Capítulo XVI
Indecisão
No final daquela manhã de Domingo, o grupo se despediu da mansão e de seus empregados. Tomaram a estrada ao aeroporto em Edimburgo. Moira conseguiu convencer Richard a trocar de lugar na viagem até o aeroporto, pois não estava agüentando o humor negro de Caroline esta manhã.
De forma que nos carros ficaram divididos em: Charles, Jane, Elizabeth e Moira em um carro, e Darcy, Richard e Caroline em outro. Mas ao entrarem no jatinho, Richard veio se sentar com Elizabeth e Moira.
--Uma pessoa normal não agüenta mais de uma dose do mau humor de Caroline. – Comentou, ao ocupar a poltrona de frente a Elizabeth e Moira. – Não sei como Darcy ainda não cortou os pulsos.
Estranhou quando Elizabeth não riu de seu comentário. Principalmente porque Moira lhe lançou um pequeno sorriso de compreensão. Mas preferiu guardar este fato para posterior analise.
Elizabeth não queria ouvir falar de Darcy e Caroline, principalmente do fiasco que fora a noite passada e a péssima noite de sono que fora a sua madruga.
Por isso concentrou todas as suas forças em manter uma conversa leve e animada com Moira e Richard enquanto esperava o jatinho começar a taxiar. E tentou evitar qualquer recordação da noite passada.
--Você tem um lindo sorriso. – Ele disse, fitando-a daquele jeito estranho.
Elizabeth parou de sorrir ao ouvi-lo dizer isto. Sentiu aquela conhecida apreensão e mordeu o lábio inferior quando o sentiu tremer levemente, graças ao súbito nervosismo.
A música lenta acabou, mas ele não a soltou.
A mão firme dele passeou nas suas costas e, fazendo uma pressão maior em um ponto determinado, ele trouxe o seu corpo mais para perto do dele. O seu coração batia a mil em seu peito, enquanto assistiu-o se inclinar em sua direção e os lábios dele se aproximarem dos seus.
No momento em que os lábios dele roçaram nos seus, Elizabeth rendeu-se por completo; fechando os olhos, permitiu que o tato e o paladar prevalecessem aos demais sentidos.
Um incêndio percorreu o seu corpo inteiro, quando os lábios dele se moveram em perfeita sintonia com os seus. Primeiro, moldando-se ao seu lábio inferior, depois o superior. A língua dele passeou suave pelo seu lábio inferior, implorando por passagem.
Elizabeth abriu a boca e a sentiu ser invadida. Impulsionou a sua língua para encontrar com a dele. Então sentiu unhas se cravarem em seu braço, ferindo a sua pele, e ser puxada para longe dos braços dele. Sentiu a perda do contato dos lábios dele como uma dor física.
Uma cabeleira ruiva tomou-lhe a visão de Darcy. Permaneceu ali, estática, sem reação alguma. Assistindo a ruiva se jogar nos braços de Darcy, tomando o lugar que há pouco ocupou, e passando os braços envolta do pescoço dele.
“Como ela ousa?!”, perguntava-se, ainda observando-os. Darcy tinha tirado os braços de Caroline de seu pescoço e começou a discutir com ela. Parecia-lhe tão irritado com a interrupção quanto ela mesma ficara.
Darcy lançou-lhe um olhar hesitante por sobre a cabeleira ruiva, mas não se moveu. Indignada com a falta de atitude dele, Elizabeth lhe deu as costas e voltou para a mesa.
Frustrada. Era assim que se sentiu a noite inteira. Mal conseguiu dormir porque ficava sonhando com aquele beijo e com aquela ruiva intrometida.
Suspirando, deitou a cabeça no encosto da poltrona e fechou os olhos quando o jatinho começou a taxiar. Não ficou surpresa quando seus companheiros se mantiveram em silêncio. Era como se a única razão de trocarem palavras fosse a sua presença e participação na conversa.
Queria ajudá-los, mas naquele momento as suas pálpebras estavam pesadas. Precisava descansá-las só um pouquinho.
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Darcy estava irritadiço esta manhã. E o mau humor de Caroline e suas intermináveis reclamações não estavam fazendo nada para ajudá-lo a se sentir melhor. Tentou manter uma conversa com Charles e Jane. Finalmente tomando conhecimento que passara o fim de semana que devia estar conhecendo melhor a namorada do amigo concentrado na irmã desta.
Tentava controlar o seu olhar para que não vagasse em sua direção. Caroline, sentada ao seu lado, mantinha uma vigilância constante sobre si. Odiava aquela situação.
