Capítulo 34
Segunda-feira Elizabeth acordou com uma sensação estranha. Virou-se na cama e ficou olhando o seu quarto, sem se mexer ou pensar em se levantar. Sabia que Jane não demoraria em aparecer à porta de seu quarto, para saber se ela já havia acordado. Mas não queria se levantar ainda; não sabia por que, mas sentia um desanimo àquela manhã. E, pensando a respeito, encontrou vários motivos que poderiam ser responsabilizados pelo seu desanimo. A história toda do namoro de Charlotte com David, frustrando os seus planos com relação à amiga e Richard. E todo o seu relacionamento com Will, principalmente. Agora que pensara a respeito, viu a loucura que estava fazendo. Ela estava namorando – não importa que nome ela desse para fugir da verdade, para dar-lhe algum conforto com relação a sua situação nesta história, eles estavam namorando – um menino que está namorando 4 outras meninas ao mesmo tempo.
Saiu da cama, negando-se a não enfrentar seus problemas. E imediatamente começou a priorizá-los em sua mente, fazendo uma lista de quais ia tentar resolver primeiro. Seguiu para o seu banheiro sem ligar o seu aparelho de som e cuidou de começar a tomar banho para poder ir a escola. Primeiro, precisava descobrir se Richard já sabia da novidade e, se sabia, como estava se sentindo. Depois, precisava bolar um plano para fazer a amiga enxergar o que está diante do nariz dela – Richard! E, depois, dar um jeito em Will Darcy. Tinha que acabar com esta história de um vez, antes que ficasse complicado demais.
Ela não chegou a ver o momento em que Jane entrou em seu quarto, para se certificar de que havia acordado, porque já estava tomando banho. Depois de tomar banho, seguiu com a sua rotina diária sem modificações. Vestiu-se, penteou o cabelo e desceu para tomar o seu café com os seus pais e irmã. A sua mãe estava com um de seus humores negros; mal amanhecera e ela já iniciara a sua ladainha quanto às compras que o sr. Abbott se negava a lhe dar permissão para fazer.
Jane e Elizabeth saíram de casa dentro do tempo estimado e chegaram à escola com alguns minutos de sobra para poder ficar ao corredor e conversar com suas amigas e amigos. Encontraram-se, primeiramente, com Lydia e Catherine. As duas estavam do lado de fora da sala, conversando sem reservas alguma sobre o namoro de Charlotte e David. Todas duas fazendo os seus comentários sobre o que achavam da novidade, sem se incomodar com quem mais estivesse as ouvindo.
Quando as duas irmãs se aproximaram, Lydia repetiu o seu comentário. Dizendo-lhes que estava impressionada com a coragem que a amiga teve de tomar tal atitude; afinal, ela era a única do grupo que tinha a fama de fazer coisas tão impulsivas e, até, inpensadas. É claro que, ao ouvir este comentário, Elizabeth ponderou que ela também era impulsiva demais, as vezes – aceitar ser uma, entre 4, namorada de alguém por uma mês é a prova disso. Enquanto Catherine reclamava da sua má sorte.
--Todas vocês têm namorado agora, exceto eu! - Ela disse isso alto o suficiente para ser ouvida por várias pessoas que estavam passando pelo corredor naquele momento, até mesmo um grupo de meninos, os quais olharam em sua direção e riram, debochadamente.
--Não é verdade, Kitty! - Elizabeth replicou. - Eu também não tenho namorado!
--E quanto a Will? - Catherine interrogou.
--Ele não é meu namorado. - Elizabeth respondeu; era a única coisa racional, ou irracional (ela mal conseguia distinguir uma coisa da outra mais), que podia fazer: negar. Negar tudo! - Eu não namoro caras que namoram outras 4 garotas ao mesmo tempo!
--Mesmo? - Lydia comentou, sarcasticamente. - Você está fazendo um bom trabalho enganando a todo mundo! - Ao que Elizabeth resolveu não rebater; honestamente, não sabia o que dizer.
