Citações

A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXXIX

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo 39

 

Já ia dar meio dia, quando Jane entrou no quarto de Elizabeth àquele domingo para acordá-la. Não havia muito tempo que tinha chegado em casa da casa de Lydia, onde dormira – ou melhor, quase dormira; havia sido muito difícil conseguir dormir com a excitação das meninas a madrugada inteira. E encontrou Elizabeth enrolada no edredom, dormindo um sono pesado. Sentou-se em sua cama e tentou acordá-la, sacudindo o seu ombro com carinho e chamando o seu nome.

            Mas Elizabeth resistia ao seu chamado e tentava continuar a dormir. Virando-se para o lado contrário ao que Jane estava e continuando a dormir. Jane persistiu, sacudindo o seu ombro delicadamente e chamando o seu nome.

--Vamos, Lizzie, acorde! - Jane disse, já ficando sem paciência. - Eu preciso te contar o que Lydia fez!

            O que, por fim, acabou com a resistência de Elizabeth. Ela se virou na direção de Jane e abriu os olhos. Decidiu-se por sentar-se em sua cama, ou ficaria tentada a fechar os olhos e retornar ao sonho que estivera tendo com um par de olhos azuis intensos – tentar descobrir se desta vez ele a beijaria na boca. E, sentando-se na cama, questionou.

--O que Lydia fez?

--Ela invadiu o palco, no meio do show, e agarrou David Jones. - Jane exclamou, agitada.

--David Jones? Quem é David Jones? - Elizabeth inquiriu, ainda sonolenta e não conseguindo processar a informação que acabara de receber corretamente.

--Daniel Alan David Jones. - Jane replicou, ainda mais agitada, sacudindo Elizabeth pelos ombros, para que ela acordasse. - Danny! Um dos integrantes da banda McFly! - Jane explicou, afobada. - Ela o beijou!

--Ela o beijou?! - Elizabeth questionou, finalmente entendendo o que Jane estava lhe dizendo. - Espere! Qual deles é David Jones, mesmo? - Elizabeth perguntou a uma Jane agitada, qual já havia se levantado de sua cama e a observava, de pé ao lado da sua cama.

--Você sabe! - Jane exclamou, irritada. - Um dos cantores, sem ser o loiro... Aquele que você diz ser o mais bonitinho!

--Tem certeza?! Eu pensei que o nome dele fosse Dougie! - Elizabeth replicou, ponderando aquela informação.

--Não. Dougie Poynter é o mais novinho... É bonitinho também, mas eu estou falando de Danny! - Jane exclamou. - Isso não importa! - Jane praticamente gritou, conseguindo recuperar a atenção de Elizabeth (quem ainda tentava dar rostos aos nomes e ainda acreditava que o que considerava mais bonito era Dougie). - O que importa é que Lydia beijou ele... em pleno show... na frente de todo mundo... na frente de milhares de câmeras!

--Ela enlouqueceu? - Elizabeth se levantou da cama. - E George?

--Exatamente! - Jane respondeu. - Foi o que eu disse a ela, depois que ela foi expulsa do palco pelos seguranças... E ela me deu aquela mesma resposta do shopping: “o que os olhos não vêem o coração não sente!” ...Que ele não estava presente!

--Meu Deus! ...Lydia não tem cérebro! - Elizabeth comentou. - Ela não sabe que aquele show ia ser transmitido em rede nacional? Que, mesmo que George não estivesse presente lá ou assistindo a transmissão em casa, outra pessoa de lá da escola esteve e irá contar para todo mundo o que ela fez?!

--Eu disse isso a ela! - Jane respondeu. - Mas ela não quis me ouvir! Ficou a noite toda se gabamdo do beijo que roubara dele!

            Elizabeth e Jane saíram do quarto de Elizabeth pouco tempo depois. Elizabeth ainda precisava tomar café. Mas continuaram a conversar sobre os acontecimentos da noite anterior.

--Como você não viu? - Jane questionava-lhe.

--Eu não estava assistindo ao show. - Elizabeth respondeu, ficando corada, ao preparar a sua caneca de café com chocolate (quase um capuccino).

--E o que estava assistindo? - Jane questionou, por mera curiosidade. Não havia notado as bochechas coradas da irmã. - Papai não disse que assistiria ao show com você? - Ela comentou, estranhando tal fato.

