Citações

Uma mulher se faz elegante para sua própria satisfação.(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo LII

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Capítulo 52

 

Will houvera passado quase o dia inteiro trancado em seu quarto, evitando Georgiana. Ela tinha vindo em seu quarto em um momento daquela tarde e o encontrou sentado diante do seu laptop, olhando fixamente para a foto que ela tirara dele beijando Elizabeth (novamente com a setinha do mouse sobre o botão de “excluir mensagem”). E logo começou a fazer mil comentários sobre o quão maravilhoso era o fato de ele estar namorando Elizabeth, o que o levou a fechar o seu e-mail, desconectar-se da internet e desligar o seu laptop mais uma vez.

            Ele teve um trabalho enorme para conseguir desviar a atenção de sua irmã para outro assunto e depois, um maior ainda, para conseguir que ela saísse de seu quarto. Quando finalmente teve sucesso, fechou a porta do quarto e se trancou nele. Não queria mais ser incomodado por ninguém. Mas não retornou a se conectar a internet. Apenas deitou-se em sua cama e tentou se esquecer do mundo do lado de fora do seu quarto pelo resto do dia.

            Durante o jantar, no entanto, Georgiana voltou à fala sobre Elizabeth. Queria saber se eles iam se encontrar depois do jantar, perguntando-lhe por que ele não a convidou para jantar em sua casa este domingo. Enquanto Will fazia de tudo para manter a sua boca ocupada com comida para não ter de responder às suas perguntas e, conseqüentemente, terminar o seu jantar rapidamente, para que pudesse se retirar da mesa o mais rápido possível.

            Quando terminou de comer e retirou-se da mesa, conseguiu ouvir a sua irmã ainda falando com seus pais a respeito de Elizabeth. Will seguiu para a sala de jogos e ligou o seu videogame, tentando distrair-se com outra coisa. Mas mal houvera começado um dos jogos e Georgiana entrou na sala, seguida por seus pais, inquirindo-lhe:

--Você terminou com Lizzie?! - A sua mãe achara que era o momento de dizer a ela isso, porque só assim ela pararia de falar sobre Elizabeth para o seu irmão, porque conseguia notar o quão transtornado aquele assunto o deixava. Só não previa a atitude de sua filha caçula ao ouvir a novidade. - Por quê?! - Georgiana exigiu saber, parecendo irritada com o irmão. - Por que você terminou com ela?!

--Não é da sua conta! - Will rebateu, alterado, erguendo-se do sofá e largando o controle do videogame sobre o sofá.

--Ela é minha amiga! - Georgiana exclamou de volta, enfrentando o irmão.

--E eu sou seu irmão! - Will rebateu. - Você devia ficar do meu lado! - Silenciando Georgiana.

--Parem vocês dois! - O sr. Darcy ordenou, ganhando a atenção de ambos os filhos. - Georgiana, este assunto não lhe diz respeito; pare de assediar o seu irmão com perguntas! - Georgiana abriu a boca para replicar, mas desistiu e voltou a fechá-la. - Will, não fale com a sua irmã deste jeito! - Will sustentou o seu olhar, mas não tinha intenção alguma de replicar. - Este assunto vai ser encerrado aqui; eu não quero mais ouvir nenhuma discussão a este respeito. - O sr. Darcy completou, decisivamente, recebendo um aceno de cabeça em confirmação de ambos os filhos.

            Georgiana recolheu-se em seu quarto, ainda chateada com a novidade. Will desligou o seu videogame e anunciou aos seus pais que estava saindo de casa para dar um passeio, assim o fazendo. Will entrou em seu carro, ligou o motor e o retirou da garagem. Não sabia onde estava indo, porque não tinha vontade alguma de ver seus amigos, o que tornava a visita à casa de algum deles impossível, e também não queria ver nenhum outro colega de escola, o que transformava a ida ao pub improvável.

