Capítulo 60
Will houvera se encontrado com Timothy e Kevin ao entrar em Johnson’s High, permanecendo em suas companhias desde então, já que não havia visto nenhum de seus outros amigos. Timothy estava vestido como soldado do exercito, com a roupa camuflada, botas de soldado e boina. Enquanto Kevin estava vestido de diabo; capa vermelha e preta, uma roupa com enchimento vermelha, a qual lhe dava um aspecto mais musculoso no abdômen e braços; calças pretas, com cinto grosso de ouro velho, com fivela de caveira; botas pretas; com o rabo vermelho terminado em uma seta e seu tridente; suas mãos e seu rosto houveram sido pintados de vermelho e ele ainda tinha um par de chifres pretos em sua testa.
Os três seguiram para a quadra de esportes e acomodaram-se em uma das mesas, permanecendo a observar o movimento a sua volta. Várias alunas da Johnson’s High, antigas colegas de escola de Will, passavam pela mesa em que estavam e acenavam para eles, ou paravam a sua mesa para cumprimentá-los. Timothy e Kevin logo esclareceram a Will que a noticia do fim do namoro dele com Elizabeth ainda era motivo para euforia entre as meninas – principalmente que era a primeira vez que o viam desde o incidente – ainda mais depois que começou a circular o boato de que ele tinha namorado outras quatro meninas de sua escola ao mesmo tempo em que namorara Elizabeth.
Timothy e Kevin logo quiseram ouvir os detalhes sobre aquele rumor, o qual Will não hesitou a esclarecer – embora não soasse satisfeito, como os meninos imaginariam que ele estaria ao tocar naquele assunto. Na verdade, para Will era muito difícil sentir o mínimo de orgulho por sua façanha, como os meninos denominaram ao mencionar o desafio de Richard. E, também, afirmou-lhes que com Elizabeth fora tudo diferente, embora preferisse não entrar em muitos detalhes.
Os meninos ainda queriam saber sobre o motivo do fim do namoro, mas como Will não parecia nada propenso a tocar naquele assunto, o deixaram de lado. Retornaram suas atenções às meninas, passando a comentar sobre as meninas que estavam mais belas – tradução, com fantasias mais sexy. Foi ao meio de uma destas conversas que Caroline aproximou-se da mesa em que os meninos estavam sentados, com a sua amiga Sabrina, e tentou convidar Will para dançar.
Caroline estava vestida com uma fantasia muito sexy – o que agradou bastante aos meninos; a sua fantasia havia sido inspirada em Shakira, em seu vídeo clipe da música Las de la Intuición. Um corpete preto, com detalhes transparentes nas laterais, com varias fivelas do umbigo até o decote em V; uma saia preta bem curta de prega; meia calça até as coxas, presas por cinta-liga; sapatos pretos, de salto alto e fino; estava de peruca chanel cor azul florescente.
Sabrina, por sua vez, também estava usando uma fantasia muito sexy; ela era uma abelhinha. Blusa tomara que caia de cor amarela com listras pretas, saia preta de prega, com babados nas pontas na cor amarela; meia calça arrastão; outra meia mais grossa, amarela de listras pretas até a panturrilha, sapatos pretos, de salto alto e fino; tinha asinhas de abelha amarelas e antenas ao topo de sua cabeça.
--Eu não danço, Caroline. – Will replicou, seriamente; “pelo menos, nunca vou dançar com você!”. – Eu acredito que já lhe disse isso. – Recebendo um sorriso constrangido de Caroline.
--Eu danço com você! – Kevin replicou, levantando-se do seu lugar e arrastando Caroline para pista de dança, ainda deserta, antes que ela pudesse dar-lhe qualquer resposta.
--Eu danço com você, se quiser. – Timothy disse a Sabrina, quem lhe sorriu em resposta.
Logo Will estava sozinho a sua mesa, satisfeito que Kevin havia levado Caroline para longe dele. Perguntando-se se Elizabeth já haveria chegado, porque ainda não a tinha visto, e como estaria vestida. Continuou sentado a sua mesa, olhando o movimento a sua volta, na expectativa de vê-la. E, como se em resposta às suas indagações, Charles se aproximou dele, por suas costas, arrancando-lhe o chapéu da cabeça e o girando na ponta de seu dedo, ao ocupar a cadeira ao lado a de Will, em que Kevin estivera sentado.
