Citações

Seus olhos erravam por aqui, por lá, por toda a parte, maravilhados. Ela viera para ser feliz, e já se sentia feliz.(Jane Austen)

Conto de Final de Ano: Loucuras de Amor

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“Amei ao ponto da loucura.

Mas o que é considerado loucura é,

para mim, ”a única maneira sensata de amar.”

Françoise Sagan

 

Loucuras de Amor

 

24 de dezembro, 22H 42min

            Elizabeth olhou-o, incrédula; o que ele poderia estar pensando ao lhe fazer aquela proposta? Ajoelhando-se a seus pés enfrente de toda a sua família daquele jeito!

--Jerry, por favor, levante-se. – Ela sussurrou, olhando a sua volta constrangida e notando que todos estavam a observá-los. – É melhor conversarmos em outro lugar. – Sugeriu.

            Ele continuou na mesma posição, lançando-lhe um olhar mesclado com doçura e desespero.

--Eu quero uma resposta. – Jeremy pediu. – Lizzie, eu te amo... Case-se comigo! – Erguendo um pouquinho mais a mão que segurava a caixinha com as alianças de compromisso. – Case-se comigo. – Ele repetiu insistente.

--Diga “sim”! – Sua mãe urgiu.

            As bochechas de Elizabeth queimaram.

--Eu... – Ela precisou engolir o nó em sua garganta para responder. – Eu não posso! – Diante de olhar chocado de Jeremy e o muxoxo escandaloso de sua mãe, apressou-se a continuar a falar. – Vamos conversar em outro lugar, eu posso explicar.

--Ah... Então, há uma razão para você não querer se casar comigo?! – Ele inquiriu sarcástico.

--Por favor, vamos conversar em outro lugar. – Elizabeth implorou, sussurrando.

            Ouviu os risinhos abafados de suas irmãs mais novas, Lydia e Kitty. E, ao olhar em sua direção, viu a expressão bestificada de Mary diante do que presenciava. Mas nada a deixou mais constrangida do que ver Charles Bingley, o marido de sua irmã Jane, brincando com o enfeite da árvore de Natal para fingir que não estava ouvindo aquela conversa embaraçosa.

--Diga: por que não? – Jeremy interrogou, pondo-se de pé e fitando-a nos olhos com fúria.

--É muito cedo... Nós não namoramos sequer há um ano. – Elizabeth justificou-se, contrariada com sua atitude.

--Mas nos conhecemos há mais de dois. – Ele retorquiu inconformado.

--Eu... É cedo demais! – Elizabeth repetiu, sem saber mais como argumentar. – Eu preciso pensar direito... – Disse, tentando remediar a situação.

--Tudo bem. – Ele disse, zangado, caminhando em direção a porta da rua.

--Jerry, onde está indo? – Elizabeth o seguiu.

--Para casa. – Ele respondeu, sem voltar-se para olhá-la. – Ligue para mim quando tomar uma decisão definitiva. – Disse, ao sair e bater a porta.

25 de dezembro, 09H 05min

            Charles ligou para o seu melhor amigo, William Darcy.

--Tenho uma novidade para lhe contar...

25 de dezembro, 14H 32min

            Jane entrou no quarto da irmã. Aproveitando que sua mãe e irmãs mais novas estavam organizando a cozinha após o almoço de Natal em família, e seu marido estava conversando com o seu pai na sala.

            Queria conversar com Elizabeth sobre Jeremy. Não tivera a oportunidade de fazê-lo na noite anterior. Viu o quanto sua irmã ficou chateada com a atitude do namorado e, mais ainda, com o comportamento de sua mãe. Que não esperou muito tempo após a partida repentina de Jeremy para recriminar Elizabeth por recusar o pedido de casamento.

--Vocês conversaram?

--Eu tentei conversar com ele, mas Jerry não quis ouvir. – Elizabeth disse. – Ele está zangado... Sentindo-se humilhado. – Justificou sua atitude. – Mas como pode ser minha culpa? Eu não pedi para ele se ajoelhar na frente de todo mundo e me pedir em casamento! – Resmungou, exasperada.

--Você ainda não tem certeza do que quer? – Jane perguntou-lhe.

--Eu gosto dele. – Elizabeth tentou se explicar. – Você sabe que éramos amigos antes de sermos namorados e eu gosto dele. Gosto muito... Mas nunca me imaginei... Casando com ele. Sabe?

Jane concordou com um sutil aceno de cabeça.

--Eu não o amo. – Elizabeth acrescentou.

            As duas ficaram em silêncio por um tempo.

--E mamãe não entende isso. Ela só pensa em nos ver casadas! – Elizabeth voltou a reclamar.

Depois de permitir que a irmã continuasse a reclamar de sua mãe por alguns minutos, Jane disse.

--Eu estava pensando... – Hesitante. – Na verdade, Charles sugeriu... Que façamos uma viagem. – Jane propôs cautelosa. – Ele estava planejando tirar férias em janeiro e irmos para o Brasil. Mas, depois de ontem, concordamos que poderíamos antecipar a viagem para agora. Romper o ano na praia... Por que você não vem junto?

