Capítulo 48
Quando chegaram a Forbidden Kingdom, encontraram uma fila um pouco maior ao Rameses Revenge. O grupo todo entrou na fila, Charlotte tomando o cuidado de ser a penúltima da fila – caso em que Richard foi o último – e esperou o momento em que teria que ocupar outro banquinho em outro brinquedo daquele parque. Desta vez, no entanto, não havia lugares suficientes para todos experimentassem aquele brinquedo ao mesmo tempo. Para a satisfação de Charlotte, quem, prontamente, se absteve de usar aquele brinquedo. E Richard fez o mesmo, para não deixá-la sozinha.
Então, enquanto todos se divertiam ao Rameses Revenge, Charlotte e Richard foram caminhando até a frente do Tom Laser e decidiram passear pelas pontes de um dos castelos daquela parte do parque. Charlotte se debruçou a ponte e ficou observando o parque, mas logo sentiu as pernas tremerem por causa da altura e decidiu virar-se de costas. Richard encostou-se ao seu lado e os dois ficaram assim, lado a lado, calados.
Charlotte não sabia o que fazer. Ele a tinha pedido em namoro, devia estar esperando por uma resposta dela. Mas ela não conseguia encontrar a coragem para virar-se de frente para ele, olhar-lhe nos olhos e dar-lhe a resposta que estava na ponta de sua língua. E o fato de ele estar parado ao seu lado, em completo silêncio, imóvel, a estava deixando ainda mais nervosa.
Richard ainda estava pensando em como agir de agora em diante, para a não assustá-la mais uma vez. Tinha tido muito trabalho para chegar até aqui, não podia deixar o seu nervosismo arruinar tudo. Quando a sentiu virar-se de frente para ele, fez o mesmo, desencostando-se da ponte e virando-se de frente para ela. Charlotte tinha esta expressão confusa no rosto, então deu um passo em sua direção e lhe beijou os lábios, rapidamente.
Charlotte se afastou e ficou a olhá-lo, ali diante dela, boquiaberto e ainda imóvel. Logo ficou com receio de ter entendido alguma coisa errada e arrependida de tê-lo beijado, já se recriminando por ter decidido tomar uma atitude que somente uma de suas personagens inspiradas em Elizabeth tomariam. Quando deu-lhe as costas, constrangida pelo que tinha feito, com o intuito de atravessar o resto da ponte e sair dali, o sentiu segurar-lhe pela mão e puxá-la para si, fazendo-a voltar se de frente para ele de novo.
O beijo arrebatador que ele lhe deu apagou qualquer dúvida que ela ainda podia ter de que ele realmente gostava dela e de que queria namorá-la. Nunca nenhum outro garoto tinha a abraçado tão forte ou beijado com tanta paixão antes.
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Quando o grupo saiu do Rameses Revenge, sentindo-se extremamente tontos, mas exultados de excitamento depois da experiência que viveram naquele brinquedo, e procuraram por Richard e Charlotte aos redores de Forbidden Kingdom, não os encontraram em parte alguma. Will logo notou a troca de olhares entre as meninas e os risinhos contidos de todas elas ao constatarem a ausência dos dois; todos já imaginavam o porquê de eles não estarem em lugar algum ao alcance de suas visões e nenhum deles propôs continuar a procurar por eles. Pelo contrário, logo decidiram seguir adiante com suas visitações a outras partes do parque e a experimentar outros brinquedos.
O grupo seguiu adiante com o antigo plano, rumando em direção a Land Of The Dragons, com o intuito de andar na montanha-russa. Chegando a Dragon's Fury, tiveram que enfrentar uma fila maior ainda. Vários alunos de ambas escolas desejavam experimentar aquele brinquedo em especial. E mesmo após a chegada deles ao brinquedo, entrando a fila de espera, continuaram a chegar mais alunos a Land of the Dragons e a entrarem a fila de Dragon's Fury.