            Ele ligou o rádio do seu carro unicamente porque o silêncio o estava incomodando – permitia que ele escutasse os seus próprios pensamentos e eles estavam repletos de Elizabeth. Ele não estava preocupado com o que estava ouvido, então, deixou na estação de rádio em que estava sintonizada. E continuou a dirigir sem um rumo definido, apenas passeando pelas ruas de Londres naquela noite fria de outono.

            O programa de estação de rádio que estava escutando anunciou a próxima música que estava preste a começar. Will deu-lhe um pouco de sua atenção ao ouvir o nome da banda Lifehouse quando a música foi anunciada. Ele não conhecia aquela música, por isso prestou atenção na letra.  

            The broken clock is a comfort, it helps me sleep tonight

(O relógio quebrado é um conforto, deixa-me adormecer esta noite)
Maybe it can stop tomorrow from stealing all my time

(Talvez possa evitar que o amanhã roube todo o meu tempo)
And I am here still waiting though I still have my doubts

(Eu estou aqui esperando, embora ainda tenha minhas dúvidas)
I am damaged at best, like you've already figured out

(Eu estou estragado, na melhor das possibilidades, como você já percebeu)

            Ele gosta daquele estilo de música que a banda Lifehouse toca. Gosta da composição das músicas e das suas melodias.

I'm falling apart, I'm barely breathing

(Eu estou despedaçando, mal conseguindo respirar)
With a broken heart that's still beating

(Com um coração partido que ainda bate)
In the pain there is healing

(Na dor há a cura)
In your name I find meaning

(Em seu nome eu encontro significado)

            Ele não sabia exatamente como aquelas imagens surgiram em sua mente assim, tão de repente. Mas não conseguiu evitá-las.

            A roda-gigante parou por uns minutos ao topo e Will ficou a observar Elizabeth admirar o crepúsculo, os tons lilás e alaranjados do céu. Ele recostou-se confortavelmente em seu banco e passou o seu braço por sobre o ombro dela, conseguindo que ela dirigisse o olhar para ele e lhe sorrisse. O vento balançava os seus cabelos, então Elizabeth passou a mão pelo seu cabelo e o prendendo atrás da orelha, ao se aconchegar no abraço de Will.

            Ela encostou a cabeça no ombro dele e, olhando a vista daquela roda-gigante, suspirou. Will a viu erguer a sua mão e entrelaçar os seus dedos com os dele, da mão dele que estivera apoiada ao ombro dela. E foi a sua vez de suspirar, admirado que aquele simples gesto pudesse despertar tamanha sensação nele. Ele sentiu uma corrente de eletricidade percorrer o seu corpo, começando da ponta de seus dedos.

            Enquanto ele olhava aquela imensidão lá de cima, sentindo-se o mais feliz que poderia estar, ela estava admirando o perfil de seu rosto. A linha de seu queixo bem definido, os contornos de sua boca, a pele de seu rosto um pouco áspera, de barba recém-feita.

--Will. - Elizabeth murmurou.

--Hum?! - Ele respondeu, ainda olhando o horizonte. Como ela permaneceu em silêncio, ele virou o rosto em sua direção, a encontrando a fitá-lo.

--Me beije! - Ela pediu, sem realmente pronunciar as palavras.

            E ele a atendeu, com muito gosto.  

            Quando Will parou o carro, percebeu que houvera dirigido até a casa de Elizabeth. Ele olhou para a janela que deduzia ser a do quarto dela e viu que as luzes estavam apagadas. Havia luz acesa apenas no andar de baixo.

So I'm holdin' on, I'm holdin' on, I'm holdin' on

(Então, estou agüentando, estou agüentando, eu estou agüentado)
I'm barely holdin' on to you

(Eu estou me agarrando a você)

__________________________

            Elizabeth houvera se recolhido ao seu quarto um pouco depois que Jane saíra com Charles. Como não queria que Jane desistisse do seu passeio com Charles por sua causa, unicamente para lhe fazer companhia, ficara a sala de estar de sua casa lendo o manuscrito de seu pai por boa parte da noite para que Jane acreditasse que ela estava bem melhor. Mas, assim que Jane saiu, retornou para o seu quarto e permaneceu nele o resto de sua noite.

