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Felicidade no casamento e meramente questão de sorte. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo LIII

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Capítulo 53

 

Quando Richard voltou a sua atenção a Elizabeth, ela já estava preste a entrar em sua sala de aula. Ele logo soube que ela lhe indicara Charlotte propositalmente, para dispersar a sua atenção. Charlotte juntou-se a ele, cumprimentando-o com um largo sorriso e um sutil “bom dia”. Richard, no entanto, roubou-lhe um beijo, surpreendendo Charlotte (quem não estava acostumada com tamanha demonstração de afeto em público no meio dos corredores da escola).
--Bom dia! – Richard disse, olhando-a fixamente no rosto e notando a sua surpresa. Logo sorriu, um sorriso que ia de orelha a orelha.

Tomando a mão dela na sua, a levou até a sua sala de aula com um largo sorriso no rosto. Um sorriso convencido, no entanto, quando olhava para os seus colegas de escola que insistiam em virar o rosto em sua direção, para observá-lo passar de mãos dadas com Charlotte. Ele deixou Charlotte à porta da sua sala de aula, à turma do 3º ano a que Charlotte pertencia, e seguiu em direção a sua sala de aula.

Quando entrou em sua sala, avistou o seu primo sentado a uma das cadeiras ao fundo da sala e ao seu lado sentava Charles. Ambos estavam calados e com o olhar fixo no quadro negro à frente da sala. Caminhou para perto deles e se sentou a cadeira à frente de Will, desejando aos amigos um breve “bom dia”, o qual não foi retribuído por nenhum dos amigos (ambos pareciam perdidos em seus próprios pensamentos – Richard imaginava que estes pensamentos deviam estar recheados das irmãs Abbott).

Will ainda estava perdido na visão do sorriso arrebatador que Elizabeth estava dando ao seu primo quando ele passou pelos dois ao corredor da escola. Quando entrara nas dependências de Austen House notou, a contragosto, que ainda era motivo de olhares curiosos de seus colegas de escola. Seguiu o seu caminho pelos corredores com uma expressão séria no rosto, tentando transparecer a todos que não estava com animo para conversas sem muita conseqüência aos corredores da escola, para que o deixassem em paz.

Mas, ao entrar no corredor da sua sala, ouviu o inconfundível barulho da rica gargalhada de Elizabeth. Sentiu o seu estômago afundar e as suas pernas fraquejarem àquele som, mas seguiu o seu caminho da forma mais corajosa que conseguiu se manter. Ao se aproximar de sua sala, conseguiu ter uma visão perfeita do rosto dela iluminado por um genuíno e contagiante sorriso. Sentiu aquela sensação estranha em seu estômago aumentar, ao perceber que ela estava contente, que sorria abertamente para o seu próprio primo.

Ao cruzar o seu caminho, olhou-a fixamente nos olhos. E logo viu o sorriso dela abandonar o seu rosto e ela empalidecer. O seu estômago continuou a afundar, à medida que ponderava que ela não estava feliz em vê-lo. “Como ela poderia estar? Você terminou com ela, lembra-se?!”, uma parte do seu cérebro o inquiria; “ela parecia muito contente segundos atrás, quando sorria para Richard!”, outra parte de seu cérebro refutava.

Agora o seu cérebro continuava a ter aquela batalha interna, tentando decidir, a partir daquelas observações rápidas, se Elizabeth estava ressentida com ele por causa do fim do namoro, porque gosta realmente dele (mesmo que estava probabilidade lhe parecesse mínima, ele se agarrava a ela com todas as suas forças, por mais que dissesse a si mesmo, e a quem quer mais que fosse, que não o estava fazendo e que a história deles estava acabada definitivamente), ou se ela estava ressentida com ele unicamente por ele ter terminado com ela e, assim, acabado com a sua desculpa para fugir de Bill Collins (implorava a Deus para que este não fosse o caso).

Charles, por sua vez, estava com a sua mente povoada de Jane→Lizzie e Will→Jane. Ficava repassando a conversa que tivera com Jane ao Basement a respeito do fim do namoro de seu amigo com a sua cunhada e lembrando-se do que Will lhe dissera a respeito do fim do namoro dos dois. Depois voltava a pensar em como Jane o ignorou esta manhã e de como Elizabeth se comportara em sua presença. Sua cabeça estava girando, deixando-o agoniado.

