Capítulo 41
Quarta, quinta e sexta transcorreram com tranqüilidade. Nenhuma mudança ocorreu quanto aos últimos acontecimentos. Lydia e George continuaram sem se falar, o grupo de meninos e meninas continuaram a sentar-se separados e nenhuma outra confusão explodiu pelos corredores.
Elizabeth notou que Lydia tomara para si a responsabilidade de conferir se as suspeitas de Elizabeth, quanto ao interesse de Daniel Clifford por Catherine, eram mesmo fundadas, antes de influenciar Catherine a gostar de outro que não fosse Richard. De pouco adiantaria fazer com que ela gostasse de outro, se este outro não retribuísse seus sentimentos. Por isso, passou a fazer uma pesquisa sobre a vida de Daniel Clifford entre seus amigos. E depois a interrogá-lo em pessoa.
George, quem assistia tal situação de fora, deduzia que Lydia já havia descoberto um novo alvo e que não se importava mais com ele. O que o estava deixando ainda mais arredio, para o desgosto de seus amigos. Os quais precisaram redobrar os cuidados com o que diziam na presença dele.
Daniel, por sua vez, voltou a procurar por Elizabeth em um dos intervalos, para conversar sobre Lydia. Depois de ter passado o intervalo anterior inteiro respondendo a milhares de perguntas de Lydia.
--Eu tenho certeza que você fez isso. - Ele disse a Elizabeth, quem lhe dirigia um olhar de fingido desentendimento. - Você deve ter dito alguma coisa a ela e agora ela não sai do meu pé!
--Eu não faço idéia do que você está falando. - Elizabeth respondeu, rindo-se.
--Por favor! Eu sei muito bem como vocês agem! - Daniel rebateu. - Como sabem muito bem o que dizer e como dizer para conseguirem o que querem. - Elizabeth continuou a rir. - Todas as mulheres são dissimuladas.
--Você tem uma opinião muito ruim de nós, mulheres! - Elizabeth comentou, ainda rindo-se dele. - Deve ser por isso que você gosta de Kitty. - Elizabeth comentou, ao pensar no que ele acabara de insinuar sobre ela e Lydia.
--Como é?! - Ele questionou-a, já ficando pálido. Ela sempre o pegava desprevenido com estas afirmações.
--Ela é a mais ingênua de todas nós. - Elizabeth replicou. - E é por isso que você gosta dela.
--Lá vem você de novo! - Ele resmungou, ao ficar corado. E logo se afastou dela, abandonando-a ao corredor, aos risos.
Will também notou a interação entre Daniel e as meninas, principalmente quando ele estava conversando com Elizabeth. Sempre que começava a ficar enraivecido demais, lembrava-se que ela o havia convidado para ir ao casamento de sua prima e não a Daniel.
Sexta-feira finalmente chegou e Elizabeth não podia estar mais feliz. Houvera se livrado da tala imobilizadora e ainda estava animada com a perspectiva do casamento de sua prima. Ela e Jane passaram a manhã inteira contando os minutos para poderem ir para casa, estando muito ansiosas pelo evento daquela tarde. Quando chagaram em casa, a sra. Abbott já as aguardava impaciente. Houvera marcado um horário ao salão de beleza para cada uma delas e não queria se atrasar. Apressou as filhas a almoçarem e tomar seus banhos. Precisavam estar no salão às duas da tarde, para, dentro de uma hora, terem seus cabelos prontos e maquiagem feita, para poderem retornar para casa e se vestirem.
Elizabeth e Jane seguiram sua ordem e trataram de almoçar o mais depressa que conseguiram, sem que precisassem sofrer uma indigestão. Depois encaminharam para os seus respectivos quartos, já encontrando sobre suas camas o figurino da festa pronto para ser vestido e, ainda, a roupa que deviam usar para ir ao cabeleireiro àquela tarde – sinal de que a sra. Abbott havia planejado tudo aos mínimos detalhes.
