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A metade do mundo não entende os prazeres do outro. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo LVIII

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Capítulo 58

 

Charles saiu do carro, após estacioná-lo em uma vaga ao estacionamento da escola. Sabia que estava atrasado; “mas foi por uma boa razão”, ele sempre se repetia mentalmente. Atravessou à frente do carro e caminhou até a porta de passageiro da frente. A abriu e pegou a sua mochila aos pés do banco da frente, a colocando nas costas. Retirou um cachorrinho de pelúcia médio, nas cores marrom e branco, com olhos enormes e tristes do banco da frente e o acomodou em seu braço esquerdo. Com a outra mão, pegou o buquê com meia dúzia de girassóis.

Logo se viu em uma situação complicada. Como conseguiria segurar a caixa de bombons – decorados e recheios de marshmellow, crocante, caramelo, nozes e marzípã – que comprara também, se não havia mais nenhuma mão desocupada. Lutou consigo mesmo e conseguiu colocar o buquê preso de baixo do braço direito, o ursinho seguro com o braço esquerdo e carregou a caixa de chocolate com as duas mãos.

Satisfeito com seu malabarismo, afastou-se do carro. Logo se viu com outro problema, como fechar a porta do passageiro? Virou-se de costas e empurrou a porta com a bunda, a batendo. Ainda não tinha como pegar a chave do bolso e travar as portas do carro com o controle. Caminhou até a frente do carro e depositou a caixa de bombons no capô, tirou a chave do bolso da calça e apertou o controle remoto. Voltou a guardar a chave e pegou a caixa de bombons de volta.

Caminhou até a portaria da escola e se deparou com o porteiro. Este estava pronto para recusar-se a deixá-lo entrar – não poderia permitir que o aluno tornasse um costume chegar atrasado à escola por que contava com a sua indulgência. Mas Charles lhe explicou que chegara atrasado porque precisara passar a floricultura antes de vir à escola, porque não queria que as flores estivessem murchas, como aconteceria se ele as houvesse comprado no dia anterior – como fizera com o cachorrinho de pelúcia e a caixa de bombons.

Charles insistiu tanto, relatando o trabalho que lhe dera convencer a florista a abrir a floricultura esta manhã mais cedo só para que ele pudesse comprar o seu buquê de flores, quando estivera em sua floricultura no dia anterior, que o porteiro acabou cedendo à sua lamúria. Assim, Charles entrou na escola com o seu cachorrinho de pelúcia, buquê de girassóis e caixa de bombons em mãos, servindo de alvo dos olhares e risinhos de seus colegas de escola.

Elizabeth e Jane estavam ainda ao corredor, na companhia das outras meninas, quando Charles apareceu ao fim deste, trazendo em suas mãos o seu “charme”. Elizabeth parou de falar no instante que o viu, ficando boquiaberta. Logo exclamou.

--Era para ele escolher um! – Ganhando a atenção das suas amigas. – E não todos de uma só vez! – Além de dizer, mentalmente: “ e eu não disse para ele trazê-los para cá! Que mico!”

--Do que você está falando, Lizzie? – Catherine inquiriu, olhando na mesma direção em que Elizabeth.

--Oh meu Deus! – Lydia exclamou, começando a rir. – Jane! – Lydia cutucou Jane, quem houvera empalidecido diante daquela visão.

            Charles caminhava na direção delas decidido, com o olhar fixo em Jane. Não parecia ver as pessoas ao seu redor, as quais abriam caminho para ele passar e ficavam a segui-lo com os olhos. Ele parou diante das meninas, permanecendo em silêncio, fitando Jane. As meninas começaram a abafar seus risinhos, olhando para ele. Jane estava ficando com as bochechas coradas e desviou o olhar para o chão.

--Ahh, eu me esqueci de fazer um exercício muito importante. – Elizabeth disse, de repente. – Acho que tenho que ir para a minha sala. – Conseguindo que Jane erguesse um olhar assustado para ela, recebendo um sorriso significativo da irmã em resposta.

--Eu também. – Catherine replicou, já caminhando em direção a sua sala. – Lydia, você não vem?

--Fazer o que, não é?! – Lydia replicou e se afastou também, a contragosto; queria assistir àquilo.

--Veja que coisa! – Charlotte exclamou, também indo-se. – Acho que somos péssimas alunas! Eu também me esqueci de fazer um exercício importante.

