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É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de uma esposa.(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXXI

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Capítulo 31

 

De última hora, o sr. Darcy se convocou à levar Georgiana a tal festa. Estava ansioso para conhecer Elizabeth e percebera que esta era a oportunidade perfeita para satisfazer a sua curiosidade quanto a menina que parecia já ter conquistado toda a sua família. Desfez-se de todas as tentativas de sua esposa de cumprir tal tarefa por ele, para a alegria de sua filha e o divertimento de sua esposa – ambas entendendo perfeitamente o motivo para ele querer tanto levar Georgiana a tal festa; quando, no passado, nunca fizera tanta questão de ser responsável por tal atividade, sempre procurando delegá-las a Will.

            Pai e filha entraram no SUV do sr. Darcy e seguiram corretamente as indicações que Elizabeth dera a mãe de Georgiana por telefone esta manhã sobre endereço da casa da aniversariante. Georgiana viu Elizabeth parada a frente da casa, ao passeio, assim que passou de carro com o pai. Disse ao seu pai isso e ele resolveu fazer o retorno ao fim da rua, estacionando o carro próximo a entrada da casa em Elizabeth e Mary estavam paradas.

            Georgiana desceu do carro assim que o pai desligou o seu motor e esperou que ele fizesse o mesmo.  O sr. Darcy saiu do carro e inquiriu a filha.

--Qual delas é Elizabeth? - Olhando na direção das meninas rapidamente e depois voltando a sua atenção a Georgiana.

--A que está à direita, de jaqueta jeans e blusa azul. - Georgiana respondeu, notando que seu pai voltou a olhar na direção das meninas, à medida que travava as portas do carro com o controle remoto. - A que está à esquerda deve ser Mary Stuart, a amiga de Lizzie que é DJ. - Georgiana completou, olhando na direção das meninas. Mary estava usando mais uma de suas combinações estranhas de roupa, todas em tons escuros, e o cabelo estava cheio de mexas coloridas.

--Mas ela é morena! - O sr. Darcy comentou, soando surpreso. - Eu achei que ela seria loira. - Disse, olhando a filha, quem lhe dirigiu um olhar confuso. - Afinal, é de loiras que Will gosta, não é? - Os dois começando a andar em direção a Elizabeth e a Mary. - A última namorada dele era loira! - Explicou-se a filha, que dirigia-lhe um olhar inquisidor.

--Só porque Madson é loira não significa que Will só pode gostar de loiras! - Georgiana respondeu, num cochicho indignado. - Além do mais, Lizzie é muito mais bonita que Madson e Will gosta muito mais dela que gostou de Madson! - Comentou, segura de estar certa. Ela nunca gostou de Madson, não conseguia entender porque o irmão a namorou. - Will nunca deixou Madson chamá-lo de “sr. Darcy”! - O que, enfim, fez o sr. Darcy rir e voltar a olhar Elizabeth.

--Você está certa! - Ele replicou, num outro cochicho. - Ela é muito mais bonita que Madson! - O que fez Georgiana sorrir, satisfeita.

            Pai e filha pararam de conversar quando estavam próximos o suficiente de Elizabeth e Mary, a ponto de serem ouvidos por elas. Continuaram a se acercar das meninas, até pararem diante delas. Georgiana apressou-se em cumprimentar Elizabeth, qual recebeu-lhe com um sorriso e apresentou-lhes a sua amiga Mary. Mary foi bastante educada e cordial com ambos. Então, Georgiana lembrou-se que ainda não havia apresentado o seu pai a nenhuma das meninas.

--Oh... desculpem-me, este é o meu pai... - Georgiana disse, contente. - Pai, esta é Elizabeth. - E completou, dirigindo um sorriso significativo ao pai.

--É um prazer finalmente conhecê-la, Elizabeth! - O sr. Darcy disse, tomando a mão que a menina lhe estendia num cumprimento. - Eu ouvi muitas coisas a seu respeito... de todos os membros da minha família. -Completou, sorrindo amigavelmente para ela.

--Coisas boas, eu espero! - Elizabeth brincou, um pouco constrangida. O que o fez dar uma pequena gargalhada.

--Somente coisas boas! - O sr. Darcy garantiu. - Você parece ter conquistado toda a minha família! - O sr. Darcy completou, ainda sorrindo para uma Elizabeth que ficava cada vez mais constrangida.

--Mesmo, sr. Darcy?!