Mas quando o jatinho começou a taxiar, um silêncio tomou conta do grupo em que Elizabeth estava. Curioso, olhou em sua direção e a viu de olhos fechados, como se estivesse dormindo. Uma expressão serena e relaxada tomou conta de suas feições e Darcy ficou a admirá-la dali.
Quente, macio, delicioso. Os lábios daquela mulher eram mais do que imaginara. Apertou-a mais em seus braços ao sentir a língua dela encostar-se à sua.
Então, ela foi arrancada de seus braços. Ainda tentou mantê-la segura em seu enlaço, mas Caroline se impôs em seus braços.
--Esta é minha música preferida, você tem de dançar comigo de novo. – Proclamou, passando os braços envolta do pescoço dele.
--Mas que diabos você pensa que está fazendo, Caroline? – Exigiu, segurando os pulsos dela com violência e tirando-os de seu pescoço.
Deu um passo para trás, impondo um espaço maior entre seus corpos. Seus olhos estavam cheios de fúria. A expressão do rosto de Caroline ficou mais sombria quando disse:
--Impendido você de cometer um erro monumental ao beijá-la.
--Este assunto não lhe diz respeito. – Ele rosnou as palavras para ela.
--Eu discordo. – Caroline não se deteve pelo ódio que via em seus olhos. – Você realmente quer se envolver com uma modelozinha qualquer? ...O meu irmão não me preocupa tanto, porque nós dois sabemos quanto tempo dura os relacionamentos dele. Mas você! ...Sequer consigo imaginá-lo levando Elizabeth para jantar em sua casa para conhecer seus pais. – Comentou, rindo sem nenhuma humor. – Aposto como seu pai vai ficar excitado com a novidade.
Darcy fitou Elizabeth ainda ali, parada às costas de Caroline. Elizabeth lançou-lhe um olhar de censura, sacudiu levemente a cabeça de um lado a outro e lhes deu às costas, saindo da pista de dança.
Darcy não se demorou na companhia de Caroline depois disso. Mas não retornou a mesa em que estiveram sentados, porque sabia que Elizabeth estava lá. Seguiu em direção a saída do clube noturno, precisava do ar frio da madrugada para ajudar a clarear as suas idéias.
Afinal, o que estava pensando ao beijá-la daquela forma? Não gostou de como Caroline se intrometeu neste assunto, mas não podia deixar de considerar suas palavras.
Estava consciente do magnetismo que Elizabeth exercia sobre ele, não havia como negar a atração física que sentia por aquela mulher. Mas o que mais ele poderia esperar de um relacionamento com ela?
Embora houvesse constatado que ela não era uma modelo simplória, egocêntrica e vazia – na verdade, descobrira uma mente afiada e uma mulher de opiniões fortes – ainda não conseguira identificar nela a sua parceira ideal.
Ao contrário, além da atração física, não encontrava razão alguma para estabelecer um relacionamento amoroso com ela. Quais seriam as bases deste relacionamento? Sexo?
O ar frio daquela noite beijou-lhe o rosto e Darcy respirou profundamente, como se estivesse sufocando segundos atrás.
Precisava se manter afastado de Elizabeth. Agora, pensando a respeito, tinha consciência do perigo que estar perto dela representava. Àquela mesma manhã, comportara-se como uma criança participando daquela guerra de farinha na cozinha.
E esta noite... Bom, não queria pensar no que fez esta noite – seu coração estava aos pulos em seu peito só de lembrar-se do calor que tomou conta de seu corpo ao provar daqueles lábios carnudos.
Esta mulher tinha o poder de fazê-lo perder o controle de si mesmo. “Sim. O melhor a fazer é manter distância dela até que eu tenha certeza do que quero com ela.”, refez a promessa da noite passada naquele momento, olhando-a dormir.
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Elizabeth acordou com um sobressalto quando alguém lhe sacudiu os ombros levemente. Resmungou algo inteligível, quando a sua mente projetou a lembrança de Caroline agarrando-a pelo braço com violência e fincando suas unhas perfeitas em sua pele.
--Nós já chegamos. – Moira informou-lhe, quando Elizabeth lhe dirigiu o olhar.
--Chegamos? – Perguntou-lhe, confusa.
--A Londres.
Elizabeth olhou pela janela do jatinho e percebeu que já haviam pousado. O jatinho estava taxiando novamente.
--Você dormiu a viagem inteira. – Richard comentou.