--Ele disse, mas... - Elizabeth hesitou.

--O que? - O que, finalmente, fez com que Jane notasse o seu jeito. - O que aconteceu? - E ficasse ainda mais curiosa quanto ao que ela ainda não estava lhe contando.

--Will esteve aqui. - Elizabeth respondeu, bebendo um gole de seu café para ter com o que ocupar a boca.

--Will?! - Jane interrogou, dirigindo um olhar penetrante a Elizabeth.

--Quero dizer, sr. Darcy! - Elizabeth corrigiu. - Ele veio aqui... para conversar e...

--E?! - Jane já estava sentada à ponta de sua cadeira de tão ansiosa por aquela informação.

--Ele trouxe dois DVDs para eu poder assistir... e...

--E?! - Jane repetiu, se debruçando a mesa, já sorrindo.

--Nós assistimos juntos! - Elizabeth respondeu. A esta altura, estava vermelha como um rúbi e decidiu preparar um torrada para comer, para se ocupar com outra coisa.

--Só isso?! - Jane exclamou, levemente desapontada.

--O que mais você esperava?! - Elizabeth replicou, exaltada.

--Eu não sei... - Jane respondeu, ficando envergonhada. - Vocês estão namorando... - Jane comentou.

--Nós não estamos namorando! - Elizabeth apressou-se em corrigi-la.

--Tudo bem. Vocês estão... - Jane começou a dizer, mas não conseguiu concluir. - O que vocês estão fazendo, então? - Interrogou Elizabeth, já com as sobrancelhas franzidas.

--Agora, mais nada. - Elizabeth respondeu, deixando Jane ainda mais confusa. - Ele terminou comigo. - Elizabeth disse, satisfeita.

--Terminou com você?! - Deixando Jane mais confusa.

--E com todas as outras meninas! - Elizabeth completou, ainda mais contente.

--Ahh... Eu entendi agora! - Jane abriu um largo sorriso, o que voltou a fazer com que Elizabeth ficasse ruborizada. - Por isso você está assim... feliz!

--Eu não estou feliz! - Elizabeth replicou, lutando para não sorrir de orelha a orelha.

--Está sim! - Jane rebateu, com veemência. - E toda corada!

--Pare! - Elizabeth resmungou, voltando a tomar o seu café e começar a comer a sua torrada. Enquanto Jane ria-se dela. - Pare!

--Garotas? - A sra. Abbott apareceu à porta da cozinha. Estava bem vestida, para uma manhã de domingo em que não pretendiam sair de casa. - Adiantem isso aí e vão se trocar! - Deu-lhes está ordem, ao capturar a atenção das filhas. - O seu pai finalmente escutou a voz da razão e irá conosco às compras hoje! - Explicou, satisfeita por ter conseguido convencer o marido a atender as suas vontades.

            Elizabeth olhou para Jane e dublou as seguintes palavras: “rendeu-se, é mais provável!”, mas sem realmente pronunciá-las em alto e bom som. E Jane riu-se, também em silêncio.

--Vamos, andem! - A sra. Abbott as apressou. - Não temos o dia todo!

            Jane deixou que Elizabeth terminasse de tomar o café e, para não ficar ouvindo reclamações de sua mãe, resolveu ir para o seu quarto, começar a se arrumar. Elizabeth continuou a tomar o seu café com tranqüilidade. A sra. Abbott tornou à aparecer a porta da cozinha e apressá-la, finalmente conseguindo fazer com que Elizabeth a atendesse. Quando terminou de tomar café, foi para o quarto, se arrumar.

            Quando as duas filhas ficaram prontas e saíram de seus respectivos quartos, começando a descer a escada, encontraram a sra. Abbott parada ao pé da escada. Dirigiu-lhes um olhar recriminador e tratou de apressar o marido, qual estivera sentado ao sofá da sala, assistindo televisão.

            O sr. Abbott se ergueu do sofá e desligou a televisão, indo procurar pelas chaves do seu carro. A sra. Abbott havia se adiantado a ele e já tinha a chaves em mão. A família Abbott logo saiu de casa, trancando a porta de entrada ao saírem, e entraram no pequeno carro econômico do sr. Abbott. Pegaram a estrada e seguiram em direção ao shopping, onde a sra. Abbott desejava fazer as suas compras.

