Citações

Nossa situação é perfeitamente idêntica. Não temos nada para contar uma à outra; você, por não ter nada a comunicar ; e eu, por nada ter a esconder. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo LIV

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Capítulo 54

 

Ao fim do primeiro período, Will presenciou o mesmo comportamento de Charles. Seu amigo saiu da sala assim que a professora de línguas se retirou. Will deduziu a onde ele estaria indo e o que ele tentaria fazer, então se voltou para Richard. Este, notando sua atitude, seguiu o exemplo de Charles e saiu da sala logo em seguida. George, para não ficar a sóis com Will e dizer algo a mais que não devia, foi atrás de Richard.

Will levantou-se de sua cadeira, inconformado com o comportamento de seus amigos, e também saiu da sala. Mas não tinha pretensão alguma de segui-los. Decidiu por ir ao banheiro e depois beber um pouco de água, talvez, para ter com que ocupar o seu tempo. A caminho do banheiro viu Richard à companhia de Charlotte e George, um pouco mais adiante, acompanhado por outro colega de sala. Ele estava, supostamente, conversando com o menino sobre o placar do jogo de futebol que fora exibido pelo canal de esportes na noite anterior, mas tinha o olhar fixo em Lydia (quem estava um pouco mais adiante, conversando com Mary).

Um pouco mais adiante, Will viu Catherine acompanhada por Daniel; quem lhe cumprimentou com um sério aceno de cabeça, o que Will correspondeu, por mera educação – não sabia dizer ao certo o que era, mas não sentia irritação com aquele gesto do menino, quando estava praticamente atirando pedras em todos os outros (que não fossem Richard, Charles e George) que lhe dirigiam a palavra aquela manhã.

Ele não viu Charles em nenhuma parte e muito menos Jane. Seguiu em direção ao banheiro e entrou nele. Alguns minutos depois, quando estava saindo do banheiro, ouviu: ‘a sua pequena “aventura” com Will Darcy acabou’, no tom de voz mais irritante, na opinião de Will (exceto quando ele pensava em Caroline), e teve a sua curiosidade aguçada.

Assim que pôs os pés no corredor, viu Bill e Elizabeth discutindo bem a frente da porta do banheiro masculino. Nenhum dos dois notou a sua presença, porque estavam demais concentrados em discutir entre si, mas duas meninas que estavam um pouco mais distantes o viram e deixaram escapar uma gargalhada audível.

Will estava decidido a não se intrometer naquela conversa, como já o fizera uma vez – quando ajudou Elizabeth a se livrar de Bill. E começou a pensar uma forma de fugir da presença dos dois antes que eles o notassem. Mas, ao ouvi-lo dizer-lhe: ‘Eu não vou tolerar mais nenhuma de suas indiscrições!’, sentiu o sangue lhe subir a cabeça e as suas mãos se fecharam em punhos.

Quando ele deu um passo na direção de Elizabeth, ela estava exclamando: “Como é que é?!” – ela estava, evidentemente, surpresa e profundamente irritada. O que foi o suficiente para detê-lo àquele momento, dizendo a si mesmo que ela podia derrubar Bill Collins mais facilmente que David Fitzgerald. Mas ela parecia estar se controlando, porque a próxima coisa que ela disse soou num tom mais moderado de voz (embora ainda utilizando de um tom ríspido).

Will não conteve um sorriso convencido ao canto de sua boca, de satisfação, ao ouvi-la dizer àquele energúmeno que nunca teve um relacionamento com ele. E ficou abismado com a capacidade dele de tentar remediar a situação e contradizer o que ela acabara de afirmar; “como é possível uma pessoa ignorar um ‘fora’ como aquele?!”, Will se perguntava. E continuou a sorrir com o canto da boca quando ela voltou a afirmar que não ia, nunca, se envolver com ele – por mais que soubesse disso há muito tempo, não podia evitar se sentir satisfeito.