Elizabeth olhou para ele a sua frente. Algo no tom de voz dele a fez desconfiar que ele encontrou algo divertido no fato de ter adormecido durante a viagem.
--Acho que devo lhe informar que você ronca enquanto dorme. – Ele disse, brincalhão.
--Não ronco, não. – Elizabeth rebateu, indignada.
--E baba também. – Ele continuou, sorridente.
--Você está mentindo. – Afirmou, quase certa de que ele mentia porque Moira começou a rir.
--Ahh... e fala. – Ele incluiu, com uma arqueada de sobrancelha.
Moira lançou-lhe um olhar diferente, tentando parar de rir.
--Não é verdade. – Elizabeth negou.
--Não estou mentindo e posso provar. – Richard declarou. – Eu sei que você esteve sonhando e ... Quer que eu lhe diga com quem você esteve sonhando, hum?! – Ele estava muito seguro de si ao lhe dizer isto.
Elizabeth ficou boquiaberta, mas sem dizer nada. Moira parou de rir e desviou o olhar, como se não tivesse a intenção de invadir a sua privacidade.
--É engraçado. Eu não fazia idéia. – Richard prosseguiu. – Mas eu acho que devia ter percebido. Principalmente, depois da forma com que vocês dois andaram duelando este fim de semana.
Elizabeth apressou-se a cobrir o rosto com as duas mãos, tentando esconder o rubor de suas bochechas. Não acreditava no que estava lhe acontecendo. “Por que ninguém nunca lhe disse que fala enquanto dorme? O que será que andou falando durante este sonho?”
--Fique tranqüila... Seu segredo está seguro comigo. – Richard lhe prometeu, piscando com um olho só quando Elizabeth descobriu o rosto e olhou para ele.
--Não sei o que você ouviu. – Elizabeth disse, tentando remediar a situação. – Mas tenho certeza que entendeu tudo errado... Não me importo se você contar alguém o que ouviu. – Proclamou, tentando transparecer tranqüilidade, mas com o coração batendo selvagemmente em seu peito. – O sonho que tive estava longe de ter sido agradável!
Notou que Moira voltou a olhar em sua direção, aparentando estar surpresa com a sua declaração. Richard, no entanto, continuou a sorrir-lhe, como se soubesse mais do que ela imaginava.
A despedida foi breve. Elizabeth notou que Darcy continuava a agir como se nada houvesse acontecido entre os dois e a tratava com a sua indiferença habitual. Ignorou-o o máximo que pôde.
Trocou telefone e e-mails com Richard e Moira, para que pudessem manter contato. Tentou ser simpática em sua despedida com Caroline, mas não teve muito sucesso. A felicidade que via estampada no rosto da ruiva por não ter mais que agüentar a sua presença lhe irritava.
Por fim, seguiu viagem com Charles e Jane apenas.
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Mary passara o fim de semana prolongado tentando encontrar as respostas para as suas dúvidas sozinha. Mas não teve mais sucesso que na semana passada. Agora temia a aproximação da quinta-feira, pois teria de engolir seu orgulho e aceitar a ajuda que Lucian lhe oferecera.
Não sabia o que ele pensava a seu respeito. Apenas não queria que ele tivesse a impressão de que ela era uma estudante incompetente. Física não era uma matéria simples, uma que você pudesse simplesmente ler um livro e dizer se entendeu ou não o que ali estava escrito. Era preciso pensar, racionalizar o que aprendeu e pô-lo em prática.
Talvez fosse justamente isso o que ele estava tentando lhe dizer, ao afirma que ela não encontraria as respostas para os seus problemas nos livros. Ela sabia disso, não era exatamente uma virgem em um laboratório. O que ela não queria admitir era que a presença dele a deixava nervosa.
Ficou andando pelo campus, perto do prédio de física avançada, criando coragem para ir até o laboratório àquela quinta. Sabia que ele estaria lá, onde lhe garantia que passava todos os fins de tarde de quinta-feira.
Irritada consigo mesma por sua covardia, tomou caminho até a entrada do prédio. Seguiu pelo corredor sentindo a apreensão e ansiedade lhe corroer as entranhas. Parou diante da porta fechada do laboratório e espiou dentro.
Havia poucos estudantes no laboratório àquele horário. Uns três rapazes ocupavam um lado do laboratório. Do outro lado, muito afastados dos demais, havia dois rapazes apenas. Trabalhavam em bancadas, lado a lado. Lucian era um deles.