--E atrapalhar as férias dos pombinhos?! – Elizabeth questionou irônica. – Nem pensar!

--Você sabe que não vai atrapalhar. – Jane rebateu. – Teremos tantas coisas para ver e fazer lá, que sequer vamos notar a sua presença. – Brincou, fazendo a irmã rir. – Vamos! Assim você terá tempo para pensar melhor, sem a nossa mãe resmungando em seu ouvido.

--Tudo bem. – Elizabeth cedeu.

25 de dezembro, 22H 15min

--Ela topou. – Charles disse, ouvindo um suspiro de alívio do outro lado da linha. – Você planejou tudo?

            Jane surgiu à porta do escritório do marido e ficou a escutar a conversa que ele estava tendo ao telefone. Quando Charles encerrou a ligação, Jane disse.

--Eu espero que isso dê certo. Eu não quero ver a minha irmã se machucar... De novo.

--De novo? – Charles questionou curioso.

            Mas Jane não explicou a que se referia; então, ele prosseguiu.

-- Fique tranqüila. Vai dar certo. – Charles garantiu. – Ele já planejou tudo.

30 de dezembro, 05H 20min

Elizabeth acordou com o celular tocando. Desligou o despertador e espreguiçou-se na cama. Perguntava-se como se voluntariara a acordar de madrugada e sair da cama numa manhã fria como aquela.

Relutante, saiu da cama e seguiu para o banheiro. Depois de tomar um bom banho quente, tratou de vestir-se. Charles a prevenira que o clima no Brasil seria quente, já que os brasileiros estão curtindo o verão.

Por isso, vestiu uma blusa regata branca por baixo do suéter azul marinho e colete de linho creme. E deixou separado o, sobretudo negro ao lado da mala. Afinal, ainda teria de sair nas ruas londrinas em meio à neve para ir ao aeroporto.

    Ao entrar na cozinha, encontrou o seu pai já de pé.

--Fiz o café para você. – O Sr. Bennet esclareceu.

            Tomaram o café juntos com o resto da casa em completo silêncio. Sua mãe e irmãs mais novas não se deram o trabalho de acordar cedo para despedir-se dela. Pelo contrário, Lydia estava até chateada com a sua viagem. Pois queria ter sido convidada pelo cunhado para ir ao Brasil também.

--Aproveite estes dias para descansar e pensar com calma no que quer. – Seu pai lhe aconselhou, ao se despedirem à porta de casa; enquanto Charles colocava a mala de Elizabeth no carro. – No que você quer e não no que os outros esperam de você. Esta é uma decisão sua. É a sua felicidade que está em jogo.

Dando-lhe um beijo na testa e um abraço apertado, enxotou-a de casa.

30 de dezembro, 7H 10min

            No London Gatwick Airport, os três embarcaram no avião com destino a Lisboa. Onde tomarão outro avião para o Brasil.

O vôo de duas horas e quarenta minutos foi tranqüilo e pousou no Aeroporto da Portela de Sacavem às 9 horas e 50 minutos.

Como o outro vôo estava programado para sair dentro de uma hora e meia, os três aproveitaram para almoçar e passear por dentro do aeroporto.    

30 de dezembro, 11H 20min

            Cinco horas e cinqüenta e cinco minutos de vôo. Elizabeth planejara gastar aquele tempo lendo um bom livro. Mas, na verdade, apenas leu cinco páginas e deixou-o de lado. Passando o restante do tempo analisando aquilo que justamente se prometera em não pensar.

            Quando Jane lhe perguntou por que não aceitou o pedido de casamento de Jeremy, Elizabeth falhou em lhe contar o verdadeiro motivo. A razão por detrás de seu maior tormento.

            A verdade era que quando viu Jeremy ajoelhado a sua frente e fitou aqueles olhos negros marcantes, foi um par de olhos azuis intensos que surgiu em sua memória. Quando ele disse que a amava, foi a voz rouca de outro que soou em seus ouvidos. E foi a outra pessoa a quem ela disse “sim” em sua mente.

            William Darcy.

            Ela odeia este homem! Então, por que ele não saia de sua cabeça?!

            Quando Elizabeth conheceu o melhor amigo de Charles, eles não se deram muito bem. Darcy fez um comentário grosseiro a seu respeito, o qual ela entreouviu sem ter a intenção, e qualquer boa disposição que Elizabeth poderia dirigir a sua pessoa se evaporou rapidamente.

            Foi um processo muito lento para Elizabeth conseguir tratá-lo com educação e cortesia. E ainda mais longo para que o olhasse com respeito e admiração. Mas, enfim, meses após o casamento de sua irmã Jane com Charles, ela voltou a reencontrá-lo em uma viagem pelo interior da Inglaterra que fizera com os seus tios Gardiners.

            Foi então que tudo mudou. Em uma tarde, embaixo de uma árvore, ela soube. Ele havia a encantado, conquistado e seduzido com um único sorriso. E a enlouquecido com um único beijo.

            Ela voltou para Londres contente, acreditando que eles voltariam a ver-se. Ele estaria viajando para a Suíça a negócios nas próximas semanas, mas prometera que ligaria. E, assim que voltasse a Londres, a procuraria.

