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Qualquer ser humano está cercado por uma multidão de espiões involuntários. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XLVI

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Capítulo 46

 

            Jane lhes explicou que a gincana do segundo grau seria uma espécie de corrida contra o tempo. A brincadeira estava programada para começar às dez e meia – mas que, por uma questão da chegada das duas escolas e organização dos grupos, começaria as onze – e se encerraria às duas horas da tarde.

            Os grupos seriam divididos por série – por isso as camisas coloridas – e receberiam um envelope. Em tal envelope constaria um mapa do parque e instruções para os alunos. Os alunos deveriam seguir tais instruções, dirigindo-se ao local que as instruções os guiavam, onde encontrariam um ponto de encontro. Neste ponto de encontro, encontrariam um professor de cada escola e um funcionário do parque que lhes estará servindo de assistência. Os professores iriam lhe dar um desafio a cumprir e, somente após o desafio cumprido, os alunos receberiam novas instruções.

            Ao fim das três horas, o grupo de alunos de qualquer das séries de qualquer das duas escolas que conseguisse chegar à linha de chegada em primeiro lugar, ganharia um passe livre para brincar em todos os brinquedos do parque de diversões.

            Às duas da tarde as escolas se reuniriam Market Square para almoçarem. E só após as três horas seria permitido a utilização dos brinquedos do parque de diversões.

            Assim que chegaram à praça enfrente Hocus Pocus Hall, o sr. Robson pediu que um representante de cada série viesse ao seu encontro e escolhesse um dos envelopes que ele tinha em mãos. Elizabeth viu Bill Collins ser o primeiro a se destacar, usando uma blusa de mesma cor que a de Will, e pegar o primeiro envelope, retornando para perto de seus colegas. Viu Sabrina, amiga de Caroline, vestida com uma blusa azul marinho, ser a segunda a se dirigir ao sr. Robson e pegar um envelope e, seguida a ela, Mary, com uma blusa rosa – Will a olhou com bastante atenção, nunca a vira vestida com nada semelhante a tal cor antes – se destacou do grupo e pegou o último envelope na mão do sr. Robson. Este aguardou que os alunos da Johnson's High fizessem o mesmo, antes de dar permissão que os envelopes fossem abertos.

            Hank Hilton, vestido com uma blusa laranja, foi o primeiro a pegar um dos envelopes; seguido a ele, uma menina gordinha, vestida de amarelo, pegou o segundo envelope e, seguida a ela, um menino muito bonito, ruivo, com uma blusa azul turquesa, pegou o último envelope. O sr. Robson deu permissão aos alunos de Austen House a abrirem seus envelopes e lerem as instruções.

            Collins abriu o envelope e sentiu-se incrivelmente satisfeito em ser o foco de tanta atenção quando os seus colegas de série se reunirão envolta dele e pediram para que lesse as instruções em voz alta. Assim que começou a ler as instruções, com o seu tom pedante e cheio de pausas desnecessárias, um colega tomou-lhe o envelope das mãos e começou a ler as instruções ele mesmo, para a satisfação de seus colegas. Collins ficou intimamente ofendido, mas não pode dizer nada. O colega que lhe tomara o envelope das mãos além de muito maior que ele, era conhecido por sua fama de brigão.

            Quando Mary abriu o envelope, Lydia e Catherine deixaram seus acompanhantes do segundo ano se juntarem ao seu grupo de colegas de série e se acercaram de Mary. Elizabeth quis fazer o mesmo, mas Will a segurou pela mão e a levou consigo para perto de seus colegas de série. Elizabeth apressou-se a lhe explicar que precisava ficar com o seu grupo de colegas de série, o que não agradou Will. Mas ele a deixou ir-se, temporariamente.

            Elizabeth acercou-se de Mary e inquiriu-lhe quais eram as instruções do envelope. Mary lhe entregou o cartão que o envelope continha e Elizabeth leu a única frase que continha nele: “Chessington Zoo, Monkey & Bird Garden”. Elizabeth ergueu um olhar interrogativo para Mary e seus demais colegas, os quais, assim como ela, deduziram que eles deviam seguir até a parte do parque em que ficava o Monkey & Bird Garden, ao Chessington Zoo. Elizabeth pediu para olhar o mapa e viu que tal localização ficava situado a leste do parque.