George logo entrou a sala e se aproximou deles, ocupando a cadeira enfrente a Charles. Também os cumprimentou, mas o único que lhe retribuiu o cumprimento foi Richard. George olhou fixamente para Charles, com a testa franzida, avaliando o estado do amigo. Então disse.
--Então é verdade? – Sem conseguir despertar Charles de seu devaneio.
--O que é verdade? – Richard inquiriu, acomodando-se em sua cadeira de modo a ficar de frente para George e de lado para o seu primo.
--Que Charles e Jane terminaram ontem ao Basement! – George exclamou, conseguindo despertar tanto Charles quanto Will de seus pensamentos.
--O que?! – Will inquiriu, surpreso. – Você e Jane terminaram?! – Ele estava olhando para Charles com olhos arregalados e a sua surpresa era tamanha que falara tão alto quanto podia.

 --Não! – Charles respondeu, também com olhos arregalados.
--De onde você tirou a idéia de que eles tinham terminado? – Richard perguntou a George.
--Ora, é o que estão falando pelos corredores. – George explicou, aparentemente mais tranqüilo com a negação do rumor por parte de Charles. – Que eles terminaram ontem, ao Basement, quando discutiram por causa de Will e Lizzie. – George completou a sua explicação.
--Vocês discutiram por minha causa e Lizzie? – Will questionou a Charles num tom de voz mais reservado, com a testa ainda franzida. Não entendia porque Charles e Jane tinham brigado por causa dele e de Elizabeth.
--Então não é verdade? – George questionou ao mesmo tempo em que Will.
--Não, não é verdade! – Charles garantiu, preferindo evitar responder a pergunta de Will. – Nós não terminamos. – Limitando-se a responder a pergunta de George.

Para escapar de mais perguntas de Will, Charles indicou o professor de geografia que acabara de entrar na sala e fingiu estar dando sua atenção a ele. Will recostou-se em sua cadeira, olhando para o professor, mas continuou a estranhar aquela novidade. "Charles e Jane brigaram por causa de mim e Lizzie? Charles e Jane?! CHARLES e JANE!!!!” – aquela noticia parecia tão surreal aos seus ouvidos.

__________________________

Elizabeth passou o primeiro período tentando não pensar em Fitzwilliam Darcy e no olhar frio que ele lhe dirigira ao se cruzarem no corredor. A garantia que as suas amigas lhe deram ao domingo, quando estiveram em sua casa, de que eles dois se reconciliariam assim que se reencontrassem na escola parecia-lhe, agora, algo improvável de se concretizar.

Ela tentou se concentrar em sua aula, mas sequer conseguia ouvir o que a professora estava dizendo. Parecia-lhe que as palavras entravam pelo seu ouvido direito e saiam pelo esquerdo, sem que ela conseguisse entender os seus significados. Então, ela desistiu de tentar entender a aula de história. Para não continuar pensando em Will Darcy, tentou se focar em sua irmã e Charles. Estava segura de que algo errado houvera acontecido entre os dois durante o passeio de domingo à noite e estava decidida a descobrir o que aconteceu entre eles assim que aquela aula terminasse.

Assim que a aula foi encerrada, antes mesmo que a professora de história terminasse de recolher seus próprios materiais de aula, Elizabeth já estava de pé e indo em direção a porta da sala. Foi a primeira pessoa a sair da sala ao fim do primeiro período, mas já encontrou alguns alunos de outras salas perambulando pelos corredores.

Seguiu em direção a sala de Jane rapidamente, sem se incomodar com os olhares curiosos que ainda recebia de alguns colegas – Elizabeth não conseguia entender porque as pessoas ainda perdiam tempo falando sobre ela; “será que eles não conseguem achar algo mais interessante para fazer das suas vidas e se esquecem da minha?!”, ela resmungava mentalmente a cada passo que dava em direção a sala de Jane.

