Capítulo XXVI
Surpresas Desagradáveis
Moira estava tendo dúvidas se tomara a decisão certa quando concordou com aquela situação. Mas já não podia voltar atrás. Por mais que repetisse para si mesma que isto não se tratava de um encontro amoroso, seu coração teimava em bater apressado e suas mãos tremiam. Volta e meia, olhava-se no espelho e conferia sua roupa, cabelo e maquiagem. E se perguntava por que ele estava demorando tanto.
Decidiu se sentar ao sofá e assistir televisão enquanto o esperava. Ele não poderia fazê-la esperar por muito mais tempo, refletia consigo mesma.
A campainha da porta soou. Moira desligou a televisão e se ergueu do sofá, indo pegar a sua bolsa e o sobretudo. Depois caminhou até a porta, vestindo o sobretudo e abriu-a.
--Você está atrasado. – Reclamou.
--Eu sei. Desculpe. – Richard disse assim que a viu. – Minha última reunião demorou mais que o esperado. – Explicou-se. – Eu sequer jantei. Estou verde de fome. – Argumentou, tentando ganhar um pouco de compaixão por parte dela. – Você já jantou? Porque eu estava pensando a caminho daqui que a gente podia ir jantar antes de ir à exposição.
--Oh não! – Moira logo replicou, detendo-se ainda dentro do apartamento. – Não vou deixar você fazer isto. – Declarou, cruzando os braços.
--Fazer o que, Moira? – Ele questionou, desentendido.
--Não finja. Eu sei muito bem o que você está tentando fazer. – Acusou-o. – Eu lhe avisei que você só iria me dar uma carona. Não vou deixar que transforme isto em um encontro amoroso, Richard. – Segurou a porta e ameaçou fechá-la na cara dele.
--Espere um pouco. – Ele se apressou em impedir que ela fechasse a porta. – Eu estou falando sério. Não comi nada desde o almoço. Estou faminto. – Ela fitou-o com um olhar cético. – Você vai querer ir comigo até a exposição assim, para que todos escutem a minha barriga roncando o tempo todo?
--Eu já jantei. – Moira afirmou, usando desta desculpa para escapar daquela proposta.
--Então você me assiste comer. – Richard afirmou sem problemas. – Eu estou com fome. – Repetiu. – E quanto mais cedo nós formos, mais cedo chegaremos à exposição. Então, vamos. – Convidou-a a sair do apartamento.
--Entre. – Moira ordenou.
--Moira, estou falando a verdade... – Richard tentou remediar.
--Entra logo. – Exigiu, já sem paciência. – Eu fiz jantar para mim e se você está mesmo com fome, terá de comer aqui.
Richard fitou-a, contrariado. Por fim, entrou no apartamento e fechou a porta às suas costas. Assistiu Moira retirar o sobretudo, dobrá-lo e colocá-lo sobre o braço do sofá, juntamente com a sua bolsa. Depois se encaminhou até a cozinha. Seguiu-a até lá.
Ao atravessar a porta, viu-a re-esquentando o jantar no microondas. Começou a desfazer-se do seu sobretudo, blazer do terno e do nó de sua gravata. Moira voltou-se de frente para ele no instante em que retirava a gravata do pescoço.
--O que está fazendo? Nós vamos sair daqui a pouco. Por que está se desarrumando? – Interrogou-lhe.
--Você sabe muito bem que só uso gravata para ir trabalhar porque é necessário. Senão você nunca me veria com essa coisa me sufocando. – Replicou, dobrando a gravata e a guardando-a no bolso de sua calça. Em seguida, desabotoou os primeiros botões da blusa. – Ah... assim está melhor! – Exclamou, satisfeito, folgando o colarinho da camisa.
Enquanto caminhava a até a mesa da cozinha, desabotoou os botões da blusa na altura dos pulsos e dobrou as mangas. Puxou uma das cadeiras e sentou-se, esperando ser servido por ela.
O alarme do microondas soou, então Moira retirou a comida de seu compartimento e serviu em um prato, colocando-o na mesa enfrente a Richard. Entregou-lhe garfo e faca, indo buscar uma jarra de suco na geladeira.
