Capítulo 43
Os dois entraram no salão lado a lado e se encaminharam para a mesa em que estiveram sentados. Não disseram mais nada um ao outro. E quando ocuparam os seus lugares a mesa, ainda estavam agitados e bastante constrangidos.
Demorou certo tempo para que os dois conseguissem voltar a se comportar normalmente. Will ficava sempre olhando de relance para a mesa em que o sr. Abbott estava sentado, com receio de que o tio de Elizabeth resolvesse juntar-se a ele e contar o que tinha visto. “Não que ele tenha visto muito, Lizzie e eu... Nós só estávamos...”, ele pensava, todas as vezes que voltava a olhar para o sr. Abbott.
Charles e Jane iam e viam para a mesa, dançando umas músicas agitadas e outras lentas. Mas Elizabeth e Will não voltaram a se levantar, Elizabeth sequer cogitava mais esta possibilidade. Não queria correr o risco de se expor na frente de seus pais e parentes ao voltar a dançar com ele.
O bolo da noiva finalmente foi cortado e, aos poucos, os convidados foram servidos. O que os levou a ficar mais sentados em suas mesas a dançar na pista de dança. Madeleine, prima das irmãs Abbott de 3º grau, veio ao encontro delas, em sua mesa, trocar algumas palavras. Primeiramente, dirigiu-se as suas duas outras primas que estavam sentadas a mesma mesa, com as quais tinha mais contato. Depois passou a fazer perguntas a Jane e a Elizabeth sobre as suas vidas – nada extremamente direto, como sua avó fizera; mas Elizabeth notou que a conversa logo tomaria tal rumo. Principalmente porque ela ficava olhando de soslaio para os meninos a cada dois minutos.
Mas Elizabeth não imaginava que ela acabaria por descobrir o que viera saber de outra forma. Ela estava falando de sua vida escolar, sobre a universidade que freqüentava, enquanto olhava de Charles para Jane e de volta para Charles. Jane continuava a ouvi-la atentamente e não fazia muitos comentários. Ela então começou a falar sobre os rapazes de sua universidade, dando como exemplo o seu acompanhante. Então ficou em silêncio, esperando o comentário de Jane. No entanto, Jane permaneceu calada, como se não houvesse percebido a sua intenção.
Madeleine, então, voltou-se para Elizabeth – sabia que esta prima, pelo menos, nunca poupara palavras quando tinha algo a dizer. E, como fizera com Jane e Charles, olhou de Will para Elizabeth e de volta para Will. Mas, notando algo, voltou a olhar para Elizabeth, um pouco alarmada.
--O que é isto em seu pescoço? - Ela interrogou, apontando para uma parte do pescoço de Elizabeth que estava amostra graças ao penteado que havia feito no cabelo.
--O que?! - Quase todos a mesa inquiriram, voltando-se para olhar Elizabeth; estavam levemente preocupados, pelo tom de voz que Madeleine usara parecia que Elizabeth tinha algum inseto em seu pescoço.
--Aquilo! - Ela continuou a apontar, enquanto Elizabeth passava a mão em seu próprio pescoço, procurando pelo que ela se referia. - Isto é uma marca de chupão, não é?! - Madeleine exclamou, exageradamente, ainda apontando para o pescoço de Elizabeth. - Isto é uma marca de chupão! - Ela garantiu; fazendo com que Elizabeth mudasse rapidamente a cor de seu rosto, de branco para um vermelho escarlate.
--É, definitivamente, a marca de um chupão! - Uma das suas outras primas confirmou, já começando a rir.
Elizabeth não sabia o que fazer. Não imaginava que havia uma marca, muito menos que pudesse aparecer tão rápido – nunca tinha estado nesta situação antes, como poderia saber? Todos a mesa estavam olhando para ela, a única pessoa que não estava era Charles. Ele, no entanto, estava olhando para o seu amigo; quem estava branco feito papel e completamente mudo, olhando para Elizabeth sem piscar uma só vez.
--Quem lhe deu um chupão? - Madeleine questionou, dando o golpe final.
Todos a mesa olharam de Elizabeth para Will – Jane estava boquiaberta e ficando tão vermelha quanto a irmã, de vergonha por ela. Charles estava sorrindo, tentando se controlar para não gargalhar como fizera umas duas vezes antes só aquela noite. Enquanto os primos de Elizabeth dirigiam um olhar acusador a Will, as primas desta o olhavam com desejo.
