Citações

As mulheres sempre superestimam facilmente a admiração dos homens ― e os homens fazem de tudo para mantê-las nessa ilusão!(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XLII

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Capítulo 42

 

Elizabeth deu a volta em sua cadeira e caminhou até Will, parando atrás da cadeira dele. Inclinou-se em sua direção, ao mesmo tempo em que deslizava a sua mão direita pelo braço direito dele e segurou em sua mão, dizendo-lhe ao ouvido.

--Dança comigo.

            Will sentiu os pelos de sua nuca arrepiar e instantaneamente se ergueu de sua cadeira, deixando Charles boquiaberto, os observando. Os primos de Elizabeth desejaram poder ser Will naquele momento. Enquanto Charles começou a rir, incontroladamente, ao ver o amigo ser levado para a pista de dança por Elizabeth.

            Elizabeth o guiou com tranqüilidade entre as mesas até o meio do salão de dança, ainda o puxando pela mão. E Will se deixou levar por ela, sem hesitar ou resistir, apenas admirando a linha de seu pescoço, que o penteado que ela fizera deixava a mostra. Ela parou no meio da pista e virou-se de frente para ele.

--Seems like everyone else has a love just for them

(Parece-me que todo mundo tem um amor só deles)

            Ela começou a cantar a música, acompanhando a cantora da banda. E, erguendo a mão esquerda dele, colocou-a ao meio de suas costas. Vindo a ficar mais próxima dele que jamais estivera antes.

--I don’t mind, we have such a good time my best friend

(Eu não me incomodo, porque nós nos divertimos muito, meu melhor amigo)

            E, voltando a deslizar a mão sobre o braço dele, colocou a sua mão esquerda no ombro dele, enquanto segurava a mão direita dele ao alto.

--But sometimes... Well

(Mas, às vezes... Bem,)

I wish we could be more than friends

(Eu queria que fossemos mais que amigos)

            E eles começaram a dançar. Sem que ela deixasse de cantar a música, acompanhando a banda.

--Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

oh..
            Will podia jurar que nunca tinha se encontrado numa situação como esta antes. Agora, estando ali com ela, não sabia como tinha resistido a este momento por tanto tempo. Estando assim tão próximos, podia sentir o seu perfume, ver o brilho dos seus olhos, o contorno dos seus lábios se mexendo enquanto ela pronunciava as palavras daquela música com tanta suavidade.

--I get so breathless when you call my name

(Eu fico sem ar quando você chama meu nome)

I've often wonderd, do you feel the same?

(Eu, muitas vezes, pergunto-me, você sente o mesmo?)

There's a chemistry, energy, a synchronicity

(Existe uma química, uma energia, uma sincronia)

When we're all alone

(Quando estamos sozinhos)

So don't tell me

(Então, não me diga)

You can't see

(Que não consegue vê)

What im thinking of

(No que eu estou pensando)

            Elizabeth ficou completamente ruborizada ao perceber o que estivera cantando para ele – uma coisa era ela se sentir daquele jeito, outra, totalmente diferente, era confessar que se sentia assim. 

I can understand that you don't want to cross the line

(Eu posso entender que você não quer ultrapassar os limites)

And you know I can't promise you things will turn out fine

(E você sabe que eu não posso te prometer que tudo dará certo)

            Will ficou surpreso quando ela parou de cantar tão de repente. Estava gostando de tê-la em seus braços, cantarolando a música como se o estivesse fazendo só para ele. Não conseguia entender o que podia estar roubando a sua concentração desta forma, a ponto de ela não conseguir cantar uma música. Já a tinha visto cantarolar músicas enquanto fazia outras coisas sem perder a concentração. Então, desta vez, devia ser algo realmente importante.

But I have to be honest, I want you to be mine

(Mas, eu tenho que ser honesta, eu quero que você seja meu)

Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

oh...

            Apertou o seu enlaço por sua cintura, a trazendo mais para perto de si, num gesto possessivo, enquanto fazia com que dessem uma volta de 360º, sem sair do mesmo lugar, procurando a origem da distração dela. Não havia ninguém olhando para eles, a não ser os seus acompanhantes de mesa – Charles e Jane ainda estavam sentados e Charles ainda estava rindo feito bobo, observando eles.