            Assim que chegaram ao shopping, a sra. Abbott revelou aos demais integrantes de sua família a ordem das compras. Primeiramente, comprariam a roupa do sr. Abbott – porque homem demora menos que mulher para escolher roupa, experimentar e ficar satisfeito – depois a roupa das duas filhas e seus respectivos sapatos – o que ela afirmou que levaria boa parte da tarde – e, por último, a roupa dela – porque ela já sabia a loja que desejava ir e o modelo de roupa que queria comprar.

            A primeira loja em que o sr. Abbott entrou vendia tanto roupas masculinas para festas, como sapatos. Ele ficou extremamente satisfeito, já que não precisaria ir a outro lugar para comprar o último. Nunca gostou muito das idas e vindas em lojas, quando precisava sair com sua esposa e filhas para fazer compras.

            Enquanto esperavam pelo sr. Abbott, quem, em menos de dez minutos, já havia escolhido o seu figurino e já estava ao provador, fazendo os ajustes necessários, Elizabeth solicitou permissão a sua mãe para ir a loja de CDs. A sra. Abbott não quis lhe dar permissão, por mais que Elizabeth insistisse. Não queria desviar-se de seus planos. Mas o sr. Abbott, ao sair do provador e dirigir-se ao caixa, para efetuar a compra, deu-lhe permissão para ir a loja de CDs – para o desgosto de sua esposa.

            Elizabeth prometeu-lhe estar de volta em tempo recorde e, segurando Jane pela mão, saiu às pressas da loja de roupas masculina. Não queria correr o risco de sua mãe convencer o seu pai a revogar a sua permissão. Jane inquiriu-lhe o que iam fazer a loja de CD, pois sabia que Elizabeth já houvera comprado o CD de David Gray que tanto desejava pela Internet na semana passada. Elizabeth apenas lhe informou que estava procurando um CD diferente.

            As duas entraram na loja ainda de mãos dadas e Elizabeth guiou Jane até a sessão de cantoras, parando diante da prateleira de letra A a D. Assim que as meninas começaram a mexer nos CDs daquela prateleira, um atendente veio ao encontro delas.

--Posso ajudá-las, garotas? - Jane parou imediatamente e cutucou a irmã. - Elizabeth, certo? - O ajudante inquiriu, quando Elizabeth voltou-se para fitá-lo.

--Certo. - Elizabeth respondeu, franzindo a testa. Não conseguia se lembrar do nome dele.

--Eu sou Matthew... Nós nos conhecemos à última vez em que você esteve aqui.

--Certo. - Elizabeth replicou, lembrando-se vagamente dessa ocasião. Também, estivera num “quase-encontro” com Will Darcy, que, ao fim, tornou-se um “verdadeiro-encontro”.

--Então, como posso ajudá-la? - Matthew voltou a oferecer o seu auxilio, sorrindo-lhe.

--Bem, eu estou procurando pelo CD de Corinne Bailey Rae. - Elizabeth respondeu. Decidira aceitar a sua ajuda, assim poderia comprar o CD logo e voltar para a loja em que seus pais a esperavam. - Que tem a música que fala sobre insônia... - Elizabeth tentou ser mais especifica, não sabia ao certo quantos CDs de tal cantora eles tinha.

--Nós temos este CD bem aqui. - Matthew rapidamente achou o CD entre os outros da prateleira e entregou a Elizabeth. - A faixa 5 deste CD é a música Trouble Sleeping, a qual eu acho que é a que você esteve se referindo há pouco. - Explicou-lhe. - Vocês podem escutar a música ali... - Ele indicou um aparelho da loja em que se era possível escutar trinta segundos de cada faixa de um CD. - para ter certeza.

--Não é necessário. - Elizabeth respondeu. - Eu vou levar este mesmo! Obrigada pela ajuda! - Ela concluiu, já seguindo em direção ao balcão de atendimento para efetuar a sua compra.

--Por que você está tão aflita para comprar este CD? - Jane lhe questionou, enquanto Elizabeth pagava pelo CD e aguardava pela sua sacolinha.

--Porque eu escutei esta música, Trouble Sleeping, e agora ela não quer sair da minha cabeça. - Elizabeth replicou, simplesmente.