--Diz alguma coisa. – Elizabeth murmurou para Charles, ao passar ao seu lado e seguir em direção a sua sala.

--Oi, Jane. – Charles murmurou, quase inaudível, conseguindo que Jane dirigisse-lhe o olhar. – São para você. – Ele lhe estendeu os presentes que comprara.

--Obrigada. – Jane respondeu, sorrindo timidamente para ele.

--Será que a gente pode conversar? – Ele pediu, com um olhar muito parecido ao do cachorrinho de pelúcia que comprara para ela.

            Jane o fitou por um minuto e quando ia responder que sim, a professora de Línguas que ia começar dar aula na sala de Jane disse.

--Ora, que belo gesto, sr. Brown. –– Sobressaltando os dois. - Mas a srta. Abbott precisa assistir à minha aula agora. – Com isso, a professora entrou na sala.

--Eu preciso... – Jane indicou a porta de sua sala e Charles concordou com um aceno de cabeça.

--Jane, espere. – Charles pediu, antes que Jane entrasse na sala. – São seus. – Ele disse, aproximando-se dela e estendendo-lhe os presentes uma segunda vez.

--Obrigada. – Jane repetiu, desta vez pegando os presentes que ele lhe dava.

            Sorrindo uma última vez para ele, Jane entrou na sala com seus presentes equilibrados em sua mão.

______________________________

            Elizabeth estava extremamente feliz ao fim do primeiro período. Houvera conseguido terminar o exercício de matemática antes do fim da aula, podendo retomar a leitura do romance que locara na biblioteca da escola. Pouco antes de começar o segundo período, ela concluiu a leitura e decidiu ir devolver o livro.

Saiu de sua sala, com os fones do MP3 nos ouvidos e o livro que estivera lendo em mãos. Assim que pôs os pés ao corredor, viu Charlotte ao lado de Richard, segurando o cachorrinho de pelúcia de Jane em mãos. Lydia e Catherine estavam tentando tomar-lhe o cachorrinho, mas Richard as impedia de ter sucesso, sempre colocando um braço protetor envolta de Charlotte.

Elizabeth riu com aquela cena, deixando que o seu sorriso só aumentasse ao ver a sua irmã um pouco mais adiante, acompanhada por Charles.

I’m tugging at my hair

(Eu estou acomodando o meu cabelo)
I’m pulling at my clothes

(Estou ajeitando a minha roupa)
I’m trying to keep my cool

(Tentando manter a calma)
I know it shows

(Eu sei que dá para notar)

            Charles estava inquieto; por alguma razão, não conseguia parar de alisar a própria camisa e passar uma das mãos pelo cabelo, tentando ajeitá-los – estava receoso de que houvera se arrumado do mesmo jeito que vinha se arrumando a semana toda; estava tão nervoso que não conseguia se lembrar se houvera vestido a blusa do lado certo e penteado o cabelo.

I’m staring at my feet

(Eu estou fitando os meus sapatos)
My checks are turning red

(Minhas bochechas estão ficando vermelhas)
I’m searching for the words inside my head

(Estou procurando pelas palavras certas dentro da minha cabeça)

            Jane também estava nervosa. Ela ficava olhando para todos os lados, menos para Charles. Quando o fazia, ficava com as bochechas bem vermelhas e desviava o olhar para os próprios pés. Parecia que eles estavam começando tudo de novo, como se estivessem se conhecendo naquele momento e não soubessem o que o outro está sentido.

I’m feeling nervous

(Estou nervosa)
Trying to be so perfect

(Tentando ser perfeita)
‘Cause I know you’re worth it

(Porque sei que você vale a pena)
You’re worth it

(Você vale a pena)
Yeah

            Elizabeth deduziu que devia ser assim mesmo que eles estão se sentindo, recomeçando. E ela estava tão feliz por Jane, estava sendo uma tortura vê-la tão triste. Estava tão feliz que sentia até vontade de cantar. E, cantarolando a música que ouvia, seguiu o corredor até a escada.

--It don’t do me any good

(E não está me fazendo nada bem)
It’s just a waste of time

(É só uma perda de tempo)
What use is it to you

(Que serventia tem para você)
What’s on my mind?

(o que está na minha cabeça?)