--Não tem vinho? – Richard questionou, exigente.
--Você não vai dirigir embriagado comigo no banco do passageiro. – Moira respondeu, colocando um copo de suco a sua frente.
Richard decidiu não contestar, embora possuísse um argumento razoável na ponta da língua. Quando a viu se dirigir em direção a porta da cozinha, perguntou-lhe.
--Aonde vai?
--Vou assistir televisão enquanto você come. – Moira respondeu prontamente.
--Você não vai me fazer companhia? – Reclamou, contrariado. - Pensei que já tivéssemos conversado sobre isso. Você não precisa ficar me evitando, Moira. Se vamos tentar sermos amigos, precisamos conseguir ficar um na presença do outro sem constrangimento.
--Eu não concordei em sermos amigos, apenas aceitei sua carona para ir à exposição. – Moira replicou, parada à porta da cozinha.
--Por favor. – Pediu-lhe. – Não podemos tentar sermos amigos?
Ele percebeu que ela hesitou em negar prontamente, então prosseguiu.
--Nós vamos continuar sendo jogados um na companhia do outro. O mínimo que podíamos fazer é tentar sermos amigos.
--E é isso o que você quer de mim? – Ela perguntou-lhe, voltando a cruzar os braços sobre os seios.
--Não. – Richard não mentiu. – Mas se for só isso o que você quiser de mim, o que eu posso fazer?
Ela hesitou mais uma vez, pensativa.
--E você promete não tentar me seduzir? – Questionou em seguida, cautelosa.
--Eu vou tentar te seduzir sempre que tiver uma oportunidade. – Foi honesto mais uma vez.
Moira ficou ligeiramente boquiaberta diante de sua audácia. Notando sua reação às suas palavras, Richard piscou com um dos olhos e riu com o canto da boca, finalmente começando a comer.
Moira hesitou ainda ao batente da porta da cozinha, indecisa. Assistiu comer em silêncio, fingindo que não estava vendo-a ali parada. Por fim, caminhou até a mesa e sentou-se a cadeira de frente a dele, do outro lado da mesa.
--Como foi o seu dia hoje? – Richard não tardou a lhe questionar.
--O de sempre. – Moira respondeu, evasiva.
--O meu foi cheio... Estou exausto. – E prosseguiu contando-lhe como fora o seu dia no trabalho.
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Elizabeth e Jane estavam saindo do banheiro e voltando para a companhia de Darcy e Charles, quando foram abordadas por ele.
--Elizabeth. – Ele se interpôs em seu caminho, sorrindo-lhe com todo o seu charme. – Esperava lhe encontrar aqui esta noite.
--George! – Elizabeth exclamou, extremamente surpresa; apressadamente, segurou uma das mãos da irmã e apertou-a suavemente. Sabia que Jane entenderia o que estava tentando lhe dizer com este gesto. – Eu não sabia que você viria aqui.
--Bom, você me falou desta exposição com tanto entusiasmo na nossa última aula que me senti impelido a vir. – Ele não demorou em replicar com naturalidade. Depois dirigiu o seu olhar para Jane e sorriu.
--Oh... ham... Esta é minha irmã, Jane. – Elizabeth os apresentou. – Jane, este é George Wickham. – Fitando a irmã, dirigiu-lhe um olhar significativo. Outro gesto que não passou despercebido a Jane.
--Sr. Wickham, é um prazer lhe conhecer. – Jane declarou, o mais gentil e discreta que conseguiu ser naquele instante.
--Chame-me de George. – Ele disse, galante, aceitando a mão que ela lhe estendia em cumprimento. – É um prazer imenso conhecê-la, Jane. Devo dizer que estou contente em ter vindo. – Ele não perdeu tempo em iniciar uma conversação com as duas. – Esta exposição ultrapassou todas as minhas expectativas. O seu amigo está de parabéns. Ele é muito bom.
--Sim, é. – Elizabeth sorriu-lhe, constrangida. Ela acabara de ver Darcy e Charles mais adiante, ambos distraídos demais para vê-los ainda. – Você está aqui há muito tempo? – Questionou-lhe, distraidamente.
