Capítulo 57
De onde estava, conseguia ver a piscina repleta de garotos barulhentos, o professor de natação à borda – gritando instruções a determinados garotos – e outros poucos garotos ainda fora da piscina, dentre eles: Charles e Will.
Elizabeth precisou de dois longos minutos para conseguir se controlar diante da imagem que estava vendo. Ambos os garotos estavam vestidos apenas com as suas sungas; Charles sentado, com uma toalha dependurada em seu pescoço, e Will de pé, enfrente ao amigo, com uma toalha dependurada no pescoço, a qual ele segurava com as mãos – deixando os seus bíceps flexionados.
--Isso não é justo! – Elizabeth resmungou com Deus, antes de entrar na área da piscina e se dirigir aos garotos.
Will estava tentando convencer Charles a tentar uma última vez conversar com Jane a respeito do namoro dos dois, garantindo a Charles que o comportamento de Elizabeth no dia anterior estava diretamente ligado ao fim do namoro dele com Jane. Enquanto Charles lhe garantia que o comportamento de Elizabeth deveria estar ligado ao que ele disse a respeito dela no domingo, ao Basement; para Charles, Jane deve ter finalmente contado a Elizabeth o que a levou a terminar com ele e que, agora, Elizabeth estava tão zangada com ele quanto Jane ficara no momento em que Charles acusara a sua irmã injustamente.
Will fitou Charles por um bom momento, sem saber o que lhe dizer. Lembrava-se da reprovação de seu primo quando lhe contara o que aconteceu e, olhando Charles, soube que a última coisa de que ele precisava agora era um sermão de sua parte quanto ao que ele dissera a respeito de Elizabeth. Por isso, preferiu ficar calado. Charles já estava se sentindo culpado sem precisar de nenhum incentivo de sua parte.
Richard saiu da piscina, pré-aquecida, completamente molhado e juntou-se aos outros dois. Ficou tentando convencê-los de entrar na piscina antes que o professor de natação viesse lhes dar um sermão por não estar participando de sua aula. Mas sua atenção foi roubada por uma menina, a qual não era da sua sala e caminhava na direção deles de forma decidida.
--Lizzie, o que você está fazendo aqui? – Richard exclamou, evidentemente surpreso.
Will voltou-se para olhá-la, sentindo o seu coração acelerar de repente. Charles também voltou-se para olhá-la, encontrando o seu olhar frio fixo na sua pessoa.
--Você – Elizabeth disse, friamente, olhando para Charles somente; não se confiava a olhar para Will àquela pequena distância e, por mais que se sentisse tentada a espiar Richard, não acreditava que Charlotte ficaria satisfeita quando soubesse. – Eu preciso falar com você.
Charles continuou a fitá-la, incerto se ela estava falando com ele; mas, como ela estava olhando somente para ele, ele perguntou.
--É comigo? –Com a mão direita no próprio peitoral.
--Com quem mais?! – Elizabeth replicou, tentando resistir à tentação de olhar para os outros dois garotos seminus de pé ao lado de Charles.
--Srta. Abbott, a que devo a honra de sua visita? – O professor de natação inquiriu-lhe, ao se aproximar deles.
--Eu preciso falar com Charles, professor Henry. – Elizabeth arriscou virar o rosto na direção do professor (vindo a passar os minutos seguintes tentando ignorar o rápido vislumbre dos dois meninos seminus de pé, praticamente, a sua frente) e sorrir-lhe o melhor de seus sorrisos. – Eu irei roubá-lo de sua aula só por alguns minutinhos. – Explicou ao professor, quem lhe sorriu (o professor de natação sempre gostara dela, por causa de seu bom humor durante as suas aulas; era justamente por isso que a deixava chamá-lo por seu primeiro nome).
--Tudo bem. – Henry concordou, voltando-se para os meninos. – Brown, você pode conversar com a srta. Abbott... Enquanto o restante de vocês, já para a piscina! – Ordenou aos demais meninos, ao que Richard não demorou de aquiescer.