            Mas não cumpriu nenhuma dessas promessas!

            Foi aí que Elizabeth decidiu dar uma oportunidade a Jeremy. Um colega de trabalho que se tornou um grande amigo. Ela sabia que ele gostava dela mais que como uma amiga. Mais de uma vez insinuara que desejava aprofundar a relação. E, por fim, ela cedeu aos seus apelos.

            Mas nunca lhe ocorreu que um dia ele lhe faria esta proposta. Eles se divertiam muito juntos, mas ela não chegou a apaixonar-se verdadeiramente por ele durante estes meses de namoro. E agora não sabia o que fazer. Não queria magoá-lo.

30 de dezembro, 17H 15min

            O avião pousou no Aeroporto Internacional Deputado Luiz Eduardo Magalhães, na cidade de Salvador. Os tons de laranja e lilás pintavam o céu naquele fim de tarde, quando os três deixaram o aeroporto e tomaram o carro de aluguel até o litoral do sul da Bahia.

            Elizabeth estava ansiosa para chegar, mas Charles informou-lhe que o percurso de Salvador até Itacaré[1], pequena cidade da Costa do Cacau, ainda seria longo.

            Eles pararam em um restaurante em um posto de gasolina na metade do caminho e jantaram. Já passara das oito horas da noite quando chegaram a Itacaré e, ainda assim, precisaram tomar uma embarcação para chegar até a casa de veraneio em que ficariam hospedados.

[1] *Itacaré guarda inúmeras belezas naturais e culturais. Praias cercadas de Mata Atlântica convivem com construções do período colonial e casarões do início do século XX. Os surfistas procuram suas praias de ondas fortes, enquanto os ecoturistas encontram em Itacaré praias desertas com acesso por trilhas, além de cachoeiras no meio da mata.

--Não é muito longe. Acho que são só vinte minutos de barco até a casa. – Charles esclareceu às duas mulheres.

--Fica numa ilha... A casa? – Elizabeth perguntou.

--Não. É de difícil acesso, apenas. Para ter mais privacidade, sabe como é. – Charles apressou-se a dizer. – O caminho por terra é feito por uma trilha entre a mata fechada. É mais fácil para nós irmos de barco.

            Quando já estavam no barco, a caminho da casa, Elizabeth percebeu que não estava incomodada com aquele novo meio de transporte. O balançar da lancha entre as ondas, o vento no cabelo e o céu negro estrelado serviram perfeitamente para aliviar o estresse daquela longa viagem. Ela podia jurar que nunca vira um céu tão estrelado antes.

            Ao chegar a casa, não teve vontade de fazer um tour. A única coisa que realmente desejava era tomar um banho refrescante e cair na cama.  

31 de dezembro, 02H 12min

            Darcy não conseguia dormir. Como poderia dormir, sabendo que ela estava no quarto ao lado?!

            Depois de andar de um lado para o outro, indo até a varanda e voltando até a porta do quarto, decidiu sair dali. Abriu a porta do quarto e saiu pelo corredor. Uma volta pela praia deserta, sentindo a brisa noturna, acalmaria o seu espírito.

            Mas, vinte minutos depois, estava de volta. Parado diante da porta do quarto dela. Após uma luta interna furiosa, entrou no quarto fazendo o mínimo barulho possível e fechou a porta. Contornou a cama e aproximou-se dela.

            A visão que o acolheu foi de tirar o fôlego. A coberta estava embolada em suas pernas, deixando uma das coxas exposta. A camisola de seda branca de alcinhas de rendinha deixava os ombros praticamente nus. Os cabelos longos, castanhos escuros e ondulados estavam espelhados pelo travesseiro.

            Darcy sentou-se na beirada da cama e fitou o seu rosto. Os olhos fechados, a boca carnuda e avermelhada levemente aberta. Darcy não resistiu àquela tentação e acariciou o seu rosto. Ela não se mexeu.

            Confiante com este fato ou, talvez, impulsionado pela curiosidade em descobrir qual seria a sua reação se despertasse e o encontrasse ali, inclinou-se sobre o seu corpo e selou os seus lábios com um beijo.

            Quando se afastou e fitou os seus olhos novamente, encontrou-os abertos. Com o coração palpitando em seu peito, afastou-se mais um pouco, vendo-a piscar os olhos e murmurar:

--William? – Sonolenta. 

            Então, fechou os olhos e virou-se na cama, voltando a dormir profundamente.

31 de dezembro, 09H 07min

            Elizabeth acordou e espreguiçou-se. Ah adorava a sua cama. Aquele colchão imenso e macio. Poderia passar o dia inteiro nela, mas uma olhada na direção da porta da varanda a fez erguer-se da cama. O dia estava lindo e lá fora o mar azul a esperava.

            Depois de tomar banho e trocar a roupa, saiu do quarto a procura de sua irmã e cunhado. Somente agora pôde dar uma boa olhada na casa, esta feita toda de madeira. De suas grandes janelas e portas de vidro, via-se a mata fechada a sua volta. Vegetação densa, grandes árvores e coqueiros. O canto de passarinhos e outros ruídos dos animais silvestres pareciam vir de dentro da própria casa.

