Capítulo 44
Will entrou em seu quarto e fechou a porta; logo começou a se despir do blazer, a desfazer-se da gravata e desabotoar a camisa de linho. Já sem camisa, descalçou os pés e foi para o banheiro. Tomou um banho demorado, porque ficava se distraindo com facilidade. Depois do banho, colocou uma calça de moletom cinza escuro e uma blusa de manga cumprida de algodão branca. Secou os cabelos na toalha e deixou-os despenteados mesmo, deitando-se a sua cama.
Não conseguiu dormir. Ficou deitado, coberto com o edredom e fitando o teto de seu quarto, no mais completo escuro. Mas não conseguia dormir. Estava contente demais para conseguir dormir. O que o estava deixando agitado; sabia que quanto mais cedo dormisse, mais cedo acordaria e mais cedo estaria com ela novamente. Mas, simplesmente, não conseguia dormir.
Olhou o relógio-despertador a cabeceira de sua cama e viu que ainda eram quatro horas da manhã. Não havia conseguido dormir nada, até então, e não sentia nenhum indício de que ia conseguir dormir tão cedo. Colocou o relógio para despertar às sete horas e voltou a se deitar na cama, virando-se para o outro lado. Fechou os olhos e imaginou os olhos dela, começando a sorrir.
Ouviu o despertador tocar e imediatamente abriu os olhos, virando-se na cama e o desligando. Havia dormido! Ele não conseguia acreditar; sequer percebeu o momento em que conseguiu dormir. Sabia que a última coisa em que pensara fora Elizabeth, sem sombra de dúvida. Levantou-se da cama em um pulo, contente que finalmente havia amanhecido. E começou a se arrumar para o seu sábado de gincana escolar.
Quando saiu do quarto para tomar o seu café, viu a sua mãe entrando no quarto de Georgiana para acordá-la – Georgiana dormiria até as dez da manhã se a deixassem dormir. Will seguiu para a sala de jantar, onde a governanta estava colocando a mesa do café da manhã da família Darcy. Will cumprimentou Mirian com um “bom dia” com bastante gosto, sorrindo para a governanta. Quem logo percebeu que ele estava de excelente humor.
O sr. Darcy não demorou a se juntar ao filho a mesa do café da manhã, também recebendo um caloroso “bom dia” de seu filho. O sr. Darcy colocou uma xícara de café preto e abriu o seu jornal, começando a ler as principais notícias enquanto saboreava o seu café. A sra. Darcy logo juntou-se a eles, sendo seguida por uma Georgiana sonolenta e despenteada, ainda vestida com o seu pijama.
Georgiana sentou-se a cadeira a frente do irmão e começou a colocar suco em um copo, em silêncio. Will a observou atentamente, prevendo que não estaria à casa de Charles no horário combinado porque não havia a mínima possibilidade de Georgiana se arrumar em menos de trinta minutos neste animo em que ela se encontrava.
Foi somente com os seus resmungos quanto a este ponto que Georgiana ergueu o olhar para ele e veio a notá-lo. Então ela pareceu despertar para o dia, abrindo um sorriso intenso, ao lhe perguntar.
--Como foi a festa de casamento?! - Fazendo a sua mãe rir. - Você dançou com Lizzie? - E conseguindo que o sr. Darcy colocasse o seu jornal de lado e fitasse o filho com interesse. - Anda, Will, responde! Você dançou com Lizzie?!
--Era disso o que eu estava falando. - Will resmungou para a mãe, quem riu com mais gosto.
--Ahh, Will, não me diga que você não dançou com ela! - Georgiana exclamou, parecendo decepcionada com o irmão. - Você e a história de que não gosta de dançar! - Ela comentou com mesmo tom de voz. - Nunca assistiu a um filme romântico, não? Não sabe que é dançando que o mocinho ganha a mocinha?! - Questionou-o; perguntando a si mesma: “por que eu tenho um irmão tão incapacitado para estas coisas?!” - Como você espera conquistar Lizzie se não está disposto a fazer certas coisas?! - Voltou a questioná-lo, soando frustrada.