--Não importa! - Catherine exclamou. - Você está namorando ele... Você não está namorando ele... Pouco importa! - Ela continuou, usando de um tom inconformado. - O que importa é que você tem alguém, e eu não! - E antes que Elizabeth pudesse rebater este comentário, Catherine continuou. - Agora, todas vocês terão com quem se ocupar e eu ficarei sozinha, se não quiser segurar vela de ninguém!
--Kitty, você nunca vai ficar sozinha! - Jane a assegurou. - Nós nunca vamos deixar você sozinha, por ninguém!
--Eu já disse isso a ela, mas ela não me escuta! - Lydia replicou.
--Mas eu quero alguém para mim, Jane! - Catherine exclamou, novamente alto o suficiente para ser ouvida por mais pessoas que o seu grupo de amigas.
Elizabeth viu um menino do segundo ano, que estava passando por elas naquele exato momento, olhar bem para Catherine e sorrir, seguindo o seu caminho. Não um sorriso debochado, como o do grupo de meninos que passou por elas antes e riram-se do comentário de Catherine. Um sorriso genuíno. Elizabeth imediatamente deixou a sua mente vagar por milhões de suposições ao mesmo tempo – “qual era o nome dele? Será que ele tem namorada? Será que ele está interessado em Kitty?!”. Mas, antes que se deixasse aprofundar muito nestas perguntas, viu Richard vindo em sua direção. Imediatamente, decidiu que falaria com ele. E abandonou as amigas, acercando-se dele.
--Richard? - Precisou chamar por ele, porque ele passou por ela sem parar. - Espere! Eu quero falar com você. - Ele parou e virou-se de frente para ela; não estava sorrindo, como geralmente sorria para todos. - Você sabe. - Elizabeth disse, já não tendo mais dúvidas a este respeito, ao vê-lo com aquela expressão no rosto.
--Sim, eu sei. - Ele respondeu.
--Eu sinto muito, Richard. Eu não sei como isso aconteceu. - Elizabeth apressou-se em se desculpar, porque sentia-se culpada. Afinal, foi por ela ter discutido com Charlotte sobre o seu relacionamento que Charlotte tinha com David, que a amiga deu um ultimato a ele.
--As coisas sempre acontecem por uma razão. - Richard replicou, como se estivesse conformado com a situação.
--Mas não deviam acontecer! - Elizabeth, no entanto, exclamou, inconformada. - Ele não é o cara certo para ela! Você é! - E completou, com emoção.
--É uma pena que ela não consiga enxergar isso! - Ele comentou, dando-lhe um sorriso amargo.
--Ainda! - Elizabeth rebateu. - Mas se você... - Entretanto, antes que ela pudesse completar, Richard disse.
--Não, Lizzie! - Silenciando-a. - Há um limite... para uma pessoa gostar de outra... sem ser correspondido. - Ele comentou, com seriedade. - E eu cheguei ao meu. - Soando tristemente sincero.
--Você não pode desistir! - Elizabeth se exasperou com aquela demonstração de derrota. - Onde está aquele garoto destemido que me perseguiu por quase um mês, tentando me convencer a sair com ele, mesmo depois de eu já ter recusado de inúmeras maneiras antes?
--Aquilo foi diferente! - Richard respondeu, ficando agitado.
--Por que você não estava apaixonado por mim? - Elizabeth questionou, olhando-o diretamente nos olhos. - Eu sei. - E continuou, sem demonstrar ofendida com a verdade, ao vê-lo dirigir-lhe um olhar clemente. - Isso não me incomoda! - Elizabeth apressou-se a assegurá-lo disso; por que ela ficaria chateada com o fato de Richard não ter sido apaixonado por ela, quando ela nunca foi apaixonada por ele?! - O que me incomoda é que... agora você realmente tem razões para não desisitir, porque você realmente gosta de Charlotte, e está desistindo! - Elizabeth explicou.
--Ela está namorando outra pessoa, Elizabeth! - Richard exclamou, já perdendo a paciência com ela.
