Capítulo 38
Às quatro horas daquela tarde de sábado, Lydia apareceu a porta da casa das irmãs Abbott. Viera buscar Jane, para irem ao concerto da banda McFly ao Estádio Wembley. Charlotte, Catherine e Mary ficaram ao carro do sr. Sawyer, estacionado à frente da casa de Elizabeth. Jane já estava pronta esperando por ela, então elas não se demoraram ali por muito tempo.
Elizabeth voltou a ficar triste quando elas se foram e a deixaram em casa, sem ter o que fazer. Notando a sua apatia, o sr. Abbott tentou consolá-la, dizendo-lhe que lhe faria companhia. Que ambos podiam assistir ao show juntos, sentados ao sofá da sala, pela televisão. A solução dele não animou muito Elizabeth, mas ela ficou contente por ele estar tentando agradá-la – embora não devesse, já que ela estava de castigo (muito merecido!).
Quando o show ia começar, às cinco horas da tarde, a campainha de sua casa tocou. Elizabeth se ofereceu para atender. Estivera sentada ao sofá da sala praticamente a tarde toda, assistindo televisão – já que, tentara surfar na Internet, mas ficou meio difícil usar o mouse e o teclado com a sua mão direita imobilizada – queria uma desculpa para se movimentar, mesmo que desse apenas dez passos do sofá até a porta.
Quando abriu a porta, encontrou-se cara a cara com Will Darcy. Ela o fitou da cabeça aos pés; ele estava absolutamente charmoso – com uma camisa de manga comprida azul marinho, qual realçava o azul de seus olhos, calça jeans num tom de azul mais claro, cabelos levemente molhados e muito bem penteados; e ele cheirava tão bem! A simples visão dele, parado ao batente da sua porta, estava roubando o seu ar.
--O que você está fazendo aqui, sr. Darcy? - Ela perguntou, extremamente nervosa.
--Eu vim... lhe dizer uma coisa... importante. - Will replicou, igualmente nervoso.
--O que é? - Elizabeth questionou.
--Ham... Eu... - Will começou a gaguejar. E, para adiar este momento, disse-lhe. - Eu sabia que Jane ia ao show da banda McFly com Lydia e as outras meninas ...e que você não poderia ir, porque está de castigo, então... pensei que... você podia ficar entediada... - Ele começou a se explicar, brincando com as alças de uma sacola que tinha em mãos, fazendo com que a sacola ficasse girando e as alças se enrolassem em seu dedo. - E ... para que você não precisasse recorrer a outra sessão de “Na Hora do Intervalo” - Elizabeth riu. - eu passei na locadora e aluguei estes vídeos para você assistir! - Estendeu-lhe a sacola que tinha em mãos, que continha dois DVDs.
--Que amor! - A sra. Abbott exclamou (estivera parada às costas de Elizabeth, um pouco afastada e fora do campo de visão de Will – embora ele não a notaria nem se ela estivesse parada ao lado de Elizabeth, porque estava concentrado em Elizabeth e somente nela! - e resolveu se manifestar naquele momento, se aproximando de Elizabeth). - Quanta consideração sua! - Ela comentou, postando-se ao lado de Elizabeth, que estava boquiaberta (porque a mãe falou no exato momento em que Elizabeth ia falar). - Entre, querido! - A sra. Abbott o convidou. - Você precisa ficar e assistir com ela!
--Mamãe, eu estou de castigo! - Elizabeth a lembrou, antes que Will entrasse.
--Sim. E o seu castigo é não sair de casa, o que não a impede de receber visitas! - A sra. Abbott replicou, olhando seriamente para Elizabeth. - Vamos, querido, entre! - A sra. Abbott repetiu e Will acolheu a sua sugestão.
A sra. Abbott fechou a porta às suas costas e virou-se para os dois jovens, sorridente.
--Vocês vão para a sala e comecem a assistir ao seu filme... - Disse, já impulsionando os dois pelo fowyer de sua casa em direção a sala de estar. - Que eu vou fazer um balde de pipoca para vocês! - Nenhum dos dois disse nada, apenas a obedeceram.
Quando entraram na sala de estar, o sr. Abbott desviou o olhar da televisão para ver o recém-chegado. A sra. Abbott apressou-se a lhe explicar o que estava acontecendo, ao ver o olhar inquisidor que o marido dirigira a sua filha.
--Não é um amor, querido? - Questionou-lhe, ao fim de seu relato.