            As irmãs saíram da loja de CD e encaminharam-se a loja de roupa masculina, em que seus pais a aguardavam – já do lado de fora; e a sra. Abbott já estava ficando impaciente. Sequer lhes dirigiu a palavra quando elas se aproximaram, deu-lhes às costas e começou a caminhar. Parecia que já tinha uma determinada loja para irem em seguida, onde as ela pretendia que as suas filhas escolhessem os seus respectivos figurinos. O sr. Abbott ainda sorriu, encorajadoramente, para as duas filhas, antes de seguir atrás de sua esposa, com a sua sacola de compras em mãos.

            A sra. Abbott entrou na loja, sendo seguida por suas duas filhas e seu marido. Imediatamente, acercou-se uma das atendentes da loja e lhe explicou que estavam ali para que as suas duas filhas pudessem comprar vestidos para irem ao casamento de sua sobrinha, àquela sexta-feira. A atendente sorriu amigavelmente para as duas meninas e disse-lhes que estava a sua disposição, para auxiliá-las no que fosse necessário. A sra. Abbott acolheu esta resposta e ordenou as suas filhas a irem olhar os modelos de vestidos expostos nos cabides e experimentá-los.

            Elizabeth e Jane atenderam a ordem de sua mãe de bom grado, adoravam esta parte das compras. Uma das atendentes da loja providenciou puffs redondos no tom bege para o sr. Abbott e a sra. Abbott se sentarem, enquanto esperavam por suas filhas, enquanto a primeira atendente seguia as meninas pela loja e lhes ajudava na seleção dos vestidos.

            Por estarem em uma loja em que vendia peças únicas, as meninas precisavam escolher o vestido não unicamente pelo modelo, mas também pelo tamanho. Já que não haveria outro vestido igual com numeração diferente. Jane selecionou cinco vestidos e Elizabeth fez o mesmo. E ambas seguiram para o provador de roupas. A atendente acompanhando Elizabeth, porque ela ainda estava com a sua mão direita imobilizada e precisaria de sua ajuda para vestir os vestidos corretamente.

            À medida que provavam um vestido, as meninas saiam dos respectivos provadores e procurava mostrá-lo a outra, depois aos seus pais. Então retornavam ao provador e vestiam outro vestido, repetindo o mesmo processo. Horas se passaram e elas ainda não haviam se decidido. A sra. Abbott precisou aparecer ao provador de cada uma e ordenar que tomassem uma decisão de uma vez, fazendo com que as filhas a obedecessem. Então, ambas saíram do provador, quase ao mesmo tempo, já vestidas com as suas próprias roupas, e os vestidos escolhidos em mãos.

            Jane houvera escolhido um lindo e estonteante vestido vermelho – não o tipo de vermelho brega; um tipo de vermelho que deixava a deslumbrante Jane ainda mais irresistível, se isto é possível! Tomara-que-caia, decote em V, com um bolero trabalhado no tom escuro. O vestido era colado ao corpo, ficando levemente solto nas pernas para dar-lhe a liberdade de se movimentar; e que terminava um pouco abaixo do joelho. Elizabeth, por sua vez, escolheu um lindo vestido cor de ouro. Igualmente tomara-que-caia, decote reto. Bastante preso ao busto, mas rodado da cintura para baixo. Terminando um pouco abaixo do joelho.

            O sr. e a sra Abbott, assim como a atendente que estava ajudando as meninas, aprovaram a escolha de Jane. No entanto, a sra. Abbott não gostou da escolha de Elizabeth, tentando convencê-la a levar um outro vestido que ela havia experimentado também. Um belo vestido, num tom rosa claro, com alguns brilhinhos. Longo, tomara-que-caia, de decote reto. Elizabeth achou o vestido bonito, mas não se sentiu bem nele. Apenas o experimentou para satisfazer a sua mãe, que ficara de seu puff tentando guiar suas filhas em suas seleções de vestido para experimentar.

            Após um tempo tentando, amavelmente, convencer a filha a mudar de idéia, sem ter sucesso, a sra. Abbott declarou que não aceitaria que Elizabeth comprasse aquele vestido, que não permitiria que o sr. Abbott pagasse por ele. Todos a loja ficaram sem saber o porquê de tal atitude, o vestido ouro realmente havia ficado mais bonito em Elizabeth que o rosa; porque o ouro do vestido realçava os seus olhos de amêndoa e contrastava com o seu cabelo castanho escuro perfeitamente, enquanto que o rosa a deixava, de certa forma, apagada.