--Para a sua informação, eu não sou tão estúpido assim! - Will replicou, soando um pouco ofendido.
--O que você quer sugerir com isso? - Georgiana o interrogou, desafiadoramente; Will apenas ergueu uma sobrancelha para ela e dirigiu-lhe um olhar cheio de significados. - O que? Vai me dizer que vocês estão namorando de verdade desta vez?! - Ela questionou-o, usando um tom de sarcasmo na voz. Will lutou bastante para esconder o sorriso que queria brotar em seus lábios, mas não conseguiu apagar o brilho em seus olhos. - Estão?! - Georgiana quase pulou da cadeira de tão animada que ficou, vindo a balançar o seu copo de suco de laranja, caindo alguns respingos no seu pijama. - Mentira!!! - Mas não se importou; aquela era a melhor notícia que ele podia lhe dar. - Diga a verdade, Will! Vocês estão namorando? - Ela implorou.
Will percebeu que os seus pais também estavam interessados naquela resposta, porque ambos olhavam para ele com a mesma expectativa que Georgiana.
--Sim. - Will respondeu com tranqüilidade, tentando continuar a degustar de seu café da manhã.
--AAHH!!! - Georgiana deu um grito de felicidade, pulou de sua cadeira, deu a volta na mesa correndo, e parou ao lado de Will, o puxando pela manga da blusa que estava usando. - Como foi que você a pediu em namoro? O que você disse? O que ela disse?! - E começou a enchê-lo de perguntas, enquanto os seus pais assistiam a cena aos risos. - Vocês já se beijaram?
--Georgiana! - O sr. Darcy a recriminou; Georgiana, imediatamente, largou a manga da blusa do irmão e se conteve, retornando a sua cadeira.
--Dá para você tomar o seu café da manhã e ir se arrumar? - Will disse a ela. - Eu quero sair daqui o mais rápido o possível!
--Por que está ansioso para ver Lizzie?! - Georgiana perguntou, num murmúrio, entre um gole de suco e uma mordida em sua torrada, porque não conseguiu se conter. O sr. Darcy balançou a cabeça, negativamente, mas não fez nenhum comentário.
--Sim. - Will respondeu, também num murmúrio tímido. Os pais dos dois deixaram escapar uma gargalhada ao ouvir a resposta do filho e vê-lo ficar corado de vergonha.
--Eu prometo que como rapidinho! - Georgiana respondeu logo em seguida, voltando a ficar animada e agitada. Tentando devorar a sua torrada e beber o suco ao mesmo tempo.
--Georgiana, tenha modos! - A sra. Darcy chamou a sua atenção; no entanto, sem conseguir parar de rir. - Will, creio que você tem toda a razão quanto ao seu comentário de ontem... Ou seria de hoje mais cedo? - Comentou, descontraída, olhando para o filho com um sorriso nos lábios. - Mas... a sua irmã tem mais talento do que eu para extrair a verdade de você!
Georgiana comeu o mais depressa que conseguiu e correu para o seu quarto, para poder se arrumar para ir à escola com o seu irmão. As oito e quinze apareceu à sala de estar, onde o irmão estava – sentado ao sofá, lendo o jornal que estivera em mãos de seu pai durante o café da manhã. Os dois saíram de casa logo em seguida, com o destino: a casa de Charles.
Will parou o carro na porta da casa de Charles e desceu do carro, recomendando Georgiana a permanecer ao mesmo. Só iria tocar a companhia e chamar por Charles, retornando ao carro logo em seguida. No entanto, quando a governanta abriu a porta, foi informado que Charles ainda estava tomando café – Will precisou respirar fundo; “será que ninguém sabe ser pontual quando combina alguma coisa comigo?!”, se perguntava.
Precisou chamar Georgiana, travar as portas de seu carro e entrar na casa de Charles, para apressá-lo. Ficou um bom tempo lembrando a Charles que tinham horário para chegar à escola, já que a partida de ônibus da escola até Chessington World of Adventures – parque temático e zoológico, situado ao sudoeste de Londres, onde ocorreria à gincana da escola – estava marcada para as nove horas da manhã.
