Capítulo 35
Will, Richard, Charles e George pararam de conversar e viraram-se na direção das meninas, as vendo se aproximando deles. Charles e Richard apressaram-se a perguntar a Will o que ele tinha feito dessa vez, o que ele não soube como responder – não lembrava-se de ter feito nada, embora recordasse-se de que ela parecia estar zangada com ele no começo daquela manhã. Enquanto Elizabeth vinha em sua direção, com um olhar cheio de fúria – o que o fez dar vários passos para trás, apreensivo.
Quando Elizabeth estava a meros cinco passos dele, Will parou de se afastar. Decidiu por enfrentá-la como homem; então fincou os pés no chão e esperou pela bomba. Richard e George abriram caminho quando ela chegou bem perto deles, esperando pelo momento em que ela ia acabar com Will pela segunda vez.
Quando Will abriu a boca, com a intenção de lhe dizer que estava arrependido de tudo o que tivesse feito desta vez para deixá-la zangada com ele, Elizabeth desviou o caminho mais uma vez, o ultrapassando, e seguiu o seu caminho. Will piscou os olhos duas vezes, sem entender nada. Depois se virou na mesma direção que ela tinha seguido, observando-a ainda caminhando decidida. Jane e as outras meninas pararam assim que alcançaram os meninos e também ficaram sem saber o que estava acontecendo.
--Oh, babaca!!!! - Elizabeth exclamou, assim que estava a quatro passos de David.
David, assim como seus amigos, virou-se de frente para ela no momento exato em que Elizabeth proferia um soco em sua direção; o atingindo na boca e o derrubando no chão, totalmente surpreso.
--Lizzie!!! - Jane e Charlotte exclamaram juntas.
--Caramba!! - Will e Charles exclamaram juntos.
Ninguém esperava por aquilo. Todos ficaram parados, olhando para ela. Ela simplesmente se aproximou dele, chamou a sua atenção, parou a um passo de distância, pôs o pé direito para trás, como apoio, ergueu as duas mãos na altura do rosto, com os punhos fechados – assumindo a posição de combate – e proferiu um soco, usando do peso de seu corpo e de toda a sua força, consideravelmente aumentada por estar com raiva, naquela atividade. O derrubando no chão, ao atingi-lo nos lábios.
Qualquer um que observou aquela cena ficou imóvel, vidrado. Ninguém sabia dizer se David, um rapaz muito mais alto que Elizabeth e, aparentemente, mais forte, havia sido derrubado por ela porque ela era mais forte do que aparentava ser, ou se porque houvera sido pego de surpresa. Mas ninguém podia negar que ela havia conseguido derrubá-lo e que ele ainda estava ao chão, sem reação alguma – a não ser colocar a mão na boca, sentindo a dor latejante que lhe assomava e sentir o gosto de sangue lhe surgir à boca; havia mordido a própria língua ao ser nockouteado por ela.
--Seu imbecil! - Elizabeth exclamou, para um David que ainda estava ao chão. - Como você ousa fazer isso com Charlotte?!
Esse novo assomo de raiva de Elizabeth serviu para despertar David de sua surpresa e fazê-lo erguer-se, igualmente enfurecido e sem se importar que ela é uma menina, decidido a revidar. Mas, antes que conseguisse dar mais de um passo em sua direção, Will se interpôs em seu caminho e o empurrou para trás – quase o derrubando de novo; quem tropeçou no próprio pé, mas conseguiu se equilibrar a tempo.
--Não chegue nem perto dela! - Will disse, ameaçadoramente. E, imediatamente, Richard, Charles e George se postaram ao lado de Will, formando uma barreira entre David e as meninas.
--Por que você fez isso, Lizzie? - Charlotte perguntou-lhe, ao se aproximar de Elizabeth, lhe dirigindo um olhar bastante triste; afinal, David é seu namorado.
--Porque ele só está brincando com você, Charlotte! - Elizabeth respondeu, ainda enraivecida, se perguntando por que os meninos tinha se metido na frente dela, já que, com a raiva que estava sentindo dele, podia facilmente derrubar David de novo. - Ele só está fingindo namorar você! - Elizabeth continuou, deixando Charlotte abismada com a revelação. - Fica dizendo aos amiguinhos de futebol que só está com você até coisa melhor aparecer!
