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Eu poderia facilmente perdoar o orgulho dele, se não tivesse mortificado o meu.(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XLV

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Capítulo 45

 

            Elizabeth e Jane chegaram à escola as quinze para as nove. Viram o mesmo colorido de blusas enfrente a escadaria de entrada da escola, onde seus colegas estavam aglomerados, aguardando o momento em que poderiam entrar nos ônibus. Elizabeth logo procurou pelo carro de Will ao estacionamento da escola, onde sabia que ele normalmente o estacionava. O encontrou ali, o que a deixou ainda mais ansiosa. Ele já havia chegado, só precisava encontrá-lo naquela confusão.

            Ela e Jane se aproximaram de alguns colegas de escola e foram informadas que deveriam entrar na escola, irem às suas respectivas salas, assinarem a lista de presença e pegarem as suas blusas. Elizabeth, não vendo os meninos do lado de fora, resolveu entrar na escola e ir até a sua sala, pegar a sua blusa e assinar a lista de presença. Jane a acompanhou.

            Elizabeth entrou na sua sala e Jane ficou esperando à porta; Elizabeth assinou a lista e pegou a sua blusa, indo se juntar a Jane. As duas seguiram até a sala de Jane e ela fez o mesmo que a irmã fizera minutos antes, assinou a lista de presença e pegou a sua blusa. Nenhuma delas viu os meninos pelos corredores, então decidiram passar ao banheiro feminino e vestir as blusas lá, aproveitando para se olharem ao espelho, antes de voltar a sair da escola.

            A caminho do banheiro, no entanto, se encontraram com Catherine e Daniel. Os dois estava parados, um de frente para o outro, com os ombros encostados a parede do corredor. Conversavam sobre alguma coisa como velhos amigos e Catherine estava sorrindo para Daniel, um pouco corada. Quando viu as meninas, veio em sua direção, já exclamando:

--Lizzie, Jane!

            Daniel virou-se na direção que Catherine olhava e viu Elizabeth olhando para ele com um sorriso bastante convencido no rosto. Ele fingiu que não notara e acompanhou Catherine, aproximando das irmãs Abbott, mas mantendo-se fora do diálogo que as meninas desenvolveram em seguida.

--Onde está Lydia, Charlotte...? - Elizabeth perguntou. - Os meninos?

--Charlotte disse que ia lá para fora... atrás dos meninos... - Catherine respondeu. - Lydia está... - E completou a frase virando o rosto na direção oposta a das meninas, indicando Lydia ao final do corredor aos beijos com Mark.

--O que é aquilo?! - Elizabeth exclamou, ao mesmo tempo em que Jane dizia.

--O que ela está fazendo? - E Daniel olhou para as duas irmãs com uma expressão no rosto de quem dizia: “para mim, é bem obvio o que ela está fazendo!”

--Ahh... ela está fazendo isso desde ontem. - Catherine replicou, voltando a olhar para as irmãs Abbott. - Desde que viu George aos beijos com Valerie na pista de dança do Basement.

--George e Valerie?! - Jane e Elizabeth exclamaram juntas.

            Catherine fez um pequeno relato dos acontecimentos da noite passada; então George passou por elas acompanhado de Valerie, seguindo em direção à saída da escola, e Lydia o seguiu, levando Mark pela mão. Então, Catherine despediu-se das meninas e seguiu Lydia, sendo seguida por Daniel. Quem ainda fingia não entender os olhares significativos de Elizabeth e seu sorriso zombeteiro dirigidos a ele. E Jane e Elizabeth seguiram o seu caminho, indo ao banheiro. 

            Assim, ao entrarem no banheiro, Elizabeth se despiu de sua jaqueta creme e tirou o cachecol do pescoço, vestindo a sua blusa rosa por cima da sua blusa creme, com o cuidado de não deixar nenhuma dobra. Depois vestiu a jaqueta creme por cima da blusa rosa e colocou o cachecol de volta ao pescoço, tomando o cuidado de cobrir a marca do chupão, já clareada com o corretivo.

