Citações

Há pessoas que por mais que se faça por elas, menos fazem por si mesmas. (Jane Austen)

Colisão - Capítulo XXIV

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Capítulo XXIV

Feito gato e rato

 

O dia do último exame antes das férias de inverno finalmente chegou e Georgiana atravessou o Campus da Universidade em direção a sala de aula da matéria Financeira e Orçamentária.

Admirou-se ao ver o campus movimentado. Existiam mais alunos circulando por ele do que ela imaginava a esta altura. Sabia que eram poucas turmas que ainda estavam tendo avaliações. A grande maioria já estava de férias. No entanto, muitos universitários permaneceram no Campus da Universidade para poder comparecer ao Festival de Inverno de Música.

Ela, pessoalmente, não tivera a oportunidade de ir ao show de nenhuma das bandas até este dia. Estivera ocupada demais revisando as matérias de suas últimas duas avaliações – que aconteceriam neste mesmo dia, subseqüentes. Estava bastante estressada, mas sabia que assim que esta manhã terminasse poderia relaxar.

Ao chegar à porta da sala, encontrou outros colegas de classe ao corredor. Alguns sentados no chão, com livros e cadernos de anotações abertos em mãos; outros escorados nas paredes, em grupos, interpelando uns aos outros com perguntas sobre os assuntos da matéria.

Procurou um canto vazio e se sentou no chão também. Abriu o seu caderno e recomeçou a revisar os assuntos daquela avaliação. O exame seria oral, cada aluno seria chamado para entrar na sala e o professor Sanderson lhe fará perguntas pertinentes à matéria.

O profº Sanderson é famoso entre os alunos de Administração por ser bastante severo. Um bom professor em termos de conteúdo. Suas aulas são proveitosas e esclarecedoras. Nenhum aluno que comparecesse a elas poderia alegar desconhecer a matéria por completo. No entanto, em termos de avaliar o aluno, Profº Sanderson é o mais exigente e rígido.

E Georgiana Darcy fizera a loucura de se matricular em duas turmas com ele. Nas matérias de Financeira e Orçamentária, na qual será avaliada logo no primeiro horário, e em Recursos Materiais e Patrimoniais, sendo avaliada no terceiro horário deste mesmo dia.

Quando se matriculara nas matérias desconhecia sua fama de carrasco – com o maior indicie de reprovação. Descobrira isto no primeiro dia de aula e, sendo assim, tarde demais para trocar de professor. Sua única solução, caso não desejasse cursar a matéria com ele, seria desistir desta por completo. Atrasando-se no curso com relação aos demais colegas de turma.

Como não queria fazer isso. Decidiu se arriscar cursando as duas matérias com ele mesmo. Por isso, passara às duas últimas semanas estudando afinco as matérias, ao ponto de alcançar a exaustão mental todos os dias e ser forçada a fazer pausas estratégicas para não perder o juízo.

Estava lendo a terceira folha de suas revisões quando o Profº Sanderson surgiu no final do corredor. Vários colegas de turma logo se ergueram do chão, ansiosos. Seguiu-lhes o exemplo, começando a guardar seu material e a pôr-se de pé.

O Profº Sanderson cumprimentou rapidamente os alunos, entrando em sua sala em seguida. Mas ninguém o seguiu adentro do recinto. Todos aguardaram do lado de fora. Seriam chamados por ele, um por um, para serem avaliados individualmente.

Poucos minutos após entrar na sala, o Profº Sanderson surgiu à porta e chamou o primeiro aluno da lista de chamada para ser avaliado. O aluno entrou na sala e o professor fechou a porta.

Por seu sobrenome começar com a letra D, Georgiana sabia que não demoraria muito para que fosse chamada a entrar na sala. Por isso, permaneceu de pé e com os seus materiais de estudos guardados. Repassando mentalmente todos os assuntos daquela matéria a que havia estudado. Com a certeza de que não poderá florear suas respostas caso não saiba responder a pergunta corretamente. Ou titubear ou gaguejar. Terá que saber tudo na ponta da língua nesta avaliação.

Assim que o primeiro aluno saiu da sala após a sua avaliação, dez minutos após ter entrado, teve uma surpresa. Ele chamou outro aluno com o sobrenome iniciado pela letra H para entrar na sala e ser avaliado. Muitos colegas seus se entreolharam, surpresos. Esperavam que o professor seguisse a ordem da Caderneta de Presença e não chamasse alunos aleatoriamente.

Georgiana, assim como todos os seus colegas, ficou ainda mais nervosa. Agora não tinha mais certeza de quando seria chamada para entrar na sala e ser avaliada. Poderia ser a próxima ou a última. E isso só servia para aumentar a sua ansiedade.

Os minutos foram passando, alunos entravam e saiam da sala de aula. Mas Georgiana ainda não havia sido chamada. Tentou sentar-se no seu cantinho e voltar a revisar a matéria. Mas não conseguia mais se concentrar. Passou a andar de um lado para o outro enfrente a porta da sala, com a mochila nas costas.