--Seu idiota!! - Lydia e Catherine exclamaram juntas, tentando ultrapassar a barreira que os meninos fizeram e terminar o trabalho de Elizabeth. Enquanto os meninos tentavam segurá-las e ainda manter David sobe vigia constante.
O sinal tocou, mas ninguém se moveu. Todos ao corredor estavam interessados demais no desfecho daquela história para se preocupar em voltar para suas respectivas salas.
--Lydia, Kitty! - Jane se apressou em ajudar a conter as meninas, segurando as duas pelos braços.
--E daí? - David gritou do outro lado da barreira. - Pouco me importa a sua amiguinha boba! - Elizabeth começou a empurrar Will, pondo as duas mãos em suas costas e forçando a passagem, enquanto ele permanecia imóvel. - Cada um acredita no que quer! Eu não tenho culpa se ela é ingênua o suficiente para acreditar que eu ia querer namorá-la! - No mesmo instante em que disse isso, Richard quebrou a barreira e, indo em direção a ele, o fez se calar, o socando também e derrubando-o no chão uma segunda vez.
George e Charles se apressaram a segurar Richard e afastá-lo de David, porque os amigos dele resolveram participar também. Mas, antes que a confusão tornasse-se ainda maior, dois vigias de corredores se aproximaram do aglomerado em que a briga estava ocorrendo e separaram os meninos e as meninas. Eles os encaminharam a sala da coordenação da escola, enquanto outros dois vigias de corredores cuidavam de mandar o restante dos alunos para as suas respectivas salas de aula.
Assim que a adrenalina acabou e as mentes dos envolvidos na confusão voltaram ao seu normal, os coordenadores conseguiram reduzir a lista dos realmente envolvidos na briga em: Elizabeth, Richard e David. Os demais que foram igualmente levados à coordenação pelos vigias dos corredores, porque aparentemente estava relacionados com a origem da briga, foram mandados para as suas respectivas salas com avisos por escrito da coordenação para os professores, para que eles os deixasse entrar e assistir aula.
Sempre que a pergunta sobre o motivo de eles estarem brigando era levantada, Elizabeth respondia, num murmúrio revoltado, que David é um idiota, ou imbecil, ou babaca. Richard vinha a rir por dentro de sua resposta, David reclamava como um menino mimado por ter sido ofendido e os coordenadores chamavam a atenção de Elizabeth.
--Srta. Abbott, eu estou lhe avisando, estou fazendo esta pergunta ao sr. Maverick, então, permaneça em silêncio. - Elizabeth revirou os olhos ao ouvir a recomendação da coordenadora sra. Godmann. - Sr. Maverick, ... - Ela se dirigiu a Richard. - por que o senhor socou o seu colega de escola?
--Por que... - Richard começou a responder, seriamente. - ele é um idiota!
--Eu disse! - Elizabeth comentou, rindo. - Mas a senhora não quis me ouvir. - O que fez Richard quase engasgar, tentando prender a risada que teimava em surgir em sua garganta.
--Já chega! - O sr. Robson exclamou, perdendo a paciência. - Vocês não querem explicar o que realmente aconteceu, então só nos resta lhes dar o devido castigo. - Richard e Elizabeth logo perderam a vontade de rir.
--O que? - David exclamou, alarmado. - Eu também serei castigado? - Ficando revoltado. - Eu fui agredido duas vezes e ainda vou ser castigado?!
--Bebê chorão! - Elizabeth murmurou, zangada.
--Babaca! - Richard a acompanhou.
--Eu disse: já chega! - O sr. Robson exclamou mais alto ainda, seriamente irritado. - Sim, sr. Fitzgerald. O senhor também será castigado. - E, antes que David pudesse protestar, o sr. Robson prosseguindo, alteando a sua voz. - O senhor estava igualmente envolvido na briga e irá ser castigado como os demais. - Elizabeth lhe deu a língua.
--Srta. Abbott. - A sra. Godmann chamou a sua atenção, o que fez Elizabeth voltar a se comportar.
--Vocês três estão suspensos da escola por dois dias! - O sr. Robson decretou.
--Suspensos?! - Os três exclamaram em união.
--Precisamente. - O sr. Robson garantiu, ganhando um sorriso maldoso nos lábios.
