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Minha ideia de boa companhia é estar com pessoas inteligentes e bem informadas com quem possa ter uma boa conversa. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XLVII

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Capítulo 47

 

            Neste momento, o grupo da turma de Elizabeth chegou ao ponto de encontro Forbidden Kingdom e reuniu-se ao grupo da turma de Will. Mary parou ao lado de Bill e o olhou desafiadoramente, desejando escolher um cartão e responder a pergunta antes de Bill, para que pudessem ultrapassá-los na brincadeira. Logo começou uma discussão entre Mary, Bill, os demais colegas de série de ambos e os professores.

            Elizabeth parou de pé em frente a Will, sentado ao banco de jardim, ainda esfregando o seu rosto para tirar os últimos vestígios de chantilly azul anil. Ele não a tinha visto, então Elizabeth agachou-se diante dele e disse.

--Este azul ficou lindo em você! - Debochadamente, conseguindo que ele parasse de esfregar o rosto com a toalha e lhe dirigisse o olhar. - Combina com os seus olhos! - Ela continuou, rindo-se dele.

--Se você acha! - Will resmungou, pegando um pouco do chantilly azul da toalha com o dedo e colocando a ponta do nariz dela.

            Elizabeth pôs-se de pé e limpou o nariz, mas não se afastou dele. Contudo, teve a sua atenção roubada pelo berro do professor de Matemática, numa tentativa de silenciar seus alunos do 3º e 1º ano. Quando todos os alunos se calaram e voltaram-se para olhá-lo, ele afirmou que faria a pergunta primeiro ao 3º ano, pois haviam chegado primeiro ali; mas que, se eles errassem novamente, faria a pergunta ao primeiro ano.

            Sem deixar margens para discussão com os alunos, pegou o cartão escolhido por Collins e lhe fez a pergunta. Tomando o cuidado de escolher uma das perguntas que julgava mais fácil.

--Há um barco ao mar aberto; este barco tem uma escadinha com quatro degraus. Cada degrau tem uma distância de 10 cm. A água já está atingindo o primeiro degrau e a maré do mar está subindo 5 cm por hora. A pergunta é: em quantas horas a água atingirá o quarto degrau (o mais alto)?

            Bill sorriu com a pergunta e respondeu logo em seguida, sem esperar que nenhum de seus colegas tivesse tempo de pensar e responder a pergunta também.

--6 horas. - Disse, convicto de estar correto. E continuou a sorrir, orgulhoso de si mesmo. Sem notar a expressão de incredulidade de seu professor de Matemática.

--Mas você é burro, hem? - Mary exclamou, conseguindo que Collins parasse de rir e lhe dirigisse um olhar ofendido. Sem notar que alguns de seus colegas de classe concordavam com Mary, com acenos frenéticos de cabeça.

--Minha cara srta. Stuart, não quero ofender-lhe, mas creio que a senhorita está equivocada. - Respondeu-lhe, julgando-se superior a ela ao lhe responder de forma tão educada. - Trata-se de uma questão de matemática. Se cada degrau tem 10 cm de distância e a água sobe 5 cm a cada 1 hora... Há ainda três degraus restantes, então... É só somar... - Ele concluiu, sorrindo orgulhoso, voltando a olhar para o seu professor de Matemática (o qual estava tentando esconder a sua vergonha por detrás do cartão de perguntas).

--Você é muito burro mesmo! Não é uma questão de matemática, mas sim de Lógica! - Mary voltou a exclamar, conseguindo recuperar a atenção de Collins. - Se a maré da água está subindo 5 cm por hora, isso significa que conseqüentemente, sem querer querendo, o barco também irá subir 5 cm por hora... - Ela respondeu, aniquiladoramente. - Afinal, o barco bóia na água! - Collins ficou boquiaberto olhando para Mary. - A menos que esteja afundando! - Mary continuou, segura de estar certa. - Você saberia a diferença se tivesse cérebro! Burro!! - Os colegas de classe de Collins e a turma de Elizabeth começou a rir de Bill.

            O professor de Literatura voltou a se aproximar das tortas de chantilly e o professor de Matemática saiu de seu caminho. O professor de Literatura parou diante de Collins (que olhou em sua direção ainda boquiaberto) e o atingiu no rosto com a torta – contentíssimo em cumprir a sua parte da brincadeira.

