Capítulo II
Oops...
Ao chegar à estação de metrô subterrânea, Elizabeth conseguiu finalmente recuperar o fôlego. Correr aqueles três quarteirões não foi nada fácil com o sapato que estava calçando. Embarcou no metrô e tentou acalmar as batidas apressadas de seu coração, pelo menos conseguiu chegar a tempo hábil para o embarque. O seu esforço valeu a pena, afinal.
Mais calma, tentou arrumar o cabelo no coque novamente. De nada ia lhe servir aparecer no ateliê de Ariel Choo descabelada. Por sorte, o metrô ainda não estava lotado e pôde encontrar um lugar em seus assentos para se acomodar.
Ao desembarcar, já recuperara a compostura e caminhou com tranqüilidade da estação até o prédio em que Ariel Choo tem instalado o seu ateliê. Um lindo e antigo prédio no centro da cidade, feito de grandes tijolos vermelhos e argamassa grossa branco, formando um lindo quadro retalhado; com porta e janelas com detalhes incrustados de madeira na cor caramelo.
Ao entrar no ateliê, encontrou a pequena recepção abandonada. Ficou ali por um momento, observando o local. O telefone ao balcão redondo no centro da sala tocava incessantemente. As poltronas de cores vibrantes e estilosas que circundavam a sala estavam desocupadas, sobre algumas banquetas estrategicamente posicionadas existiam revistas de moda cuidadosamente organizadas. E em suas paredes na cor verde lima estavam penduradas fotos de fotógrafos famosos.
Após o balcão da recepção, existiam duas portas ao fundo. Uma a levaria ao salão de costura – onde cerca de dez costureiras preparavam os modelitos desenhados por Ariel – e a outra porta ocultava o banheiro social. Um pouco afastado das portas, em um canto, surgia uma escada de ferro em espiral, que levaria ao andar superior – onde Ariel cria as suas roupas.
--Ohh, você chegou. – O recepcionista finalmente apareceu no meio de uma escada de ferro em espiral. – Ótimo! Ariel lhe aguarda. – Informou, com um tom impaciente, convidando Elizabeth a segui-lo.
A escada surgia ao meio do ateliê e Elizabeth voltou a admirar o ambiente ao seu redor. Havia um cavalete em um canto, com uma prancheta, onde Ariel fazia os seus desenhos; o dorso de um manequim nu próximo ao cavalete, no qual Ariel agora estava enrolando um tecido lindo dourado e observando o seu caimento. E, por toda parte, vários tecidos finos e coloridos espalhados sobre o sofá longo em L branco, mesa e pufes coloridos.
--Ariel, querida, olhe quem chegou. – Convidou o seu recepcionista, bajulando.
--Você está aqui. – Ariel sorriu ao ver Elizabeth, contraindo ainda mais os seus olhos orientais.
Elizabeth lembrou-se das lamentações de sua mãe na noite anterior, quando passou mais de uma hora lhe instruindo como se comportar nesta segunda entrevista. Pois, para a sra. Bennet, Elizabeth não foi contratada a partir da primeira entrevista porque agiu como sempre – opinativa e expansiva.
Com isto em mente, decidiu controlar minuciosamente o que viesse a dizer a Ariel Choo hoje. Não queria a voz da sra. Bennet ressoando em sua mente se algo desse errado desta vez.
--Bom dia, Ariel. – Elizabeth a cumprimentou.
–Bom dia. – Ariel respondeu. – Muito bem... Ótimo! – Concluiu, voltando as costas a Elizabeth e largando o tecido que tinha em mãos sobre o dorso do manequim sem muita consideração. –Bom, vamos começar então. – Disse, ao voltar-se para Elizabeth e lhe dar toda a sua atenção. – Fígaro, vá buscar Char para mim, sim. – Pediu ao recepcionista, quem sumiu prontamente, deixando Elizabeth e Ariel sozinhas.
Ariel se aproximou de Elizabeth e deu uma volta ao redor dela.
--Tire o sobretudo, por favor. – Pediu e Elizabeth obedeceu prontamente. – Hum... Gosto do seu porte físico... Era exatamente o que estava me faltando.
Charlotte apareceu neste momento, sorrindo felicíssima para amiga. Trazia consigo dois vestidos lindíssimos em cabides.