Os três protestaram e tentaram remediar aquela decisão, mas o sr. Robson estava irredutível – na verdade, sempre adorou esta parte do seu trabalho, vivia para ela! E os três foram encaminhados, ou melhor, escoltados, para evitar novas brigas, até as suas respectivas salas ao inicio do intervalo seguinte. Faltando-lhes ainda assistir somente a última aula para que pudessem ir para casa.
Quando Elizabeth retornou a sua sala, Catherine e Lydia correram ao seu encontro, imediatamente inquirindo-lhe o que havia acontecido. Antes que Elizabeth pudesse lhes responder, Jane e Charlotte apareceram em sua sala também, para saber a mesma coisa. Elizabeth explicou qual havia sido o seu castigo, sem muitas delongas, e imediatamente esqueceu-se dele, preocupando-se com Charlotte; enquanto Jane e as outras meninas faziam milhares de comentários preocupados com a sua suspensão, imaginando a reação dos pais de Elizabeth quando soubessem dessa noticia.
Elizabeth ignorou todos os comentários que as meninas faziam, igualmente a dor que começara sentir na mão direita desde que fora levada a sala da coordenação. O que ocupava a sua mente agora era Charlotte e como a sua amiga estava se sentindo. Charlotte assegurou-lhe que estava bem e não aparentava estar abalada. Mas Elizabeth continuou preocupada, porque Charlotte sempre fora bastante reservada com relação aos seus sentimentos. Contudo, todas as suas preocupações se evaporaram quando Will resolveu a aparecer em sua sala, preocupado com ela.
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Assim que Richard entrou em sua sala de aula, seus amigos vieram ao seu encontro para saber o que tinha acontecido. Richard lhe explicou que haviam sido suspensos por dois dias, o que deixou os meninos preocupados com a reação dos pais de Richard quanto a novidade – não era a primeira vez que ele se envolvia em confusões do tipo. E Will veio a ficar preocupado com Elizabeth também; afinal, ela também havia sido suspensa. Como os pais dela reagiriam a esta noticia?
E decidiu que precisava ir falar com ela, saber como ela estava se sentindo. Foi seguido por todos os três amigos; Richard, em especial, queria ver Charlotte. Quando apareceu a porta de sua sala, no entanto, ela não pareceu estar muito contente em vê-lo.
--O que você veio fazer aqui? - Elizabeth disse, à medida que se aproximava dele.
--Eu vim ver como você está. - Will respondeu, preferindo ser sincero. - Eu soube que você foi suspensa, assim como Richard. - Explicou-se.
--Sim, eu fui. - Elizabeth replicou, de mal humor. A dor que estava sentindo na mão estava piorando e ela, disfarçadamente, tentava massageá-la.
--Sua mão está doendo? - Ele questionou, tentando segurar a mão dela.
--Não. - Elizabeth respondeu imediatamente, afastando a sua mão da dele e a colocando às costas. - Minha mão está perfeitamente bem, sr. Darcy. - Completou, sem paciência. - Por que você está aqui? - Repetiu, demonstrando ainda mais irritação.
--Eu estava preocupado. - Will explicou, achando que já tinha dito isso, de certa forma.
--Por quê? Por que você ficaria preocupado?! - Elizabeth exclamou, irracionalmente. Enquanto os seus demais amigos assistiam a briga “de casal” sem se envolver. - Você não tem por que se preocupar comigo!
--Pelo amor de deus, Lizzie! - Will rebateu, exasperado. - Você devia pôr gelo na sua mão, para não piorar! - Aconselhou, voltando a soar preocupado com o bem estar dela.
--É mesmo? ...Você entende dessas coisas agora, sr. Darcy, para estar dando conselhos do que eu devo fazer com relação a minha mão?! - Elizabeth rebateu, ficando ainda mais enfurecida com os cuidados dele.
--Eu já passei por isso algumas vezes... Então, eu sei do que estou falando. - Will respondeu, sendo sincero.
--Que seja! - Elizabeth resmungou, não tinha mais o que dizer, e voltou a massagear a mão.
--Por que você está zangada comigo? - Will a questionou; não conseguia entender a reação dela ao vê-lo.
--Por que você teve de se meter na minha frente durante a briga?! - Elizabeth refutou, erguendo o olhar para ele, questionando a sua atitude.
--Eu não queria que lhe acontecesse nada. - Will respondeu, não acreditando que ela estava zangada com ele porque ele a defendeu de David.
Seus demais amigos riram da discussão dos dois e resolveram deixá-los a sóis.