--Não. Cheguei há pouco. – Ele respondeu. – E vocês duas?
--Não. – Jane respondeu prontamente. – Chegamos há algum tempo.
--Estão sozinhas? – George voltou sua atenção completamente a Elizabeth.
Quem acabara de ver Darcy voltar o rosto em sua direção, identificá-la e começar a andar em sua direção, acompanhado de Charles.
--Não. Não estamos sozinhas. – Jane respondeu por Elizabeth, percebendo a distração da irmã e adivinhando o motivo.
--Oh não? – George continuou a sorrir-lhe charmosamente, ao capturar o olhar de Elizabeth e desviar o rosto na direção em que ela estava olhando.
Elizabeth viu o instante em que Darcy viu o rosto de Wickham, que agora estava voltado em sua direção. Darcy ficou paralisado por um instante, fitando George com incredulidade. A expressão em seu rosto endureceu e ele marchou de forma decidida em direção a Elizabeth.
George voltou o seu olhar novamente a Elizabeth e, com um ar tranqüilo, despediu-se.
--Vou deixá-las retornar às suas companhias e vou continuar olhando as fotografias. – Aproximando-se de Elizabeth, beijou-lhe uma das faces, dizendo. – Foi muito bom encontrá-la aqui. Tenha uma boa noite.
Em seguida, estendeu a mão para Jane e a cumprimentou, desejando boa noite a ela também. Não perdendo tempo ao sumir entre as outras pessoas ali presentes.
Darcy alcançou Elizabeth e Jane segundos depois. Charles vinha em seu encalço.
--Com quem vocês estavam conversando? – Exigiu saber; tentou ainda identificá-lo entre os outros convidados, mas já não o estava vendo.
--George Wickham. – Elizabeth respondeu, observando-o atentamente. Chegara o momento de descobrir a verdade.
--De onde você o conhece? – Darcy voltou o seu olhar de gelo sobre ela ao lhe fazer esta pergunta.
--Ele é o meu instrutor. – Elizabeth não pestanejou ao responder. – Do curso de fotografia que estou fazendo.
--Por que você nunca me disse que o conhecia? – O seu tom de voz ficava cada vez mais sério.
--Porque você nunca perguntou. – E Elizabeth começou a ficar na defensiva; dizendo a si mesma que era ele quem devia estar sendo interrogado e não ela.
--Qual é o tipo de relação que você tem com ele? – Mas Darcy não parecia perceber que estava deixando-a irritada com sua atitude; enquanto lhe fazia perguntas, olhava a sua volta, procurando por ele.
--Ele é o meu instrutor. – Elizabeth repetiu, impaciente. – Eu o conheço há pouco tempo. Mas ele me parece uma pessoa bastante agradável.
--Eu tenho certeza de que ele consegue ser bastante agradável! – Darcy comentou com sarcasmo. – Mas as aparências enganam. – Pontuou, por fim.
--Você o conhece? – Ela não perdeu tempo a lhe perguntar isto, finalmente ganhando sua atenção.
--Preferia nunca ter conhecido! – Ele rebateu, zangado.
--Como você o conhece? – Elizabeth não desistiu, mesmo percebendo que os dois já começavam a atrair olhares.
--Esta é uma história que não lhe diz respeito. – Darcy respondeu, frio.
Elizabeth ficou boquiaberta, fitando-o, estática. Em todas as fantasias em que se imaginara conversando com ele sobre tudo o que Wickham lhe contara, nunca passou por sua cabeça que ele lhe daria uma resposta como esta.
Sentiu a raiva borbulhar em seu peito e estava prestes a lhe dar uma resposta malcriada, quando Jane lhe segurou o braço.
--Lizzie, acalme-se. – Ela pediu em um tom reservado, olhando a sua volta com alarme.
Elizabeth seguiu o seu olhar e notou que mais pessoas davam atenção a sua conversa com Darcy. Quando voltou a olhar para ele, viu que ele também percebera que viraram uma atração com aquela discussão.
Ele olhou para Elizabeth, respirou fundo e com um tom de voz mais reservado – mas ainda brusco – declarou.