--Mas não está apaixonada por ele! - Elizabeth rebateu, da mesma forma.
--Isso é o que você diz! - Ele reclamou, descrente em suas palavras.
--É a verdade! - Elizabeth disse, inconformada com o fato de ele não acreditar nela. - Ela só é namorada dele porque... - Elizabeth hesitou, “como explicar isso sem soar injusta com Charlotte?”; enquanto Richard a fitava com seriedade, esperando pela desculpa que ela ia dar a este fato importante. - Porque não sabe que pode ser sua namorada! - Richard ficou em silêncio, apenas a observando. Elizabeth sabia que ele ainda não havia se convencido. - Você não pode desistir agora!
--Desculpe-me, Lizzie, mas eu não posso fazer mais nada! - Richard respondeu, voltando a soar conformado. - É tarde demais! - E se afastou dela.
--Garotos!!!! - Elizabeth exclamou, extravasando a sua irritação. - Por que eles nunca escutam?!
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Will chegou a escola com uma decisão tomada. Ele não ia mais se sujeitar aos desejos de suas “namoradas por um mês”. De agora em diante, teria um plano de ação formado para cada encontro. Como Elizabeth era a sua prioridade, ele começaria a se organizar para o fim de semana definindo primeiramente o seu encontro com ela, para depois dividir o seu tempo com as demais meninas.
E com esta idéia em mente, foi para o colégio àquela manhã com a intenção de conversar com ela sobre o que queria fazer este fim de semana, para que pudesse planejar tudo desde logo. A viu ainda ao corredor, ela estava conversando com Richard a um canto, a sóis. O monstro que estava adormecido dentro dele rugiu e por um momento ele teve a vontade incontrolável de correr para cima do primo e enchê-lo de socos, até que ele ficasse caído ao chão, inconsciente. Mas logo acalmou-se, racionalizando aquele sentimento, ao repetir para si mesmo que o primo gostava de Charlotte e que Elizabeth sabia disso.
Will tomou o tempo necessário para se acalmar definitivamente, respirando profundamente e expirando lentamente várias vezes, antes de se acercar dos dois. Quando já estava calmo o suficiente para se aproximar, Richard já havia se afastado de Elizabeth, a deixando falando sozinha e extremamente irritada. Will caminhou para perto dela e a chamou pelo nome, fazendo com que Elizabeth voltasse-se para ele, com uma expressão pouco amistosa no rosto.
--Está tudo bem? - Ele perguntou.
--Quando foi que esteve tudo bem?! - Ela respondeu, sarcasticamente.
--Ham?! - Will não soube o que replicar. “Ela está zangada comigo? Por que? O que eu fiz de errado desta vez?!”
--Esqueça! - Elizabeth rebateu, começando a andar em direção à sua sala de aula. Ele a seguiu.
--Eu queria conversar com você... - Ela olhou para ele, a acompanhando, mas não parou de andar em direção à sua sala. - sobre este fim de semana. - Will completou.
--Mas é claro que quer! - Elizabeth replicou, mal humorada.
--Você já sabe... o que quer... fazer? - Ele perguntou, soando nervoso. - Que dia quer sair comigo? Onde quer ir? - O que a fez parar de andar e virar-se para ele, estando bastante seria.
--Eu tenho mesmo que lhe dizer uma coisa com relação a isso. - Elizabeth respondeu; era este o momento de por um fim nesta situação.
--O que? - Ele perguntou, olhando-a nos olhos; um olhar indescritível, que lhe deu arrepios na nuca.
--Eu... não posso... - Elizabeth começou a dizer, mas, à medida que olhava para aqueles olhos azuis, ia perdendo as palavras. - sair...
--O que? - Will deu mais um passo em sua direção, sem desviar o olhar.
--Não posso... - E Elizabeth só conseguia dizer isso. Ela soube ali que não teria coragem para terminar com ele, olhando naqueles olhos. - Não posso sair com você ... na sexta-feira. - Ela concluiu, não sabia mais como terminar aquela frase.