            Will aproximou-se de Richard e este lhe disse que o seu cartão continha apenas os seguintes dizeres: “Chessington Zoo, Creepy Caves”; informou-lhe também que, segundo o mapa, Creepy Caves ficava localizado a Oeste do parque, direção que eles deviam seguir. Quando Will olhou na direção de Elizabeth, a viu olhar em sua direção. Então se afastou do seu grupo, voltando a se aproximar dela. Elizabeth também se afastou de seu grupo e acercou-se dele.

--Para onde vocês devem ir? - Ela inquiriu a ele.

--Creepy Caves. Vocês? - Will retribuiu a pergunta.

--Monkey & Birds Garden. Para que lado fica Creepy Caves? - Elizabeth respondeu e voltou a lhe interrogar.

--Oeste. - Will fez o mesmo. - E Monkey & Birds Garden?

--Leste. - Elizabeth respondeu, com pesar.

--Então, nós não vamos ficar juntos?! - Will resmungou. E, segurando o cachecol dela, o enrolando em suas mãos, a trazendo mais para perto dele, disse. - Você terá que desertar o seu grupo e passar para o meu!

--Ha-ha, muito engraçado! - Elizabeth replicou, fingindo rir. - Por que você não abandona o seu grupo e passa para o meu?!

--Ninguém vai trocar de grupo! - O sr. Robson disse a ambos, seriamente. - E o que os dois estão fazendo aí, parados? A gincana já começou! - Will começou a desenrolar as suas mãos do cachecol de Elizabeth, enquanto ela lhe dirigia um olhar divertido (como se estivesse se segurando para não rir). - Andem logo! Cada um para o seu grupo, agora!

--Sim, senhor, sr. Robson! - Elizabeth respondeu, batendo continência.

            O sr. Robson deu-lhe outro muxoxo e se afastou do casal, permitindo que Elizabeth começasse a rir.  Will não resistiu e começou a rir também.

--E agora? - Ele perguntou, quando conseguiu controlar o seu riso.

--Vamos fazer assim: nós vamos por caminhos diferentes e aquele que conseguir chegar primeiro na linha de chegada pode pedir ao outro o que quiser! - Elizabeth propôs.

--O que eu quiser?! - Will replicou, já ficando interessado.

--Ou o que eu quiser! - Elizabeth respondeu, sorrindo com malicia para ele. - Quem lhe garante de que irá ganhar?! - Elizabeth inquiriu, sorrindo com um jeito de superioridade.

--Ohh, acredite: eu vou ganhar! - Will respondeu, seguro de si, fazendo-a rir por causa de sua pretensão. - Fechado? - Will estendeu-lhe a mão, ao que Elizabeth aceitou.

--Fechado!

            Will, ao segurar a mão dela, ao invés de sacudi-la, em um cumprimento, a puxou para si e roubou-lhe um beijo. Deixando Elizabeth aos risos, ao se afastar dela e retornar para perto de Richard, Charles, George, Jane e Charlotte. Elizabeth voltou para perto de Catherine, Lydia e Mary.

            Assim, eles se separaram, cada grupo seguindo em direções opostas.

            Elizabeth seguiu as meninas ao lado leste do parque, onde encontraram o ponto de encontro enfrente a jaula dos macacos e esquilos. O professor de biologia de Austen House estava acompanhado pela professora de geografia de Johnson's High e dois funcionários do parque. Eles explicaram ao grupo de estudante que a tarefa deles consistia em entrar na jaula dos macacos e esquilos – o que neste parque é um fato comum, existindo uma área da jaula em que existe um caminho para visitantes interagir com os animais – e conseguir de um dos macaquinhos uma chave pequena que ele trazia pendurada em um sinto em sua cintura; chave qual abriria um pequeno baú preto que estava em posse dos professores, onde encontrariam as novas instruções para continuarem na brincadeira.

            Nem todos os alunos quiseram entrar na jaula. Algumas meninas se recusaram terminantemente em entrar, alguns meninos o professor de biologia barrou a entrada – por questão de segurança dos animais; então, somente umas quinze pessoas, numa turma de mais de quarenta, entrou na jaula e tentou se aproximar do infame macaquinho.

            Os funcionários do parque explicaram aos alunos que entraram na jaula quais comportamentos deviam ser evitados quando estivesse dentro da jaula e deram uma pequena quantidade de comida a cada um dos alunos para tentarem atrair os animais para eles. Elizabeth, Catherine, Lydia e, até, Mary estavam encantadas com aquela oportunidade. As quatro aceitaram entrar na jaula assim que souberam que o desafio que tinham que cumprir consistia em se aproximar dos animais.