Sempre que a porta da sala se abria e um aluno saia, Georgiana paralisava em suas andanças e sentia o seu coração subir para a garganta. Então, outro aluno era chamado – nunca era o seu nome – e ela voltava a suas andanças, ainda mais nervosa.

Finalmente, quando restavam apenas cinco outros colegas de turma ainda ao corredor enfrente a sala, ela foi chamada para ser avaliada. Com as pernas bambas, entrou e caminhou em direção ao centro da sala.

O Profº Sanderson estava sentado em sua cadeira, atrás de sua mesa, ao lado do quadro negro no patamar elevado da sala. Ele estava com a cabeça envergada e escrevia algo na pasta que tinha em mãos.

Ao ouvi-la se aproximar, ergueu a cabeça e indicou-lhe uma cadeira vazia a sua frente. Georgiana subiu os degraus para o patamar elevado. Contornou a mesa do professor e se aproximou da cadeira vaga próxima à dele. Retirou a mochila das costas e apoiou a sua alça nas costas da cadeira antes de se sentar.

--Srta. Darcy. – Profº Sanderson disse, procurando o seu nome na Lista de Chamada e marcando a sua presença ao lado de seu nome. – Está pronta? – Perguntou-lhe, voltando a erguer o seu olhar para ela.

--Hum-hum. – Respondeu, torcendo as mãos em seu colo num gesto nervoso.

--Muito bem, vamos começar então. – Seu professor comandou, fazendo-lhe a primeira pergunta.

Ele não tinha nenhum papel com os quesitos e respostas anotadas. Inventava-as naquele mesmo instante. Sendo sempre genéricas sobre um assunto dentre os quais indicara que os alunos estudassem para a sua avaliação. E conforme os alunos discursavam sobre o assunto questionado, ele incluía mais perguntas referentes a tópicos deste mesmo assunto – caso o aluno não o mencionasse por si mesmo.

Conforme estava sendo avaliada, Georgiana foi perdendo o nervosismo. Sabia a respostas para as perguntas dele e, mesmo que se esquecesse de mencionar algum detalhe, o Profº Sanderson fazia questão de lembrá-la. De forma que, ao fim do exame oral, estava confiante de que dera o melhor de si. Restava apenas que o professor considerasse que sua performance tenha sido boa o bastante para ser aprovada na matéria.

Saiu da sala, chamando o colega que seria avaliado em seguida. E seguiu em direção a outra sala, onde teria a segunda avaliação do dia – Recursos Materiais e Patrimoniais. Sabia que o Profº Sanderson ainda estava ocupado. Mas já estava no meio do segundo período e logo ele encerraria as avaliações da sua primeira turma, seguindo imediatamente para a turma seguinte.

E, como esperava, ao entrar no corredor em que estava situada a sala da sua classe de Recursos Materiais e Patrimoniais, encontrou seus colegas revisando a matéria enfrente a sala de aula.

Mas sua atenção logo foi roubada por outra pessoa. Esta cruzava o mesmo corredor em sua direção e já a tinha visto. E o nervosismo que a dominou naquele instante foi um totalmente diferente daquele experimentado cedo esta manhã.

Enquanto caminhava em sua direção, percebeu que ele diminuía os seus passos. Soube ali que ele tencionava falar com ela, ao invés de apenas cumprimentá-la e seguir o seu caminho – como ela preferia que ele fizesse.

--Olá. – Ele disse, parando em sua frente.

Não sorriu, o que denunciou a Georgiana que ele não estava tão feliz assim em lhe encontrar.

--Oi, Eric. – Respondeu ao seu cumprimento, dirigindo-lhe um sorriso constrangido.

Desde o episódio do beijo na escada do prédio em que mora, os dois não tinham si visto ainda. Apenas trocaram e-mails. Os quais não foram tão satisfatórios quanto os dois esperavam.

--Nós precisamos conversar. – Ele afirmou, decidido.

--Eu sei. – Georgiana replicou. – Mas eu não posso agora...

--Você vai continuar a me evitar? – Acusou, interrompendo o que ela estava dizendo, impaciente.

--Eu não estou lhe evitando. – Georgiana replicou, surpresa com sua atitude. – Eu tenho uma avaliação de Recursos Materiais e Patrimoniais... – Explicou, indicando a porta da sala em que o amontoado de alunos estava aguardando a chegada do professor.

Ele olhou para trás, vendo os colegas de turma de Georgiana agitados enfrente a porta fechada de uma sala, e depois de volta para ela.

--Por que não respondeu os meus e-mails? – Questionou-lhe ainda assim.

Ele mandou-lhe dois outros e-mails, interrogando-a sobre eles dois. E-mails quais ela não respondeu.