--Pegue-me o vestido que tinha reservado para Ingra... – Ariel pediu a Charlotte, pensativa.
--Mas... Eu pensei... – Charlotte começou a dizer, olhando de soslaio para o vestido que tinha em mãos.
--Os vestidos de Valentina não ficarão tão bem nela. – Ariel argumentou. – Ela tem muito... – Rindo, olhou Elizabeth dos pés a cabeça; reformulou o seu comentário. – Ela tem o corpo certo para os de Ingra...
Charlotte concordou com um curto aceno de cabeça – não iria discutir com a sua mentora, mas previa confusão com as instáveis modelos que se dão mais importância que realmente têm. Assim, retrocedeu seus passos e deixou Ariel a sós com Elizabeth novamente.
Quando retornou, trazendo os vestidos certos, Ariel fez Elizabeth prová-los e começou a fazer os ajustes. Depois mandou Charlotte buscar outros modelos específicos para Elizabeth experimentar, já imaginando mentalmente a ordem cronológica dos modelos com que desfilaria e reorganizando suas criações sobressalentes entre as demais modelos.
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O Táxi parou enfrente ao Swiss Re Tower, William pagou pela corrida e saiu do táxi, entrando no prédio. Cumprimentou o segurança à entrada do prédio e seguiu em direção ao elevador. Ao seu redor, as pessoas andavam apressadas, com os seus afazeres diários.
Acionou o elevador e aguardou que as suas portas se abrissem. Uma jovem bem vestida parou ao seu lado e ele notou que ela o observava com o canto do olho – sorrindo consigo mesma. Ele ignorou isto, como vinha fazendo nos últimos dias. Estava cansado daqueles comportamentos de flerte entre suas companheiras de trabalho – sejam eles diretos e ousados, como os de Caroline Bingley, ou tímidos e retraídos, como o desta jovem mulher parada ao seu lado.
Desde que as revistas o declararam “disponível”, Caroline, irmã de seu sócio e amigo, aumentou as suas atenções para com ele. Quando namorava Anne, Caroline mantinha uma postura mais polida e educada. Mas agora que ele estava solteiro, parecia estar determinada a conquistá-lo e acabar definitivamente com a sua solteirice.
As portas do elevador se abriram e ele entrou, sendo acompanhado pela jovem mulher. Ela continuou a olhá-lo de soslaio, sorrindo. William odiava estas situações. Continuou a ignorá-la e observar o progresso do elevador em cada andar. No 5º andar, as portas se abriram e três homens entre seus 40 e 50 anos entraram no elevador, cumprimentando os ocupantes deste rapidamente e prosseguiram com uma conversa particular sobre seus negócios. William sentiu-se aliviado com a presença de mais pessoas naquele elevador – aquele silêncio e os olhares da jovem dama o estava deixando tenso.
O elevador parou ao seu andar e ele pode finalmente seguir em direção a Darcy & Bingley Association. Passou rapidamente pela recepção, cumprimentando brevemente a recepcionista, a Srta. Margot Keston, e seguiu em direção a sala de reuniões.
O salto alto agulha negro, aquelas pernas longas e torneadas, o pequeno pedaço de pano no tom azul celeste levemente enrugado na altura das coxas. O leve balançar das laterais do sobretudo branco ao vento, os poucos fios de cabelo castanho que assumiam um tom dourado sobre a luz do sol recaindo na altura do queixo...
--Sr. Darcy? – Moira tentava ganhar a sua atenção. – Will?! – Exclamou, impaciente.
--Sim. – William respondeu, despertando de seu devaneio.
Charles estava sentado à cadeira enfrente a sua mesa de vidro transparente, observando-o com um olhar engraçado. Moira estava de pé ao seu lado, oferecendo-lhe suas anotações correspondentes à reunião que acabara de sair.
--Obrigado, Moira. – William respondeu, aceitando-as e tentando focar os seus olhos naquele pedaço de papel.
--Você tem certeza de que está se sentindo bem, Darcy? – Questionou-lhe Charles. – Você não sofreu uma concussão com a colisão desta manhã? Você esteve em algum hospital para fazer os exames necessários?