--Moleque, você está fantasiado! – Charles brincou, rindo-se de Will, quem estava arrumando o cabelo que Charles bagunçara ao arrancar o chapéu de sua cabeça.
--Não diga! – Will rebateu, meio irritado; tomou o chapéu da mão de Charles e o colocou na cabeça, ligeiramente inclinado para um lado. –Charles, ... – Mas logo mudou de humor, ao perceber que se Charles estava ali, Elizabeth também devia estar por ali, em algum lugar. – onde está Jane? – E conseguiu perceber no sorriso do amigo que Charles sabia o que ele realmente queria saber.
--Ela está com as amigas dela... – Charles replicou. – naquela direção. – Indicou com um leve aceno de cabeça o caminho por onde tinha vindo.
Will voltou o rosto na direção que Charles indicara, mas não viu Elizabeth. Tinha muitos outros alunos fantasiados em seu caminho. Ficou se perguntando se seria muito evidente se sentisse vontade de passear naquela direção naquele mesmo instante. Charles parecia ler a sua mente, porque logo se ofereceu para ir convidá-la a se juntar a ele em sua mesa – ela só não, ela e as suas amigas. Erguendo-se da cadeira e caminhando na direção em que Jane estava com as suas amigas.
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Elizabeth, com a ajuda de Jane e Lydia, tentava convencer Mary de que ela iria se divertir imensamente sem precisar atuar como DJ naquela festa, argumentando que Mary já houvera atuado como DJ na festa da noite anterior, sediada em Austen House, para o ginásio. Mary logo se empolgou ao relatar como houvera sido a sua noite do dia anterior e o quanto se divertiu em atuar para um público de pré-adolescentes.
Ela relatou como eles sempre são mais receptivos às músicas que ela selecionava e dançavam com muito mais energia que os meninos da idade delas – os quais querem transparecer um gosto apurado para tudo que não conhecem realmente. Também relatou como as fantasias deles eram muito mais divertidas que as que ela estava vendo ali, naquela noite; em como houvera um menino que, aparentemente, é fã de Guerra nas Estrelas (Star Wars) e decidiu que seria magnífico se fantasiar de Dark Vader. É claro que ele não contava que, à medida que dançasse, a fantasia fosse ficando cada vez mais quente e o capacete quase o sufocasse.
Lydia achou muita graça em tal relato, imaginando a cena; mas Jane a recriminou, porque ficou com pena do menino. Mas Elizabeth estava mais interessada em saber como houvera sido a decoração da escola para a festa, já que havia ficado sinistramente encantada pela decoração da festa de Johnson’s High. E Mary atendeu ao seu pedido, garantindo que Austen House não deixou a desejar em sua decoração, tão pouco; optando por o tema Harry Potter, já que os alunos do ginásio são muito mais inclinados a este tipo de decoração.
Assim como Johnson’s High, as paredes e teto da quadra de esporte interna de Austen House houveram sido transformadas em murais: em uma das paredes houvera sido pintado o castelo de Hogworts, em outra o lago da lula gigante, e nos outros dois a floresta proibida. Enfrente a parede que havia o mural do castelo fora posta uma longa mesa de aperitivos, de forma que ficasse paralela a parede. Esta mesa tinha estatuas dos professores de Hogworts – Dumblodore, Minerva, Snape, Hagrid, etc – representando a mesa em que os professores jantavam ao castelo de Hogworts. E espalhadas por entre as mesas envolta da pista de dança, existiam outras estatuas de gesso de outros personagens do livro – Harry, Rony, Hermione, Dobby, Voldemort, Draco, centauros, sereianos e fantasmas.
--Eu queria ter visto! – Elizabeth exclamou, ressentida.
--Foi uma festa e tanto! – Mary comentou, satisfeita quanto a sua participação para deixá-la desta forma.
--É! Mas nada comparada a esta! – Lydia refutou. – Você vai se divertir muito mais esta noite, com a gente, que se divertiu ontem! Eu garanto!