--Eu não sabia o que dizer. – Georgiana confessou. – Eu ainda estou confusa.

A sinceridade em suas palavras pareceu convencê-lo e amenizar aquela hostilidade que sentia em suas palavras.

--Eu sei que temos de conversar, mas eu ainda preciso pensar em muitas coisas. – Georgiana prosseguiu. – A verdade é que eu ainda não sei como lidar com isso.

--Evitar não é a resposta. – Eric declarou. – Mas se é o que você quer... Esquecer este assunto, eu não vou lhe incomodar de novo. É só você me dizer. – Ele estava magoado e ela podia perceber isto.

Deu-lhe a escolha. Tudo o que tinha de fazer agora é dizer para esquecerem aquele assunto e ele não o mencionaria de novo. Mas era isto o que ela queria?

--Eu não sei... – Georgiana respondeu. – o que eu quero.

--Srta. Darcy? – O Profº Sanderson passou por ela, indo em direção a sua sala. –Vamos?

--Eu preciso ir. – Georgiana despediu-se de Eric, seguindo o professor com passos apressados.

O Profº Sanderson entrou em sua sala e Georgiana ficou ao corredor, juntamente com os demais colegas de turma. Já sabia o esquema da avaliação, por isso estava um pouco mais calma que seus demais colegas. Os quais estavam ainda mais inquietos com a chegada do professor.

Menos de cinco minutos depois, o Profº Sanderson surgiu à porta da sala e, para a surpresa de Georgiana, chamou-a primeiro. Logo ela entrou na sala e tentou responder as suas perguntas com tranqüilidade.

~#~

Elizabeth estava no seu horário de almoço e, ao sair da loja de sapatos, encaminhou-se até a praça de alimentação, onde marcara de se encontrar com Jane. Ligou para o celular da irmã e Jane logo lhe avisou que estava chegando à praça de alimentação. Então, Elizabeth decidiu esperar por ela antes de comprar o que queria comer.

Jane a encontrou poucos minutos depois e juntas foram selecionar a comida em um restaurante a quilo. Após ouvir um breve sermão da irmã, Elizabeth colocou um pouco mais de salada em seu prato que de costume comia. Sempre preferiu vegetais e frutas, às folhas.

Em seguida, sentaram-se em uma mesa para duas pessoas dentro do restaurante a quilo e começaram a almoçar.

--O que exatamente Wendy queria com você? – Elizabeth não tardou em questionar a irmã.

Wendy Cavenolt é uma mulher de negócios que administra um Instituto de Beleza. Seu primeiro contato com as Bennet foi através da sra. Lilian Gardiner, quem solicitou a sua especialidade ao recomendar que algumas de suas modelos fizesse um tratamento de pele no instituto da sra. Cavenolt.

Por nunca terem tido contato de direto com a sra. Cavenolt, as irmãs ficaram surpresas quando ela ligou para sua casa e pediu para que Jane comparecesse a uma reunião de negócios em seu Instituto de Beleza. Porque tinha uma proposta para lhe fazer.

Como comumente é a sra. Gardiner quem trata das contratações das modelos da sua agência, quando são selecionadas para fazer publicidade de alguma empresa ou desfilar para algum estilista, Jane e Elizabeth estranharam este convite feito diretamente a Jane.

--Ela quer que eu dê aulas no seu Instituto de Beleza. – Jane respondeu.

--Aulas de quê? Para quem? – Elizabeth questionou.

--De maquiagem, de como se vestir bem em diferentes situações... Como fazer uma mala de viagem e levar tudo o que precisa, mas sem levar muitas roupas... Entende? – Jane esclareceu. – Para as socialites e mulheres que estiverem interessadas em aprender este tipo de coisas.

--E o que você respondeu?

--Não nego que fiquei interessada, mas preciso conversar com tia Lilian primeiro. E com mamãe também. – Jane argumentou.

--Você sabe bem qual vai ser a opinião de mamãe. – Elizabeth contrapôs. – Ela vai dizer que não há motivo para você querer fazer nada disso, que deve se focar na sua carreira e etc. Exatamente como foi comigo.

--Eu sei. – Jane concordou, pacientemente. – Mas eu ainda quero pedir a sua opinião. Não quero que ela se sinta excluída das decisões da minha vida.

As duas fizeram uma pausa na conversação e concentraram-se em comer. Depois Jane lembrou-se de algo e perguntou a Elizabeth.

--Quando você vai conversar com William sobre o que George Wickhan lhe contou?

Elizabeth fez uma careta de aborrecimento e respondeu.

--Logo.

--Logo quando, Lizzie? Não negue que andou evitando ele. – Jane a acusou.

--Eu não estive não. – Elizabeth replicou, teimosa.

--Todas as vezes que ele ligou para marcar para sair, você inventou uma desculpa qualquer para não se encontrar com ele. – Jane argumentou.

--Não foram desculpas. Estive muito ocupada estes últimos dias. – Defendeu-se.