--Oh... Sábado, então? - Ele perguntou, ansioso, dando outro passo em sua direção.
--Ok. - Elizabeth apressou-se em responder e, igualmente, a se afastar, dando-lhe as costas e andando o mais rápido que conseguiu o resto do caminho até a sua sala.
--À noite? Sábado à noite? - Will continuou a seguindo.
--Claro! - Elizabeth respondeu, sem voltar-se para ele de novo. E, acenando um adeus, entrou em sua sala.
Depois de conversar com Elizabeth, Will começou a planejar mentalmente o que queria fazer com ela no sábado. Sábado é um bom dia, definitivamente. Eles não precisavam vir a escola pela manhã, o que os impedia de ficar tão cansados, e não precisavam acordar cedo no Domingo, permitindo que pudessem ficar na rua até mais tarde. Sábado, sem dúvida, é o melhor dia para ter encontros! E os seus sábados, até o fim deste mês, se depender dele, vão pertencer a Elizabeth.
Seguiu para a sua sala tranqüilo; restava-lhe acertar o resto do fim de semana com o restante das meninas. A segunda na lista era Clarice; não que ela fosse melhor que qualquer uma das outras meninas, apenas estava tentando seguir o conselho do irmão dela – não podia ignorá-lo; pelo menos, no que lhe era possível. Ela nunca viria antes de Elizabeth, mas das outras... Para ele pouca diferença fazia!
Foi para a sua sala, porque o sinal não demorou a tocar, e se prometeu procurar por Clarice no primeiro intervalo das aulas. E a encontrou em sua sala de aula, durante aquele primeiro intervalo; ela estava sentada a sua carteira, conversando com a sua amiga Kirsten justamente sobre ele e o encontro dos dois. Ela lhe deu mais um de seus sorrisos de comercial de pasta de dente – Will considerou-o forçado, o que fazia perder o brilho; nada parecido com o de Elizabeth, quem sorria para ele com os olhos e o fazia sentir um frio na barriga – e veio em sua direção.
--Olá! - Ela disse, amavelmente.
--Oi. - Will respondeu, de forma contida. - Ham... Eu vim aqui para... falar com você sobre... este fim de semana que está vindo.
--Eu imaginei que era sobre isso que você queria tratar. - Ela respondeu, tranquilamente.
--Ham... Então... Ham... Você tem algum compromisso para sexta-feira? - Ele, enfim, perguntou.
--Sim. - Ela respondeu. Era o aniversário de Michael e ele ia dar uma festa. Ela pensou que poderia levar Will e tentar fazer ciúmes, mas Kirsten a fez pensar melhor e a convenceu de que não era uma boa idéia. Já que esta seria a primeira vez em que ia ficar cara a cara com Michael após começar a sair com Will e ele poderia querer voltar para ela; se Will estivesse presente, Michael poderia ficar com tanto ciúmes que não tentaria voltar para ela, mas poderia se decidir por esquecer-se dela de uma vez.
--Então... Sábado de tarde... Você tem algum compromisso para sábado de tarde? - Will questionou; não se interessava por qualquer outro compromisso que ela pudesse ter.
--Não. - Clarice respondeu e assumindo aquela postura manipuladora, sorrindo o mais amavelmente para ele e falando no tom de voz mais suave, perguntou. - E você?
--Eu? - Will inquiriu, confuso. - Não.
--Tem certeza? Você já perguntou a Elizabeth quando ela quer sair com você? - Clarice replicou, ainda sorrindo amavelmente. - Porque nós podemos sair juntos o dia que for melhor para vocês... - Continuou, sorrindo, deixando-o boquiaberto. - Quero dizer, você.
--Sábado à tarde está ótimo para mim. - Will replicou, com a testa franzida para ela. Não gostava daquele joguinho. - Bom... vou deixar você voltar para a sua sala. - E fez o caminho de volta para a sua, sentindo que aquela conversa fora ameaçadora. Ela, certamente, estava lhe dando avisos de que não aceitaria ser trocada de novo.