--Eu não sei... – Mary disse, insegura. – Eu me divertiria muito mais se eu estivesse atuando como DJ a este incompetente! – Mary resmungou, olhando rapidamente para o DJ. – Ele sequer esta colocando músicas que as pessoas queiram dançar! – Mary comentou, voltando-se para observar a pista de dança, àquele comento ocupada por três casais: Timothy e Sabrina, Kevin e Caroline, e um terceiro casal de desconhecidos às meninas.
--Esquece o DJ! – Elizabeth comandou. – Você irá se divertir com a gente, dançando!
--Eu não gosto de dançar! – Mary replicou, sem constrangimento.
--Isso porque você nunca dançou com a gente! – Lydia garantiu.
Naquele momento Charles se acercou das meninas, acompanhado por Richard e Charlotte – os dois recém-chegados. Richard estava vestido de aviador; com o terno azul marinho, de botões e detalhes na manga do blazer em dourado; blusa de linho branca e gravata azul marinho; cap azul marinho com detalhes igualmente em dourado, além do símbolo da aeronáutica. E Charlotte estava vestida de Afrodite, a deusa do amor; usava um vestido longo e justo branco; com decote discreto em V no busto, mas um decote mais ousado nas costas; as alças douradas, assim como o detalhe que transpassava em forma de X em baixo do busto e nas costas; usava de uma sandália de dedos baixa, também dourada; trazia um ramo de flores enfeitando o seu cabelo.
Eles se cumprimentaram alegremente por um tempo, um elogiando a fantasia do outro. Até que Charles fez-lhe o convite que prometera a Will que faria às garotas – é claro, esqueceu-se, propositalmente, de mencioná-lo. Charlotte e Richard concordaram em acompanhar Charles e Jane, mas Lydia, Mary e Elizabeth preferiram permanecer onde estavam até terem se encontrado com Catherine e Daniel.
Antes que Charles, desapontado, levasse a sua Julieta, Richard e Charlotte para a mesa em que Will os aguardava, Richard viu o DJ acenando para ele e se afastou do grupo, acercando-se do DJ. Elizabeth e Lydia, que estavam desconfiadas do interesse do DJ em Mary e não estavam distraídas demais com a presença de Charles (como Jane estava naquele momento), ao verem tal cena, ficaram observando Richard e o DJ conversando como velhos conhecidos. Richard até chegou a olhar na direção delas e sorrir. O que só despertou ainda mais a curiosidade das duas meninas.
Quando ele retornou, Elizabeth estava preste a lhe perguntar quem era o DJ; mas Richard se adiantou a ela e dirigiu-se a Mary.
--Você chamou o meu irmão de “porco chauvinista”! – Sorrindo de orelha a orelha.
--O seu irmão?! – Elizabeth, Jane e Lydia exclamaram, olhando do DJ para Richard. – O DJ é seu irmão?!
--Sim! – Richard replicou. – Thomas; um dos meus irmãos mais velhos. – Completou, animadamente. – Eu estou impressionado! – Ele continuou, voltando-se para Mary mais uma vez.
Ela olhou para o DJ e depois olhou Richard dos pés a cabeça; com um ar de indiferença replicou.
--Eu não estou. – Deixando Richard com um semblante confuso e arrancando uma risada de Charles. – Você não me parece muito diferente dele. – Ela completou, se explicando.
--Oh, ele é! – Charlotte garantiu; logo Richard estufou o peito, orgulhoso por ter sido defendido por sua namorada. E foi a vez das meninas rirem da expressão de contentamento em seu rosto.
--Bem, você, como namorada dele, logicamente deve pensar assim. – Mary comentou, com naturalidade. – Seria muito estranho se não pensasse!
--Relaxe! – Elizabeth murmurou para Richard. – Leva algum tempo para conquistar a boa opinião de Mary!
--Deu para perceber! – Ele respondeu, não aparentando estar ofendido com o jeito da menina. – De qualquer forma, eu ainda estou impressionado! – Ele garantiu a Mary mais uma vez. – Não é sempre que uma “gatinha” dá um fora desses no meu irmão! – Richard, é claro, não fazia idéia que Mary consideraria aquele comentário uma ofensa, apenas piorando a imagem que ela tinha dele.