--Desde que George alegou que William destruiu a sua vida. – Jane contrapôs.

--Você não parece acreditar nele. – Elizabeth apontou.

--Todas as histórias têm dois lados e eu ainda não ouvi o lado de William nesta história.

--Você acha que pode existir alguma justificativa para o que ele fez? – Elizabeth interrogou-a, descrente e feroz.

--Você não pode ter certeza de que ele realmente fez o que George está o acusado de ter feito. – Jane o defendeu.

--Você acha que George mentiu pra mim? – Interrogou-a, surpresa com a reação de Jane. – Por que ele mentiria para mim?

--Eu não sei... Não, acho que não mentiu. – Jane respondeu, indecisa. – Talvez ele tenha entendido algo errado. Talvez William não tenha sido responsável pela sua demissão... Apenas os fatos coincidiram com o momento em que ele teve um problema com William.

--Grande coincidência. – Elizabeth declarou, sarcástica. – Jane, você não pode realmente querer que eu acredite que os dois são bonzinhos nesta história. Um dos dois terá de ser o vilão.

--E por que você está tão certa de que este vilão é William? – Jane questionou-a, tentando compreender a irmã e o motivo de tamanha suspeita com relação a Darcy.

--Porque... – Elizabeth demorou um pouco para se explicar. – Para as pessoas ricas, os seus interesses sempre vêm em primeiro lugar. Elas não se importam com o impacto que suas ações têm na vida de outras pessoas, contato que consigam o que querem.

--Lizzie, William não é assim. Você o conhece. – Jane a reprovou.

--Exatamente por conhecer ele é que penso assim, Jane. – Elizabeth declarou. – Eu não me esqueci do que ele falou de mim naquele desfile, quando mal me conhecia. – Argumentou. – Eu não tinha lhe feito nada e ainda assim ele foi grosso, comportando-se como um esnobe e preconceituoso. Agora imagina o que ele não seria capaz de fazer com alguém que julgasse estar tentando denegrir a sua imagem corretinha de homem de negócios?

--Você está se precipitando neste julgamento. Já o condenou sem nem ouvi-lo. – Jane continuou com a sua posição.

--Eu irei ouvir sua explicação, se ele tiver alguma para dar. – Elizabeth prometeu.

--Quer que eu pergunte a Charles se ele sabe alguma coisa sobre esta história? – Jane sugeriu, solicita.

--Não. Deixe que William se defenda sozinho. – Elizabeth afirmou, decidida. – Vou ligar para ele e o convidar para ir a exposição de fotografias de Luigi Wolfman comigo. Se ele tiver algo a me dizer a este respeito, dirá nesta noite.

~#~

Terminados os exames de fim de primeiro semestre, antes de cada uma voltar para casa de seus pais para passar as comemorações de fim de ano em família, Georgiana, Rebecca e Betsy decidiram curtir mais uma noite de diversão na cidade de Cambridge.

Arrumaram-se com esmero e saíram do apartamento que dividiam. O frio daquela estação estava cada dia mais rigoroso. Por isso, todas estavam completamente agasalhadas – gorros, luvas e cachecóis.

Entraram no carro de Georgiana e seguiram em direção ao clube noturno Old Factory. As ruas próximas ao clube noturno estavam lotadas de carros e jovens perambulando por suas calçadas. A grande maioria com o destino em comum, aquele clube. Nele está acontecendo o Festival de Inverno de Música. E sendo a última noite do Festival, com a participação de uma banda estrangeira, fazia com que o número do público do evento multiplicasse.

Enquanto procurava uma vaga para estacionar, Georgiana se lembrava da primeira vez em que estivera neste clube. Naquela noite encontrou-se pela primeira vez com Eric, ao escorregar em um dos degraus da escada de ferro e ser amparada por ele.

Betsy chamou-lhe sua atenção para uma vaga e Georgiana apressou-se em estacionar o seu carro antes que outro motorista passasse na sua frente. Como a vaga ficava consideravelmente longe da entrada do clube noturno, precisaram percorrer o restante do caminho a pé pela calçada.

Agarradas aos seus casacos, andaram com pressa para manter o corpo aquecido com o exercício. Entraram na fila a entrada do clube. E, após apresentaram seus ingressos para o show, puderam finalmente entrar.

O contraste do interior do clube noturno com as ruas era evidente. Além do fator obvio, ali dentro elas estavam muito bem aquecidas, o público ultrapassava aquele encontrado na fila de entrada do clube.

O estilo urbano e metálico do ambiente, com suas grande caldeiras, escadas de ferro e compressores de ar quente ainda mexia com o imaginário de Georgiana. Ela via a genialidade do proprietário do clube ao explorar a antiga fábrica metalúrgica que ali funcionara no passado.

As três meninas pararam no primeiro lance de escada de ferro e admiraram o movimento no nível mais baixo. O local continuava o mesmo: mal iluminado, repleto de vapores de ar quente, com luzes piscantes e superlotado de jovens.