Will ainda ficou parado no mesmo lugar por um momento, observando Charles seguir Elizabeth até o corredor, fora da área da piscina. Mas foi obrigado a entrar na piscina quando o professor de natação parou diante dele, de braços cruzados, olhando seriamente para ele, impedindo a sua visão de Elizabeth e Charles.
Elizabeth parou ao corredor e voltou-se para encarar Charles. Viu o menino parar a sua frente, com os pés paralelos um ao outro, com os braços cruzados enfrente ao peito, tentando manter em seu rosto uma expressão fria. Aquela visão deixava Elizabeth com uma vontade enorme de rir; olhar Charles seminu, parado a sua frente, numa postura defensiva, era muito engraçado. E ela acabou deixando escapar uma gargalhada, fazendo-o franzir a testa.
--O que? – Ele questionou, intrigado; pensara que Elizabeth estava ali para lhe arrancar a cabeça fora pelo que tinha dito a respeito dela, mas ela estava rindo-se dele. Não podia estar zangada se estava rindo!
--Nada. – Elizabeth respondeu, tentando parar de rir. – É que você está engraçado... desse jeito. – Ela disse, rindo mais um pouquinho, fazendo Charles descruzar os braços e ficar inquieto.
--Olha, Lizzie... – Charles começou a dizer, usando de um tom de voz clemente. – Desculpe-me pelo que eu falei... Eu não pretendia lhe ofender... – E foi a vez de Elizabeth ficar com a testa franzida, perguntando-se do que ele estava falando. Então, lembrou-se das coisas que ele dissera a seu respeito ao Basement, o que ocasionara a briga entre ele e sua irmã.
--Eu não estou aqui para falar sobre isso. – Garantiu-lhe, voltando a ficar séria. – Pelo menos, não na parte que me diz respeito.
-- Mesmo?! – Charles inquiriu, surpreso.
--Mesmo. – Elizabeth respondeu, sinceramente. – Eu estou pouco me importando com o que você disse a meu respeito aquela noite. – Esta afirmação fez Charles ficar apreensivo; o que aquilo significava, afinal? Como ela não podia se importar com o que ele pensava a seu respeito, quando ele só estava repetindo a opinião de seu amigo? Isso significava que ela não se importava com o que Will pensava dela? – Eu estou aqui para conversarmos sobre a minha irmã. – Mas esta afirmação de Elizabeth varreu todas as perguntas de Charles de sua cabeça.
--Jane?! – Ele ficou ainda mais agitado.
--Sim. – Elizabeth disse e, olhando-o como se tentasse ler a sua mente, inquiriu-lhe. – Você gosta de Jane? – Vindo a notar que Charles ficou ainda mais inquieto. – Vamos, Charles! Seja honesto comigo! Esta é uma pergunta fácil; você só precisa responder sim ou não. – Como ele continuou calado, apenas ficando mais inquieto, Elizabeth repetiu a pergunta de forma mais enérgica. – Você gosta da minha irmã ou não?!
--Sim! – Ele exclamou, veemente. – Claro que eu gosto. – Esta resposta dele fez Elizabeth sorrir por dentro, aliviada; mas ainda não estava disposta a demonstrar isso.
--Então, por que você encorajou um garoto da sua sala a convidar Jane a sair com ele?! – Questionou-lhe com uma pitada de revolta na sua voz.
--Eu não fiz isso! – Charles rebateu, indignado.
--Fez sim! – Elizabeth ficou ainda mais revoltada com a negativa dele. – Ele disse que pediu a sua permissão para convidá-la para acompanhá-lo a festa do Halloween e que você a concedeu!
--Eu não fiz nada disso. – Charles garantiu. – Eu só... Eu só achei que não era mais de minha conta com quem Jane sai dou deixa de sair, já que ela terminou comigo! – Charles exclamou, ficando exaltado.