Elizabeth tomou um banho bastante demorado, para o desgosto de sua mãe. Lavou os cabelos e deu um pequeno tratamento – uma espécie de massagem com um creme da mesma linha de seu shampoo. Não gostava muito de usar produtos de salão de beleza em seu cabelo, pois não conhecia a maioria das marcas. Mas, quando estava pronta, a sra. Abbott pode sentir o perfume que os seus cabelos exalavam.
Mãe e filhas saíram de casa em tempo de chegar ao salão no horário marcado, sendo atendidas assim que chegaram. A sra. Abbott, como Elizabeth imaginara, houvera planejado tudo nos mínimos detalhes. Na volta para casa da sede de sua comunidade, houvera passado em uma loja especializada e comprara arranjos de cabelos para todas as três.
Para Jane, comprara pequenas rosas vermelhas, quais ficariam perfeitas no estilo de penteado que Jane queria fazer. Para si, comprou apenas um lírio que combinava perfeitamente com o penteado que ela escolhera. Para Elizabeth, no entanto, só encontrara uma coroa de lírios em tons uva.
--Eu não quero usar uma coroa. - Elizabeth disse a mãe.
--Por que não? - A sra. Abbott inquiriu, entregando a coroa de flores roxas ao cabeleireiro.
--Porque eu não sou a noiva ou uma das daminhas de honra... Não quero usar uma coroa. - Elizabeth afirmou, decidida.
--Você sempre cria problemas, Elizabeth. - A sra. Abbott a recriminou.
O cabeleireiro interveio e disse a Elizabeth que podia usar as flores, sem que ela precisasse usar uma coroa – e começou a desmanchar o arranjo, enquanto a sra. Abbott assistia a cena desgostosa. O cabeleireiro, Luis, foi excepcional com Elizabeth. Conversou com ela e quis saber exatamente o que ela queria que ele fizesse com o seu cabelo, ignorando de forma educada as opiniões que a sra. Abbott tentava dar – para satisfação de Elizabeth.
--Eu não quero um ninho na minha cabeça, mamãe! - Elizabeth exclamou, quando a sra. Abbott tentou convencê-la a fazer um penteado muito estranho que encontrara em uma das revistas que estava lendo, enquanto o seu cabelo estava sendo feito por uma cabeleireira.
Luis riu e mostrou-lhe outras revistas, até que Elizabeth selecionasse um estilo de penteado que lhe agradasse e, anda assim, modificasse a sua aparência cotidiana, sem mudar o jeito dela. Luis fez lhe um penteado em que as suas franjas ficavam para trás, deixando mais a amostra os seus grandes olhos amendoados, e usou três das flores da coroa desfeita para prender o seu cabelo.
Cabelo feito, ele passou-lhe para a mão da maquiadora, enquanto ia cuidar do cabelo de Jane, quem estivera fazendo as unhas até aquele momento. Jane, por sua vez, preferiu abusar do seu penteado. Luis aprovou a sua escolha de penteado e trabalhou em seu cabelo com muito gosto. O prendendo ao alto e enchendo-a de cachinhos loiros, colocando as pequenas rosas em seu cabelo.
Kelly, a maquiadora, não teve problemas ao fazer a maquiagem de Elizabeth. Inquiriu-lhe a cor de seu vestido e decidiu trabalhar com os tons escuros (marron e canela), tanto nos olhos quantos nos lábios. Fazendo questão de passar delineador de cílios, para ressaltar os cílios longos de Elizabeth. Quando Jane foi colocada em sua mão, também não teve muito trabalho. O tom vermelho de seu vestido combinou perfeitamente com o gloss labial que usara, e em seus olhos abusou dos tons dourados e mais suaves, quais ressaltaram o verde de seus olhos.