            Atravessando cômodo a cômodo, encontrou a cozinha. Uma senhora nativa estava lá. A recebeu com um grande e caloroso sorriso, e palavras em um idioma que Elizabeth não compreendeu.

            Elizabeth tentou lhe perguntar por sua irmã e cunhado, mas não saberia dizer se a senhora a entendera tampouco. Ela continuava a lhe falar naquele idioma estranho e gesticulando.

            Percebendo que não estava se fazendo entender, guiou Elizabeth até outro cômodo. Uma mesa de café generosa estava disposta com uma grande variedade de frutas, sucos, pães e bolos.

            Quando Elizabeth acomodou-se a mesa, a senhora continuou a lhe falar. Apontando para uma porta que a levaria a uma varanda com vista para o mar. Elizabeth deduziu que ela estava tentando lhe dizer que a sua irmã e cunhado tomaram o café e já se encontravam na praia àquele momento. Recomendando-a fazer o mesmo e ir ao seu encontro.

            Assim que terminou de tomar o café, Elizabeth atravessou a porta que a levaria à varanda. De onde estava, podia ver o píer por onde desembarcara na noite anterior. A praia deserta ficava um pouco mais além.

            Elizabeth estava caminhando pelo píer, observando a praia ao longe, procurando por Jane e Charles, quando notou um movimento no final do píer – onde uma lancha estava ancorada. Decidiu caminhar naquela direção.

            Quando estava quase alcançando o fim do píer, duas mãos surgiram da água e içaram um homem para cima do píer. Os cabelos negros molhados recaindo na testa, o peitoral largo e esculpido despido, as longas e musculosas pernas em exibição...

            Elizabeth ficou paralisada, boquiaberta, fitando-o longamente. O seu cérebro parecia ter parado de funcionar. A única coisa que ela era capaz de fazer naquele instante era olhá-lo e babar.

            Darcy ergueu-se e sacudiu os cabelos. E Elizabeth perdeu-se a acompanhar o progresso de uma gota de água que percorria o seu peitoral, contornava o seu abdômen sarado e desaparecia na linha de sua sunga.

            Era culpa inteiramente do Sol escaldante o fato de ela estar sentindo aquele calor dominar o seu corpo todo e torrar os seus miolos!

--Oi! – Ele disse, não parecendo nem um pouco surpreso com a sua presença ou incomodado com o seu olhar fixo em seu corpo.

--Oi! – Elizabeth cumprimentou-o, assustada, ao despertar de seu devaneio. – O que você está fazendo aqui? – Exigiu saber, assim que recuperou o controle sobre si mesma.

--Esta é a minha casa de veraneio. – Ele respondeu, apontando para a casa às suas costas.

            Elizabeth olhou para a casa de onde acabara de sair, espantada; depois se voltou para olhá-lo. E, como se entendesse uma coisa obvia, resmungou.

--É claro que é! – Com ironia.

            Ele ergueu as sobrancelhas, mas não replicou nada.

--Eu pensei que Pemberley fosse a sua casa de veraneio. – Elizabeth comentou apenas para ter algo o que falar e não ficar se perdendo na visão daquele homem seminu a sua frente.

--Casa de campo. – Darcy esclareceu. – Pemberley está na família há gerações. Mas esta casa eu adquiri há pouco mais de cinco anos.

--Onde estão Jane e Charles? – Elizabeth quis saber, olhando a sua volta como se esperasse encontrá-los parados ao seu lado.

--Eles estão na vila. – Darcy respondeu. – Foram para lá hoje cedo, logo depois do café da manhã.

--Quando eles voltam? – Elizabeth voltou a fitá-lo, mantendo seus olhos fixos em seu rosto; tentando ignorar o fato de que o olhar dele fazia coisas com o seu estômago que era totalmente irritante.

--Eles vão ficar lá... Estão hospedados em uma pousada. – Darcy disse com tranqüilidade.

--Espere. O que? – Elizabeth questionou-o, atordoada; ele só podia estar brincando!

--Se hospedaram em uma pousada na vila. – Darcy repetiu. – Eles não vão voltar.

            A única resposta de Elizabeth foi fitá-lo, boquiaberta.

            Depois de alguns minutos assim – em que Darcy se perguntou se devia sacudi-la para ver se ela voltava ao normal – Elizabeth deu-lhe as costas e praticamente correu para a casa. Darcy a seguiu, preocupado.

            Ao atravessar a porta do quarto em que ela estava acomodada, a encontrou a juntar os seus pertences e colocá-los de volta na mala. Enquanto resmungava sozinha.

--Jane me paga! Eu não acredito que ela fez isso comigo! Mas ela vai ver só!

--Elizabeth, por favor, acalme-se! – Darcy pediu, parando a certa distância dela.

--Você! – Elizabeth parou o que estava fazendo e olhou-o, furiosa. – Você veio aqui ontem de noite! Eu pensei que estava sonhando... Mas não, não é?!

            Ele teve a decência de parecer constrangido.