--Eh... Desse jeito você vai conseguir ganhar de mim! - Elizabeth disse, ironicamente, a Will, também rindo-se de Bill como seus demais colegas.

            Will voltou a esfregar o seu rosto com um dos lados da toalha de rosto que não estava sujo de chantilly, pensando que ela estava certa. Se dependesse de Collins para vencer, era melhor começar a aquecer a voz para cantar.

--Srta. Stuart, qual cartão a senhorita escolhe? - O professor de matemática questionou-a, quando Collins afastou-se um pouco do stand para limpar o seu rosto com a toalha de rosto que um dos funcionários do parque lhe fornecera.

--Literatura e Filosofia. - Mary respondeu, tranquilamente Não dando atenção às cotoveladas que Lydia começou a lhe dar, tentando fazê-la mudar de idéia.

            O professor de Literatura de Johnson's High pegou o cartão de Literatura e escolheu uma das perguntas que julgou mais difícil.

--Quem foi um político, filósofo e ensaísta inglês que disse: "o homem sábio cria mais oportunidades do que as encontra"? - Catherine e Lydia ficaram boquiabertas e voltaram-se para olhar para Mary, alarmadas.

            Charlotte e Elizabeth ficaram pensando na pergunta e vasculhando suas mentes atrás da resposta. Mas Mary não esperou por elas, dizendo, tão segura quanto antes: 

--Francis Bacon. - Deixando o professor de Literatura de Johnson's High boquiaberto, mudo.

            O professor de matemática, notando o estado do outro professor, tomou o cartão de perguntas de sua mão e conferiu a resposta, vindo a sorrir para Mary.

--Está certo!

--É isso aí, Mary! - Lydia exclamou, alegremente.

            O professor de matemática foi buscar o cartão de instruções para entregar a Mary, enquanto o professor de Literatura saia de seu caminho, ainda sem dizer uma palavra.

--Ahh, fala sério! - Bill Collins se reaproximou de Mary, com a sua toalha de chantilly em mãos e o rosto parcialmente sujo, já perdendo toda a sua compostura. - Uma pergunta fácil destas qualquer um podia acertar!

--Honestamente, eu duvido que você acertasse! - Mary replicou. - Eu respondi a sua pergunta e a minha pergunta corretamente... Por que você não se restringe a sua insignificância e cala a boca?! - Mary disse, num tom autoritário, aceitando o cartão que o professor de matemática lhe estendia.

--Mary, você é o máximo! - Catherine exclamou, contente, acompanhando a amiga.

            Richard voltou a gargalhar alto ao ouvir o que Mary dissera e ao ver a expressão ofendida de Collins, causando um ataque de riso em seus demais colegas. Mary passou por ele sem lhe dar atenção, sendo seguida pelos seus colegas de turma. Collins retornou à frente do stand e tentou escolher um cartão, mas o professor de Matemática se recusou a atender ao seu chamado. Até que Jorge deu um tapa na nuca de Bill, dizendo para ele se calar – sendo ouvido, é claro.

            Mary parou a certa distância do grupo do 3º ano e leu a frase de seu cartão para o seu grupo, discutindo a nova localização a que deviam se dirigir. Elizabeth tentou se juntar ao grupo de sua sala, mas Will a segurou pela mão, a impedindo de se afastar dele. Elizabeth olhou para Will, quem continuava sentado ao banco de jardim – já com o rosto limpo e a toalha estendida sob a parte do banco desocupada.

--Eu preciso ir, sr. Darcy! - Elizabeth disse, carinhosamente.

--Não sem me dar um beijo antes! - Will replicou.

--Ohh, não comece! - Elizabeth reclamou, tentando soltar a sua mão da dele, já olhando para as pessoas ao seu redor; as quais estavam olhando para eles dois com curiosidade. - Você só está tentando impedir que eu ganhe de você, porque não quer cantar ...Oops... I did again...! - Ela disse esta última parte cantada e com bastante charme.

--Eu só quero um beijo da minha namorada e deixarei você ir! - Will afirmou, tentando soar convincente; na verdade, ela estava certa, mas ele não iria admitir isso.