--Quer dançar, Lizzie? - Will perguntou, já se erguendo de sua cadeira.
Elizabeth sequer respondeu, levantou-se de sua cadeira e os dois se afastaram da mesa em que estiveram sentados. Seguiram lado a lado até o meio da pista de dança e viraram-se de frente um para o outro. Will, automaticamente, a abraçou pela cintura e Elizabeth, igualmente, ergueu os braços e passou as mãos envolta de seu pescoço. Começaram a dançar a música lenta que estava tocando, sem dar muita importância a sua letra.
Jane e Charles também decidiram ir dançar. Caminharam para perto de Will e Elizabeth e se abraçaram, sem dizer-lhes nada. Embora Charles ainda lutasse para não rir, não pretendia tirar sarro de seu amigo naquele momento – deixaria para fazê-lo quando estivessem a caminho de casa.
Will e Elizabeth ainda estavam pensando no que tinha acabado de acontecer naquela mesa. Não dirigiram mais o olhar naquela direção, sabiam que, provavelmente, ainda eram o foco da atenção de todos ali. Então, tentaram focar seus olhos em outros lugares.
Will voltou a olhar para a mesa em que os pais de Elizabeth estavam sentados, preocupado com o que o sr. Abbott faria ao descobrir que ele tinha deixado uma marca no pescoço de Elizabeth. Ela, por sua vez, ficava olhando para a sua mãe, imaginando o escândalo que a sra. Abbott faria ao descobrir que ela tinha uma marca de chupão no pescoço.
Ambos decidiram parar de se atormentar com tais preocupações, voltando o olhar um para o outro. Então, lhes ocorreu que voltaram a se colocarem na mesma situação que causara a marca no pescoço de Elizabeth, vindo a se afastarem um do outro simultaneamente. Por sorte, a música lenta acabou ao mesmo tempo e outra agitada não demorou a começar.
Elizabeth ficou olhando para Will, como se conseguisse ler em seu rosto que ele não gostava de dançar aquele tipo de música – ou, melhor, que não estava nem um pouco interessado em dançar, naquele exato momento.
--E agora? - Ela o questionou, porque já não sabia o que podiam fazer ali. Parados de pé, um de frente para o outro, no meio da pista de dança, enquanto outros casais dançavam a sua volta, não podiam ficar.
Will hesitou só por um minuto, então tomou-lhe a mão e a guiou até a saída do salão de festa. Caminhou decidido em direção a igreja, voltando a subir os degraus da escada de uma das portas laterais da igreja, levando Elizabeth consigo pela mão. A igreja estava fazia, eles não encontraram ninguém pelo caminho – nenhum tio, mãe ou, até mesmo, padre. Mas Elizabeth ficava pensando que, não importava o quão deserto ali estivesse, ela não ficaria com ele dentro da igreja.
Will continuou a andar decidido, levando Elizabeth pela mão. Ela não resistia a ele, ainda. Então, eles atravessaram a igreja e saíram pela outra porta lateral, descendo os degraus da escada e caminhando entre os carros ao estacionamento privativo da igreja. A esta altura, Elizabeth já fazia uma boa idéia de onde ele a estava levando.
Assim que alcançaram o carro dele, ambos pararam de andar. Will continuava a segurá-la pela mão e eles ficaram parados, lado a lado, de frente para o carro dele, sem dizer nada um ao outro. Elizabeth ficava pensando: “ok! Nós estamos aqui. E agora?”, enquanto Will se dizia: “você já tomou a atitude de trazê-la aqui, onde ninguém vai incomodá-los, agora é só...”, e voltou o rosto na direção dela – Elizabeth ainda estava olhando para o carro dele, voltando a ficar extremamente nervosa. Aquele suspense estava acabando com ela. Ela estava começando a acreditar que ia acabar tendo um problema cardíaco, se o coração dela continuasse a ficar acelerando e desacelerando com tanta freqüência assim.
Will voltou-se de frente para Elizabeth e a fitou nos olhos; Elizabeth começou a sentir as suas pernas fraquejarem, enquanto se dizia, mentalmente: “é agora!”. Will deu dois passos para trás e se encostou em seu carro, da mesma forma que estava quando ela o viu pela primeira vez àquela tarde. Ele começou a puxá-la para si pela mão que ainda segurava, até que ela estava próxima o suficiente para que ele pudesse envolvê-la pela cintura com a outra mão, a puxando para si com mais facilidade.