--É verdade. - O sr. Darcy respondeu e, lembrando-se do comentário da filha, disse-lhe. - Mas eu gostaria que você não me chamasse de “sr. Darcy”... - Elizabeth começou a se perguntar se era algo de família a pré-disposição a não gostar deste nome. - faz com que me sinta velho e... - O sr. Darcy apressou-se em explicar. - poderia causar certa confusão no futuro, não concorda? - Questionando-a, quem parecia não estar entendendo-o. - Pelo menos, pra mim causaria! Eu teria dificuldades em saber se você estaria se referindo a mim ou ao meu filho quando chamasse por “sr. Darcy”! - Deixando Elizabeth boquiaberta e fazendo Georgiana rir. - Você pode me chamar de Frederick. - O sr. Darcy concluiu, a uma Elizabeth que apenas assentiu com um aceno de cabeça. Duvidada que ia conseguir chamá-lo pelo primeiro nome. - E você é Mary Stuart, estou certo? - O sr. Darcy adiantou-se na direção de Mary, também tomando a sua mão em cumprimento. - Você é VJ?

--DJ... - Mary corrigiu-o, com naturalidade. - ou Disc Jockey. VJ ou Vídeo Jockey é quem trabalha com manipulação de vídeos. - A um sr. Darcy que a ouvia com atenção e curiosidade. - Um DJ é um artista e técnico que mistura músicas .

--Interessante. - Ele comentou; Elizabeth logo percebeu que a família de Georgiana, embora rica e possuir motivos para ser esnobe, não o era. O sr. Darcy disse-lhes, então. - Vocês devem estar querendo entrar e curtir a festa, então eu devo ir embora agora. - E, virando-se para sua filha, completou. - Quando você quiser ir embora, ligue lá para casa e eu mando Will vir te buscar. - Georgiana concordou com aceno de cabeça e sorriu para o pai.

--Não é necessário, sr. Darcy... Frederick. - Corrigiu-se quando o sr. Darcy dirigiu-lhe um olhar de pirraça, o que a fez sorrir. - Meu pai irá vir me buscar e nós podemos dar uma carona a Ana tranquilamente. - Elizabeth completou o que queria lhe dizer; não queria que Will viesse buscar Georgiana, não queria vê-lo.

--Ana? - O sr. Darcy questionou. - Quem é Ana? Você não é Mary? - Ele perguntou a Mary, perguntando-se se teria chamado a menina pelo nome errado e ela o teria deixado sobre o erro para não constrangi-lo.

--Eu sou Mary. - Mary respondeu-lhe. E o sr. Darcy começou a olhar ao seu redor, como se esperasse ver mais alguém a sua volta.

--Eu sou Ana, papai. - Georgiana correu a lhe dizer, rindo. - É assim que as meninas da escola me chamam, porque o meu nome é muito grande. - E tratou de lhe explicar isso, para um sr. Darcy que pareceu bastante aliviado e que logo voltou a sorrir.

--Eu pensei que ela estivesse se referindo a sua prima... - O sr. Darcy comentou com Georgiana. - E, por um minuto, achei que todos da minha família já haviam conhecido a minha futura nora, menos eu! - Ele deixou escapar sem perceber, o que fez Georgiana abafar uma risada ao ver a expressão de surpresa que se apoderou do rosto de Elizabeth. Ela ficou, literalmente, boquiaberta.  - Bem... - O sr. Darcy, notando o que tinha feito, ficou um pouco sem jeito. - É melhor eu ir... agora. Tchau, meninas! - Dando um beijo em Georgiana, seguiu em direção ao seu carro.

--Tchau, sr. Darcy! - Mary e Elizabeth disseram em união, o que o fez olhar para trás com um sorriso característico de quem está as reprovando e acenar. E as meninas acenaram de volta, sorrindo para ele.

            Mary, Elizabeth e Georgiana seguiram em direção da casa, cada uma carregando uma parte dos equipamentos de Mary, assim que o carro do sr. Darcy virou a esquina ao fim da rua. Assim que cruzaram o portão de entrada da casa, a porta da frente foi aberta pelo mordomo, que as recebeu e as guiou pela casa até o jardim dos fundos, onde ocorreria a festa. A casa era enorme, Elizabeth e Mary observavam cada um dos cômodos com o devido interesse que eles apresentavam. A única entre elas que não estava nem um pouco impressionada era Georgiana – aquela casa não se diferenciava muito da sua própria.