--Mas eu não vou dar! - Elizabeth garantiu, num murmúrio mesclado de irritação e divertimento. Depois olhou na direção do stand e viu que o professor de matemática estava olhando na direção deles ao mesmo tempo em que tentava controlar o restante do grupo do 3º ano.

--Está certo, então. - Will respondeu, com um tom de voz magoado, começando a afrouxar o aperto a mão dela. - Você não quer me dar um beijo? Tudo bem! - Continuou a fingir-se de magoado. - Pode ir embora. - E soltou a mão dela, apoiando os cotovelos ao joelho e abaixando o olhar para o chão. - Pode ir!

            Elizabeth ficou parada diante dele, o fitando com uma expressão de incredulidade no rosto. Mary desvendou o mistério do cartão que recebera e disse ao restante do grupo o novo ponto de encontro, já começando a se dirigir a ele. Catherine gritou por Elizabeth, para que ela os acompanhasse. Elizabeth olhou na direção de Catherine e depois para Will (quem também tinha olhado na direção de Catherine, mas voltara a abaixar a cabeça quando notou que Elizabeth ia voltar a olhar para ele).

            Elizabeth ficou parada ali, olhando para ele, cabisbaixo. Olhou na direção do professor de Matemática, para ver se ele estava olhando em sua direção, e ele não estava (Jorge tentara ler os cartões de pergunta, aproveitando-se de sua prévia distração, e agora estava ouvindo um sermão do professor de Matemática). Elizabeth voltou a olhar para Will, ainda cabisbaixo. E teve uma idéia.

            Will permaneceu cabisbaixo, com os cotovelos apoiados aos joelhos, fitando os pés dela ainda parados a sua frente. Não iria olhar para ela enquanto ela não garantisse que ia lhe dar um beijo e, até lá – pela forma que ela estava hesitando em fazê-lo –, o seu grupo já teria se afastado demais e ela não conseguiria encontrá-los.

            Elizabeth olhou mais uma vez na direção do professor de Matemática – agora tentando fazer Jorge escolher um dos cartões, enquanto o menino hesitava em fazê-lo – e voltou a olhar para Will. Vendo que ele não ia voltar a olhar para ela, curvou-se em sua direção e lhe deu um beijo no rosto. Depois, ficando ereta, deu-lhe as costas, observando se mais alguém estava olhando para eles e vira o que ela fizera – constatando que mais ninguém estava lhe dando atenção – e sorriu, satisfeita.

            Will foi pego de surpresa pelo beijo no rosto, ficando sem uma reação imediata. Mas logo começou a sorrir também, já pensando: “está vendo aí no que dá se apaixonar por uma menina tão esperta quanto você?! Ela descobriu uma forma de atender ao seu pedido, sem realizar o seu desejo!”

            Elizabeth ficou na ponta dos pés para poder enxergar por sobre a multidão de alunos do 3º ano e viu o seu grupo de colegas virando ao final de um dos caminhos do parque, então tentou correr atrás deles. Mas antes que pudesse se afastar muito de Will, este voltou a segurá-la pela mão e a puxou para si, fazendo com que ela caísse sentada em seu colo. Ao que ele tratou de segurá-la ali, ao seu colo.

--Will! - Elizabeth exclamou, ao ser puxada por ele e aterrissar em seu colo, chamando atenção de seus colegas de escola. - Will, deixe-me ir!

--Como é que eu estou te impedindo?! - Will a questionou, a segurando em seu colo, enquanto Elizabeth lutava para se pôr de pé, sem conseguir.

--Fitzwilliam Darcy, deixe-me levantar! - Ela exclamou ainda mais alto, conseguindo chamar a atenção até dos professores; continuando a lutar com ele para se reerguer.

--Você sabe que eu não gosto que me chamem assim! - Will replicou, ainda a segurando ao seu colo, sorrindo.

--Will, por favor! - Elizabeth continuou a lutar para se soltar dele, vendo que o professor de Matemática estava olhando na direção deles e não parecia nada satisfeito.