Quando ela disse: “eu acho a idéia de você segurar a minha mão repulsiva, quanto mais me beijar!”, Will sentiu um arrepio frio na nuca e uma sensação de desconforto no estômago, ao, inevitavelmente, imaginar Bill beijando Elizabeth. E estava a beira de estrangular Bill quando ele persistiu no assunto, trazendo a mãe de Elizabeth para a história. Mas a sua atenção foi despertada mais uma vez quando Bill disse:
-- Ela me disse que você costuma fazer todos os tipos de atrocidades com os seus pretendentes, tentando dissuadi-los de lhe cortejar, quando intimamente deseja a sua total atenção!

E em sua mente surgiu vários momentos em que Elizabeth houvera tratado ele (Will) com indiferença, ou, até mesmo, com certa malicia – como o episódio do jantar em “família” a sua casa – e passou a se perguntar se era isso o que ela estivera fazendo. Contudo, não teve muito tempo para ponderar sobre isso, porque Bill começou a avançar em direção a Elizabeth, tentando abraçá-la.

Will voltou a sentir aquela fúria tomar o controle sobre ele e ele avançou em direção a Bill, pronto a atirá-lo para longe de Elizabeth e fazê-lo entender a força que deve ficar longe dela, quando a viu erguer os braços, formando punhos, e gritar “pare!”. Imediatamente, ele parou, assim como Bill. Ele parou porque, intimamente, estava louco para vê-la derrubar Bill Collins. Mas ela não bateu nele, apenas o ameaçou (ainda em posição de combate).

Bill ainda persistiu, deixando Will a se perguntar como era possível existir uma pessoa tão obtusa como ele. Mas Bill continuou naquela posição irremediável, voltando a mencionar a mãe de Elizabeth. Só que, desta vez, Elizabeth estava cansada daquela conversa e o interrompeu, dizendo-lhe.

-- Minha mãe é tão louca quanto você, aparentemente, se ela realmente acredita que eu posso nutrir qualquer tipo de sentimento por você, além da repulsa! – Will nunca gostou tanto da palavra “repulsa” quanto agora. – Mas, como vocês dois parecem se entender tão bem, por que você não tenta convidar ela para sair com você?! E ME DEIXA EM PAZ!

Quando Elizabeth deu as costas a Bill, deparou-se não só com um aglomerado de bisbilhoteiros, como dois funcionários da escola. Os quais, olhando seriamente para ela, disseram.
--Srta. Abbott e Sr. Collins, faça o favor de nos acompanhar até a sala da sra. Godman.
--Por quê?! – Elizabeth exclamou, irritando-se ainda mais. – Eu não bati em ninguém desta vez! – Vindo a ouvir um assomo de riso entre a multidão a sua volta.
--Faça-nos o favor de nos acompanhar! – Um dos seguranças repetiu e ela se foi com eles, sendo seguida por Bill Collins e os dois funcionários.

As pessoas foram se comprimindo às paredes do corredor, para abrir espaço para que os quatro pudessem passar, e eles se foram, deixando Will para trás. Assim que os quatro viraram à esquina dos corredores, as pessoas voltaram-se para observar Will. Ele, desconfortavelmente, também cruzou o caminho entre eles e seguiu para a sua sala de aula.

_______________________________

A sra. Godman conversou com Elizabeth e Bill por uns dez minutos, explicando a ambos que aquele não era o tipo de comportamento adequado para os alunos da escola Austen House. Ambos os jovens garantiram que não voltariam a se comportar daquela forma; embora Elizabeth se dissesse, mentalmente, que não voltaria a se comportar daquela forma se Bill Collins fizesse-lhe o favor de se manter longe dela. Senão, ela poderia vir a se comportar de forma ainda mais violenta.

Bill Collins foi dispensado e, quando Elizabeth tentou ir-se ao mesmo tempo em que ele, a sra. Godman requisitou que ela ficasse mais um pouco. Elizabeth voltou a se sentar a cadeira enfrente a mesa de carvalho da sra. Godman, fitando a coordenadora atentamente sentada a sua poltrona, por detrás da mesa de carvalho. Quando a porta da coordenação foi fechada, após Bill sair, a sra. Godman inquiriu-lhe como ela estava. Elizabeth replicou-lhe que estava bem, ganhando um olhar desconfiado da sra. Godman.