            Mas a tarefa que precisavam cumprir estava se provando muito mais complicada do que esperavam. O macaquinho danado que precisavam atrair para perto se negava a descer do galho da árvore em que estava e atender ao chamado dos alunos. Mary e Lydia conseguiram chamar a atenção de dois outros macaquinhos, os quais chegarem bem perto a ponto de poder comer o que elas tinham em mãos e as deixarem tocar neles. No entanto, o macaquinho guardião da chave do baú apenas as observava do alto de seu galho, balançando a chave que trazia dependurada em seu cinto quando pulava de um galho para outro.

            Um dos funcionários disse a Elizabeth o nome do macaquinho, numa tentativa de ajudá-la a trazer o bichinho até ela. Elizabeth voltou para perto de Catherine e passou a chamar o macaquinho pelo seu nome – Apolo, como o deus da mitologia grega, deus do Sol. Elizabeth chamou por ele, mas Apolo não lhe deu atenção. Até que algo lhe atraiu e ele começou a descer do seu galho. Ele pulou no ombro de Catherine, a assustando, quase fazendo com que ela gritasse – Elizabeth apressou-se a acalmá-la, para ela não assustar o macaquinho em seu ombro e os outros animais.

            Apolo ficou mexendo no brinco de continhas azuis brilhantes que refletiam a luz do sol que Catherine estava usando e que, graças ao seu penteado de cabelo – preso num rabo de cavalo –, ficava balançando quando ela se movia. Elizabeth aproveitou a distração do macaquinho para tirar a chave de seu cinto, completando a tarefa. Quando conseguiu ter sucesso, aproximou-se da entrada da jaula e entregou a chave ao professor de biologia. Os outros alunos começaram a sair da jaula aos poucos, demorando-se certo tempo se despedindo dos animais.

            Catherine também se aproximou da entrada da jaula, ainda com Apolo em seu ombro. Ele, por sua vez, queria o brinco de Catherine para ele, pois ficava tentando tirar o brinco da orelha de Catherine – até mesmo com a boca, deixando Catherine agitada. Os funcionários do parque foram obrigados a entrar na jaula para tirar o macaquinho do seu ombro e, só então, Catherine conseguiu sair.

            Lydia, Mary e Elizabeth riam o tempo todo da expressão amedrontada de Catherine, quem se negava a entrar em qualquer outra jaula depois disso. Reclamando com as amigas por elas acharem engraçado ter um macaquinho dependurado em seu ombro, querendo lhe arrancar a orelha. As meninas continuaram a rir, porque Apolo não chegara a machucá-la realmente, apenas a assustara.

            O baú foi aberto e um novo cartão com instruções foi entregue ao grupo do 1º ano. No cartão não havia indicação clara de onde deviam seguir, apenas uma frase que a principio não fez sentido para nenhum deles: “Mayflower foi o famoso navio que transportou os ingleses separatistas, mais conhecidos como peregrinos, de Plymouth, England, para Plymouth, Massachusetts (EUA), in 1620”.Como isto poderia ser a indicação do próximo ponto de encontro do parque a que deviam se dirigir estava além da compreensão dos alunos.

            O professor da escola Johnson's High explicou-lhes que a frase era uma espécie de dica, quase um enigma. Após um considerado tempo, Mary concluiu que eles só podiam seguir até Piratas Cove – ao observar o mapa do parque e constatar que era o único local do parque que tinha alguma relação com barcos. E assim os alunos, quais não tinham outras idéias, acolheram a sua sugestão e seguiram sentido noroeste do parque. Analisando o mapa, descobriram que o caminho mais rápido para chegar lá era através da Market Square.

______________________________

            Will acompanhou seus amigos até Creepy Caves, ao lado oeste do parque, onde encontraram o ponto de encontro enfrente a área dos répteis – onde podiam ver a cobra de 4 metros, Burmese Python, de nome Jade, e a tarântula peluda chilena rosada de nome Jasmine. Encontraram-se no ponto de encontro com o professora de geografia de Austen House e a professor de biologia de Johnson's High, além de dois outros funcionários do parque.

            Ali, foi-lhes explicado que a tarefa deles consistia em pegar uma pequena chave dentro de uma caixa de vidro transparente que estava depositada sobre uma mesa de ferro, na qual continha também sete tarântulas peludas chilenas. Um dos alunos deveria colocar a mão dentro da caixa de vidro, por um buraco existente na parte superior da caixa, e procurar pela pequena chave dourada ao fundo da caixa, entre as tarântulas.

