Capítulo IV
Quando vou te ver de novo?
Richard entrou no saguão do prédio onde o seu primo reside no final daquela manhã de sábado. Há pouco acordou e, após uma boa manhã de sono pesado ao fim de mais uma noitada, sentia-se pronto para outra. Caminhava tranquilamente até o elevador, após cumprimentar o porteiro à recepção do prédio residencial, quando a avistou.
Perdeu-se em um momento, a admirando. Os cabelos castanhos escuros escovados, com pequenas ondulações entorno dos ombros. O perfil do rosto delicado, acentuado com uma maquiagem suave, onde os tons rosados sobressaltavam sua composição de menina. Mas com o olhar negro, decidido, contornado por sobrancelhas bem delineadas, dando-lhe um ar maduro de mulher.
Respirando com dificuldades a primeira vez em uma semana, aproximou-se dela e parou ao seu lado. A viu virar o rosto em sua direção rapidamente e depois desviar o olhar, voltando-o para o elevador.
--Richard. – O cumprimentou, solene.
--Bom dia, Moira. – Respondeu. – Como dormiu? – Perguntou em seguida, sem pensar no que dizia.
--Mal. – Ela replicou, sucinta. Richard sentiu vontade de se estrangular.
O elevador abriu as portas e Moira não demorou em entrar, voltar-se de frente para ele e fitá-lo, interrogativamente. Richard apressou-se a seguir o seu exemplo antes de as portas do elevador começassem a se fechar.
O silêncio dentro daquele elevador era inquietante, deixando Richard ansioso, principalmente com a presente indiferença de Moira. Soltando um longo suspiro, disse.
--Perdoe-me por ontem... Esta manhã... – Corrigiu-se, soando atrapalhado com as próprias palavras. – Eu estava bêbado. – Mentiu.
Assistiu-a sorrir com o canto de boca, irônica, antes de dizer.
--O que prova que estou certa ao seu respeito.
--O que quer dizer...? – Richard interrogou, fitando-a com atenção, temendo a sua resposta.
Moira voltou o rosto em sua direção e olhou-o nos olhos, sem piedade.
--Que você é imaturo.
Sustentou o seu olhar frio por mais um minuto, depois voltou a se concentrar no progresso do elevador em cada andar. Richard não disse mais nada durante o minuto seguinte. As portas do elevador se abriram e os dois saíram deste, já dentro do apartamento de William.
Moira caminhou à frente, seguindo em direção a cozinha. Ouvia a voz distante de um homem e, ao entrar na cozinha, encontrou Charles sentado em uma das cadeiras próximo ao balcão da cozinha. Falava ininterruptamente a respeito de uma loira que encontrara na noite anterior numa de suas saídas com Richard. Enquanto William estava a sua frente, cortando queijo mussarela em tiras finas para rechear a massa do macarrão tipo penne.
Richard a seguiu, colocando a garrafa de vinho Merlot sobre o balcão da cozinha, caminhando até uma das prateleiras e pegando uma taça para si. Voltou para o balcão e abriu o vinho, enchendo sua taça sobre o olhar reprovador de Moira. O seu aroma denso tomou conta da cozinha, chamando a atenção de Charles, quem não tardou a pegar uma taça também.
Richard provou do vinho em silêncio, degustando de seu paladar rico, macio, perfeitamente equilibrado, sedoso e de grande classe. Observava Moira caminhar até a pia, lavar as mãos e juntar-se a William no preparo daquele almoço de sábado, ocupando-se em fazer o molho.
--Tem certeza que deveria estar bebendo, Richard? – Perguntou-lhe ela, aproveitando a pequena pausa das divagações de Charles, quando ele provou do vinho.
--Por que não deveria? – Richard quis saber.
--Você deveria estar de ressaca de ontem... – Explicou-lhe ela, com um olhar de quem o pegou em uma mentira. – Sendo assim, devia se restringir a tomar água... ou suco de frutas, de preferência as frutas menos ácidas. Porque é lenda esta história de que se cura ressaca com mais álcool.
--Eu não estou de ressaca... – Richard refutou, evasivo. – Nunca sofri deste mal.
--Nossa, não sabia que estava diante de uma pessoa imune aos efeitos do álcool. – Replicou-lhe ela, sarcástica.