            Jane tirou a sua jaqueta preta e vestiu a sua blusa verde musgo por cima da blusa azul que estava usando. Depois recolocou a sua jaqueta preta, voltando-se para observar a irmã. Elizabeth estava ajeitando o cabelo, para que ficasse escondendo ainda mais a marca de seu pescoço. Ela realmente estava preocupada em não deixar ninguém mais ver aquela marca; certamente, porque não queria mais passar por situações embaraçosas em que pessoas fazem-lhe as perguntas mais inconvenientes possíveis.

            Elizabeth se admirou no espelho do banheiro feminino, sem notar que Jane a observava. Não gostava da cor rosa, mas a sua jaqueta creme e o cachecol lilás estava fazendo uma boa combinação com a blusa rosa e a calça jeans azul marinho. Então, ficou satisfeita com a sua aparência. Voltou-se para olhar Jane, já lhe inquirindo se estava pronta; a encontrando a fitá-la, sorrindo.

--O que foi? - Perguntou-lhe, desconfiada.

--Nada. - Jane replicou; não se cansava de olhar a sua irmã e ficar feliz em vê-la tão radiante. - Vamos?

            Jane e Elizabeth saíram do banheiro juntas e seguiram em direção à saída do colégio. Ao saírem da escola, Elizabeth já avistou os meninos encostados ao carro de Richard, um pouco após o último ônibus executivo. Elizabeth indicou à sua irmã onde eles estavam e as duas desceram a escadaria de entrada da escola, já caminhando na direção deles.

            Elizabeth observou Will em seus mínimos detalhes. Ele estava encostado ao carro do primo, com os braços cruzados. Estava vestido com uma calça jeans azul, blusa de manga cumprida preta por baixo da blusa de sua sala de cor verde musgo. Tinhas as mangas da blusa preta parcialmente puxadas para cima e estava olhando o seu relógio de pulso, com a cabeça baixa. Alguns fios de seu cabelo caíram sobre a sua testa, dando-lhe um ar despojado e incrivelmente charmoso.

            Will virou o rosto na direção de Charles e lhe disse algo, com uma expressão irritada em seu rosto. Charles colocou a mão no bolso da sua calça e ficou tentando tirar algo de dentro dela, mas sem conseguir fazê-lo tão rápido quanto Will desejava – quem estava evidentemente impaciente. Então, Charles tirou o celular do bolso e ergueu o rosto, olhando na direção delas. Abriu um imenso sorriso ao vê-las e disse algo a Will, devolvendo o seu celular ao bolso de sua calça. Will virou o rosto na mesma direção em que Charles olhava e as viu, caminhando em sua direção.

            Elizabeth sentiu o seu coração dar um pulo em seu peito e acelerar rapidamente quando ele olhou em sua direção, permanecendo a olhá-la, com a boca entreaberta – como se fosse dizer algo, mas esquecera-se de dizer – e com um olhar como se estivesse hipnotizado. Ela começou a sorrir para ele instantaneamente, sentindo-se estupidamente feliz só porque o estava vendo. Colocou as duas mãos nos bolsos do fundo da sua calça jeans e continuou a se aproximar dele, sentindo-se ansiosa pelo momento em que falaria com ele e apreensiva com relação ao mesmo fato. Como deveria cumprimentá-lo?! Um beijo no rosto ou na boca?!

            Will desencostou-se do carro e começou a caminhar em sua direção. Sentia essa urgência de estar perto dela, de beijá-la de novo. Quando se aproximou o suficiente para envolvê-la em seus braços e beijá-la, como queria tanto fazer, parou de andar e ficou a fitando nos olhos. O sorriso em seus lábios era um convite para beijá-la, então começou a se inclinar em sua direção. Mas perguntou-se se devia beijá-la assim, ali, na frente de todo mundo da escola ou se, ao fazer isso, a deixaria constrangida.

            Jane seguiu o seu caminho até Charles e o cumprimentou com breve beijo nos lábios, voltando-se para observar os outros dois. Os vendo parados, calados; apenas se olhando. Charles balançou a cabeça, negativamente, pensando: “mas como eles são um casal esquisito!” E deixou escapar uma gargalhada, recebendo um olhar de reprovação de Jane. O que serviu para controlar o seu riso, mas que não apagou o sorriso de seus lábios.