Georgiana, é claro, informou a Charles que a pressa do irmão para chegar à escola estava mais relacionada com o desejo de rever Elizabeth a preocupação em perder o ônibus da escola – porque, se este fosse o caso, poderiam ir até Chessington World of Adventures com o carro dele.
Charles riu ao ouvir isto, sem ter dúvidas quanto à veracidade do comentário de Georgiana, porque vira o estado que o amigo ficara no dia anterior. Mas, se tivesse alguma dúvida, a expressão de Will, de quem é pego em flagrante, seria o suficiente para confirmar as alegações de sua irmã. Os seus pais, no entanto, escutavam a conversa sem conseguir entender tudo perfeitamente.
Para o alivio de Will, Charles já estava pronto para ir à escola. Assim que terminou o seu desjejum, foi ao seu quarto unicamente para escovar os dentes e eles puderam sair de sua casa, seguindo viagem.
_______________________________
Elizabeth acordou com o seu despertador humano, Jane, sentando em cima dela. Jane houvera acordado com a mesma animação e felicidade com que fora dormir na noite anterior e ao entrar no quarto de Elizabeth, com bastante cuidado para não fazer muito barulho, correu até a sua cama e se jogou em cima da sua irmã caçula, rindo.
Elizabeth acordou com o susto de ser despertada daquela forma, mas logo começou a rir também. Esquecera-se rapidamente da momentânea irritação ao ser acordada por sua irmã quando estivera sonhando com ele, ao se lembrar que o veria em poucas horas. O conhecimento do dia que a esperava fazia com que se sentisse entusiasmada. Logo se levantou da cama e correu para o banheiro, mal conseguindo se conter de ansiedade de chegar à escola e encontrá-lo. Jane retornou para o quarto dela e também começou a se arrumar.
Elizabeth tomou banho e começou a procurar por uma roupa para usar. Escolheu uma calça jeans azul escuro, com vários bolsos nas laterais para que pudesse colocar seus documentos e dinheiro – já que não pretendia levar uma bolsa ou a sua mochila. A blusa que queria vestir – tanto por necessidade, quanto por beleza – não conseguiu encontrar em seu guarda-roupa. Ficou feito louca revirando cada canto de seu quarto em busca de sua única blusa de gola alta. A encontrou no cesto de roupa suja, já a tinha usado no meio da semana para ir à escola.
E logo ficou desesperada. Como faria para esconder aquela marca no pescoço sem a sua blusa de gola alta?! Foi ao quarto de Jane, procurar uma solução. Mas Jane não pode emprestar a blusa de gola alta dela porque já estava muito desbotada e não era a melhor roupa indicada para aquela ocasião. No entanto, Jane a aconselhou a escolher uma de suas blusas que combinasse com um de seus cachecóis.
Elizabeth retornou para o seu quarto e fez o que Jane havia lhe recomendado. Escolheu uma blusa de cor creme e pegou o seu cachecol de tons lilás para enrolar ao pescoço. Escolheu uma jaqueta no mesmo tom da blusa e deixou sobre a cama, junto ao cachecol, enquanto escovava os cabelos. Decidiu por deixá-los ondulados, para que tivesse mais volume e escondesse melhor a marca em seu pescoço. Então pediu o delineador de cachos de Jane emprestado.
Já vestida, cabelo feito, enrolou o cachecol entorno do pescoço enfrente ao espelho, com cuidado para cobrir a marca. E depois se juntou a irmã e aos seus pais à sala de jantar, para poder tomar o seu café da manhã. O sr. Abbott ainda estava com dúvidas quanto ao evento que as filhas estariam participando durante este dia. Não conseguia compreender como uma gincana em um parque de diversões poderia ser considerada como um evento de caridade.
--É porque não é. - Jane respondeu-lhe, enquanto tomava o seu café com leite e comia a sua torrada.
--Esta gincana é uma atividade de integração entre os dois colégios “rivais”... - Elizabeth completou. - Os eventos de caridade, em si, só serão realizados no mês que vem e à medida em que nos aproximamos do Natal. - Elizabeth ajudou a explicação da irmã, também tomando o seu café com leite e comendo uma torrada.