            Ao passarem enfrente a porta da sala de jogos, as meninas viram uma senhora muito elegante, beirando os quarenta poucos anos, reclamar com uma pessoa que estava dentro daquela sala, qual devia ser seu filho. Ela o estava mandando desligar o vídeo-game e juntar-se a sua irmã, dizendo-lhe que ele não devia passar o aniversário da irmã enfurnado naquela sala. E depois veio cumprimentar as meninas, terminando de guiá-las até o jardim dos fundos.

            A sra. Hilton foi bastante educada e polida ao conversar com elas. Indicou-lhes a mesa em que havia reservado para Mary arrumar os seus materiais, disse às meninas que um garçom estava com ordens para servi-las durante a festa e indicou-lhes também a direção do banheiro. Depois trouxe a sua filha, a aniversariante, para conhecê-las. Susana Hilton, uma menina alta para sua idade, de cabelos castanhos avermelhados e olhos bem verdes, incrivelmente linda e igualmente esnobe, é uma ex-colega de sala de Georgiana de Johnson's High. E dizer que as duas não são amigas e nunca foram é um entendimento a todos que notaram a expressão de desgosto da menina ao se deparar com Georgiana.

--Georgiana Darcy! - Ela exclamou ao vê-la, calando a mãe, quem estava tentando apresentá-la às meninas. - O que você está fazendo aqui?!

--Vocês já se conhecem? - A sra. Hilton se apressou em perguntar, adivinhando que o próximo comentário da filha seria: “eu não me lembro do tê-la convidado para a minha festa!”.  

--Sim. - Susana respondeu, cruzando os braços. - Ela foi da minha sala ano passado, em Johnson's High, mas mudou de escola este ano.

--Ohh, outra amiguinha sua! - A sra. Hilton exclamou, abrindo um sorriso genuíno a primeira vez este dia. Sua filha lhe dirigiu um olhar esmagador, o que apagou o sorriso do rosto da mãe. - Ahh fique a vontade. - Mas que não a impediu de tratar Georgiana bem, ao dirigir-lhe as seguintes palavras. - Aproveite a festa, querida. Tenho certeza que irá encontrar outros amiguinhos aqui hoje, já que todas as amiguinhas de sala da minha filha foram convidadas!

--Obrigada! - Georgiana respondeu, timidamente. E Susana lhes deu as costas, afastando-se revoltada com o comportamento da mãe, sem sequer conhecer as outras meninas.

            Elizabeth logo pensou que Susana Hilton se assemelhava muito com Caroline Bentley, não só fisicamente, como em personalidade também. Então, colocou a mão no ombro de Georgiana e lhe encorajou a sorrir para a sra. Hilton, o que Georgiana fez.

--Oh, ela está muito agitada com a festa. - A sra. Hilton tentou justificar o comportamento da filha, ao virar-se na direção que ela seguira e a observar se afastando delas. - Ah.. e aquele é Owen... - A sra. Hilton disse, apontando para um menino de doze anos que apareceu a porta do jardim, olhou na direção deles e voltou para dentro de casa. - Não se preocupem com ele, tão pouco. - Sra. Hilton comentou, voltando-se de frente para as meninas.  - Ele, provavelmente, vai voltar para frente do video-game assim que eu me distrair. - Recebendo um sorriso mais animado de Georgiana e das demais meninas após este comentário. - Bom, eu vou deixar vocês se organizarem... - E com isso ela também se foi, deixando as meninas sozinhas ao jardim com os demais empregados, quais davam os últimos retoques na decoração da festa.

--Então, vocês não me pareceram amigas. - Elizabeth disse a Georgiana, referindo-se a aniversariante.

--Nós não somos. - Georgiana respondeu. - Ela sempre implicou comigo por causa do meu irmão e do irmão dela. - Comentou e, vendo que Elizabeth parecia surpresa, completou, explicando o seu comentário. - Eu te disse que o meu irmão era popular na nossa antiga escola... Acontece que o irmão mais velho dela também o é e existia uma rivalidade entre os dois, então... Ela sempre implicava comigo por causa disso, como se eu me importasse com quem é mais popular entre um e outro!

--Não se preocupe! - Elizabeth resolveu tranqüilizá-la. - Você vai estar muito ocupada conosco para ter de se preocupar com ela. - O que Georgiana pareceu agradecer, sorrindo-lhe.

            As meninas logo se ocuparam em armar os aparelhos de Mary à mesa que a sra. Hilton havia lhes indicado. Enquanto armavam os materiais de Mary, ela ia explicando as meninas para que servia cada um. Elizabeth ficou imensamente contente ao perceber o quão Georgiana parecia interessada em escutar e entender tudo o que Mary estava lhe explicando e em como os seus olhos brilhavam de excitação e o seu sorriso aumentava quando ela a compreendia.