            Elizabeth fitava Will nos olhos, o vendo olhar em seus olhos e depois os seus lábios, começando a se inclinar em sua direção. Então, ele parou e voltou a olhar em seus olhos. Elizabeth parou de sorrir ao notar a sua hesitação, mas permaneceu olhando para os olhos dele. Esperando uma ação da parte dele. Will notou que ela parara de sorrir e que o fitava nos olhos, expectativamente.

            Will voltou a olhar os seus lábios, fechados naquele formato de coração que tanto o deixava louco para beijá-la. E decidiu jogar a cautela pela janela, voltando a se inclinar em sua direção. Voltou a olhar em seus olhos e a viu fitar os seus lábios rapidamente e voltar a fitá-los nos olhos, ao notar que ele recomeçara a se inclinar em sua direção. Então ela fechou os olhos, o que o fez ter certeza que ela queria que ele a beijasse. Então, o fez, fechando os olhos e se deliciando com o sabor de seus lábios.

            Os seus lábios eram as únicas partes de seus corpos que estavam se tocando, mas ambos sentiram uma corrente elétrica percorrer todo o corpo depois que seus lábios se tocaram. Quando se afastaram e ele a olhou nos olhos, Elizabeth estava sorrindo novamente.

--Oi! - Ela disse para ele, num murmúrio.

--Oi, Lizzie! - Charles a cumprimentou, passando de mãos dadas com Jane por Will e ela, seguindo em direção ao ônibus.

--Oi! - Elizabeth respondeu ao seu cumprimento, virando o rosto na direção de Charles.

--Agora que as meninas chegaram, a gente já pode entrar no ônibus, Will? - Charles questionou, rindo-se do seu amigo. - Ou você ainda quer ficar aqui fora? - Recebendo um olhar atravessado de Will, que só causou mais risos em Charles.

--Mas você está impossível hoje! - Jane disse a Charles, o puxando com mais pressa para o ônibus. Enquanto Charles se deixava levar, ainda rindo-se do amigo.

            Elizabeth voltou a olhar para Will, notando a expressão de irritação com a brincadeira que Charles fez, então começou a rir. Ele estivera tão impaciente quanto ela em se encontrarem de novo. Elizabeth deu dois passos para trás e estendeu a mão para ele, dizendo.

--Vamos!

            Will tomou a mão que ela lhe oferecia com prazer e começou a caminhar em direção ao ônibus. Elizabeth virou-se de frente para o caminho em que estava seguindo e os dois caminharam lado a lado, de mãos dadas, até o ônibus executivo em que Richard e Charlotte, assim como os outros, tinham entrado. Notaram que era o alvo dos olhares de vários colegas que ainda estavam do lado de fora do ônibus e de outros que colocavam suas cabeças pela janela do ônibus; mas nenhum deles estava incomodado em ser alvo de suas atenções por este motivo.

            Charles e Jane subiram para o ônibus e Will e Elizabeth seguiram atrás deles. Quando chegaram à porta do ônibus, o sr. Robson estava parado a esta com uma lista dos alunos do segundo grau. Ele procurava o nome dos alunos que subia para o ônibus e marcava um X ao lado; uma forma de controle dos alunos em todos os ônibus. Tal processo demorava um pouco, mas era necessário. Então, Will e Elizabeth permaneceram parados diante dele por um tempo, tempo em que ele procurava por seus nomes na lista e marcava o X ao lado. Isto sendo feito, o sr. Robson ainda os fitou com interesse, parando o olhar sobre as mãos dadas do mais novo casal por um tempo. Dando um muxoxo e revirando os olhos, permitiu que eles subissem para o ônibus.

            Will subiu a frente e guiou Elizabeth pela mão até o fundo do ônibus. Todo o caminho que percorreram dentro do ônibus, pelo seu longo corredor, foram alvo de mais olhares de seus colegas. Pessoas chegavam a se levantar de suas cadeiras para poder olhá-los e ainda faziam comentários com os seus vizinhos de poltrona.

            Ao passar pela poltrona em que Caroline estava sentada com a sua amiga Sabrina, a viram ficar boquiaberta e com uma expressão de tamanha fúria; o que fez Elizabeth sorrir ainda mais. Os dois seguiram seu caminho, fingindo que não tinha notado o estado dela.