--Bingley, eu estou perfeitamente bem. – Replicou, concisamente.
--Você está distraído demais... Sequer prestou atenção na reunião desta manhã. – Seu amigo refutou. – Eu precisei conduzi-la praticamente sozinho...
--Não fez mais de que a sua obrigação. – Darcy rebateu, conclusivo.
Sabia que esteve distraído durante toda a reunião e dava graças a Deus por Moira sempre fazer os seus relatórios muito detalhados; pois se fosse contar com Charles para mantê-lo informado, estariam perdidos.
Piscou os olhos duas vezes, para apagar da mente a imagem das pernas daquela desconhecida. Odiava admitir, mas começou a crer que o seu primo Richard tinha razão. Abstinência sexual estava começando a enlouquecê-lo. Não podia se permitir ficar se distraindo assim no trabalho.
Forçando-se a se concentrar, leu pela terceira vez o mesmo parágrafo das anotações de Moira. Frustrado, guardou as anotações em sua maleta e preparou-se para ir almoçar com Charles. Precisavam estar de volta ao escritório cedo para se prepararem para a segunda reunião. Quem sabe até lá encontrasse a sua concentração.
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Pouco após o fim daquela manhã, a entrevista foi encerrada. Ariel pediu a Charlotte para encaminhar os modelos de volta para as costureiras no andar de baixo, já com os ajustes devidamente anotados, e marcar um dia na semana seguinte para a prova final. Assim como marcar com determinadas modelos para virem ao ateliê, caso seja necessário fazer ajustes nos vestidos delas também.
Por fim, pediu a Charlotte para encaminhar Elizabeth ao fotografo por ela contratado e voltou a se ocupar com o tecido abandonado sobre o torso do manequim.
Elizabeth seguiu Charlotte pensando em como aquela “entrevista” tinha transcorrido melhor do que imaginava. Não gostava muito de permanecer em silêncio e, em vários momentos, teve vontade de se expressar efusivamente. Mas conseguiu controlar a sua língua e agora se sentia satisfeita consigo mesma. Sairia dali contratada para desfilar, a sra. Bennet ficará muito contente.
Charlotte guiou Elizabeth ao andar de baixo, confidenciando-lhe as fofocas de última hora.
--Valentina Leech... – Modelo qual Elizabeth estava substituído de última hora naquele desfile. – se envolveu com o fotografo no inicio das contratações... Parece-me que, recentemente, pegou-o numa “sessão de fotos” particular com outra modelo e criou o maior barraco. Tanto fez, que tornou impossível continuar trabalhando com Ariel... Ela não gosta destes escândalos!
Informou-lhe com tranqüilidade; nunca escondeu sua grande admiração por sua mentora.
--Por fim, Ariel me pediu para contatá-la, porque a adorou na primeira entrevista... Somente não a contratou porque seus patrocinadores acharam melhor contratar um rosto conhecido... – Argumentou, condescendente. – Mas, agora que este “rosto conhecido” causou problemas, não poderão mais interferir nas escolhas de Ariel! – Concluiu, voltando a sorrir com entusiasmo.
Não era a primeira vez que Elizabeth perdia uma oportunidade de desfilar por razões similares – estilistas e patrocinadores preferiam contratar modelos mais famosas – por isto não se surpreendeu com tal revelação de Charlotte. Mas sentiu-se lisonjeada ao saber que fora a primeira escolha de Ariel Choo desde o começo, contrariando a idéia de sua mãe de que fora a sua personalidade que a desfavoreceu.
--Oh, Lizzie, cuidado com o fotografo. – Alertou a amiga, ao guiá-la a saída do prédio.
--Char! – Elizabeth riu. – Você me conhece bem.
--Sim. – Charlotte concordou. – Mas ele tem uma fama que o precede! Cuidado!
Elizabeth riu, maliciosamente, pensando que ele devia ter cuidado com ela e não o contrário. E Charlotte pareceu ler seus pensamentos, porque exclamou.
--É disso que estou falando! – Apontando-lhe um dedo acusador.
Elizabeth riu e disse.
--Eu serei boazinha, prometo. – Seguindo o seu caminho.