O sr. Abbott observou o garoto por um momento e depois a própria filha. Elizabeth estava um misto de contrariedade e animação. Então decidiu dar uma oportunidade ao garoto e ver o que acontecia. Então deu permissão para que ele ficasse. A sra. Abbott logo encaminhou Will para o sofá, mandando-o se sentar. Assim que ele o fez, o sr. Abbott se ergueu do sofá e se dirigiu à saída da sala, enquanto Elizabeth ia em direção ao sofá, para se sentar ao lado de Will. Mas a sra. Abbott tinha outros planos.
--Onde você vai? - Ela pegou Elizabeth pelo braço e se interpôs no caminho do marido. - O senhor, meu marido, irá fazer sala a visita... - Recebendo um olhar confuso do sr. Abbott. - e a senhorita, dona Elizabeth, irá para o seu quarto e trocar de roupa! - Ordenou, guiando a filha até a escada pelo braço. - Onde já se viu atender a porta de casa encontrando-se neste estado! - Elizabeth estava, momentaneamente, sem resposta. - Enquanto estiver lá em cima: troque de roupa, penteie este cabelo e coloque um pouco de perfume... - A sra. Abbott recomendou, quase aos berros, enquanto Elizabeth subia a escada. - E passe um pouco de maquiagem também!
Depois ela fez o caminho de volta para sala, encontrando o seu esposo e a visita de sua filha sentados ao sofá, lado a lado, em silêncio, assistindo televisão – fingindo estar assistindo TV, mas, na realidade, ouvindo a conversa que ela estivera tendo com a filha. Ela informou aos dois que estava indo para a cozinha, preparar a pipoca, e se retirou.
Elizabeth entrou em seu quarto e fechou a porta, encostando as costas à ela. Ficou furiosa com a sua mãe, fizera com que ela pagasse um vexame na frente de Will. Então, seguiu para frente do espelho, para constatar que não tinha nada de errado com a sua aparência, e teve uma surpresa assustadora – foi obrigada a concordar com a sua mãe: como ela abriu a porta se encontrando neste estado? Estava usando uma blusa enorme, folgada, de manga; uma calça de moletom igualmente folgada; seu cabelo estava despenteado e preso por um elástico colorido, em um coque mal feito, com vários fios soltos; e estava calçada com as suas pantufas de Taz Mania. Estava assim porque esta era a única combinação de roupa mais fácil de vestir com a sua mão imobilizada e, como não ia a lugar algum, não via motivo para não ficar desleixada um pouquinho. Mas Will a tinha visto assim!!! “O que ele deve estar pensando de mim?”
Imediatamente trocou de roupa. Vestiu uma calça jeans, o que levou certo tempo; colocou uma suéter creme e soltou os cabelos, penteando-os. Passou um pouco de perfume, agradecida por ter tomado banho após o almoço, e passou um pouco de gloss labial. Admirou-se ao espelho e decidiu que estava muito melhor. Então saiu do quarto e desceu a escada, retornando a sala.
--Então, você viu tudo? - O sr. Abbott estava inquirindo a Will.
--Sim.
--E o seu primo também se envolveu? - O sr. Abbott questionou-o, com curiosidade.
--Sim. Ele também socou David e ganhou dois dias de suspensão. - Will respondeu, hesitante.
--E o que você fez? - O sr. Abbott continuou com o seu interrogatório.
--Confesso que não fiz muito. - Will respondeu, como se este fato fosse vergonhoso.
--Não diga? - O sr. Abbott sorriu com o jeito dele.
--Eh... ele só se meteu na minha frente, para que eu não apanhasse de David. - Elizabeth se intrometeu, soando irritada com este fato; o sr. Abbott, por sua vez, ficou admirado. - Muito cavalheiresco da parte dele, não?! - Elizabeth perguntou ao pai, com ar de deboche, se aproximando do sofá.
--Concordo! - O sr. Abbott replicou, erguendo-se do sofá.
--Papai, onde o senhor está indo? - Elizabeth o questionou, assim que percebeu a sua intenção.
--Para o meu escritório... - Ele replicou; o escritório dele, na verdade, era uma pequena sala próxima a cozinha, onde existia uma biblioteca ainda menor, a sua mesa, onde ele mantinha seus documentos de trabalho, e um velho e muito lento computador. - Eu tenho muito trabalho a fazer. - Elizabeth sabia que aquela era uma desculpa, mas o sr. Abbott escapou-lhe rapidamente por uma porta e não retornou mais durante um bom tempo.