--Lizzie, não crie problemas!- A sra. Abbott recriminou Elizabeth, quando ela cruzou os braços e fincou o pé no chão, dizendo que não ia levar para casa o vestido rosa. - Você pode me dizer o que há de errado com o vestido que eu quero que você use?! - A sra. Abbott a inquiriu, tentando ser paciente.

--É rosa! - Elizabeth respondeu, irracionalmente. Todos já estavam cientes deste fato. - E a senhora pode me dizer o que há de errado com o vestido que eu escolhi? - Ela inquiriu a mãe, tentando soar tão paciente quanto ela, mas sem conseguir.

--É amarelo! - Todos na loja, alheios àquela conversa, trocaram olhares e prenderam risadas. O sr. Abbott revirou os olhos, dizendo.

--Só assim dá para perceber que são mãe e filha! - A Jane, quem não pretendia, riu da piada.

--Papai! - Mas ainda o recriminou, parando de rir.

--E o que há de errado em ser amarelo? - Elizabeth voltou a questionar a mãe, sem se importar com mais ninguém.

--Não fica bem para uma senhorita usar amarelo em casamentos! - A sra. Abbott respondeu, como se lhe informasse um fato comprovado cientificamente. As atendentes da loja voltaram a se entreolhar, surpresas com tal alegação. Jane e Elizabeth estavam com suas testas franzidas.

--Do que a senhora está falando, mamãe? - Jane perguntou, curiosa.

--Amarelo significa desespero. - A sra. Abbott afirmou. - Eu não quero ninguém naquele casamento dizendo que uma das minhas filhas está desesperada para se casar!

--O que?! - Elizabeth, Jane e o sr. Abbott exclamaram juntos. As atendentes abafaram risinhos.

--É isso mesmo! - A sra. Abbott replicou. - Agora, você não usará este vestido amarelo e está acabado! - Ela completou. - Usara o vestido rosa, que é igualmente bonito! - Disse, encerrando a discussão. Ou, pelo menos, era o que acreditava.

--Eu não vou usar o vestido rosa! - Elizabeth disse, decidida.

--Então você não irá ao casamento! - A sra. Abbott a sentenciou. - Porque não irá comprar o vestido amarelo e não irá a um casamento usando os remendos que tem em casa! - Irritada.

--Tudo bem, eu não vou ao casamento! - Elizabeth disse isso indo em direção a atendente da loja e lhe entregando o vestido amarelo.

--Lizzie, por que você não escolhe outro vestido? - O sr. Abbott sugeriu.

--Nós não temos mais tempo, Jonathan! - A sra. Abbott afirmou. - Ainda temos de comprar os sapatos e comprar o meu vestido.

--A senhora vá comprar o seu vestido e eu ficarei aqui com as meninas, esperando Elizabeth escolher o vestido dela. - O sr. Abbott disse. - E depois nós iremos ao seu encontro.

--Está certo, então. - A sra. Abbott ergueu-se de seu puff e seguiu em direção a porta da loja. - Eu estarei ao terceiro piso, à loja “Mrs. - Formal Gowns”. - E antes de sair, disse a Elizabeth. - Nada de amarelo! - Ao que Elizabeth revirou os olhos.

            A sra. Abbott se foi e o restante da família Abbott permaneceu a mesma loja. O sr. Abbott permaneceu sentado em seu puff bege, enquanto as suas duas filhas, juntamente com a atendente, tentavam encontrar outro vestido para Elizabeth. Elizabeth selecionou outros sete vestidos, os vestiu com o auxilio de sua irmã e da atendente. Mas nenhum lhe agradou tanto quanto o amarelo – algo que Jane, a atendente e, até, o sr. Abbott concordou. “Neste momento, o amarelo me serviria perfeitamente! Eu já estou desesperada!” - Elizabeth resmungou, mentalmente, com sarcasmo.

            Elizabeth já estava perdendo as esperanças de encontrar um vestido que lhe agradasse e satisfizesse as condições de sua mãe. Até que o viu, bem ali, diante de seus olhos o tempo todo e ela não o notara. O segurou com a mão esquerda e sentiu o seu tecido, adorando a sua textura. Então pediu a atendente para prová-lo. Ela o retirou do cabide e procurou por sua pequena e bem escondida etiqueta – para saber se era o seu número. Para a sua sorte, ele era. Elizabeth retornou para o provador, a sua irmã e a atendente voltaram a segui-la – a atendente trazendo o vestido. Então, Elizabeth o vestiu.