--Para que a pressa? Você não está confortável? - Ele a inquiriu, rindo. - Você já se perdeu mesmo das suas amigas, não vai conseguir encontrá-las nem se eu lhe soltar agora... Então, o melhor é ficar comigo! - Ele garantiu, ainda sorrindo, a prendendo segura em seu colo, enquanto Elizabeth lutava para se soltar.

            O professor de Matemática saiu de dentro do stand e se aproximou de Elizabeth e Will, furioso. A sua raiva só aumentou ao ver que o grupo do 3º ano de Johnson's High reuniram-se a eles ao ponto de encontro ao Forbidden Kingdom. Como era possível que os seus alunos de 3º se comportassem pior que alunos de ginásio diante de professores da escola rival, dos alunos da escola rival e dos funcionários de um parque de grande prestígio.

--Sr. Darcy! - O professor de matemática exclamou, espumando de raiva; Elizabeth e Will o fitaram, alarmados. Elizabeth sentiu-se estranha ao ouvir outra pessoa se referindo a Will por sr. Darcy sem ser ela. - Deixe que a srta. Abbott se levante, agora! - O professor de matemática ordenou.

            Will deixou que Elizabeth se levantasse, o que ela fez, e pôs-se de pé também. Ambos permaneceram calados e tentando manter uma expressão inocente no rosto – mas morrendo de vontade de rir.

            O professor de matemática foi privado de dar um sermão a Will por seu comportamento impróprio porque o grupo de 3º ano da Johnson's High passou por eles e parou diante do stand de perguntas, querendo cumprir logo a sua tarefa e receber novas instruções. Ele precisou retornar, às pressas, ao stand, para auxiliar o professor de Literatura no jogo – já que a turma de 3º ano da Austen House ainda não havia conseguido responder uma pergunta correta, após tentar responder outra pergunta de Matemática e Lógica e falhar, e se recusavam a deixar o grupo do 3º da Johnson's High a passar em sua frente.

            Elizabeth e Will ficaram de pé, parados, lado a lado, observando aquela confusão, aos risos. Logo notaram que Madson, Caitlin e Hank os observavam de esguelha – certamente, viram quando Elizabeth estava sentada ao colo de Will e o professor de Matemática obrigou Will a deixar que ela se levantasse. Timothy e Kevin sorriram para Will e dublaram as palavras: “essa foi por pouco, hem?!”, indicando Elizabeth e o professor de Matemática. Will sorriu de volta, concordando.

--Já chega! - O professor de matemática deu outro berro para silenciar os alunos. - Andem logo, escolham um cartão! - Disse isso aos alunos do 3º ano de Johnson's High, para o desgosto dos alunos da Austen House. - Nem reclamem, vocês já tiveram chances demais! - Disse isso num tom autoritário para os seus alunos, evitando que estes protestassem.

--Literatura e Filosofia. - Heidi escolheu, hesitante.

            O professor de Literatura da Johnson's High pegou o cartão de Literatura e Filosofia e procurou a pergunta mais fácil para lhes inquirir.

--Quem foi o dramaturgo e poeta inglês que disse: "para realizarmos grandes coisas precisamos viver como se nunca tivéssemos de morrer"?

            Os alunos da Johnson's High se entreolharam, mas não disseram nada. Elizabeth olhou para Charlotte e as duas sorriram, ao dublar as palavras: “William Shakespeare”.

--William Godwin. - Heidi respondeu, insegura.

--Quem?! - Elizabeth e Charlotte exclamaram em união, estranhando a resposta da menina. Vários alunos da Johnson's High dirigiram olhares assassinos as duas, quais decidiram se calar.

--A pergunta era “dramaturgo e poeta inglês” e não escritor político inglês. - O professor de Literatura de Johnson's High replicou, decepcionado com os seus alunos. - A resposta correta é...

--William Shakespeare. - Elizabeth e Charlotte responderam em união, voltando a sorrir. Recebendo novos olhares atravessados dos alunos da Johnson's High.

--Corretamente. - O professor de Literatura da Johnson's High murmurou, ainda mais humilhado.

            E foi a vez do professor de Matemática de rir, ao pegar a torta de chantilly e atingir o rosto de Heidi com ela, satisfeitíssimo – diga-se de passagem. O professor de Literatura, querendo acabar com aquele martírio de uma vez, voltou-se a frente do stand e fez outro aluno do terceiro ano da Austen House escolher um cartão – mais uma vez, foi escolhido o cartão de matemática e Lógica; o professor de Matemática quase gritou de desespero.