--Jane não terminou com você! – Elizabeth exclamou de volta.
--Ela disse que não queria mais falar comigo, Elizabeth. – Charles exclamou de volta, a mesma altura de voz que ela. – Ela terminou comigo.
--Qual é o problema de vocês, meninos?! – Elizabeth questionou-o, enfurecida. – Vocês não têm cérebro?! – Charles estava indignado, mas não teve a oportunidade de replicar, porque Elizabeth logo continuou. – Ela estava zangada, não queria criar outra cena igual ao do Basement nos corredores da escola, mas ela não terminou com você!
--Bem... – Charles ficou, momentaneamente, sem saber o que dizer; novamente com aquele olhar perdido. – Eu pensei... Ela não estava falando comigo, eu deduzi que ela tinha terminado comigo!
--Acorde, Charles! – Elizabeth, no entanto, continuou com a sua tirania. – Coisas, como o fim de um relacionamento, não devem ser deduzidas. Você precisa ter certeza! – Enquanto Charles continuava a olhá-la com uma expressão desolada no rosto. – Você sabe o que foi para Jane vir à escola na terça-feira e descobrir por um menino qualquer, com o qual ela nunca tinha trocado uma palavra antes, que você terminou com ela?!
--Eu... – Charles continuava sem saber o que dizer; em sua mente, ele ainda se dizia: eu não terminei com ela, ela terminou comigo!
--O que?! – Elizabeth, no entanto, estava aguardando por suas explicações. Notando que não teria uma explicação da parte dele, disse. – O que você vai fazer agora?
--Com relação ao que? – Charles questionou-a, completamente perdido.
--A minha irmã! – Elizabeth exclamou, exasperada. – Qual é o seu problema?! – E Charles voltou a ficar em silêncio, sentindo-se humilhado. – Você quer voltar para Jane ou não? – Ele confirmou com um aceno de cabeça frenético. – Então, o que vai fazer a respeito?
--Eu não sei. – Charles respondeu, desolado. – Ela não vai querer falar comigo depois do que eu fiz! – Ele completou, desesperado.
--Oh, por favor, Charles! – Elizabeth rebateu, sem paciência. – Você é um homem ou não?! – Charles direcionou um olhar magoado a Elizabeth. – Você tem de fazer alguma coisa para conseguir que ela converse com você!
--O que você quer que eu faça?! – Charles exclamou. – Eu faço qualquer coisa!
--Pense um pouco! – Elizabeth replicou, energeticamente. – Jane não é tão teimosa quanto eu; tenho certeza que você, com um pouco de charme, pode muito bem convencê-la a lhe dar ouvidos!
E, com isso, Elizabeth deu-lhe as costas e tomou o caminho de volta para a sua sala o mais rápido que conseguiu – sabia que todos na classe já deviam estar achando que ela estava com diarréia mesmo por causa de sua demora – deixando um Charles, ainda perdido, observando a sua figura sumir pelo corredor às pressas.
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Will viu o momento em que Charles retornou a área da piscina e agilmente nadou até o outro lado da piscina, chegando à outra borda no exato instante em que Charles parava a frente de sua raia. Will estava quase sem fôlego, por ter conseguido atravessar a piscina naquele tempo recorde, mas ainda conseguiu inquirir-lhe o que Elizabeth queria conversar com ele.
Charles agachou-se diante da raia de Will, para conversar com ele quase em mesmo nível de altura. Richard chegou à borda da piscina, à raia ao lado a de Will, e George chegou um pouco após a ele, uma raia após a de Richard.
--Ela só veio me dizer que eu fiz o maior papel de otário... – Ele disse a Will, desolado e enfurecido consigo mesmo, ao mesmo tempo. – ao deixar que Victor convidasse Jane para sair! – Os amigos dele concordaram, o que só aumentou a angústia de Charles. – E agora? O que é que eu faço?! – Ele questionou aos amigos, que lhe retribuíram um olhar tão perdido quanto o seu. – Jane não vai querer falar comigo depois disso!