Elizabeth estava respirando fundo várias vezes, tentando acalmar-se, enquanto ele continuava a trazê-la cada vez mais para perto dele. Até o ponto em que sentia a respiração forte dele em seu rosto. Elizabeth mal conseguia olhá-lo nos olhos, mantinha o olhar fixo naqueles lábios. Will soltou a mão dela, passando a sua mão suavemente em seu rosto e erguendo o seu queixo, para que ela o olhasse nos olhos. Quando ela o fez, ele se inclinou em sua direção. Elizabeth prendeu a respiração e fechou os olhos. E ele a beijou!
Will despejou todo o seu desejo naquele beijo, sendo respondido com mesma paixão por Elizabeth. Após o primeiro toque dos lábios, ela perdeu o nervosismo e se entregou ao beijo. Passou as mãos envolta do pescoço dele e passou os dedos pelo seu cabelo, suavemente. Afinal, era o que ela estava desejando há quase uma semana – era só nisso que conseguia pensar e sonhar. Enquanto que Will acreditava que não conseguia pensar em outra coisa, senão beijá-la, desde que se conheceram.
Quando o beijo foi encerrado, Will exclamou, ainda com os olhos fechados e os lábios encostados ao dela.
--Você não faz idéia há quanto tempo eu queria fazer isso! - Em um sussurro.
--Tanto quanto eu queria que você fizesse, eu espero! - Elizabeth replicou, também em um sussurro abafado.
Will abriu os olhos e a fitou; Elizabeth fez o mesmo, quando sentiu ele se afastar para olhá-la. E pensou: “meu Deus, eu disse isso em voz alta!”, ao olhá-lo nos olhos, o vendo sorrir contentemente para ela. Vindo a ficar ruborizada.
Will sorriu ainda mais ao vê-la corar de vergonha, a beijando novamente, ainda mais empolgado.
Quando o segundo beijo foi encerrado, Elizabeth escondeu o rosto no ombro de Will – sentia o seu rosto arder de rubor sobre o olhar intenso que ele estava lhe dando. Sentia a respiração ofegante dele em seu ouvido, quando ele disse.
--Está mesmo acontecendo? - Fazendo com que o coração dela batesse mais forte em seu peito ao som de sua voz. - Você e eu... É real, certo? - Elizabeth concordou, com aceno de cabeça, sem voltar a olhar para ele. - Só você e eu? - Ele perguntou, nervosamente.
Elizabeth parou de esconder o rosto no ombro dele e se afastou um pouco, para poder fitá-lo nos olhos, ao dizer-lhe isto.
--Era eu quem devia estar lhe perguntando isso! - Com uma pitada de sarcasmo no seu tom de voz.
--Eu sei. - Will respondeu, devolvendo-lhe um olhar culpado. - Foi estupidez minha aceitar aquele desafio.
--Não me diga! - Elizabeth replicou, com ironia.
Will sabia que ele merecia aquilo; com toda certeza, aceitar aquele desafio foi a maior de suas burrices.
--Eu só queria ficar com você! - Ele confessou, numa tentativa de se justificar.
--Não foi o que pareceu! - Elizabeth comentou, ainda sem ceder um centímetro; não importava que houvesse gostado de ouvi-lo confessar que queria ficar com ela.
--Você não sabe a tortura pela qual eu passei! - Ele comentou, tentando ganhar um pouco de compaixão da parte dela.
--Fala sério! - Deixando-a ainda mais irritada.
Elizabeth tentou se soltar dele, o empurrando e tentando tirar os braços dele de sua cintura. Mas Will apenas a apertava mais, assegurando-se de que ela não sairia de seus braços.
--Eu estou falando sério, Lizzie! - Will disse, afoito, ainda lutando para mantê-la em seus braços. - Eu não queria sair com nenhuma daquelas meninas! - Garantiu, sem desviar os seus olhos dos dela.
--Então por que saiu? - Elizabeth inquiriu, parando de tentar se soltar dele, mas sem voltar a abraçá-lo.
--Eu sou um idiota! - Will respondeu.