--Inacreditável! – Ela resmungou e voltou a juntar os seus pertences, para depois fechar a mala. – Eu vou embora! – Ela declarou, puxando a mala de rodinhas pela sua alça.

--E como você pretende fazer isso? – Darcy perguntou calmo. Parecia ter recomposto a sua postura.

--Ora... – Elizabeth resmungou, detendo-se em sua presença por um instante.

--Pense um pouco. – Ele pediu. – Como você veio para cá ontem?

Elizabeth não respondeu, embora já começasse a detectar o motivo por detrás da presunção dele.

--De barco. – Darcy respondeu. – Então como pretende ir embora? ...Eu não vou levar você. – Apressou-se a dizer, sem nenhum constrangimento.

--Andando. – Elizabeth afirmou teimosa. – Charles disse que existia uma trilha. Pois então, eu vou voltar por ela.

--Ah é?! E se você se perder na mata? – Darcy quis saber. – Sabe a quantos lugares diferentes as trilhas levam por aqui?

--Não me interessa! Eu vou embora! – Afirmou, obstinada.

            Ultrapassou-o e saiu pelo corredor, arrastando a sua mala de rodinhas. Ao invés de ir em direção a varanda que a levaria ao píer, foi em direção a cozinha. Onde encontrou a senhora gentil.

            Tentou explicar-lhe a sua situação, mas a senhora não parecia compreender o que queria. Era obvio que estava estranhando o fato de Elizabeth estar arrastando a mala pela casa, mas Elizabeth não conseguia extrair dela nenhuma informação referente à trilha e como chegar até a vila.

            Depois de alguns minutos de pura frustração, ouviu a voz de Darcy à suas costas. Ele presenciara a sua conversa e estava agora falando com a senhora em seu idioma, e a mulher observava Elizabeth com interesse. Logo parecia triste com alguma coisa e em seguida passou a falar diretamente com Elizabeth.

--O que você disse a ela? – Elizabeth exigiu dele, irritada.

--Que você quer ir embora. – Darcy respondeu calmo. – Ela está muito triste que você não tenha gostado daqui. Eu diria que está ofendida. Ela nasceu nesta região, sabe?! – Ele comentou, parecendo ligeiramente divertido com a situação.

--Grhram! – Elizabeth exclamou ainda mais furiosa com ele. – Chantagista miserável! – Arrancando uma risadinha de Darcy.

            Elizabeth teria avançado na direção de Darcy e apagado aquele sorriso convencido de seu rosto, se a senhora não a tivesse puxado pela mão e a guiado até a porta dos fundos. De onde apontou uma trilha de terra batida entre a mata fechada.

--Obrigada! – Elizabeth exclamou, aliviada, sapecando um beijo estalado na bochecha da senhora e apressando-se a seguir o seu caminho.

            Caminhou por um bom tempo. Talvez por uma hora inteira. Embora a mata fechada impedisse que o Sol incidisse sobre ela diretamente, também impedia que o ar circulasse com facilidade. E logo Elizabeth podia sentir a blusa regata que estava usando colada no seu corpo de suor.

            Depois de mais alguns minutos de caminhada árdua, arrastando aquela mala por uma trilha de terra, encontrou-se com uma encruzilhada. A trilha se dividia em três e não havia placa alguma indicando qual delas a levaria até a vila – não que ela acreditasse que compreenderia o que pudesse estar escrito na placa, a menos que estivesse em inglês.

            Decidiu pegar o celular na sua bolsa e ligar para Jane. Mas assim que o fez, ouviu.

--Não há sinal por aqui! – Numa voz rouca as suas costas.

            Arrancando-lhe um grito e fazendo-a rodopiar em um só lugar, quase caindo sobre a mala aos seus pés.

--Está tentando me matar de susto?! – Reclamou com Darcy.

--Não. Estou tentando evitar que você se perca! – Ele rebateu.

            Elizabeth guardou o celular de volta na bolsa quando constatou que ele estava falando a verdade.

--Me leve de volta. – Exigiu a ele.

--Não. – Darcy não pestanejou a responder.

--Você não pode me manter aqui para sempre! – Ela refutou inconformada.

--Eu sei. – Ele disse tranqüilo. – Não vai demorar tanto tempo assim. – Comentou.

--Para que? – Elizabeth quis saber.

            Ele sorriu, encolheu os ombros e caminhou em sua direção. Elizabeth ficou apreensiva com o seu gesto e deu um passo para trás, tropeçando na mala e quase caindo pela segunda vez. Ele riu baixinho, antes de pegar a mala pela alça e dar-lhe as costas, refazendo o caminho de volta para a casa.

            Contrariada, Elizabeth o seguiu minutos depois.

31 de dezembro, 11H 06min

--Por que você está fazendo isso comigo? – Questionou-o, quando Darcy deixou a sua mala aos pés da sua cama e se encaminhava para a porta do quarto.

--Você sabe por quê. – Ele replicou, fitando-a com seriedade. – Charles contou-me o que aconteceu na sua casa... No Natal.

            As bochechas de Elizabeth ruborizaram como naquela ocasião.

--Eu não tinha outra saída. – Ele se justificou.