            Passaram por Lydia, Mark, George e Valerie. Lydia e George ocupavam as poltronas das janelas, sentados de lados opostos do corredor. Estavam sentados de lado, para poderem conversar com os seus vizinhos de poltrona, de forma que ficavam olhando um para o outro constantemente. Quando viram Will levando Elizabeth pela mão para as poltronas do fundo do ônibus, onde Richard houvera conseguindo guardar seus lugares – ameaçando verbalmente cada aluno das outras séries que tentassem ocupar os lugares que ele estava guardando, fazendo Charlotte rir descontroladamente – pararam de conversar com os seus acompanhantes, para observá-los também.

--Mas... olha só isso! - Lydia exclamou, pondo-se de joelhos em sua poltrona para observar Elizabeth e Will continuar a seguir para o fundo pelo corredor do ônibus.

            Catherine, quem estava sentada na poltrona atrás da poltrona em que Lydia estava sentada, conversando distraidamente com Daniel, ergueu-se em sua poltrona e ficou de joelhos como Lydia, para poder ver a mesma coisa que ela estava olhando.

--E ela que dizia que não estavam namorando! - Lydia resmungou, baixinho, para Catherine, quem riu.

--As coisas mudam! - Catherine comentou, voltando a se sentar em sua poltrona e a conversar com Daniel.

--Eu que o diga! - Lydia replicou, em seu tom de voz normal, olhando para a sua amiga conversar tão amistosamente com Daniel, quando há poucos dias se dizia apaixonada por Richard; então, voltou a se sentar e olhar para George, sentado do outro lado do corredor, acompanhado por Valerie, enquanto ela estava sentada ao lado de Mark. - Eu que o diga! - Disse a si mesma, em um pequeno lamento.

            Charles e Jane sentaram-se às poltronas vagas ao fundo do ônibus, do lado oposto a que Richard e Charlotte haviam se sentado. Will e Elizabeth ocuparam as duas poltronas vagas à frente das poltronas em que Richard e Charlotte haviam se sentado. Richard pôs-se de pé e debruçou-se sobre a poltrona de Will, já lhe questionando.

--Ah, então foi isso o que aconteceu na festa de casamento que você não quis contar, hem? - A Will, rindo-se do primo.

            Will virou o rosto para cima, para olhar o primo e o encontrou com um sorriso zombeteiro nos lábios. Charlotte também se pôs de pé e Elizabeth sentou-se de lado, para poder olhar para a amiga direito.

--Vocês estão namorando? - Ela perguntou a Elizabeth, quem olhou para Will, como se redirecionasse a pergunta a ele.

--Sim. - Will respondeu, sem hesitar. Depois, franzindo a testa para Elizabeth, disse. - Certo?

--Certo. - Elizabeth respondeu, sorrindo para ele.

            Richard trocou um olhar significativo com Charlotte e os dois voltaram a se sentar em suas poltronas. Elizabeth recostou-se em sua poltrona e Will voltou a segurar em sua mão, entrelaçando seus dedos com os dela. Elizabeth se acomodou melhor em sua poltrona e deitou a cabeça no ombro de Will, começando a brincar com as dobras da manga da camisa de Will com a sua mão que ele deixara livre.    

            Menos de dois minutos depois, Will se remexeu em sua poltrona para poder olhar o rosto de Elizabeth e disse.

--Você não imagina a euforia da minha irmã esta manhã quando descobriu que estamos namorando. - Elizabeth virou o rosto para ele, mas não desencostou a cabeça de seu ombro. - Ela pulou da cadeira aos berros, quase derramou o suco que estava tomando e ficou me enchendo de perguntas... - Will relatou, contente, vendo o sorriso de Elizabeth iluminar os seus rosto.

--Eu posso imaginar! - Elizabeth afirmou, voltando a mexer nas dobras da manga da camisa dele. - Ela sempre fez campanha a seu favor, querendo que eu fosse sua namorada... Afirmando o quão gato e legal o irmão dela é! - Elizabeth comentou, num tom de deboche, mas igualmente contente.