Antes que pudesse se decidir quem era a próxima garota com quem desejava falar, Caroline surgiu em seu caminho. Estivera ao corredor quando ele saiu da sala para falar com Clarice e o seguiu até a sala dela, ficando de longe, os observando. Aproveitou o momento em que ele estava retornando a sua própria sala para abordá-lo.
--Will querido, oi! - Tomando o seu braço como apoio e andando ao seu lado.
--Oi, Caroline!
--Sentindo-se melhor? - Questionou-lhe, tentando parecer preocupada com o bem estar dele.
--Como? - Will já até havia se esquecido de que estivera de ressaca durante o encontro dos dois. - Ahhh sim. - Respondeu-lhe depois, ao lembrar-se desse fato. - Estou melhor sim.
--Que ótimo! - Caroline exclamou, sorridente. - Não gostaria de vê-lo adoentado! - Comentou, amorosamente.
--Obrigado, Caroline. - Will respondeu, satisfeito que já estavam à frente da sua sala, soltando-se do braço dela.
--Então, querido, quando vamos sair de novo? - Ela perguntou, antes que ele pudesse entrar em sua sala.
--Hah... - Will hesitou; por mais que não houvesse gostado do encontro com as demais meninas, sentia uma aversão incomparável a Caroline.
--Sexta-feira está bom? - Ela aproveitou a sua dúvida e se adiantou a ele.
--Tudo bem. - Will respondeu. “Que seja!” E entrou em sua sala de aula.
Caroline havia ouvido sobre os encontros de Will com as outras meninas. E não gostou nada de saber que tanto Elizabeth, como Clarice escolheram apresentá-lo à seus respectivos familiares. Elas, certamente, estavam jogando pesado. E estava decidida que não ficaria para trás!
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Elizabeth ficou o intervalo daquela segunda-feira elaborando milhares de idéias para se livrar do encontro com Will ao sábado a noite. Não conseguia acreditar que havia fraquejado naquele momento crucial. Tudo o que tinha de fazer era dizer que não queria mais sair com ele, e não conseguiu. Ao invés disso, concordou com outro encontro.
A sua distração só foi aplacada quando ela viu aquele mesmo menino do segundo ano entrar ao refeitório e se juntar a um grupo de amigos, a sua maioria componentes do time de futebol da escola. Ele, certamente, era bonito, não tinha dúvidas que Catherine iria concordar com ela. Alto, forte, moreno e tinha um lindo sorriso. Mas ela não sabia mais nada a seu respeito. E, agora que ponderava a respeito, o fato de ele ter sorrido para Catherine ao corredor não significava que ele estava apaixonado por ela – por mais que isto resolvesse o problema da carência da amiga.
Elizabeth soube que precisava descobrir mais coisas a seu respeito, mas não sabia como. Ele não era da sala de Jane ou Charlotte. Não lembrava-se de tê-lo visto conversando com alguém que ela conhecesse antes. Afinal, Austen House é uma grande escola e Elizabeth não tinha a fantasia de que conhecia todos os alunos dela. O que tornava a sua tarefa mais difícil.
Elizabeth não é muito paciente. Quando punha uma idéia na cabeça, não sossegava enquanto não conseguisse cumpri-la. E, por mais que se dissesse que tinha que ser cautelosa, não estava com o mínimo de vontade de ser sutil. Queria ter resultados imediatos, então precisava agir. O que a fez procurar pelo menino ela mesma, logo ao fim do intervalo.
Ela o viu se afastar do seu grupo de amigos quando decidiu beber água a um bebedouro. Imediatamente dispensou a companhia de suas amigas e seguiu em direção a ele. Ele parou de beber água assim que ela se postou ao seu lado, o observando, e logo ficou ereto, devolvendo o olhar penetrante que ela lhe dirigia.
--Qual é o seu nome? - Elizabeth, então, perguntou.
--Daniel Clifford. - Ele respondeu, com naturalidade. - Meus amigos me chamam de Danny.