Mas logo diminuiu a velocidade de seus passos ao ver que Charles houvera tido a mesma idéia que ela e dirigia-se a porta da sala de Jane ainda mais rapidamente que ela. Elizabeth decidiu dar uma chance a ele e começou a andar lentamente em direção a sala de Jane, parando rapidamente ao bebedouro a cinco passos da porta da sala de Jane – onde Charles já se encontrava.

Fingindo que bebia água, observava o menino ficar parado enfrente a sala de Jane, virado de frente para porta, ao meio do corredor, para permitir que os alunos daquela turma pudessem passar por ele, sem se esbarrar nele, ao saírem da sala; ele estava com os pés plantados no chão, paralelamente, com um espaço razoável entre eles, e ficava trocando o peso de seu corpo de um pé para outro, balançando-se quase imperceptivelmente; tinha as duas mãos para trás, seguras uma a outra, e a cabeça cabisbaixa. A qual se erguia sempre que alguém saia da sala.

Então, Elizabeth desistiu definitivamente de fingir que estava bebendo água ao ver Jane sair da sala e passar por Charles, como se ele fosse invisível, e caminhar em sua direção, deixando Charles boquiaberto – porque estivera preste a lhe dizer algo quando notou que ela estava saindo da sala –, olhando-a se afastar dele. Elizabeth tentou se acercar de sua irmã e exigir saber o que estava acontecendo, chegando a dar dois passos em sua direção. Mas Caroline, juntamente com Sabrina, parou a sua frente, sorrindo amistosamente para Elizabeth, impedindo que ela continuasse andando.

Elizabeth parou diante de Caroline e a fitou nos olhos, confusa quanto ao que Caroline poderia querer com ela. Principalmente, estranhando a forma que a menina lhe sorria. Não era aquele sorriso amarelo que ela sempre lhe dirigia, o qual transparecia o quão forçado ele o era. Era um sorriso genuíno, qual transparecia pura alegria e satisfação impossíveis de serem contidas.

--O que? – Elizabeth inquiriu, já cansada de olhar para o rosto sorridente de Caroline (nunca imaginara que um verdadeiro sorriso de Caroline dirigido a sua pessoa pudesse ser pior que um sorriso falso, até então!).
--Quem é que faz parte do “clube das meninas dispensadas por Fitzwilliam Darcy” agora?! – Caroline questionou-a, saboreando aquele momento de vitória; porque, sim, para ela, era um momento de vitória.

Elizabeth estava ali, diante dela, com uma expressão atônita no rosto. Logo o rosto dela assumiu uma tonalidade branca que deixou Caroline ainda mais radiante. E Elizabeth estava sem palavras, coisa que nunca lhe havia lhe acometido quando se tratava de rebater as ofensas de Caroline.

--Ohh mocréias, vazem antes que eu lhes parta a cara! – Caroline, Sabrina e Elizabeth ouviram uma Jane furiosa às costas de Caroline dizer isso, fazendo Caroline e Sabrina virar-se em direção a Jane, abismadas com a sua atitude. – Não ouviram, não? Ou estão esperando para ver se eu consigo apagar este sorriso convencido dos seus rostos com os meus punhos?! – Jane ameaçou, dando um passo na direção de ambas as meninas.

Caroline e Sabrina deram um passo para trás, automaticamente, e logo fugiram da presença de Jane. Nenhuma delas estava preparada por aquela atitude da irmã meiga e sempre gentil de Elizabeth. Enquanto Elizabeth começava a rir descontroladamente, desesperadamente, sem se dar a chance de respirar.

Jane olhou atentamente para o rosto de Elizabeth, enquanto ela gargalhava audivelmente, como se houvesse ouvido uma piada muito boa, chamando a atenção de muitos colegas de escola presentes ao corredor àquele momento, e não pode deixar de se preocupar. Em um segundo Elizabeth estava pálida, como se houvesse visto um fantasma – filmes de terror sempre a fascinaram, mas a idéia de ver um fantasma diante dos olhos dela sempre a deixaram apavorada – e no outro instante estava rindo, tipo de gargalhada que podia levar uma pessoa a fazer xixi nas calças, deixando-a com as faces tão vermelhas quanto podiam ficar.