Percebendo que Elizabeth não elaboraria mais a sua resposta, a sra. Godman procurou obter a resposta que queria através de outra pergunta. Inquiriu-lhe, então, sobre Jane, perguntando-lhe como ela estava. Neste momento Elizabeth hesitou, porque não esperava por aquela pergunta, mas respondeu-lhe da mesma forma que lhe replicara previamente.

A sra. Godman , então, decidiu ser direta em seu interrogatório e perguntou-lhe sobre o incidente com Caroline e com as outras meninas no banheiro feminino. Elizabeth voltou a hesitar, mas disse-lhe.
--Foi apenas um mal entendido. – E, antes que a sra. Godman lhe fizesse outra pergunta, disse. – Posso ir para a sala agora? – Já se levantando da cadeira em que estivera sentada. A sra. Godman a fitou atentamente e concordou.

Elizabeth apressou-se a sair daquela sala, seguindo em direção a sala de aula pelos corredores, naquele momento, vazios. Parou a porta da sua sala por um segundo, antes de entrar, e respirou fundo, criando coragem para continuar a enfrentar aquele dia. Dizia a se mesma, numa tentativa de se animar, só restavam mais três períodos antes que pudesse ir para casa.

Assim que abriu a porta da sala, o professor se calou e voltou-se para olhá-la, a turma toda seguiu o seu exemplo. Elizabeth entrou na sala, seguiu em direção ao professor, entregou-lhe o bilhetinho da sra. Godman (o qual lhe dava permissão para entrar em sala depois que a aula ter começado) e foi ocupar o seu lugar ao lado de Catherine e Lydia. Como não estava co animo para conversar sobre o ocorrido, desfez-se de qualquer tentativa de suas amigas de conversar com ela.

Ao fim daquela aula, Elizabeth optou por utilizar-se do seu MP3 para evitar ouvir qualquer comentário de seus colegas de escola. Assim, saiu da sala de aula com destino o refeitório da escola com os seus fones de ouvido. Ela não estava com fome e já sentia uma leve enxaqueca se fortificando a cadê minuto. Mas fez a sua bandeja de lanche e foi ocupar uma mesa sozinha.

Catherine e Lydia, que a seguiam como guarda-costas – prontas para afugentar qualquer um que tentasse incomodá-la de novo – seguiram o seu exemplo e fizeram suas próprias bandejas de lanche, indo sentar-se a mesma mesa que ela. Mary e Charlotte não demoraram a juntar-se a elas; nenhuma delas comentou o ocorrido, ao notar que Elizabeth ainda não queria conversar a respeito – porque ela ainda estava com os fones de ouvido, num volume tão alto que era possível que todas elas escutassem a música a que ela ouvia.

Então, Jane sentou-se a mesma mesa em que elas, ao lado de Elizabeth. Durante o intervalo anterior a este, esbarrara-se novamente com Charles pelo corredor. Ele, mais uma vez, tentou falar com ela. Jane, no entanto, dispensou-o com um simples “eu não quero conversar com você agora!” e fugiu para o banheiro feminino. Permaneceu a ele sem ter muito que fazer, só para evitar Charles. Até que uma menina entrou no banheiro, apressando uma colega sua de classe, para que as duas pudessem ver o reboliço que Elizabeth estava criando desta vez.

Jane saiu do banheiro antes mesmo que estas meninas, já não se encontrando mais com Charles (quem também houvera se reunido aos demais colegas e observava a discussão entre Elizabeth e Bill), e seguiu em direção ao aglomerado de gente perto a entrada do banheiro masculino, não muito distante da porta da sala de Elizabeth.

Quando ela viu e ouviu o que eles diziam, teve a primeira intenção de se intrometer e resgatar a sua irmã. Mas Charlotte a impediu, indicando Will parado muito próximo a eles. Jane entendeu o que a amiga pretendia, dando uma oportunidade para Will intervir (se quisesse) e resolver de uma vez o problema com Elizabeth. Por isso, manteve-se a certa distância.