--Como eu disse, ... – Ela comentou, com indiferença. – você e ele são muito parecidos. – Elizabeth explicou a Charlotte porque ela estava agindo daquela forma e Charlotte riu-se do fora que seu namorado acabara de dar, aconselhando-o a não dizer mais nada.
--Diga-me, Richard, como seu irmão veio parar nesta festa, como DJ? – Elizabeth resolveu concentrar a conversa em um tópico mais seguro.
--Ele estudou na Johnson’s High até se formar e sempre atuava de DJ nas festas do colégio na época de escola. – Richard explicou. – A escola contatou ele, convidando-o a atuar nesta festa.
--Seu irmão estudou aqui? – Lydia questionou, ligeiramente surpresa; houvera se esquecido que Richard também já havia estudado em Johnson’s High.
--Ambos os meus irmãos, assim como eu e meus dois primos (Will e Georgiana) estudamos aqui. – Richard respondeu. – Eles concluíram o ensino médio aqui... Eu fui a ovelha negra que mudou o curso da história dos Mavericks e Darcys, chegando a influenciar os Bingleys.
--Você se dá muito crédito! – Charles comentou, ironicamente.
Quando os dois casais seguiram em direção a mesa em que Will os aguardava, as três outras meninas decidiram passear pelo salão. Elizabeth queria tomar um pouco de ponche e as meninas decidiram acompanhá-la.
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Jane dirigiu um olhar significativo a Charles quando se sentou a uma cadeira a mesma mesa em que Will, o gangster, estava sentado, ainda sozinho. Charles fingiu que não percebeu o olhar que ela lhe dirigiu, olhando para o amigo e tentando comunicar-se com ele em silêncio – pedir desculpas por sua falha em conseguir trazer Elizabeth até ele e dizer-lhe também para ele ir procurar por ela.
Para o seu alivio, Will pareceu entendê-lo muito bem; porque logo inventou uma desculpa e foi-se daquela mesa, tomando o caminho que Charles previamente lhe indicara que Elizabeth se encontrava. Quando ele ergueu-se para abandoná-los, Jane o fitou dos pés a cabeça e olhou para Charlotte, a qual lhe retribuiu o olhar – ambas estavam pensando a mesma coisa: “Lizzie que se cuide! Will não está de brincadeira hoje!” – voltando a olhar para os seus respectivos namorados inocentemente.
Will caminhou entre a multidão de alunos fantasiados olhando para cada menina que poderia ser Elizabeth, unicamente para olhar em outra direção decepcionado quando notava que não se tratava dela. Quando estava chegando perto do cubículo do DJ, a avistou caminhando a direção oposta a que ele estava seguindo. Ela estava caminhando distraidamente atrás de uma menina vestida de Madonna – a qual caminhava ao lado de uma menina vestida de Vandinha, com quem conversava alegremente.
Will ficou paralisado no instante em que ela passou praticamente ao seu lado e não o viu, pois estava olhando em outra direção. Will estudou o perfil de sua figura naquela fantasia; quando ele pensava que ela não podia ficar mais bonita, ela provava que ele estava errado. Ela estava totalmente o oposto da fantasia de ninfeta que a maioria das meninas que flertaram com ele esta noite usavam e, ainda assim, estava superiormente mais sedutora que todas elas; esbanjava um charme inocente, moleca, a deixando natural, a vontade consigo mesma e genuína. Ela não estava tentando ser outra pessoa para impressionar outros, ela estava sendo ela. E é ela quem ele quer!
Assim que recobrou os seus sentidos, tomou o mesmo caminho que ela, adiantando os passos para poder se aproximar mais. Ela estava realmente distraída, olhando para todos os lados, como se procurasse alguém. Madonna e Vandinha pararam de andar e ela parou logo atrás das duas, ficando na ponta dos pés e tentando enxergar além das amigas e outro grupo de meninos fantasiados; para depois descer da ponta dos pés e erguer o olhar para o teto. À medida que admirava o mural de estrelas do teto, virou-se na direção dele e Will se apressou a sair do seu campo de visão, escondendo-se atrás de um grupo de meninos fantasiados de jogadores de futebol americano – em um ato reflexivo.