--Minha irmã é uma menina muito honesta! - Will afirmou, veemente, fazendo Elizabeth rir.

--Sim, ela é muito honesta. - Elizabeth concordou, ainda rindo. - E você é bastante modesto! - Completou, ainda com tom de deboche, fazendo-o rir.

--Ahh, admita: eu sou o homem dos seus sonhos! - Will afirmou, no mesmo tom que ela usara. Conseguindo que Elizabeth ergue-se a cabeça, a retirando do ombro dele, e virasse o rosto em sua direção, olhando-o nos olhos, com uma expressão de falsa incredulidade estampada no rosto.

--Convencido! - Ela exclamou, aos risos. E Will gargalhou bem alto; alto o suficiente para ser ouvido pelas pessoas sentadas às primeiras poltronas do ônibus.

            Richard trocava olhares com Charlotte, ao entreouvir a conversa do mais novo casal e riam, um para o outro, em silêncio. Mas, ao ouvir a gargalhada de Will, Richard virou o rosto na direção de Charles e os amigos trocaram olhares de entendimento, então começaram a rir com Will também. Logo, os três casais ao fundo do ônibus estavam rindo descontroladamente; sempre que alguém tentava parar de rir, olhava para um dos outros e a vontade de rir voltava com toda a força.

            O sr. Robson subiu no ônibus e o silêncio reinou nele. A porta do ônibus foi fechada e o motorista ligou o seu motor, tirando-o da vaga do estacionamento que estava ocupando. Os ônibus deixaram o estacionamento da escola as nove e dez daquela manhã de sábado, seguindo viagem pelas ruas de Londres como um cortejo de ônibus executivos. Como Chessington World of Adventures fica a doze milhas da central de Londres, a chegada ao parque estava estimada para as dez horas da manhã – momento em que os portões do parque são abertos para os visitantes.

            Após dez minutos de viagem, os alunos começaram a se sentir a vontade e a percorrer o ônibus como se o sr. Robson não estivesse presente para controlá-los. Os três casais sentados às últimas poltronas do ônibus conversavam animadamente entre si, comentando sobre as suas expectativas para aquele passeio.  E sequer notaram o tempo passar, tendo a ligeira impressão de que chegaram ao parque muito antes do que esperavam.

            Os cinco ônibus executivos de Austen House entraram no estacionamento privativo do parque e estacionaram nas vagas apropriadas, um ônibus ao lado do outro. Os alunos logo ficaram excitados, ficando de pé e ansiosos para sair do ônibus. Aqueles alunos que estavam sentados às janelas colocavam as suas cabeças pela janela e espiava o movimento lá fora.

            O sr. Robson levantou-se de sua poltrona e exigiu silêncio, o que conseguiu com muita dificuldade. Passou um sermão nos alunos pela algazarra que estavam fazendo, informando que deviam se comportar ou voltariam para casa sem nem ao menos pisar no parque. Quando todos os alunos voltaram a se sentar em suas poltronas e ficaram em silêncio, ele pegou a sua prancheta e começou a ler uma lista de regras que esperava que todos seguissem – em sua maioria, referentes à segurança. Só após isto permitiu que o motorista abrisse a porta do ônibus e ordenou que os alunos, educadamente, levantassem-se de suas poltronas , um a um, e o seguissem para fora do ônibus.

            Os três casais foram os últimos a descerem do ônibus, porque estavam sentados ao fundo deste. Quando Jane e Charles passaram ao lado da poltrona de Elizabeth, ela se ergueu da sua. Mas Will a segurou pela mão e a fez esperar Charlotte e Richard passarem por eles também, os deixando percorrer um bom espaço do corredor antes de se levantar de sua poltrona.

            Elizabeth, durante estes minutos, observava Will sentado em sua poltrona, totalmente tranqüilo, com uma expressão desconfiada no rosto. Quando ele se levantou de sua poltrona e se aproximou dela, a envolvendo pela cintura, Elizabeth já fazia uma idéia das intenções dele. Will a beijou de forma a compensar pelo rápido, embora delicioso, beijo que lhe dera ao se cumprimentarem àquela manhã. E só depois disso deixou que ela tomasse o mesmo caminho que os outros, indo em direção a saída do ônibus; a seguindo.

