Capítulo X
Entrevista
William estava nervoso, mas por fora transparecia uma clareza e calma invejável. Assistiu Mirian acionar um pequeno gravador e preparar-se para sua primeira pergunta.
Ela tinha uma prancheta em mãos e deu uma olhada rápida em seu material antes de fazer a sua primeira pergunta.
--Sr. Darcy, você nasceu em uma família de empresários. O seu avô fundou a companhia D&F Corporation, a qual o seu pai assumiu a função de CEO ao tempo da aposentadoria de seu avô. Como a sua família reagiu a sua decisão de não seguir o exemplo de seus ascendentes e optou por cursar, e posteriormente exercer, arquitetura?
Darcy ficou surpreso quando Mirian iniciou a entrevista tratando de sua carreira ao invés de se concentrar em sua vida amorosa – assunto predileto dos tablóides desde o fim de seu relacionamento com Anne e que voltara a ser abordado agora que Anne iniciou um novo relacionamento.
Mas também percebeu a intenção da colunista em abordar este assunto, dando a ele um enfoco mais controverso possível.
--É verdade que meus familiares tinham expectativas de que eu assumisse o negócio de família uma vez que concluísse os estudos... Mas meus pais criaram-me para ser um indivíduo... capaz de fazer as minhas escolhas e defendê-las quando o momento chegasse.
--Entendo. – Mirian replicou, estudando-o com atenção.
Darcy tinha a impressão de que Mirian tinha feito o seu “dever de casa” com bastante afinco para esta entrevista. Já fora entrevistado antes e sempre conseguira manter as suas respostas mais evasivas e superficiais possíveis. E estava obvio que uma redatora de seu calibre não gostaria de desperdiçar uma oportunidade como esta e publicar uma coluna com informações batidas ao seu respeito.
--Quando você diz “defendê-las”... está fazendo alguma referencia ao fato de que o seu pai não financiou a criação de sua sociedade com o seu amigo de faculdade, Charles Bingley?
--Meu amigo e eu, quando nos formamos, decidimos criar a nossa sociedade por conta própria. – Respondeu de imediato, sem hesitar. Sabia onde ela estava querendo chegar e não permitiria que criassem polêmica com o nome de sua família.
A entrevista prosseguiu neste ritmo por mais alguns minutos. Mirian tentando extrair de Darcy uma confissão de que seu pai não desejava que ele seguisse carreira como arquiteto, mas com perguntas inteligentes e muito bem fraseadas. Enquanto Darcy persistia em driblar tais questões. Qualquer percalço que tivera com seu pai neste assunto não seria revelado por ele para uma jornalista expor para todo o Reino Unido.
Mas sentiu-se empertigar-se quando ela lhe fez a seguinte pergunta.
--Você tem uma irmã de 20 anos, Georgiana, que está cursando Administração na Universidade de Cambridge, estou certa?
--Sim.
--Mas... durante o colegial ela tinha demonstrado uma aptidão para a música. – Comentou. – Ela adquiriu uma reputação extensiva por sua perfeição como pianista... E gerou-se a crença de que iria cursar um conservatório de música num futuro próximo, com perspectiva de assumir uma posição na Orquestra Sinfônica de Londres...
Mirian notou uma seqüência de emoções nos olhos de Darcy, mas ele conseguiu dominá-las rapidamente.
--Mas... uma vez que concluiu o ensino fundamental, ela tornou-se praticamente reclusa por um ano inteiro... Até que iniciou o curso na Universidade de Cambridge.
--Minha irmã é realmente muito talentosa. – Ele respondeu, com um tom de voz frio. – Por um bom tempo, todos nós pensávamos que iria perseguir a carreira de pianista... Porque era obvio que teria sucesso neste rumo, se desejasse prossegui-lo. Mas... – Ele fez uma pausa, para reorganizar as idéias e parecia estar recuperando a calma. – Bem, você há de convir que aos dezessete anos é bem difícil decidir o que se quer fazer da vida profissionalmente... E minha irmã não era diferente de nenhuma outra pessoa aos dezessete anos. Sim, ela adorava tocar piano, mas ela também possuía muitos outros interesses... Então, ela percebeu que precisava de um tempo para se decidir, para explorar outros interesses antes de fazer uma escolha definitiva. E foi isso o que fez durante o suposto ano em que esteve “reclusa”.