Henry passou por Charles e o empurrou na piscina, surpreendendo-o. Ele caiu na piscina espalhando água para todo lado. Quando emergiu, estava se engasgando com a água.
--Chega de folga! – Henry bradou para ele.
--O senhor podia ter pedido para eu entrar na piscina. – Charles reclamou. – E não me jogado! Agora a toalha está molhada. – Comentou, chateado, jogando a toalha para fora da piscina. – Com o que eu vou me secar a gora?
--Ao vento. – Henry replicou, seguindo o seu caminho até a outra borda da piscina, onde daria instruções a outros alunos.
Charles ainda passou uns minutos resmungando por causa da atitude do professor de natação. Mas logo voltou a reclamar sobre sua própria postura quanto a Jane, porque era este assunto que realmente o estava incomodando. Will também estava começando a ficar realmente preocupado; contudo, com relação a ele e Elizabeth.
A esta altura, já estava completamente convencido de que tinha feito uma grande besteira ao terminar com ela. E, agora, estava em mesmo predicamento que Charles. E voltou a se fazer a mesma pergunta, a qual ele sabia, já havia se feito antes: “como eu vou conseguir para Elizabeth me perdoar?! Se quando esteve aqui há pouco para falar com Charles mal me dirigiu o olhar!”
Não é de se admirar que os dois meninos passaram as suas horas após a visitinha que Elizabeth lhes prestara imaginando uma maneira de concertar os seus erros. Mas foi somente após o intervalo das aulas, quando saia do refeitório, que Charles decidiu-se por procurar Elizabeth. Ele tinha visto Jane cercada por garotos do terceiro ano da turma dela, conversando amistosamente com todos eles, e isto o deixou verde de ciúmes. Mas sabia que se ela se encontrava nesta situação era por sua culpa; a atitude de Charles perante Victor se espalhou pelo colégio rapidamente e agora outros meninos também acreditavam que não havia problema algum em cortejar Jane.
Aproveitando que Elizabeth estava sentada a um dos degraus da escada do corredor de sua sala, sozinha, lendo um livro que locara na biblioteca da escola, Charles se acercou dela. Elizabeth ergueu o olhar de seu livro ao se deparar com uma sombra sobre suas folhas e viu Charles parado a sua frente, impedindo que a luz da lâmpada florescente do corredor iluminasse o seu livro.
--Pois não?! – Elizabeth questionou, o mais solicita que pode naquele momento, sorrindo amorosamente para ele.
--Quando você disse... – Charles começou, hesitante. – que eu podia conseguir com que Jane me desse ouvidos...
--Com um pouco de charme. – Elizabeth completou para ele, ainda aguardando a sua pergunta.
--O que você tinha em mente ao dizer isso? – Charles questionou-a. – O que você sugere que eu faça?! – Ele implorou com os olhos ao lhe fazer tais perguntas.
--Você nunca assistiu um filme romântico em que o cara dá um buquê de flores, ou uma caixa de chocolate, ou, até mesmo, um ursinho de pelúcia a mocinha do filme? – Elizabeth inquiriu-lhe, ainda sorridente. – Eu sei que é clichê, mas sempre funciona!
--Mesmo? – Charles replicou, surpreso.
--Sim, Charles. – Elizabeth garantiu. – Jane pode até negar, mas é uma romântica incurável! – Charles devolveu-lhe um olhar sonhador, o que só aumentou o sorriso nos lábios de Elizabeth.
--Obrigado! – Charles replicou, dando-lhe as costas e se afastando, ainda pensativo.
--Disponha. – Elizabeth replicou, voltando o seu olhar para o livro. Mas logo outra sombra surgiu sobre ele.
Elizabeth reergueu o olhar e deparou-se com Charles novamente.