O show ainda não começara. Uma cortina mantinha o movimento no palco oculto da platéia enquanto a banda ainda montava seus instrumentos. O público, por sua vez, deixava-se entreter por um som mecânico, tocando nas alturas a música That’s Not My Name de The Ting Ting[1] – qual se apresentara neste mesmo local apenas uma noite atrás.

--Vamos... Eu disse a Russell para me encontrar aqui. – Rebecca apressou as amigas a seguir em direção a escada.

--Aqui, onde? – Georgiana questionou, seguindo a amiga. – Aqui é um tanto vago, concorda?

--Lá na frente do palco. – Rebecca esclareceu.

--Está muito cheio, Becca. Não acho que ele irá conseguir nos encontrar assim tão facilmente. – Betsy ponderou.

--Eu trouxe meu celular e vou mandar um torpedo para ele assim que a gente encontrar um lugar legal para ficar lá na frente e assistir ao show. – Rebecca argumentou.

As três se juntaram a multidão de jovens e lutaram para conseguir se aproximar mais do palco. Elas ainda estavam na metade do caminho quando as cortinas do palco se abriram e o público começou a gritar, bater palmas e assobiar quando a banda The Pigeon Detectives[2] deu inicio ao seu show.

Se transitar estava complicado antes, piorou muito depois que a banda começou o show. Agora as meninas sofriam esbarrões e empurrões por jovens entusiasmados demais, que pulavam e cantavam com a banda.

Georgiana estava com dúvidas de que iam conseguir encontrar alguém no meio daquela multidão. E sentia-se um pouco aliviada. Sabia que Russell estaria acompanhado por seus dois amigos: Vincent e Caleb. Tanto ela quanto Betsy preferiam evitar a companhia dos amigos de Russell por motivos idênticos.

Mas Georgiana também temia encontrar-se com Eric e Holly. Tornando, assim, complicado poder apreciar a companhia de qualquer um dos dois grupos de amigos.

As três andavam numa fila. Uma segurando uma das mãos da outra para que não se separassem no meio da multidão. Em determinado momento, Rebecca, quem abria caminho por entre o público e guiava as outras duas meninas, parou no meio do caminho e mudou de direção.

Pouco tempo depois, soltou a mão de Betsy e continuou sozinha. Georgiana e Betsy não demoraram muito para identificar Russell um pouco mais adiante e perceber que Rebecca estava indo em sua direção. Logo elas também viram Caleb e Vincent.

Betsy e Georgiana trocaram um breve olhar, continuaram de mãos dadas e seguiram um caminho diferente daquele tomado pela amiga. Sabiam que podiam confiar em Russell para manter Rebecca entretida e segura durante todo o show. E como queriam se divertir e aproveitar as apresentações das bandas, sem ter de se preocupar em evitar as atenções de certos indivíduos, preferiram evitá-los por completo.

Betsy assumiu a liderança, abrindo o caminho e guiando Georgiana por entre a multidão. Georgiana olhava para trás de tempos em tempos, para se certificar que os meninos não estavam as seguindo.

O cantor da banda começou a cantar uma parte do refrão da música I Found Out e pedindo para a platéia acompanhá-lo. Betsy e Georgiana se viram cercadas por homens altos que gritavam junto com o cantor e o resto da multidão. Atrapalhando sua passagem.

--Going out with

(Saindo com ele)

Going out with

(Saindo com ele)

A banda logo começou a tocar. O barulho da bateria, guitarra e baixo dominando todo o ambiente. O cantor cantava parte da música, sempre deixando aquele pedacinho do refrão a responsabilidade do público.

I found out you going out with him

(Eu descobri que você está se encontrando com ele)

Georgiana olhou para trás mais uma vez e viu que Rebecca, Russell e os outros dois meninos estavam seguindo-as não muito distante. E logo estariam lhe alcançado. Chamou a atenção de Betsy para este problema e amiga tentou agilizar a escapada.

Num segundo Georgiana ainda estava ouvindo os gritos de dois rapazes robustos, aos pulos, cotovelos no ar, dando socos no vento como se estivessem no meio de um protesto.

--Going out with

(Saindo com ele)

Going out with

(Saindo com ele)

E no outro segundo, estava sendo puxada por um estreito caminho entre eles e guiada para mais longe do palco. Olhou para trás novamente e viu que ainda estavam sendo seguidas, mas os outros estavam um pouco mais longe. Se conseguissem andar mais rápido talvez conseguissem despistá-los.

Mas antes que pudesse redirecionar seu rosto para o caminho que estavam tomando, sentiu Betsy soltar sua mão. Voltou o olhar para amiga alarmada, receando terem sido separadas pelo público. E vendo o momento em que Betsy se atirava nos braços de Max.

Surpresa, Georgiana ficou paralisada, assistindo-os.