--Olhe, Elizabeth, o que eu conheço de George Wickham é o suficiente para lhe dizer que ele não é uma pessoa de bom caráter. E é melhor para você manter distância dele. – Por fim, soou como se estivesse lhe dando uma ordem.
--Obrigada pela sua imensa preocupação com o meu bem estar, sr. Darcy. – Elizabeth rebateu imediatamente, com a voz carregada de ironia. – Mas creio que sou capaz de decidir isto por mim mesma.
E foi a vez de Darcy de fitá-la com incredulidade. Ele assumiu uma postura grave e superior, fitando-a com um ar avaliativo. O pomo-de-adão em seu pescoço subiu e desceu duas vezes, como se ele estivesse engolindo a raiva a contragosto.
--Will, talvez vocês dois devessem ir conversar em algum outro lugar. – Charles sugeriu, conciliador, também preocupado com a platéia que já não fingia não estar lhes dando atenção.
--Sim, concordo. – Jane não tardou em acolher a sugestão de Charles, encorajando a irmã. – Vá, Lizzie. Vá conversar com ele. – E, num sussurro, completou. – Com mais calma, tudo vai se esclarecer e vocês vão conseguir se entender.
Em silêncio, os dois seguiram até a chapelaria da Galeria. Darcy recuperou os seus sobretudos com uma das funcionárias e retornou para perto de Elizabeth, quem estava fitando a entrada com um olhar perdido.
Notando a sua presença, voltou-se para ele e aceitou o sobretudo que ele lhe estendia. Vestiu-o sem o seu auxilio e não perdeu tempo ao sair da Galeria. Sem se incomodar em descobrir se ele estava ao seu lado ou não.
Novos flashes anunciaram que os fotógrafos ainda continuavam ali. Sentiu-o ao seu lado, mas não se voltou para olhá-lo ou se preocupou com o fato de ele não ter tentado segurar a sua mão.
Os fotógrafos os rodearam, fazendo-lhe perguntas sobre o seu envolvimento, impedindo que conseguissem ir até o carro de Darcy com facilidade. Darcy envolveu Elizabeth pela cintura e começou a guiá-la por entre os fotógrafos até que alcançaram o seu carro. Os dois continuaram em silêncio absoluto durante este percurso inteiro.
Darcy acionou o controle remoto do carro, destravando as suas portas, e abriu a porta do passageiro para Elizabeth entrar. Depois a fechou e contornou o carro, entrando pela porta do motorista. Não demorou a ligá-lo e tirá-lo da vaga do estacionamento.
Embora o silêncio que se seguia dentro do carro deixasse Elizabeth mais irritada ainda, ela estava determinada a não ser a primeira a falar. Ele havia sido rude com ela sem motivos e devia se desculpar.
Quando Darcy parou o carro perto ao meio fio, Elizabeth olhou pela janela ao seu lado e viu que estavam enfrente à Agência de Modelos. Ele havia lhe levado de volta para casa, ao invés de levá-la ao seu apartamento para ter aquela conversa.
Voltou o rosto em sua direção e aguardou pela explicação. Mas percebeu que esta não viria. Darcy continuava com as mãos no volante, fitando a rua pelo pára-brisa e com carro ainda ligado.
--Você vai ficar aí... calado? – Perguntou-lhe, cansada de medir as palavras.
--O que você espera que eu diga? – Darcy questionou, dirigindo-lhe um olhar azedo, soltando o volante.
--George me contou tudo sobre as fotos. – Escapou da sua boca sem que ela pudesse impedir.
E mais uma vez, viu nos olhos de Darcy aquela mesma sombra de incredulidade.
--Contou? – Ele perguntou, alarmado. – O que ele lhe contou, exatamente? Porque eu duvido que se ele tivesse lhe contado a verdade, você estaria defendendo aquele crápula para mim esta noite! – Explodiu, revoltado.
--Se ele me contou é verdade ou não, eu não sei. E não creio que vou descobrir, já que você não quer me contar. – Elizabeth contrapôs.
--Minha família e eu tivemos um problema muito sério com George Wickham, e esta não é uma história que eu tenho a liberdade para discutir com qualquer um.
“Qualquer um” ficou repetindo dentro da cabeça de Elizabeth, como um alarme.