            Os dois foram os últimos a sair do ônibus e se juntarem ao aglomerado de colegas de colégio enfrente aos ônibus executivos. Jane e Charles estavam de mãos dadas, conversando com Richard e Charlotte, parados lado a lado. Elizabeth encostou ao lado de Jane e Will parou às suas costas, a envolvendo pela cintura. Elizabeth descansou os seus braços sobre os dele e recostou a cabeça em seu ombro.

            Elizabeth olhou os rostos a sua volta, procurando por Lydia e Catherine. As vendo um pouco mais a frente. Lydia estava de mãos dadas com Mark, mas lhe dava pouca atenção. Ficava olhando muito para George; quem estava parado um pouco mais adiante a ela, ainda acompanhado por Valerie, mas que ficava olhando para trás de tempos em tempos para ver onde Lydia estava e o que estava fazendo.

            Catherine, por sua vez, estava parada entre Lydia e Daniel. Ela estava com o olhar fixo na sra. Godmann, enquanto Daniel ficava virando o rosto na direção dela, para poder olhá-la, constantemente. Elizabeth sorriu ao notar a expressão de admiração que se apoderava do rosto dele quando olhava para a amiga dela, quem estava inconsciente de estar sendo observada por ele.

            Elizabeth ainda estava olhando para Catherine, quando a viu virar o rosto na direção de Daniel com uma expressão de surpresa – o vendo com o olhar direcionado a sra. Godmann – e depois abaixar o olhar para a própria mão, qual estava segura pela mão de Daniel.

--Ele segurou a mão dela! - Elizabeth exclamou, chamando a atenção de Will, Jane, Charles, Richard e Charlotte.

--Do que você está falando, Lizzie? - Will perguntou-lhe, ao ouvido.

            Elizabeth virou o rosto de lado, de forma a poder olhar para Will, e respondeu a sua pergunta.

--Danny está segurando a mão de Kitty! - Voltando a virar o rosto na direção de Catherine e Daniel.

--Ele está?! - Jane e Charlotte exclamaram, animadas. E, imediatamente, olharam na direção em que Catherine e Daniel estavam, de mãos dadas.

--Oohh, tão bonitinho! - Jane exclamou, admirada.

            Will, Charles e Richard trocaram olhares confusos, pensando: “gente, eles só estão de mãos dadas! Não há nada demais nisso!” Pois, na opinião deles, Daniel e Catherine já era um fato praticamente consumado, como casais, pela forma que estiveram tão juntos durante as últimas horas. Bem, se não formarem um casal, pelo menos ficariam durante este passeio.

            Mas Elizabeth e Jane sabiam o quão importante era o fato de sua amiga Catherine estar se interessando por Daniel; significa que ela não está mais interessada em Richard, quem está interessado em Charlotte e, pelo caminhar das coisas, não demoraria muito tempo para se declarar a ela – assim espera Elizabeth.

--Você está sempre atenta ao que acontece a sua volta? - Will voltou a questionar Elizabeth, falando-lhe ao ouvido.

--Somente quando diz respeito às minhas amigas. - Elizabeth respondeu com sinceridade, olhando rapidamente para ele. Depois voltou a olhar na direção de Catherine e sorrir.

--Liz,... - Will murmurou ao seu ouvido, conseguindo que Elizabeth virasse o rosto de lado e olhasse para ele. Will sorriu para ela, inclinando a cabeça para o lado e beijando os seus lábios.

--Aha! Consegui! - Georgiana exclamou, apontando a câmera fotográfica de seu celular na direção do seu irmão e Elizabeth, abraçados e se beijando. - Tirei uma foto de vocês dois se beijando! - Ela exclamou, alegremente, exibindo a imagem que capturara para Jane, Charles, Richard e Charlotte, que se reuniram entorno dela para ver a foto.

            Will soltou Elizabeth e deu a volta entorno dela, acercando-se de sua irmã. Richard e Charles voltaram o rosto na sua direção, com uma expressão de divertimento no rosto.

--Me dê esse celular agora! - Will exigiu de sua irmã; quem ergueu o olhar para ele e o viu se aproximando dela, com a expressão de poucos amigos no rosto.