As duas meninas estavam prontas e ficaram aguardando a sua mãe. A sra. Abbott, embora acreditasse que as suas filhas devessem abusar em suas escolhas, não pensava o mesmo quanto a si. A sua escolha de penteado fora simples, deixando-os levemente presos, usando o lírio para prendê-lo, e com uma cascata de cachos solto ao pescoço; e a sua maquiagem também refletia uma seriedade – usou dos tons azuis e gloss labial rosa claro.
Prontas, mãe e filhas retornaram para casa, onde se encontraram com o sr. Abbott – quem também houvera chegado há pouco. Terminara o seu expediente cedo – não tão cedo como a esposa – para poder se arrumar. Ele ainda não havia começado a se arrumar, o que foi motivo para resmungos da sra. Abbott.
Jane e Elizabeth logo se apressaram a se encaminharem para os seus respectivos quartos, para se vestirem antes que a sra. Abbott encontrasse motivos para brigar com elas também.
Quando Elizabeth e Jane apareceram à sala, prontas – vestidas, com os devidos acessórios e perfumadas – encontraram o sr. Abbott sentado ao sofá, devidamente vestido e igualmente perfumado – estava incrivelmente elegante com o seu terno de risca cinza escuro, blusa de linho de botão branca, gravata listrada diagonalmente em tons vermelho, cinza e preto, e sapatos lustrado. A sra. Abbott logo as seguiu, igualmente bem vestida e perfumada – aparentando ser mais jovem.
A família então pode sair de casa e entrar no pequeno carro econômico do sr. Abbott. Vindo a tomar o caminho da igreja de St. Bennet, que ficava quase saindo de Londres. A família da sra. Abbott era diretamente ligada a tal e igreja e era de se esperar que tal casamento ocorresse lá. Os avós de Elizabeth, por parte de mãe, ainda moravam por lá.
A recepção do casamento também ocorreria lá, em um salão de festa – uma espécie de grande tenda, quase como uma estufa fora armada em um dos parques aos fundos da igreja. Elizabeth e Jane estavam excitadas em retornar a tal região nesta época do ano, porque o parque estaria colorido de folhas em tons amarelos e avermelhados, diferente de quando a neve cobria toda sua grama, ao Natal.
____________________________
Charles seguiu para a casa de Will assim que ficou pronto. Haviam marcado de ir juntos, ao carro de Will, para não se perderem, já que nunca haviam estado à igreja de St. Bennet antes. Quando Charles entrou na sala de estar da casa de Will, encontrando-se com a sra. Darcy e Georgiana, as deixou imensamente admiradas. Ele parecia um verdadeiro galã de novela no terno alinhado de risca cinza, camisa de linho de botões lilás e gravata listrada diagonalmente em tons rosa e azuis. Sapatos pretos, lostrosos e cabelo perfeitamente assentados.
A sra. Darcy e Georgiana o encheram de elogios, fazendo com que Charles ficasse vermelho como um pimentão. E implorasse para a sra. Darcy ir buscar Will em seu quarto, para que pudessem ir embora. Will, no entanto, apareceu à sala sozinho, ao escutar as risadas de sua mãe e irmã. Soube que seu amigo já devia ter chegado.
E um novo assomo de admiração se apoderou das duas damas à sala, quando Will apareceu a porta da sala, apressando Charles para que pudessem ir embora. Georgiana ficou boquiaberta e a sra. Darcy se levantou do sofá, caminhando para perto do filho, e deu uma volta entorno dele. Ele estava extremamente charmoso com o seu terno alinhado de risca preto, blusa de linho de botão branca e gravata lilás de bolinhas roxas; sapatos lustrosos e cabelo igualmente assentados.
--Isso tudo é só para Elizabeth? - A sra. Darcy perguntou, fazendo-o corar. - Ou você pretende criar uma disputa entre as primas dela durante o casamento? - Will dirigiu-lhe um olhar enviesado, que fez a mãe, Georgiana e Charles rirem.
--É só para Lizzie. - Charles respondeu por ele, rindo. Vindo a ser o alvo do olhar raivoso de Will.
--Vamos embora, Charles? - Will reclamou, já se dirigindo a porta.