            Mary contou-lhes como se interessou por ser DJ ao achar o toca-discos da época de universidade de seu pai, um Technics SL-1200 MK-2, e o seu pai lhe explicar que costumava ser DJ durante esta época. Informou-lhes que fora ele quem lhe ensinara como mexer no aparelho que possuía, despertando a sua curiosidade quanto à modernização dos aparelhos com o lançamento dos CDs. Disse-lhes também que ele a ajudou a comprar o aparelho que ela tem, da marca Pioneer, o qual trabalha com CD player e não mais discos de vinil, como o toca-discos de seu pai.

            Explicou-lhes que o seu aparelho possue botões especiais para alteração de pitch, de retorno da faixa, de marcação de ponto (efeito cue) e looping. Disse-lhes que o timbre da música pode ser controlado, opcionalmente, por um acionador específico, normalmente conhecido como Master Tempo. Explicando-lhes que com este recurso, mesmo que a composição esteja extremamente acelerada (ou desacelerada), o timbre da voz, teclados, guitarras, etc. é mantido, driblando de certa forma a capacidade de percepção do público, em notar que determinado som está tocando em velocidade diferente da normal.

            Mary também lhes explicou que além do talento musical obrigatório a um DJ em se conhecer aproximadamente o tempo das composições que ele pretende mixar durante sua apresentação, o mesmo também deve conhecer onde, quando e se uma composição ou determinada versão desta possui uma região – geralmente sem vocal, com batidas secas e pouco, ou nenhum, aparecimento de guitarras e teclados –  popularmente conhecida como quebrada, onde é possível entrar a próxima composição sem que o resultado fique confuso (com dois vocais de canções diferentes "falando" ao mesmo tempo, por exemplo).

            E, concluindo a sua prévia explicação, à medida que aprontavam o seu material, colocou a primeira música para tocar, testando os auto-falantes e altura do volume. Deu um dos fones de ouvido a Georgiana e outro a Elizabeth, vindo a demonstrar às duas como ela fazia para mixar ao vivo as músicas. Após demonstrar duas vezes, Mary deixou que Georgiana tentasse – porque sabia que era o motivo de Elizabeth ter se oferecido para auxiliá-la naquela festa; queria que a menina experimentasse coisas diferentes, mas que ainda estivessem relacionadas com música, que era o que ela gostava. Georgiana receosamente tentou fazer o mesmo que Mary fizera, cometendo pequenos e comuns erros. Os quais Mary corrigiu com facilidade, de forma que Georgiana não se sentisse intimidada.

            Mary então tocou uma música que imaginara que agradaria Georgiana, embora não fizesse parte do repertório de músicas que selecionara para aquela festa. A música de Frou Frou, chamada “Let Go”, porque esta música abusa dos sons do piano e violinos.

            Elizabeth as observava com prazer, feliz ao ver Georgiana contente em experimentar coisas novas e por Mary estar sabendo lidar com a menina muito bem, embora alegasse ser anti-social. Parecia igualmente satisfeita em ter alguém escutando-a com tanto atenção e seguindo os seus conselhos tão prontamente.

            Distraída, Elizabeth virou o rosto na direção da porta de entrada do jardim, imaginando como aquilo tudo ficaria quando os convidados começassem a chegar, e viu o menino de doze anos parado a porta, olhando na direção delas. Ele é um pouco maior que a própria irmã, quem é alguns centímetros maior que Georgiana, e, embora possuísse os olhos no tom verdes igual ao da irmã, o seu cabelo é uma cor de chocolate brilhante. Elizabeth achou que ele era muito bonito, um pequeno galã. O que era uma pena, porque ele estava olhando na direção delas com um olhar carrancudo e logo voltou para dentro de casa.

            Os convidados não demoraram a chegar e Mary teve de começar o seu trabalho. Elizabeth e Georgiana ficaram ao seu lado o tempo todo, a auxiliando em tudo o que ela precisasse.  Alguns dos convidados passavam pela mesa do DJ e fitavam Georgiana com atenção, vindo a cochichar entre si em seguida. Outros se aproximavam e falavam rapidamente com ela, unicamente para descobrir se era ela mesmo que estava diante deles e não outra pessoa que se assemelhava muito a ela. E, uns poucos, paravam ao seu lado por mais de vinte minutos e conversavam com ela como velhos amigos que não se viam há muito tempo. Estes, é claro, eram afastados da mesa do DJ pela aniversariante na primeira oportunidade que ela tinha e não voltavam mais.

