Capítulo 37
Sexta-feira, por sua vez, foi ainda mais tranqüila. Will e Elizabeth conversaram com a maior educação que possuíam e não discutiram em momento algum. No entanto, ao fim daquele dia, Will teve de passar por um tortura que lhe tirou da mente por completo a história do namoradinho de sua irmã. Ele, juntamente com a sua família, foram jantar à casa de Caroline Bentley.
A começo o jantar transcorreu tranqüilo, como o almoço em sua casa havia sido. Os Bentley, pais de Caroline, os receberam em sua morada, um pouco menos luxuosa que a casa dos Darcys, com toda a cerimônia que a ocasião pedia. Os pais de Caroline, ao contrário da filha, eram pessoas amistosas e gentis. Will deduziu que a filha era do jeito que era por ser filha única e, por isso, era mimada por ambos os pais.
Mas durante o jantar em si, quando todos estavam reunidos à mesa do jantar, cuidadosamente posta pela governanta dos Bentley, o sr. Bentley iniciou uma conversa com o pai de Will que não estava dentro das expectativas de Will de ouvir em qualquer momento de toda sua vida.
--Frederick, como você encara as novidades? - O sr. Bentley começou lhe inquirindo isso, como se lhe fizesse uma pergunta por mera curiosidade. - Quero dizer, a primeira vez que ouvi, para ser sincero, comecei a me sentir muito velho. - E riu, gostosamente, ao dizer isso. O sr. Darcy, assim como os demais ocupantes à mesa, também riu, embora ainda não houvesse entendido o comentário. - A milha filha de dezesseis anos já está namorando!
--Ohh! - O sr. Darcy sorriu, voltando-se para olhar Caroline, quem desviou o olhar para Will, corando; enquanto Will ficava de olhos arregalados. - Bem, eu entendo muito bem o que quer dizer. - O sr. Darcy comentou. - Eu também ficaria apreensivo com uma notícia destas... Mas acho que ainda tenho alguns anos pela frente antes que a minha Georgiana comece a namorar! - E continuou com o seu argumento, tranquilamente, observando a sua filha mais nova ficar encabulada por ter sido mencionada neste tipo de conversa. - Mas Will, no entanto, já teve uma namoradinha ano passado e ... recentemente eu conheci a sua atual. - Sr. Darcy concluiu, orgulhoso do filho. Enquanto Will rezava mentalmente para que aquela conversa acabasse logo.
--Então você está de acordo com a escolha dele? - O sr. Bentley perguntou, depositando o seu olhar em sua filha e recebendo um sorriso dela em resposta.
--Mas é claro! - O sr. Darcy garantiu. - Ela é uma garota excelente! - Ele garantiu, empolgado. - Muito inteligente e bonita! - Continuou e a sua esposa concordou com a cabeça, em silêncio. - Eu não vou negar, fiquei um pouco surpreso quando a vi a primeira vez, porque estava esperando que ela fosse loira, como a primeira namorada do meu filho... Mas eu acho que ela muito mais bonita que a primeira namorada dele! - O sr. Bentley começou a se sentir satisfeito com o que estava ouvindo e Caroline também. Enquanto Will pedia a Deus para que um buraco abrisse ao chão dele e o engolisse. - Os cabelos castanhos escuros realçam bem o seu olhar e sorriso! - O sr. Darcy concluiu e o sr. Bentley voltou a olhar para a própria filha, perguntando-se se Frederick estava ficando cego (porque Caroline tem cabelos ruivos). Mas logo ignorou isso, ponderando que, a depender da luz do ambiente, eles pareciam ser castanhos.
--Isso me tranqüiliza! - Resolveu comentar. - Porque, como disse, inicialmente fiquei preocupado, mas quando Caroline me disse que se tratava do seu filho, me aliviei um pouco. - E foi a vez do pai de Will de ficar sem entender o comentário. Enquanto Will ficava imaginando se alguém iria desconfiar se ele se retirasse da mesa àquele momento para ir ao banheiro. - Afinal, somos amigos há tanto tempo... Não consigo enxergar mal algum em nossos filhos namorarem, se se gostam! - Ambos os pais de Will ficaram boquiabertos com aquela revelação e Georgiana se engasgou com a água que estava bebendo naquele momento, molhando um pouco a toalha branca rendada da mesa de jantar.