--Não! - Replicou, dando passos para trás.

--Georgiana, eu quero o celular! - Will continuou a andar na direção dela; se perguntando: “de onde ela saiu? E que idéia é essa de tirar uma foto minha beijando Lizzie?!”

--Não! - Georgiana respondeu e, dando-lhe às costas, saiu correndo.

--Georgiana! - Will gritou, com a intenção de correr atrás dela; mas sentiu alguém segurar em sua mão e contê-lo. Ao virar-se, viu que fora Elizabeth; e ela estava sorrindo.

--Deixe-a! - Ela disse, despreocupada.

--É, Will! - Charles comentou, rindo. - É só uma foto de vocês se beijando, nada demais!

--Exatamente! - Richard o ajudou a zombar de seu primo. - Na verdade, uma foto até bonita! - Comentou, com ar de piada. - Acho que Georgiana tem talento para fotografia, acho que ela daria uma excelente paparazzi! - Charlotte, Jane, Charles e, até, Elizabeth riram da piada de Richard; o único que não riu foi Will, quem dirigiu um olhar azedo ao primo, como se lhe dissesse : “ha-ha, muito engraçado!”, num tom de ironia.

            Will voltou a se postar atrás de Elizabeth e a envolvê-la pela cintura, permanecendo em silêncio. Enquanto os seus amigos ainda riam-se dele. Elizabeth voltou a encostar a cabeça no ombro dele e virar o rosto de lado, para poder olhá-lo. Ele tinha um semblante sério, que a fez querer zombar dele também.

--Você não devia ficar zangado com a sua irmã. - Garantiu a ele, com um tom de seriedade em sua voz. - Afinal, se não fosse por ela, eu não teria me dado o trabalho de dirigir o meu olhar em sua direção uma segunda vez! - Completou, já ganhando o tom de gozação em sua voz ao dizer-lhe isto.

--Ahh é, é?! - Ele a questionou, fingindo-se de ofendido. - É, mesmo?! - Tirando os braços de volta dela e começando a fazer-lhe cócegas. Fazendo Elizabeth gargalhar gostosamente.

            Um pouco afastada deles, Caroline observava a cena indignada. Não conseguia compreender o que tinha acontecido. Como era possível Will preferir Elizabeth a ela. É um absurdo!

            Seis outros ônibus executivos chegaram ao estacionamento privativo de Chessington World of Adventures, ocupando as vagas restantes logo após o último ônibus executivo da Austen House. Pouco tempo depois, as portas dos ônibus foram abertas e os alunos de Johnson's High desceram do ônibus, precedidos ou pelo coordenador da escola ou por professores desta. E se juntaram ao grupo de alunos, professores e coordenadores de Austen House.

            E, finalmente reunidos, puderam entrar no parque temático e zoológico – Chessington World of Adventures.

            O grupo das duas escolas atravessaram o portão de entrada do parque e pararam um pouco após os portões de entrada. Os dois coordenadores, juntamente com os professores de Austen House – que serviam de acompanhantes àquele passeio – dividiram o aglomerado de alunos da Austen House em dois grupos, o grupo dos alunos do segundo grau e o grupo de alunos do ginásio.

            A sra. Godmann e dois outros professores do ginásio de Austen House ficaram responsáveis pelo grupo de alunos do ginásio, os guiando em direção a Toytown, onde ocorreria as atividades da gincana programadas para os alunos do ginásio – quais consistiam em: corrida de saco, jogos de resistência e jogos de inteligência. Enquanto o sr. Robson e outros professores do segundo grau de Austen House ficaram responsáveis pelos alunos do segundo grau; responsáveis pela administração das atividades programadas para eles.

            Os alunos de Johnson's High, assim como os alunos da Austen House, estavam vestidos com blusas de diferentes cores e com o emblema da escola; foram igualmente divididos em dois grupos e o grupo de ginásio da Johnson's High juntou-se ao grupo de ginásio da Austen House, tomando o caminho pelo parque até Toytown; enquanto o grupo do segundo ano permanecia à entrada do parque, juntamente com o grupo de segundo grau de Austen House.