            Arrumou-se para dormir, mas, como estava sem sono, ligou o seu aparelho de som e ficou escutando música. Como houvera alegado sono a seus pais, para poder se recolher em seu quarto, desligou a luz deste, deixando o rádio ligado em um volume razoavelmente baixo, e deitou-se em sua cama.

            Ela não sabia que naquele instante Will estava parado do lado de fora de sua casa, olhando para a sua janela. Nem mesmo que ambos estavam ouvindo a mesma estação de rádio e pensando na mesma coisa.

The broken locks were a warning you got inside my head

(Os cadeados quebrados foram um aviso que você colocou em minha mente)
I tried my best to be guarded; I'm an open book instead

(Eu tentei o máximo que pude ser cauteloso; tornei-me um livro aberto, no entanto)
I still see your reflection inside of my eyes

(Eu ainda vejo o seu reflexo dentro dos meus olhos)
They are looking for a purpose, they're still looking for life

(Eles ainda estão procurando por um propósito, ainda estão procurando vida)

            Aquelas mesmas lembranças que estavam o atormentando, invadiam a mente dela também. Ela estava de volta aquela roda-gigante, sentindo o toque de suas mãos, o calor de seu abraço e o gosto de seus lábios. Sentia como se ele estivesse ali, naquele momento, com ela.

I'm falling apart, I'm barely breathing

(Eu estou despedaçando, mal conseguindo respirar)
With a broken heart that's still beating

(Com um coração partido que ainda bate)
In the pain there is healing

(Na dor há a cura)
In your name I find meaning

(Em seu nome eu encontro o significado)
So I'm holdin' on, I'm holdin' on, I'm holdin' on

(Então, estou agüentando, estou agüentando, eu estou agüentado)
I'm barely holdin' on to you

(Eu estou me agarrando a você)

            Elizabeth fechou os olhos e pediu a Deus para que o dia de amanhã fosse melhor, implorou para que pudesse acordar e se sentir melhor.

I'm hangin' on another day

(Eu estou agüentando um outro dia)
Just to see what you will throw my way

(Somente para ver o que você jogará em meu caminho)
And I'm hanging on to the words you say

(Eu estou me apegando as palavras que você disse)
You said that I will be OK

(Você disse que eu ficarei bem)
____________________________

            Will voltou a ligar o motor de seu carro, quando percebeu que houvera o desligado assim que parou diante da casa de Elizabeth. Não sabia o que tinha vindo fazer ali, não tinha porque estar ali. Então voltou a dirigir.

The broken lights on the freeway left me here alone

(As luzes apagadas da estrada me deixaram aqui sozinho)
I may have lost my way now, haven't forgotten my way home

(Eu posso ter perdido o meu caminho agora, mas não esqueci como voltar para casa)

            Como não tinha mais nenhum outro lugar para ir, decidiu voltar para casa. O dia seguinte seria segunda-feira e ele precisaria acordar cedo, então o melhor que podia fazer era voltar para casa e tentar dormir um pouco. Pediu a Deus para conseguir dormir esta noite e estar se sentindo melhor no dia seguinte.

I'm falling apart, I'm barely breathing

(Eu estou despedaçando, mal conseguindo respirar)
With a broken heart that's still beating

(Com um coração partido que ainda bate)
In the pain there is healing

(Na dor há a cura)
In your name I find meaning

(Em seu nome eu encontro o significado)
So I'm holdin' on, I'm holdin' on, I'm holdin' on

(Então, estou agüentando, estou agüentando, eu estou agüentado)
I'm barely holdin' on to you

(Eu estou me agarrando a você)

_____________________________

            Elizabeth abriu os olhos e fitou o seu relógio despertador ao criado-mudo próximo a sua cama, o qual estava com defeito em seu alarme. Faltavam cinco minutos para as seis. Sabia que Jane estaria se levantando da sua cama a qualquer minuto e vindo acordar-lhe. Desfez-se de seu edredom e se levantou da cama, indo para o banheiro. Tomou o seu banho num processo automático – chegou a ficar tão distraída com seus próprios pensamentos que lavou o cabelo com shampoo três vezes e não usou nenhum condicionador.