Os meninos saíram da casa de Will, deixando com a sra. Darcy um papel em que constava o mesmo endereço que Jane houvera dado a Charles, indicando onde ficava a igreja, e garantindo que teriam cuidado à caminho da igreja, além de que não voltariam muito tarde.
Saíram de casa um horário considerável cedo para o casamento, que estava marcado para começar às cinco horas da tarde. Will achara que assim seria melhor, já que estavam indo a um lugar que nunca estiveram antes e não sabiam se iriam se perder ou não. De qualquer forma, se chegassem cedo demais, esperavam pelas meninas na igreja. Era melhor chegar cedo demais que chegar depois do casamento ter acabado.
Como o esperado, eles quase se perderam. A igreja ficava mais longe do que eles imaginavam e precisaram entrar em várias ruas, fazer várias curvas, e quase lhes ocorria de ficar andando em círculos. Ao fim, precisaram pedir informação – que nenhum dos dois queria fazer – a um dos moradores da região, quem lhes indicou qual rua correta eles deviam entrar. Por sorte, não haviam desviado do caminho certo, ainda.
Quando chegaram à igreja, perceberam pouco movimento. Havia alguns carros estacionados em um dos estacionamentos mais próximos da igreja, mas ainda estava muito calmo na igreja em si. A principio, eles ficaram preocupados se haviam ido parar em um lugar totalmente diferente, mas logo mais carros começaram a chegar e pessoas extremamente bem vestidas começaram a entrar e sair da igreja.
Will, então, procurou estacionar o seu carro ao estacionamento ao lado da igreja, ao invés de deixá-lo parado à rua, em frente à igreja. Carro estacionado, Charles e ele saíram do carro e ficaram encostados a ele, à sombra de uma grande árvore que estava perdendo as folhas vermelhas; esperando que as irmãs Abbott chegassem com os seus pais.
______________________________
Os Abbott chegaram a igreja ao mesmo tempo em que o carro da noiva parou diante da entrada principal da igreja. O sr. Abbott estacionou o carro do outro lado da rua, no sentido contrário ao estacionamento privativo da igreja, porque àquela hora o estacionamento privado já estava completamente lotado. A sra. Abbott desceu do carro às pressas e da mesma forma fez com que as suas filhas também o fizesse. Quando o sr. Abbott finalmente trancou o carro, a família atravessou a rua e se juntou aos retardatários a entrada da igreja.
A mãe da noiva, quem estivera ajudando a filha a ajeitar a cauda de seu vestido com o auxilio da organizadora da festa, parou por um breve momento para cumprimentá-los. Observou as suas duas sobrinhas com muita atenção e, não encontrando nenhum defeito em suas vestes e cabelo, preferiu comentar o fato de que estavam sozinhas.
--Não me digam que já terminaram com os namorados! - Ela disse, sorrindo falsamente para as sobrinhas. - Ora, Jane, até mesmo você! Pela forma que a minha irmã caçula fala de você e Elizabeth, eu pensei que fosse somente Elizabeth a ovelha negra da família! - Disse isso com a maior naturalidade, como se Elizabeth não estivesse presente.
--Ora, Constância, não diga besteiras! - A sra. Abbott recriminou a sua irmã. - Nenhuma das minhas filhas é uma ovelha negra!
--Onde estão os rapazes que você garantiu que as suas filhas iriam trazer?! - A irmã da sra. Abbott ignorou o seu comentário e fez logo mais uma pergunta, olhando ao seu redor, como se procurasse pelos meninos. - Eu não estou vendo nenhum deles com vocês!
--Eles estão vindo, Constancinha! - O sr. Abbott respondeu, sorrindo para ela ao chamá-la pelo seu apelido de infância que tanto odiava.