--Você é. - Elizabeth concordou, ainda resistindo à vontade que sentia de voltar a passar as mãos envolta do pescoço dele.
--Eu gosto de você! - Will murmurou, apertando o enlaço envolta de sua cintura. - Gosto muito de você! - E começou a deslizar uma das mãos pela linha de sua coluna, a pousando no meio das suas costas, e a puxando mais para si. E voltou a beijá-la.
Eles permaneceram ao estacionamento privativo da igreja pelo resto da festa de casamento da prima de Elizabeth, encostados ao carro de Will, namorando. Como o frio aumentava com o passar das horas e o vestido de Elizabeth era tomara-que-caia, ela passou a sentir muito frio nos braços. Para se aquecer, abriu o blazer de Will e enfiou os braços por debaixo dos dele, por dentro do blazer, o abraçando. Apoiou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos, enquanto ele acariciava suas costas e a linha de seu pescoço.
Will achou a marca que deixara no pescoço de Elizabeth e ficou passando a ponta dos dedos por ela. Não fazia idéia que tinha feito aquilo, que tinha deixado aquele tipo de marca em seu pescoço.
--Admirando a sua obra de arte?! - Elizabeth inquiriu, de forma zombeteira.
Will deixou escapar uma gargalhada abafada ao ouvido dela, que fez com que os pelos de sua nuca arrepiassem. Ele, então, disse.
--Eu não queria fazer isso. - Elizabeth desencostou a cabeça de seu ombro e voltou-se para olhá-lo nos olhos, com as sobrancelhas erguidas, num olhar inquisidor. - Quero dizer, eu não pensei que ia ficar marcado. - Ele se corrigiu.
--Ahh! - Elizabeth disse, sorrindo.
--Por falar nisso, adorei este penteado! - Ele comentou, passando as pontas dos dedos na linha de seu pescoço, sedutoramente, antes de se inclinar e distribuir beijinhos no pescoço dela, a fazendo rir.
--Will! - Elizabeth exclamou, tentando fazê-lo parar. Estava fazendo cócegas, ela não conseguia parar de rir.
Will parou de beijar o seu pescoço e voltou-se para beijá-la nos lábios. Um beijo ardente e intenso.
Charles e Jane receberam ordens da sra. Abbott para ir procurar por Elizabeth e Will, quando ela notou a ausência deles no salão de festa. Estivera à procura de suas filhas quando a noiva anunciou que iria jogar o buquê de flores e só conseguiu encontrar Jane e Charles.
O casal procurou pelos outros dois pelo salão, aos arredores do salão, no gazibo e até na igreja. Só após procurar por todos estes lugares exaustivamente, ocorreu a Charles que eles podiam ter ido para o carro de Will. Então, os dois seguiram para o estacionamento privativo da igreja.
Assim que saíram pela porta lateral da igreja que levava ao estacionamento, viram a sombra dos dois encostados ao carro de Will. Charles e Jane se entreolharam, sorrindo, ao perceber que eles estavam abraçados. Desceram os degraus da escada e caminharam entre os carros, indo em direção ao carro de Will. À medida que se aproximavam, notaram que eles não estavam só abraçados, mas também estavam se beijando. Um beijo que deixou tanto Charles, quanto Jane, vermelho feito tomate de vergonha por presenciá-lo (imagina só: um casal de tomates!)
Eles continuaram a se aproximar deles, fazendo o máximo de barulho que podiam a cada passo, tentando ganhar a atenção do casal beijoqueiro. Sem ter sucesso, porque Will e Elizabeth continuaram a se beijar, ausentes para o mundo ao seu redor. Charles e Jane pararam de andar a uma curta distância e Charles começou a pigarrear alto, para chamar a atenção dos dois.
--Hum-hum! - Ele repetiu, pela terceira vez, sem conseguir separar o casal por um segundo sequer.
Estava começando a se perguntar se eles não iam parar por um instante, ao menos, para recuperar o fôlego. Quando Jane exclamou, num tom de voz que só a sra. Abbott usava.
--Elizabeth Ann Abbott!
E, imediatamente, Elizabeth se afastou de Will, pondo-se a cerca de três passos largos longe dele. Voltando-se para olhar Jane, esperando ver a sua mãe, com a expressão no rosto de quem é pega fazendo uma grande travessura. Deixando Will encostado ao carro, completamente atordoado, como se houvesse levado uma paulada na cabeça, sem fazer a mínima idéia do que tinha acontecido.