Vestiu-se sem muita dificuldade, também automaticamente. Colocou uma calça jeans preta, uma suéter de linho branca, um casaco jeans azul escuro e escolheu outro dos seus cachecóis, um em tons marrom canela. Calçou as suas botas, se perfumou e penteou o cabelo. Deixando-os soltos, porque não estava com animo para pensar em algum tipo de penteado.

Saiu do quarto e desceu para a cozinha, indo se juntar aos seus pais e irmã à mesa do café. O sr. Abbott a cumprimentou com um “bom dia” caloroso e a sra. Abbott trouxe-lhe a cesta de pães que estivera torrando. Logo se sentou à mesa também e todos começaram a tomar o seu café.

Elizabeth notou que Jane estava estranhamente calada esta manhã, como se estivesse preocupada com algo. Deduziu que ela estava ansiosa pelo que lhes aguardava a escola aquela manhã, por estar com receio quanto ao seu, Elizabeth, bem estar. Não fazia idéia dos acontecimentos da noite anterior ainda, porque Jane preferiu não lhe procurar em seu quarto quando retornou do Basement.

Após o café da manhã, retornou ao seu quarto para escovar os dentes e coletar o seu material escolar. Quando estava preste a sair do quarto, lembrou-se de seu MP3 sob o criado-mudo, então, caminhou até o criado-mudo para pegá-lo – houvera o recheado de novas músicas, porque adivinhava que precisaria de distração enquanto estivesse à escola durante os próximos dias; sabia que todos estariam comentando o fim de seu namoro relâmpago, principalmente a forma com que Will gritou com ela em público ao terminar o namoro – aquilo foi humilhante, no mínimo!

Quando apareceu à sala de estar, Jane não estava a esperando, como de costume. Elizabeth esperou uns dois minutos e a sua irmã finalmente começou a descer a escada, juntando-se a ela. Jane estava excessivamente silenciosa durante todo o percurso até a escola, ocasionalmente deixando escapar longos suspiros de exasperação. Elizabeth não perguntou-lhe qual era o seu problema, ainda imaginando que Jane estava extremamente preocupada quanto o que lhes aguardava ao chegarem a escola.

Sabendo como Jane desejava sempre ter todos à sua volta confortáveis, era comum se exceder com os cuidados com aqueles mais próximos a ela – com Elizabeth em especial. No entanto, Elizabeth estava segura de que tinha progredido consideravelmente desde a manhã do dia anterior e, ainda mais, da noite de sábado (quando chorara por muito tempo nos braços da irmã). Desde então, tinha até sorrido genuinamente umas duas vezes e estava decidida a não se deixar mais abater.

As duas irmãs se aproximaram da escola lentamente e, antes de começarem a subir os degraus da escadaria da entrada de Austen House, ambas se entreolharam e deram as mãos, retornando o olhar ao topo da escada. Ambas respiraram fundo, criando coragem para enfrentar aquele dia, à medida que começavam a escalar aqueles degraus.

________________________________

 

Will acordou com o despertador tocando histericamente em seus ouvidos; ele tinha conseguido dormir já quando a madrugada avançava. Em conseqüência, estava cansado e mal humorado – na verdade, definir o seu estado de espírito como “mal humorado” é pouco; estava rabugento, irritadiço, arredio...

Tomou o seu café da manhã em silêncio, sob o olhar atento de seus pais e sua irmã. Georgiana finalmente houvera desistido de lhe fazer perguntas quanto ao que tinha acontecido entre ele e Elizabeth. Passara boa parte da noite anterior irritada com Will; primeiramente, por ele ter terminado com Elizabeth e, em segundo lugar, por ele tê-la tratado daquela forma na noite anterior.