--Isso é bom! - A irmã da sra. Abbott replicou, estreitando o seu olhar para o sr. Abbott. - Porque Fanny – sra. Abbott – me fez reservar mais dois lugares a uma mesa dos jovens para os acompanhantes de minhas queridas sobrinhas, e ficará muito feio se ficarem desocupados. - Concluiu isso, acenando para que os Abbott entrassem na igreja, como se os enxotasse dali, voltando a dar a sua atenção a sua filha.
Elizabeth e Jane haviam deixado de dar atenção a tia assim que ela perguntou pelos meninos e se aproximaram da prima, quem estava se casando. A cumprimentaram e a elogiaram pelo seu vestido, que era, sem dúvida, muito bonito. A sua prima, Chloe, sorriu-lhe nervosamente, porque estava uma pilha de nervos e a sua mãe não fazia muito para acalmá-la.
Elizabeth virou-se de costas para a entrada da igreja e passeou com o olhar por todos os carros que estavam estacionados à frente da igreja. O carro de Will ou de Charles seria bem fácil de identificar se estivesse por ali, mas não estava. “Eles ainda não chegaram. Será que se perderam?”
Elizabeth iria perguntar a Jane se ela havia explicado direitinho como chegar à igreja, se havia, pelo menos, escrito o endereço correto. Mas a sra. Abbott as apressou a entrar na igreja para que pudessem procurar por um lugar em uma das fileiras da frente para se sentarem e, tomando a mão de Jane, saiu andando à frente. O sr. Abbott ofereceu o seu braço a sua filha caçula, que o tomou, dirigindo-lhe um lindo sorriso, e ambos entraram na igreja atrás da sra. Abbott e Jane.
A sra. Abbott não conseguiu encontrar lugares em uma das fileiras da frente suficiente para caber a sua família e mais os dois meninos. Então, Jane sugeriu que a sua mãe e pai sentassem-se à fileira da frente e Elizabeth, ela e os meninos sentassem-se em uma das fileiras ao fundo. O sr. Abbott dirigiu um olhar esperto a sua filha, quem ficou ruborizada, mas a sra. Abbott aprovou a idéia imediatamente, tomando a mão do marido e fazendo-o ocupar um dos lugares vagos antes que outro parente o fizesse.
Assim as irmãs voltaram para o fundo da igreja, Elizabeth sugeriu a Jane que fossem esperar pelos meninos do lado de fora; talvez ligar para o celular de um deles e inquirir onde eles estavam. Então as duas voltaram a sair da igreja, só que por uma das portas laterais para não voltarem a se encontrar com a sua tia.
Quando chegaram do lado de fora da igreja, ocorreu a Jane que elas ainda não haviam procurado ao estacionamento privado da igreja. Elizabeth, então, se ofereceu para ir ao tal estacionamento, enquanto Jane esperava à frente da igreja – só que mais afastada da porta da igreja, onde sua tia Constância se encontrava – e tentava ligar para os meninos.
Elizabeth voltou para dentro da igreja pela porta lateral que havia saído minutos antes e atravessou a igreja, voltando a sair pela outra porta lateral, a qual ligava a igreja ao seu estacionamento privado. Quase assim que saiu pela porta lateral, viu o carro (inconfundível) de Will estacionado embaixo de uma árvore. Sorriu ao perceber que eles deviam ter sido um dos primeiros a chegar ali. Desceu os poucos degraus da igreja e começou a caminhar entre os carros, seguindo em direção aos meninos.
Enquanto se aproximava, viu que Charles estava atendendo ao seu celular – imaginou que se tratava de Jane – e Charles logo se virou de frente para a igreja, vendo Elizabeth. E aquela foi uma cena que ela não esperava, Charles ficou com o olhar vidrado e boquiaberto. Will, notando o jeito de Charles, despreocupadamente, virou-se na mesma direção em que ele olhava – esperando ver Jane – e perdeu o equilíbrio ao tentar se desencostar do carro; decidindo permanecer como estava – era mais seguro.
Elizabeth parou de andar a uma curta distância deles e os observou, em silêncio. Nenhum dos meninos disse nada, então ela perguntou.