            É claro, parecia aos professores que não haveria voluntários para cumprir tal tarefa. Logo os funcionários começaram a explicar que as tarântulas selecionadas não tinham veneno e que era seguro colocar a mão dentro da caixa; se houvesse algum tipo de reação antialérgica, existia um pronto socorro no próprio parque para cuidar de tais situações.

            Um aluno da sala de Will se voluntariou sem precisar ouvir nem metade das afirmações do funcionário. Alegando que tinha uma cobra de estimação em casa de 3 metros e que algumas aranhas não o assustariam. Então, tomou a frente dos colegas e colocou a mão dentro da caixa. Assim que uma aranha se aproximou da mão dele, ele gritou. Várias alunas gritaram junto e os professores, assim como os funcionários do parque ficaram alarmados. Mas o aluno logo começou a rir e tirou a mão da caixa, já com a pequena chave de ouro em mãos.

            Jane ficara pálida quando vira seu colega de classe gritar e não conseguiu achar graça alguma na piada que o menino fizera naquela situação. O seu coração havia acelerado muito e ela ficara apavorada por ele. Richard, Will e Charles ainda conseguiram rir-se da situação depois que se recuperaram do susto. Charlotte limitou-se a comentar que aquela fora uma brincadeira de mal gosto.

            O aluno, no entanto, recebeu um grande sermão dos professores das duas escola, o que ignorou com um sorriso no rosto – porque suas colegas femininas de sala estavam o olhando com admiração – e a tarefa foi cumprida. O pequeno baú em posse dos professores foi aberto e um cartão lhes foi entregue. Nele continha a seguinte frase:Um trem que carrega ferro de Zouerate até a costa de Nouadhibou, é provavelmente o trem mais comprido do mundo.”

            Tal informação soou como sem propósito para todos os alunos do 3º ano. Como aquela informação lhes indicaria a direção que deviam seguir para encontrar o novo ponto de encontro? Após muita ponderações, surgiu a mente de Richard que eles deviam ir à Mexicana, área do parque em que encontrariam o Runnaway Train – trem desgovernado, espécie de montanha-russa do parque. Então o grupo do 3º ano seguiu em direção ao lado nordeste do parque.

            Collins seguiu a frente do grupo, afobado para ser uma espécie de líder. Tinha o mapa do parque em mãos e ficava discutindo com quem quer que parasse ao seu lado que estavam saindo da ala nordeste do parque para ir a ala sudoeste do parque, já que, segundo o mapa, eles tinham entrado pelos portões ao norte e não pelos portões ao sul do parque. O que levava a qualquer aluno procurar manter certa distância dele durante todo o percurso. Afinal, nenhum deles estava realmente preocupado com isso.

            Richard e Charlotte seguiram andando um pouco depois de Collins, divertindo-se com as tentativas frustradas dele em ser admirado pelos seus colegas. Richard aproveitava a distração daquele colega para imitá-lo, de forma exagerada e ridícula, para agradar Charlotte. Adorava quando ela lhe dava um leve tapa no ombro e ria de suas piadas.

            Charles e Jane seguiam um pouco atrás de Richard e Charlotte, ainda conversando sobre a as informações sobre a cobra de 4 metros, Burmese Python, e a tarântula peluda chilena que os funcionários do parque haviam lhes explicado.

            Will seguia os dois casais a distância, querendo dar-lhes certa privacidade. Sabia que o primo precisava de cada segundo que conseguisse passar a sóis com Charlotte e Will não sentia a menor propensão de se impor ao casal meigo que Jane e Charles formavam. Na verdade, já estava começando a considerar aquela gincana mal planejada. A idéia de ter de passar três horas longe de Elizabeth não lhe agradava nem um pouco; afinal, ela tinha lhe garantido que iam passar o dia inteiro juntos e não era uma pequena aposta que compensaria pelas três horas que perderiam separados. Ainda mais quando ele tinha de presenciar seus amigos contentes com suas acompanhantes, enquanto ele ficava sozinho.

            Quando o grupo do 3º ano da Austen House estava próximo a praça de nome Market Square encontraram-se com o grupo de 3º ano de Johnson's High, o qual estava vindo do Trail of The Kings (parte do zoológico em que ficava a jaula dos gorilas e leões), ao sul, a caminho da Land of the Dragons (parte do parque em que existiam as mais variadas montanhas-russas), ao norte – ou o contrário, na opinião de Bill Collins.