Mas logo que a raiva que sentia por ele começou a passar, lembrou-se da forma com que ele lhe disse que era o seu irmão e que ela deveria ficar ao lado dele. Começou a pensar que talvez ele estivesse certo, que talvez ela devesse ficar do lado dele. Afinal, ela não sabia o que tinha acontecido entre ele e Elizabeth; uma coisa ela sabia, Will gosta de Elizabeth e não terminaria com ela de uma hora por outra, sem ter um bom motivo. Se não houvera sido ela quem terminou com ele por algo que ele fizera de errado, não intencionalmente (é claro!). As possibilidades são tantas, que ficava difícil para ela tomar uma posição.

Por isso, também tomou o seu café em silêncio, apenas o observando. Finalmente, notando que Will estava bastante triste, o que a deixou arrependida e irritada consigo mesma. “Ele é o meu irmão e eu gosto muito dele; não quero vê-lo triste.” Voltando a se questionar o que podia ter acontecido entre ele e Elizabeth. “Por que eles tinham terminado, se estavam tão bem durante o passeio em Chessington World of Adventures?”

Ficou o percurso até a sua escola, sentada ao banco de passageiro do carro de seu irmão, pensando se devia procurar Elizabeth à escola e tentar descobrir o que tinha acontecido através dela. “Será que Will consideraria uma traição de minha parte se eu ainda continuar amiga de Elizabeth e tentar conversar com ela sobre eles?!”, ela se perguntava, ao olhar de soslaio para o seu irmão – quem estava devotando a sua total atenção a direção que tomavam.

Georgiana desviou o seu olhar dele e voltou a fitar a sua janela, pensativa. “Mas ele não poderia forçar-me a não falar mais com Lizzie! Ele é o meu irmão, mas ela é minha amiga e eu gosto dela também!” Georgiana voltou a olhar para ele, ainda olhando fixamente para frente e concentrado em dirigir o seu carro. O silêncio entre eles era tanto que os suspiros longos de Georgiana eram claramente audíveis.

Notando que o rádio do carro de Will estava desligado, porque ele se esquecera de ligá-lo ao deixarem a garagem de sua casa, Georgiana ligou o aparelho. Will dirigiu um breve olhar em sua direção, surpreso por sua atitude, mas não disse nada, voltando a se preocupar com a direção. Georgiana ficou trocando de estação até encontrar uma música de seu agrado, tirando de sintonia a estação que Will geralmente ouvia. Parou uma estação em que a música Last night de Puff Daddy estava tocando.

Last night
(Ontem a noite)
I couldn't even get an answer.
(Eu nem consegui uma resposta)
Tried to call
(Tentei ligar)
But my pride wouldn't let me dial
(Mas o meu orgulho não me deixou discar)

Will desviou o seu olhar da direção e fitou o rádio de seu carro, com a testa franzida. Logo retornou sua atenção a direção do carro, mas ainda com os ouvidos atentos a letra daquela música.

And I'm sitting here
(E agora estou sentado aqui)
With this blank expression
(Com está expressão pálida)
And the way I feel
(E o jeito como me sinto)
I wanna curl up like a child
(Eu quero me encolher como uma criança)

Ele voltou a olhar para o rádio e, levando a mão até ele, o desligou num gesto irritado. Georgiana ficou o olhando, surpresa. “Ele está zangado por que eu liguei o rádio?! Mas... Eu pensei... Ele não disse nada...”, ela se questionava, alarmada. Enquanto Will retornava a sua atenção à direção do carro.

______________________________

Jane e Elizabeth entraram na escola e logo se tornaram o alvo dos olhares de seus colegas. Elizabeth, no entanto, não sabia que ela não era a única razão de seus cochichos. Alguns colegas de escola estavam ao pub quando Jane e Charles discutiram a respeito do fim do namoro de Elizabeth e Will, e conseguiram entreouvir algumas partes da discussão do casal. E agora não só discutiam sobre o que ouviram Jane gritar para Charles a respeito de sua irmã, como também comentavam a discussão em si daquele casal.