--Mas você não diria que a decisão dela em seguir a carreira de mulher de negócios teve a ver com um desejo de agradar os seus familiares... já que ela irá assumir o lugar que seria o seu na empresa de seu pai uma vez que se formar?
Mirian notou que ele não parecia satisfeito com a linha daquele interrogatório. Percebeu que assim que tocou no nome de sua irmã, Darcy assumiu uma postura ainda mais defensiva. E a sua curiosidade de experiente repórter apenas se intensificou. Queria descobrir o que havia por detrás daquele tema que o deixava tão inquieto.
--Não. – Replicou; permanecendo em silêncio e sustentando o olhar da redatora por alguns minutos. Mirian percebeu que ele não tinha intenções de elaborar aquela resposta.
Mirian ainda tentou se aprofundar neste assunto de outras formas, mas sem ter sucesso. O homem parecia ter se fechado e não tinha intenções de revelar nada a respeito de sua irmã.
Como não tinha a intenção de ficar dando murro em faca, Mirian mudou o tema de suas perguntas. Finalmente abordando a questão “relacionamentos”.
--Sr. Darcy, você namorou a srta. Anne De Bourgh por praticamente uma década. A ponto de acreditar-se que estavam noivos...
--Nós nunca fomos noivos. – Darcy a interrompeu.
Ele a viu deixar a sua prancheta de perguntas de lado e focar-se completamente nele.
--Por que não? – Quis saber; estava estampado em seus olhos o brilho de curiosidade. – Afinal, um longo relacionamento como o seu ser encerrado abruptamente é incomum.
--Pode ter parecido uma decisão inesperada para as pessoas de fora do relacionamento, mas não foi um fim abrupto... impensado por nós dois. – Ele respondeu, tranqüilo; estava consciente de que ela desejaria saber sobre o fim de seu relacionamento com Anne e sentia-se preparado para tratar deste assunto com a devida cautela. – Nós dois pensamos bastante antes de pôr um fim ao nosso relacionamento.
--Você deve ter visto nas revistas que a srta. De Bourgh está de relacionamento novo com Albert Hurts, ator americano. Como você encara tais fatos?
--Anne é uma mulher atraente, inteligente, independente... Eu não esperava que ela ficasse sozinha por muito tempo.
Mirian notou que ele não parecia ressentido ao abordar o novo envolvimento de Anne De Bourgh. Mas também percebeu nesta entrevista inteira que Darcy sabia muito bem mascarar suas emoções e manter a calma.
--Bem, muitas pessoas o julgam dono de uma beleza incontestável. Você é inquestionavelmente inteligente e independente... Como é possível ainda estar solteiro?
--Eu ainda não tive o prazer de encontrar a pessoa certa para mim, como Anne parece ter encontrado a dela.
--Tenho certeza que todas as mulheres querem saber: o que chama sua atenção em uma mulher?
--Eu diria que um conjunto de fatores... Fisicamente, eu não tenho um gosto em particular. Não nego que gosto de mulheres bonitas... Afinal, como é possível ter um relacionamento amoroso com uma pessoa pela qual você não sente atração?
Ele tinha um pequeno sorriso nos lábios, o que contagiou Mirian a sorrir também.
--Mas ela precisa ter mais do que beleza física para manter o interesse inicial. Uma mulher inteligente, que tenha as suas próprias opiniões... Não alguém que apenas reproduza opiniões alheias ou, simplesmente, concorde com tudo o que eu diga...
Mirian gostou da resposta dele. Ele não foi evasivo ou contido. Ao contrário, foi mais expansivo de que ela imaginara que seria.
--Sr. Darcy, você acredita na existência de um amor verdadeiro ou acha que isso é fruto da imaginação dos tolos?