--Nunca mais... - Elizabeth exclamou, zangada, apontando um dedo acusador a Jane. - faça isso de novo!
--Desculpe! - Jane respondeu, sorrindo de forma culpada para ela.
--Por um instante, eu realmente acreditei que minha mãe estava aqui! - Elizabeth exclamou, ainda irritada.
--Sra. Abbott? - Will despertou de seu delírio. - Onde? - Desencostando-se do carro e ajeitando a sua roupa e cabelo.
Charles e Jane começaram a rir dele; rir, não, gargalhar. Ele estava hilário.
--Minha mãe não está aqui, Will. - Elizabeth garantiu a ele, também sorrindo; não podia negar, ele estava engraçado, por estar preocupado em ter sido pego dando uns amassos nela por sua mãe. - São só Charles e Jane. - Informou-lhe.
--Ahh. - Will replicou, aliviado.
Ele logo voltou a se encostar a seu carro e a puxar Elizabeth pela mão para perto dele, voltando a abraçá-la. Elizabeth, no entanto, permaneceu de frente para Jane e Charles, de lado para Will, encostada nele. Quem tinha as duas mãos envolta dela.
--Posso mandá-los embora? - Ele sussurrou ao ouvido dela, fazendo com que ela virasse o rosto em sua direção, com uma falsa expressão de incredulidade no rosto, e sorrir. - Sério; posso?! - Will repetiu a sua pergunta e Elizabeth sorriu ainda mais.
--Mamãe nos mandou procurá-los. - Jane informou, fazendo com que Elizabeth voltasse a olhar para ela e Charles. - Chloe já jogou o buquê e mamãe queria que nós o pegássemos.
--Como se eu quisesse me casar tão cedo! - Elizabeth replicou, voltando as costas para Will e se recostando a ele; pousando os braços sobre os dele, que ainda estavam envolta dela.
--Nunca se sabe! - Charles comentou.
--Por favor! - Elizabeth virou o rosto para Charles e disse. - Eu tenho certeza que você e Jane se casarão antes de... - E hesitou em completar a frase como surgira em sua mente. - mim. - Concluiu, modificando-a.
--Lizzie! - Jane a reprovou pelo seu comentário, envergonhada.
Mas Charles estava mais interessado na parte da afirmação de Elizabeth que ela hesitara.
--Talvez não! - Charles comentou, rindo-se. - Certo, Will?
Will não respondeu nada; apenas, apertou mais o enlaço envolta de Elizabeth e sussurrou em seu ouvido.
--Agora? Deixa-me mandá-los embora agora! - Fazendo Elizabeth rir.
--Bem, ...é melhor a gente voltar para o salão. - Jane disse. - Todos nós. - Acrescentou. - Antes que mamãe ou papai venha nos procurar para nos fazer voltar para o salão em pessoa. - Apressou-se em explicar, porque Will não parecia muito propenso em aceitar a sua sugestão.
--Está certo! - Elizabeth respondeu. - Nós devemos ir. - Ela disse, voltando-se para Will. - Ou você quer esperar por meu pai aqui? - O que serviu para convencer Will.
--Tudo bem, então. - Ele concordou, não tinha escolha.
E os quatro voltaram para o salão de festa. Quando reapareceram na frente do sr. e sra. Abbott, a mãe das meninas exigiu que Elizabeth explicasse onde estivera. Elizabeth disse-lhe que estivera no salão de festa, dançando quase o tempo todo, só resolvendo passear pelo parque quando a noiva anunciou que iria jogar o buquê. A sra. Abbott logo resmungou que não conseguia entender a filha, mas o sr. Abbott a olhou desconfiado. Contudo, não fez nenhum comentário.
A festa do casório ainda persistiu pela madrugada adentro, mas os Abbott resolveram ir para casa um pouco depois da meia noite. E, assim, despediram-se de alguns parentes – se fossem despedir-se de todos, não sairiam de lá antes do sol nascer – e seguiram para a frente da igreja, onde o sr. Abbott tinha estacionado o carro.