Aproximou-se deles com cautela, os observando trabalhar em silêncio. Perdeu a conta de quantos minutos ficou de pé, ali, sem ser notada.
--Perdida? – O rapaz desconhecido lhe perguntou, ao notá-la ali.
Ele era da mesma altura de Lucian. Os cabelos castanhos escuros, com algumas mechas mais claras, estavam totalmente desordenados. Olhos azuis, pele branca. Parecia um pouco irritado com a intromissão.
--Mary. – Lucian sorriu-lhe, erguendo os óculos de proteção dos olhos. – Estava começando a pensar que você não viria.
Mary apenas encolheu os ombros, permanecendo em silêncio.
--Craig, esta é Mary Bennet. A aluna que o profº. Kraven pediu que ajudássemos. – Lucian informou ao amigo. – Mary, este é Craig Humphry.
--Tudo bem, ela pode assistir. – Craig resmungou, dando lhe as costas e concentrando-se em seu trabalho. – Contanto que não atrapalhe.
Lucian mexeu em seus pertences a procura de alguma coisa, enquanto Mary permanecia ali, imóvel. Trouxe para ela um caderno velho e um par de óculos transparentes. Entregou-lhe os dois.
--Aqui. – Disse ao lhe entregar os óculos. – Ponha isto.
Quanto ao caderno, não lhe deu explicação alguma. Retornou para a sua bancada e retomou o seu trabalho. Ele e Craig faziam coisas separadas, mas de vez em quando, um invadia a banqueta do outro e mexia na experiência que o outro estava fazendo.
Mary abriu o caderno e viu em uma letra apertadinha várias teorias de físicos famosos com anotações estranhas nas bordas; algumas as reafirmando e comprovando-as de alguma forma, outras as negando.
Ergueu o olhar confuso para Lucian ao entender que aquele era o seu caderno de anotações, com suas idéias.
--Não vou copiar o seu trabalho. – Resmungou, irritada. – Isto seria plágio!
Os dois rapazes pararam o que estava fazendo e voltaram-se para fitá-la, surpreso com o seu arroubo de emoção. Lucian se recuperou primeiro, porque já presenciara um dos momentos de explosão de Mary antes.
Mas Craig continuou a fitá-la com evidente assombro – ela já se aparecia nada com a menininha acanhada e silenciosa de minutos atrás. Mary parecia ter crescido diante de seus olhos naquele instante.
--Esta nunca foi a minha intenção. – Lucian replicou.
Mary permaneceu em silêncio, esperando que ele lhe desse mais explicações.
--Este caderno só contém algumas anotações do que estivemos fazendo aqui nos últimos meses... Se você não percebeu, é apenas um emaranhado de idéias, não exatamente um tese. – Ele prosseguiu. – Através dele será mais fácil para você compreender o que estamos fazendo e tirar suas próprias conclusões do que você vê aqui.
--Ohh. – Foi só o que conseguiu dizer.
Craig voltou ao seu trabalho, como se aquela discussãozinha já perdera o seu interesse. E Lucian não demorou a seguir o seu exemplo. Mary, constrangida, procurou um banco em que pudesse sentar-se e começou a folhear o caderno velho.
Quando conseguiu capturar a essência das experiências deles, fechou o caderno e voltou a observá-los. Em determinado momento, Lucian estava ocupado demais em sua banca para interferir nas atividades de Craig na bancada vizinha.
Mary notou que Craig estava ocupado com uma parte da experiência e precisando de ajuda em outra, então surgiu ao seu lado sem se pronunciar e o auxiliou. Ele lhe lançou um olhar surpreso, mas não fez comentário algum. Prosseguiu com o seu trabalho como se a presença dela no meio deles fosse uma coisa corriqueira.
Depois disso, passou a lhe dar pequenas tarefas. O que Lucian não tardou a seguir o seu exemplo. Mary não sabia que cresceu mais um pouco ao olhar de Craig por tomar uma atitude, ao invés de apenas observá-los.
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Catherine saiu de sua sala de aula e se aproximava da sala de sua irmã. Sua professora liberara a sua turma minutos antes do sinal soar. Então, sabia que era possível que Lydia ainda estivesse em aula.
O sinal soou quando caminhava pelo corredor. Não demorou muito para avistar sua irmã, quem estava acompanhada por Sunny. As duas lhe esperavam perto da escada.
Foi quando sentiu alguém tocar em seu ombro. Virou-se para esta pessoa e deparou-se com Robbie.