Jane e Charles foram os primeiros a entrarem em um dos carrinhos e ocuparem os primeiros bancos; seguidos a eles, Will e Elizabeth se sentaram aos bancos traseiros do mesmo carrinho que Jane e Charles estavam sentados. Logo o brinquedo começou a funcionar e o carrinho em que eles estavam começou a percorrer os trilhos da montanha-russa em alta velocidade, fazendo curvas incrivelmente perigosas.
Um segundo carrinho parou diante da entrada da monta - russa e seus ocupantes o abandonaram. Seguiu-se a vez de Lydia e Mark, e George e Valerie tomarem os assentos do carrinho. Logo começaram uma discussão sem sentido de quem iria sentar-se aos bancos da frente do carrinho, qual só foi interrompida pelo funcionário do parque – o qual indicou de que ordem era melhor para que cada um sentasse, de forma que o passeio ficasse mais emocionante (porque o peso dos passageiros influência na velocidade e habilidade do carrinho em fazer as curvas).
Assim, Lydia e Mark sentaram-se aos banquinhos da frente e George e Valerie sentaram-se aos banquinhos detrás. George ocupando o banco que ficava de costas para Lydia e Valerie o banco que ficava de costas para Mark. Durante todo o passeio do carrinho pelos trilhos da montanha-russa, George ficou a observar de soslaio os movimentos de Mark com relação a Lydia; e, sempre que podia, erguia os braços (em uma falsa demonstração de excitamento com o passeio) e batia um dos cotovelos na cabeça de Mark com bastante força.
Quando todos saíram dos carrinhos, ao fim daquele passeio, o clima entre Mark e George estava ficando cada vez mais intenso. Will e Charles logo notaram que o amigo estava preste a explodir e, numa tentativa de dispersar aquela atmosfera, logo sugeriram caminhar em direção a outra parte do parque. Assim, foram até Pirates Cove, com o intuito de experimentar o passeio ao Black Buccaneer – navio pirata que o suspende no ar, ao balançar de um lado a outro. Todos aos grupos tentavam manter George e Valerie o mais longe possível de Mark e Lydia. Enquanto os dois casais, em si, lutavam para conseguir justamente o contrário.
Chegando a Pirates Cove, por sorte, não encontraram fila. O barco estava imóvel e as pessoas que estiveram esperando a fila para poder usá-lo, naquele momento, ocupavam seus lugares recentemente vagos. O barco estava quase cheio, restando apenas poucos lugares vazios. Não o suficiente para que todos do grupo andassem de uma vez só. Então ficou decidido que três casais iriam primeiro e os outros dois esperavam pela próxima rodada.
Como deixar Lydia, Mark, George e Valerie a sóis não parecia uma boa idéia, também decidiram separá-los. Assim, um dos dois casais iria experimentar o brinquedo primeiro, enquanto o outro casal aguardava a próxima rodada com mais um dos demais casais. Charles e Jane, Catherine e Daniel entraram no barco e Lydia e Mark iam segui-los. Mas George negou-se a ficar por último e começou a discutir com Mark e Lydia que ele e Valerie deveriam ir primeiro.
Will e Elizabeth tentavam mantê-los a uma boa distância um do outro, enquanto Lydia e Valerie assistiam caladas e imóveis aqueles dois garotos brigarem entre si por algo tão fútil. Charles e Jane tentaram sair do barco, para auxiliar Will e Elizabeth naquela confusão, mas o funcionário do parque que controlava o brinquedo não permitiu e, ainda, deixou outro casal passar a frente de seus amigos e ocuparem os lugares vagos do barco.
Assim, o brinquedo foi colocado em movimento e o “motivo da briga” dos garotos deixou de existir. No entanto, eles continuaram a discutir, já prestes a partir para agressão física. Will lutou para manter George longe de Mark, enquanto este último seguia os outros dois, a uma distância segura, e continuava a pirraçar George.
--Já chega! - Valerie exclamou, quando se cansou de observar os dois marmanjos tentarem se atracar. - Olha, George, você quer ficar aí, discutindo com ele por causa de sua ex-namorada... - Valerie disse, resolvida, a um George que não parecia estar esperando por aquela explosão da parte dela. - Tudo bem para mim... Eu é quem não vou ficar mais aqui! - E começou a seguir um rumo totalmente diferente, deixando Pirates Cove.