Jane não se enganaria tão facilmente, havia algo de errado com aquela reação. Jane sabia que ela estava em pânico, rindo para não chorar. E só teve suas suspeitas confirmadas quando, ao olhar nos olhos da irmã, os viu cheios de lágrima, prontas para desabarem em seu rosto. Decidida, Jane segurou na mão de Elizabeth e a levou até o banheiro feminino.
--Todas vocês, fora! – Ordenou as três colegas de escola que se encontravam ao banheiro feminino ao entrarem neste, diante do espelho, conversando aos risos; recebendo olhares de incredulidade das três meninas. – Agora!!! – Jane exclamou, autoritariamente, e as meninas recolheram seus materiais de maquiagem da pia de rosto do banheiro e se apressaram a sair do banheiro.

Elizabeth soltou a mão da irmã e se sentou a um dos sanitários com a tampa fechada dentro de um dos cubículos e continuou a rir descontroladamente; chegando passar as duas mãos sobre a barriga e se dobrar sobre elas, enquanto as lágrimas começavam a rolar sobre o seu rosto, já tão vermelho quanto um tomate.

--Lizzie, acalme-se! – Jane disse-lhe, amorosamente, ao ajoelhar-se a sua frente e tentar conseguir que a sua irmã erguesse o rosto e a olhasse nos olhos.
--Eu... devia... estar... preparada! – Elizabeth exclamou, entre risos, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto, já erguido. – Eu... devia... estar... preparada! – Ela repetiu, sem conseguir parar de rir. – Eu... sabia... que... algo... assim... ia... acontecer! – Ela tentava dizer a sua irmã o que estava pensando naquele momento, mas não conseguia parar de rir, e já estava se engasgando; o que a levou a tossir, mas continuar a rir logo em seguida.
--Acalme-se! – Jane implorava, extremamente preocupada.
--Eu... devia... saber! – Elizabeth exclamou, mais uma vez, ainda entre risos, revoltada consigo mesma. – Quando... ela... parou... em... minha... frente...! – Ela continuou a dizer, já com o rosto transformado em uma expressão mais dura, mas sem conseguir parar de rir. - Eu... devia... saber! Eu... devia... estar... preparada!

Duas outras meninas entraram no banheiro e ouviram a gargalhada de Elizabeth, a vendo sentada ao sanitário de um dos cubículos, com Jane ajoelhada a sua frente. As meninas não conseguiam dizer ao certo se Elizabeth estava rindo, chorando, ou chorando de tanto rir. Mas, um olhar na direção de Jane (quem as fuzilava) foi o suficiente para convencê-las de irem ao banheiro do andar inferior.E logo elas saíram do banheiro feminino, deixando as irmãs Abbott sozinhas.
--Acalme-se, Lizzie!Respire! – Jane implorava, voltando a sua total atenção a sua irmã. – Apenas, respire!

Jane conseguiu acalmar a irmã aos poucos, conseguindo que ela parasse de rir e de chorar ao mesmo tempo. Contudo, não conseguiu conversar sobre o que tinha acontecido instantes atrás ou sobre o que havia acontecido com ela e Charles, porque o sinal do segundo período soou e ambas precisaram retornar às suas respectivas salas. Assim, Elizabeth só teve tempo de lavar o rosto e secá-lo, antes de as duas saíram do banheiro e se dirigirem as suas salas de aula.

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 Durante todo aquele primeiro período Will ficou a se debater mentalmente em busca da razão de Charles e Jane terem brigado, sem conseguir compreender como era possível que ele e Elizabeth fossem a causa do desentendimento entre o seu melhor amigo e a irmã de Elizabeth.

Will tentou questionar Charles a respeito o mais discretamente possível para não despertar a atenção dos demais colegas de classe ou a ira do seu professo de Geometria, por estarem atrapalhando a sua aula com conversinhas paralelas. Então, utilizou-se do método “bilhetinho” para interrogar o amigo quanto o que estava acontecendo, ou melhor, o que tinha acontecido entre ele e Jane e, principalmente, como o que aconteceu entre os dois era culpa dele e de Elizabeth.