--Que tipo de flores Jane gosta? – Ele perguntou, interessadíssimo.
--Girassóis! – Elizabeth respondeu, olhando-o nos olhos.
--Girassóis. – Charles repetiu, voltando a se afastar de Elizabeth. – Girassóis. – Continuou a repetir como se quisesse se certificar de que não se esqueceria.
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Durante aquela tarde, Elizabeth e Jane tinham aula de dança. As duas irmãs se arrumaram para voltar à escola um pouco após o almoço e logo tomaram o seu rumo. Quando chegaram à escola, encontraram-se com Catherine, Lydia e Charlotte a entrada. Era de se surpreender que as meninas estivessem à escola tão cedo, Elizabeth e Jane estavam à escola este horário porque geralmente faziam uma visita a Georgiana antes da aula de dança. Então, logo se interessaram pelo motivo de elas estarem ali àquele horário.
Lydia lhe explicou que decidira vir assistir a aula de dança de Caroline. Desde que soubera o que Caroline houvera feito a Elizabeth na segunda-feira, ao corredor da escola, Lydia tinha decidido aproveitar toda oportunidade que surgia para infernizar a vida de Caroline à escola. E vinha tendo sucesso, porque Caroline já estava arrependida de ter importunado Elizabeth.
--Lydia, você não pode ficar abusando Caroline durante a aula de dança! – Jane a recriminou.
--Por que não?! – Lydia replicou, com a testa franzida. – Eu prometi a mim mesma que ia fazê-la se arrepender de se meter com a minha amiga e só estou começando! – E, dizendo isso, Lydia escalou a escadaria de entrada da escola às pressas, sendo seguida por uma saltitante Catherine (sua comparsa).
--Lydia, volte aqui! – Jane correu atrás das duas, sendo seguida por Elizabeth e Charlotte, ambas sorridentes.
Quando Elizabeth cruzou a porta da sala onde Georgiana tinha aula de piano, a sra. Delacour estava de saída. Elizabeth parou de andar e disse a Charlotte para avisar Jane que ela ia fazer uma visita a Georgiana, já que não tinha noticias da menina desde o trágico sábado. Charlotte acenou em concordância e seguiu atrás de Jane, quem já havia entrado na sala em que tinha aula de dança atrás de Lydia e Catherine.
Georgiana já houvera recolhido seus materiais e se caminhava a porta quando Elizabeth entrou. A menina fitou Elizabeth surpresa, ficando um pouco pálida. Elizabeth estranhou o seu jeito, parecia-lhe que Georgiana houvera visto um fantasma. Mas, ainda assim, sorriu-lhe, ao dizer.
--Oi, Ana.
--Lizzie, oi. – Georgiana respondeu, tentando sorrir de volta, mas falhando miseravelmente.
Desde a segunda-feira, quando ficara em dúvida se devia ou não procurar por Elizabeth e conversar com ela sobre Will, que Georgiana decidira-se por não fazê-lo. Tinha receio que se o fizesse, estivesse traindo o seu irmão – quem realmente estava triste desde o fim de seu namoro com Elizabeth. Georgiana não sabia os motivos que levaram ao fim do namoro e nem de quem era a culpa, mas sentia-se na obrigação de ficar do lado do irmão. Como gostava de Elizabeth e não conseguia se imaginar brigando com ela, preferiu manter a distância para conseguir ser fiel ao seu irmão.
Mas não estava contando que Elizabeth a procurasse; pelo menos, não houvera pensado no que faria se isso acontecesse. A vendo ali, a sua frente, deixava Georgiana nervosa. Não conseguia ficar com raiva de Elizabeth; seria tudo muito mais fácil se conseguisse, disso Georgiana tinha certeza.
--Como você está? – Elizabeth inquiriu, aproximando-se da menina.
--Bem. – Georgiana respondeu, tentando se acalmar.