--Nossos filhos estão namorando? - O sr. Darcy perguntou, assombrado. E voltou-se para encarar Will, quem tratou de encher a boca de comida para adiar suas explicações.
--Sim. - A sra. Bentley disse, surpresa com a reação dos Darcy. - Vocês não sabiam?
--Não! - Sr. e sra. Darcy garantiram em união.
--Ohh, Will deve ter esquecido de mencionar! - Caroline apressou-se em dizer, recebendo a atenção de todos, momentaneamente.
--Foi isso o que aconteceu, Fitzwilliam? - A sra. Darcy lhe questionou, usando de um tom sério. Will fez a única coisa que o momento permitia, concordou com um aceno de cabeça. Não podia explicar a real situação aos seus pais na frente dos pais de Caroline.
Depois disso, o jantar prosseguiu com uma conversa menos emocionante. Os Darcys restringiram a fazer comentários quando lhes era solicitado e não se demoraram à casa dos Bentley por muito tempo depois disso. E, assim que estavam de carro à caminho de casa, ambos pais de Will começaram a interrogá-lo quanto o que estava acontecendo. Will não teve outra escolha, a não ser contar a verdade.
--Eu não estou realmente namorando Caroline! - Apressou-se em garantir isso.
--Não está? - A sra. Darcy perguntou-lhe. - E por que não disse isso durante o jantar, deixou que os Bentley acreditassem nesta história de namoro?!
--Porque a história verdadeira é muito complicada e eu não podia dizer na frente deles! - Will replicou, afoito.
--E qual é a história verdadeira?! - O sr. Darcy questionou-o, tentando virar-se de lado para olhá-lo.
--Querido, olhe para frente! - A sra. Darcy o aconselhou. O que Frederick fez, mas, de tempos em tempos, olhava para Will pelo retrovisor.
--Estou esperando, Will! - Ele exigiu saber.
--... - Will respirou fundo antes de responder. - Richard me desafiou a sair com cinco meninas de lá do colégio por um mês. - Disse isso o mais rápido que conseguiu.
--Como é que é?! - Os seus pais exclamaram; Georgiana ficou em silêncio, mas estava fazendo a mesma pergunta, mentalmente, olhando para o irmão sentado ao seu lado ao carro de seu pai, incrédula.
--Mas é só sair. - Will apressou-se em repetir. - Não é namorar! Realmente namorar! - E, antes que algum deles pudesse voltar a dizer qualquer coisa, (porque, naquele exato momento, estavam muito surpresos com o que ouviram para saber o que dizer em resposta), continuou. - E Caroline é uma delas! ...Richard a escolheu porque sabe que eu nunca tive a intenção de ter nada com Caroline e queria dificultar o desafio!
--Quantas vezes eu já o proíbe de ficar agindo sobre os desafios de seu primo? - O sr. Darcy exclamou, furioso. - Você não aprendeu nada ao ser obrigado a se transferir para outra escola para não ser expulso?! - Will só pode ficar em silêncio; nunca ousaria responder o seu pai num de seus momentos enfurecidos, como este.
--E quanto a Lizzie? - Georgiana questionou, não agüentando mais ficar em silêncio.
--Ela é uma das meninas que você está namorando porque o seu primo lhe desfiou? - A sra. Darcy perguntou, também interessada nesta informação.
--Sim. - Will respondeu.
--Eu pensei que você gostava de Lizzie! - Georgiana exclamou, inconformada com a notícia.
--Eu gosto. - Will garantiu. - Ela é... meio que a razão para Richard ter me desafiado a sair com estas meninas por um mês! ...E a única razão porque eu estou fazendo isso até hoje!
--Que desculpa esfarrapada, Fitzwilliam! - A sra. Darcy exclamou. - Dizer que está saindo com cinco meninas por gosta de uma delas!
--Mas é a verdade! - Will replicou, exasperado.