Charles, por sua vez, desfez-se da pergunta dele rapidamente, rabiscando a sua resposta no bilhete e passando-o de volta para Will. Quando Will abriu o bilhetinho, leu, na letra torta de seu amigo: “Não é nada com que você precise se preocupar!”; Will voltou a rabiscar outra pergunta ao amigo e repassa-lhe o bilhete. Mas Charles o amassou, sem lê-lo, e o jogou fora. Will encarou o amigo, atônito, enquanto Charles fazia questão de não olhar para ele uma vez sequer. Logo Will decidiu que a melhor forma de interrogar Charles seria ao fim daquela aula, quando não deixaria que o amigo lhe respondesse evasivamente uma segunda vez.

Quando Will voltou-se para Charles, ao fim da aula, pronto para perguntar-lhe novamente sobre o ocorrido, Charles houvera se levantado de sua carteira e, praticamente, corrido para frente da sala, saindo logo em seguida ao professor de Geometria. E Will logo resmungou, para si mesmo: “lá se foi a minha chance de extrair a verdade dele! Mas...”, e, olhando para Richard, questionou-lhe sobre o ocorrido entre Charles e Jane. Richard, assim com Charles, desfez-se da pergunta dele, alegando que precisava ver Charlotte e logo se fora também.

Como não parecia restar-lhe outra opção, virou-se para George e repetiu-lhe a pergunta que fizera a Charles e ao seu primo. George, por sua vez, respondeu-lhe que sabia somente aquilo o que ouvira nos corredores da escola; completando, defensivamente, que eram rumores, quais poderiam ser infundados – ele, pelo menos, sentia como se começasse a aprender a sua lição.

Frustrado, Will saiu da sala de aula decidido a encurralar Charles e exigir respostas conclusivas. E logo se deparou com uma cena que só aumentou as suas suspeitas. Charles estava parado diante da porta da sala de Jane; ele estava impaciente e, visivelmente, nervoso, esperando pelo momento em que ela sairia por aquela porta. Will parou no meio do corredor e ficou observando o amigo.

No momento exato em que Jane atravessou a porta de sua sala e Charles ergueu a cabeça para olhá-la, pronto para lhe dizer algo, ela desviou o seu olhar, o ignorando, e seguiu em direção a...Elizabeth – Will sentiu a sua boca secar e uma sensação de agonia se apoderou de seu corpo. O momentâneo choque perante a atitude de Jane para com Charles desapareceu quando seus olhos pousaram em Elizabeth, quem, ele notou, estava atônita com o comportamento de sua irmã para com Charles também – ela tinha a mesma expressão de surpresa que ele possuíra há instantes.

Então, Caroline e Sabrina se colocaram à frente de Elizabeth, bloqueando toda a sua visão dela. No entanto, ele ainda podia ver Jane e ela, por sua vez, houvera apressado os passos ao notar a intromissão de Caroline, acercando-se da irmã ainda mais rápido.

Os acontecimentos seguintes foram demasiadamente súbitos e de difícil compreensão. Jane parou atrás de Caroline e Sabrina, as duas meninas viraram-se de frente para ela e logo estavam saindo de sua presença, como duas criminosas fugindo da cena do crime. Então, Elizabeth começou a gargalhar. Uma risada de deboche, interminável, um tanto histérica, ganhando a atenção de todos a sua volta.

Aquela imagem vibrante do rosto risonho de Elizabeth, somado ao som de sua gargalhada, fez com que o estômago de Will afundasse e um gosto azedo surgir a sua boca. Ele não conseguia acreditar que ela podia rir-se daquela forma quando ele sequer conseguia proferir um sorriso amarelo, um sorriso forçado.

De repente Jane estava tomando Elizabeth (ainda aos risos) pela mão e a arrastando pelo corredor, até o banheiro feminino. Cerca de dois minutos após as irmãs Abbott terem sumido pela porta do banheiro feminino, três garotas saíram do banheiro às pressas, resmungando entre si.

Will não as viu sair do banheiro; quando o sinal soou, indicando o inicio do segundo período, Will retornou à sua sala. Encontrou Charles sentado a sua carteira, novamente perdido em seus pensamentos. Will estava tão distraído observando Elizabeth gargalhar que não houvera visto Charles passar por ele, ao retornar a sua sala de aula.