            Will aproveitou a distração de todos para pegar Elizabeth pela mão e fugir dali o mais depressa possível. A arrastou pela mão por um dos caminhos do parque oposto ao caminho que o grupo de Elizabeth tomara.

--Onde estamos indo? - Elizabeth questionou-o, deixando-se guiar por ele.

--Para qualquer lugar! - Will respondeu. - Cansei dessa brincadeira! - Ele afirmou, ainda a levando para mais longe do seu próprio grupo antes que mais alguém notasse a ausência de ambos. - Eu quero ficar a sóis com você. - Elizabeth sorriu para ele e também começou a andar mais rápido.

            Eles saíram de Forbidden Kingdom, passando pela Mexicana, ao lado do Hocus Pocus Hall e seguiram em direção a Chessington Zoo, lado sudoeste (Trail of the King – onde se encontra a jaula dos gorilas e dos tigres, leões e leopardos). Por todo caminho que percorreram, encontraram alunos das duas escolas já perambulando pelo parque sem acompanhar seus grupos.

            Will ainda estava sentindo o cheiro doce e enjoativo do chantilly, porque ainda existiam alguns vestígios em seu cabelo. Então, deixou Elizabeth a admirar os gorilas enquanto ia lavar o rosto ao banheiro masculino mais próximo. Enquanto passava as mãos nos cabelos, tentando sacudi-los – para secá-los, já que não iria usar as toalhas de papel descartáveis do banheiro para enxugar os seus cabelos –, ficou pensando que não só tinha conseguido evitar ter de cantar Oops...I did it again na frente de todos, também houvera conseguido ficar próximo a Elizabeth antes das 2 horas da tarde.

            Quando saiu do banheiro masculino, com o rosto limpo e o cabelo úmido, ainda encontrou Elizabeth debruçada à grade de proteção da jaula dos gorilas. Ela estava tão distraída ao admirar tais animais que não viu o momento em que ele se reaproximou dela, vindo a tomar conhecimento de sua presença somente quando ele parou às suas costas e colocou os seus braços sobre os dela à grade de proteção da jaula, a envolvendo quase em um abraço.

            Elizabeth virou o rosto em sua direção rapidamente, sorrindo para ele, e voltou a olhar para os gorilas. Ele tentou fazer com que ela voltasse a virar o rosto em sua direção, para que pudesse beijá-la, vindo a assoprar suavemente em seu ouvido. Conseguindo apenas que ela se encolhesse e começasse a rir. Eles conseguiam ouvir uma música baixinho pelos alto-falantes que ficavam espalhados pelo parque, a postes similares aos de luzes.

            Will continuou a assoprar em seu ouvido e ela continuou a encolher-se e a rir. Até que virou o rosto na direção dele e, quando ele ia beijá-la, disse.

--Por que você fica fazendo isso? - Recebendo um olhar cheio de significados dele em resposta, como se lhe dissesse: “você sabe muito bem porque eu fico fazendo isso!”, continuando a se inclinar em sua direção, para beijá-la.

            Elizabeth virou o rosto na direção da jaula dos gorilas no momento exato em que ele ia encostar os seus lábios aos dela, deixando-o frustrado. Will respirou fundo e, olhando para os gorilas também, disse.

--O que há de tão fascinante nos gorilas para fazê-la preferir ficar admirando-os ao invés de me dar atenção?

--Eles são bastante fascinantes! - Elizabeth replicou, sorrindo do jeito inconformado dele. E, pensando rápido em uma boa resposta, disse - Pensar que os homens descenderam dos primatas os torna animais muito fascinantes, não concorda? - Comentou com tranqüilidade. - E são umas gracinhas também! - Concluiu, sorrindo ainda mais.

--Ahh sei... Eles são uma gracinha?! - Ele questionou, dando bastante ênfase ao “eles”; a fazendo sorrir ainda mais. - E fascinantes?!