Os meninos acompanharam os Abbott até o carro, para se despedirem das meninas só no último instante. O sr. e a sra. Abbott notaram que Will e Elizabeth estavam muito mais próximos; estavam sempre de mãos dadas, como Charles e Jane sempre estavam.
--Eu vou te ver amanhã? - Will perguntou a Elizabeth, enquanto se dirigiam ao carro do sr. Abbott.
--Claro. - Elizabeth replicou, naturalmente.
--Mesmo? - Will questionou, desconfiado por causa da forma que ela dissera aquilo.
--Claro, bobo. - Elizabeth voltou a dizer, virando o rosto em sua direção e sorrindo. - Amanhã é a gincana do colégio, se esqueceu?
--Ahhh... Certo. - Will replicou.
--Então? Você vai me ver amanhã. - Elizabeth parou de andar, ao alcançarem o carro do pai dela, e virou-se de frente para Will. - O dia todo. - Completou, sorrindo com malicia. - Tchau! - E, ficando na ponta dos pés, lhe deu um beijo no canto da boca (não podia beijá-lo na boca, porque seus pais estavam olhando).
--Tchau. - Will respondeu, quando ela entrou no carro, respirando fundo.
Os Abbott ainda esperaram pelos meninos apontarem na esquina da rua no carro de Will para poder seguir viagem, porque as meninas informaram ao pai que os meninos tinham tido dificuldade de encontrar a igreja e o sr. Abbott achou que seria melhor que voltassem juntos. Assim, Will seguiu o carro do sr. Abbott por mais da metade do caminho, até chegarem ao ponto em que cada um precisou seguir direções diferentes. Ele parou o carro ao lado do sr. Abbott, buzinou em agradecimento e tomou seu caminho, enquanto o sr. Abbott seguiu o seu.
O resto do caminho para casa àquela madrugada foi bastante tranqüilo. Enquanto a sra. Abbott conversa animadamente com o seu marido sobre os acontecimentos da festa e todas as histórias que ouvira de suas parentes, as suas filhas olhavam pela janela do carro, repensando os momentos maravilhosos daquela noite. O sr. Abbott, de tempos em tempos, olhava pelo retrovisor para as duas filhas; ambas estavam em silêncio, mas, de vez em quando, as via sorrir uma para outra.
O carro foi estacionado em frente à casa dos Abbott e os ocupantes desceram do carro, dirigindo-se a sua casa. Elizabeth deixou que seus pais caminhassem a sua frente, tomando o devido cuidado de nunca ficar com o seu perfil esquerdo amostra a nenhum deles. Até então, o sr. e a sra. Abbott não faziam idéia da marca que ela tinha no pescoço e Elizabeth queria ter certeza de que isso continuaria assim – já se perguntando: “quanto tempo demora para sair?”
Entraram em casa e a sra. Abbott já começou exclamar o quanto estava cansada, mas contente – porque a noite havia sido um sucesso. O sr. Abbott não demorou a se despir do blazer do seu terno e se desfazer da gravata. As irmãs, no entanto, deram “boa noite” aos seus pais e subiram a escada, indo para os seus respectivos quartos.
Elizabeth começou a desfazer o seu penteado enfrente ao espelho do banheiro, levando bastante tempo analisando a marca que tinha no pescoço. Era uma marca bastante viva, dificilmente poderia ser confundida com outra coisa. Este era o problema de ter a pele assim branquinha. Jane, por ter os cabelos loiros e olhos claros, tinha tal característica mais em evidência. No entanto, Elizabeth tinha os olhos escuros e cabelos escuros, a sua pele alva só ficava em evidência quando acontecia de se machucar com alguma coisa – arranhões e contusões logo se sobressaiam.
Olhar aquela marca fazia com que ela se lembrasse do que a causara. No mesmo instante ela se sentia como se estivesse de volta àquele gazibo, de volta aos braços dele. E vinha a sorrir de orelha a orelha. Via o seu reflexo no espelho, sorrindo para si mesma, e se sentia uma boba. Uma boba muito contente!
Voltou a se concentrar em seu penteado. Escovou o cabelo, já com o penteado desfeito, e o prendeu no alto da cabeça. Com o cabelo longe do rosto, começou a retirar a maquiagem com um removedor de maquiagem que Jane comprara para ela no começo deste mês – já que ela ia começar a sair sempre com Will, precisaria se maquiar (mesmo que um pouquinho); então, o removedor de maquiagem próprio seria bastante útil.