--Então, terão os recitais de música, em que os ingressos serão revertidos em doações... - Jane exemplificou.
--A campanha de doação de agasalho e mantimentos... - Elizabeth completou. - Como todos os anos acontece.
--Só que, este ano, todos estes eventos serão realizados em união com a Johnson's High. - Jane informou.
--Então, a direção das duas escolas decidiu fazer estas atividades agora para que nós ficássemos mais unidos. - Elizabeth concluiu, com um tom de pouca fé em suas palavras. Afinal, a gincana incitaria mais rivalidade, ao tornar as duas escolas oponentes durante as atividades.
As duas irmãs terminaram de tomar os seus cafés e Elizabeth recolheu as xícaras e pires de ambas, levando-os a pia de lavar pratos e começando a fazê-lo, enquanto os seus pais ainda terminavam de tomar o café da manhã deles. Enquanto Elizabeth lavava, Jane secava. Elizabeth jogou os cabelos para trás, juntamente com o cachecol, para que não molhasse, e começou a lavar as xícaras.
A sra. Abbott terminou de tomar o seu café e recolheu a sua xícara e pires, os levando a pia de lavar pratos. Parou ao lado esquerdo de Elizabeth e depositou a xícara e o pires dentro da pia. Elizabeth, imediatamente, pegou a sua xícara e começou a ensaboá-la. A sra. Abbott virou-se, para voltar a mesa do café e recolher a xícara e pires do sr. Abbott, mas algo chamou-lhe a atenção. Ela parou no mesmo instante e voltou-se para Elizabeth, já exclamando.
--Mas o que é isso?!
Elizabeth ficou paralisada, com as mãos ensaboadas, segurando a xícara e a esponja de lavar pratos; Jane voltou-se para olhar a mãe, também parando de secar as xícaras que Elizabeth já tinha lavado, e viu a sua mãe olhando justamente para o pescoço de Elizabeth. Jane fechou os olhos e começou a implorar a Deus para que a sra. Abbott não tivesse visto o que ela acreditava que a sua mãe tinha visto.
Elizabeth virou o rosto na direção da mãe, vendo a expressão de surpresa estampada na face da sra. Abbott e soube que ela tinha visto exatamente o que elas temiam.
--O que é o que? - O sr. Abbott inquiriu, ainda sentado em sua cadeira à mesa do café da manhã, mas preocupado com o que poderia ser, por causa do tom de voz da sua mulher.
Elizabeth e Jane dirigiram olhares clementes a mãe, implorando para ela não dissesse ao sr. Abbott o que tinha visto. E a sra. Abbott as compreendendo, replicou.
--Está vendo a forma que a sua filha está lavando as xícaras? - Voltando-se para olhar o marido com uma de suas expressões de desgosto no rosto. - Ela nunca aprende nada do que lhe ensino! - Resmungou. - Também, ela nunca me dá ouvidos! - Voltando-se para as duas filhas, quais já tinham uma expressão de alivio estampada em seus rostos. - Deixe isso aí, que eu mesma o farei. - A sra. Abbott ordenou. - Vá terminar de se arrumar para ir ao colégio! - Elizabeth e Jane obedeceram, deixando o que estiveram fazendo pela metade e saindo da cozinha o mais depressa possível.
Elizabeth e Jane subiram a escada e seguiram para os seus quartos sentindo os seus corações baterem acelerados. A sra. Abbott tinha visto a marca no pescoço de Elizabeth e, por muito pouco, o sr. Abbott também não tomava conhecimento de tal marca. Elizabeth correu para o banheiro e começou a escovar os dentes. Depois, voltou a desenrolar o cachecol do pescoço e enrolá-lo de novo, com bastante cuidado para cobrir a marca. Arrumou os cabelos mais uma vez, para que ficassem escondendo a marca também. E se prometeu não prender o cabelo em momento algum durante este dia e tomar cuidado em não colocá-lo atrás da orelha tão pouco. Não queria correr nenhum risco.