Mas, todas as vezes que Will hesitava, Jane avançava em direção a Bill e Elizabeth, voltando a ser detida por Charlotte – quem sempre lhe dirigia um olhar cheio de significados, ao indicar Will com um aceno de cabeça. Jane voltava a se conter e aguardar por uma atitude de Will. Quando Bill tentou abraçar Elizabeth, Jane teve a certeza que Will pularia em seu pescoço e arrancaria a sua cabeça fora; mas Elizabeth gritou “pare!”, conseguiu paralisar não só Bill, como Will. E ela tinha os punhos erguidos, Jane fechou os olhos, certa de que sua irmã nockoutearia outro garoto de Austen House.

Mas isto não ocorreu e aquela confusão foi encerrada sem que houvesse uma agressão física contra Bill Collins. Quando Elizabeth e Bill foram levados pelos funcionários da escola até a sala da sra. Godman, Jane voltou a fitar Will. De alguma forma, a raiva que sentia dele estava começando a se aplacar. Já que ele parecia gostar mesmo de sua irmã, Jane começou a acreditar que seria possível que eles se reconciliassem. Algo que ela estivera começando a duvidar que fosse possível.

Agora que se encontrava na presença de sua irmã, hesitou a lhe inquirir sobre o ocorrido. No entanto, Elizabeth retirou os fones do ouvido, ao olhar seriamente para irmã, e questionou-lhe sobre o que estava acontecendo entre ela e Charles.
--Eu prefiro não falar sobre isso aqui, Lizzie. – Jane respondeu, solenemente.
--Mas é verdade que vocês terminaram? – Elizabeth insistiu.
--Não. – Jane respondeu, olhando a profundamente nos seus olhos.

Elizabeth lhe sorriu, aliviada com a resposta, e não lhe fez mais nenhuma pergunta. Entendia porque Jane não queria discutir este assunto na escola, porque se sentia da mesma forma com relação aos últimos acontecimentos. Sabia, no entanto, que uma vez que chegassem em casa discutiriam tudo com muitos detalhes, já que elas nunca foram de guardar segredo uma da outra.

Assim sendo, recolocou os fones de ouvido e tentou comer. O máximo que conseguiu foi beliscar o seu lanche, deixando-o quase por completo ainda a bandeja. Afastando a bandeja, colocou um dos cotovelos sobre a mesa e apoiou o queixo em sua mão, deixando a outra mão deitada sobre a mesa. Deixou seus olhos passearem pelo refeitório, indo parar a mesa em que os meninos estavam sentados reunidos. Charles parecia abatido, cabisbaixo.

Quando olhou na direção de Will, ele estava remexendo em sua comida, mas sem erguer o garfo e levá-lo a boca. Parecia que tinha tanto apetite quanto ela, naquele instante. Inconscientemente, Elizabeth ficou a observá-lo. Seus ombros curvados para frente, num sinal de cansaço, talvez frustração; o seu semblante sério, um pouco carrancudo.

Take it back, take it all back now
(Devolva, devolva tudo agora)
The things I gave, like the taste of my kiss on your lips
(As coisas que eu dei, como o gosto dos meus beijos em seus lábios)
I miss that now
(Eu sinto saudades disso agora)

--Você acha que eles vão demorar muito?—Elizabeth inquiriu a Will, mas, como ele não lhe deu nenhuma resposta, resolveu olhar para ele no momento exato em que Will fitava os seus lábios. Ela sentiu uma urgência de voltar a se recostar em seu banco; mas quando começou a se afastar dele, viu que ele se inclinava em sua direção. E antes que ela pudesse se afastar o suficiente dele, ele tinha conseguido lhe beijar. Um simples toque dos lábios, mas o suficiente para impedi-la de continuar se afastando.

I can't try any harder than I do
(Eu não posso tentar mais do que já tento)
All the reasons I gave, excuses I made for you
(Todas as razões que eu dei, todas as desculpas que inventei por você)
Are broken in two
(Estou dividida ao meio)

--Elizabeth? - Will caminhou atrás dela, de forma que estavam novamente próximos quando ela virou-se de frente para ele. - O que fez você mudar de idéia? - Elizabeth o fitou com interesse; aí está um pergunta que ela não esperava que ele fizesse.
--Ora, sr. Darcy! - Disse-lhe, seriamente. - A sua aparência, é claro. - E deu-lhe as costas, começando a rir como se houvesse acabado de ouvir uma piada muito engraçada.