I get so breathless when you call my name

(Eu fico sem ar quando você chama meu nome)

I've often wonderd, do you feel the same?

(Eu, muitas vezes, pergunto-me, você sente o mesmo?)

            Voltou a olhar nos olhos dela, notando que ela estava bastante corada, olhando para qualquer direção, menos para ele. Continuou a apertar o enlaço em volta de sua cintura, continuando a trazê-la mais para perto dele. Queria que ela voltasse a olhar em seus olhos.

There's a chemistry, energy, a synchronicity

(Existe uma química, uma energia, uma sincronia)

When we're all alone

(Quando estamos sozinhos)

So don't tell me

(Então, não me diga)

You can't see

(Que não consegue vê)

Oh!

            Will segurou o pulso do braço direito dela e levou a mão dela até o seu próprio pescoço, a depositando lá; finalmente, conseguindo que ela voltasse a lhe olhar nos olhos. Então, deslizou a sua mão direita pelo braço direito dela, acariciando a sua pele, e a pousou no meio de suas costas. Ainda apertando o enlaço por volta de sua cintura.          

Cause I've tried to do this right in your own time

(Porque eu tentei fazer isso do jeito certo, na hora certa)

            Elizabeth sentia o seu coração bater mais acelerado, as suas mãos estavam suando e podia jurara que, se ele não a estivesse segurando pela cintura, tinha caído ao chão. Não conseguia mais desviar os olhos dos dele, que parecia penetrar em sua alma com uma enorme facilidade.

I've been telling you with my eyes

(Eu estive lhe dizendo com os meus olhos)

My heart's on fire

(Meu coração está pegando fogo)

Why dont you realise?

(Por que você não percebe?)

            O perfume dele a estava deixando inebriada. Malmente conseguia controlar a vontade louca que sentia de passar a mão, que estava em sua nuca, por seu cabelo. E se viu a levar a mão esquerda, que ainda estava ao ombro dele, para perto da sua mão direita, ajudando-o a aproximá-los mais ainda.

Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

Tell me do you know?

(Diga-me: você sabe?)

            Will deixou a sua mão passear pela linha da coluna dela, por sobre a sua pele nua, acima da linha do vestido. Ela tinha uma pele tão suave e gostosa. A viu morder o lábio inferior, nervosamente, com o seu toque.

I get so breathless when you call my name

(Eu fico sem ar quando você chama meu nome)

I've often wonderd, do you feel the same?

(Eu, muitas vezes, pergunto-me, você sente o mesmo?)

            Sentia-se cada vez mais tentado a beijá-la. Vindo a sentir uma sensação tão gostosa quando ela não resistiu mais a tentação e passou a mão por seu cabelo, voltando a arrepiar os pelos de sua nuca. E ela voltou a acompanhar a música.

--There's a chemistry, energy, a synchronicity

(Existe uma química, uma energia, uma sincronia)

When we're all alone

(Quando estamos sozinhos)

            Os lábios dela estavam muito convidativos para ele continuar a resistir. Já não conseguia parar de olhar para eles, enquanto ela pronunciava aquelas palavras. A sua boca já estava completamente seca. Precisava beijá-la; sentia como se a sua vida dependesse disso!

--So don't tell me

(Então, não me diga)

You can't see

(Que não consegue vê)

What I’m thinking of

(No que eu estou pensando)

            A viu fechar os olhos e a boca tomar a forma de um perfeito coração, convidativa, quando se inclinou para beijá-la. Então, fez o mesmo, sentindo o seu coração bater tão forte em seu peito, que jurava que ela podia sentir também. Fechou os olhos e inclinou-se em direção a sua boca.

--Lizzie! - A voz estridente da sra. Abbott ressoou aos ouvidos de ambos e eles voltaram a abrir os olhos, afastando-se um pouco (mas ainda abraçados). – Aí está você, menina! – A sra. Abbott pegou Elizabeth pela braço direito. - Ahh, não olhe para mim deste jeito! - A recriminou; Will voltou a olhar para Elizabeth.  – Vocês vão ter muito tempo para namorar! – E a viu corar quando a mãe disse isso, o que o fez sorrir.  – A sua avó quer lhe ver! – E a sra. Abbott a arrancou dos braços de Will. – Ande! – E a arrastou pelo salão, entre outros casais dançando, a levando para longe de Will. – Depressa!