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Ao retornar ao escritório, William estava se sentido mais como ele mesmo. Recolheu-se atrás de sua mesa de trabalho e releu as suas anotações para a reunião que ocorreria em alguns minutos. Não poderia se dar o luxo de sonhar acordado durante esta reunião, não podia deixar nas mãos de Charles a obrigação de conduzi-la também.
A segunda reunião transcorreu com tranqüilidade, com William conseguindo desempenhar o seu papel com a devida perfeição. Charles logo esqueceu-se de sua prévia distração àquela manhã e prosseguiu com os seus afazeres sem tocar mais no assunto.
Após a reunião, no entanto, William retornou ao seu escritório com o intuito de começar a trabalhar em alguns contratos, mas acabou perdendo-se em pensamentos com aquela desconhecida mais uma vez. Voltando a sua cadeira de costas para a mesa, fitando a grande janela com a vista da cidade abaixo, permitiu-se relaxar.
Antes que percebesse, o sol estava se pondo e Charles estava entrando em seu escritório, perguntando-lhe se o acompanharia a um pub para um drinque de fim de expediente. William recusou o convite, alegando cansaço e arrumou suas papeladas em sua pasta. Precisava ir para casa e tentar recuperar o tempo perdido em devaneio, colocar a sua mente de volta no lugar.
Ambos despediram-se de Moira e da recepcionista, entrando no elevador. Charles comentava com empolgação sobre o projeto que já começara a desenvolver com a equipe de criação para o cliente da reunião daquela manhã, mas Darcy continuava perdido em pensamentos com aquela estranha.
Charles ofereceu-lhe uma carona, já que William estava sem transporte. Mas Darcy recusou a sua oferta pela segunda vez. Queria caminhar um pouco, tentar arejar a cabeça. Por isto, desceu do elevador no térreo e caminhou em direção a saída do prédio. Passou rapidamente pela entrada, cumprimentando o recepcionista e ganhou as ruas de Londres.
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Elizabeth não teve muito tempo para comer ao sair do ateliê de Ariel. Comprou um lanche rápido em uma lanchonete de esquina e o devorou em poucos minutos, pensando que se a sra. Bennet a visse comendo porcaria sofreria um ataque de nervos.
Chegou ao estúdio fotográfico no meio daquela tarde. O fotografo, Daniel Beckett, estava terminando uma sessão de fotos. Seu assistente, Carter foi quem recebeu Elizabeth, apresentando-a ao fotografo assim que teve uma oportunidade.
Elizabeth não teve problemas em identificar os motivos pelo qual o fotografo tem uma fama de mulherengo. Durante os minutos que o observou trabalhando, o viu flertar descaradamente com a modelo que fotografava.
E, por fim, quando foi apresentada a ele e lhe explicou o motivo de estar ali, não deixou de ser elogiada profusamente por ele. O charme natural com que se portava e a sua espontaneidade a deixaram a vontade com ele em cercas de segundos e logo conversavam aos sorrisos. Não teve dúvidas de que ele sabia muito bem como conquistar uma mulher somente com sua lábia.
Mas, após o primeiro momento, ele logo assumiu uma postura mais profissional e passou a lhe explicar o que fariam. Ariel, conhecida por suas inovações em seus desfiles, pensou que seria interessante se fizessem fotos das modelos com alguns de suas criações, além de um vídeo em preto e branco da sessão de fotos. Durante o desfile, o vídeo e as fotos seriam exibidos por telões estrategicamente posicionados ao longo da passarela.
Por fim, informou-lhe que esta tarde apenas fariam um ensaio fotográfico. Marcando o dia da sessão fotográfica para a semana seguinte, quando já estivesse com algumas das criações de Ariel a disposição. E começaram a trabalhar.
Ao deixar o prédio do estúdio fotográfico, o sol já se punha.
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William não conseguia se lembrar da última vez em que realmente andara pelas ruas de Londres – provavelmente, ainda estivesse na universidade. Tranquilamente, seguiu a rua até encontrar um acesso ao metrô subterrâneo. Entrou no metrô juntamente com vários outros cidadãos que também retornavam para suas casas após um dia exaustivo de trabalho.