--Depende da sua concepção de “amor”. – Ele replicou. – Se a sua idéia de amor tem a ver com os contos de fada ou reproduções que se encontra em filmes melosos, então eu diria que não acredito em amor. Pelo menos, não neste tipo de amor. Acredito que é uma fantasia, uma ilusão idealística do que este sentimento seria... Impossível de alcançar.
Ele percebeu que ela tinha um sorriso nos lábios diante de sua resposta.
--Sinta-se livre para discordar de mim... Mas, antes, me responda: por que os filmes e contos de fada sempre terminam quando o mocinho e a mocinha se casam? Porque senão eles teriam de retratar a realidade, o quão difícil é para duas pessoas com personalidades diferentes se adaptarem uma a outra... E isto foge ao ideal de “feliz para sempre” que um conto de fadas deve ter!
--E o que é o amor verdadeiro para você?
--Meus pais... eles se amam verdadeiramente. São duas pessoas diferentes que conseguiram conciliar seus ideais e crenças... Tiveram seus altos e baixos, mas que conseguiram construir uma família baseada na confiança e carinho que sentem um pelo outro.
Como o tempo da entrevista era programado, Mirian precisou encerrá-la. Darcy ainda teria que participar de uma sessão de fotos ainda nesta mesma tarde para poder ser a capa da revista Profile daquela semana.
--Bem,... foi um prazer ter esta conversa com você, sr, Darcy. – Mirian disse ao fim da entrevista, aparentemente insatisfeita com o seu fim. – Espero poder repeti-la em outra oportunidade.
--Sem a intenção de ofendê-la, mas eu espero que não. – Ele respondeu, com outro pequeno sorriso nos lábios, ao se por de pé e aceitar o seu cumprimento.
Mas Mirian parecia ter compreendido a sua resposta, porque também sorriu.
--Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente.
--Acredito que seria um prazer ainda maior se fosse em outras circunstancias. – Ele respondeu; tentando deixar claro mais uma vez que não gostava de si ver preso em situações como esta.
No mesmo prédio da editora da revista, em outro andar, estaria ocorrendo a sessão de fotos com o fotógrafo Luigi Wolfman. Assim que entrou no estúdio de fotografia, Darcy percebeu que o ambiente fora dividido em seções.
Uma parte da sala estava decorado com um pano verde ao fundo e mais nada. Outra parte com um cenário de um parque em pleno outono. Um mural com a imagem de arvores com suas folhas de tons alaranjados, o chão coberto de água com uma camada de folhas e um balanço de madeira com eras verdes encobrindo as correntes de ferro que pendiam do teto ao meio daquele pequeno lago.
A outra seção parecia retratar o mesmo parque, porém em pleno inverso. As árvores cobertas de uma camada de neve, a única diferença era que não havia sinal do balanço. O chão fora transformado em um lago congelado.
Ao lado de um grande ventilador tinha dois sacos enormes. Um contendo folhas de arvores na mesma tonalidade daquelas no set e no outro espuma branca, o que Darcy presumiu ser neve artificial.
Outra parte da sala estava montada um pequeno camarim, para onde Darcy foi encaminhado primeiramente pela assistente do fotógrafo, Alayana. Enquanto o maquiavam, o fotógrafo e sua assistente montavam a maquina fotográfica e as luzes próximo a seção em que havia um fundo verde.
Depois Darcy foi guiado para o set com o fundo verde. E a sessão de foto não demorou a começar. O fotógrafo foi apresentado a ele e tentava guiá-lo durante toda a sessão, indicando quais posições ficar e quando sorrir. Enquanto Darcy sentia-se totalmente deslocado.
Então, as portas do elevador foram abertas e duas mulheres muito belas entraram no estúdio. Uma delas cumprimentou brevemente as pessoas ao seu redor ao caminhar em direção ao camarim. Enquanto a outra veio na direção do fotógrafo e parou às suas costas, em silêncio.
Darcy sentiu o seu nervosismo aumentar diante do olhar dela.