Quando estava pronta para sair do quarto, a sra. Abbott interceptou o seu caminho ao entrar em seu quarto e fechar a porta às suas costas. Elizabeth ficou apreensiva quanto ao que ela fosse lhe dizer. A sra. Abbott a mandou sentar-se a sua cama e tirar o cachecol do pescoço; Elizabeth a obedeceu, hesitante. A sra. Abbott afastou o cabelo de Elizabeth da frente e a fez inclinar o rosto para o lado direito, ao segurar em seu queixo. Observou atentamente a marca em seu pescoço e deu um muxoxo.
Jane entrou no quarto de Elizabeth no exato momento em que a sra. Abbott começava a passar um de seus produtos de maquiagem em Elizabeth, um corretivo por sobre a marca em seu pescoço. Jane entrou no quarto em silêncio e fechou a porta, se aproximando da sua mãe e de sua irmã. Ficou parada ao lado da mãe, a observando espelhar o corretivo sobre a marca no pescoço de Elizabeth com a ponta dos dedos e depois, usando uma esponja e um pó de cor rosado, espelhar o corretivo, de forma que ficasse uma cor mais natural, ao invés do tom branco cor de massa de parede que o pescoço de Elizabeth ficara só com o corretivo.
--Aí está! - Ela disse, ao terminar, já começando a guardar os seus produtos de beleza. - Eu sabia que você não tinha ficado no salão de festa o tempo todo ontem. - Comentou, com o seu jeito natural de reprovar Elizabeth. - Vocês, meninas, parecem que se esquecem que eu já tive a idade de vocês! - Tanto Jane e Elizabeth a escutaram em silêncio; Elizabeth não conseguia acreditar que a sra. Abbott não lhe dera um sermão e ainda a ajudara esconder a marca em seu pescoço. - É melhor você continuar usando o cachecol, porque eu só consegui clarear a marca... - A sra. Abbott recomendou, já se encaminhando em direção a porta do quarto da filha caçula. - e não deixe seu pai ver isso! - Recomendou, dirigindo um olhar cheio de significado à filha, quem ainda estava sentada a sua própria cama, boquiaberta. - Ande, menina! O seu pai já deve estar esperando as duas lá embaixo para levá-las a escola! - A sra. Abbott as apressou, fazendo com que Elizabeth se erguesse da cama já enrolando o cachecol no pescoço e seguisse Jane, quem já se dirigia a porta do quarto.
As três mulheres desceram a escada, uma atrás da outra, e encontraram o sr. Abbott esperando por elas já ao pé da escada, com as chaves do carro em mãos.
--Estão prontas? - Ele questionou, quando elas alcançaram o último degrau da escada. - Vamos?
Jane se despediu da mãe e seguiu em direção a porta de casa, atrás de seu pai. Elizabeth deu um beijo no rosto da mãe, em um agradecimento silencioso, e foi atrás de sua irmã mais velha.
________________________________
Will estacionou o seu carro à vaga habitual do estacionamento da escola. Georgiana desceu do carro e esperou pelo irmão e Charles do lado de fora. Ela deu alguns passos em direção a escola e ficou a observar os seus colegas de escola chegarem também. Avistou cinco ônibus executivo parados mais adiante, onde vários de seus colegas de escola estavam reunidos, formando um colorido de cores. Charles e Will logo se juntaram a ela e os três se aproximaram do grupo à frente da escadaria de entrada da escola.
Ali foram recomendados a entrar na escola e a assinar a lista de presença, além de pegar as suas respectivas camisas referentes à suas salas – cada série tinha uma camisa de determinada cor, onde constava o emblema da escola à frente, as letras AH sobrepostas, e o nome do aluno atrás. Os três seguiram o que foi recomendado, indo para as suas respectivas salas e assinado a lista de presença, recebendo a sua respectiva camisa logo em seguida.