Sentou-se em um banco próximo a uma das portas e abriu a sua maleta. Tentou ler as anotações de Moira da primeira reunião, para, quem sabe, conseguir fazer algum sentido dos comentários de Bingley quanto ao projeto que já iniciara. Mas sem ter sucesso. Agora que já não tinha a pressão de uma reunião iminente, a sua mente se negava a focar-se no que era importante.
Viu-se distraidamente observando as pessoas ao seu redor. Ali se encontravam todos os tipos de pessoas: homens e mulheres de negócios, com seus ternos sombrios e maletas de couro; jovens estudantes, com suas mochilas e livros a mão; empregados de empresas de construção, suados e exaustos do dia de serviço; e punks desocupados, com suas roupas esquisitas, corpos cheios de tatuagem e piercings.
Sacudindo a cabeça, reprovativamente, para as coisas que as pessoas se submetem, guardou seus papeis na maleta. Ficou ali, olhando para o vazio, sem conseguir apagar de sua mente a visão daquelas pernas. Começou a contar mentalmente há quanto tempo não tinha relações físicas com uma mulher.
Estivera viajando por dois meses a negocio antes do seu trigésimo aniversário. E, quando retornou de viajem, o único contato físico que teve com sua ex-namorada foi um leve roçar de lábios em cumprimento ao encontrá-la. Ela organizou uma festa de aniversário surpresa para ele e nesta mesma ocasião os dois discutiram por causa de sua recusa em se comprometer com ela para uma vida inteira. Anne foi embora de seu apartamento zangada com ele. E no dia seguinte, pusera um fim definitivo na relação.
De forma que, estava sem fazer sexo há três meses e dez dias. Não era de se admirar que o seu desejo esteja latente e uma estranha qualquer possa lhe tirar do sério unicamente por possuir lindas pernas.
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Enquanto aguardava o metrô em sua estação, Elizabeth sentiu o seu celular vibrar em sua bolsa. Retirou-o desta e viu em seu visor que se tratava de Jane.
--Oh, Lizzie, você não ligou. Como foi tudo?
--Oi, querida, eu já estou a caminho de casa. – Informou-lhe, feliz. – Conto-lhe assim que chegar... Adianto, apenas, que deu tudo muito certo.
--Eu sabia que daria. – Jane afirmou. – Mas não estarei em casa quando chegar. Porque não se encontra comigo naquele pub de que lhe falei? Devemos comemorar o seu sucesso! – Soando bastante animada.
--Você está indo se encontra com ele, não é? – Perguntou-lhe, soando contrariada. – Peter Firestone. – Nunca chegou a gostar dos namorados de Jane, este em particular.
--Sim, Lizzie, vou me encontrar com ele. – Jane confessou; sabia o que Elizabeth pensava a respeito de seu namorado, mas preferiu não se ofender por isto. – Ele me ligou hoje cedo, convidando-me para almoçar com ele... Mas não pude ir, estava tão ocupada... Peter soou tão triste... Não nos vemos há tanto tempo. Estou com saudades dele, como sei que ele sente de mim. – Por fim, soava melancólica. –...Então, decidi surpreendê-lo hoje a noite. Sei onde ele vai estar e irei vê-lo! – Continuou, excitada. – Não acha uma boa idéia?
--Eu não sei. – Suspirando, conformada, disse. – Devo lhe esperar acordada para conversarmos?
--Não, querida. Durma. – Jane respondeu. – Não sei se... – Mas não completou a frase.
--Jane, não! – Elizabeth exclamou, assustando as pessoas ao seu redor que também aguardavam o metrô. – Não pode, é muito cedo!
--Lizzie, estamos namorando há mais de três meses! – Jane argumentou, um pouco exasperada.
--E você só saiu com ele umas... cinco, seis vezes?! – Refutou.
--Porque somos muito ocupados. – Argumentou sua irmã, defensiva. – Mas conversamos com muito mais freqüência por telefone, trocamos e-mails... Eu confio nele.
--Como pode confiar nele? Ele sequer diz às pessoas que está lhe namorando! – Rebateu Elizabeth, enraivecida.
--Ele está tentando proteger nossa relação dos tablóides... – Explicou-se. – Você sabe muito bem que nós dois somos figuras públicas e não fica bem para nenhum de nós termos nossas vidas discutidas em revistas de fofocas! – Jane justificou.