--Mas... - George ficou a observando se afastar, completamente atônito. - Que diabos! Que deu nela?! - Inquiriu a Will, confuso; encontrando o amigo dirigindo-lhe um olhar condescendente. Mas foi a risada de Lydia que o deixou enraivecido. - Do que você está rindo?! - Perguntou-lhe, espumando de raiva. - Vá... Vá procurar o que fazer com esse... tipinho que você arranjou... - George exclamou, com desdém ao mencionar Mark. - e me deixe em paz!
--Olha lá como você fala com Lydia! - Mark respondeu, voltando a caminhar na direção de George.
--Cala a boca, oh idiota! - George respondeu de volta, dando-lhe as costas.
--Idiota, aqui, é você! - Mark replicou, continuando a caminhar na direção de George. - Idiota, não! Corno!!
A última ofensa fez George virar-se de frente para ele, num ataque de fúria, e quase arrancar sua cabeça fora. Will precisou segurar George e levá-lo para bem longe de Mark, enquanto Lydia e Elizabeth lutavam para levar Mark numa direção oposta a de George.
Will levou George em direção a Toytown, enquanto Elizabeth e Lydia empurravam Mark em direção a Transylvania. A uma boa distância, Will deixou de segurar George por um dos braços – de forma a imobilizá-lo e fazê-lo caminhar quando queria que o fizesse – e tentou conversar com o amigo, fazê-lo perceber que já estava na hora de ele parar com esta tortura e conversar com Lydia racionalmente, e não aos berros e provocações como estava fazendo.
Mas George não queria ouvir. Ficava andando de um lado para o outro, agitado, querendo socar alguma coisa, e resmungando que todas as mulheres são iguais. Tanto Lydia, como Valerie são duas loucas que não mereciam um terço do seu tempo. E, voltando-se para Will, disse, com tom de quem tem autoridade em um assunto.
--E Elizabeth é igualzinha a elas! - O que, por fim, ganhou a atenção de Will. - Ela só está brincando com você! É isso o que elas fazem! - Comentou, num tom conclusivo, de quem afirma algo notório.
--Do que você está falando?! - Will perguntou, ficando agitado e, até, irritado com as insinuações de George.
--Da mais pura verdade! - George rebateu. - Que Lizzie não gosta de você, que só está com você por causa de Bill Collins! - George afirmou tudo rapidamente, deixando Will atordoado com o que estava ouvindo. - Lydia me contou tudo, quando estávamos nam... - George disse com um ar superior, mas logo diminuiu o seu topete ao fim da frase. - Ela me disse que Lizzie só está saindo com você por causa de Bill Collins! - Completou, voltando a assumir a sua postura confiante.
--Do que diabos você está falando?! - Will repetiu, ainda mais exaltado.
--Do motivo para Lizzie ter aceitado sair com você quando você a pediu para ser uma de suas namoradas por um mês... - George respondeu e Will sentiu um alívio instantâneo; pensando que se era sobre isso que George se referia, ele já imaginava e não dava à mínima. Aquilo foi a maior burrice de sua vida e estava até agradecido a Bill Collins por ter sido de alguma serventia neste sentido. Mas George logo continuou. - Do motivo para Lizzie ter aceitado sair com você dá primeira vez também... Bill Collins!
--Da primeira vez?! - Will questionou, voltando a ficar aflito.