.....

--Ele não quer que eu seja a “namorada” dele por um mês? - Elizabeth disse, diminuindo o tom de voz, de forma que as únicas pessoas a escutá-la fossem a sua irmã e amigas. - É exatamente o que eu vou ser... - Completou; Jane logo percebeu que o brilho no olhar dela é o mesmo de quando ela está planejando fazer uma travessura. - E farei da vida dele um inferno!

All the things left undiscovered
(Todas as coisas que não foram desvendadas)
Leave me empty and left to wonder
(Me deixam vazia e a me perguntar)
I need you
(Se eu preciso de você)
All the things left undiscovered
(Todas as coisas que não foram desvendadas)
Leave me waiting and left to wonder
(Me deixam esperando e a imaginar)
I need you
(Se eu preciso de você)
Yeah I need you
(Sim, eu preciso de você)
Don't walk away
(Não vá embora)

--Espere! - O que a impediu de seguir adiante com aquela ação, continuando parada de frente para ele. - Eu ainda não lhe disse o que preciso lhe dizer. - Will falou, a fitando nos olhos.
--O que é? - Elizabeth o perguntou, mordendo o lábio inferior por estar nervosa.
--Eu... - Will hesitou, mas sabia que precisava lhe dizer. Respirou fundo e disse. - O desafio foi encerrado. - A uma Elizabeth que apenas retribuiu o olhar. - Então, você não precisa mais sair comigo... durante os fins de semana. - Will completou e Elizabeth sorriu-lhe, um suave sorriso.

Touch me now
(Toque me agora)
How I wanna feel something so real
(Como eu quero sentir algo real)

--Ok. - Elizabeth respondeu, ainda sorrindo suavemente para ele; quem interpretou tal atitude por alivio de sua parte, porque não queria sair com ele. - Bem, boa noite, sr. Darcy! - E, rindo, corrigiu-se. - Fitzwilliam! - O que, por fim, o fez rir, mesmo que um riso meio amargo.
--Boa noite, ... - Ele respondeu e ela deu-lhe as costas; mas, antes que ela se afastasse, ele se desencostou do carro, a segurou pela mão esquerda e a virou para si. Inclinou-se em sua direção e deu-lhe um demorado beijo... no rosto. Fazendo com que Elizabeth ficasse imóvel, levemente apreensiva (pensou que ganharia um beijo na boca). - Lizzie. - Ele disse, num sussurro que fez os pêlos da nuca de Elizabeth arrepiarem e ela engolir a seco.

Please remind me, my love
(Por favor, lembre-se de mim, meu amor)
And take me back
(E me aceite de volta)
'Cause I'm so in love with what we were
(Porque eu estou tão apaixonada pelo que nós éramos)
I'm not breathing; I'm suffocating without you
(Eu não estou respirando; eu estou sufocando sem você)
Do you feel it to?
(Você sente isso também?)

Elizabeth sentiu o seu coração dar um pulo em seu peito e acelerar rapidamente quando ele olhou em sua direção, permanecendo a olhá-la, com a boca entreaberta – como se fosse dizer algo, mas esquecera-se de dizer – e com um olhar como se estivesse hipnotizado. Ela começou a sorrir para ele instantaneamente, sentindo-se estupidamente feliz só porque o estava vendo.

....

Will desencostou-se do carro e começou a caminhar em sua direção. Sentia essa urgência de estar perto dela, de beijá-la de novo. Quando se aproximou o suficiente para envolvê-la em seus braços e beijá-la, como queria tanto fazer, parou de andar e ficou a fitando nos olhos.

....

Os seus lábios eram as únicas partes de seus corpos que estavam se tocando, mas ambos sentiram uma corrente elétrica percorrer todo o corpo depois que seus lábios se tocaram. Quando se afastaram e ele a olhou nos olhos, Elizabeth estava sorrindo novamente.