Elizabeth sentou-se ao lado de Will ao sofá e os dois ficaram parados, olhando para a televisão, por alguns minutos. Então Will lhe entregou a sacola com os DVDs, que ainda estavam em sua mão, dizendo-lhe que:
--Eu não sabia ao certo que filme locar, então pedi ajuda a atendente da locadora. - Explicou-lhe isto. - Eu disse-lhe que você gostava de comédias-românticas e que gostava de música também... Então ela sugeriu estes dois... - Elizabeth abriu a sacola e tirou os DVDs de dentro; eram “Ela Dança, Eu Danço” (Step Up) e “Vem Dançar” (Take The Lead). - Eu li a sinopse, mas continuei em dúvida... Entre os dois... Eu não sabia se você já tinha assistindo um deles, ou ambos... Então aluguei os dois. - Elizabeth sorriu, ao observar os filmes que tinha em mãos. Já tinha assistido àqueles filmes, mais de uma vez. Mas aprovara a sua escolha. Então, disse-lhe.
--Você já assistiu algum deles, ou os dois?
--Não. Nenhum deles. - Will respondeu.
--Ótimo! - Elizabeth respondeu, erguendo-se do sofá e indo colocar o CD no aparelho de DVD. - Qual você quer assistir primeiro?
--Qualquer um. - Will respondeu e a viu abrir a capa do DVD e colocar o CD no aparelho de DVD. - Você já assistiu algum deles? - Perguntou-lhe, curioso.
--Sim. - Elizabeth retornou para o sofá.
--Qual deles?
--Os dois. - Ela respondeu e o viu desanimar; escolheu um filme que ela já tinha visto. - Mas que tenho maior prazer em assistir de novo! - Garantiu-lhe, sorrindo para ele.
A sra. Abbott não demorou a aparecer depois disso, entregando-lhe um balde de pipoca e retornou para a cozinha. Voltou dois minutos depois, com dois copos de refrigerante e entregou-lhes também, voltando a se retirar da sala. Desta vez, para não voltar tão cedo.
Eles começaram a assistir o filme, estando completamente sozinhos naquela pequena sala, sentados um ao lado do outro, em um sofá menor ainda. Quando o primeiro filme acabou, o céu já havia escurecido. Eles fizeram uma pequena pausa, para ir ao banheiro e para dar tempo da sra. Abbott preparar um outro lanche para eles – já que ela e o sr. Abbott iam jantar sozinhos àquela noite. E depois começaram a assistir ao segundo filme.
Ao final do segundo filme, já passara das dez da noite. Will sabia que era o momento de dizer a Elizabeth porque viera ali, mas não queria fazê-lo dentro de sua casa – porque poderiam ser ouvidos pelo sr. e sra. Abbott; sem falar que não sabia qual seria a reação de Elizabeth à notícia. Então, pediu a Elizabeth para acompanhá-lo até o seu carro, receoso que ela não o faria – como quando ele viera jantar em sua casa. Mas ela aceitou levá-lo até o carro, estacionado a frente de sua casa, e o fez de bom grado.
Eles se encostaram a uma das portas de passageiro do carro de Will – qual estava com as janelas já abertas e com o som ligado – e continuaram uma conversa agradável sobre os filmes que haviam assistido. Ambos concordando quanto às cenas haviam sido as mais empolgantes dos dois filmes – a cena da apresentação de dança ao fim do filme, em ambos os casos. E quando o assunto pareceu morrer, Will lembrou-se de algo que queria perguntar a ela há muito tempo.
--Por que você insiste em me chamar de “sr. Darcy”? - Elizabeth riu ao ouvir aquela pergunta.
--Usar a expressão “senhor” é um sinal de respeito. - Will fez uma careta, como se duvidasse que ela estivesse sendo honesta. Elizabeth voltou a rir. - Além de que, chamar uma pessoa pelo seu primeiro nome ou por um apelido é sinal de intimidade. - Ela concluiu.
--Você chama Charles pelo primeiro nome! - Will rebateu, desafiante.
--Ele está namorando a minha irmã! - Elizabeth respondeu, imediatamente, aceitando aquela inofensiva disputa.
--E quanto a Richard e a George? - Will persistiu, animado por vê-la sorrindo para ele com os olhos.
--Eu os conheço há mais tempo que a você! - Elizabeth replicou; Will hesitou um momento, procurando em sua mente um novo argumento; vindo a lembrar-se de sua própria irmã. Mas Elizabeth se adiantou a ele e disse lhe. - Mas, se você faz tanta questão, passarei a chamá-lo por seu primeiro nome. - Will lhe dirigiu um olhar desconfiado. - Fitzwilliam. - Elizabeth disse, com gosto, sorrindo maliciosamente para ele.