--É. Dá primeira vez. Da primeira vez que você saiu com ela! - George respondeu, já ficando sem paciência com o fato de Will não está acompanhando o seu raciocínio. - Quando saíram você, ela, Charles e Jane... Logo no começo do ano (letivo)... Que teve a história do beijo! - George esclareceu, deixando Will cada vez mais aflito. - Ela só saiu com você naquela época por causa de Bill Collins. Porque a mãe dela a estava empurrando para cima de Bill!- Will não conseguia acreditar, não era possível que isso fosse verdade. Ele sabia que não era verdade. - Ela não gosta de você! - George garantiu com veemência. - Eu aposto que ela só te convidou para o casamento da prima pela mesma razão! - Esta última afirmação de George fez Will fechar os olhos e sentir um aperto no coração. - Eu só estou te dizendo isso para você ficar preparado. - George se explicou, ao ver o estado que deixara Will (o rosto dele estava branco feito papel e George começou a temer que o amigo fosse passar mal). - Eu estou vendo como você está apaixonado e... Cara, eu não quero que você passe pelo mesmo que eu! Completamente perdido, porque a última coisa que esperava... - E deixou a frase morrer, quando sentiu um nó subir-lhe a garganta.
Will abriu os olhos lentamente e fitou o rosto do amigo. George estava realmente preocupado, o que só aumentava a sua própria aflição. Ele não podia estar falando a verdade, tinha que haver algum engano. “Eu sei que Elizabeth gosta de mim! Eu sei que ela gosta!” Ele deu as costas a George e começou a retroceder os seus passos, procurando por Elizabeth.
“Ela gosta de mim!” E começou a procurar em sua mente por uma prova concreta de que estava certo, algum momento em que passara com ela em que ela tenha afirmado que gostava dele. Mas não encontrou, nem mesmo no casamento de sua prima ou durante este passeio. Ela nunca lhe disse, com todas as palavras, “eu gosto de você”; ele disse, mas ela nunca retribuiu. Ela sempre sorria, respondia com uma gracinha, mas nunca lhe disse que gostava dele.
Durante estes momentos, ele achou o seu comportamento incrivelmente arrebatador. Porque os olhos dela pareciam responder o que a sua boca calava, mas agora... Agora ele já não tinha mais certeza. Precisava falar com ela.
Will continuou a seguir a mesma direção que sabia que Elizabeth, Lydia e Mark haviam tomado. George permaneceu parado, observando-o ir-se sem lhe dizer mais nada. Will ficou pensando o quão feliz fora dormir a noite anterior e o quão igualmente, senão mais, feliz acordara esta manhã. Nunca sentira tanta ansiedade de chegar a escola, só porque sabia que a veria. Lembrou-se do momento em que se viram, do beijo enfrente aos seus colegas de escola antes de entrar no ônibus executivo, do sorriso dela ao lhe oferecer a mão para que entrassem no ônibus juntos. Não podia acreditar que tudo era mentira, fingimento!
Então pensou nas suas conversas, até mesmo as pequenas provocações que o fizera rir, mas que agora soavam como prova de que George estava certo – embora ele ainda lutasse com todas as suas forças para ignorar este pensamento. Ele relatara a ela euforia de sua irmã com a novidade do namoro dos dois e ela encontrou ali motivo para rir-se dele; lembrou-se de como ela soube afirmar que se não fosse pela insistência de Georgiana, ela não teria lhe dado uma oportunidade, quando ele ficara chateado por sua irmã ter tirado uma foto dos dois se beijando.
Passou a analisar com outros olhos os momentos anteriores a ficarem juntos. Já estava sentindo a sua cabeça pegar fogo com todas aquelas idéias aflorando em sua mente em questões de segundos. A afirmação de George de que Elizabeth só aceitou ser sua namorada por um mês por causa de Bill Collins voltou a ressoar em seu ouvido e Will lembrou-se daqueles dias. De como pedira a ela para sair com ele e ela o desprezou na frente de todos. Lembrou com vívidos detalhes de como ela lhe olhara, com ódio, ao lhe dizer que ele era “um menino arrogante, que se acha um máximo...”; que somente se ela fosse estúpida ou estivesse desesperada para aceitar sair como ele. Quando afirmou aos demais colegas de escola ao pé da escada que uma menina não aceitava dividir um garoto de quem gostava com outras meninas – “e ela aceitou! Ela aceitou me dividir com as outras meninas!”