--É claro! - Elizabeth replicou e, tentando esconder o sorriso malicioso que usava sempre que ia provocá-lo, disse. - Olhe para eles! Não acha que são uma gracinha?! - Como Will continuou calado, respirando fundo várias vezes, disse. - Eu temo que você não tem como competir com eles! - Usando de um tom de voz mais sério que conseguiu naquele momento.

            Will ficou em silêncio, continuando a respirar fundo próximo ao ouvido de Elizabeth, olhando para os gorilas e ouvindo ao longe aquela música ao alto-falante do parque mais próximo de onde estavam.

Forgetting all I'm lacking

(Esquecendo de tudo o que me falta)

Completely incomplete

(Completamente incompleto)

I'll take your invitation

(Eu aceitarei seu convite)

You take all of me now

(Você tem tudo de mim agora)

--Bom... Se eu não posso competir com eles, então... - Ele disse, com pesar, entrando no jogo dela. - Eu vou deixar vocês à vontade! - Concluiu, retirando os braços de entorno dela e se afastando.

I'm falling even more in love with you

(Estou me apaixonando cada vez mais por você)

Letting go of all I've held onto

(Deixando pra trás tudo ao que eu havia me apegado)

            Elizabeth virou o rosto na direção dele e, antes que ele conseguisse se afastar muito, segurou no capuz preto de sua blusa, qual estava por fora da blusa verde, e o fez parar de se afastar.

I'm standing here until you make me move

(Estou aqui parado até que você faça eu me mover)

I'm hanging by a moment here with you

(Estou aqui por um momento com você)

--Onde você pensa que vai? - Disse isso, o puxando para perto dela pelo capuz da blusa. Fazendo com que Will desse os passos para trás, sem voltar-se de frente para ela. - Você está preso a mim agora! - Fazendo com que Will sorrisse em silêncio.

            Elizabeth aproveitou que ele resolveu ficar de costas para ela, para pular em suas costas e fazer com que ele a carregasse.

--O que é isso? - Will questionou, rindo, ao segurá-la à suas costas, como macaquinho. - Eu não sabia que tinha uma macaquinha por namorada! - Comentou, ainda rindo, fazendo Elizabeth rir também. - Já estou vendo que o melhor que eu faço é afastá-la daqui, antes que você resolva me trocar por um dos gorilas tão fascinantes! - Disse, já começando a andar em direção a Pirates Cove.

--Mas eu não vi os leões, tigres e leopardos ainda... - Elizabeth exclamou, querendo que ele fizesse meia volta e seguisse o caminho oposto que tomara.

--Motivo maior ainda para te levar para longe das jaulas dos tigres e leões... - Will replicou, continuando a andar na mesma direção. - Pela forma que você ficou encantada pelos gorilas, imagine só como não ficará quando ver os tigres! - Ele comentou, empolgado. Elizabeth sorriu, sentindo o cheiro da colônia masculina que ele usava, e disse.

--Ohh sim! Você realmente não teria chances contra os tigres e leões!

--Então, acho melhor escolher o próximo local do parque que nos dirigirmos com bastante cuidado, senão corro o risco de perdê-la para um esquilo! - Comentou, rindo. - Não sabia que tinha uma namorada assim... tão volúvel! - Ele disse, naturalmente; mas sentiu Elizabeth enrijecer ao ouvir aquela palavra.

--Pare. - Ela ordenou, já deixando de rir. - Pare e ponha-me no chão. - Will obedeceu, estranhando o jeito dela.

            Quando a pôs no chão e voltou-se para olhá-la, virando-se de frente para ela, a viu dar-lhes às costas e começar a se afastar dele.

--Não acredito que você disse que sou volúvel! - Elizabeth exclamou, soando irritada.

            Will ficou parado no mesmo lugar em que ela o deixara, boquiaberto, olhando-a se afastar. Perguntando-se o que tinha acontecido.

--Lizzie, eu estava brincando! - Exclamou, a seguindo.

            Mas Elizabeth continuou andando, sem lhe dar ouvidos. Will a segurou pelo braço e a fez parar, a virando para si. Elizabeth levou as duas mãos ao rosto e escondeu-se por detrás delas. Will a abraçou e continuou a afirmar que estava brincando.