--Vocês dois vão passar o casamento inteiro parados aí? - Com o seu ar impertinente.
--Lizzie, você está... - Charles começou a falar, mas não conseguiu completar.
--O que?! - Elizabeth estranhou o comportamento dele.
Charles não era de ficar bobo ao vê-la. Então, Elizabeth acreditou que Jane devia ter a seguido até ali e devia estar descendo a escada da porta da lateral da igreja naquele exato momento – roubando a atenção e capacidade de Charles falar coerentemente. Então, virou-se de costas para os meninos e olhou em direção a porta da lateral da igreja, mas não havia sinal de Jane. Então se voltou de frente para os meninos de novo.
--O que?! - O que a deixou ainda mais preocupada. - Tem algo de errado com o meu vestido? - Já olhando para baixo, procurando por uma mancha ou rasgo no vestido (extremamente alarmada; adorara aquele vestido!).
--Não! - Charles exclamou. - Você está... - E voltou a ficar mudo.
Elizabeth voltou a olhar para ele, finalmente o compreendendo.
--O que? - Ela voltou a inquiriu, rindo-se dele. - Bonita? Deslumbrante? Irresistível?! - Fazendo tais perguntas com ar de gozação.
--Precisamente! - Charles respondeu, com veemência.
--Muito obrigada! - Elizabeth replicou, ficando ruborizada.
Ela olhou para Will, quem estava estranhamente sério e a olhava sem piscar, ainda encostado desleixadamente em seu carro.
--Eu vou procurar Jane. - Charles disse, ao ver a troca de olhares entre os dois, já andando em direção a Elizabeth.
--Ela está lá na frente. - Elizabeth informou.
--Eu sei. - Charles garantiu, mostrando o celular que tinha em mãos a Elizabeth antes de colocá-lo no bolso de sua calça.
--Ahh, Charles? - Elizabeth voltou-se para ele, quando ele a ultrapassou. - Você tem algum histórico de problemas cardíacos em sua família?
--Não. - Charles replicou, devolvendo o olhar maroto de Elizabeth com um próprio confuso.
--Então, eu acho que você sobreviverá! - Elizabeth comentou, rindo-se.
--Ham? - Charles permaneceu parado, olhando para Elizabeth, sem compreendê-la.
--Você verá! - Elizabeth replicou, voltando-se para Will novamente.
Charles resolveu ignorar o comentário de Elizabeth e ir atrás de Jane. Então, seguiu o seu caminho, deixando Will e Elizabeth a sóis. Elizabeth e Will permaneceram em completo silêncio após a saída de Charles, um observando o outro. Até que Elizabeth disse.
--Você irá me acompanhar, sr. Darcy, ou vai ficar parado aí e me observar o resto do dia? - Com o mesmo jeito impertinente que se dirigira a Charles momentos antes.
Will nada disse – não conseguiu. Apenas, cuidadosamente, desencostou-se do carro e, ficando ereto, caminhou em sua direção. Elizabeth prendeu a respiração ao vê-lo se dirigir a ela; seu coração acelerou da mesma forma de quando ele a beijara no rosto e sentia as suas pernas fraquejarem. Não conseguiu se mexer, com medo de cair. E esperou que ele parasse bem diante dela, oferecendo-lhe o braço para que pudessem entrar juntos.
--Está com medo de que eu me perca daqui até a igreja, sr. Darcy? - Elizabeth inquiriu, tentando soar tão debochada quanto há pouco, mas sem conseguir.
Will nada disse, apenas sustentou o seu olhar; aquela visão o estava hipnotizando e o impedindo de formar frases coerentes em sua mente, quanto mais pronunciá-las. Elizabeth desviou o seu olhar do dele, porque estava ficando muito difícil se manter de pé ao olhar dentro daqueles intensos olhos azuis, ficando mais ruborizada ainda.
--Vamos entrar. - Elizabeth disse, tomando o seu braço sem voltar a olhar para ele.