--Você tem namorada, Danny? - Daniel deixou escapar uma gargalhada, talvez porque estivesse surpreso com a pergunta dela.
--Você é sempre direta? - Ele perguntou, ao que Elizabeth permaneceu calada; apenas ergueu uma sobrancelha para ele, como se insistisse na pergunta. - Você não está namorando aquele menino do terceiro ano? Will Darcy? - Daniel voltou a lhe fazer outra pergunta, ao invés de responder a pergunta dela. E, desta vez, conseguiu que Elizabeth cruzasse os braços e começasse a bater o pé direito no chão, em um ritmo certo. Um sinal evidente de que estava perdendo a paciência.- Não. Não tenho. - Ele, enfim, respondeu, fazendo Elizabeth sorrir satisfeita ao ouvir aquela resposta.
--Você está interessado em Kitty? - Está pergunta o fez gargalhar mais uma vez; no entanto, Elizabeth soube pelo tom corado de suas bochechas que tinha acertado. - Está, não está? - E foi a sua vez de rir, porque ele parou de gargalhar e começou a ficar branco. - Eu sabia! Eu vi pelo jeito que você sorriu para ela! - Elizabeth comentou, empolgada com a sua descoberta.
--Eu não vou negar que a sua amiga é bonitinha... - Elizabeth revirou os olhos ao ouvir este comentário; ele não ia enganá-la só por fazer um comentário deste tipo. - Mas daí a dizer que estou interessado nela... - Daniel deixou a frase morrer, já começando a se dirigir a sua sala de aula.
--Não tente negar agora! - Elizabeth o acompanhou. - Você não irá conseguir me enganar!
--Por quê? Você é assim tão boa observadora? - Ele a questionou, de forma debochada.
--Para ser sincera, eu sou. - Elizabeth respondeu, sem nenhuma modéstia.
--Ahhh, é mesmo?! - Ele rebateu, incredulidade evidente em seu rosto. - Se você é mesmo assim observadora, como diz ser, já sabe que a sua amiga Kitty está perdidamente apaixonada por Richard,... quem está interessado em Charlotte, quem está namorando David, quem não gosta de ninguém! - Ele desatou a falar, sem perceber que deixara uma Elizabeth pasma a alguns passos atrás dele. Quando olhou em sua direção, ela não estava ao seu lado. Então parou de andar e voltou-se na direção em que ela estava, parada ao meio do corredor, boquiaberta, olhando para a figura dele. - Eu aceito isso como um “não”! - Daniel replicou, rindo e voltando-se de novo a sua antiga atividade, ir a sua sala de aula.
--Espere! - Elizabeth correu a acompanhá-lo. - De onde você tirou a idéia de que Kitty está apaixonada por Richard? - Elizabeth apressou-se a perguntar-lhe.
--Por favor, qualquer um pode ver isso! - Ele respondeu. - Ela sempre sorri para ele, fica encabulada quando ele fala com ela... Bem patético, infantil, se você quer saber! - Ele comentou, sem rodeios. - Quanto a Richard... Bem, acho que sobre ele você já sabia. - Elizabeth permaneceu calada, ainda ponderando sobre o que ele falara de Catherine. “Kitty não pode gostar de Richard! Ela teria dito alguma coisa para a gente se gostasse dele!” - Eu não acho que Charlotte goste de David; na verdade, eu não sei o que pensar quanto a ela. - Daniel continuou, pensativo. - Ela não é como as outras meninas, então... eu não sei dizer. - Ele completou o seu raciocínio. - Mas eu sei, com toda a certeza, que David não gosta dela! - Isso ele garantiu e olhou para Elizabeth, conseguindo recuperar a atenção dela.
--O que você disse?! - Elizabeth inquiriu-lhe.
--Que David não gosta de Charlotte. - Daniel repetiu. - Não de verdade. - Completou.
--Por que você diz isso? - Elizabeth perguntou, interessada pela aquela parte da história.