Notando o desconforto e distração de Darcy para as suas instruções, o fotógrafo fez uma pausa e voltou-se para sua assistente, pedindo para que ela modificasse a posição das luzes enquanto ele trocava as lentes da câmara.
--Lizzie, você já chegou. – Luigi exclamou ao notá-la ali, finalmente.
Darcy assistiu, contrariado, o fotógrafo cumprimentá-la com bastante intimidade, trocando beijinhos no rosto e ela sorrir-lhe abertamente.
--Eu não acreditei quando me contaram que você estava de volta e seria responsável por esta sessão de fotos. – Ouviu a sua voz melodiosa vagar em sua direção e entreouviu aquela conversa sem nenhum receio de estar invadindo a privacidade alheia. – Pensei que já estivesse se distanciando deste ramo da fotografia.
--Estou... Na verdade, estou atendendo a um pedido de uma amiga com a sua sessão de fotos... e a do sr. Darcy. – Explicou. – Mas já estou programando a exposição das fotos que tirei durante a minha viagem...
--Isto é ótimo.
--Eu espero vê-la na exposição.
--Mas é claro.
Darcy notou que eles se conheciam bem, porque conversavam como amigos de longa data.
--E como você está? E a suas fotos?
--Eu estou bem... Trabalhando nelas.
--Eu quero ver o que você tem feito. Vamos marcar para nos encontrar.
--Claro.
Luigi olhou para o seu relógio de pulso e disse.
--Estou quase terminando com o sr. Darcy. Quer dar uma olhada? – Entregou-lhe a sua câmera e encorajou Elizabeth a focar através desta a imagem do seu modelo fotográfico por um dia.
Darcy empertigou-se quando a viu tomar a câmera e tomar a frente do fotografo, fitando-o através desta.
--Humm...
--O que foi? – Luigi perguntou, com um sorriso de canto de boca.
Elizabeth entregou-lhe a câmera de volta, voltando-se de frente para ele e de lado para Darcy.
--Está bom.
--Bom? – Luigi insistiu. – Nada mais?
Darcy não estava gostando de ser avaliado daquele jeito.
--Talvez... esteja faltando alguma coisa. – Assistia virar o rosto em sua direção com um olhar impertinente.
--Como o que? – Mas o fotografo estava genuinamente interessado em sua opinião e não parecia ter percebido a troca de olhares entre Elizabeth e ele.
--Bem, ...tenho certeza de que as pessoas já se encheram destas fotos certinhas... nas quais ele aparece em jornais e revistas... Sempre de terno, com a aparência impecável.
Darcy ouviu o seu comentário e aguardou pela réplica do fotografo. Este o observava, como se ponderasse a opinião dela. Elizabeth voltou a fitá-lo e completou, com um murmúrio para que só o fotógrafo ouvisse.
--Eu adoraria bagunçá-lo só um pouquinho.
Mas Darcy também a escutou e ficou ruborizado imediatamente. Mas a atenção de Elizabeth já tinha voltado para o fotógrafo, quem começou a rir de seu comentário. Não demorou muito para que ele pedisse a sua assistente, Alayana, para ajudar Darcy a remover o blazer de seu terno.
--O que? – Darcy exclamou, quando Alayana veio em sua direção e começou a despi-lo do blazer. – Não, espere.
--Desabotoe alguns botões desta camisa também... – Luigi comandava, ignorando os protestos de Darcy.
--Não, espere. Eu não fui avisado que seria deste jeito. – Darcy reclamava, enquanto tentava deter Alayana; quem começou a desfazer o nó de sua gravata, livrando-o dela, e desabotôo os primeiros botões de sua camisa.
Darcy ficou ali, incrédulo, enquanto o fotógrafo comandava sua assistente a puxar a camisa de dentro da sua calça e depois bagunçar o seu cabelo. Ele fitou Elizabeth, notando que ela parecia muito satisfeita com a sua obra de arte, o que só o deixou mais irritado.