--Eu não falei sério! - Tentando fazer com que ela erguesse o rosto e olhasse para ele. - Eu juro! Lizzie, você não está chorando, está?! - Will inquiriu, preocupado, tentando ver o rosto dela; enquanto Elizabeth continuava a escondê-lo atrás das duas mãos.

Closer to where I started

(Estou perto do lugar onde eu comecei)

Chasing after you

( Perseguindo você)

            Will finalmente conseguiu tirar as mãos da frente do rosto de Elizabeth e o encontrou vermelho, de tanto ela prender a risada que queria escapar-lhe pela boca. Imediatamente soube que ela estivera brincando com ele, o que o deixou chateado – realmente ficara preocupado em tê-la ofendido sem ter a intenção de fazê-lo.

            Elizabeth ergueu seu olhar amendoado, cheio de diversão, para ele, percebendo o semblante sério que se apoderara do rosto dele. E sentiu os braços dele a soltarem, recaindo às laterais do corpo dele. Até mesmo a música fez uma pausa de suspense neste momento. E ela começou a se perguntar se tinha ido longe demais com as suas provocações desta vez.

            Mas antes que ele pudesse considerar a possibilidade de ficar realmente chateado com ela, ela se pôs nas pontas dos pés e beijou-lhe a boca. Atirando os braços envolta do pescoço dele e o prendendo naquele beijo.

I'm falling even more in love with you

(Estou me apaixonando cada vez mais por você)

            Will tentou resistir àquele beijo o máximo que conseguiu, porque queria deixar claro que não gostara daquela brincadeira. Mas não resistiu por muito tempo, a envolvendo pela cintura e a abraçando forte, ao corresponder àquele beijo com um grande fervor.

            Assim que o beijo foi encerrado, Elizabeth e Will ouviram um ronco alto. Elizabeth olhou-o com a testa franzida e ouviu o ronco novamente. Então sorriu, dizendo.

--Venha! - O puxando pela mão. - Vamos procurar alguma coisa para você comer.

______________________________

            Mary, Catherine e Lydia estavam saindo da Beanoland, ao norte do parque, seguindo em direção Land of the Dragons, quando passaram pelo grupo do segundo ano de Austen House. Catherine sorriu para Daniel, quando ele começou a caminhar ao seu lado, seguindo em mesma direção que o grupo dela. Lydia fingiu que não estava vendo que Mark tentava se aproximar dela também, continuando a caminhar ao lado de Mary.

            Catherine continuou a andar junto às suas amigas, mas ficava olhando para Daniel, ao seu lado, a cada minuto e sorria para ele, timidamente. Daniel voltou a segurar em sua mão e sorriu para ela também, deixando a envergonhada – Catherine sorriu e logo virou o rosto em outra direção, constrangida. Enquanto Lydia e Mary os observava de soslaio e depois trocavam olhares impacientes.

            Quando o grupo do 1º ano fez uma curva para entrar na Land of the Dragons, Daniel puxou Catherine pela mão em outra direção e apressou seus passos. Catherine ficou surpresa e, um pouco, alarmada a principio. Mas não resistiu a ele, deixando que ele a levasse para longe de suas amigas.

            Mark, olhando ao seu redor, viu que Daniel e Catherine seguiram direção diferente a que o grupo de Lydia. Tentou se aproximar de Lydia e fazê-la seguir outro caminho com ele, indo atrás de Daniel e Catherine. Mas Lydia continuou a ignorá-lo propositalmente, continuando a caminhar com Mary – a qual estava achando tudo muito interessante e engraçado. Então, Mark continuou a andar atrás de Lydia, deixando que Daniel e Catherine se afastassem deles cada vez mais, e entrou a Land of the Dragons, perseguindo Lydia.

            Daniel guiou Catherine até Pirates Cove, onde viram Will e Elizabeth aos beijos de longe. Então, Daniel fez uma outra curva e seguiu em direção a Transylvania – não queria companhia de ninguém, além da de Catherine. Quando estavam quase chegando em Transylvania, viram o sr. Robson caminhando em sua direção; com receio de serem barrados pelo coordenador da escola e encaminhados de volta aos seus respectivos grupos, Daniel puxou Catherine para detrás de uma barraquinha que vendia Hot Dog, encostando-a de costas a barraca e ficando parado a sua frente.