Will estava subindo a escada, com intenção de ir para a sua sala. Houvera sido o último a sair do laboratório de química ao fim do primeiro período porque misturara os ingredientes da solução errados ao tubo de ensaio, porque estava dando mais atenção ao relato de Charles quanto às dicas que Elizabeth lhe dera para reconquistar Jane às substâncias que estava acrescentando em sua experiência. Em conseqüência da sua desatenção, precisara limpar a bagunça que fizera – porque a solução fermentara e os resíduos escaparam do tubo de ensaio, sujando a sua bancada – e recomeçar a sua experiência do zero, momentos depois.

Charles, é claro, saiu o mais rápido que conseguiu do laboratório ao fim daquela aula, porque queria estar à porta da sala de Jane quando ela saísse de sua sala. Richard e George o acompanharam, porque estavam curiosos para ver o desfecho daquela história, deixando Will para trás, sozinho. Ele esforçou-se para concluir a sua experiência antes que o sinal soasse, anunciando o inicio do segundo período, e tomou o caminho para sua sala. 

--If ain’t coming out

(Se não irá sair)
We’re not going anywhere

(Nós não estamos progredindo)
So why can’t I just tell you that I care

(Então, por que não posso simplesmente lhe dizer que me importo?)
            Will ouviu aquela voz que conhecia perfeitamente soar a alguns degraus acima, à escada. Parou de andar e ergueu a cabeça, vendo a sua mão ao corrimão da escada, os seus cabelos caindo sobre suas costas, à medida que ela estava de costas para o corrimão e olhava para cima, assim como ele.

--‘Cause I’m feeling nervous

(Porque estou nervosa)
Trying to be so perfect

(Tentando ser perfeita)
‘Cause I know you’re worth it

(Porque sei que você vale a pena)

You’re worth it

(Você vale a pena)
Yeah

Elizabeth tinha começado a descer a escada, mas parou ao meio desta e, colocando a mão no corrimão, encostou-se a ele, olhando para o lance de escadas que a levaria para o andar de cima. Não conseguia se lembrar se queria subir ou descer, então ficou naquela posição tentando se lembrar se a biblioteca da escola ficava no andar de cima ou no andar de baixo. “Como é difícil se concentrar quando só se consegue pensar em Jane e Charles, os dois bobos felizes!”, ela se dizia, mentalmente, sorrindo para si mesma.
--If I could say what I want to say

(Se eu pudesse dizer o que quero dizer)
I’d say I want to blow you... away...
(Eu diria que quero enlouquecer você)

Be with you every night

(Ficar com você dia e noite)
Am I squeezing you to tight?

(Eu estou te abraçando forte demais?)

“Acho que é descendo!”, ela concluiu, virando-se para a o mesmo sentido que tomara antes e continuando a descer a escada. Estava tão contente que não conseguia descer a escada de degrau em degrau, queria descer aos pulinhos. Ficou fitando os seus pés, à medida que eles tocavam os degraus um atrás do outro, rapidamente. E virou a esquina da escada, com o intuito de descer o outro lance de degraus.
--If I could say what I want to see

(Se eu pudesse ver o que quero ver)
I want to see you go down on one knee

(Eu queria ver você de joelhos)
Marry me today

(Case-se comigo hoje)
            Will a viu recomeçar a descer a escada. Imediatamente, se aproximou mais do corrimão e colocou sua mão sobre ele, subindo os degraus. Sabia que estaria em seu caminho deste jeito, o que era um comportamento um pouco infantil para alguém da idade dele, mas não estava em situação para se preocupar com isso.

--Guess I’m wishing my life away

(Acho que estou desperdiçando a minha vida desse jeito)
With these things I’ll never say

(Com todas as estas coisas que nunca digo)

            Assim que a palavra “digo” saiu de sua boca, Elizabeth colidiu com algo que lhe assemelhou a uma parede bem dura, que a faria cair para trás se o seu pé esquerdo ainda não estivesse no degrau anterior, servindo-lhe de suporte. Ela ergueu a cabeça lentamente – perguntando-se como podia ter colidido com uma parede no meio da escada – e fitou o peitoral de um garoto, o pomo-de-adão de um garoto – o qual lhe parecia bastante familiar; ergueu um pouco mais os olhos e fitou um queixo, lábios e nariz que conhecia muito bem. Começou a sentir uma agonia no estômago, além de um ardor nas bochechas, ao erguer os olhos e fitar o olhar intenso daqueles olhos azuis.  