--Será que você não pode aceitar a minha justificativa e esquecer esta discussão? – Questionou-a em seguida, autoritário.
--Não, não posso. – Elizabeth replicou, furiosa. – Porque você não está sendo honesto comigo.
--Eu não estou sendo honesto? – Darcy repudiou. – Eu?! Claro! Mas George Wickham é o poço da honestidade!
Elizabeth nunca havia testemunhado tamanha ironia saindo da boca de Darcy antes, mas não se deixou intimidar por isso.
--Se ele não foi honesto comigo, por que você não prova?
--Você já está decidida que sou o vilão da história. Eu não pensaria em decepcioná-la ao contrariá-la, tentando mudar a sua opinião a este respeito! – Replicou, zangado e magoado. – Nós nos conhecemos há mais tempo, estamos namorando e você prefere acreditar nele ao invés de confiar em mim.
--Eu estou aqui com você, disposta a ouvi-lo. É você quem não está disposto a conversar comigo. – Elizabeth argumentou, também magoada.
Os dois ficaram em silêncio, sem se fitar. Até que ela disse, em um tom de voz mais controlado.
--Você é engraçado. – Fazendo-o olhar para ela. – Você quer que eu lhe dê um voto de confiança, mas é obvio que você não confia em mim.
--Eu tenho certeza que há coisas a seu respeito que você não me contou ainda e que só virá a me contar com o tempo, ou talvez nunca conte. – Darcy argumentou, mais calmo e racional. – Eu também tenho. E este é só um exemplo delas. Nosso relacionamento tem muito que amadurecer. E isto só vai acontecer com o tempo. – Sua voz adquiriu um ar professoral que enraiveceu ainda mais Elizabeth.
--Eu não espero que você me conte todos os seus segredinhos sórdidos. – Revidou; embora ainda com um tom de voz normal, era possível detectar a sua raiva mal contida. – Na verdade, esta noite qualquer tipo de explicação seria bem vida. O que eu não esperava era ser tratada com tamanha falta de consideração. Você realmente me colocou de volta no meu lugar. Afinal, quem sou eu para merecer qualquer tipo de explicação do grande William Darcy?
Ouviu-o suspirar, impaciente. Elizabeth continuou.
--Como foi mesmo que você disse? – Com um sorriso sarcástico nos lábios, completou. – Ahh é... qualquer um.
--Você me entendeu mal. – Darcy justificou-se.
--Não. Entendi perfeitamente. – Elizabeth o interrompeu. – Você quer que eu me dê por inteira e me contente com os seus pedaços.
Darcy passou uma das mãos pelo cabelo, num gesto derrotado.
--Acontece que eu não vou me contentar com pedaços, William. – Elizabeth prosseguiu, sentindo um nó começar a se formar em sua garganta. – Eu quero você por inteiro. E se isto não for possível, então não vou querer tê-lo de forma alguma.
Darcy viu o brilho das lágrimas ainda não derramadas em seus olhos.
--Você está se precipitando. – Tentou remediar a situação. Percebeu que estavam seguindo em uma direção que parecia não ter volta.
--Não, não estou. – Elizabeth negou, emocionada. – Eu não sou Anne, William. E não vou deixar que você me transforme nela.
--Elizabeth... – Darcy se alarmou, ao vê-la retirar o cinto de segurança com pressa e abrir a porta do carro. – Espere. Vamos conversar.
Mas Elizabeth não o ouviu. Saiu do carro e fechou a porta – bateu a porta! – e seguiu em direção da Agência.
Darcy fez menção de tirar o cinto de segurança e segui-la, mas desistiu. Respirou algumas vezes, tentando acalmar as batidas apressadas de seu coração. Enquanto a sua mente repassava a conversa que acabaram de ter, tentando identificar como chegaram àquele desfecho.
Por fim, voltou o olhar para a entrada da Agência, procurando por Elizabeth. Mas ela já tinha entrado. Bufando de raiva, tirou o carro da vaga e dirigiu pelas ruas londrinas.
Havia um lugar que precisava ir ainda esta noite e não podia perder mais tempo.