When I'm in the dark and all alone
(Quando eu estou no escuro completamente sozinha)
Dreaming that you'll walk right through my door
(Sonho que você irá entrar pela minha porta)
It's then I know my heart is whole
(Só então eu sei que o meu coração está inteiro)

--Então, nós não vamos ficar juntos?! - Will resmungou. E, segurando o cachecol dela, o enrolando em suas mãos, a trazendo mais para perto dele, disse. - Você terá que desertar o seu grupo e passar para o meu!
--Ha-ha, muito engraçado! - Elizabeth replicou, fingindo rir. - Por que você não abandona o seu grupo e passa para o meu?!

There’s a million reasons why I cry
(Há milhões de razões porque eu choro)
Hold my covers tight and close my eyes
(Abraço meu cobertor e fecho meus olhos)
'Cause I don't wanna be alone
(Porque eu não quero ficar sozinha)

Will finalmente conseguiu tirar as mãos da frente do rosto de Elizabeth e o encontrou vermelho, de tanto ela prender a risada que queria escapar-lhe pela boca. Imediatamente soube que ela estivera brincando com ele, o que o deixou chateado – realmente ficara preocupado em tê-la ofendido sem ter a intenção de fazê-lo.

Elizabeth ergueu seu olhar amendoado, cheio de diversão, para ele, percebendo o semblante sério que apoderara-se do rosto dele. E sentiu os braços dele a soltarem, recaindo às laterais do corpo dele. Até mesmo a música fez uma pausa de suspense neste momento. E ela começou a se perguntar se tinha ido longe demais com as suas provocações desta vez.

Mas antes que ele pudesse considerar a possibilidade de ficar realmente chateado com ela, ela se pôs nas pontas dos pés e beijou-lhe a boca. Atirando os braços envolta do pescoço dele e o prendendo naquele beijo.

All the things left undiscovered
(Todas as coisas que não foram desvendadas)
Leave me waiting and left to wonder
(Me deixam esperando e a imaginar)
I need you
(Se eu preciso de você)
All the things left undiscovered
(Todas as coisas que não foram desvendadas)
Leave me empty and left to wonder
(Me deixaram vazia e a imaginar)
I need you, I need you
(Eu preciso de você, eu preciso de você)

--Espere! - Hank, no entanto, não queria que ela se fosse ainda. A segurou pela mão e a fez virar-se de frente para ele. - Por que a pressa?! - Perguntou assim que conseguiu que Elizabeth voltasse-se de frente para ele. - Eu só estou tentando conhecê-la melhor! - Afirmou, jogando todo o seu charme para ela.
--Eu não estou interessada! - Elizabeth respondeu, tomando a sua mão de volta.

--Entendo. - Hank respondeu. - Você é uma daquelas garotas que são fiéis aos seus namorados! - Ele comentou, sorrindo para Elizabeth como se houvesse acabado de insultá-la. - Não vai me dizer que está realmente apaixonada por Fitzwilliam Darcy! - Ele completou, com ar de deboche. Elizabeth não disse nada, apenas sustentou o seu olhar com um próprio, já irritado. - Quem diria?! - Hank disse, ao olhar ao longe por sobre o ombro de Elizabeth e ver Will. - Will acertou na escolha de garota desta vez! - E, tomando a mão dela de volta, beijou-lhe a mão. - Foi um prazer lhe conhecer!
--A recíproca não é verdadeira! - Elizabeth resmungou, tomando a mão de volta e esfregando as costas de sua mão a lateral de sua calça jeans, com nojo daquele beijo.

'Cause I can't fake and I can't hate
(Porque eu não posso fingir e eu não posso odiar)
But it's my heart that's about to break
(Mas é o meu coração que está prestes a quebrar)

--Will? - Ela chamou por ele, para que ele parasse e olhasse para ela; porque ele parecia estar preste a continuar a andar, seguindo Hank. - Eu já estava indo procurar você. - Afirmou, naturalmente, quando ele parou ao seu lado.
--É mesmo?! - Will replicou, com sarcasmo, ao olhá-la nos olhos.
--Sim. - Elizabeth respondeu, estranhando o jeito que ele olhava para ela.
--O que vocês dois estavam conversando? - Ele logo perguntou, autoritariamente.
--Nada demais. - Elizabeth respondeu, ainda estranhando o jeito dele; embora estivesse parado de frente para ela, Elizabeth conseguiu perceber que ele estava agitado. - Ele veio se apresentar a mim.
--Ele fez isso, não fez?! - Will persistiu com o seu interrogatório, estando visivelmente irritado.
--Ora, Will, você não pode estar com ciúmes dele! - Elizabeth afirmou, já voltando a sorrir para ele.