--Como ficou resolvido o problema da sua fantasia do Halloween? – Elizabeth insistiu, procurando um assunto reconfortante para conversarem; sentia como se soubesse o que a menina estava pensando naquele momento.
--Deu tudo certo. – Georgiana respondeu, já recuperando a cor do rosto. – Minha mãe foi buscar as minhas asas na loja na segunda-feira à tarde. – Comentou, já conseguindo soar mais tranqüila.
--Está animada para a festa? – Elizabeth sorriu-lhe, ao ver que Georgiana já estava se sentindo mais a vontade na sua presença.
--Muito. – Georgiana finalmente conseguiu sorrir. – Não vejo à hora, na verdade!
--Isso é ótimo! – Elizabeth comentou mais confiante; estava aliviada que Georgiana não estava zangada com ela, o que certamente aconteceria caso Will houvesse lhe explicado os motivos que o levara a terminar com ela, Elizabeth imaginava. – Eu imagino que Owen está tão animado com relação esta festa quanto você! – Este comentário de Elizabeth deixou Georgiana com as bochechas vermelhas de vergonha; mas a menina ainda lhe sorriu, desviando o olhar para o chão timidamente.
--Lizzie,... – Georgiana disse, hesitante; estava curiosa demais para deixar esta oportunidade escapar. Pelo menos, estava sendo fiel a uma de suas decisões; afinal, não fora ela quem procurou por Elizabeth e, sim, o inverso. – Lizzie, por que você e o meu irmão terminaram? – Georgiana finalmente lhe inquiriu, fitando Elizabeth atentamente ao lhe fazer tal pergunta.
Elizabeth desviou o olhar de Georgiana e se aproximou do piano, fitando o teclado, deixando seus dedos passear sobre algumas teclas, produzindo algumas notas. Georgiana notou a sua inquietação, mas insistiu.
--Lizzie, você não gosta do meu irmão, é isso?! – Elizabeth suspirou a esta pergunta, mas não se voltou para olhar Georgiana. Ao invés disso, sentou-se ao piano e disse.
--Eu já te disse por que quis aprender a tocar piano? – Começando a extrair outras notas do piano. – Eu assisti Romeu & Julieta (Romeo and Juliet - 1996) e, apesar de não entender nada do que eles estavam falando, porque era muito nova para entender aquele linguajar... Simplesmente adorei a música que tocava na cena em que eles se vêem a primeira vez, no baile, através do aquário. – Elizabeth comentou, distraidamente, lembrando-se de tal fato. – Eu não sosseguei até convencer o meu pai de que tinha que aprender a tocar piano, para aprender a tocar aquela música. – E, então, começou a tocar a música de que se referira, I’m kissing you de Des’ree. – Pride can stand...
(O orgulho pode sobreviver)
A thousand Trials...
(A mil julgamentos)
The strong will never fall...
(Os fortes nunca se abalam)
But watching stars without you…
(Mas olhando as estrelas sem você)
My soul cried...
(Minha alma chora)
Grieving heart is full of pain…
(O coração entristecido esta cheio de dor)
of, of the aching…
(de, de dor)
Georgiana já havia ouvido Elizabeth dizer que adorava músicas tristes; na verdade, ouvira ela lhe dizer que todas as suas músicas prediletas tocadas em um piano são tristes. Mas, esta em especial, parecia significar muito mais que uma simples música. Era como se Elizabeth estivesse respondendo a pergunta que ela lhe fizera instantes atrás.
--'Cause I'm kissing you, oh…
(Porque estou beijando você)
I'm kissing you, Love...
(Estou beijando você, amor)
Elizabeth parou de tocar bruscamente ao se dar conta do que estava cantando para Georgiana. “Porque sempre que tento fugir de uma situação embaraçosa, me enfio em outra ainda maior?” E, lembrando-se que Will geralmente vinha buscar Georgiana à escola de tarde, ergueu-se do banquinho do piano se crucificando por seu desleixo. “E se ele já estiver do lado de fora da porta, preste a entrar aqui atrás de Georgiana e me encontrar aqui, nesta situação? Ou e se ele estiver ouvindo a conversa de nós duas este tempo todo e tenha ouvido a música que eu estava tocando? Que vergonha!”.