            Quando apareceu diante do sr. Abbott, assim como do restante da loja, recebeu a confirmação que encontrara o vestido certo. O sr. Abbott lhe abriu um enorme sorriso e as outras atendentes voltaram-se para observá-la. O vestido era num tom uva, tomara-que-caia, decote reto, com alguns brilhinhos ao decote; longo, tanto que cobria os seus pés.

--Eu quero este! - Elizabeth disse, sorrindo de orelha a orelha. Este tinha ficando ainda mais bonito nela que o próprio amarelo.

--Certamente! - O sr. Abbott concordou, já erguendo-se de seu banquinho. - Pode embrulhar, que nós vamos levar! - O sr. Abbott disse a atendente, quem não demorou a acatar.

            Elizabeth retornou ao provador, para tirar o vestido, mas ainda permaneceu o usando por uns minutos; fitando-se ao espelho, pensando: “O que o sr. Darcy diria se me visse assim? ...Espere um momento, esta não é uma má idéia!” - sorriu, um de seus sorrisos moleques, de quando está planejando alguma travessura. “Quinta-feira eu já poderei retirar esta tala imobilizadora e já não a estarei usando durante o casamento” - ponderou, observando a sua mão direita, que, naquele momento, era de pouca serventia.

            A atendente da loja ajudou Elizabeth se trocar e depois recolheu o vestido, juntando-o ao de Jane – já ao balcão da loja – e começou a fazer os devidos pacotes. Elizabeth e Jane se juntaram ao sr. Abbott ao balcão, enquanto ele pagava pelos vestidos – uma nota preta – e depois eles saíram da loja, cada um com a sua devida sacola.

            Eles se encaminharam ao 3º piso e foram para a loja “Mrs. - Formal Gowns”. Ao entrarem na loja, Jane e Elizabeth foram procurar pela sra. Abbott ao provador. A encontraram experimentando o vestido que acabaria levando para casa. Um vestido longo, como o de Elizabeth, num tom azul acinzentado, tomara-que-caia, com pequenos detalhes em alto relevo à cintura. As filhas ficaram impressionadas ao vê-la vestida daquela forma – a sra. Abbott era uma senhora muito bonita, sem dúvida.

--Não é de se espantar que papai tenha se casado com mamãe! - Elizabeth gracejou Jane com esta piada. Sabia que seus pais se amavam muito, embora tivessem temperamentos diferentes.

--Lizzie! - Jane repetiu o feito; rindo, mas reprovando a irmã.

            Após o sr. Abbott pagar outra nota preta pelo vestido de sua esposa, saíram da loja e foram procurar por uma boa loja de sapatos. Retornaram ao 2º piso, onde encontram a loja que estavam procurando. Jane escolheu um par de sandálias de salto alto de cetin, na cor vermelho similar ao seu vestido. Elizabeth escolheu uma sandália de salto alto de cetin, preta; e a sra. Abbott escolheu uma sandália de salto alto de  prata.

            Com mais esta compra efetuada, os Abbotts decidiram por jantar em um dos restaurantes do shopping mesmo – já que já havia anoitecido. Só retornando para casa tarde da noite, exaustos, mas satisfeitos com o resultado daquele dia.

______________________________

            Will, Richard, George e Charles tentaram fazer um programa só de meninos durante o domingo. Mas não conseguiram ter sucesso em nenhuma de suas tentativas. Todos eles queriam saber o que as meninas estariam fazendo; Charles em especial. Já que não vira Jane à noite anterior e não a veria durante o domingo tão pouco.

            Nenhum deles sabia dos acontecimentos do show, porque nenhum deles assistiu a sua transmissão na TV. Não era o tipo de música que eles curtiam. Então, George estava tranqüilo, satisfeito com o fato de que veria Lydia no final do dia. Enquanto Richard contava os minutos para que o final do dia chegasse e ele pudesse acompanhar George ao Basement e encontrar-se com Charlotte – mesmo que não acontecesse nenhum avanço mais significativo em sua conquista, não estava com pressa agora que estava tudo dando certo.