Ele tentou inquirir o amigo uma última vez, mas Charles foi tão categórico quanto ele (quando o assunto era Elizabeth) ao lhe dizer que não queria conversar a respeito daquilo. Como os seus amigos pareciam ter respeitado a sua decisão, ele não tinha outra escolha senão retribuir o gesto.

________________________

O segundo período passou ainda mais devagar que o primeiro. Elizabeth estava começando a ficar preocupada com o fato de estar sempre distraída durante as aulas. A época das provas da primeira unidade se aproximava a cada dia e ela mal conseguia dizer quais eram os assuntos qual devia estudar na maioria das matérias.

Mas, aparentemente, não era a única em sua sala que não estava prestando atenção à aula. Catherine e Lydia, sentadas próximas a Elizabeth, cochichavam entre si. Em um determinado momento, aproveitando-se que o professor de física estava de costas para a sala e de frente para o quadro negro, Lydia entregou um bilhetinho a Elizabeth.

--O que?! – Elizabeth exclamou ao ler: “Por que Jane terminou com Charles?”, na letra redonda de Catherine.
--Srta. Abbott, há algum problema? – O professor de física lhe questionou; quando Elizabeth ergueu o seu olhar do bilhetinho que tinha em mãos, o viu a fitá-la, assim como os seus demais colegas de classe. – O que é isso que a senhorita tem em mãos?
--Nada. – Elizabeth ameaçou o bilhetinho, o mantendo em sua mão fechada.
--Dei-me isso, Srta. Abbott! – O professor de física exigiu, já caminhando entre as cadeiras, vindo em direção a Elizabeth.

Elizabeth entrou em pânico quando viu o professor de física se aproximar dela, já estando a meros passos de distância. E, num impulso, colocou o bilhete na boca e começou a mastigar, causando uma instantânea paralisia em seu professor, além de assomo de risos entre os seus colegas de classe. O professor de física deu um muxoxo, mas deixou escapar um meio sorriso ao canto de sua boca, ao dizer.
--Chega de bilhetinhos por hoje, Srta. Abbott. – Já retornando para frente da sala, virando-se para fitá-la novamente ao alcançar o quadro negro. – Ou terei que lhe encaminhar a sala da sra. Goddman. – Elizabeth concordou com um leve aceno de cabeça ao terminar de mastigar o bilhete e engoli-lo.

Depois que todos conseguiram dispersar sua atenção de Elizabeth, voltando a se concentrar na aula, Elizabeth olhou para Lydia e Catherine – um olhar inquisidor. Mas as amigas deram-lhe de ombros e sorriram – Elizabeth sabia que elas tinham achado engraçado o fato de Elizabeth ter comido o bilhetinho. E logo ficou se recriminando por ler tantos romances; esta idéia, por exemplo, tinham tirado de um dos livros de Charlotte.

Ao fim da aula, ela perguntou as meninas sobre o bilhetinho e Lydia lhe explicou o rumor do fim do namoro de Jane e Charles que estava circulando pela escola. Elizabeth estava preste a lhes garantir que se tratava de um mero rumor, quando lembrou-se do comportamento estranho de sua irmã para com Charles e ficou ainda mais preocupada. Antes mesmo que Lydia e Catherine pudessem lhe contar qual era o suposto motivo para o fim do namoro de Jane e Charles, segundo os rumores da escola, Elizabeth já as havia abandonada em sala e ido em busca de Jane. Estava decidida que descobriria a verdade do que estava acontecendo com a sua irmã e Charles e ninguém a atrapalharia desta vez.

No entanto, estava enganada. Assim que pôs os pés fora da sala, Bill Collins se interpôs em seu caminho. Elizabeth parou de andar quando ele parou em sua frente (assim como Caroline, ele estava sorrindo), causando em Elizabeth um longo suspiro, enquanto pensava: “eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer! Mas será que ele não podia ter escolhido outro momento? Tinha que ser agora?!”, olhando-o com desgosto e impaciência; “tudo bem! Se tem de ser agora, que seja!”
--O que quer?! – Perguntou-lhe, para não dar-lhe margens para prolongar aquela tortura.
--Ora, querida Elizabeth, precisamos discutir o nosso relacionamento. – Bill replicou, amorosamente.
--... – Elizabeth franziu a testa e ficou boquiaberta por uns meros segundos. Quando falou, disse um pouco mais alto do que pretendia. – Que relacionamento?! – Exasperada.