“Ela não gosta de mim?!” Relembrou-se da dúvida que o corroeu naquela época, a aflição ao imaginar que Elizabeth podia gostar de Richard. E logo considerou a possibilidade de ter estado certo naquela época. “Lizzie podia ter gostado mesmo de Richard e abriu mão deste sentimento quando descobriu que Richard estava apaixonado por Charlotte! ...Ela sempre se preocupou com as suas amigas, não seria estranho que fizesse isso por Charlotte. Afinal, chegou a ser suspensa ao se vingar de David por causa de Charlotte!”
E, pensando na outra afirmação de George, de que fora Bill Collins a razão de ela ter aceitado sair com ele da primeira vez, sentiu o ar começar a lhe faltar. A idéia que ela nunca gostou dele, em nenhum momento, o estava sufocando. Lembrou-se de como ela se comportou durante aquele dia, como parecia não suportar a sua presença.
Ponderou que ela devia ter mudado o seu comportamento para com ele no decorrer do encontro por causa de sua irmã e Charles, porque não queria arruinar o encontro dos dois. Mas logo lembrou-se que viram Bill Collins naquele mesmo dia, ao shopping e que fora a partir deste encontro que ele e Elizabeth realmente começaram a se entender.
“Ela nunca gostou de mim!”- esta conclusão fez com que Will parassse de andar ao se deparar com a entrada de Transylvania. Olhou para todos que se encontravam ali, mas não havia sinal de Lydia ou Mark. No entanto, viu Elizabeth. Mas ela não estava sozinha.
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Mark, Lydia e Elizabeth pararam enfrente ao Vampire, outra montanha-russa do parque ao Transylvania. O brinquedo estava repleto de alunos de ambas as escolas, gritando a cada curva excitante que o brinquedo fazia por sobre os seus trilhos em alta velocidade. Lydia estava furiosa com Mark, por ele ter chamado George de “corno”; e agora não parava de reclamar com ele.
Elizabeth conseguiu com que Mark a deixasse sozinha com Lydia momentaneamente, para que as duas pudessem conversar. E ele decidiu ir comprar um milkshake à lanchonete do McDonolds que existia naquela parte do parque. Assim, afastou-se delas, as deixando completamente sozinhas.
--Você acha que o que você está fazendo com Mark é certo? - Elizabeth questionou Lydia, assim que Mark estava longe o bastante para não ouvi-las.
--O que?! - Lydia rebateu, surpresa com a pergunta de sua amiga. - Reclamar com ele por ele ter chamado George de corno?! Eu acho certo sim! - Lydia replicou, exageradamente. - Ele não tinha o direito de ofendê-lo deste jeito!
--Não, Lydia! Eu não estou falando disso! - Elizabeth disse logo que Lydia se calou. - Eu estou falando de você continuar a ...ficar com Mark... quando você gosta de George! - Lydia revirou os olhos, em um sinal de impaciência, ao ouvir tais alegações de Elizabeth.
--Ora, Lizzie, não comece de novo! - Lydia exclamou, irritada; já estava cansada de ouvir as suas amigas reprovarem as suas decisões.
--Eu vou começar de novo sim! - Elizabeth disse, sem se render ao jeito impaciente de Lydia. - Eu sou sua amiga e não vou ficar calada, assistindo você cometer uma estupidez atrás de outra!
--O que você faria se estivesse em minha situação?! - Lydia experimentou perguntar-lhe isto.
--Eu não usaria outra pessoa para colocar ciúmes nele! - Elizabeth afirmou, sem hesitar.
--É fácil para você falar, você tem Will! - Lydia rebateu, menosprezando a afirmação da amiga.
--Lydia, será que você não consegue ver que você só vai conseguir com que George continue a pensar coisas horríveis sobre você se você continuar a ficar com outros meninos! ...Ele não vai acreditar que você gosta dele e nunca vai pensar em voltar para você!
--Mas eu não posso ficar sozinha, enquanto ele fica com outras meninas! - Lydia resmungou, inconformada.