--Eu não pedi a sua ajuda! - Elizabeth replicou, exaltada. - Eu não precisava de sua ajuda! Eu podia enfrentar David sozinha!
--Ohh... - Will riu, mas imediatamente percebeu que era a coisa errada a fazer. Viu sair faíscas dos olhos de Elizabeth; ela estava enfurecida. - Olha, eu fiquei muito impressionado quando você o derrubou, mas não estava disposto a ver se você agüentaria levar um soco dele, em represália! - E decidiu se explicar, sendo bastante sincero em sua resposta. - De qualquer forma, por que você só está brigando comigo? Richard também se intrometeu na briga!
--Ele estava defendendo Charlotte, porque ele gosta dela! - Elizabeth respondeu, diminuindo a sua voz, para não ser ouvida por mais ninguém, a não ser Will. -Ele tinha as razões dele! E quais eram as suas?!
--Não é obvio? - Will perguntou.
--Não! Não é! - Elizabeth refutou. - Ohh, eu sei agora! - Mudou de idéia. - Eu sou uma de suas “namoradas por um mês”, então você tem de me defender! - Elizabeth rebateu, sarcasticamente, e foi à procura dos outros.
--Ora, Lizzie! - Will a seguiu. - Você sabe que não foi por causa disso! - Mas ela escolheu ignorar este seu comentário.
Elizabeth não precisou dar muitos passos ao longo do corredor e encontrou seus amigos juntos. Jane e Charles estavam sorrindo, um para o outro, de mãos dadas, enquanto conversavam com Richard e Charlotte sobre Will e Elizabeth, os quais estavam parados lado a lado, mas sem muita proximidade. Lydia viu Elizabeth e Will vindo em sua direção e chamou a atenção dos outros para este fato, o que fez com que todos voltassem-se para observá-los. Elizabeth estancou no meio do caminho, ao perceber que eles estiveram falando deles, e deu meia volta, quase se esbarrando em Will – que vinha logo atrás dela. Elizabeth fez a volta entorno dele e voltou para a sua sala de aula; sabia que a última aula não demoraria a começar.
Will ficou a observando voltar para a sala de aula, sentindo-se estúpido. Sabia que precisava tomar uma atitude mais concreta com relação a ela, pois, se as coisas continuassem do jeito que estavam, não via como conseguiria fazer com que ela o perdoasse e quisesse ficar com ele ao fim deste mês. Mas não sabia como agir. Ela sempre conseguia deixá-lo sem chão todas as vezes que ele tinha a sensação de que tinha conseguido conquistar um pouquinho de território.
À saída da escola, ficou à portaria esperando por ela. Ia se oferecer a levá-la em casa, descobrir se a sua mão ainda estava doendo. Mas Elizabeth passou por ele sem lhe dirigir o olhar, como se ele fosse invisível, e seguiu em direção ao ponto de ônibus. Sequer esperou por Jane, quem despediu-se apressadamente de Charles e correu a acompanhá-la.
Will, no entanto, notou que Richard parecia contente, apesar de ter sido suspenso e saber o que lhe aguardava ao chegar em casa. Caminhava ao estacionamento da escola com a sua mochila nas costas e assoviava. E ficou contente em ver que, pelo menos, um deles tinha tido um fim de manhã com bons resultados. Então, colocou a própria mochila às costas e seguiu em direção ao seu carro, onde Georgiana já o aguardava.
Passou o caminho de casa pensando no fato de que nos próximos dois dias não veria Elizabeth, já que ela estava suspensa. Com certeza veria e, provavelmente, falaria com Caroline, Clarice, Marianne e Hanna; mas não veria ou falaria com Elizabeth. “Oh... Minha vida é perfeita!!!”, resmungou, mentalmente.
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Elizabeth chegou a casa e a primeira coisa que fez foi colocar gelo na mão – Will não estava lá para vê, então não havia problema algum em seguir o seu conselho. A vendo fazer isso, a sra. Abbott logo quis saber o que havia acontecido, o que a levou a relatar que havia brigado na escola com um menino de uma série adiantada à sua e havia sido suspensa. A sra. Abbott teve um de seus ataques de histeria, exclamando que não sabia porque tinha dado a luz a uma filha como Elizabeth; como não havia a criado para ser um moleque-macho; etc. Elizabeth logo decidiu que preferia recolher-se em seu quarto e ir tomar banho, desfazendo-se da sua bolsa de gelo improvisada com um pano de prato.