--Não importa se é verdade ou mentira! - O sr. Darcy disse, ao estacionar o carro enfrente a sua casa. - E não me interessa o motivo porque você está fazendo isso! - Continuou, com o seu tom autoritário de pai. - Você vai acabar com esta história amanhã mesmo! - Will concordou com um aceno de cabeça, permanecendo em silêncio. - Caroline Bentley é filha de um amigo meu e você não irá enganar a menina...
--Ela sabe que é um desafio... - Will tentou argumentar, mas o sr. Darcy o interrompeu, falando num tom de voz mais alto e silenciando-o.
--Não me interessa que ela saiba! - Bastante irritado. - Você vai terminar com isso amanhã!
--Eu vou. - Will respondeu.
Todos desceram do carro ao mesmo tempo e entraram em casa juntos, em silêncio. Cada um seguiu para o seu respectivo quarto imediatamente. Will ficou pensando que devia ter imaginado que isso ia acabar acontecendo eventualmente. Estava até admirado que tenha demorado tanto para seus pais descobrirem. Agora ele teria de pôr um fim neste desafio, o que, surpreendentemente, era o que queria fazer – exceto quando pensava em Elizabeth.
Sábado de manhã continuou com o mesmo clima tenso entre os Darcys. Quando Will juntou-se aos seus pais à mesa, a conversa que eles estavam tendo morreu aos poucos e o silêncio se apoderou daquele aposento. Quando terminou de tomar o seu café, voltou para o seu quarto. Ficou orquestrando em mente como ia terminar com as meninas, decidiu que precisava ir até a casa de cada uma delas este dia mesmo e lhes dizer pessoalmente que o desafio tinha sido encerrado. Então, voltou a sair de seu quarto, aparecendo a sala e informando ao seus pais que estava saindo. O sr. Darcy quis saber aonde ele estava indo e pareceu satisfeito quando Will lhe disse que estava indo cumprir as ordens dele.
Will saiu de casa e entrou em seu carro, o tirando da frente de sua casa. Mas decidiu passar à casa de Richard antes de seguir adiante com os seus planos. O que o levou a estacionar o carro não muito longe de sua própria casa, para poder entrar na casa do primo. Richard estava conectado a Internet quando Will entrou em seu quarto e o primo precisou desconectar-se para poder lhe dar a sua total atenção.
Will lhe relatou os acontecimentos da noite passada e a ordem de seu pai, a qual pretendia cumprir àquele mesmo dia. Para sua surpresa, Richard concordou com tal decisão.
--Na minha opinião, você devia ter feito isso há muito tempo. - Richard comentou, sentado à cadeira do computador, mas de frente para Will, quem sentara aos pés de sua cama.
--E por que você não disse isso antes? - Will questionou-o. - Deixou que eu ouvisse George!
--A idéia de George não estava exatamente sem lógica, só... - Richard se enrolou com a sua explicação. E, perdendo a paciência, completou. - Ahh... Eu tinha outras coisas na minha mente no momento! - Um pouco irritado.
--Sim. Você tinha! - Will concordou. - Por falar nisso, o que você vai fazer agora? - Questionou, curioso. - Agora que ela está livre de novo!
--Eu não sei... - Richard disse, já começando a sorrir. - Quero dizer,... Eles terminaram esta semana...Naquela confusão... Charlotte está... Eu vou dar um tempo antes de tentar qualquer coisa. - Disse ao primo, quem sorria para ele; era engraçado ver o Don Juan Richard hesitando. - Mas... vem aí a caça ao Tesouro e a Festa do Halloween, então... - Concluiu, mais animado.
--Oportunidades é que não vão faltar! - Will concordou.
--Aha! - Mathew, mais uma vez, invadiu o quarto do irmão mais novo, sendo seguido por Thomas. - Eu sabia que havia um motivo oculto para esta alegria dele!
--Afinal, quem é que ainda consegue ficar contente depois de ser posto de castigo e perder a mesada por dois meses? - Thomas completou.
--Dá para vocês saírem do meu quarto? - Richard perguntou, sem paciência, já se dirigindo aos irmãos, com o intuito de expulsá-los dali.
--Mas, diga-me, Will! Já veio buscar conselhos com Don Juan Richard de como lidar com as suas garotas? - Thomas questionou-lhe, debochadamente, escapando de Richard e se acercando de Will.