Elizabeth estava sorrindo, ao vislumbrar o mural ao teto; ela estava fascinada, tentando imaginar como o mural do teto de Austen House devia ter estado na noite anterior. Estava tão distraída que não notou quando Madonna e Vandinha voltaram a andar; até que Madonna (Will finalmente viu que se tratava de Lydia) voltou-se em sua direção, retrocedeu seus passos e, segurando o braço de Elizabeth, a fez virar-se de frente para a direção em que elas seguiam e caminhar com ela.
Will voltou a andar, acompanhando-as a certa distância. As meninas pararam diante da mesa de aperitivos e Elizabeth pegou copos, colocando ponche para ela e para as amigas. Will parou e ficou a observá-la, já reconhecendo Mary como Vandinha.
Elizabeth continuou a olhar em todas as direções, distraidamente, à medida que tomava o seu ponche. Lydia e Mary conversavam e riam de alguma coisa. Então Mary olhou na direção de Elizabeth e disse-lhe algo que a fez olhar bem na sua direção. Will sentiu o seu coração dar um pulo, começar bater em seu peito selvagemmente. O seu nervosismo era tanto que as suas mãos começaram a suar; ele as pôs dentro dos bolsos da calça e tentou sustentar o olhar que ela lhe dirigia, até que ela o desviou.
Will decidiu que ia pôr o seu plano de lado e ia falar com ela naquele exato momento. Para que esperar uma música lenta? E se o DJ não tocasse nenhuma música lenta, ele ficaria sem falar com ela?! Não! Não podia esperar! Precisava falar com ela naquele mesmo instante.
Sentindo a sua respiração começar a falhar, à medida que a velocidade das batidas do seu coração só aumentava, ele começou a caminhar em sua direção. Viu o momento em que ela voltou a olhar para ele – mas uma vez por recomendação de Mary, quem a cutucou com o cotovelo, discretamente – e notou que ela parecia apreensiva, pois respirou fundo, enquanto sustentava o seu olhar.
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Elizabeth estivera olhando para todos os lados, procurando por Catherine e Daniel – pelo menos, esta era a desculpa que se dava; mas, na verdade, perguntava-se se Will já teria chegado e como ele estaria fantasiado. “Não que me interesse pela fantasia que ele está usando, se é que está fantasiado!”, ela se dizia, ao caminhar atrás de Lydia e Mary, olhando para todos os lados. “Se é que ele veio! Afinal, quem é que vem para uma festa de Halloween à fantasia e não usa fantasia, não é mesmo?!”
Mary e Lydia pararam a sua frente, então ela parou também. Ficou na ponta dos pés e tentou enxergar além dos alunos fantasiados à sua frente – nenhum deles era Will; mesmo eles estando de costas para ela, ela tinha certeza de que não era ele. “Oh Droga! O que você está fazendo? Pare de procurar por ele! Se contenha!”, disse a se mesma, mentalmente, descendo da ponta dos pés. Para ocupar a sua mente com outras coisas, sem ser Will, olhou para o teto da quadra de esportes.
Perguntando-se como eles conseguiram fazer aquele mural, começou a imaginar como o mural de Austen House devia ter ficado na noite anterior. Sorriu ao imaginar as cenas do filme de Harry Potter em que aparecia o teto enfeitiçado do castelo. Voltou-se de costas para Mary e Lydia, ainda fitando o teto, olhando para a lua que estava pintada praticamente acima do cubículo do DJ.
Sentiu a mão de Lydia fechar-se em seu braço e logo estava sendo virada na sua antiga direção, forçada a acompanhar as meninas. As três alcançaram a mesa de aperitivos sem muita demora e Elizabeth tratou de pegar três copos, os enchendo de ponche e entregando dois deles às meninas.
--Que tipo de música é esta? – Lydia perguntou a Mary, quando o DJ colocou outra música.
--É I put a spell on you de Jay Hawkins. – Mary respondeu. – Eu gosto. – Completou, recebendo um olhar atravessado de Lydia, ao mesmo momento em que Elizabeth entregava a cada uma um copo com ponche.
