E quando atende a ligação, ele parece tão frio e distante.

Elizabeth imaginava as grossas lágrimas que Jane estava derramando ao lhe contar isto.

--E quando eu pergunto o que está acontecendo, ele diz que não é nada. Que está cansado. – Jane continuou. – E agora eu não sei o que fazer. Marquei a passagem para Milão para esta noite, logo depois do desfile. Mas já não sei se devo ir.

--Claro que deve. – Elizabeth respondeu prontamente.

--Mas e se ele não quiser me ver? O que vou fazer?

--Você vai para o hotel. – Elizabeth sugeriu.

--Mas as reservas do hotel são para daqui a dois dias, quando as outras modelos estarão indo para Milão. – Jane explicou. – Elas vão aproveitar estes dias de folga para passear por Paris, já que não somos necessárias em Milão tão logo. Eu adiantei a minha passagem porque queria ter mais tempo com Charles.

Elizabeth ficou em silêncio por um instante, ouvindo a respiração falha da irmã.

--Me escute. Você vai mandar um torpedo para Charles, lhe dizendo qual é o seu vôo e quando ele estará chegando a Milão. Você irá tomar o avião e irá para lá. E quando você chegar ao aeroporto, ele estará lá lhe esperando. – Elizabeth garantiu, com bastante segurança.

--E se não estiver? – Jane insistiu.

--Vai estar. – Elizabeth prometeu. – Confie em mim. Ele vai estar. Charles te ama. O que quer que esteja acontecendo, será explicado e resolvido assim que vocês se encontrarem de novo.

O maquiador tocou em seu ombro e mandou-a desligar o celular.

--Eu preciso desligar agora, Jane. Mas me prometa que vai fazer o que eu lhe disse. – Elizabeth pediu.

--Vou fazer. – Jane respondeu, mais calma.

~#~

Darcy estava estranhando o comportamento de seu amigo. Há dias que Bingley estava distraído, arredio e de péssimo humor. Quase não trabalhava direito, ficava dando comandos contraditórios e Darcy precisava ficar conferindo seus trabalhos e corrigindo os seus erros.

Quando saíram do Museu e caminhavam até um restaurante ao fim da rua, decidiu perguntar-lhe o que estava acontecendo.

--Charles, você está com algum problema? – Perguntou-lhe.

Seu amigo negou com um curto aceno de cabeça, sem lhe dirigir o olhar.

--Não minta. É alguma coisa com Jane? – Darcy insistiu, ganhando o seu olhar azedo. – Eu não tenho te visto pendurado no celular todas às noites. – Darcy explicou suas suspeitas. – Vocês brigaram?

Charles respirou fundo, resignado. E disse.

--Caroline me ligou. Ela me disse que Jane está saindo com o ex-namorado novamente.

--E você acreditou? – Darcy interrogou-o, incrédulo.

--Tem foto deles juntos na internet. – Charles argumentou em sua defesa.

--Fazendo o que? Se beijando? – Darcy estava surpreso. Não imaginava que Jane fosse este tipo de mulher.

--Bem, não... Parados, juntos. – Charles respondeu, constrangido.

--Charles, quantas vezes você não apareceu em tablóides ao lado de uma mulher qualquer que nem conhecia e diziam que era sua namorada?

--Mas eles se conhecem. Ele foi namorado dela. Lembro da sra. Bennet dizendo que eles foram muito apaixonados e que acreditava que ficariam noivos. – Charles contestou.

--O que foi que Jane lhe disse sobre isso? – Darcy decidiu pôr os fatos a limpo.

--Não perguntei a ela. – Charles respondeu, mal humorado. – Eu não queria ouvir de sua boca que ela não conseguiu evitar. Que com a minha ausência...

--Eu não pensei que você fosse tão covarde. – Darcy disse, sentindo-se um hipócrita. Mas sabia ser necessário; não deixaria que o amigo cometesse o mesmo erro que ele, quando sabia que tudo poderia ser resolvido se ele apenas conversasse com Jane.

--Eu não sou covarde. – Bingley explodiu, indignado.

--Está se comportando como um. – Darcy insistiu. – Olhe, Jane nunca me pareceu o tipo de mulher que se envolveria com dois homens ao mesmo tempo. – Argumentou com um tom de voz mais ameno. – Você mesmo me disse que ela leva o sexo e relacionamentos muito a sério. E vocês estavam tão bem. Ela não vinha para cá?

--Daqui a dois dias. É quando a turnê da grife que está acompanhando virá para Milão. – Charles informou.