            Elizabeth ficou observando o momento em que os dois grupos foi dividido e a sra. Godmann os encaminhou em uma direção norte do parque, enquanto o seu grupo permanecia parado. Viu quando Georgiana caminhava com as suas amigas – um pouco nervosa e, ao mesmo tempo, animada com a perspectiva daquela gincana – e Owen juntou-se a ela, destacando-se de seu grupo e caminhando em sua direção. Ficou feliz ao ver a menina sorrir para ele, quando ele veio ao seu encontro, e, ainda mais, quando viu a reação das amigas de Georgiana quando um menino de outra escola dirigiu-se a ela com tanta intimidade – as suas coleguinhas ficaram boquiabertas e verdadeiramente admiradas.

            Will, notando a distração de Elizabeth quando o sr. Robson começara a explicar as regras da gincana, olhou na mesma direção em que ela olhava. Ao ver a sua irmã caminhando lado a lado com Owen, enquanto as amiguinhas dela a seguiam – aos cochichos e risinhos – sentiu uma raiva o invadir. Elizabeth sentiu ele apertar o enlaço envolta de sua cintura e enrijecer o corpo. Virou o rosto em sua direção e notou que ele olhava na mesma direção em que ela estivera olhando. Sorriu ao ver o semblante sério e carrancudo que ele tinha naquele momento.

--Vamos, Will. Você já devia estar acostumado. - Ela comentou, recebendo um olhar frio dele.

--Eu nunca vou me acostumar. - Ele replicou. - E pensar que foi você quem arranjou um namorado para ela... - Elizabeth revirou os olhos ao ouvir este comentário dele.

--Hum... que cara emburrada é essa?! - Ela inquiriu, virando-se de frente para ele, passando os braços envolta de seu pescoço e dando-lhe um pequeno beijo nos lábios.

--Srta. Abbott, agora não é hora para namoricos! - O sr. Robson a recriminou, chamando a atenção de todos os alunos de ambas as escolas.

            Elizabeth virou-se de frente para o coordenador mais uma vez, como se ele não houvesse lhe chamado a atenção – embora o seu rosto houvesse ficado ligeiramente corado de vergonha – e deu-lhe a sua total atenção. Caroline virou o rosto na direção do coordenador, indignada. Will ainda olhou para os rostos de alguns colegas a sua volta, muitos ainda olhando para ele e Elizabeth com curiosidade e divertimento – por terem sido repreendidos pelo coordenador na frente de todos. E viu que alguns alunos da Johnson's High ainda olhavam em sua direção – Madson e Caitlin os observava com olhar critico, como se avaliassem a situação; Kevin e Timothy sorriam para Will e Kevin chegou a fazer um sinal positivo para ele com uma das mãos; e Hank Hilton estava lhe dirigindo um olhar negro, mas, ao olhar para Elizabeth, nos braços de Will, sorriu maliciosamente.

            Elizabeth sentiu o enlaço de Will apertar envolta de sua cintura e o corpo dele voltar a enrijecer. Virou o rosto para ele de novo e o viu dirigir um olhar assassino a alguém do grupo de alunos da Johnson's High. Voltou o seu olhar a pessoa que Will fitava e reconheceu o menino como sendo o irmão mais velho de Owen – o vira na festa que acompanhara Mary e, mesmo que não o tivesse visto em tal ocasião, o reconheceria como sendo irmão de Owen unicamente em olhar para ele; os dois eram praticamente iguais fisicamente, a única diferença era que Hank é mais velho, mais alto e com um porte físico mais desenvolvido.

            Elizabeth balançou a cabeça negativamente e voltou a olhar na direção do sr. Robson. A esta altura, o coordenador já havia explicado todas as regras da gincana e Elizabeth não fazia idéia como esta seria porque não houvera dado atenção a nada de que o sr. Robson falara. Virou-se para Jane e pediu que ela lhe explicasse; Jane começou a fazê-lo, enquanto o sr. Robson começava a guiá-los até a praça enfrente a Hocus Pocus Hall – uma velha mansão mal assombrada. Will resolveu dar a sua atenção a Jane também, esquecendo-se Hank temporariamente, porque, assim como Elizabeth, não havia prestado muita atenção às regras do jogo.

 

 

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