I put a spell on you
(Eu pus um feitiço em você)
'cause you're mine
(Porque você é minha)
--Olhe, Lizzie. – Mary disse, quando Elizabeth parou ao seu lado, olhando para a pista de dança, com o seu copo de ponche na mão. – Ele não para de olhar para você!
--Quem? – Elizabeth questionou, distraidamente.
Mary indicou a direção em que Will estava com um aceno de cabeça, levando Elizabeth e Lydia a olhar na direção dele. Lydia ficou boquiaberta e soltou um longo assovio, rindo-se logo em seguida. Elizabeth sentiu as suas pernas fraquejarem e, embora não conseguisse ver os olhos azuis intensos dele, porque o chapéu o estava cobrindo de um jeito incrivelmente charmoso, ela podia sentir o seu olhar penetrante, deixando-a com os pelos da nuca arrepiados. “Deus! Isso não é justo!”, ela resmungou, sentindo aquelas sensações estranhas no estômago.
You better stop the things you do
(É melhor você parar de fazer estas coisas)
I ain't lyin'
(Eu não estou mentindo)
No I ain't lyin'
(Não, eu não estou mentindo)
--Lizzie, se você não fizer alguma coisa, eu farei! – Lydia comentou, brincalhona. - Mamãe, eu quero!
Elizabeth desviou o olhar dele e fitou Lydia, com um olhar de incredulidade e, um segundo depois, desaprovação dirigida à amiga. Mary também entendeu a brincadeira e sorriu discretamente para Lydia.
--Relaxe, eu estou brincando! – Lydia riu-se do jeito dela; aquele, certamente, foi o olhar mais cheio de ciúmes que Elizabeth já dirigira a alguém. – Aparentemente, a minha sina é Jack Sparrow! – Lydia comentou, tentando soar indiferente, mas falhando miseravelmente.
Elizabeth dirigiu um olhar confuso a Mary após este comentário e Mary deu-lhe de ombros, pois não entendera também. E Lydia disse, voltando a ter ar desafiador.
--Mas com aquelas garotas ali... – Conseguindo que Elizabeth voltasse a olhar na direção de Will, mas não necessariamente para ele. – eu ficaria preocupada, se eu fosse você! – Havia mais de um grupo de meninas paradas a pouca distancia dele, olhando para ele e sorrindo, de forma insinuativa.
You know I can't stand it
(Você sabe que eu não aguento)
You're runnin' around
(Você flertando com outros)
You know better daddy
(Você sabe muito bem)
I can't stand it ‘cause you put me down
(Eu não aguento porque você me põe para baixo)
Elizabeth sentiu Mary cutucá-la discretamente nos quadris e olhou para Will, como Mary queria. Ele tinha colocado as mãos dentro do bolso da calça e começara a caminhar na sua direção, olhando fixamente para ela. Elizabeth sentiu a sua boca secar, a sua voz sumir e as mãos começarem a suar. Respirou fundo, numa tentativa frustrada de se acalmar, e continuou a olhar para ele.
I put a spell on you
(Eu pus um feitiço em você)
Because you're mine
(Porque você é minha)
You're mine
(Você é minha)
Ele parecia estar andando em câmera lenta; e, mesmo sem poder ver os olhos dele, Elizabeth conseguia imaginá-los olhando dentro dos olhos dela, conseguindo enxergar dentro da sua mente.
I love you
(Eu amo você)
I love you anyhow
(Eu amo você do mesmo jeito)
And I don't care
(E eu não me importo)
If you don't want me
(Se você não me quer)
I'm yours right now
(Eu sou seu agora)
“Alguém, por favor, explica para mim: de onde elas saíram?!”, Elizabeth estava gritando com a toda a força de seus pulmões, mentalmente, quando Madson, vestida de Hilary Duff em seu vídeo clipe Stranger – roupa de odalisca preta e dourado, transparente, com a sua barriga à mostra – Caitlin, vestida de Pink no vídeo clipe de Lady Marmalade – cartola preta, short curto preto, sutiã de brilho, cinta-liga, botas de cano alto, luvas longas, anéis e colares prateados e brilhantes – e Heidi, vestida de Mya em mesmo vídeo – com espartilho vermelho e preto, short curto vermelho, meia calça preta arrastão, cinta-liga, luvas longas, sapato alto de salto fino, uma pena longa enfeitando a sua cabeça na cor vermelha, chicote nas mãos, e mais anéis e pulseiras prateadas – entraram na frente de Will e o pararam.