--Por que você faria isso comigo? - Will exclamou, insatisfeito. O que a fez rir ainda mais.
--Por que você não gosta do seu próprio nome? - Elizabeth questionou-o, curiosa.
--Eu não odeio o nome, odeio o personagem do livro que minha mãe escolheu homenagear através de mim! - Ele respondeu.
--Por quê?! - Elizabeth voltou a questioná-lo, inconformada com aquela resposta.
--Ele era um bobo! - Will replicou, com veemência.
--“Nós todos somos bobos quando estamos apaixonados!” (“We are all fools when we are in love”)- Elizabeth recitou uma das falas do filme (Fala de Charlotte, durante o baile de Netherfield). Os olhos dela brilharam quando ela disse isso e ela sorriu para ele de novo, quem ficou hipnotizado. Olhando para ela, em completo silêncio.
Elizabeth o viu se inclinar em direção a sua boca; sentiu a sua boca ficar seca e o seu coração acelerar descontroladamente. Ela ouviu os versos da música que tocava naquele momento.
One more kiss could be the best thing
(Mais um beijo pode ser a melhor coisa)
Or one more lie could be the worst
(Ou mais uma mentira pode ser a pior coisa)
Elizabeth desviou o seu olhar do dele e virou o rosto em outra direção, se desencostando do carro. Dizendo-lhe:
--É melhor eu entrar... - Virando-se na direção dele, o vendo lhe dirigir um olhar decepcionado. - Eu ainda estou de castigo e... minha mãe vai aparecer à porta daqui há pouco para avisar isso, mandando que eu entre. - Explicou, nervosamente. E, quando ia dar-lhe as costas, para seguir em direção a sua casa, Will disse.
--Espere! - O que a impediu de seguir adiante com aquela ação, continuando parada de frente para ele. - Eu ainda não lhe disse o que preciso lhe dizer. - Will falou, a fitando nos olhos.
--O que é? - Elizabeth o perguntou, mordendo o lábio inferior por estar nervosa.
--Eu... - Will hesitou, mas sabia que precisava lhe dizer. Respirou fundo e disse. - O desafio foi encerrado. - A uma Elizabeth que apenas retribuiu o olhar. - Então, você não precisa mais sair comigo... durante os fins de semana. - Will completou e Elizabeth sorriu-lhe, um suave sorriso.
In my head there's only you now
(Em minha mente só existe você agora)
This world falls on me
(E este mundo desaba sobre mim)
In this world there's real and make believe
(Neste mundo há a realidade e o faz de conta)
And this seems real to me
(E isto parece real para mim)
--Ok. - Elizabeth respondeu, ainda sorrindo suavemente para ele; quem interpretou tal atitude por alivio de sua parte, porque não queria sair com ele. - Bem, boa noite, sr. Darcy! - E, rindo, corrigiu-se. - Fitzwilliam! - O que, por fim, o fez rir, mesmo que um riso meio amargo.
--Boa noite, ... - Ele respondeu e ela deu-lhe as costas; mas, antes que ela se afastasse, ele se desencostou do carro, a segurou pela mão esquerda e a virou para si. Inclinou-se em sua direção e deu-lhe um demorado beijo... no rosto. Fazendo com que Elizabeth ficasse imóvel, levemente apreensiva (pensou que ganharia um beijo na boca). - Lizzie. - Ele disse, num sussurro que fez os pêlos da nuca de Elizabeth arrepiarem e ela engolir a seco.
Will se afastou dela, soltando a sua mão e seguiu para o seu carro; desceu do passeio e seguiu em direção a porta do motorista. Enquanto Elizabeth continuava parada no mesmo lugar, observando cada um de seus movimentos, com uma expressão de desapontamento no rosto.
I'm torn between this life I lead and where I stand
(Eu estou dividido entre a vida que quero levar e o lugar onde estou)
Quando Will abriu a porta do carro e voltou a olhar para Elizabeth, ainda parado do lado de fora do carro, Elizabeth despertou de seu delírio e lhe deu as costas. Ela logo seguiu em direção a sua casa.
I dream ahead to what I hope for
(Eu sonho com o que quero no futuro)
Will sorriu e entrou no seu carro, fechando a porta e ligando o motor. Elizabeth entrou em casa e fechou a porta. Will tirou o carro do lugar e seguiu em direção a sua casa. Elizabeth ficou encostada a porta, respirando fundo várias vezes; sentia o seu coração ainda mais acelerado, as pernas bambas e o rosto arder de rubor.