--Se é este o caso, você devia pedir conselhos a mim. - Mathew se ofereceu, sentando-se ao lado de Will aos pés da cama e pondo a mão em seu ombro. - Já que Don Juan Richard já não é mais o mesmo!
--Agora ele é homem de uma garota só, não é, filhinho da mamãe?! - Thomas segurou nas bochechas de Richard e sacudiu o seu rosto, dando risada. Richard o afugentou, irritado.
--Então, diga-me, qual é o conselho de que você precisa! - Mathew inquiriu a Will.
--Como terminar com cinco garotas. - Will respondeu; e, imediatamente, Thomas exclamou um “aha!” e Mathew fez uma careta.
--Passa o dinheiro para cá! - Thomas estendeu uma mão para Mathew, quem se inclinou na cama e tirou a sua carteira do bolso do fundo da calça jeans que estava usando; abriu a carteira e começou a contar o dinheiro que tinha ali. - Eu lhe disse que ele não ia durar até o fim desse mês namorando as cinco garotas! - Thomas riu-se do irmão, quem teve de lhe entregar todo o maço de dinheiros que tinha em sua carteira.
--Vocês fizeram uma aposta sobre isso?! - Richard inquiriu, incrédulo com a atitude dos irmãos.
--Mas é claro! - Thomas garantiu. - As maluquices de vocês dois, além de arrancar muitas risadas, podem trazer lucro... Como vocês podem ver! - Thomas tomou o dinheiro da mão de Mathew e passou a contar o dinheiro ele mesmo. - Agora, quanto ao seu problema... - Thomas guardou o dinheiro em sua carteira, puxou a cadeira de frente do computador e se sentou, de frente para Will. - Sabe aquelas conversas que você vê em filmes, em que o cara diz que está terminando o namoro porque ele é quem tem o problema? - Will concordou com a cabeça.
--Não faça nada disso! - Mathew disse, com veemência. - Diga que o problema é dela!
--Que você não gosta das roupas que ela usa, do perfume que ela usa... - Thomas começou a dar exemplos.
--Que ela está ficando gorda, ou que está magra demais... - Mathew completou.
--Que ela é burra! - Thomas concluiu. - Enfim, ponha a culpa do fim do namoro nela! - Enquanto Will e Richard escutavam os conselhos dos gêmeos boquiabertos.
--Assim ela irá se preocupar com os defeitos que você apontou nela... - Mathew disse.
--E vai se esquecer de você! - Thomas completou.
--Agora, você tem de estar preparado para o caso de ela começar a chorar... - Mathew o avisou.
--Implorar para você ficar com ela, prometendo que irá mudar... - Thomas acrescentou.
--Ou meter a mão na sua cara! - Mathew deu bastante ênfase nesta parte.
--Isso aconteceu comigo duas vezes! - Thomas comentou, tranquilamente.
--Obrigado pelos conselhos, mas... acho que vou fazer do meu jeito. - Will respondeu, levantando-se da cama e seguindo em direção da porta.
--Você é quem sabe! - Mathew o reprovou, parecendo estar ofendido.
--Depois não venha reclamar que não lhe avisamos! - Thomas comentou, também parecendo ofendido.
Will preferiu terminar com Clarice primeiro, porque a casa dela ficava na metade do caminho da casa de Caroline – quem era, originalmente, a primeira da sua lista. Quando apareceu a porta da casa dela, foi recebido por um senhor de certa idade, quem descobriu ser o pai dela, o sr. Betran; ele foi muito gentil com Will e o convidou a entrar, oferecendo-lhe uma bebida – água; ele, pelo menos, não tinha intenção alguma em dar bebida alcoólica a um menor. Informou-lhe que a sua filha tinha acordado há pouco, porque tinha ido a uma festa à noite passada e voltara para casa muito tarde.
Brian apareceu a sala, mas cumprimentou Will a distância, saindo por uma porta diferente da que tinha entrado – Will considerou que ele e o irmão dele não iriam se aproximar de Will com o pai deles estando presente. Clarice apareceu a sala um pouco depois de Brian e Will pediu para conversar com ela do lado de fora da sua casa, perto do seu carro. Assim, se ela reagisse mal a notícia, seus irmãos não estaria tão próximos e Will conseguiria ir embora ileso.