Eles entraram na igreja de braços dados e foram ocupar os lugares vagos à última fileira do lado direito da igreja, guardando o lugar de Jane e Charles, quais ainda não haviam entrado. Elizabeth chegou a cogitar a idéia de ir buscá-los do lado de fora da igreja, mas desistiu. Era preferível deixá-los a sóis, a correr o risco de interrompê-los. Além de que, não queria deixar Will sozinho. Havia notado os olhares de várias de suas primas solteiras ao entrarem na igreja juntos.
Charles viu Jane assim que dobrou a esquina da igreja, parando de andar em sua direção por um minuto. Ficou ali, olhando a para ela. Jane, por sua vez, quando o viu, sorriu amavelmente, mas também não caminhou em sua direção. Por mais que quisesse ir em direção a ele, não conseguia fazer as suas pernas obedecerem. Charles precisou tomar controle de si mesmo e se acercar dela. Todos os passos que deu em sua direção, o fez com o olhar fixo em Jane, quem ficava tão vermelha quanto seu vestido. Ele já conseguira entender a tentativa de piada que Elizabeth fizera há pouco, porque sentia faltar-lhe ar nos pulmões e o coração parecia que sairia por sua boca a qualquer minuto.
--Você está magnífica, meu amor! - Ele conseguiu dizer, antes de ficar completamente mudo, ao parar diante dela.
Jane ficou de olhos arregalados ao ouvi-lo chamá-la de “meu amor”. Ele nunca tinha dito nada do tipo para ela antes deste dia. E, timidamente, colocando uma das mãos em seu rosto, beijou-lhe a outra face, delicadamente. A sua tia Constância, quem havia notado Charles quando ele cruzou o seu caminho, aproximou-se dos dois, dizendo.
--Ahh, vejo que um deles chegou! - Sorrindo. - Onde está o par de Lizzie? - Inquiriu, quando Charles virou-se de frente para ela, postando-se ao lado de Jane e segurando em sua mão.
--Com Lizzie. - Charles respondeu, amigavelmente. - Eu me chamo Charles Brown. - E estendeu a mão para cumprimentar a tia de Jane.
--Humm... Educado! - Constância comentou, ao aceitar a mão que lhe era estendida. - Eu sou Constância, mãe da noiva e ...tia de Jane e Elizabeth. - Soltando a mão de Charles. - Vão entrando, que a noiva está preste a fazer o mesmo! - Ela apressou os dois, que seguiram o seu conselho.
Charles e Jane entraram na igreja pela porta principal. Todos se voltaram para olhá-los, pois estavam ansiosos para que a cerimônia começasse logo. Jane puxou Charles para um dos cantos apressadamente e eles seguiram para a fileira em que Elizabeth e Will estavam sentados, ocupando os lugares vagos ao lado deles. A cerimônia não demorou a começar depois disso.
O casamento prosseguiu como esperado depois que começou. Foi uma cerimônia nem um pouco cansativa, para a surpresa dos meninos. O padre conhecia muito bem as famílias presentes e melhor ainda a noiva, quem conhecia desde menina. Então, soube comandar uma cerimônia de forma familiar e agradável. Os noivos escreveram seus próprios votos, românticos e com um pouco de humor. Ao fim, o padre os declarou “marido e mulher”, houve um beijo teatral e uma grande comemoração.
Aos poucos, os convidados foram saindo por uma das portas laterais da igreja e se dirigindo ao parque ao fundo da igreja, onde estava montado o salão de festas. Jane e Charles seguiram na frente, de mãos dadas, e Elizabeth e Will logo atrás, lado a lado; mas o único contato físico que tinham era o ocasional roçar de braços, quando Elizabeth vinha a ficar arrepiada ao sentir a textura do terno dele acariciar sua pele.