Charles e Will logo foram recomendados a vestirem as suas camisas, o que fizeram. Will vestiu a camisa verde musgo de manga curta por cima da camisa preta de manga cumprida que estava usando, tomando o cuidado de colocar o capuz da camisa preta para fora da gola da camisa verde musgo. E Charles fez o mesmo, pondo-a por cima de sua camisa cinza. Então se encontraram com Richard, sozinho. Ele já estava com a camisa referente à sua sala, igual às de Charles e Will. Só que estava com uma jaqueta jeans azul claro por cima desta. Ele parecia satisfeito de vê-los ali.
--E aí? - Inquiriu aos meninos. - Como foi a festa do casamento ontem? - Charles sorriu e olhou para Will.
--E aí, Will? Diz para ele como foi a festa de casamento ontem! - Disse, provocativamente.
--Ohh... o que foi que aconteceu? - Richard, percebendo a troca de olhares entre os dois amigos e a expressão do rosto de Will, uma mistura de satisfação e contrariedade, ficou extremamente curioso. - Conta, Will!
--É, conta, Will! - Charles fez pressão.
--Cadê George? - Will disse, fugindo daquela pergunta.
--Ahh, meu primo, nem lhe conto! - Richard exclamou, deixando Charles e Will preocupados. - Vamos ficar lá fora, para podermos ser um dos primeiros a entrar no ônibus quando for permitido entrar, e eu lhes contarei a mais nova de George/Lydia saga!
Os três amigos saíram da escola, caminharam até o carro de Richard, qual estava estacionado mais próximo dos ônibus, e ficaram conversando sobre George e Lydia encostados ao carro de Richard. Ele relatava para Will e Charles como houvera sido a sua noite de sexta-feira na companhia de George. Eles tinham decidido ir ao Basement, olhar o movimento; e encontraram-se com Lydia, Catherine e Charlotte.
Lydia, notando a presença de George, resolveu juntar-se a Daniel em sua mesa, onde ele estava acompanhado de dois outros amigos. Charlotte, por não gostar dos amigos de Daniel – porque também eram amigos de David – não quis acompanhar Lydia. Mas Catherine, sua fiel amiga, a acompanhou. Charlotte, então, desceu ao porão e ficou conversando com Mary, enquanto ela trabalhava.
George, notando a interação entre Lydia e os outros meninos, decidiu que faria o mesmo. Que não ficaria mais parado, enquanto ela ficava com um e com outro. Então, abandonou Richard sozinho e desceu ao porão. Quando Richard o seguiu, já o encontrou aos agarros com Valerie Hamilton.
--Valerie Hamilton?! - Will e Charles exclamaram juntos.
--É! Vocês sabem, aquela baixinha do primeiro ano! - Richard replicou.
--Eu sei! Mas... ela não é da sala de Lydia? - Will questionou.
--É esse mesma! - Richard afirmou e os amigos logo previram o resto da confusão.
--Quando Lydia apareceu no porão... - Richard fez uma careta e os meninos entenderam perfeitamente o significado. - Lydia saiu do porão furiosa e retornou cinco minutos depois, acompanhada por Mark Campbell ... e os dois começaram a se agarrar também. - Os meninos estavam boquiabertos com o relato de Richard. - Ficaram os dois ali, na pista de dança, praticamente um do lado do outro, se agarrando com pessoas diferentes!
Para a sorte de Richard, havia aproveitado a oportunidade para se aproximar de Charlotte. Ela estando desacompanhada das amigas, ficou muito mais fácil para ele tentar conhecê-la melhor. Como Mary estava ocupada, Charlotte não viu problema em aceitar o convite de Richard e acompanhá-lo de volta ao salão principal do pub londrino. Eles ocuparam uma mesa, pediram bebidas e ficaram o resto da noite conversando. Não houvera acontecido nada demais, mas Richard estava satisfeito de estar conquistando o seu espaço na vida dela aos poucos.
A conversa sobre as loucuras de George e Lydia, além da novidade sobre o seu avanço com relação a Charlotte, fez com que o assunto da festa de casamento fosse esquecido pelos meninos. No entanto, Will passou o tempo todo atento às pessoas ao seu redor, procurando por Elizabeth no meio daquela multidão de cores.