            Will ficou parado ao meio do salão, vendo a sra. Abbott levar Elizabeth para longe dele, com uma expressão no rosto de cão perdido. Voltou para a mesa, encontrando Charles, ainda assistindo a sua performance, sozinho. Jane não estava à mesa, sentada ao lado dele. Charles informou-lhe que a sra. Abbott também a tinha levado embora, achando graça da expressão de insatisfação do amigo.

--Para quem não gosta de dançar,... você me parecia muito ... a vontade! - Charles comentou, rindo-se de Will.

            Quando Elizabeth chegou à mesa em que sua avó materna estava sentada, encontrou Jane sentada ao seu lado, conversando. Como era de se esperar, ela estava inquirindo a Jane sobre o seu acompanhante ao casamento – desejando saber se eram namorados, há quanto tempo estavam namorando e se Jane estava apaixonada. Jane, como sempre, respondeu cada uma das perguntas com a maior sinceridade possível naquele momento, sem entrar em muitos detalhes, ficando vermelha como um tomate. E ficou satisfeitíssima quando a sua avó viu Elizabeth, acomodando-se à cadeira vaga ao seu outro lado, e mudou a direção de suas perguntas, as fazendo a Elizabeth.

            Jane apressou-se a erguer-se de sua cadeira, antes que a sua avó voltasse a lhe fazer novas perguntas, e, dirigindo um olhar de piedade a Elizabeth, saiu de fininho, retornando para a mesa em que os meninos estavam. Elizabeth passou a ser interrogada por sua avó com as mesmas perguntas que ela fizera a Jane sobre Charles, mas, desta vez, com relação a Will. Elizabeth também respondeu as perguntas de sua avó com toda a sinceridade que a ocasião permitia, ocultando alguns detalhes de sua relação com Will – principalmente, a parte em que namorou ele por duas semanas ao mesmo tempo em que quatro outras garotas – sem ficar tão corada quanto Jane.

            Foi liberada por sua avó quando outra prima fora trazida a presença de sua avó por sua própria mãe. Ficou aliviada, porque já estava cansada de explicar a sua avó que não estava namorando Will – mesmo que, ainda. A sua avó teimava em achar estranho tal relato, porque ele aceitara acompanhá-la até um casamento de sua prima e estivera dançando com ela na pista de dança – afirmando: “eu vi! Eu posso estar velha, mas ainda não estou cega!”.

            Quando estava indo em direção à mesa em que estivera sentada e os meninos se encontravam naquele momento, esbarrou-se em um jovem rapaz que, com certeza, não era um de seus primos. Ela e o jovem rapaz se voltaram um para o outro, com pedidos de desculpas pelo esbarrão na ponta da língua; mas, ao fim, o jovem rapaz exclamou outra coisa, quando a olhou nos olhos.

--Desculpe-me, eu não estava olhando para onde ia. - Elizabeth disse, sem prestar muita atenção em quem havia esbarrado.

--Elizabeth? - O jovem rapaz exclamou, conseguindo refrear Elizabeth. Ela parou de andar e voltou-se para olhá-lo. - Matthew, da loja de CDs do shopping. - Ele disse.

--Oh, oi! - Elizabeth o reconheceu, vindo a lhe dirigir um olhar amistoso. - Como vai?

--Bem, bem. - Ele respondeu. - E você? - Ele perguntou.

--Bem. - Elizabeth replicou.

--Você conhece a noiva ou o noivo? - Matthew inquiriu-lhe, tentando criar conversa.

--A noiva... Quero dizer, ambos. - Elizabeth respondeu. - Eu sou prima da noiva, mas conheci o noivo em outras ocasiões... Sabe como é, festas de família, Natal... Estes tipos de evento. - Explicou-lhe; desejava retornar a sua mesa, mas não custava ser educada com ele e permanecer em sua companhia por uns instantes. - E você?