Sem a maquiagem, despiu-se do vestido e foi tomar um banho relaxante. Depois do banho, vestiu seu pijama do Piu-piu e se deitou na cama. Ainda não estava com sono e não acreditava que ficaria com sono tão cedo. Ficava pensando nele o tempo todo, o que a mantinha desperta. Então Jane entrou em seu quarto, também já estando pronta para dormir.
Elizabeth sentou em sua cama e Jane sentou ao seu lado. E começaram a conversar sobre os acontecimentos da festa – em especial, sobre os meninos.
--...Então, é, sem dúvida, uma marca de chupão? - Jane finalmente fez a pergunta que queria fazer desde a festa, deixando Elizabeth envergonhada.
--Jane!!! -Elizabeth exclamou, escondendo o rosto no travesseiro.
--Deixe-me ver! - Jane pediu, arrancando o travesseiro da mão de Elizabeth.
--Jane, por favor...! - Elizabeth apressou-se em se levantar da cama e correr de Jane.
--Deixe-me ver! - Jane começou a correr atrás de Elizabeth, dentro do quarto; as duas aos risos.
--Não! - Elizabeth exclamou, ainda correndo de Jane. - Pare!
--Meninas! - O sr. Abbott abriu a porta do quarto de Elizabeth, fazendo com que as duas filhas parassem de ficar correndo em círculos pelo quarto. - Vocês duas já não deviam estar dormindo? - Ele inquiriu, observando-as se entreolharem e prenderem risinhos. - Não precisam acordar cedo amanhã... para ir ao tal festival?
--Gincana. - Jane e Elizabeth disseram juntas, o corrigindo.
--Então? - Ele replicou. - Vão dormir!
Acatando a ordem do pai, Jane saiu do quarto de Elizabeth ainda prendendo uma risada. O sr. Abbott desejou “boa noite” a sua filha caçula e fechou a porta de seu quarto; voltando-se para a sua filha mais velha e desejando “boa noite” para ela também, caminhou para o seu próprio quarto. Jane foi para o seu quarto e deitou-se em sua cama, mas ainda sem conseguir dormir. Estava tão feliz em ver a irmã feliz.
Elizabeth se deitou na cama, ainda com vontade de rir. Ficou fitando o seu teto, ouvindo o seu coração se acalmar aos poucos. E voltou a pensar nele. “Será que ele está pensando em mim?”
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Will não via a hora de chegar a casa, ir para o seu quarto, deitar na sua cama e dormir, para que o sábado pudesse chegar logo e ele pudesse vê-la de novo. Charles, sentado ao seu lado, o observava atentamente, enquanto ele se concentrava em dirigir. O via sorrir para si mesmo a cada dois minutos. Tentou conversar com ele sobre a festa, mas Will só sabia sorrir quando ouvia o nome de Elizabeth.
--Anda, Will, conte-me algo! - Will virou o rosto na direção de Charles.
--Você disse alguma coisa? - O questionou.
--Conte-me algo sobre a festa! - Voltou a pedir.
Will voltou a virar o rosto para frente, deixando de olhar para Charles.
--Will?! - Charles exclamou.
--O que?! - Will questionou, começando a rir.
--Me conte! - Charles, praticamente, implorou.
--O que você quer saber? - Will rebateu, ainda rindo.
--Tudo! - Charles respondeu, já ficando mais animado.
--Tudo o que? - Will replicou, voltando a olhar para Charles, com um sorriso nos lábios.
--Você sabe! - Charles replicou, perdendo a paciência; Will voltou a rir. - Sobre você e Elizabeth.
--Você estava lá, Charles! - Will respondeu, voltando a sua atenção à direção. - Você viu; o que mais quer que eu conte?
--Eu não vi como tudo aconteceu! - Charles respondeu.
--Tudo o que?! - Will continuou se fazendo de desentendido.
--O chupão! - Charles exclamou, fazendo com que Will virasse o rosto na sua direção; a expressão no rosto dele era de surpresa.
--Charles! - Will exclamou, incrédulo. Charles não podia estar mesmo esperando que ele relatasse como fizera aquilo.
--O que? - Charles ainda estava esperando a resposta de Will a sua pergunta.