--Você não acha que está sozinha quando está com Mark desejando poder estar com George?! - Elizabeth questionou, já com um tom de voz mais sereno. E viu a amiga abrir a boca, mas não saber o que lhe responder. - Talvez ficar sozinha... por um tempo... não seja tão ruim como você pensa. - Lydia apenas retribui-lhe um olhar triste, permanecendo calada.
--Ei, eu já posso voltar?! - Mark perguntou, quase aos gritos, a certa distância.
As meninas voltaram-se na direção dele e o viram parado a frente da lanchonete McDonolds, já com o seu milkshake em mãos.
--Ele não é uma má pessoa... - Elizabeth disse a Lydia, referindo-se a Mark. - e eu acho que ele está começando a gostar de você de verdade. - Lydia desviou o olhar de Mark e voltou a olhar para Elizabeth. - Eu sei que você não quer magoá-lo... Mas isso vai acabar acontecendo!
--Tudo bem! - Lydia se rendeu, de má vontade. - Eu vou falar com ele! - E já começou a caminhar na direção de Mark.
Elizabeth ficou parada no mesmo lugar por uns instantes, observando Lydia se aproximar de Mark e lhe dizer algo. Mark concordou com um aceno de cabeça e os dois saíram caminhando lado a lado, em direção a Market Square. Quando Elizabeth ia voltar-se em direção que tomara para chegar ali e procurar por Will e George, ouviu uma voz a suas costas. Ele tinha acabado de sair do Vampire e a vira parada ali, sozinha.
--Finalmente, eu tenho o prazer de lhe encontrar sozinha! - Ele exclamou, a fazendo virar-se para ele com uma expressão de surpresa estampada no rosto. - Onde está o seu guarda-costas? - Ele perguntou, sorrindo charmosamente para ela.
--Como é?! - Elizabeth perguntou em resposta, ainda estranhando o fato de ele estar se dirigindo a ela.
--Will!- Ele respondeu, sorrindo ainda mais. - Onde ele está?! A deixou sozinha assim, sabendo que eu estou solto no parque! - Ele replicou, já deixando que o seu sorriso assumisse um ar malicioso; referindo-se a si mesmo como alguém se refere a um animal selvagem. - Eu me chamo Hank. - Ele disse, estendendo a mão a Elizabeth.
--Eu sei. - Elizabeth respondeu, sem aceitar a mão que ele lhe oferecia. Não tinha gostado do jeito que ele falava com ela, por isso estava desconfiada das intenções dele ao procurar conversar com ela.
--Ohh, Will já lhe falou a meu respeito! - Hank riu-se, satisfeito, abaixando a mão que lhe estendera.
--Na verdade, ele não falou. - Elizabeth respondeu, calmamente, ganhando um olhar curioso do menino em resposta. - Eu conheço os seus irmãos... Já estive em sua casa. - Elizabeth continuou, com a mesma calma.
--Ahh, certo!! Eu esqueci que o meu irmão está de namorico com a irmã de Will. - Ele comentou e rindo-se, disse. - Mundo pequeno, hem?!
--O seu irmão é um bom menino... - Elizabeth comentou, também sorrindo com malicia para Hank. - É uma pena que eu não posso dizer o mesmo de você!
--Agora, esta é uma afirmação muito difícil para se fazer quando você mal me conhece! -Hank replicou, adorando o jeito de Elizabeth; ponderando que ela seria um desafio mais emocionante que Madson provara ser. - Alguém deve ter lhe falado a meu respeito. ...Hum, se não foi Will... quem foi então? ... Richard? - Ele sondava, observando cada expressão de Elizabeth, esperando que ela se entregasse. - Não! Foi Charles, não foi?! Ele sempre foi o cachorrinho de estimação de Will! - Este comentário pareceu ter o efeito que ele esperava, porque a expressão do rosto de Elizabeth se endureceu ao ouvi-lo falar assim de Charles; mas ela respondeu-lhe com bastante calma.
--Você se engana! - Elizabeth logo recuperou a compostura e disse. - Nenhum deles me falou a seu respeito. Eles têm coisas melhores para fazer do que perder o tempo falando sobre você! - Hank apenas sorriu ao ouvir esta afirmação dela.