            Will ainda estava preso no transe da magia da noite passada. Tinha sido, de longe, o melhor encontro que tivera com Elizabeth até então. Eles não discutiram em momento algum, nem mesmo quando ele contou-lhe que o desafio havia sido encerrado. Está certo que ela fugiu dele, quando ele tentou beijá-la, mas também não tinha pressa – não agora que estava tudo bastante claro.

            Eles passaram a maior parte do tempo conversando sobre as garotas, ao invés de jogar videogame ou tênis (na quadra de tênis na casa de Will), ou boliche (na pista de boliche na casa de Richard). E, quase ao fim da tarde, seguiram para a casa de Charles, ao perceber que esportes em que se dividiam em dupla e que proporcionavam oportunidades para que pudessem conversar, não estavam tendo o sucesso desejado em distraí-los das garotas. Onde passaram o resto da tarde apostando corrida no mini-cart, à pista de mini-cart, que existia no quintal da casa de Charles – carros sempre fora a paixão de seu pai, para o seu benefício.

            Quando o dia escureceu, George e Richard abandonaram Charles e Will na pista de cart e seguiram para as suas respectivas casas. Precisavam tomar banho, para poderem se encontrar com as meninas ao Basement. Charles, quem havia ligado para Jane àquela tarde, descobrindo que ela tinha saído com a sua família para fazer compras, ligou mais uma vez para ela, para saber se Jane já havia voltado para casa. Mas Jane ainda estava ao shopping e acreditava que não voltaria para casa tão cedo, então ele soube que não a veria este dia também. Isso o deixou nada satisfeito, o que agradou a Jane e muito – ela gostava de saber que ele estava sentindo tantas saudades dela quanto ela estava sentindo dele.

            Restou a Will e Charles passar uma noite de domingo sozinhos, um fazendo companhia ao outro. Charles acabou convencendo Will a ficar para jantar em sua casa e depois do jantar os dois ficaram jogando sinuca no salão de jogos da casa de Charles, conversando sobre as irmãs Abbott. Charles contara a Will que Jane o havia convidado a acompanhá-la ao casamento de sua prima aquela sexta-feira. Afirmou, também, que se Will ainda estivesse cumprindo o desafio seria provável que ele acompanhasse Elizabeth ao casamento, também.

            Quando os dois estavam realmente conseguindo se distrair, após a deserção de George e Richard, ambos reapareceram a casa de Charles.  A aparição deles a casa de Charles, por si só, já indicava que havia algo de errado. Não passava das dez horas da noite, estava muito cedo para eles terem retornado do Basement, quando deviam estar com as garotas de quem gostavam. Will logo ficou apreensivo se havia ocorrido mais alguma coisa com Charlotte, para trazer seu primo de volta para casa tão cedo. Mas era George quem estava enfurecido com alguma coisa, a ponto de não conseguir formar uma frase coerente, enquanto Richard tentava acalmá-lo.

--O que está acontecendo? - Charles perguntou, alarmado com o que via.

--Ela me traiu!!! - George exclamou.

--Quem?! - Will perguntou, confuso. A possibilidade de Lydia trair George, para Will, era absurda. Mas George lhe dirigiu um olhar assassino, que confirmou para Will o que ele considerava impossível. - Lydia?! - Ele exclamou, surpreso.

--Quem mais? - Richard replicou, também sem paciência.

--Isso não é possível! - Charles exclamou, também abismado com aquela notícia. - Ela é maluca por você!

--Ela me traiu!!!! - George voltou a exclamar, quase engolindo Charles, fazendo com que ele se afastasse um pouco.

--Como? Onde? Quando? Com quem? - Will desatou a perguntar. George voltou a resmungar muitas coisas que Will, ou qualquer outra pessoa presente, não conseguiu compreender.

--Ontem, no show, com um dos cantores da banda. - Richard respondeu por ele.

--Como é que é?! - Charles e Will exclamaram juntos. “Isto não está acontecendo! Não pode! É muito surreal!!”, Will pensava.

--Como você descobriu? - Will perguntou a George, quem se afastou dos meninos e passou a dar voltas entorno da mesa de sinuca, tentando se acalmar.

--James Lyreen – colega de sala deles – contou a ele no banheiro masculino do Basement, tem uns... quarenta minutos... mais ou menos. - Richard voltou a responder por George.

--E como você sabe que ele estava dizendo a verdade? - Charles questionou Richard, já que George sequer se aproximava deles. - Ele podia estar mentindo!