What’s wrong with my tongue?

(O que há de errado com a minha lingual?)
These words keep slipping away

(As palavras ficam me escapando)

            Elizabeth ficou ali, com o seu corpo praticamente colado ao dele, paralisada. A sua respiração começou a falhar, à medida que o seu coração ficou acelerado. Ficava dizendo a si mesma para desviar o olhar, sair de seu caminho e seguir o seu rumo; mas não conseguia pôr em prática nenhuma de suas decisões. Nem mesmo a primeira. Ficou ali, olhando fixamente dentro dos olhos deles, já sentindo a respiração pesada dele sobre o seu rosto.

I stutter

(Eu hesito)
I stumble

(Gaguejo)
Like I’ve got nothing to say

(Como se não tivesse nada para dizer)

            Will ficava dizendo a si mesmo para abrir a boca e dizer alguma coisa, para não deixar esta oportunidade escapar. Mas também não conseguia pôr em pratica nenhuma de suas decisões. Quanto mais ele olhava dentro daqueles olhos amendoados, mas perdido e sem reação ele se sentia.  

Guess I'm feeling nervous

(Acho que estou me sentindo nervosa)
Trying to be so perfect

(Tentando ser perfeita)

            Elizabeth começou a sentir a mão que estava ao corrimão esquentar, como se estivesse pegando fogo. E, ao olhar em sua direção, viu a mão de Will sobre a sua, ao corrimão. Instantaneamente, a sua mão começou a formigar e ela desviou o olhar de volta para ele – quem estivera olhando para a própria mão sobre a dela e teve a mesma reação, voltando a virar o rosto em sua direção. 

‘Cause I know you’re worth it

(Porque sei que você vale a pena)
You’re worth it

(Você vale a pena)
Yeah

            Ambos, imaginando o que o outro estava pensando sobre aquilo, puxaram as próprias mãos, arrependendo-se de tê-lo feito logo em seguida. Elizabeth deu um passo para direita, para sair da frente de Will, ao mesmo tempo em que ele dava um passo para a esquerda, parando a sua frente novamente. Elizabeth o fitou por um segundo antes de tentar mais uma vez e o fato se repetiu. Ela não conseguiu resistir ao absurdo que aquela situação era e começou a sorrir, tentando se controlar para não começar a gargalhar, por estar se sentindo estúpida parada diante dele daquele jeito.

La da da da La da da da...

            Will estava, literalmente, soltando fogos por dentro. Ela estava sorrindo para ele!

Guess I’m wishing my life away

(Acho que estou desperdiçando a minha vida desse jeito)
With these things I’ll never say

(Com todas as estas coisas que nunca digo)

            Elizabeth parou de sorrir ao ver a expressão séria que ainda persistia no rosto dele. “Ele, provavelmente, deve estar pensando que estou rindo dele!”, ela pondera, crucificando-se por seu ato de nervosismo; “mas, que culpa tenho eu se sempre riu quando entro em pânico?!”.

If I could say what I want to say

(Se eu pudesse dizer o que quero dizer)
I’d say I want to blow you... away...
(Eu diria que quero enlouquecer você)

Be with you every night

(Ficar com você dia e noite)
Am I squeezing you to tight?

(Eu estou te abraçando forte demais?)

            Ela o fitou seriamente nos olhos, respirando fundo para continuar com o semblante sério – estava louca para continuar a rir – e decidiu que precisava sair dali o mais rápido que conseguisse, antes que fizesse algo que realmente fosse ofensivo. E, com um ágil passo para esquerda, saiu de sua frente e seguiu o seu caminho, descendo o restante dos degraus às pressas.

If I could say what I want to see

(Se eu pudesse ver o que quero ver)
I want to see you go down on one knee

(Eu queria ver você de joelhos)
Marry me today

(Case-se comigo hoje)

            Will virou-se para olhá-la indo embora, reclamando para si mesmo que a estava deixando escapar. Repetia a si mesmo para dizer alguma coisa; vindo a abrir a boca várias vezes, mas sem conseguir pronunciar uma palavra sequer.