            A maioria dos alunos da Johnson's High não deu a mínima atenção aos alunos da Austen House. Alguns decidiram que precisavam andar mais rápido, para poder conseguir cumprir todas as tarefas antes que o grupo de alunos da Austen House, vindo a atiçar os demais colegas a se apressarem também. No entanto, Kevin e Timothy se acercaram de Richard e Charlotte, cumprimentando-os rapidamente. Depois cumprimentaram Charles e Jane e pararam para conversar com Will por uns minutos.

--Então, você conseguiu conquistar aquela menina? - Esta foi a primeira pergunta que Kevin fez a Will, animado.

--Sim. - Will respondeu, sorrindo, orgulhoso.

--Cara, mandou bem! - Timothy o cumprimentou, com um tapa nas costas. - Mandou bem mesmo!

            Hank passou por perto deles e riu do comentário de Timothy, mas não disse nada. Will parou de sorrir e ficou o encarando. Pressentindo a tensão entre os dois, Timothy e Kevin decidiram seguir atrás de seu grupo. E, assim, apressaram Hank a fazer o mesmo. Hank voltou a dirigir um olhar negro na direção de Will e acompanhou seus colegas de sala. Will voltou a seguir atrás do seu grupo de colegas de escola, indo na direção contrária a Hank e os outros meninos. Mas foi barrado por Madson e Caitlin.

--Então, vocês estão realmente namorando? - Madson questionou-lhe; houvera entreouvido a conversa de Will com Timothy e Kevin. - Você e aquela... garota?

--Sim, eu estou namorando Lizzie. - Will respondeu, com um semblante sério.

--Bem, então... parabéns! - Madson comentou, sorrindo falsamente para ele. - Ela é... - E deixou a frase morrer, como se procurasse um adjetivo para graciá-la e não encontrasse.

--Encantadora! - Caitlin completou, com sarcasmo.

--Precisamente! - Madson concordou, olhando para a amiga e rindo, com deboche.

--Diga-me uma coisa, sr. Darcy! - Will, Caitlin e Madson viraram seus rostos na direção de Elizabeth, que surgira com seus colegas de classe da Market Square e os fitava com uma expressão séria no rosto. - Você pretende ganhar de mim ficando aí, parado, jogando conversa fora? - Elizabeth completou, se aproximando dele, acompanhada de Catherine, Lydia e Mary.

            Will a fitou sem palavras, estava surpreso em vê-la ali. Os demais colegas de sala de Elizabeth ultrapassaram Will e as suas duas acompanhantes, enquanto Elizabeth e suas amigas diminuíram os passos para poder passar por eles sem pressa. Elizabeth parecia tranqüila em vê-lo conversando com Madson e Caitlin, mas Will tinha receio que era só aparência.

            Quando Will ia lhe responder a pergunta, Elizabeth apressou os passos e o ultrapassou, seguindo atrás de seus colegas de sala. Will voltou-se na direção que ela havia seguido, acompanhada por suas amigas, e a viu virar-se para ele, começando a andar de costas, ao dizer.

--O que você acha de cantar Oops I Did It Again na frente das duas escolas às 2 horas, aqui mesmo! - Sorrindo para ele com malicia. - Eu não sei... Acho que vai ser uma tremenda performance, não concorda?! - E depois deu-lhes as costas, começando a rir com as suas amigas, à medida que seguia o seu caminho.

            Will permaneceu imóvel por uns instantes, ponderando sobre o que tinha acabado de acontecer. Elizabeth realmente não soou como incomodada em vê-lo conversando com Madson e Caitlin, parecia à mesma que o desafiara no começo daquela gincana. Madson e Caitlin olhavam a figura em retirada de Elizabeth, tranqüila na companhia de suas amigas, e para Will, parado como um bobo, a olhando se afastar.

            Will virou-se de frente para as meninas, com um sorriso no rosto, e pediu licença, voltando a seguir o mesmo caminho que os seus colegas de série. Tinha uma aposta a vencer; não podia pagar o king kong de ter de cantar na frente de todo mundo, muito menos a música de Britney Spears – lembrando-se de como rira de seu próprio primo quando Elizabeth o fizera acompanhá-la em sua cantoria ao mini-golfe. Não! Precisava vencer e fazê-la cantar It's My Party na frente de todos!