--Ainda não os conheço. - Ele confessou. - Estou aqui com uma colega de classe da universidade. - Ele respondeu. - Madeleine. - Ele informou e apontou a sua acompanhante; quem era uma prima distante de Elizabeth, que ela não tinha muito contato.

--Ela é minha prima e, acho que, 3º grau. - Elizabeth respondeu.

--Mundo pequeno, hem? - Matthew comentou rindo. - Você quer dançar? - A pergunta dele a pegou de surpresa.

            “Como é que é?!”, Elizabeth olhou ao seu redor, nervosamente, esperando encontrar mais alguém ao seu lado. Ele não podia estar falando com ela. Acabara de lhe informar que estava ali com a sua prima e a convidara para dançar!

--Eu... Eu não acho que seja uma boa idéia. - Respondeu-lhe, já procurando uma brecha para se despedir e retornar para perto de Will; ocorreu-lhe que uma de suas primas poderia estar aproveitando a sua ausência para convidá-lo para dançar.

--Por que não? - Matthew perguntou, antes que ela pudesse lhe dar as costas.

--Você está aqui com a minha prima! - Elizabeth replicou, com um pouco mais de emoção do que pretendia; pensando: “que cara-de-pau!”.

--Nós somos só amigos! - Ele explicou, como se isso fosse o suficiente para convencê-la de estava tudo bem.

--Bem, eu... Eu não... - Elizabeth não sabia como se livrar dele, sem ser grossa. Tinha vontade de mandá-lo tomar vergonha na cara. - Eu estou... acompanhada... e... - Interrompeu a sua resposta ao sentir uma mão se enlaçar em sua cintura, quando Will parou ao seu lado, imponente.

            Elizabeth olhou para ele, o vendo dirigir um olhar aniquilador para Matthew, e depois voltou-se na outra direção, olhando para a mão dele, depositada a sua cintura, num gesto possessivo. Prendeu o sorriso que queria brotar em seus lábios e voltou a olhar para Matthew, dizendo-lhe, mas segura e de forma decidida.

--Obrigada pelo convite, mas ... não. - Matthew sorriu-lhe, um sorriso amarelo, e se afastou, constrangido.

            Elizabeth esperou Matthew se afastar um pouco e voltou a virar o rosto na direção de Will, para olhá-lo. Rindo-se, disse.

--Ohh, nossa! - Fazendo ele virar o rosto em sua direção e olhá-la nos olhos. - Eu tinha notado que você é ciumento, mas... não sabia que era tanto assim! - Disse-lhe, com um ar debochado.

--Quem disse que eu estou com ciúmes? - Will questionou-lhe, sem se abalar com as alegações dela.

--Ahh não?! - Elizabeth replicou, com um olhar impertinente. - E o que significa o olhar assassino que você dirigiu a Matthew e essa sua mão possessiva em volta da minha cintura?

--Que olhar assassino? - Will perguntou, fingindo-se de desentendido. - Eu olhei para ele como olho para qualquer um que não conheço. - Will replicou, enquanto Elizabeth dirigia-lhe um olhar de incredulidade. - E quanto a mão... Já lhe ocorreu que eu posso gostar de onde a minha mão está agora? - Ele a questionou, Elizabeth virou o rosto em outra direção e ficou corada.

            Will sorriu; conseguira inverter a situação. Então, ela disse.

--Nós só estávamos conversando. - Afastando-se um pouco, para virar-se de frente para ele. No entanto, ele ainda permaneceu com a sua mão a cintura dela.

--Eu vi. - Ele respondeu, com aquele jeito inabalável que Elizabeth estava começando a achar extremamente charmoso.

--Meu Deus! - Charles exclamou, ao se aproximar deles dois; estava rindo como rira quando Elizabeth levou Will para a pista de dança. - Devo confessar Elizabeth, ninguém mais exerce este tipo de poder sobre o meu amigo! - Jane cutucou Charles, tentando refreá-lo; mas ele a ignorou, continuando. - Eu nunca o vi atravessar um salão de festas tão rápido! E isso só porque te viu conversando com outro menino!

--Charles! - Will exclamou, branco feito papel.