--Não teve outra saída?! – Elizabeth repetiu, parecendo abismada com a sua escolha de palavras. – Além de me manter em cárcere privado em outro país?!

--Cárcere privado é exagero! – Darcy contestou. – Você pode ir embora quando quiser. Só não é aconselhável fazê-lo, já que não sabe por aonde ir. – Disse, rindo ao final.

--Ha ha! – Elizabeth resmungou, sem humor.

--Eu te amo, Elizabeth. – Ele declarou novamente sério.

--Hum! – Ela resmungou cética.

--É verdade. Eu amo você! – Darcy repetiu, com mais ênfase. – Nenhum outro homem irá amá-la como eu amo! – Afirmou, mantendo-a presa em seu olhar. – Quantos homens você acha que fariam isso... – Abriu os braços, indicando a situação em que se encontravam. – na esperança vã de que você possa retribuir o sentimento?

--Isso não lhe dá o direito de interferir na minha vida deste jeito! – Acusou-o.

--Eu discordo. – Darcy revidou; deixando-a boquiaberta mais uma vez. – Eu vou deixar você sozinha... Para que você possa ficar a vontade. – Ele disse, caminhando em direção a porta do quarto. – Rita vai fazer o nosso almoço. – Parou a porta antes de sair para lhe dizer isto. – Ela faz um peixe frito maravilhoso.

31 de dezembro, 13H 28min

            Cansado de esperar por ela, Darcy ergueu-se da mesa posta por Rita com tanto carinho e caminhou em direção ao quarto de Elizabeth. Bateu a porta, mas ela não respondeu. Então a abriu.

--O almoço já está servido. – Informou-lhe, ao colocar a cabeça para dentro do quarto e vê-la deitada na cama, lendo um livro.

--Não estou com fome. – Ela replicou, sem lhe dirigir o olhar.

--Rita vai ficar ainda mais ofendida com esta sua recusa a experimentar a sua culinária! – Comentou.

            Elizabeth atirou um travesseiro em sua direção em resposta, atingindo a porta quando ele a fechou.

31 de dezembro, 15H 34min

            Elizabeth ouviu outra batida na porta e não respondeu a ela também. A porta foi aberta e Rita entrou no quarto, trazendo uma bandeja com comida. Elizabeth ergueu-se da cama com um pulo e foi ajudá-la.

            A senhora falou por uns longos minutos, sem que Elizabeth conseguisse entendê-la, antes de despedir-se e sair do quarto, fechando a porta às suas costas.

31 de dezembro, 16H

            Elizabeth foi levar a bandeja vazia na cozinha e a encontrou deserta. Rita não estava ali. Mas havia uma variedade de coisas prontas sobre uma mesa.

            Elizabeth saiu da cozinha e caminhou pelos outros cômodos da casa, esperando encontrar a senhora ocupada com algum afazer doméstico. Mas não a encontrou em parte alguma.

--Onde está Rita? – Perguntou a Darcy, ao encontrá-lo deitado em uma espreguiçadeira na varanda, navegando pela internet em seu laptop.

--Ela foi para a sua casa, na vila. – Darcy respondeu, dirigindo-lhe o olhar. – Você não esperava que ela passasse a virada do ano longe da sua família, não é? – Comentou, voltando a sua atenção a tela do laptop.

--Nós estamos completamente sozinhos aqui? – Interrogou-o, com um tom de incredulidade na voz.

            Darcy voltou a olhá-la, com um sorrisinho cafajeste nos lábios.

--Estamos sim. – Respondeu inteiramente satisfeito.

            Elizabeth deu meia volta, bufando de raiva, e retornou para o quarto.

31 de dezembro, 19H

            Novas batidas na porta. Elizabeth fechou o livro, sentou-se na cama e fitou a porta fechada. Darcy abriu-a e entrou no quarto. Ele não disse nada de imediato, apenas ficou a observá-la.

--O que você quer? – Elizabeth interrogou-o de má vontade.

--Rita nos deixou uma ceia preparada. Para que possamos jantar e ver a virada do ano juntos. – Ele a informou. – Da varanda é possível ver a queima de fogos meia noite que ocorre na outra praia, da festa que ocorre na vila.

--Não estou interessada. – Replicou. – Você pode manter-me presa aqui, mas não pode me forçar a passar o tempo com você.

            Darcy estava sem fala.

--Agora, faça o favor de sair do meu quarto. – Ela ordenou.

            Contrariado, Darcy a obedeceu.

31 de dezembro, 22H 13min

            Darcy estava convencido que Elizabeth acabaria mudando de idéia e se juntaria a ele antes da meia noite. Por isso, arrumou-se meticulosamente e foi esperar por ela na varanda.

            Na sala adjunta estava montada uma mesa com uma variedade de comidas preparada por Rita. Incluindo uvas e uma garrafa de champagne.

31 de dezembro, 23H

            Elizabeth arrumou-se com bastante cuidado, colocando o vestido branco que Jane a ajudou a comprar quando aceitou o seu convite de passar a virada de ano no litoral brasileiro.