            _______________________________

            Meio dia e meia Elizabeth começou a notar que vários colegas seus tinham abandonado a gincana – em sua maioria, porque eram casais que saiam em busca de um lugar romântico no parque para ficarem sozinhos. De um grupo de mais de trinta alunos, restava somente quinze destes. O seu grupo havia estado na Transylvania, a oeste do parque, ao Mystic East, a nordeste do parque e voltara ao Hocus Pocus Hall, a entrada norte (p/ ela, era ao sul do parque). E o jogo ainda não havia nem chegado à metade.

            Já tinha passado por diversos desafios, ganhando sempre um novo cartão, com novas instruções e um novo ponto de encontro para perseguir. Ficava se perguntando quando ganharia o cartão que a levaria a linha de chegada e a vitória; estava ansiosa para vencer Will e vê-lo cantar em frente a todos. Tal pensamento a fazia rir em voz alta sozinha, recebendo olhares atravessados de Mary – quem já começava pensar que o frio sol de outono tinha queimado os últimos neurônios de Elizabeth.

            Outra coisa que ficava passando pela cabeça de Elizabeth era o fato de que não vira mais Will e sua turma, além de não ter se encontrado com o grupo de Madson e Caitlin tão pouco. O último grupo dispensava a oportunidade de reencontrar, mas o primeiro... Bem, o grupo em si não fazia muita questão de vê. Apenas um dos componentes deste permanecia em sua mente e o desejo de revê-lo a estava deixando ainda mais agitada. Queria que a brincadeira terminasse logo.

            A fome começou a perturbar a mente de Lydia e o animo de Catherine. As meninas ficaram um pouco para trás, comprando alguns lanches, enquanto Mary liderava o grupo. Elizabeth nunca tinha percebido este lado competitivo de sua amiga, até então. Com um pacotinho de guloseimas cada uma, Elizabeth, Lydia e Catherine se apressaram a alcançar o restante do grupo. O qual seguia em direção a Forbidden Kingdom, de volta ao lado nordeste do parque.

____________________________

            Will estava tendo pensamentos idênticos aos de Elizabeth naquele mesmo momento. O seu grupo houvera estado Land of The Dragons, a noroeste do parque, a Monkey & Birds Garden, a sudeste do parque (passando pela mesma experiência que as meninas, tendo que pegar a chave de ouro com Apolo – Richard, coitado, passou por uma grande dificuldade quando Apolo cismou com ele e ficou puxando os seus cabelos, enquanto Charlotte ria descontroladamente e tentava tirar a chave de ouro do cinto que o macaquinho usava) e a Pirates Cove, a oeste do parque.

            Passara por diversos desafios, dois deles por quais Elizabeth e sua turma houveram passado. E já estava cansado da brincadeira. Richard e Charlotte pareciam ainda compenetrados no jogo, porque adoravam passar por todos os desafios juntos e rirem das bobagens de Bill Collins. Charles e Jane apenas passeavam pelo parque, seguindo seus colegas de turma. Porque, na realidade, não participavam do jogo. Apenas assistiam aos desafios em alguns momentos, procuravam aprender alguma coisa sobre os locais em que estavam, ou animais que encontravam, e namoravam. E George juntara-se a dois outros colegas de classe e sumiram pelo parque, procurando algo mais interessante para fazer.

            Enquanto Will seguia o restante do grupo que permanecia na brincadeira desanimado, querendo reencontrar Elizabeth e receoso de que ela venceria a disputa e o faria cantar na frente de todos. Decidiu que se queria vencer o desafio teria que ter um papel mais ativo na brincadeira. Tomou a frente das decisões quando soube que o próximo ponto de encontro era  Forbidden Kingdom, a  nordeste do parque.

            Por sorte, quando chegaram ao Forbidden Kingdom, encontraram o ponto de encontro logo enfrente  ao Rameses Revenge – um dos brinquedos aquáticos muito emocionantes. Os professores de Matemática e Literatura de Austen House e Johnson's High, respectivamente, estavam ali a sua espera acompanhados por dois funcionários do parque. Existia uma espécie de stand armado, onde estava exibido vários cartões coloridos em que indicavam uma matéria. Num canto do stand, existia umas espécies de tortas de chantilly de cor azul anil.