Will continuou a se surpreender, pois Clarice ficou totalmente de acordo com o fim do “namoro por um mês”. Assim que Will abordou a notícia – sendo o mais sincero possivel, mas sem entrar em detalhes; apenas lhe dizendo que não podia mais continuar com o desafio – ela informou-lhe que estava para lhe dizer o mesmo naquele exato momento, porque tinha voltado a namorar Michael a noite anterior – na verdade, eles ficaram; Michael estava bêbado, mas Clarice preferiu ignorar isso e acreditava que tinham reatado – e que, por isso, não podia mais sair com ele.
Will não podia ter ficado mais aliviado. Não conseguia crer que ia ser assim tão fácil. Saiu da casa de Clarice com o seu destino traçado, sentindo-se muito mais encorajado a seguir adiante. Chegou a casa de Caroline ainda na metade daquela manhã. A sra. Bentley o recebeu com muita atenção e cuidados, perguntando-lhe se já havia tomado café da manhã e se queria que ela pedisse a empregada para lhe preparar algo para comer. Will recusou a sua oferta, explicando que esta era uma visita rápida, porque ainda tinha outros lugares para ir, e que precisava falar com Caroline.
A sra. Bentley o entendeu perfeitamente, o guiou para um jardim lateral da sua casa e disse-lhe para se sentar em um dos banquinhos de jardim que ali se encontravam, enquanto ela ia chamar Caroline. Passaram-se quase vinte minutos antes de Caroline aparecer, vestida como se fosse a uma festa e muito perfumada. Sorriu-lhe amavelmente e caminhou-se para perto dele, sentando-se ao seu lado ao banquinho, pondo a mão em seu joelho. A sua mãe sorriu com a imagem que os dois apresentavam e voltou para casa, deixando-os a sóis. Will retirou a mão de Caroline de seu joelho imediatamente, sentindo-se enojado.
--Will querido, não imagina quão surpresa eu fiquei quando minha mãe me disse que você estava aqui para me ver! - Caroline exclamou, sorridente.
--Eu preciso te dizer uma coisa muito importante, Caroline! - Will disse, se levantando. Estava começando a se sentir claustrofóbico (mesmo ao ar livre) por estar sentado ao lado dela.
--Diga-me, Will querido! Sou todo ouvidos! - Ela respondeu, levantando-se também e se aproximando dele, quem deu dois passos para trás.
--O desafio acabou! - Disse-lhe, apressadamente, por estar nervoso ao vê-la tentando se aproximar dele novamente.
--Acabou? - Caroline inquiriu, parando de andar em sua direção.
--É! - Will respondeu. - Eu não vou mais sair com cinco garotas até o fim deste mês! - E, para o seu espanto, Caroline sorriu.
--Que notícia maravilhosa! - Ela exclamou, voltando a andar em sua direção, enquanto Will continuava a se afastar dela, dando passos para trás. - Será somente nós dois, então, daqui em diante!
--Não, Caroline! - Will apressou-se em lhe dizer isso. - Você não está me entendendo! Eu estou aqui para terminar com você! - Caroline parou de andar novamente, ficando boquiaberta.
--Como? - Ela inquiriu, surpresa. - Por que?
--Por que? - Will não conseguia acreditar que ela estava lhe fazendo essa pergunta. - Eu... Porque você... - E lembrou-se do que os gêmeos Maverick disseram, mas afastou tal idéia da cabeça. - Eu nunca tive a intenção de sair com você, Caroline! - A expressão do rosto dela foi ficando cada vez mais espantada. - Eu considero você uma garota muito bonita e ... legal... - Não tinha mais outros elogios a fazer, não queria mentir absurdamente para ela. - Mas nunca pensei em você como mais que uma colega de escola! - Caroline continuou boquiaberta. - E agora eu vejo que nunca devia ter aceitado o desafio do meu primo e ter te posto nesta situação, porque nunca tive a intenção de lhe dar a impressão errada do que realmente existe entre nós!