            Mas, mesmo depois de pronta, não saiu do quarto. Negava-se a render-se as armações de William Darcy. Não cederia aos seus encantos tão facilmente. Ele não podia enganá-la desta forma, trazendo-a aqui com segundas intenções, e esperar que ela caísse aos seus pés assim.

31 de dezembro, 23H 55min

            Darcy olhou para o relógio de pulso pela qüinquagésima centésima vez sem acreditar que Elizabeth preferia romper a virada do ano sozinha ao invés de ficar com ele.

31 de dezembro, 23H 59min

            Elizabeth caminhou até a varanda do seu quarto e debruçou-se no parapeito, de onde tinha uma vista privilegiada do píer lá embaixo e da praia mais além. Estava distraída olhando para o céu estrelado, quando um movimento lá embaixo no píer chamou a sua atenção.

            Estreitou o olhar na direção do movimento e desvendou os contornos de um homem a caminhar pelo píer. Seu coração sofreu uma pequena contração, mas Elizabeth a ignorou. E daí que ele parecia extremamente solitário lá embaixo, sozinho?! Ele bem que merecia!

1º de janeiro, 00H 01min

            Darcy ergueu o olhar para os céus e assistiu ao show de pirotecnia. Os fogos de artifício riscavam o céu estrelado, pintando-o de várias cores.

            Darcy virou-se em direção a casa, ergueu a taça de champagne que tinha em mãos e disse.

--Feliz Ano Novo, Lizzie! – Para o vento.

1º de janeiro, 00H 03min

            Elizabeth viu o momento em que ele virou-se em sua direção e ergueu o braço, como em uma saudação. Perguntou-se se ele conseguia vê-la ali a observá-lo.

            Ao final do show pirotécnico, Elizabeth voltou para dentro do quarto e começou a arrumar-se para dormir.

1º de janeiro, 00H 20min

            Darcy retornou para a varanda e sentou-se na espreguiçadeira. Sentia no fundo que estava se enganado, mas ainda tinha esperanças de que Elizabeth viria ao seu encontro. A viu na varanda do seu quarto, olhando-o. E ficou imaginando o que poderia estar se passando na sua cabeça naquele instante.

            A ameaça dela de que não passaria nenhum tempo com ele o deixava sem muitas oportunidades de uma aproximação. Teria que planejar bem seus próximos passos. E decidiu, ao começar a fechar os olhos, que iria levá-la para passear de barco assim que o sol nascesse. Nem que fosse obrigado a carregá-la no ombro até o barco para conseguir isso.

1º de janeiro, 08H 12min

            O brilho do sol refletido no piso da varanda estava incidindo diretamente em seu rosto. Darcy abriu os olhos relutante e esfregou-os, tentando acostumar-se com a claridade.

            Sentia o pescoço doer por ter dormido em uma posição desconfortável na espreguiçadeira. Fechando os olhos de novo, espreguiçou-se, fazendo movimentos circulares com a cabeça e alongando os braços por cima da cabeça.

            Quando reabriu os olhos, viu-a sentada na beirada da mesma espreguiçadeira em que estivera dormindo sentado. Elizabeth estava sentada sobre as pernas, com os joelhos dobrados e apoiados na espreguiçadeira. As mãos no colo, os cabelos soltos caídos sobre o ombro. Vestida com aquela mesma camisola branca de alças de rendinha. Uma das alças escorregara, desnudando um dos ombros.

            Darcy podia jurar que nunca vira algo mais belo e sensual em toda a sua vida. E, modéstia a parte, um homem aos trinta e cinco anos em sua posição já vira muitas mulheres vestidas com as mais sedutoras lingeries que a própria Victoria’s Secret já lançara. E nenhuma delas chegava aos pés de Elizabeth naquele momento.

            Será que ele estava sonhando?

--Você não pode fazer Charles e Jane me trazer aqui, contando uma mentira, me manipulando desta forma. – Ela reclamou; com uma expressão dura, mas com um tom de voz suave. – Não é justo.

--‘Tudo é justo no amor e na guerra. ’[2] – Darcy retorquiu, com um tom de voz presunçoso.

--Honestamente, William... – Começou a dizer, com um tom incrédulo.

            Mas Elizabeth nunca chegou a terminar a frase, porque Darcy segurou-a pela cintura com um dos braços, puxando o corpo dela contra o seu, e com o outro a envolveu pelo pescoço. Depois selou a sua boca com os seus lábios, no beijo mais impetuoso e apaixonado que já dera em sua vida.

            Elizabeth conseguiu desvencilhar-se dele após alguns minutos e tentou sair dos seus braços. Embora não conseguisse fazê-lo por completo.

--O que você está fazendo? – Darcy protestou, tentando puxá-la de volta para os seus braços. – Venha cá!

--Por que você não ligou para mim? – Elizabeth não cedeu à sua pressão e manteve-se afastada.

--Ligar para você? – Darcy questionou confuso.

--Quando você foi para a Suíça. – Ela esclareceu. – Você não ligou para mim, como prometeu que faria.

--Eu liguei para você. – Darcy afirmou, estranhando a acusação dela.

_____________________________

[2]*  O provérbio "Tudo é justo no amor e na guerra" tem sido atribuída a de Euphues Lyly, escritor inglês.