            Catherine estava com o coração acelerado e a adrenalina percorrendo o seu corpo rapidamente. Ficou encostada a barraca de Hot Dog, sentindo as suas pernas tremerem e a tensão de estar naquela posição aumentar. Daniel estava parado bem próximo a ela, mas próximo que qualquer outro menino ficara antes. E isso estava a deixando nervosa.

            Daniel ficou observando o sr. Robson ultrapassar a barraca de Hot Dog e seguir o seu caminho sem olhar uma vez sequer em sua direção. Soube, ali, que ele não os tinha visto. Respirou aliviado, ao pensar que poderia ainda procurar um lugar mais reservado para ficar com Catherine ao sair dali. Então virou o rosto na direção dela e a fitou, ali, bem próxima a ele, com as bochechas coradas. E, considerando o local em que se encontravam, soube que não precisava mais procurar por um local reservado para ficar com ela.

            Catherine sentiu faltar-lhe ar quando Daniel começou a se aproximar ainda mais dela. Sentia a sua boca secar, as suas mãos suarem e não fazia idéia de onde colocá-las. Ele continuou a se aproximar – sorrindo ainda mais com o nervosismo dela; sabia que Elizabeth tinha razão, era esse jeito inocente de Catherine que tanto o encantava. Ele a estava olhando fixamente nos olhos, até que ela sentiu o hálito quente dele sobre os seus lábios. Então respirou fundo e prendeu a respiração, sentindo seu coração bater ainda mais apressado.

            Daniel roçou seus lábios aos dela, fazendo com que ela fechasse os olhos. Sorrindo, afastou-se um pouco e beijou-lhe a testa, fazendo com que Catherine suspirasse e continuasse de olhos fechados. Voltou a aproximar os seus lábios do dela, deixando-a sentir o seu hálito quente sobre os seus lábios, o que a fez entreabrir um pouco a boca, na expectativa de receber aquele beijo. Então, ele voltou a se afastar e a beijar-lhe uma das bochechas, demoradamente, fazendo com que ela voltasse a respirar fundo e prendesse a respiração, permanecendo com os olhos fechados.

            Daniel voltou a aproximar os seus lábios ao dela, deixando seu hálito quente recair sobre os lábios dela mais uma vez. Catherine permaneceu imóvel, com medo até de respirar e arruinar aquele momento. Daniel voltou a se afastar um pouco, aproximando seus lábios da outra face de Catherine, mas fez o caminho de volta antes que ela desse conta e pressionou seus lábios contra os dela, sentindo-a estremecer ao seu toque.

            E, inclinando a cabeça para o lado, deu-lhe outro beijo. Um mais apaixonado, invadindo a sua boca como se precisasse conquistá-la, possuí-la. Deixando Catherine um pouco assustada no começo, mas conseguindo relaxar aos poucos e se entregar àquele beijo.

            Ao encerrar aquele beijo, Daniel se afastou um pouco e a fitou nos olhos. Catherine estava totalmente constrangida em olhá-lo nos olhos e tentava olhar para qualquer outro lugar, exceto para ele. Ele notou também que ela tinha as mãos soltas às laterais de seu corpo, enquanto ele já a envolvia pela cintura. Então, segurou os seus braços pelo pulso, conseguindo que ela lhe dirigisse o olhar, um pouco alarmada, e os levando até a altura de seu pescoço, os depositou ali, voltando a envolvê-la pela cintura. E a beijou novamente.

            Eles permaneceram atrás daquela barraca de Hot Dog, à Transylvania, namorando, até o momento em que soou um apito agudo e bastante alto pelos alto-falantes do parque. Fazendo com que eles interrompessem o beijo e olhassem o movimento ao seu redor, procurando a origem daquele barulho. Então, ouviram o anúncio do fim da gincana e a ordem para que todos se dirigissem à Market Square para o almoço. O que obedeceram, saindo de detrás da barraca do Hot Dog e encaminhando-se a Market Square, de mãos dadas e com sorrisos de orelha a orelha no rosto. 

 

 

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Russian Federation flag 2%Russian Federation (1438)
Ukraine flag <1%Ukraine (473)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (318)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)