--E o que existe entre nós?! - Ela exigiu saber, já ficando irritada.
--Nada. - Will respondeu, apreensivo com a reação que ela pudesse ter ao ouvir isso. - Como eu disse, você é só uma colega de escola para mim! - Mas preferiu ser sincero e terminar logo com aquilo.
Caroline voltou para o banquinho de jardim e se sentou, ficando a fitar o chão e completamente muda.
--Desculpe-me! - Will não sabia mais o que dizer. - Eu vou embora. - E seguiu em direção a porta da casa, por onde houvera passado para ir para o jardim lateral.
Passou pela sra. Bentley à sala e despediu-se dela apressadamente. Seguiu em direção a porta de entrada e saiu da casa, sem muita demora. Entrou no seu carro e dirigiu para longe dali. Olhou para o próprio relógio, ainda havia tempo antes do almoço para ir a casa de mais uma menina e terminar com ela. O que ele fez. Após ter terminado com Caroline, não acreditava que nenhuma outra seria tão difícil – somente Elizabeth, por vários motivos. Primeiro, porque não queria terminar com ela; segundo, porque temia a sua reação. Imaginou-se sendo nockouteado com David.
A terceira menina com quem terminou foi Hanna, quem chorou. Não importava o que Will dissesse, ela insistia em dizer a ele que ele estava terminando com ela porque ela devia ter algum defeito. Will precisou consolá-la por mais de dez minutos, até ela se acalmar e parar de chorar. Só então foi embora.
Voltou para casa, almoçou com seus pais, relatando o que já tinha feito até então – sem entrar em detalhes, principalmente quando disse que já tinha terminado com Caroline. E após às duas da tarde, continuou com a sua saga, saindo de casa com o intuito de procurar Marianne em sua casa e terminar com ela também.
Marianne, por sua vez, culpou Will pelo fim do namoro. Dizendo-lhe que era linda e não demoraria a encontrar outro, expulsando-o de sua casa. Will tomou o caminho de volta para casa ainda anestesiado com tudo o que tinha passado aquele dia e, quando estacionou o seu carro enfrente a sua casa, começou a rir. Dar grandes gargalhadas incontroláveis, só de pensar na confusão que se metera e que conseguira se livrar.
Will saiu do carro e entrou em casa, encontrando-se logo de imediato com sua mãe. Contou-lhe o que tinha feito e a sra. Darcy inquiriu-lhe quando ele ia terminar com Elizabeth, vindo a notar a hesitação de seu filho nesta parte. A sra. Darcy ficou em dúvida se devia lhe dar conselhos – dizer-lhe para pedi-la em namoro, seriamente, se não queria terminar com ela – mas preferiu não fazê-lo. Não queria pressioná-lo; como havia explicado a Georgiana há poucos dias, Will tinha o seu próprio tempo para fazer as coisas. Apenas se satisfez em dizer-lhe para procurá-la àquele fim de tarde mesmo e conversar com ela com bastante calma, sem pressa.
Will foi para o seu quarto, pensando no que sua mãe havia lhe dito. Não podia ficar fugindo deste momento; havia conseguido adiá-lo até ali, mas não podia mais protelar tal ocasião. Como estava ansioso demais, decidiu tomar um banho. Banhos sempre o acalmavam – alguma coisa no barulho da água faziam com que ele relaxasse. Arrumou-se cuidadosamente, pensando no que ia dizer a ela.
Quando Will saiu do seu quarto, muito bem vestido e cheiroso, encontrou-se com seu pai à sala, lendo um jornal. O sr. Darcy o observou por um minuto e perguntou-lhe.
--Vai sair?
--Eu vou... contar a Lizzie que... não vou prosseguir com o desafio. - Respondeu-lhe, nervosamente.
--Hum... - O sr. Darcy voltou a observá-lo. - Entendo. - Disse, simplesmente, e voltou a ler o seu jornal.
Will tomou tal atitude por aprovação e, pegando a chave do seu carro, saiu de casa. Quando estava na metade do caminho à casa de Elizabeth, teve uma idéia e fez meia volta com o carro, seguindo uma direção totalmente diferente.