--Oi, Kitty.. Estou certo? – Ele a cumprimentou.
--Sim, Kitty. – Ela replicou, surpresa por ter sido abordada por ele.
--Eu queria lhe perguntar se você irá ao show de Zack este fim de semana.
--Show... este fim de semana? – Ela não fazia idéia do que ele estava falando.
--Sim. Sabe... A banda do Zack vai estar tocando no Blackjack neste sábado. – Ele respondeu, começando a ficar desconfiado. – Zack não lhe disse isso? Você não é a namorada dele?
--Sou. – Replicou, apressada. – É claro que ele me contou. Eu só tinha me esquecido que seria este fim de semana. – Justificou-se, mentindo.
--Então, você irá? – Ele prosseguiu, aceitando suas justificativas.
Catherine não soube o que responder. Viu que Lydia e Sunny os avistaram e caminhavam em sua direção.
--Porque os pais da Lexi não estão permitindo que ela me acompanhe... – Ele começou a se explicar. – Aí eu pensei, se um grupo de amigas dela também estivesse indo, talvez eles permitissem que ela fosse também.
Catherine o fitou longamente, com uma expressão boba no rosto.
--Você irá? – Ele repetiu sua pergunta.
--É claro que ela vai. – Sua irmã se intrometeu. – Todas nós iremos. – Incluindo-se, assim como Sunny.
--Que bom. – Robbie ficou aliviado. – Eu vou falar com Lexi e ela te liga, para possam ir juntas.
Catherine sorriu, sem nenhuma animação. Robbie não demorou a se afastar delas, deixando as três meninas a sós.
--Era só o que me faltava. – Catherine resmungou. – Agora terei de ser amiguinha da namorada dele.
--Veja as coisas pelo lado positivo. – Sunny propôs. – Você vai ver Zack de novo.
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Ikarus: faz dias que você não me conta de suas idas e vindas em pubs ou discotecas...
Smurfete: eu não fui a nenhum destes lugares nos últimos dias.
Ikarus: por que não?
Georgiana hesitou em responder. Estaria discutindo um assunto com um desconhecido que não lhe diz respeito diretamente. Mas não queria mentir para ele sobre isto também. Então decidiu ser o mais evasiva possível.
Smurfete: era uma amiga minha, com quem divido apartamento, quem me levava aos pubs e etc...
Smurfete: mas ela não está muito no clima para farrear ultimamente.
Ele demorou um pouco para responder.
Ikarus: por que?
Suspirando, Georgiana replicou.
Smurfete: ela teve uma desilusão amorosa.
Houve mais uma longa pausa para que ele respondesse. Georgiana começou a desconfiar que ele estivesse teclando com mais alguém. Sentiu uma pitada de ciúmes, porque ela nunca conversava com mais ninguém nos chats enquanto estava teclando com ele, embora isto fosse bastante comum.
Ikarus: espero que ela se recupere logo...
Rebecca entrou no seu quarto e caminhou até a sua escrivaninha, parando as suas costas.
--Você está teclando com aquele cara de novo? – Perguntou-lhe, fitando a tela do laptop brevemente.
--Hum-hum. – Georgiana apressou-se a despedir-se de Ikarus e fechar a janela antes que Rebecca tivesse uma chance de ler sobre o que eles conversavam.
--Quando você pretende conhecê-lo, hem? – Ela quis saber, indo se deitar na cama da amiga. – Há quanto tempo vocês trocam mensagens na Net, afinal?
--Há alguns meses. – Georgina respondeu.
--E ele nunca quis te conhecer? – Rebecca a analisou com cuidado. – Nunca quis saber seu nome? ...E você? Nunca quis saber o nome dele? Conhecê-lo?
--Sim, sim, sim, sim. – Georgiana respondeu, impaciente. – Mas é complicado.
--Eu não vejo complicação alguma. – Rebecca alegou, fitando o teto. – Ele estuda aqui também? – Olhou para Georgiana e a viu concordar com uma aceno de cabeça. – Então, marca um lugar e vai encontrá-lo.
Georgiana não deu nenhuma resposta.
--Se você está com medo de que ele seja um maluco ou um nerd... – Rebecca propôs, rindo. – marca em uma festa, combina uma forma de poder identificá-lo e se, ao vê-lo, você não gostar dele, você pode ir embora sem se identificar... É o que todo mundo faz.
Georgiana não sabia como lhe explicar que não era isso o que receava. Então, não respondeu nada.