--Me beije! – Betsy ordenou, aos gritos, segurando Max pela jaqueta que usava.

--O que? – Max questionou, confuso.

Betsy olhou por cima do seu ombro e depois voltou o olhar para Max. Decidida, segurou-o pelo pescoço e pressionou os lábios contra os dele. Demorou menos de um minuto para Max fechar os olhos, envolvê-la pela cintura e corresponder ao beijo.

Georgiana sentiu uma mão feminina em seu ombro e olhou para o lado. Encontrou Rebecca ali, olhando para Betsy e Max – agarrados e se beijando ininterruptamente. Russell estava logo atrás dela, sendo seguido por Vincent e Caleb. Logo todos estavam assistindo aquela cena, mudos.

Rebecca lançou um olhar interrogativo a Georgiana, como se lhe perguntasse como aquilo aconteceu. E Georgiana encolheu os ombros, tão confusa quanto ela.

--Isso esclarece as coisas. – Caleb declarou, antes de dar as costas àquela cena e tomar um rumo diferente.

Surpreendentemente, Vincent seguiu-o sem hesitar ou lançar um segundo olhar na direção de Georgiana.

Ela soube ali que estava numa encruzilhada. Se Rebecca e Russell seguissem Vincent e Caleb de volta para frente do palco, e decidisse acompanhá-los, teria que conversar com Vincent. E ele desejaria algo a mais com ela, não tinha dúvidas.

Mas se preferisse continuar com Betsy, teria de enfrentar Eric. Focou o seu olhar nele e percebeu que ele estava olhando em sua direção, enquanto Patrick observava Max e Betsy, aos risos. Holly estava com ele, mas estava atenta a várias coisas ao mesmo tempo.

Georgiana teve sua atenção roubada quando Rebecca perguntou a Russell se ele queria seguir seus amigos. E ele disse que podiam ficar ali se ela assim preferisse. Rebecca acomodou-se melhor em seus braços, voltando sua atenção para o palco.

Seguindo seu exemplo, Georgiana voltou sua atenção para o palco e tentou não pensar se Eric viria lhe falar ali mesmo, na frente de Rebecca. Passaram-se três músicas e ele não se aproximou. Então Georgiana começou a relaxar e a dar mais atenção ao show.

Durante o restante da apresentação de The Pigeon Detectives Max e Betsy não se largaram em momento algum. Rebecca e Russell revezavam: em certos momentos estavam aos beijos e em outros apenas assistiam ao show.

Ao final do primeiro show, Betsy finalmente se separou de Max. Aproximou-se de suas amigas e as chamou para ir ao banheiro, depois comprar alguma bebida. As suas amigas esperaram estarem longe dos meninos para questionar-lhe o que estava acontecendo entre ela e Max.

--Não foi nada demais. – Betsy garantiu. – Só alguns beijinhos. – Dando mais atenção a fila em que estava para poder usar o banheiro feminino.

--Isso ainda vai dar em confusão. – Rebecca comentou com Georgiana, uma vez que Betsy entrou no banheiro e não pôde mais ouvi-las.

--Eu também acho. – Georgiana concordou.

Ao retornar para perto dos meninos, cada uma com sua bebida, Betsy voltou para os braços de Max como se este fosse um comportamento corriqueiro entre eles dois.

Georgiana nem se incomodou em assisti-los desta vez. Concentrou sua atenção no palco – o qual voltara a ser oculto pela cortina – e trocava algumas palavras com Russell e Rebecca enquanto esperava que o segundo show começasse.

Quando a banda internacional Paramore[3] subiu ao palco e as cortinas foram hasteadas, o barulho do público foi ensurdecedor. Georgiana nunca tinha visto tamanha comoção, parecia que a multidão estava preste a explodir de excitamento.

Foi surpreendida por Betsy, que largou de Max e correu para perto dela. Jogando o braço por sobre o seu ombro, gritou com a multidão. Rebecca não tardou a se juntar a elas, passando a pular e dançar assim que a banda começou a tocar a primeira música.

O show já estava pela metade quando a banda começou a tocar a música Brick by Boring Brick. Georgiana estava se divertindo cantando e dançando com as amigas, quando uma confusão às suas costas fez com que as pessoas começassem a empurrar as outras para frente.

Antes que conseguisse se situar no que estava acontecendo, viu-se espremida entre desconhecidos e sendo empurrada cada vez mais para frente. Olhava a sua volta, procurando por suas amigas, que há alguns minutos estavam bem ao seu lado, e não as encontrou em parte alguma.

Estava começando a entrar em pânico, porque já não havia como chegar mais para frente e ainda assim estava sendo forçada por aquelas pessoas logo às suas costas a continuar se movendo naquela direção. Temia cair e ser pisoteada. E receava não conseguir mais achar suas amigas.