            O professor de Matemática disse aos meninos para escolherem um dos cartões ali exibidos para que ele lhes fizesse uma das perguntas que constasse no cartão e, se eles respondessem corretamente a pergunta, iriam receber outro cartão com novas instruções; se errassem, no entanto, receberiam outra coisa. Will, como decidira tomar a frente da brincadeira, escolheu um dos cartões coloridos que indicava a matéria Matemática e Lógica. O professor de Matemática sorriu ao pegar o cartão e escolheu uma das cinco perguntas ali existentes para lhe inquirir.

--É noite, um homem deseja ir da cidade X para a cidade Y e o único meio de travessia é uma ponte, e o tempo para atravessá-la é de 10 minutos. No meio da ponte há um guarda que passa 5 minutos dormindo e 5 acordado. Esse guarda, sempre que vê alguém atravessando a ponte, manda-o voltar, pois é proibida a travessia à noite. Como o homem faz para atravessar a ponte e chegar à cidade Y?

            Will escutou a pergunta e se viu a quebrar a sua cabeça em busca de uma resposta, mas não a encontrou. Virou-se para os seus demais colegas e todos o observavam expectativamente, esperando que ele soubesse a resposta. Will lembrou-se que Charles adora este tipo de pergunta e procurou pelo amigo entre os seus colegas, mas ali já não estava. Então, voltou-se de frente para o professor e pediu para que ele repetisse a pergunta.

            O professor de Matemática o fez e lhe dirigiu um olhar inquisidor, já impaciente. Não estava gostando de ver seus alunos de 3º ano não saber responder uma pergunta simples como esta na frente do professor de Literatura de Johnson's High. Confortava-se em saber que era o professor de Literatura que estava ao seu lado e não o professor de Matemática da escola rival, o que seria ainda pior.

--Eu sei. - O mesmo aluno das tarântulas, de nome Jorge, se adiantou ao professor de Matemática, parando ao lado de Will. - Eu sei. - Garantiu, sorrindo maliciosamente; o professor de Matemática o ouviu em silêncio, já imaginando a besteira que ele ia falar. - É só ele levar um porrete consigo quando estiver atravessando a ponte e... - Jorge começou a responder, sorridente e gesticulando.

--Cale-se! - O professor de matemática interrompeu-o ao ouvir o absurdo que ele estava falando. - Sr. Darcy, qual é a sua resposta? - Virou-se para Will, dirigindo a pergunta a ele, já bastante irritado; o professor de Literatura de Johnson's High estava prendendo um risinho de deboche ao seu lado.

--... - Will abriu a boca, mas não sabia o que responder; realmente, até aquele momento, a única idéia que tinha em mente se assemelhava a de Jorge. - Eu não sei. - Respondeu, sentindo-se humilhado.

            O professor de Literatura riu-se e caminhou para perto das tortas de chantilly, pegando uma delas. O professor de matemática saiu de seu caminho, com uma expressão decepcionada no rosto, e o professor de Literatura parou a frente de Will com a torta em mãos. Will dirigiu-lhe um olhar alarmado, Jorge apressou-se a se afastar dali e Will recebeu uma torta na cara.

            Richard e Charlotte começaram a rir de Will, quando este se afastou do stand com o rosto coberto de chantilly azul anil e sentou-se em um dos banquinhos de jardim ao lado do stand. Um dos funcionários do parque veio ao seu encontro, sorrindo, e lhe entregou uma toalha de rosto, para que ele se limpasse.

--Qual é a resposta certa? - Richard questionou o seu professor de Matemática, tomando o devido cuidado de manter-se a uma distância considera dele.

--Ele espera o guarda dormir, então começa a atravessar a ponte. Quando faltarem alguns segundos para o guarda acordar, ele dá meia volta e começa a andar em direção a sua cidade. O guarda vai pensar que ele estava indo para a cidade X e vai mandá-lo voltar. Assim ele consegue chegar à cidade Y! - O professor de matemática respondeu, de mau gosto.

--Ahh! - E ouviu um assomo do seu aglomerado de alunos do 3º ano, o que o deixou ainda mais irritado.

--Vamos, escolham outro cartão! - Exigiu.

            Seus alunos se entreolharam e ninguém se voluntariou a fazê-lo. Então, Bill tomou a frente do grupo e escolheu o cartão. Para o mal estar do professor de Matemática, Bill escolheu o mesmo cartão que Will havia escolhido – numa tentativa de bajular o professor de matemática, imaginando que, ao acertar a pergunta, o faria sentir-se orgulhoso.

 

 

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