--Aha! - Elizabeth exclamou, alegremente. - Eu sabia! Você estava com ciúmes! - Vindo a deixar rapidamente Will corado, completamente constrangido. - Ciumento! - Elizabeth ficou o abusando, enquanto Charles e Jane riam.

            Jane sugeriu que os quatro saíssem do salão de festa e fossem passear do lado de fora, ao parque. Tinha tido pouco tempo para apreciar a paisagem do parque ao outono quando saíram da igreja para vir ao salão de festa. Os quatro, então, saíram do salão por uma das quatro portas – estrategicamente posicionadas, uma oposta a outra, que se abria para fora – e começaram a caminhar pelo pequeno caminho de pedra.

A escuridão da noite já havia dominado todo o céu e o parque estava iluminado por seus pequenos postes de luz, de canos finos pretos e bolas brancas que se assemelhavam a lua, onde se encontravam as lâmpadas. Jane e Charles caminhavam à frente, de mãos dadas, e Will e Elizabeth os seguiam, lado a lado. Will queria segurar a mão de Elizabeth, mas estava hesitante. Sentia a sua mão formigar e o seu estômago estava dando voltas de ansiedade.

            Quando ele realmente tentou segurar a mão dela, Elizabeth ergueu a mão até o rosto para tirar uns fios de cabelo que ficavam voando para a sua boca, esbarrando na mão dele. Ela olhou na direção dele, mas ele estava olhando para frente. Então, ficou em dúvida se tinha imaginado que ele estava tentando segurar a sua mão. De qualquer forma, voltou a deixar a sua mão solta ao lado da dele, caso ele tentasse segurá-la de novo. Mas ele não o fez.

            Os dois casais alcançaram um pequeno gazibo não muito longe do salão de festas, ainda conseguindo ouvir a música que a banda estava tocando naquele momento e o barulho dos convidados, enquanto dançavam e conversavam. Jane ficou explicando a Charles como o gazibo é geralmente decorado na época de Natal e fica iluminado por pisca-pisa e outras decorações de Natal, enquanto Elizabeth e Will se fitavam a distancia, um encostado a uma pilastra oposta a do outro.

            De repente, o salão fez completo silêncio e a banda parou de tocar. Os quatro ao gazibo também fizeram silêncio, para tentar escutar o que estava acontecendo. Então ouviram a voz do noivo ressoar por todo o salão, chegando até onde eles estavam, enquanto ele explicava o que estava fazendo ao palco.

--Todos sabem que é costume o casal de recém-casados abrir a pista de dança, dançando uma música escolhida por eles que representa algum grande significado em seus vidas. - Arthur, o noivo, falava ao microfone em cima do palco. - Chloe escolheu a nossa música muito bem, mas... - Vindo a ouvir um “Ih!”, de vários convidados, em gozação. - Eu queria homenageá-la com outra música... Uma música que expressa o meu amor por ela! - Vindo a ouvir um “Oh!” das convidadas mulheres. - Então,... Perdoem-me, por isso, mas... eu vou cantar! - Várias pessoas riram.

            A banda logo recomeçou a tocar e ele a cantar. 

Every night before I sleep

(Todas as noites antes de dormir)

I thank the Lord for givin' me

(Eu agradeço a Deus por ter me dado)

Another day

(Mais um dia)

So I can be with you

(Para que eu possa ficar com você)

--Oh, vamos voltar? - Jane apressou-se em sugerir, já puxando Charles pela mão. - Eu quero ver isso!

--Claro. - Charles replicou, sem resistência, a acompanhando.

            Elizabeth ia segui-los, mas notou que Will permanecera no mesmo lugar. Então, voltou-se para ele e disse.

--Você não virá, sr. Darcy? - Will negou com a cabeça, sem sair de seu lugar.

            Ele estava recostado a uma das pilastras, com as mãos enfiadas nos bolsos de sua calça. Olhava para Elizabeth quase sem piscar; um olhar bastante intenso.

            Elizabeth decidiu permanecer com ele. Deixou que Jane e Charles voltassem para o salão e se reaproximou de Will. Parou a alguns passos dele, olhando para ele da mesma forma que ele estava olhando para ela. Não disse nada; era como se ambos houvessem iniciado uma competição, para ver quem falaria primeiro. E Elizabeth estava decidida a não ser ela a primeira a falar.