Duas meninas que estavam passando por eles naquele momento pararam de andar a dois passos dos dois e voltaram-se para eles, para poder escutar a conversa dos dois, rindo-se.

--Eu sei que o nosso relacionamento passou por conturbações nos últimos dias... – Bill comentou, ainda amorosamente; deixando Elizabeth ainda mais perplexa e causando mais risinhos nas duas meninas. – mas estou disposto a perdoar a sua... – Bill hesitou em completar a frase, mas, enfim, disse, após refletir um segundo. – inconstância e prosseguir como se nada houvesse ocorrido.
--Que relacionamento?! – Elizabeth voltou a exclamar, já deixando de se importar com o fato de estar chamando ainda mais atenção para os dois. – Nós não temos um relacionamento! Nunca tivemos, Bill! – Afirmou, veemente.
--Ora, não diga bobagens, querida! – Bill riu-se de Elizabeth, tentando segurar a mão dela; Elizabeth a puxou para longe do alcance dele o mais rápido que conseguiu, sentindo uma ânsia ao estômago ao mero toque. – O nosso relacionamento é um fato consumado e notório! – Ele prosseguiu, ignorando o gesto dela.
--Você enlouqueceu?! – Elizabeth praticamente gritou aquelas palavras a ele. – Por favor, entenda o que estou lhe dizendo! Nós não temos um relacionamento! – Ela insistiu, em vão.
--Agora, já é o suficiente, Elizabeth. – Ele replicou, aparentemente um pouco irritado. – Eu estou tentando ser condescendente aqui e relevar o seu comportamento incompatível com um de uma dama digna de minha estima e respeito; então, comece a agir de forma condizente com superioridade de zelo que lhe é dispensado pela minha pessoa. – Elizabeth voltara a ficar boquiaberta após esta explosão de Bill e ele, voltando a se controlar, disse-lhe, sorrindo novamente. – Agora que a sua pequena “aventura” com Will Darcy acabou, eu acho que é o momento para nos entendermos de uma vez por todas. – E, voltando a assumir a sua postura autoritária, como a de um pai reprovando uma travessura de uma filha, disse a ela. – Eu sou um homem muito paciente, mas, você deve entender, que todos nós temos um limite e creio que eu cheguei ao meu! Eu não vou tolerar mais nenhuma de suas indiscrições!

--Como é que é?! – Elizabeth exclamou, abismada. As duas garotas próximas a eles riam-se abertamente e outros transeuntes paravam o que estavam fazendo para ouvi-los. – Bill, escute bem. – Elizabeth disse, tentando se acalmar. Chegara o momento de ser franca com ele e por um fim naquela história, mas sabia que não podia ser rude; se o fosse, ele contaria a sua mãe, quem procuraria a sra. Abbott e, então, Elizabeth estaria em sérios apuros. Respirando fundo, ela disse. – Por favor, escute-me. – Pediu-lhe o mais educadamente que conseguiu. – Eu não tenho e nunca tive um relacionamento com você. – Disse cada uma daquelas palavras com calma e o mais devagar possível, tentando ser clara para que ele pudesse entendê-la. – Qualquer tipo de relacionamento! – Completou, sempre procurando ser o mais específica possível.
--Minha cara, nós saímos juntos! – Bill replicou, também tentando soar o mais claro e objetivo possível; assim como Elizabeth, soando como se explicasse algo obvio a uma pessoa que se negava a compreendê-lo. –Os nossos pais aprovam o nosso namoro... Não sei como você pode continuar negando o nosso envolvimento!
--Porque eu não tenho um envolvimento com você!! – Elizabeth voltou a se exaltar, voltando a gritar cada uma daquelas palavras para ele. – Não tenho, nunca tive e NUNCA VOU TER!!! – E, antes que ele conseguisse refutar as suas palavras com mais um de seus devaneios, ela completou. – Nós saímos uma vez, contra minha vontade. – E, não medindo as palavras, expressou-se da forma mais franca que já se dirigira a uma pessoa antes. – Foi uma situação desconfortável, a qual eu não tenho desejo algum em repetir!