I put a spell on you
(Eu pus um feitiço em você)
Because you're mine
(Porque você é minha)
Woo, you’re mine!
(Woo, você é minha!)
Elizabeth sentiu o sangue lhe subir a cabeça e desviou o olhar dos quatro, puxando as amigas para longe dali antes mesmo que Will conseguisse se livrar daquelas meninas. Elas voltaram para perto do DJ e tentaram retornar ao clima agradável de antes. Lydia assumiu para si o dever de distrair Elizabeth, passando a fazer gracinhas sempre que algum menino bonito de Johnson’s High passava ao seu lado – isto porque estava decidida a não flertar com nenhum menino que conhecesse.
Em um momento, enquanto Lydia se abanava e dizia:
--Socorro! Alguém chame os bombeiros... – Justamente quando um menino fantasiado de bombeiro passava por elas. – porque eu estou pegando fogo! – Conseguindo que o menino parasse de andar, olhasse para ela e sorrisse, apresentando-se.
--Eu me chamo Carter. – Ele estendeu a mão para Lydia, quem a aceitou e se apresentou.
--Lydia. – E, em seguida, apresentou Elizabeth e Mary.
Lydia, Carter e Elizabeth ficaram conversando por uns vinte minutos. Elizabeth logo percebeu que Lydia fazia um grande esforço para trazer Mary para a conversa, mas Mary passava a maior parte do tempo olhando atravessado para o DJ – quem voltara a sorrir de orelha a orelha quando as viu retornando para perto dele.
Lydia tanto fez, que conseguiu que Mary desse atenção a Carter. Mas o menino não teve tempo de dizer meia dúzia de palavra antes que Mary o afugentasse com o seu charme inconfundível de dizer o que pensa como lhe vem à cabeça. Carter logo inventou uma desculpa e afastou-se delas rapidamente, deixando uma Elizabeth rindo-se da expressão de pouco caso de Mary por sua partida e a expressão de frustração de Lydia por ter seus planos de arrumar um par para Mary arruinados.
Elizabeth só veio entender um dos comentários de Lydia no instante seguinte, quando George passou por elas e a cumprimentou, amistosamente, colocando a mão no chapéu e o inclinando; sorriu para Mary, acenando a cabeça; e ignorou Lydia por completo, passando por ela sem lhe dirigir o olhar – propositalmente, porque estivera a observando de longe e a vira conversando com Carter.
George estava vestido de Jack Sparrow – chapéu triangular de pirata, cabelos desarrumados e com aspecto sujo; barbicha, casco aberto de cor marrom; blusa branca, também com aspecto sujo, meio desabotoada; calça verde musgo desbotada, e botas marrons desbotadas.
Lydia o fitou com um olhar incrédulo por um momento, que logo se transformou em um olhar de mágoa. Decidiu-se, ali, que o esqueceria definitivamente. Sua raiva foi dissipada assim que ela avistou Catherine, vestida de gueixa, e Daniel, vestido de samurai, aproximando-se deles. Lydia já sabia que Catherine pretendia se vestir de gueixa desde o dia em que Daniel lhe contara qual seria a sua fantasia. Àquela época, achara a idéia da amiga de se vestir combinando com o namorado um pouco infantil; mas, olhando para ela, decidiu que ela estava extremamente bonita de gueixa – com um arranjo de flores na cabeça, prendendo o seu coque perfeito; o kimono florido e bastante colorido; a maquiagem oriental em seu rosto. Deixou-a ainda mais delicada.
Daniel parecia orgulhoso, em sua armadura de samurai que fez Elizabeth se lembrar do filme O Último Samurai (The Last Samurai), com Tom Cruise, ao trazer a sua gueixa pela mão até as amigas.