Quando uma mão lhe segurou pelo pulso e puxou-a para o lado, forçando-a para fora da confusão. Quando já estava quase conseguindo se mover sozinha, sentindo que ficara até mais fácil para respirar, a mesma mão puxou-a com mais força e Georgiana se viu sendo colocada na frente de Eric.

Ele colocou os braços envolta de seu corpo e continuou a guiá-la para a lateral da área do palco. Ao alcançar o muro que dividia os dois patamares, ele ordenou que ela o escalasse. Era um muro de tamanho razoável, com uma grade de ferro como proteção.

Ele disse para ela usar a grade para içar o seu corpo para cima e depois transpassá-la. E ajudou-a a subir no muro, segurando-a pela cintura e impulsionando seu corpo para cima.

Georgiana ficou de pé no muro, mas sem conseguir traspassar as pernas pela grade, porque havia muitas pessoas do outro lado. Justamente emparelhadas na grade de proteção, assistindo ao show. E nenhuma delas parecia querer lhe dar passagem.

--Hei! – Eric começou a gritar, para conseguir chamar a atenção de dois homens que estavam justamente na frente de Georgiana. – Hei! – Quando conseguiu a atenção de um deles, ordenou. – Deixe-a passar!

O rapaz cutucou aquele ao seu lado e os dois se afastaram, deixando uma pequena brecha entre eles para que ela se espremesse.

Equilibrar-se na beirada da mureta e ainda conseguir transpassar a grade de proteção não era uma tarefa tão fácil quanto parecia na teoria. Ao notar a dificuldade dela, um dos rapazes ajudou-a, segurando-a pelo braço e dando-lhe apoio enquanto transpassava uma das pernas por cima da grade e depois a outra.

O mesmo rapaz depois se inclinou sob a grade e estendeu a mão para Eric, ajudando-o a se içar para cima da mureta e transpassar a grade de proteção.

--Valeu. – Eric agradeceu, dando-lhe dois tapinhas nas costas ao se juntar a Georgiana.

O rapaz fez um breve sinal de positivo com a mão e depois voltou sua atenção ao show, sem dirigir um segundo olhar na direção de Eric ou Georgiana.

--E quanto a Betsy e Becca? – Georgiana interrogou Eric, preocupada com suas amigas.

--Russell e Max já tinham tirado elas do meio da confusão. Não se preocupe. – Eric lhe assegurou.

Eles permaneceram ali por um momento, enquanto se decidiam para onde ir em seguida. Voltar ao patamar de baixo parecia fora de questão. Olhando dali de cima, parecia incrível que há poucos minutos estivessem no meio daquela multidão. Embora a confusão já tenha sido resolvida e a platéia estava concentrada no show em razoável harmonia, não lhes parecia que havia mais espaço lá embaixo para mais ninguém.

Por fim, preferiram ficar ali mesmo e tentar assistir ao show. Eric ficou atento ao movimento das pessoas a sua frente e assim que abriu uma brecha na grade de proteção, puxou Georgiana para sua frente de novo e passaram a assistir ao show dali. Ela debruçada na grade de proteção, ele com os braços envolta de seu corpo e as mãos descansando na grade de proteção. Com o queixo quase tocando no ombro dela.

Dali de cima, assistir ao público batendo palmas no ritmo da música e cantando com a banda foi emocionante.

Ao fim do show, Eric e Georgiana ainda ficaram ali mais um pouco. Procurando na multidão seus amigos. E deixando que a maioria das pessoas saísse na frente. Para no caso de haver outra comoção, eles não se encontrarem no meio da multidão.

Quando já parecia tranqüilo tentar sair do clube noturno e ainda não tinham encontrado seus amigos, concordaram em sair e esperar por eles do lado de fora, perto do carro de Georgiana.

Utilizando-se da desculpa de que não queria correr o risco de se perderem, Eric voltou a segurar em sua mão e guiá-la na direção da saída. Georgiana não se importou. Na verdade, começou a notar o quão agradável estava se sentindo em segurar sua mão. Ou como gostou de ficar praticamente em seus braços durante o restante do show de Paramore.

Mesmo do lado de fora, continuaram de mãos dadas. Percorreram todo o caminho procurando a sua volta por um de seus amigos. Mas até o momento em que chegaram ao local onde Georgiana tinha estacionado o seu carro não tinham encontrado nenhum deles.

Georgiana soltou a mão de Eric e procurou o seu celular. Decidiu enviar um torpedo para Rebecca e Betsy, inquirindo-lhes onde se encontravam. Eric encostou-se no carro dela e observou-a em silêncio. Enquanto Georgiana concentrava sua atenção em seu celular, para não ter de encará-lo e finalmente conversarem sobre o que ocupava a mente dos dois nos últimos dias.

Cerca de um minuto depois, Georgiana recebeu um torpedo de Betsy em resposta ao seu. Esclarecendo que Rebecca e ela já estavam saindo do clube noturno, marcando de se encontrarem no estacionamento.