Jane, no entanto, estava ciente de ser um dos alvos daqueles olhares e motivo de mais fofoca. Tentava o máximo transparecer tranqüilidade – conseguindo disfarçar muito melhor que Elizabeth – mas, por dentro, ainda estava com raiva. Furiosa com Will, por ter magoado a irmã dela, furiosa com Charles, por tê-lo defendido e acusado Elizabeth de brincar com os sentimentos de seu amigo, e furiosa com todos os bisbilhoteiros da sua escola, quais as estavam fitando e julgando àquele momento.

Quando as duas alcançaram o corredor das suas respectivas salas, viram Charles parado enfrente a porta da sala de Jane, sozinho. Ele parecia estar agitado, como se estivesse preocupado. Ao vê-lo, Elizabeth sentiu Jane apertar mais forte a sua mão que ela segurava. Elizabeth olhou rapidamente para sua irmã e viu o seu rosto assumir uma expressão rude. Ela soube ali que Jane estava zangada e com Charles, só não sabia por quê.

Quando ia lhe perguntar o que estava acontecendo, sentiu que ela apertou ainda mais forte a sua mão e quase parou de andar. Elizabeth voltou a olhar na direção em que Charles estava e o viu andando em sua direção, com uma expressão de culpa estampada em seu rosto. E Elizabeth continuou a si perguntar, mentalmente, o que poderia ter acontecido.

Jane assumiu o controle sobre si mesma e apressou os seus passos, seguindo em direção a sua sala. Elizabeth a acompanhou; primeiramente, porque Jane ainda a segurava pela mão e a levava consigo e, em segundo lugar, porque queria descobrir o que estava acontecendo. Quando as duas se aproximaram o suficiente de Charles, Elizabeth diminuiu os passos, até parar. Mas Jane continuou andando, soltando a sua mão e ultrapassando Charles antes que ele conseguisse lhe dirigir uma palavra sequer. Deixando Charles e Elizabeth a olhar a sua figura em retirada, ambos perplexos por sua atitude.
--Jane?! - Elizabeth chamou por ela, mas foi ignorada. Jane entrou em sua sala sem olhar uma vez para trás. - O que aconteceu? - Elizabeth perguntou a Charles.

Charles voltou-se de frente para Elizabeth, fitando-a nos olhos. Ele já não sabia se tinha raiva de Elizabeth com relação a Will ou se sentia culpado pelo que dissera e pensara a seu respeito. Estava muito confuso quanto a tudo o que estava acontecendo com todos eles desde que discutira com Jane. “Será que eu fui injusto com Elizabeth? Será que ela está sofrendo com o fim do namoro tanto quanto Will?” Ele a fitou, de uma forma que deixou Elizabeth constrangida – parecia que ele queria ler a sua mente – e se perguntou: “Será que ela está fingindo estar bem por que não quer que ninguém saiba o quanto está magoada? Porque quer manter uma imagem de durona?”.
--Charles? - Elizabeth o chamou, com a testa franzida.

Charles sorriu para ela, um sorriso apagado e um tanto culpado, e seguiu em direção a sua própria sala. Deixando Elizabeth ainda mais perplexa, a fitar a figura de Charles em retirada desta vez. Elizabeth sentiu uma mão sobre o seu ombro e virou-se na direção oposta a que Charles seguira, deparando-se com Richard. Ele tinha uma expressão solene no rosto e Elizabeth o fitou atentamente.

Richard estava analisando as feições de Elizabeth, tentando ver além a sua aparência. Depois do desastre que fora a conversa com Jane e Charles ao Basement, Charlotte e ele discutiram o assunto “Elizabeth e Will” a sóis. Assim, Charlotte relatou o que houvera entendido da briga dos dois e explicou a Richard o lado de Elizabeth por detrás daquela confusão. O que serviu para esclarecer muitas coisas para Richard. No entanto, ele ainda estava perdido quanto a como ia conseguir fazer o primo enxergar as coisas pelo lado de Elizabeth quando o primo se recusava a tratar deste assunto com quem quer que fosse.