Por comando do fotógrafo, o ventilador foi posto a sua frente e ligado, deixando a sua aparência ainda mais esvoaçante – balançando sua camisa, fazendo aparecer o inicio de seu peitoral e os fios negros ali escondidos, além de bagunçar o seu cabelo.
O fotógrafo começou a tirar fotos, Darcy não se incomodou em sorrir nem mesmo quando lhe foi indicado. Ficou ali, de pé, com os braços cruzados sobre o peito, com uma expressão de puro ódio estampada no rosto.
--Muito bom, sr. Darcy! Gostei do olhar profundo… intenso! – O fotografo parecia satisfeito, encorajando-o. – Você está zangado... Mostre que está zangado! – E continuou a tirar fotos.
Elizabeth assistiu por um tempo, depois saiu para se arrumar para a sua sessão de fotos.
Ao fim da sessão de fotos, o fotografo o cumprimentou e passou a organizar seus materiais para a próxima sessão. Alayana informou a Darcy que suas roupas estavam em uma cadeira, ao camarim improvisado. Darcy se dirigiu a ele, chegando a tempo de entreouvir a conversa entre a outra mulher que entrara no estúdio no meio da sua sessão de fotos.
--Ora, por favor, ela é praticamente uma balzaquiana com nenhuma fama extraordinária neste ramo... Como você acha que ela conseguiu este trabalho? – Sandrine, uma modelo de 19 anos, comentava com malicia com o maquiador. – Fazendo “amizade” com as pessoas certas. Ou você não notou a forma intima com que tratou o fotografo?
Darcy percebeu que falavam sobre Elizabeth. Curioso, tirou o celular do bolso e fingiu que estava atendendo a um telefonema.
--Luigi Wolfman é um homem casado. – O maquiador replicou.
--Ele não é casado. – Sandrine rebateu, com desdém.
--Ele vive com Claire por mais de seis anos, com quem tem um filho e espera o segundo nos próximos meses... Para muitas pessoas isto é um casamento, embora não seja no papel.
--Mesmo assim. Casado ou não casado. – Sandrine persistiu. – Isto nunca impediu mulheres como ela.
Enojado, Darcy cansou de ouvir aquela conversa. Colocou o celular sobre a mesa enfrente ao espelho, pegou a sua gravata e colocou envolta do pescoço. Depois vestiu o blazer do terno e se afastou em seguida, seguindo em direção ao elevador.
Enquanto esperava o elevador, viu Elizabeth reaparecer. Ela usava um vestido verde esvoaçante curto e caminhava em direção ao camarim improvisado, seus pés estava descalços. Observou-a, ponderando o que ouviu de Sandrine a seu respeito.
O elevador abriu as portas e ele entrou, decidindo esquecer este assunto. Quando já estava no seu carro, percebeu que esqueceu o celular sobre a mesa do camarim e precisou voltar.
Quando as portas do elevador se abriram no andar do estúdio, percebeu que a outra sessão de fotos já começara. Caminhou até o camarim, agora vazio, e pegou o seu celular. Quando se dirigia de volta ao elevador, reparou em Sandrine.
Ela estava vestida com um vestido vermelho esvoaçante, muito parecido com o de Elizabeth. Mas tinha patins de gelo nos pés e assistia a sessão de fotos do set do parque outono.
Darcy aproximou-se, para espiar a sessão, curioso. Quando estava próximo o suficiente, viu Elizabeth sentada ao balanço. O ventilador estava ligado e balançava os seus cabelos longos e ondulados, assim como o vestido. Ela se balançava e arrastava a ponta dos dedos na água. Folhas de árvores avermelhadas caiam ao seu redor, voando com a força do vento do ventilador.
Ela sorria, como se divertisse bastante com aquela brincadeira infantil, enquanto o fotografo tirava as suas fotos – sempre a encorajando. Ela parecia uma ninfa[1]. Darcy não soube dizer por quanto tempo assistiu à sua sessão de fotos, sentia-se hipnotizado por ela.
[1] As ninfas são espíritos, geralmente alados, habitantes dos lagos e riachos, bosques, florestas, prados e montanhas.