Georgiana guardou o celular e ergueu o olhar para Eric, encontrando-o fixo nela.

--Já descobriu o que quer fazer? – Ele inquiriu, sem preâmbulos ou rodeios.

E Georgiana não teve dúvidas do que ele estava falando. Estava esperando por aquela pergunta.

--Eu não sei se esta é a melhor hora para discutirmos este assunto. – Replicou; receando que seus amigos chegassem ali enquanto ainda discutiam-no.

--E quando será? Quando voltarmos do recesso de inverno, no ano que vem? – Eric prosseguiu sem hesitações; parecia que ele também estivera esperando por aquela atitude dela. – Eu já lhe disse. Se você não quer tratar mais deste assunto, basta me dizer. E eu nunca mais o mencionarei.

--Não é tão fácil assim, sabia? – Protestou, cansada da atitude negativa dele. – Você não pode imaginar o quanto é confuso... – Interrompeu-se, incerta de como continuar.

--O que é confuso, Georgie? – Eric demandou, evidentemente contrariado com suas respostas evasivas. – Você só precisa decidir se gosta de mim ou não. Não é algo que precise de muita meditação. Você gosta ou não de mim. Simples assim.

--Não é simples assim! – Georgiana contestou. – Eu gosto de Ikarus. Mas não posso ignorar o fato de que ele é o mesmo cara por quem uma das minhas melhores amigas já esteve apaixonada. Tão apaixonada que ficava com as mãos tremendo de nervosismo só porque sabia que iria encontrá-lo. – Rebateu, zangada. – Eu não posso traí-la.

--Eu nunca tive nada com Becca. – Eric protestou. – E ela tem um namorado agora.

--Isso não muda nada.

Eric respirou fundo, frustrado. Fitou-a em silêncio por um minuto, depois se desencostou do carro e deu um passo na direção dela.

--Eric... – Georgiana deu um passo para trás automaticamente.

--Eu não vou permitir que algo que sequer existiu atrapalhe o que está acontecendo entre nós. – Ele declarou, continuando a caminhar em sua direção, enquanto Georgiana se afastava. – Se você não quer ficar comigo, vai ter que me dizer com todas as letras. – Segurou-a pela cintura com as duas mãos, impedindo-a de continuar a se afastar e continuou a se aproximar.

Georgiana segurou os pulsos dele, tentando forçá-lo a soltá-la. Mas não conseguiu.

--Se não quiser que eu te beije, vai ter que me impedir. – Ameaçou-a, aproximando seus rostos.

--Eric... – Georgiana respirou seu nome, antes de ser beijada.

Ele apenas selou seus lábios, suave e brevemente. Afastou o seu rosto uns centímetros do dela e assistiu-a erguer uma das mãos, passar os dedos sobre os próprios lábios. Parecia estar admirada com as sensações que aquele simples roçar de lábios despertara em si.

E então redirecionou aquela mesma mão para o seu rosto, tocando-lhe a boca suavemente. Em seguida, inclinou o rosto levemente para o lado e aproximou os seus lábios do dele, tocando-o, beijando-o.

Este segundo beijo progrediu lentamente, intensificando a cada toque e caricia. A ponto de Georgiana passar os braços envolta de seu pescoço e abraçá-lo, completamente entregue.

Após aquele beijo, Georgiana continuou nos braços dele. Incapaz de se mover, ou desejar sair dali.

Até que ouviram um pigarro alto e voltaram os rostos na direção daquele barulho. Deparando-se com uma grande platéia. Todos seus amigos, sem exceção, estavam ali, presenciando aquele momento entre os dois.

 



[1] The Ting Tings é um dueto britânico de rock formado em 2004. Foram lançados 4 singles pela Columbia Records e o single That's Not My Name atingiu a primeira posição no UK Singles Chart em 18 de Maio de 2008. O álbum We Started Nothing foi lançado em 19 de Maio de 2008 e também atingiu a primeira posição no Reino Unido.

[2] The Pigeon Detectives é uma banda inglesa de West Yorkshire, formada em 2002. Em 8 de Julho de 2007, eles tocaram no palco Radio 1 NME Stage no T in the Park para um publico de milhares. A performance foi gravada e exibida na BBC3. E o seu maior show em Oxegen 2008 que foi transmitido na Europa pela MTV. Até o final de 2008 a banda lançou dois álbuns, vendendo mais de 500,000 copias no Reino Unido.

 

[3]Paramore é uma banda estadunidense de rock, formada em Franklin, Tennessee em 2004. Após várias mudanças, o Paramore consiste de Hayley Williams (vocal e teclado), Josh Farro (guitarra solo e vocal de apoio), Jeremy Davis (baixo), Zac Farro (bateria) e Taylor York (guitarra base). As canções  Decode e I Caught Myself estão na trilha sonora do filme de Crepúsculo.

 

 

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