            Will se desencostou da pilastra, tirando as mãos do bolso da calça e caminhou na direção dela. Elizabeth o observou com apreensão – o seu coração voltou a bater acelerado e as mãos começaram a suar. Quando ele teve uma atitude parecida com esta, a beijou no rosto. Desta vez, no entanto, não sabia se a beijaria no rosto; e tinha certeza que não queria ganhar um beijo no rosto, o que a deixava ainda mais nervosa.

--Quer dançar? - Ele perguntou, parando bem perto dela.

--Aqui? - Elizabeth questionou, olhando ao seu redor. Não havia mais ninguém ali.

--Sim. - Will replicou, já a envolvendo pela cintura.

--Eu acho que lhe corrompi! - Elizabeth comentou, nervosamente, ao erguer as duas mãos e passá-las envolta do pescoço dele.

            À medida que foram se contagiando pela música e pela atração que sentiam um pelo outro, foram se aproximando ainda mais um do outro. A ponto de Elizabeth conseguir sentir a respiração descompassada de Will em seu pescoço.

And even though I've been around the world

(E mesmo quando estive ao redor do mundo)

Never did I find a girl

(Nunca encontrei uma garota)

That makes me feel the way you know you do

(Que me faça me sentir do jeito que você sabe fazer)

And even though love has been kind to me

(E mesmo quando o amor foi generoso comigo)

Never did I dream

(Nunca eu sonhei)

I would find me a girl like you

(Que eu encontraria uma garota como você)

            As mãos de Elizabeth estavam suando tanto que ela mão conseguia segurá-las, uma a outra, envolta do pescoço dele. Decidindo por transpassar os seus braços por debaixo dos dele, colocando as suas mãos abertas às costas dele. Apoiou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos, deixando-se levar por ele.

            Will, por sua vez, ainda a tinha presa pela cintura, tendo um de seus braços envolto dela, enquanto usava a outra mão para acariciar a linha de seu pescoço, sentindo a pele delicada dela na ponta de seus dedos. Encostou o seu nariz ao pescoço dela e sentiu o aroma de seu perfume irresistível.

            Quando os lábios dele tocaram a pele macia do pescoço de Elizabeth, ela sentiu uma gostosa sensação no estômago e um leve ardor no local em que os lábios dele tinham tocado. Ela sorriu de satisfação e, então, aconteceu!

            Elizabeth arregalou os olhos, surpresa, e parou de dançar. Will também parou de dançar, mas nenhum dos dois pareceu notar que estavam imóveis, no meio do gazibo, abraçados. 

            Ela, simplesmente, permaneceu ali, nos braços dele, sentindo-o abraçá-la mais forte pela cintura. Sentia milhares de outras sensações invadirem o seu corpo ao mesmo tempo, deixando-a atordoada. “Isso não pode estar acontecendo! Ou pode? ...Ele não pode estar fazendo o que eu acho que está fazendo! Ou está?!”, Elizabeth se perguntava; nunca estivera nesta situação antes. Não sabia o que fazer; sabia apenas que não estava mais conseguindo resistir. Então, voltou a fechar os olhos e respirou fundo.

You're only the best thing girl

(Você é a melhor coisa)

That ever happened in my life

(Que aconteceu na minha vida)

--Hum, hum?! - Eles ouviram um pigarro alto, despertando os dois de seus devaneios e fazendo com que se separassem imediatamente.

--Tio Stuart! - Elizabeth exclamou, totalmente encabulada. - Oi! - Elizabeth disse, afastando-se mais um pouco de Will (quem houvera assumido uma postura ereta e imóvel, tentando se passar por mais uma pilastra do gazibo).

--Vocês, jovens, não deviam estar lá dentro? - O tio questionou, observando Elizabeth com bastante interesse. - Tenho certeza de que o bolo logo mais será cortado. - Afirmou, como se, por ser pai da noiva, soubesse de muito.

--Claro. - Elizabeth respondeu, dando os primeiros passos à saída do gazibo, sendo seguida por Will (quem estivera pensando: “Já pensou se fosse o pai dela?!”).

 

 

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