E, quando ele tentou falar, quando ela precisou parar um segundo para recuperar o fôlego, Elizabeth ergueu-lhe a mão, pedindo-lhe com o gesto que ele permanecesse calado, e prosseguiu.
--Eu acho a idéia de você segurar a minha mão repulsiva, quanto mais me beijar! – Novamente falando devagar e o mais alto que conseguiu, como se conversasse com uma pessoa surda que apenas lesse os lábios. – Ponha na sua cabeça: eu não sou, nunca fui e nunca, jamais vou ser sua namorada!
--Sua mãe... – Bill gritou de volta, irritadíssimo. – explicou-me que você poderia se comportar deste jeito. – E foi a vez de Elizabeth tentar falar, mas ele não permitiu. – Ela me disse que você costuma fazer todos os tipos de atrocidades com os seus pretendentes, tentando dissuadi-los de lhe cortejar, quando intimamente deseja a sua total atenção! – Elizabeth voltara a ficar muda, olhando-o com olhos arregalados, mal compreendendo como a sua mãe fora capaz de fazer uma coisa destas com ela. – Então, eu vou considerar este comportamento seu como mais uma prova dos seu profundo e intenso amor por mim! – Elizabeth deixou o queixo cair ao ouvi-lo lhe dizer isso e continuou a encará-lo como se não o reconhecesse. – Amor, este, que lhe é igualmente correspondido. – Ele completou, dando um passo em sua direção, estendendo-lhe os braços.

Elizabeth deu dois passos para trás, assustada (ele estava, definitivamente, tentando abraçá-la e beijá-la) e gritou.
--Pare! – Exasperada, estendendo as duas mãos na direção dele, para mantê-lo longe. – Eu não sei como uma pessoa em perfeito estado de consciência pode interpretar os meus gestos e declarações como uma prova de amor, mas eu vou lhe garantir que, se você der mais um passo em minha direção, eu não vou responder pelos meus atos!!! – Ao vislumbre das faíscas em seus olhos e ao vê-la fechar os punhos num gesto furiosos, ainda com os braços erguidos para ele (ou seja, já em posição de combate), Bill parou de se aproximar dela e abaixou os seus braços.

A esta altura, todos ao corredor estavam parados, os olhando. Até mesmo os professores esqueceram-se de prosseguir com suas atividades e assistiam ao desfecho daquela discussão. Os funcionários da escola que possuíam a função de vigiar os corredores e evitar episódios como o de quando Elizabeth nockouteara David já haviam sido acionados por um dos professores e se dirigiam àquele corredor naquele instante.
--Eu sei que você não está falando sério. – Bill rebateu, mas mantendo-se imóvel.
--Ohh, eu não poderia estar falando mais sério! – Elizabeth replicou, ainda com os braços erguidos, em posição de combate.
--Elizabeth, seja razoável. – Bill suplicou, já inconformado com aquela situação. Será que ele não houvera sido claro quando lhe dissera que chegara ao seu limite?!
--Eu estou sendo razoável, acredite em mim! – Elizabeth garantiu, já ciente de um rebuliço entre alguns de seus colegas ao fundo do corredor (os funcionários da escola tentavam chegar até eles, mas encontravam dificuldade em circular ao corredor apinhado de estudantes e professores).
--A sua mãe... – Bill decidiu fazer uma última tentativa, mas foi interrompido por ela, quando ela disse, alteando a sua voz, para soar mais alto que ele.
--Minha mãe é tão louca quanto você, aparentemente, se ela realmente acredita que eu posso nutrir qualquer tipo de sentimento por você, além da repulsa! – Elizabeth finalmente abaixou os seus braços, em um gesto exasperado, e completou. – Mas, como vocês dois parecem se entender tão bem, por que você não tenta convidar ela para sair com você?! E ME DEIXA EM PAZ! – E lhe deu as costas.

 

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