--Eu perdi alguma coisa? – Charles os interrompeu, confuso. Não podia imaginar o tamanho do desentendimento entre os dois àquela hora da manhã.
O silêncio por parte de ambos foi a sua resposta, então os fitou por um segundo antes de olhar interrogativamente para William. Darcy encolheu os ombros, displicente. Estava acostumado com as picuinhas entre Richard e Moira. Acreditava que Charles também deveria estar familiarizado com tal comportamento, pois, quando os conheceu, Richard e Moira já não se davam mais bem.
--Como eu estava dizendo... – Prosseguiu, então, com o seu relato sobre a loira em que se esbarrou no pub.
William passou a picar a cebola, para poder fritar juntamente com o bacon no azeite. Sua mente, no entanto, estava bastante distante dali naquele momento. Relembrava a noite insone que passara a madrugada passada. Nem mesmo as costumeiras quatro horas de sono lhe foi possível dormir.
Em sua mente ainda estava gravado a imagem daquela estranha correndo pelas ruas londrinas. E, como se isto não fosse bastante, somadas a ela estava à vívida lembrança de sentir o peso de corpo dela sobre o seu, o calor que emanava de seu corpo, o seu cheiro...
Podia ver, como se estivesse diante de seus olhos agora, o decote reto no tecido azul celeste em contraste com a pele delicada e alva, subindo e descendo no volume arfante de seus seios nos segundos em que aquela mulher esteve inclinada sobre ele. Os olhos... Olhos castanhos amendoados em fogo... O nariz arrebitado, os lábios perfeitos de uma boca carnuda... Tudo isto fazia seu estômago dar uma reviravolta incomoda e a sua boca secar.
Reviveu os minutos de indecisão, em que se perguntava se deveria tentar falar com ela. Finalmente lembrou-se de como sempre fora inepto ao flerte, o total oposto de seu primo Richard. Namorar nove anos com uma mesma pessoa o impediu de se preocupar com cantadas ou frases feitas de aproximações em uma paquera. Até mesmo antes de se envolver com Anne, por causa de seu nome e status, as mulheres é quem o paquerava.
Contudo, ali estava ele, lembrando-se de como ficou diante de uma situação em que queria que a mulher se aproximasse dele, flertasse abertamente, mas não sabia como demonstrá-lo. Sentia-se frustrado consigo mesmo, um incompetente! Por que não conseguiu ir até ela e oferecer-lhe o assento que estivera ocupando? Isto seria cavalheiresco o bastante e, certamente, quebraria o gelo e o constrangimento daquela situação.
Pegando uma frigideira, ligou o fogo e começou a fritar o bacon no azeite, até que ele ficou bem sequinho. Então, começou a acrescentar a cebola.
“Por que sei dominar uma reunião de negócios de olhos fechados, mas sou incapaz de abrir a boca diante de uma mulher bonita por quem possuo algum interesse amoroso? Até mesmo Charles se sai melhor nestas situações que eu!”, ponderou, ao ouvir o amigo repetir para Moira o momento com que se esbarrou na loira no pub.
--Diga-me uma coisa, Charles. – Pediu-lhe Moira, sorridente, ao acrescentar o tomate, o molho de tomate, sal e orégano à frigideira assim que a cebola picada estava começando a ficar transparente. – Por acaso, o seu “anjo” tem um nome?
Richard riu alto em resposta, deixando Charles constrangido.
--Você acha que ele se lembrou de perguntar-lhe isto? – Richard replicou, divertindo-se às custas de Charles.
Charles caminhou até Moira, dizendo:
--Quando uma pessoa lhe segura à mão assim... – E segurando a sua mão, em um cumprimento, olhando-a nos olhos, completou. – e diz: “Charles Bingley, é um imenso prazer me esbarrar em você!”. O normal é a pessoa responder... Dizendo-lhe, pelo menos, o seu nome.
Não resistindo à tentação de brincar com ele um pouquinho, Moira perguntou-lhe.
--Você está sugerindo que o seu “anjo” não é uma pessoa normal?
--Não. – Charles não demorou em partir em defesa da loira misteriosa. – Apenas que... ela estava nervosa... Somente isto.
--Ansiosa para se livrar de você, se quer a minha opinião. – Perturbou-o Richard.