O salão de festa era bastante amplo e bem iluminado, com várias mesas espalhadas aos cantos e uma grande pista de dança ao centro. Em uma das extremidades do salão havia uma grande mesa decorada, onde se encontrava o bolo da noiva e os demais doces finos da festa. Em outra extremidade do salão estava armado uma espécie de palco, onde uma banda estava pronta para iniciar a sua performance.
Em um canto havia um balcão, similar àqueles encontrados em bar, em que um bartender servia bebidas quentes – whisky,vinho e etc. O bartender estava vestido como um colete preto, blusa de linho branca, e uma gravata borboleta, assim como os garçons que circulavam entre as mesas, servindo os convidados com bebida e comida.
Elizabeth, Jane e os meninos foram ocupar uma das mesas opostas à mesa em que o sr. e a sra. Abbott estavam sentados, com outros parentes adultos da sra. Abbott. A mesa em que as irmãs Abbott, Charles e Will se sentaram estava ocupada unicamente por outros jovens de quase mesma idade que eles, algumas das primas e primos das meninas, e os seus respectivos acompanhantes – daqueles que estavam acompanhados.
As apresentações foram feitas e pouca coisa fora dita a princípio. Enquanto Jane e Elizabeth comentavam sobre a cerimônia, algumas vezes sendo acompanhadas por uma de suas primas, os meninos apenas as escutavam em silêncio.
A noiva e o noivo tiraram algumas fotos diante do bolo e com seus respectivos pais, depois passaram de mesa em mesa, cumprimentando os convidados e recebendo os parabéns pelo casório. Ao fim, eles abriram a pista de dança, dançando uma música escolhida pela noiva que simbolizava o amor dos dois – More Than Words de Extreme.
As irmãs Abbott pararam de conversar neste momento, porque esta era uma das cenas prediletas das duas. Apenas os recém-casados dançavam e a música geralmente tentava transparecer o amor que um sentia pelo outro. Charles e Will ficaram espantado com tal comportamento; elas simplesmente interromperam a conversa no meio de uma frase qualquer e voltaram-se para olhar a pista de dança.
Quando a música encerrou, os recém-casados voltaram a trocar um beijo apaixonado e todos os aplaudiram. Aos poucos, vários casais se juntaram a eles à pista de dança, inclusive os pais de Jane e Elizabeth. As meninas se entreolharam e riram. Jane olhou para Charles, quem prontamente se ergueu de sua cadeira e a convidou para dançar. Elizabeth também dirigiu um olhar a Will, mas fora Charles quem respondeu, rindo-se.
--Ohh, Lizzie, Will não dança! - Enquanto Will devolvia-lhe o olhar, em silêncio.
--Ahh, é mesmo? - Elizabeth questionou Will, quem ainda não lhe disse nada. - Então, ele não se incomodará se eu convidar outra pessoa a dançar comigo, não é? - Charles riu e levou Jane para a pista de dança; enquanto Will permaneceu impassivo, olhando para Elizabeth (embora estivesse pronto para amarrá-la a sua cadeira, se ela tentasse dançar com outro).
Três músicas passaram sem que Will convidasse Elizabeth para dançar. Charles e Jane retornaram a mesa e os meninos iniciaram uma conversa com os primos de Elizabeth. Will já estava convencido de que Elizabeth não iria convidar outro a dançar e decidido a convidá-la assim que uma música de seu agrado começasse a tocar.
No entanto, ficou alarmado quando Elizabeth, de repente, se ergueu de sua cadeira e começou a andar. Conseguindo com que ele parasse de conversar com os meninos para observá-la. Elizabeth houvera reconhecido a música que a banda começara a tocar, unicamente por escutar a entrada dos violões – era a música Breathless de Corinne Bailey Rae. Elizabeth conhecia àquela música muito bem, pois passara a semana inteira ouvindo o CD de tal cantora constantemente. E adorava aquela música, era uma de suas prediletas. Tinha que dançar aquela música. Simplesmente tinha que dançar e não seria Fiztwilliam Darcy que a impediria!