--E ela por acaso mudou estes planos com você?

--Não. – Charles respondeu.

--Então? Você pode estar se preocupando a toa.

Charles permaneceu pensativo o almoço inteiro. Ao saírem do restaurante, decidiu que ligaria para ela. Mas percebeu que estava sem celular. Pediu o de Darcy emprestado, mas antes que a ligação fosse completada a bateria do celular acabou. Teria que esperar anoitecer, para voltar ao apartamento e poder ligar para ela.

Nunca passara uma tarde tão longa em sua vida, parecia que a noite nunca chegaria. E continuou distraído e mal humorado enquanto as horas se arrastavam.

Quando chegaram ao apartamento, Darcy foi até a cozinha. Ver o que tinham para comer e se seria necessário sair para comprar alguma coisa. Só depois tomaria um banho e tentaria relaxar.

Mas Charles seguiu direto para o seu quarto, recuperar o celular esquecido. Encontrou-o no criado-mudo ao lado da cabeceira da cama. Tomou-o em mãos e percebeu que recebera uma mensagem. Abriu a mensagem datada deste mesmo dia, pela manhã.

“Estou chegando a Milão hoje à noite.

Vôo 978, portão 5, às 23:55.

Vou entender se você não aparecer.

Jane.”

Charles atrapalhado, olhou para o relógio de pulso. Era apenas 19 horas. No entanto, colocou o celular no bolso e deu meia volta na cama, saindo do quarto. Esbarrou em Darcy no corredor, quem estava vindo da cozinha para o próprio quarto.

Passou por ele apressado e seguiu para a porta do apartamento.

--Bingley, o que aconteceu? Onde está indo? – Darcy apressou-se a segui-lo.

--Ao aeroporto. Jane está chegando. – Bingley respondeu sem parar para conversar com ele.

Acionou o elevador e entrou. Viu Darcy parado a porta do apartamento e em seguida as portas do elevador se fecharam.

Tomou um táxi até o aeroporto e, apressado, seguiu para o portão de desembarque. Novamente, teve uma briga mortal com o tempo, que parecia estar contra ele neste dia. Jurava que o ponteiro do seu relógio estava parado há mais tempo que o necessário. Talvez estivesse quebrado ou sem bateria. Mas olhou-o de novo e ele finalmente se moveu. Mais um segundo se fora.

Seu estômago começou a reclamar e seu mau humor apenas aumentou. Mas estava decidido a não sair dali. Viu passageiros desembarcarem e encontrarem familiares e amigos a sua espera. Vi-os ir embora e ele permanecer ali.

Finalmente se rendeu a fome e procurou um café próximo ao portão de desembarque e comeu algo. Não se lembrava do que fora. Contanto que fosse sólido e o sustentasse de pé, estava satisfeito.

Voltou ao portão e ficou andando de um lado a outro, olhando para o relógio de pulso a cada minuto. Percebeu que poucas pessoas estavam ali, aguardando a chegada de entes queridos à medida que as horas passavam. Até que restaram somente ele e duas outras pessoas.

Ouviu o anuncio da chegada de seu vôo e informações quanto ao desembarque das bagagens. Ficou ainda mais nervoso, olhando para as portas por onde ela passaria com muita expectativa.

Cerca de sete pessoas saíram antes dela. Bingley estava pronto para quebrar a barreira de espera e ir buscá-la no outro salão. Quando Jane finalmente cruzou o portão de desembarque empurrando um carrinho com sua mala. Sequer precisou olhar a sua volta a sua procura, ele era o único ali ainda desacompanhando.

Ela se aproximou. Não estava sorrindo, parecia estar tão nervosa quanto ele. Cruzou a barreira de contenção e acercou-se dele.

--Você veio. – Disse, soando confusa e magoada.

Charles sequer pensou no que estava fazendo. Ao ouvir sua voz, sentiu um reconforto e felicidade. E num impulso, abraçou-a com força e a beijou. Jane demorou um pouco para corresponder, mas por fim passou os braços envolta de seu pescoço.

--O que aconteceu, Charles? – Jane perguntou, com a voz chorosa e os olhos cheios de lágrimas.

--Isso não importa agora. – Bingley respondeu, secando suas lágrimas com as duas mãos. – Você está aqui. – Disse, com alivio estampado em seu rosto. E beijou-a com vontade novamente.

Sabia que teriam tempo para esclarecer tudo mais tarde. Agora só queria matar sua saudade.

 

 

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