É claro, apenas conseguiu adiar ouvir as reclamações de sua mãe. Porque a sra. Abbott voltou a azucriná-la por causa de seus modos – ou melhor, a falta deles – durante o almoço. Apenas deu-lhe uma folga quando precisou retornar à sede de sua comunidade, deixando as suas duas filhas sozinhas em casa. Mas Elizabeth sabia que a história ainda não havia acabado, porque tudo recomeçaria assim que anoitecesse e o sr. Abbott chegasse em casa. A sra. Abbott iria voltar a sua mesma ladainha e ninguém teria descanso.
Elizabeth sabia que seu pai não ficaria contente quando chegasse em casa e soubesse que ela havia sido suspensa da escola por ter brigado com um menino. Ele trabalhava muito para conseguir manter a casa que tinham e as suas duas filhas estudando numa escola tão cara quanto Austen House sem ter uma bolsa de estudos, nem ao menos, parcial. Ele desejava dar a sua família tudo aquilo que não teve em sua infância e que estivesse ao seu alcance. E este tipo de comportamento de sua parte era um sinal de desrespeito ao seu sacrifício, e Elizabeth não queria desapontá-lo.
Então voltou para o seu quarto, deitou-se na cama e começou a se recriminar por sua atitude impensadas. Por que ela não conseguia pensar antes de agir e, até mesmo, falar? Ela disse que era Lydia que não sabia ter limites, mas ela não estava muito longe deste páreo. Ficou brincando com uns fios da costura de sua almofada, recentemente remendada, enquanto imaginava o momento em que contaria ao pai o que tinha feito esta manhã. A sua mão continuava a doer, mas ela a estava ignorando. Aquela dor não era nada se comparada a dor que seria causar decepção em seu pai.
Quando já havia anoitecido, o sr. E a sra. Abbott chegaram em casa. A sra. Abbott, aproveitando que o sr. Abbott sempre lhe buscava à sede da comunidade para que pudessem voltar juntos para casa à noite, contou-lhe a novidade de Elizabeth enquanto estavam a caminho de casa. De forma que, quando entraram em casa, o sr. Abbott já tinha ouvido de sua esposa a sua versão dos fatos, estando decidido a ouvir de Elizabeth a versão dela dos fatos, antes de tomar alguma decisão quanto qual deveria ser o seu castigo.
Mas todos planos do sr. e sra. Abbott para resolver aquela situação foram imediatamente esquecidos assim que entraram em casa e encontraram Elizabeth sentada ao pé da escada, esperando por eles, com a mão enrolada num pano de prato (cheio de gelo) e uma expressão de muita dor no rosto. Enquanto Jane andava de um lado a outro, com o telefone em mãos, bastante agitada.
Quando Jane viu os pais, imediatamente desligou o telefone e lhes disse que estivera ligando para o celular de ambos, para informar que a mão direita de Elizabeth estava muito inchada (além de ter os dedos do meio e anelar num tom arroxeado). A sra. Abbott ainda chegou a lhe explicar que a bateria do seu celular tinha acabado, mas o sr. Abbott apenas colocou sua pasta ao chão, ao lado da porta, e cuidou de levar Elizabeth para o seu carro, com o intuito de levá-la à Emergência mais próxima a sua casa.
Por sorte, Elizabeth apenas tinha sofrido uma pequena luxação e a sua mão precisou ser imobilizada por uma tala imobilizadora elástica. O susto serviu mais para conseguir silenciar a sra. Abbott quanto ao incidente de Elizabeth àquela manhã após o retorno de seu marido e sua filha. O sr. Abbott, no entanto, ainda quis saber o que tinha ocorrido à escola para Elizabeth tomar tal atitude de agredir outra pessoa e lhe aplicou um leve castigo – na opinião de Elizabeth, quem julgava merecer muito mais. O sr. Abbott apenas a proibiu de sair àquele fim de semana para qualquer lugar com as suas amigas e irmã.
Após o jantar, Elizabeth recolheu-se em seu quarto e foi dormir. A mão ainda doia e a tala imobilizadora a incomodava, mas não tinha outra escolha. Passou uma noite de sono inquieto, sempre acordando de tempos em tempos. Vindo a conseguir realmente dormir quando já estava amanhecendo.