--Chegamos. - Will respondeu, aliviado, ao parar o carro em frente à casa de Charles. - Até amanhã! - Apressou-se a desejar, antes que o amigo tentasse continuar com o diálogo.
--Qual é, Will? - No entanto, Charles permaneceu dentro do carro. - Quando você precisa dos nossos conselhos – dele e dos outros meninos – para resolver os seus problemas com Elizabeth, você sabe contar tudo para a gente... E agora que está tudo certo, você fica escondendo o jogo!
--Está certo, então. - Will replicou, desligando o carro e voltando a olhar para Charles. - Se você põe as coisas desse jeito, conte-me como é com você e Jane e eu lhe conto como é comigo e Elizabeth. - Will afirmou, acabando com a expressão de expectativa do amigo.
--Ham... Boa noite! - Charles disse, abrindo a porta do carro e saindo.
--Boa noite! - Will respondeu, aos risos. Sabia que Charles não ia querer discutir as intimidades dele com Jane. - Ahh... Quer que eu passe aqui amanhã de manhã? - Perguntou a Charles antes que ele se afastasse muito do carro. - Ou você vai com o seu carro?
--Você pode passar aqui. - Charles replicou; sabia que se Will não o fizesse, era capaz de ele se atrasar para a gincana, já que estava indo dormir tão tarde esta noite.
--Está certo, então. Eu passo aqui amanhã, oito horas. - Will informou, voltando a ligar o seu carro.
Dirigiu por menos de cinco minutos e já estava em casa. Estacionou o seu carro em frente a sua casa, desligou os faróis e o motor, desceu do carro e fechou a porta, a travando com o controle remoto. Encostou-se a porta do carro já fechada e ficou olhando o céu, sentindo o cheiro do ar frio da madrugada de outono. Ele fechou os olhos e por um minuto voltou ao estacionamento privativo da igreja, quando a tinha em seus braços. A voz dela ressoou em sua mente: “Admirando a sua obra de arte?!”; ele deixou uma gargalhada escapar só de pensar nisso.
--Não acha melhor entrar e se deitar em sua cama antes de começar a sonhar? - Will abriu os olhos ao ouvir a voz de sua mãe e a achou parada à porta de casa. - É, realmente... Você voltou para casa cedo... - Ela comentou, olhando para o seu relógio de pulso. - Cedo para amanhã! - Concluiu, recebendo um sorriso culpado do filho.
--Como a senhora sabia que eu já estava de volta? - Ele perguntou, desencostando-se do carro e caminhando na direção dela.
--Estive lhe esperando e ouvi o seu carro, quando você estacionou aqui em frente de casa. - A sra. Darcy replicou, deixando o filho entrar em casa, fechando a porta às suas costas. - Como foi o casamento? - Perguntou-lhe, fingindo-se de desinteressada.
--Bom. - Will respondeu, dirigindo um olhar de entendimento a sua mãe.
--Bom? - Ela perguntou. - Só “bom”? - A sra. Darcy persistiu, enquanto Will já começava a sorrir. - Pela gargalhada que escutei ao abrir a porta e a expressão do seu rosto ao olhar para o céu, eu diria que foi muito mais que “bom”! - Will voltou a gargalhar ao ouvir isso.
--A senhora está me saindo tão curiosa quando Georgiana! - Will comentou, já se encaminhando ao seu quarto.
--Oh, já está de volta? - O seu pai perguntou, ao cruzar com ele à escada.
--Sim. - Will parou à escada para falar com o seu pai.
--Tão cedo? - O sr. Darcy questionou, olhando para o próprio relógio de pulso.
--Frederick! - A sra. Darcy exclamou, ao pé da escada. - Já passou de meia noite há muito tempo! - Ambos voltaram-se para olhá-la.
--E daí? - O sr. Darcy disse. - Will já é um homem! - Ele argumentou, botando a mão no ombro do filho, com orgulho.
--Homem?! - A sra. Darcy replicou, evidentemente contrariada. - Ele é um menino!
Will sorriu, desejou “boa noite” aos pais e seguiu para o seu quarto. Deixando os pais continuando a ter aquela conversa que, ele (Will) sabia, não teria fim. Os pais nunca concordariam neste ponto. A sua mãe nunca aceitaria que ele já é crescido, enquanto o seu pai já começava a vê-lo como realmente era.