--Está tudo bem, Lizzie? - O sr. Abbott inquiriu, parado a porta de entrada da sala de estar, onde estivera, assistindo à parte do show de McFly.
--Sim. - Elizabeth respondeu, corando ainda mais e atravessou o foyer, seguindo apressadamente em direção a escada. “Eu estou perdida!” e subiu a escada correndo, indo se trancar em seu quarto.
O sr. Abbott riu-se e retornou para a sala, voltando a ocupar o seu lugar ao sofá enfrente a televisão.
Elizabeth voltou a ficar encostada à porta de seu quarto, revivendo aqueles momentos cruciais da noite – quando ele tentou beijá-la a primeira vez, quando lhe contou que o desafio tinha acabado e quando a beijou, mesmo que no rosto, antes de ir embora. Sentia como se o seu coração fosse saltar por sua boca. Ele não ia mais sair com nenhuma daquelas meninas – ela estava tão feliz com aquela notícia.
Elizabeth se preparou para dormir e se deitou em sua cama, já com as luzes do seu quarto apagadas. Mas não conseguiu dormir. Ouviu os barulhos à rua diminuir, os barulhos dentro da sua casa diminuir. Ouviu seus pais subindo a escada e indo para o seu quarto – Jane iria dormir na casa de Lydia, assim como as outras meninas (outra atividade que havia deixado Elizabeth enciumada por não poder participar; mas que, naquele momento, não tinha a mínima importância).
Quando viu em seu despertador que já era uma hora da manhã e ainda estava acordada, sem ter sinal algum de conseguiria dormir tão cedo, se levantou da cama, ligou a luz de seu quarto e foi procurar o que fazer. Ligou o seu rádio em sua estação predileta e ficou ouvindo música, deitada em sua cama, desoberta (a sua agitação a estava deixando com calor).
It's late and I'm feeling so tired
(É tarde e eu estou tão cansada)
Having trouble sleeping
(Estou tendo dificuldades em dormir)
Elizabeth ouviu os primeiros versos daquela música e reconheceu a coincidência com o que estava vivendo, então deu bastante atenção ao que a música dizia.
This constant compromise
(Esse compromisso constante)
Between thinking and breathing
(Entre pensar e respirar)
Could it be I'm suffering
(Poderia ser que estou sofrendo)
Because I'll never give in
Porque eu nunca desisto?)
Won't say that I'm falling in love
(Não diga que eu estou me apaixonando)
Imediatamente se sentou em sua cama, voltando-se para o seu aparelho de som, alarmada. Sentindo o seu calor só aumentar.
Tell me I don't see myself
(Diga-me que eu não me enxergo)
Couldn't I blame something else
(Será que eu não poderia culpar outra coisa?)
Don't say I'm falling in love
(Não diga que eu estou me apaixonando)
Elizabeth se levantou da cama e dirigiu-se a sua janela, a abrindo com maior cuidado para não fazer barulho. Não queria acordar os seus pais e fazê-los acreditar que a sua casa estava sendo invadida por ladrões.
Some kind of therapy
(Algum tipo de terapia)
Is all I need
(É tudo o que preciso)
Please believe me
(Por favor, acredite em mim)
Some instant remedy
(Algum remédio instantâneo)
That can cure me completely
(Que possa me curar completamente)
Não lhe importava que era madrugada, em pleno outono em Londres (já estando mais distante do verão e próximo do inverno). Estava com calor.
Could it be I'm suffering
(Poderia ser que eu estou sofrendo)
Because I'll never give in
(Porque eu nunca desisto?)
Won't say that I'm falling in love
(Não diga que eu estou me apaixonando)
Tell me I don't see myself
(Diga-me que eu não me enxergo)
Couldn't I blame something else
(Será que eu não poderia culpar outra coisa?)
Don't say I'm falling in love
(Não diga que eu estou me apaixonando)
Elizabeth decidiu que aquela música não estava ajudando em nada a sua situação, então desligou seu aparelho de som. Voltou a apagar a luz e a se deitar na cama, sem fechar a janela. Deixou uma pequena brecha para que o ar frio da noite pudesse entrar. Continuou sem sono, mas permaneceu deitada. Após às duas da manhã de domingo, conseguiu dormir. E, dormindo, cobriu-se com o edredom, encolhendo-se à cama por estar com frio.