Charles voltou para o seu banco e para a sua taça de vinho, murcho. Moira lançou um olhar fulminante a Richard, quem apenas encolheu os ombros.
--Bem, você não sabe o nome dela... Como planeja encontrá-la? – Moira tentou prosseguir com a conversa.
--Ele não tem como. – Richard replicou, simplesmente, recebendo outro olhar atravessado de Moira.
--Eu vou encontrá-la, nem que tenha de dar plantão naquele pub todas as noites! – Charles disse, decidido.
William desligou o fogo quando o tomate começou a desmanchar e acrescentou o creme de leite, pensando que talvez fosse recorrer ao mesmo método que Charles e aproveitar aquelas duas semanas em que ficará sem o seu carro para andar de metrô. Misturando o molho com o macarrão que já está recheado, colocou em um refratário e colocou o queijo mussarela ralado por cima. Enfim, pôs no forno.
Moira encheu duas taças com o vinho que Richard trouxe e entregou uma a William, provando do vinho ela mesma. Richard, notando que a garrafa de vinho estava vazia, seguiu em direção a adega de William, com o intuito de abrir outro vinho.
Escolheu uma garrafa do mais fino vinho Cabernet Sauvignon – vinho que apresenta cor rubi intensa, com aromas frutados e agradáveis, conferidos pelo envelhecimento em barris de carvalho. No paladar apresenta bom volume de boca, bom equilíbrio e maciez.
Mas sentiu a garrafa de vinho ser tirada de suas mãos. Ao procurar a sua volta, Moira estava ao seu lado e repunha o vinho na adega, escolhendo outro mais suave.
--O que há de errado com a minha escolha? – Perguntou-lhe, levemente irritado. – Por acaso não gosta do Cabernet Sauvignon?
--Eu tenho certeza que Will está guardando este vinho para uma ocasião especial. – Replicou-lhe ela, simplesmente.
--Quer ocasião mais especial que almoçar em minha companhia? – Riu-se Richard, mas não tentou mais abrir o outro vinho. – Meu primo não teve uma ocasião especial para abrir este vinho nos nove anos de relacionamento com Anne, acredita que terá uma agora? – Perguntou-lhe, em tom de confidência.
--Uma ocasião não precisa estar relacionada com mulher para ser “especial”, Richard. – Moira replicou, detendo-se em sua companhia mais um pouco.
--Na minha definição, precisa.
O almoço foi posto à mesa e os quatro sentaram-se em silêncio para degustar daquela massa. Permaneceram em silêncio por alguns minutos, até que Moira introduziu um assunto para conversarem.
--Will, você ainda está tendo problemas para dormir? – Perguntou-lhe isto, ao perceber sinais de cansaço em seu rosto.
--Sim.
--Eu pensei que houvesse consultado um médico para resolver este problema. – Comentou Charles.
--Eu consultei... – Explicou. – Mas ele queria me receitar remédios para dormir... E eu não quero ficar dependente de remédios.
--William, nenhum médico o faria ficar dependentes de remédios... – Moira o reprovou. – Tenho certeza que o tratamento deve ser monitorado para evitar justamente que isto aconteça. Você está sendo um cabeça-dura!
Darcy a fitou por um longo momento. Em ocasiões como esta, sempre identificou semelhanças da sra. Reynolds em Moira.
--O médico disse que os remédios são prescritos em dose mínima e no menor período de tempo necessário... Mas preferi tentar uma das técnicas comportamentais de que me falou a respeito... É uma espécie de tratamento alternativo. – Darcy continuou com suas explicações.
--Não tem dado certo, pelo visto. – Observou Richard.
--Eu tentei a terapia de relaxamento, mas, na verdade, eu não consigo ficar na cama e não pensar em nada, tentar deixar a mente relaxar e fazer os músculos relaxarem também... Eu fico inquieto, entediado e acabo me levantando.
Richard começou a rir.
--Dá até para imaginar... Meu primo tentando meditar. – Comentou, divertido. – Essa é boa.
--Tem também a técnica de restrição do sono... – Darcy prosseguiu como se Richard não houvesse o interrompido. – Mas eu já estou sem conseguir dormir por oito horas seguidas, não creio que diminuir as horas que consigo vá adiantar em alguma coisa. Então, estou tentando a técnica do recondicionamento.