--Não, não ligou. – Elizabeth contestou, ficando irritada.

--Liguei sim. Você que não retornou a minha ligação. – Darcy rebateu.

--Você não ligou para mim, William! – Elizabeth repetiu, exasperada. – Eu acho que saberia se você tivesse me ligado!

--Eu liguei para você na mesma noite em que cheguei à Suíça. – Darcy esclareceu. – Eu falei com a sua irmã e deixei o numero do telefone do quarto de Hotel em que estava hospedado. 

--Qual irmã? – Elizabeth perguntou, espantada com aquela noticia.

--Eu não sei. Uma das suas irmãs. – Darcy replicou indiferente.

            Elizabeth ficou pensando neste fato por uns minutos, tentando adivinhar qual de suas irmãs teria falado com Darcy e não lhe repassado o recado. Era bem a cara de Lydia ou Kitty aprontar uma destas.

            Darcy, aproveitando a sua distração, tentou puxá-la de volta para os seus braços. Mas Elizabeth apoiou as mãos em seu peitoral e continuou a manter-se distante.

--E por que você não me procurou quando voltou? – Questionou-o, voltando a lhe dar a sua atenção.

--Quando você não retornou a minha ligação, pensei que estava arrependida do que tinha acontecido entre nós em Pemberley. – Ele disse. – Quando voltamos a nos reencontrar, eu tinha esperanças de que você me daria algum sinal de que eu estava errado. Mas você me tratou com indiferença, então... Acreditei que você estava aliviada por eu não ter lhe procurado.

--Eu estava chateada porque você não tinha me ligado e nem me procurado depois de voltar de viagem! – Elizabeth rebateu, exasperada.

--Mas eu liguei! – Darcy contrapôs.

--Mas eu não sabia disso! – Elizabeth argumentou.

--Isso não importa agora! – Darcy disse, encerrando a discussão ao puxá-la para os seus braços sem que Elizabeth tentasse impedi-lo. E voltou a beijá-la.

1º de janeiro, 20H

            Deitados na rede na varanda do quarto de Darcy, embalados pelo ritmo lento da rede e acariciados pela brisa noturna marítima, Elizabeth perguntou.

--Quanto tempo nós vamos ficar aqui?

--Para sempre. – Darcy murmurou.

--Fale sério! – Ela riu, deixando que seus dedos enroscassem-se nos pelos do seu peito, onde estava com a cabeça deitada.

--O tempo que você quiser. – Ele reformulou a sua resposta.

            Enquanto ela pensava a respeito, ele disse.

--Mas amanhã precisaremos sair deste quarto e ir passear de barco pelas outras praias. – fazendo-a virar a cabeça em sua direção e fitá-lo nos olhos. – Ir nos encontrar com Charles e Jane na vila, mesmo que seja só para almoçar... Ou algo do tipo. Eles vão ficar preocupados se não dermos sinal de vida em algum momento.

--Que fiquem! Seria bem merecido pelo que aprontaram para mim! – Elizabeth retorquiu, divertindo-se.

--Ora, que mulherzinha vingativa eu fui arranjar! – Darcy brincou.

--Nem comece a reclamar, viu? – Elizabeth resmungou, entrando no jogo. – Lembre-se que foi você quem me arrastou até aqui!

            Darcy calou os seus protestos com um beijo demorado.

02 de janeiro, 14H 05min

            Charles avistou a lancha de William aproximando-se do píer e a indicou a Jane. Sua mulher não perdeu tempo, caminhando em direção ao píer com pressa. Charles não tardou a acompanhá-la.

            Quando se aproximavam do final do píer, viu Elizabeth saltar da lancha direto no píer antes mesmo que William desligasse o seu motor.

--E fique sabendo que assim que chegar a Inglaterra vou à delegacia denunciá-lo por seqüestro e cárcere privado! – Ela gritava furiosa, para William.

--Lizzie?! – Jane exclamou assustada com o que presenciava.

--E vocês dois! – Elizabeth redirecionou a sua fúria a irmã e ao cunhado. – Vão ser acusados como cúmplices deste aí!

            Jane ficou boquiaberta, chocada. Charles não sabia o que dizer.

            William desembarcou da lancha e aproximou-se de Elizabeth.

--Você acha que eu vou permitir que você volte para a Inglaterra?! – Interrogou-a.

--E como você vai me impedir? – Elizabeth o enfrentou.

            Darcy curvou-se em sua direção, a carregou e jogou-a sobre o ombro. Refazendo o seu caminho de volta para a lancha.

--Ponha-me no chão imediatamente, seu brutamonte! – Elizabeth protestou, socando as suas costas.

            Darcy obedeceu ao seu comando, mas não a soltou.

--Não foi assim que você me chamou quando estávamos na minha cama. – Murmurou, com um sorriso cafajeste nos lábios.

--Cale a boca e me beije! – Elizabeth retorquiu, atirando os braços envolta de seu pescoço e ficando na ponta dos pés para poder beijá-lo.

Ouviram a gargalhada alta de Charles ao fundo, mas não interromperam o beijo nem por isso.

Fim.


 

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