--É!! - Will concordou. Isso, para ele, faria muito mais sentido. Não conseguia acreditar que Lydia faria isso; “como ela faria? Primeiro, ela gosta de George; segundo, com o cantor da banda – como? –; terceiro, por mais que Lydia fosse maluquinha, as outras meninas não permitiriam que ela fizesse algo do tipo; principalmente Jane, quem é tão certinha!”.  

--Ele a confrontou! - Richard informou. - Na frente de todo mundo! - Charles e Will se entreolharam e olharam para George, quem havia se recostado a parede do outro lado da mesa de sinuca e se sentado no chão, com a mão na cabeça. - Dá para você imaginar a minha surpresa? - Richard comentou para os dois, diminuindo o seu tom de voz. - Tudo estava bem quando chegamos ao Basement. Lydia estava esperando por ele e ficou cheia de sorrisos e atenção com ele... Nós fomos ocupar uma mesa juntos, nós cinco... – Ele, George, Lydia, Catherine e Charlotte – e ficamos conversando, tranquilamente. - Will voltou a olhar para George, não sabia se ele estava chorando (George estava com a cabeça baixa). - Eu cheguei até a ficar preocupado quando David apareceu e ficou olhando para a nossa mesa, estando sentado numa roda de amigos... Eu fiquei com receio que ele fosse procurar confusão, aproveitando que estávamos em minoria. - Richard prosseguiu em seu relato, recuperando a atenção de Will. - Então, George foi ao banheiro e quando voltou... ele era outra pessoa! - Richard continuou, aumentando a gravidade em seu tom de voz. - Ele segurou Lydia pelo braço, a arrancou de seu banco e exigiu que ela confessasse que tinha traído ele! - Charles e Will estavam boquiabertos. - Eu fiquei assim mesmo! - Richard disse, apontando para eles. - E Lydia não conseguiu negar, por que... aparentemente, muitas pessoas ali presentes tinha visto ou ouvido falar do que ela tinha feito no meio do show da banda McFly... De como ela tinha invadido o palco e agarrado um dos cantores!

--Miserável! - Charles exclamou, o que privou Will de dizer o mesmo.

--Então... - Will não sabia o que dizer. - Eles terminaram?

--Você pode dizer que sim. - Richard respondeu. - Eles discutiram... Maior bate-boca! ... Mas eu acho que não tem volta. - Richard comentou, observando George sentado no chão, com as costas a parede e a cabeça baixa. - Então, é... acabou.

            Nenhum dos meninos se aproximou muito de George. Nenhum deles sabia ao certo como consolar o amigo. Richard soube perfeitamente cumprir o seu papel, quando precisou segurar George durante a briga que ele tivera com Lydia e levá-lo embora, antes que ele fizesse algo de que se arrependesse. Mas consolar... Isso é uma coisa que só garotas sabiam fazer.

            Então se manterão a uma certa distancia, sentados ao chão, calados, apenas lhe fazendo companhia. George já havia parado de resmungar coisas incompreensíveis e agora estava apenas sentado ao chão, a um canto, com a mão na cabeça. Não estava chorando, estava com muita raiva para conseguir chorar.

            Uma hora inteira se passou, sem que nenhum deles se movesse. Até que a sra. Brown apareceu a porta da sala de jogos e chamou por Charles. Charles ergueu-se do chão, onde estivera sentado ao lado de Will, e foi atender ao chamado de sua mãe. Dois minutos depois, ele retornou, transmitindo a ordem de sua mãe de se despedir dele e mandá-los para casa, que já era tarde para eles estarem na rua numa noite de domingo.

            Então os meninos se levantaram, inclusive George, despediram-se dos pais de Charles, ao passarem pela sala principal, e saíram da casa de Charles, despedindo-se dele ao portão. Cada um seguiu para sua casa; George se negou a ser acompanhado por Will e Richard até a sua casa, afirmando que podia encontrar o caminho da sua casa sozinho – embora não morasse no mesmo condomínio de casas que os amigos, por não ser tão rico quantos eles, não morava muito longe. 

            Eles, enfim, se separaram e seguiram caminhos diferentes.

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49605)
United States flag 6%United States (4824)
Portugal flag 5%Portugal (3763)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1438)
Ukraine flag <1%Ukraine (473)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (318)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)