--Porque ele me disse. - Daniel respondeu, deixando Elizabeth, mais uma vez, boquiaberta. - A mim só não, a todos os meninos do time de futebol durante uma pelada no fim de semana. - Ele explicou a uma Elizabeth atenta a novidade. - Ele disse que só aceitou namorá-la porque ela não é feia e beija bem... Mas que não ia namorá-la seriamente, a apresentar aos seus pais ou conhecer a família dela... - Daniel continuou com o seu relato, enquanto continuavam a caminhar pelo corredor da escola, deixando de reparar que Elizabeth havia passado da fase do assombro e entrara na fase da raiva. - Que no final das contas, que o relacionamento deles não ia mudar do que era antes; eles ainda iam ficar juntos quando lhe desse vontade e etc. - E prosseguiu com o seu relato. - Que só aceitou namorá-la para que ela parasse de torrar a sua paciência com esta história de namoro e o deixasse em paz! - Elizabeth já estava espumando de raiva; “como ele ousa fazer isso com Charlotte?!” - Mas que acaba com esta história de namoro assim que arranjar coisa melhor! - Daniel concluiu. Ele não sorria, porque não tinha achado a história engraçada, mas também não parecia intimamente incomodado por ela. Quando voltou a olhar na direção de Elizabeth, ela já não estava mais ao seu lado.
Daniel olhou para trás, para ver se ela tinha parado de andar no meio do caminho como fizera antes, mas ela não estava lá. Então, voltou-se de novo na direção da sua sala e a viu andando apressada pelo corredor, como um trem-bala, indo em direção a um – ele riu ao constatar – David Fitzgerald rodeado de amigos. Apressou-se a segui-la, não queria perder esta cena por nada; perguntando-se: “o que, Diabos, ela vai dizer a ele?”.
Elizabeth sentia o sangue lhe subir a cabeça e a adrenalina percorrendo o seu corpo. Sentia uma raiva incontrolável de David, quem, além de estar brincando com os sentimentos de uma de suas melhores amigas, estava magoando, igualmente, outro amigo querido dela. E, certamente, estava pedindo para ser derrubado!
Jane, Charlotte, Lydia e Catherine estavam juntas ainda ao corredor, esperando por ela, após terem sido dispensadas quando Elizabeth quis ir conversar com Daniel. E a tinham visto conversando com ele, o que as deixaram curiosas com tal atitude – já que ela nunca tinha lhe dado um segundo da sua atenção antes e todas elas sabiam que Elizabeth não dava ponto sem nó; ela estava tramando alguma coisa.
Jane se adiantou a ela ao ver a irmã andar tão decidida pelo corredor, em sua direção. O rosto dela estava transformado, nada parecido com a expressão tranqüila de há pouco. Ela parecia-lhe transtornada.
--Lizzie, o que está acontecendo? - Jane a inquiriu, parando em seu caminho.
--Ele vai ter o que merece! - Foi a resposta que recebeu, quando Elizabeth desviou-se dela e seguiu o seu caminho.
--O que Will fez dessa vez? - Jane perguntou, alarmada. Elizabeth estava com aquele olhar de novo; Jane logo supôs que era por causa de Will; quem mais a deixava daquele jeito ultimamente? - Lizzie! - Jane chamou por ela, a seguindo; porque Elizabeth não se deteve para responder a sua pergunta, apenas seguiu o seu caminho. - O que Will fez dessa vez? - Jane exclamou, conseguindo ser ouvida por muito mais pessoas ao corredor, até mesmo Will e seus amigos.
--Quer que eu o segure para você bater?! - Lydia se ofereceu, correndo atrás de Elizabeth, animada. Enquanto Catherine se apressava a segui-la, dividida entre excitação, por estar curiosa com o que Elizabeth fosse fazer dessa vez, e amedrontada, com o que Elizabeth fosse fazer dessa vez.
--Lydia, não diga isso! - Charlotte a recriminou, também a acompanhando.
--O que? Você se ofereceu da última vez! - Lydia a lembrou, o que Charlotte receava que acontecesse.