Will tinha notado que a blusa das turmas do 1º ano era rosa, para a insatisfação de todos os meninos do 1º ano – Will, Charles e Richard haviam escutado dois meninos reclamando da cor de sua blusa com sra. Godmann, coordenadora da escola; ela, por sua vez, lhe explicava que as cores haviam sido selecionadas por sorteio e que não havia nada que pudesse fazer. Will, Charles e Richard ficaram agradecidos por a camisa da turma deles ser verde e não rosa.
Já era dez para as nove e não havia sinal das irmãs Abbott. Charlotte apareceu do lado de fora da escola, vestida com uma blusa feminina verde musgo por cima da sua blusa branca e caminhou para perto dos meninos. Will logo lhe perguntou se ela tinha visto as irmãs Abbott – voltando a despertar a curiosidade de Richard quanto à festa de casamento que ele acompanhara Elizabeth na noite anterior; já havia notado que ele estava inquieto e que, de tempos em tempo, olhava para o seu relógio de pulso, de forma que a sua blusa de manga preta estava puxada para cima permanentemente.
Charlotte, para a inconformidade de Will, não havia visto as meninas Abbott e acreditava que nenhuma delas havia chegado ainda. As portas dos ônibus executivos foram abertas e a entrada dos alunos foi permitida. O coordenador, sr. Robson, informou aos estudantes, antes que eles entrassem nos ônibus, que dois dos ônibus executivos devia ser ocupado por estudantes do ginásio e os outros três pelos estudantes do segundo grau. Quis dividir os estudantes entre os ônibus por série também, mas recebeu vaias entusiasmadas de todos os alunos e foi obrigado a rever esta decisão. Ao fim, somente a primeira divisão foi mantida – mais por uma questão de organização lógica para acomodar todos os alunos que por questão de ordem de idade.
Richard sugeriu que entrassem em um dos ônibus, para conseguirem ocupar as últimas poltronas do ônibus, longe dos olhos e ouvidos dos professores e dos coordenadores da escola – se ocorresse de eles entrarem em um dos ônibus em que um dos coordenadores fosse responsável – antes que estas poltronas fossem ocupadas por outros colegas de escola e fossem obrigados a se sentarem às primeiras poltronas. Charlotte aprovou a sua idéia, mas Will não queria sair dali antes que Elizabeth chegasse. Queria entrar no ônibus com ela, para não correr o risco de entrarem em ônibus diferentes e viajarem separados.
Charles também quis esperar por Jane, então os dois ficaram encostados ao carro de Richard e Charlotte e Richard seguiram em direção a um dos ônibus executivos sozinhos. Charles e Will se entreolharam, ao verem a imagem daquele novo casal andando lado a lado até o ônibus, satisfeitos de terem uma boa desculpa para deixá-los sozinhos. Sabiam que Richard estava agradecido por isto também.
Pouco tempo depois que Richard e Charlotte entraram no ônibus, Will e Charles viram George e Valerie entrarem no mesmo ônibus que Richard e Charlotte entraram, estavam de mãos dadas; seguindo a eles, Lydia – com a blusa rosa de sua sala e saia jeans preta, com botas pretas – e Mark – de blusa azul marinho, calça jeans e jaqueta jeans – também de mãos dadas, entraram no mesmo ônibus; e, seguidos a eles, Catherine – blusa rosa igual à de Lydia, calça jeans branca – e Daniel – blusa azul marinho e calça jeans de mesmo tom – entraram no mesmo ônibus.
Will voltou a olhar para o seu relógio. Cinco minutos para as nove e não havia sinal das irmãs Abbott. Já estava perdendo a paciência. Disse a Charles para ligar para o celular de Jane, para saber onde ela estava. Se soubesse o celular de Elizabeth, ligaria ele mesmo. E ficou se recriminando por ainda não ter perguntado a ela qual era o numero de seu celular.
Quando Charles tirou o celular do bolso, para ligar para Jane, as viu vindo na direção deles.
--Ali estão elas! - Disse, animado, a Will, já colocando o celular de volta no bolso de sua calça jeans.
Will virou o rosto na direção em que Charles estava olhando e ficou a observando caminhar em sua direção, com um olhar vidrado.