--É mesmo?! - Ele perguntou, ironicamente.
--Mesmo. - Mas Elizabeth continuou do mesmo jeito; parecia ter assumido o jeito inabalável de Will. - Com licença. - Elizabeth disse, dando-lhe as costas; tinha se cansado daquela conversa sem sentido.
--Espere! - Hank, no entanto, não queria que ela se fosse ainda. A segurou pela mão e a fez virar-se de frente para ele. - Por que a pressa?! - Perguntou assim que conseguiu que Elizabeth voltasse-se de frente para ele. - Eu só estou tentando conhecê-la melhor! - Afirmou, jogando todo o seu charme para ela.
--Eu não estou interessada! - Elizabeth respondeu, tomando a sua mão de volta.
--Entendo. - Hank respondeu. - Você é uma daquelas garotas que são fiéis aos seus namorados! - Ele comentou, sorrindo para Elizabeth como se houvesse acabado de insultá-la. - Não vai me dizer que está realmente apaixonada por Fitzwilliam Darcy! - Ele completou, com ar de deboche. Elizabeth não disse nada, apenas sustentou o seu olhar com um próprio, já irritado. - Quem diria?! - Hank disse, ao olhar ao longe por sobre o ombro de Elizabeth e ver Will. - Will acertou na escolha de garota desta vez! - E, tomando a mão dela de volta, beijou-lhe a mão. - Foi um prazer lhe conhecer!
--A recíproca não é verdadeira! - Elizabeth resmungou, tomando a mão de volta e esfregando as costas de sua mão a lateral de sua calça jeans, com nojo daquele beijo.
Hank gargalhou ao ouvi-la dizer-lhe isso e limpar o beijo que ele dera em sua mão em sua calça; e, ainda rindo, deu-lhe as costas e seguiu o caminho contrário ao que Will estava, ao ver que Will já vinha em sua direção – como um trem bala.
Por pouco Elizabeth não se esbarrava em Will, ao virar-se na antiga direção que tentara seguir e já encontrá-lo a um passo de distância dela. Ela sorriu ao encontrá-lo, mas logo ficou apreensiva ao vê-lo olhando a figura em retirada de Hank – ele tinha um olhar assassino no rosto.
--Will? - Ela chamou por ele, para que ele parasse e olhasse para ela; porque ele parecia estar preste a continuar a andar, seguindo Hank. - Eu já estava indo procurar você. - Afirmou, naturalmente, quando ele parou ao seu lado.
--É mesmo?! - Will replicou, com sarcasmo, ao olhá-la nos olhos.
--Sim. - Elizabeth respondeu, estranhando o jeito que ele olhava para ela.
--O que vocês dois estavam conversando? - Ele logo perguntou, autoritariamente.
--Nada demais. - Elizabeth respondeu, ainda estranhando o jeito dele; embora estivesse parado de frente para ela, Elizabeth conseguiu perceber que ele estava agitado. - Ele veio se apresentar a mim.
--Ele fez isso, não fez?! - Will persistiu com o seu interrogatório, estando visivelmente irritado.
--Ora, Will, você não pode estar com ciúmes dele! - Elizabeth afirmou, já voltando a sorrir para ele.
Tentou passar os braços envolta de seu pescoço e lhe dar um beijo, para tirar aquela expressão carrancuda de seu rosto, mas Will deu um passo para trás, segurando os braços dela e os segurando longe de seu pescoço.
--Me diga uma coisa! - Disse, ainda com o seu tom autoritário; Elizabeth o olhou com a testa franzida, estranhando cada vez mais o jeito dele. - É verdade que você só aceitou sair comigo por causa de Bill Collins?! - Perguntou a ela, ao soltar os seus braços e permitir que ela os abaixasse.
--Por que você está me perguntando isso agora?! - Elizabeth perguntou, ainda com a testa franzida e já com receio de que alguma coisa estava errada.
--Apenas responda a pergunta, Elizabeth! - Will exigiu, espumando de raiva; Elizabeth odiou a forma com que ele estava falando com ela, a forma que pronunciara o seu nome e, principalmente, como a estava olhando.