Elizabeth, às vezes, odiava a ingenuidade de sua irmã, quem propositalmente só enxerga o lado do bom das pessoas. Sempre foi assim com todos os seus namorados, confiante e inocente. Acreditando em todas as suas mentiras e sempre terminado com o coração partido. Com Peter Firestone não é diferente. Elizabeth cansou de contar o número de “amigas” com as quais ele aparece em colunas de fofoca, sendo que Jane é apenas mais uma delas.
--Espero que você saiba o que está fazendo. – Enfim, disse. – Eu preciso desligar, querida, vou embarcar no metrô.
--Tudo bem. – Jane soou desanimada.
--Divirta-se. – Elizabeth desejou-lhe, sinceramente; queria com todas as suas forças que sua desconfiança estivesse errada e Jane fosse feliz.
Fitou o celular em suas mãos por alguns segundos, ligeiramente decepcionada. Então, decidindo não se deter com pensamentos ruins, guardou o celular na bolsa. Quando o metrô abriu as suas portas, Elizabeth entrou.
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Após uma breve parada, um par de sapatos scarpin de cetim preto parou a sua frente. William continuou a olhar para aquele par de sapatos, mas sem realmente vê-los, quando o metrô voltou a se mover.
Quando o metrô parou em mais uma estação. As portas foram abertas e mais pessoas embarcaram. Parecia-lhe que o ambiente estava começando a ficar ligeiramente abafado. Havia muitas pessoas ao seu redor, de pé. Ele mal podia enxergar além das pessoas diretamente a sua frente.
Na próxima estação, houve uma comoção grande de pessoas embarcando. E quando este se pôs em movimento mais uma vez, algo totalmente inesperado lhe ocorreu. A dona do par de scapin de cetim preto girou em seus calcanhares em um ângulo muito estranho e caiu sentada em seu colo.
William, surpreso, se sobressaltou. Mas nenhum dos dois sabia exatamente o que fazer durante os segundos seguintes. Ele permaneceu sentado com aquela estranha em seu colo, tentando compreender o que estava acontecendo. Sentindo o peso do corpo quente dela sobre o seu e o aroma cítrico que emanava do pescoço daquela senhora – o estômago deu uma reviravolta incomoda.
A estranha recuperou-se do susto mais rápido que ele e tentava se levantar de seu colo, sem muito sucesso. Não conseguia alcançar nada para se apoiar, para auxiliá-la a se içar de seu colo. William levou as duas mãos até a sua cintura, por sobre o seu sobretudo branco, e a ajudou a se erguer.
Quando a mulher voltou-se de frente para ele, desculpando-se repetidas vezes pelo ocorrido, voltou a perder o equilíbrio e cair sobre ele. Desta vez, no entanto, apoiou as duas mãos sobre o ombro de William e segurou-se a certa distância de seu corpo.
Foram os segundos mais longos de sua vida, enquanto olhava para um par de olhos castanhos amendoados em fogo bastante próximos dos seus, tendo aquela mulher inclinada sobre ele. As suas bochechas estavam em um tom escarlate, contrastando perfeitamente com a sua boca carnuda devidamente delineada com um batom neutro. Alguns fios de cabelo castanhos dourados caiam por sobre o seu rosto, um deles estando preso ao canto de sua boca.
--Mil perdões! – Ouviu a sua voz macia dizer, quando ela finalmente recuperou o equilíbrio e ficou ereta.
William finalmente absorveu a imagem daquela mulher a sua frente. O rosto delicado, com traços femininos acentuados. O pescoço esguio, alvo, amostra por causa do coque em que seu cabelo estava preso. O sobretudo alvo entreaberto, deixando avista um vestido azul celeste justo que terminava na altura dos joelhos.
Ele só conseguiu fazer a conexão quando a mulher lhe dava as costas e se afastava dele com dificuldade, tentando passar por entre outros passageiros. Ela parou ao outro lado do metrô, próxima a porta de acesso, permanecendo de costas para ele.
Mas, por duas vezes, virou o rosto de lado e tentou vê-lo com o canto de olho – permitindo que William observasse o seu rosto de perfil, suas bochechas continuavam num vermelho escarlate. Era a mesma mulher daquela manhã, ele não tinha dúvidas.