            Georgiana não se incomodou com isso, pois, como Elizabeth havia lhe garantido, ela tinha muito com o que se ocupar com as duas meninas. E sempre que elas ficavam sem ter nada o que fazer, enquanto Mary tocava alguma música sem necessitar de suas assistências, Elizabeth fazia alguma gracinha para animá-la. Como quando começou a dublar a música “That' What Girl Do” de Hillary Duff, uma das prediletas da aniversariante, fazendo muitas gracinhas para Georgiana rir – escondida atrás de Mary, para não ser vista pelos convidados.

--You ask me why I change the colour of my hair (yeah)

(Você me pergunta porque eu mudo a cor do meu cabelo)

            Elizabeth dublou esta parte da música, usando a mão fechada como um microfone, e passando a outra mão pelo cabelo, displicentemente.

--You ask me why I need 32 pairs of shoes (to wear)

(Você me pergunta porque eu preciso de 32 pares de sapato – para usar)

            Lembrou-se de Will ao dublar esta parte da música, de quando estiveram no shopping olhando uma vitrine de loja de sapatos com Jane e ele lhe inquiriu sobre a obsessão das mulheres por sapato. Desfez-se desse pensamento rapidamente, balançando a cabeça e sorrindo para Georgina, quem estava a observando e olhando para as pessoas ao seu redor, como se temesse que mais alguém a estivesse assistindo.

--You seem to ask me why I gotta lotta things

(Você parece me perguntar a razão de muitas coisas)

Its just a chick thing

(É uma coisa de mulher)

You outta let it go

(Você precisa parar de se preocupar com isso)

            Elizabeth continuou, sem se importar se mais alguém a estivesse olhando, e pôs a mão que passara no cabelo na cintura e assumiu uma postura que fez Georgiana lembrar-se de Susana Hilton ao vê-la em sua festa, o que a fez rir. Elizabeth estava hilária como uma menina esnobe.

--You try to understand but you dont have a clue

(Você tenta entender, mas não faz a mínima idéia)

Thats what girls do (thats what girls)

(Isto é o que garotas fazem)

They keep you guessin' the whole day through

(Elas te deixam advinhando tudo)

Play your emotions

(Brincam com seus sentimentos)

Push all your buttons its true

(Apertam todos os botões certos, é verdade)

That's what girls do

(Isto é o que garotas fazem)

(That's what we do)

(É isso o que fazemos)

            Elizabeth viu que o irmão de Susana voltou a aparecer à porta de entrada do jardim e ficar olhando na direção delas. Para demonstrar que nem ela, nem Georgiana iam se intimidar com eles, fez Georgiana duplar a música com ela.

--(yeh yeh yeh yeh yeah)

(why should I change)

(Por que eu devia mudar?)

            Erguendo a mão que usava como microfone na direção da boca de Georgiana, quem tentou se afastar, balançando a cabeça negativamente. Mas sem conseguir escapar de Elizabeth, quem saiu de trás de Mary e se encaminhou para mais perto de Georgiana, fazendo-lhe cosquinhas.

--(yeh yeh yeh yeh yeah)

Im havin' to much fun

(Eu estou me divertindo tanto)

            Até que conseguiu que Georgiana dublasse uma parte da música.

--(yeh yeh yeh yeh yeah)

To you its confusing

(Para você é confuso)

To me its nothing new

(Mas para mim não é novidade)

Thats what girls do

(Isto é o que garotas fazem)

            Indo se esconder atrás de Mary, aos risos, logo em seguida. Enquanto Elizabeth dirigiu um olhar de desafio na direção do irmão de Susana e, para a sua surpresa, o encontra olhando na direção delas com um pequeno sorriso nos lábios. Elizabeth olhou na direção de Georgiana e de volta na direção de Owen, entendendo tudo. E sorriu ao voltar a olhar para Georgiana.

            Elizabeth decidiu observar melhor o menino, para ter certeza de que as suas suspeitas estavam certas. E, pouco tempo depois, o viu sair de casa e vir estacionar a um canto não muito distante da mesa do DJ. Ele ficou parado ali, sozinho, sem conversar com nenhum dos outros convidados, apenas olhando na direção delas. Não estava mais sorrindo, mas a expressão dele já não lhe parecia carrancuda. A postura dele a fazia lembrar-se de Will.