Jane chegou a vir ao seu quarto quando acordou, mas não a despertou. Voltou a sair de seu quarto, como muito cuidado para não fazer muito barulho, quando certificou-se de que ela estava dormindo tranquilamente. Elizabeth, no entanto, acordou a tempo de tomar café com seus apis e sua irmã, o fazendo ainda vestida de pijama. Depois Jane foi para escola, o sr. Abbott saiu para trabalhar e sar. Abbott o seguiu, indo para a sede da comunidade. Elizabeth ficou sozinha, sem ter nada a fazer, a não ser assistir televisão.
Ela ficou um bom tempo passeando pelos canais fechados da TV a Cabo e não conseguia encontrar nada para assistir. Um pouco após as dez da manhã, conseguiu encontrar um filme razoável para assistir – “A Nova Cinderella” (A Cinderella Story), com Hillary Duff. Elizabeth não era exatamente fã da atriz/cantora, mas não tinha mais nada melhor para assistir naquele momento. E gostava da trilha sonora do filme, fora através dele que passara a conhecer Jimmy Eat World – pois a música Hear You Me da banda aparece em uma das cenas do filme.
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Terça-feira parecia-lhe um tédio. Will realmente conseguiu se dedicar completamente aos estudos a primeira vez àquele ano. Após ter tido em breve conversa com Jane antes da primeira aula e ficar sabendo que a mão de Elizabeth havia sido imobilizada, mas que não havia nada muito grave com que se preocupar, não sentiu mais vontade de sair da sala aos intervalos das aulas. Vindo, assim, a permanecer em sua carteira, resolvendo os exercícios que deixara acumular até aquele dia. Também, o que mais poderia fazer? Com Richard suspenso, suas companhias se resumiam a George e Charles, e estes dois amigos tinham companhias mais interessantes que Will para se ocuparem.
O seu recreio não foi nada excitante. A única coisa que mudou este dia foi que eles voltaram a se sentar à mesma mesa que as meninas. Jane e Charles sentados juntos, um ao lado do outro; Lydia e George igualmente sentados juntos, um ao lado do outro, ao outro lado da mesa; e Will sentado ao lado de Charles, de frente a Charlotte e Catherine.
Will conversou com as duas meninas por um bom tempo pela primeira vez. Charlotte pareceu-lhe muito mais madura que Catherine, e inteligente também. Mas Catherine sorria mais e foi muito mais extrovertida que Charlotte. Will não sabia dizer se Charlotte era mesmo assim reservada ou estava triste por causa do que ocorrera no dia anterior; ela ficou em silêncio muitas vezes, apenas escutando a conversa dos outros.
Catherine perguntou-lhe sobre Richard. Se Will tinha noticias sobre como os seus tios haviam reagido a noticia de que Richard havia sido suspenso por dois dias. Will contou-lhes que havia ido a casa de Richard à noite passada e que tinha conhecimento de que seus tios ficaram tão irritados quanto das primeiras vezes que Richard se envolvera em confusões como esta. Que o haviam colocado de castigo até segunda ordem, avisando-lhe que iriam cortar-lhe a mesada por dois meses. Seus primos, no entanto, fizeram desta noticia um campo de batalha, tentando influenciar seus pais a dar-lhe um castigo mais pesado. O que, ao fim, não surtiu muito efeito. A sra. Maverick recusou-se a esta proposta interminantemente e Richard acabou por ganhar um novo apelido de seus irmãos – “filhinho de mamãe”; porque, para eles, a sua mãe defendia Richard por ele ser o filho caçula e o seu predileto.
Ao fim desta manhã, para piorar a sua situação, Caroline o procurou para informar-lhe que havia conversado com seus pais e que eles haviam concordado em convidar os pais de Will para jantarem em sua casa à sexta-feira, quando seria o encontro dos dois. Will não soube o que lhe dizer, porque aquela noticia fora a pior que recebera o dia inteiro.
Isto serviu apenas para prepará-lo para àquela noite, quando o seu pai informaria-lhes – a ele, a sua mãe e a sua irmã – que haviam sido convidados pelo sr. Bentley a jantar em sua casa a sexta-feira e que havia aceitado o convite, pois queria pagar a visita que o amigo havia lhe feito ao vir almoçar com eles em um Domingo passado.