Guess I’m wishing my life away

(Acho que estou desperdiçando a minha vida desse jeito)
With these things I’ll never say

(Com todas as estas coisas que nunca digo)

--Lizzie, espere! – Will disse, mas em um murmúrio tão baixo que foi impossível de Elizabeth escutá-lo, ainda mais com aqueles fones de ouvido.

With these things I’ll never say

(Com todas as estas coisas que nunca digo)

            Elizabeth sentia aquelas duas frases ecoando em sua mente, à medida que ela descia o último degrau e virava a esquina: “acho que estou desperdiçando a minha vida desse jeito, com todas as estas coisas que nunca digo”. Reclamando a si mesma que nada adiantava permanecer ali, diante dele, se ambos iam ficar calados.

________________________________

            Durante o intervalo daquela quinta-feira, as meninas não tinham outro assunto a tratar, a não ser o gesto romântico de Charles para reconquistar Jane, enquanto lanchavam juntas ao refeitório. Todas elas queriam ouvir de Jane, com mínimos detalhes, o que Charles tinha dito para justificar o seu comportamento.

--Ele pediu mil desculpas por tudo o que tinha dito ao domingo, quando estivemos ao Basement, e pediu desculpas também por todo o mal entendido que se seguiu a este episódio. – Jane respondeu ao pedido de suas amigas, escolhendo com cuidado as suas palavras para não entrar em muitos detalhes (ela não queria relatar cada palavra que Charles proferira em seu pedido de desculpas, porque muitas delas foram declarações românticas, as quais Jane desejava guardar para si mesma). – E disse também que se não fosse por minha irmãzinha,... – Dizendo isto, Jane olhou para Elizabeth com um falso olhar recriminador, conseguindo que Elizabeth desviasse o olhar, ficando corada. – quem quebrou uma promessa que havia me feito, ele não saberia o quão gigantesco papel de idiota fizera ao permitir que Victor me convidasse para ir ao Halloween como seu par.

--Por que ele fez isso? – Catherine questionou. – Ele lhe deu alguma razão para tal comportamento?

--Somente que, por achar que eu tinha terminado com ele, ele não tinha mais como evitar que outros garotos me cortejassem! 

--Viu?! Se não fosse por mim, Charles ainda estaria deixando que você fosse cortejada por milhares de outros garotos! – Elizabeth comentou, orgulhosa. – A senhorita devia me agradecer!

--A senhorita não devia quebrar as promessas com as quais se compromete! – Jane continuou a repreendê-la, embora ainda sorrisse.

--Eu não quebrei promessa alguma! – Elizabeth garantiu, deixando a irmã a fitá-la com um olhar de incredulidade, enquanto as amigas começavam a rir. – Olhe para ele! – Elizabeth ordenou, virando-se para olhar para Charles, sentado em outra mesa com seus amigos. – Ele ainda tem aquela cabeça sorridente grudada ao pescoço, não tem?! – As meninas continuaram a rir, concordando com acenos de cabeça, frenéticos, enquanto Jane dirigia a Elizabeth um olhar atravessado. – Então, eu cumpri a minha promessa!

--Ahh, mas foi tão romântico o gesto dele! – Catherine suspirou. – As flores, os bombons, o cachorrinho de pelúcia... – Comentou, sonhadora.

--Tudo foi idéia de Elizabeth. – Jane replicou, com um sorriso acusador para a irmã.

--Ei! Eu disse para ele escolher um entre os três e não trazer os três de vez! – Elizabeth apressou a se explicar. – Sem falar que, eu não disse para ele trazê-los para cá! Imaginei que ele fosse lhe surpreender lá em casa, sei lá.

--Bem, ele disse que resolveu que preferia trazer os três de vez a correr o risco de eu não perceber o quão arrependido ele estava! – As meninas todas riram ao ouvir esta explicação de Jane; era justamente o tipo de coisa que Charles faria mesmo. – E, quanto à parte de levar os presentes lá para casa, ele jura que sequer passou pela cabeça dele esta opção. Ele até chegou a dizer: “quem me dera ter pensado nisso!”. – Esta revelação causou um assomo de risos entre as meninas.

--Como você pretende levar todos os seus presentes para casa de ônibus, Jane? – Charlotte, sempre prática, questionou-a.

--Charles vai nos levar para casa hoje. – Jane respondeu, sorridente.

--Ahhh... – As meninas replicaram, sorridentes também. – Mas é claro que vai!

 

 

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