            Elizabeth, notando que Owen não ia sair mais dali, aproveitou um momento em que Mary parecia que não ia precisar da ajuda de mais de uma pessoa, porque a música que ela estivera tocando estava terminando e ela já havia colocado a música de Vanessa Hudgens para ser a próxima faixa, e pediu para Georgiana ir buscar refrigerantes para elas. Havia visto que a mesa em que os refrigerantes estavam depositados era uma das mesas que estavam mais próximas de onde Owen estava parado e imaginou que, se ele estivesse esperando uma oportunidade para falar com ela, esta era ela.

            Georgiana atendeu o seu pedido sem desconfiar de nada, embora soubesse que um dos garçons estava designado à servi-las, e seguiu em direção a mesa dos refrigerantes. Enquanto Elizabeth a observava atentamente, já com um sorriso nos lábios. Georgiana passou por Owen, sem lhe dirigir o olhar, e se aproximou da mesa, separando três copos e colocando refrigerante neles.  Elizabeth riu ainda mais ao ver que Owen se desencostou da parede e se aproximou de Georgiana, lhe dizendo algo, surpreendendo-a e fazendo ela derramar um dos copos de refrigerante.

You are fine

(Você é legal)

You are sweet

(Você é doce)

But I'm still a bit naive with my heart

(Mas eu ainda sou um pouco ingênua com relação ao meu coração)

            Mary observando a cena que Elizabeth assistia e a vendo rir, satisfeita pelos seus feitos, balançou a cabeça, negativamente. Enquanto Elizabeth sorria cada vez mais ao ver Owen encher outro copo com refrigerante e acompanhar uma Georgiana, vermelha feito um rúbi de vergonha, até a mesa da DJ, trazendo um dos copos, enquanto Georgiana trazia outros dois.

When you're close I don't breathe

(Quando você está por perto eu não consigo respirar)

I can't find the words to speak

(Eu não consigo encontrar as palavras certas)

I feel sparks

(Eu sinto faíscas)

            Georgiana entregou os dois copos que tinha em mãos a Elizabeth e a Mary, voltando-se para pegar o que Owen trazia para ela. Ela apresentou Elizabeth e Mary a ele, e ele se apresentou a elas três, o que ainda não havia feito. Elizabeth resolveu dar uma ajudinha a ele, quando eles voltaram a ficar em silêncio, e perguntou a ele se ele conhecia Georgiana de sua escola. Ao que ele disse que já a tinha visto pelos corredores, mas que eles nunca havia se falado antes. Elizabeth, então, mencionou a festa de Halloween que ia haver com as duas escolas unidas, ao que ele sabia a respeito e Georgiana não, e deixou que ele explicasse a ela, voltando a se ocupar em ajudar Mary.

But I don't wanna be into you

(Mas eu não quero me interessar por você)

If you are not looking for true love, oh oh

(Se você não está procurando pelo amor verdadeiro)

No I don't wanna start seeing you

(Não. Eu não quero começar a ver você)

If I can't be your only one

(Se eu não posso ser a única para você)

So tell me

(Então me diga)

            E não demorou muito para que os dois estivessem tendo uma conversa tão animada a ponto de Georgiana esquecer-se completamente de que tinha de auxiliar Mary também. Só veio a lembrar-se disso quando Owen perguntou-lhe sobre como ela veio parar na festa de sua irmã como DJ, se isto era algo que ela sempre fazia. E mesmo lembrando-se de sua tarefa, se viu desviando a atenção de novo para ele quando começou a lhe explicar como veio parar ali – de como Elizabeth, sendo sua amiga, a convidou para lhe acompanhar até a festa em que a amiga dela Mary ia ser DJ e Mary a estava ensinando o que um DJ fazia antes da festa começar.

When it's not all right

(Quando não estiver tudo certo)

When it's not ok

(Quando não estiver tudo bem)

Will you try to make me feel better?

(Você tentará fazer com que eu me sinta melhor?)

Will you say all right? (say all right)

(Você dirá 'tudo bem'? - Diga: tudo bem)

Will you say ok? (Say ok)

(Você dirá 'ok'? - Diga: ok)

Will you stick with me through whatever?

(Você ficará comigo independente do que aconteça?)

Or run away

(Ou irá fugir)

(Say that it's gonna be alright. That it's gonna be ok)

(Diga que irá ficar tudo certo. Que irá ficar tudo bem)

Say ok.

(Diga: ok)

 

 

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