--Que seria? – Quis saber Charles, curioso.
--Outro tratamento que ajuda as pessoas a associar a cama e o horário de dormir com o sono. Não usar sua cama para nenhuma outra atividade além de dormir.
--E quanto ao sexo? – Perguntou Richard.
--Como parte do processo de recondicionamento, a pessoa é geralmente aconselhada a ir para a cama somente quando estiver com sono. Se não for capaz de dormir, a pessoa é orientada a levantar e só voltar para a cama quando estiver com sono. – Darcy prosseguiu novamente como se Richard não houvesse se manifestado. – A pessoa também deve evitar sonecas. Eventualmente, o corpo será condicionado a associar a cama e horário de dormir com o sono.
--Pra mim, o que lhe falta é uma boa noite de sexo tórrido. – Richard comentou, erguendo as sobrancelhas sugestivamente para Charles, quem riu de seu comentário.
--Você só pensa em sexo! – Moira o recriminou mais uma vez.
--Tem coisa melhor para si pensar? – Foi a resposta que recebeu dele. – Nós, homens, não somos como vocês, mulheres, que conseguem ficar sem sexo por tempo indeterminado sem sofrer nenhuma perturbação física...
--Ou mental. – William murmurou, pensativo.
--Will?! – Moira exclamou, surpresa. Richard e Charles riram em voz alta.
--O que? – Darcy olhou para ela, surpreso; não se dera conta de que falara aquilo em voz alta.
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Elizabeth chegou a casa no fim daquela tarde de sábado exausta, após um dia longo de trabalho na loja de sapatos no centro da cidade. Passou rapidamente pela recepção da agencia de modelos e se arrependeu terminantemente. Sua mãe parecia estar lhe esperando para recebê-la com sermões.
Para a sra. Bennet, Elizabeth desperdiçava tempo naquele trabalho ao invés de estar se concentrando em sua carreira de modelo. Pouco ela sabia que Elizabeth já estava cuidando de sua carreira, embora não seja aquela que sua mãe almejara para ela.
O trabalho na loja de sapatos era apenas uma maneira segura de ganhar um dinheirinho certo todo mês. Dinheiro este que Elizabeth já tinha um emprego estipulado. Toda a vez que saia da loja em seu horário de almoço, passava enfrente a loja especializada em materiais fotográficos e namorava a câmara fotográfica Panasonic Lumix DMC G1. Faltava-lhe pouco para comprá-la.
Pensando nisso, sentia-se mais satisfeita com todo este malabarismo a que se sujeitava – tentando conciliar as horas de trabalho na loja com as sessões de foto e desfiles eventuais.
Subiu a escada até o terceiro andar lentamente, lendo um folheto que pegou nas ruas, que fazia propaganda de um curso de fotografia. O curso começa com bases fundamentais de fotografia: o estudo do instrumento fotográfico (tempos de luz, diafragma, velocidades) e o uso do quarto escuro (revelação de filmes, ampliações).
Progressivamente são estudadas técnicas de composição e enquadramento e são analisados os problemas como sensibilidade dos filmes, gramatura, o uso de filtros e sistema corretivos.
Sentiu-se extremamente interessada, mas, para poder fazê-lo, teria de juntar mais dinheiro ainda. Por enquanto, permaneceria com a ajuda de seu amigo fotografo, Luigi Wolfman. Quem, primeiramente, fizera com que Elizabeth se interessasse por esta arte.
Entrou em casa e deparou-se com um campo de guerra. Lydia e Catherine discutiam com Mary. As duas primeiras tinham o aparelho de som ligado nas alturas à sala, onde Mary tentava estudar, enquanto se arrumavam em seu quarto para ir a uma festinha de uma colega de escola.
--Não enche, Mary! – Lydia empurrou a irmã no sofá, tomando-lhe a frente do aparelho de som e aumentando ainda mais o seu volume.
--Estou tentando estudar aqui. – Mary refutou, tentando puxar a irmã e fazê-la sair da frente do rádio.
Os livros de Mary de física quântica estavam espalhados no sofá e na banqueta da sala. Era obvio que passara a tarde inteira ali, estudando.
--Vá estudar em outro lugar. – Catherine ordenou.
--Eu não posso estudar no nosso quarto, porque vocês estão lá... E não posso estudar aqui, porque vocês estão fazendo bagunça e me atrapalhando! – Mary reclamou, juntando seus livros de forma agitada.