You're all I need
(Você é tudo de que preciso)
I'm on my knees
(Eu estou de joelhos)
Watch me bleed
(Observe-me sangrar)
Would you listen please
(Será que você pode escutar)

--Apenas responda a pergunta, Elizabeth! - Will exigiu, espumando de raiva; Elizabeth odiou a forma com que ele estava falando com ela, a forma que pronunciara o seu nome e, principalmente, com a estava olhando.
--Sim. - Respondeu, de mal gosto. - É verdade. - Will balançou a cabeça, positivamente, e lhe deu um sorriso amarelo; como se já esperasse esta resposta. - O que você esperava?! - Elizabeth inquiriu, já cansada de ser tratada daquela forma por ele. - Que eu amasse a idéia de sair com você quando você estava saindo com outras quatro garotas ao mesmo tempo?!
--E quanto à primeira vez que saímos juntos?! - Will inquiriu logo em seguida a pergunta dela. - Você foi ao cinema comigo daquela vez porque sua mãe estava tentando te empurrar para cima de Bill Collins?! - Will já estava completamente alterado, praticamente gritando as perguntas a ela.
--Aquilo foi diferente! - Elizabeth também precisou gritar a resposta a ele, para que ele a ouvisse.

I give in
(Eu me entrego)
I breathe out
(Eu respiro fundo)
I want you, there’s no doubt
(Eu quero você, não há dúvida)

--Então, a razão para você ficar comigo é porque eu sou a única forma que você encontrou para se livrar de um cara idiota que não larga do seu pé! - Ele afirmou, com aqueles olhos azuis já quase negros de tanto ódio que estava sentido.
--Não! - Elizabeth apressou-se em dizer, mas ele já não a estava ouvindo. - Não verdade! ...Você sabe que não é verdade!

I freak out, I'm left out
(Eu enlouqueço, eu sou deixada de fora)
Without you, I'm without
(Sem você, eu estou sozinha)

--É melhor você encontrar outro otário para interpretar o papel de seu namorado, porque eu cansei de bancar o papel de idiota para você! - Ele gritou aquelas palavras para ela com tanta raiva que a deixou muda, olhando fixamente dentro dos seus olhos, incrédula. - Acabou! - Ele concluiu, friamente, dando-lhe as costas e seguindo na mesma direção que Hank tomara.

I'm crossed out
(Eu estou magoada)
I'm kicked out
(Eu estou abandonada)
I cry out
(Eu choro)
I reach out
(Eu tento te alcançar)

Elizabeth ficou ali, parada, olhando Will se afastar dela o mais rápido que ele conseguiu.

....

As suas pernas teimavam em não lhe obedecer, embora há muito ela tentava lhes dizer para se movimentarem e irem atrás dele. Até que o seu cérebro finalmente lhe mandou uma mensagem: “para que?! Acabou!” e, instantaneamente, lágrimas surgiram em seus olhos, embaçando a sua visão. Um enorme nó tomou conta de sua garganta e Elizabeth sentiu uma vontade esmagadora de gritar, mas já não tinha voz para fazê-lo.

Don't walk away
(Não vá embora)
Don't walk away
(Não vá embora)

Quando Elizabeth deu-se conta, uma lágrima escoria pelo seu rosto. Ela enxugou a lágrima com as costas da mão, levantou-se da sua cadeira, levando consigo a sua bandeja de comida praticamente intocada. Descartou a bandeja apropriadamente e seguiu em direção a saída do refeitório.

Quando Elizabeth passou ao lado da mesa em que Will estava sentado, ele ainda estava com a cabeça baixa, fitando a sua bandeja de comida. Mas, discretamente, virou o rosto de lado para olhá-la saindo do refeitório. Não tão discreto para não ser notado por seus amigos, tão pouco as amigas de Elizabeth.

 

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