--Sim. - Respondeu, de mau gosto. - É verdade. - Will balançou a cabeça, positivamente, e lhe deu um sorriso amarelo; como se já esperasse esta resposta. - O que você esperava?! - Elizabeth inquiriu, já cansada de ser tratada daquela forma por ele. - Que eu amasse a idéia de sair com você quando você estava saindo com outras quatro garotas ao mesmo tempo?!
--E quanto à primeira vez que saímos juntos?! - Will inquiriu logo em seguida a pergunta dela. - Você foi ao cinema comigo daquela vez porque sua mãe estava tentando te empurrar para cima de Bill Collins?! - Will já estava completamente alterado, praticamente gritando as perguntas a ela.
--Aquilo foi diferente! - Elizabeth também precisou gritar a resposta a ele, para que ele a ouvisse.
--Diferente?! - Ele rebateu, virando o rosto em outra direção, como se não quisesse olhar para ela.
--Aquilo foi um erro! - Elizabeth tentou explicar. - Eu menti para minha mãe e Jane me entendeu errado! ...Eu não pedi a Jane para ligar para Charles, você não devia ter ido ao shopping com a gente! - Ao ouvir isso, Will voltou a olhar para ela. A expressão do seu rosto tinha ficado transtornada.
--Então, foi tudo um erro?! - E Elizabeth compreendeu que acabara de dizer uma grande besteira. - Você nem me queria lá! - Ela sabia que tinha acabado de piorar a situação.
--Will, eu... - E já não sabia o que dizer.
--Então, a razão para você ficar comigo é porque eu sou a única forma que você encontrou para se livrar de um cara idiota que não larga do seu pé! - Ele afirmou, com aqueles olhos azuis já quase negros de tanto ódio que estava sentido.
--Não! - Elizabeth apressou-se em dizer, mas ele já não a estava ouvindo. - Não verdade! ...Você sabe que não é verdade!
--É melhor você encontrar outro otário para interpretar o papel de seu namorado, porque eu cansei de bancar o papel de idiota para você! - Ele gritou aquelas palavras para ela com tanta raiva que a deixou muda, olhando fixamente dentro dos seus olhos, incrédula. - Acabou! - Ele concluiu, friamente, dando-lhe as costas e seguindo na mesma direção que Hank tomara.
Elizabeth ficou ali, parada, olhando Will se afastar dela o mais rápido que ele conseguiu. Estava completamente inconsciente de estar sendo observada por vários alunos do 3º ano de Johnson's High – inclusive Madson, Caitlin e Heidi – além de alguns alunos de Austen House; os quais, assim como Hank, estiveram aproveitando o Vampire. No entanto, ninguém se aproximou dela para lhe dizer nada; mantiveram certa distância, mas nunca deixando de observá-la. Enquanto ela permanecia no mesmo lugar que ele a deixara, estática.
O seu cérebro parecia estar com dificuldades de processar o que tinha acabado de lhe ocorrer. Por tanto, não enviava nenhum tipo de resposta aos seus outros órgãos, o que a impedia de ter uma reação. Para ela, parecia-lhe que o tempo tinha parado naquele momento, como se alguém houvesse apertado o botão de pause em sua vida e as imagens estivessem momentaneamente congeladas.
As suas pernas teimavam em não lhe obedecer, embora há muito ela tentava lhes dizer para se movimentarem e irem atrás dele. Até que o seu cérebro finalmente lhe mandou uma mensagem: “para que?! Acabou!” e, instantaneamente, lágrimas surgiram em seus olhos, embaçando a sua visão. Um enorme nó tomou conta de sua garganta e Elizabeth sentiu uma vontade esmagadora de gritar, mas já não tinha voz para fazê-lo.
Virou-se em outra direção e seguiu um caminho completamente diferente daquele que Will fizera, sentindo-se atordoada. Não sabia o que fazer, para onde ir. Apenas queria sair dali, desaparecer.