Elizabeth, por sua vez, começou a se sentir incomodada pela segunda vez sob o olhar penetrante que, agora, Richard lhe dirigia. Olhando para ele, lembrou-se de quando Charlotte e as meninas estiveram em sua casa e a amiga relatou como houvera sido o seu passeio na roda-gigante com Richard, além dos acontecimentos que se seguiram a este episódio. Logo a sua imaginação criou uma imagem de Richard à roda-gigante, tentando beijar Charlotte e não tendo sucesso, ficando com uma expressão frustrada no rosto. Esta imagem em sua mente a fez deixar escapar uma gargalhada audível, rendendo Richard uma expressão confusa em seu rosto.
--O que? – Ele lhe inquiriu, enquanto ela ainda olhava para ele sorrindo.
--Eu só estava me lembrando de algo que Charlotte me disse. – Elizabeth explicou, conseguindo que Richard passasse a sua mão direita por seu cabelo, sentindo-se desconfortável.
--Vocês andaram conversando a meu respeito?! – Ele perguntou, envergonhado.
--Oh, sim! – Elizabeth continuou a rir. – Por falar nisso, parabéns! – Elizabeth o cumprimentou, com um leve tapa no ombro e lhe dirigindo outro sorriso genuíno.
--Obrigado! – Richard replicou, ainda constrangido, mais lhe correspondendo ao sorri. Sabia que ela o estava parabenizando com relação ao seu namoro com Charlotte e por isso não conseguia resistir ao seu sorriso.

Neste exato instante, o sorriso de Elizabeth esvaneceu quando ela estendeu o seu olhar um pouco adiante a Richard e viu Will se aproximando deles. Ele estava olhando fixamente para ela, com uma expressão carrancuda no rosto, e passou por Richard e Elizabeth olhando fixamente para ela, mas sem lhe dizer nada.

Richard, estranhando a mudança de espírito de Elizabeth, olhou na mesma direção em que ela estava olhando. Viu o seu primo ultrapassá-los, olhando para Elizabeth tão friamente quanto uma pedra e seguir em direção a sua sala de aula. Ele não disse nada, sequer piscou. Olhou fixamente para ela até que os ultrapassasse, então desviou o seu olhar e seguiu o seu rumo, sem olhar para trás uma vez.

Elizabeth virou o rosto na direção em que Will seguira, mas logo voltou a olhar para Richard. Já não tinha mais animo para sorrir, então estava decidida a ir para a sua sala de aula. Richard a vislumbrou e parecia ler a sua decisão estampada em seu rosto. Então começou a dizer num tom de voz condescendente.
--Lizzie, eu... Will... Ele...
--Não, Richard. – Elizabeth decidiu interrompê-lo. – Eu não quero conversar sobre o seu primo.
--Mas, Lizzie, ele...
--Não, Richard. – Elizabeth voltou a interrompê-lo, mas decidida desta vez. – Eu não posso falar a respeito dele agora... e principalmente aqui. – Explicou-se; Richard olhou as pessoas ao seu redor, notando que a atenção de muitas delas estava focada neles dois.
--Eu entendo. – Ele replicou, compreendendo a reserva dela quanto àquele assunto. Já existiam muitas fofocas a respeito do fim do namoro deles, era natural que ela não quisesse dar mais munição aos seus colegas de escola.
--Além de que, aí vem Charlotte! – Elizabeth disse, acenando um “adeus” a amiga quando ela se acercava dos dois, indo em direção a sua sala de aula, aproveitando a distração de Richard (quem houvera virado o rosto na direção de Charlotte por indicação de Elizabeth e não notara o momento em que ela decidiu escapar de sua presença).

 

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