--Vá para uma biblioteca. – Sugeriu Lydia. – Não é lá que gente do seu tipo fica?!
Mary ignorou a sua pergunta. Carregou os seus livros e seguiu em direção a porta da rua com a mochila nas costas e alguns livros em mãos. Passou por Elizabeth sem lhe dizer uma palavra e bateu a porta às suas costas.
--Já vai tarde, rata de biblioteca! – Lydia exclamou às suas costas. E logo começou a acompanhar a música que tocava na estação de rádio naquele momento. – Agora, eu tenho uma confissão... Quando era pequena, queria atenção... E prometi a mim mesma que faria qualquer coisa... Qualquer coisa pra eles me notarem...
--Lydia, você não devia agir assim com Mary. – Elizabeth a repreendeu.
--Ela é uma chata de galocha... Só pensa em estudar. – Lydia se justificou.
--Você devia pensar nisso também. – Recomendou Elizabeth.
Lydia e Catherine a fitaram como se Elizabeth estivesse dizendo um grande absurdo e decidiram ignorar os seus conselhos. Catherine voltou-se para o rádio e aumentou ainda mais o seu volume, e Lydia e ela passaram a cantar a música em plenos pulmões.
--Quando eu crescer... Quero ser famosa... Quero ser uma estrela... Quero estar em filmes... Quando eu crescer... Quero ver o mundo... Dirigir carros manerios... Quero ter fãs...
E juntas, seguiram para o quarto e continuaram a se arrumar para ir a festinha da colega de escola.
--Quando eu crescer... Aparecer na TV... Todo mundo me conhecer... Estar em revistas... Quando eu crescer... Refrescante e Brilhante... Primeiro lugar na audiência... Quando eu estiver em cena...
Ao passar pela porta do quarto das duas, viu as irmãs escolhendo seus modelitos e separando as bijuterias que cada uma ia usar. Elizabeth decidiu apressar-se a separar sua roupa e entrar no banheiro antes que uma delas o fizesse, senão não poderia tomar banho e descansar tão cedo.
Pouco depois de jantar, estava sentada a sala com seu pai e Jane, assistindo ao jornal da noite, quando o telefone tocou. O sr. Bennet ergueu-se do sofá e o atendeu. Não demorou muito para voltar-se para as duas filhas e chamar Jane. Não retornou mais para o sofá após isto; alegando que precisava corrigir alguns trabalhos de seus alunos da universidade, seguiu em direção ao seu próprio quanrto.
Jane atendeu ao telefone sorridente, mas perdeu o sorriso assim que escutou a voz ao outro lado da linha. Elizabeth imediatamente notou a mudança em seu tom de voz.
--Por que você está ligando para mim? – Ela perguntou, havia magoa em sua voz. – Conversar sobre o que? Não temos mais nada para conversar...
Elizabeth, quem estivera deitada de forma desleixada no sofá, empertigou-se e ficou atenta àquela conversa.
--Não preciso de explicação alguma. Eu vi... – Ficou em silêncio abruptamente; Elizabeth imaginou que fora interrompida pela outra pessoa. – Não... Eu prefiro... Não...
Elizabeth rezava para sua irmã ser forte, cruzando os dedos.
--Eu não sei... Acho melhor não. – Jane continuava a resistir. – Talvez... Eu... Tudo bem. – Cedeu, por fim.
Elizabeth murchou no sofá. “Ela estava se saindo tão bem!”, pensou, ao ver a irmã encerrar a ligação pouco tempo depois.
--Era Peter, estou certa? – Perguntou, quando Jane se juntou a ela mais uma vez ao sofá.
--Sim.
--O que ele queria?
--Conversar comigo. – Jane respondeu, serena. – Tentar se explicar.
--Ahh Jane, o que ele pode explicar? – Elizabeth se exasperou.
--Eu não sei, Lizzie. Mas não custa nada ouvi-lo, não é? – Jane refutou, levemente exaltada.
--Custa sim! – Elizabeth se enfureceu. – Este cara te fez de boba, minha irmã. Não permita que ele brinque de novo com você! – Aconselhou, fitando-a nos olhos. – Ele não te merece!