--Ahh, Ana, eu preciso ir para a minha aula. – Elizabeth disse, de repente, já caminhando em direção a porta da sala. – Até outro dia. – E abriu a porta, saindo da sala. Ficou aliviada ao ver que ele não estava ali.
--Lizzie? – Georgiana chamou por ela, já do lado de fora da sala. Elizabeth parou de andar, antes de entrar a sala de aula de dança, e voltou-se para Georgiana. – Eu gosto muito de você, independente do meu irmão! – Georgiana garantiu a ela, reafirmando algo que Jane uma vez lhe dissera a respeito da amizade que existia entre Elizabeth e Georgiana.
--Eu também gosto muito de você. – Elizabeth replicou, sorrindo para Georgiana. – Independente do seu irmão! – Também se recordando de tal ocasião e sabendo muito bem ao que a menina quis aludir.
Então, cada uma seguiu o seu caminho.
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Will estava parado a porta da escola, dentro do seu carro, tentando se decidir se devia ou não ir até a sala de Georgiana. Imaginava que Elizabeth estaria com ela àquele momento, só não sabia se esta era a melhor forma de tentar se reaproximar dela. Queria conversar com Elizabeth com calma, mas na presença de Georgiana isso não seria possível. E, sem falar que, se elas estivessem na sala em que Elizabeth tem aula de dança seria ainda mais difícil conversar com ela; lá estariam as amigas de Elizabeth, sem falar em Caroline – ele não entendia como era possível depois do fora que ele dera em Caroline, mas ela voltara a se insinuar para ele durante os intervalos das aulas desde que soubera do fim do namoro dele e de Elizabeth.
Realmente, seria muito difícil conversar com ela nestas condições. Além de que, ele precisaria muito mais que a vontade de acertar as coisas para conseguir que ela o perdoasse. Precisaria saber o que dizer, como dizer, para conseguir que ela lhe desse outra chance. E ele ainda não tinha certeza de como fazer isso. Não podia, simplesmente, aparecer na frente dela despreparado.
Quando a sua vontade de vê-la venceu o seu medo e ele colocou a mão na maçaneta do carro, a porta de passageiro ao seu lado foi aberta e Georgiana entrou no carro, fechando a porta logo depois. A menina tinha um semblante sério, o qual denunciava que ela havia visto Elizabeth e conversado com ela. Will ficou receoso de lhe perguntar o que Elizabeth havia lhe dito, então apenas fitou a irmã, imaginando se ela lhe diria alguma coisa.
--Você não devia ter terminado com Lizzie. – Georgiana disse; mas não estava zangada, ela estava triste.
--O que ela lhe disse? – Will finalmente perguntou, afoito.
--Nada. – Georgiana replicou, desviando o olhar do dele, crucificando-se por ter feito tal comentário.
--Ela deve ter lhe dito alguma coisa para você me dizer isso! – Will rebateu, tentando não soar chateado com o silêncio de sua irmã.
--Ela não precisou me dizer nada, Will. – Georgiana disse, voltando a olhá-lo.
--O que você quer dizer com isso? – Will questionou-lhe, mas Georgiana se negava a fazer qualquer outro comentário a respeito.
--Vamos para casa. – Disse, decidida, voltando a olhar para frente e colocando o cinto de segurança.
Will ainda tentou lhe extrair mais informações, mas Georgiana estava irredutível. Não lhe sobrou outra opção, a não ser levá-la para casa. Mas não conseguiu parar de pensar no momento em que sua irmã lhe dissera “Você não devia ter terminado com Lizzie”; o tom de voz que usara ou o olhar triste que lhe lançara.














