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Felicidade no casamento e meramente questão de sorte. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXX

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Capítulo 30

 

Sábado começou como um dia tranqüilo e sem muitas emoções para todos. Will estava tremendamente cansado. Após o jantar da noite passada na casa de Elizabeth, voltou para casa ansiando por sua cama, unicamente para passar por uma longa inquisição de sua irmã. Georgiana ficara acordada até muito tarde para poder conversar com ele quando ele voltasse de seu encontro com Elizabeth. E só se recolheu em seu quarto quando Will lhe assegurou de que não havia discutido com Elizabeth aquela noite e que não havia se esquecido de lhe dar o recado que Georgiana havia lhe pedido.

            Ainda ficou acordado por muito tempo depois porque não conseguia parar de repassar em mente os eventos daquela noite. Não estava certo se havia conseguido as respostas para todas as suas perguntas, estava confuso quanto ao resultado desta noite. Afinal, embora não houvesse discutido com Elizabeth, a noite terminara estranha entre os dois. Ela ficou evitando estar próxima a ele os últimos minutos em que estivera em sua companhia e se negara a acompanhá-lo até o carro. O que comprovava que a noite não terminou tão bem quanto ele desejava.

            Em conseqüência disso, Will acordou após as dez da manhã naquele sábado, o que raramente lhe ocorria. Sempre foi de acordar cedo, mesmo quando não precisava ir a escola. Normalmente, dormia até as oito e meia nos fins de semana. E, por causa disso, não estava presente no momento em que Elizabeth ligou para sua casa e conversou com sua mãe, por vinte minutos, e com sua irmã, por um pouco mais de meia hora. Os planos para as atividades daquele sábado foram devidamente organizados entre as três mulheres e a ligação foi terminada. E, para a sua decepção – embora ele não admitesse estar decepcionado para sua mãe ou irmã – elas não falaram sobre ele em nenhum momento durante aquela ligação, ambas lhe asseguraram disso.

            Will conformou-se e foi tomar a seu café da manhã, sozinho. Já que todos os outros membros da sua família já o haviam feito. Resolveu não comer muito, pois não faltava muitas horas para o almoço e este queria ter em família. Depois de tomar café ficou indeciso quanto ao que fazer, então sentou-se ao sofá da sala de som e ficou assistindo televisão com sua irmã. Georgina estava assistindo “Para Sempre Cinderela” (Ever After) outra vez. Ele não conseguia entender como era possível alguém assistir a um filme tantas vezes sem enjoar, mas, pelo que tinha percebido durante a conversa de ontem à casa de Elizabeth, Georgiana não era a única menina que fazia isso. O sr. Abbott mesmo garantiu que Elizabeth já assistira “Orgulho e Preconceito” (Pride and Prejudice) inúmeras vezes, vindo a saber falas do filme.

            Charles apareceu em sua casa entorno das onze meia e eles dois resolveram ir à casa de Richard. Assim, cada um podia relatar como havia sido a noite passada. Will mal podia imaginar que seus amigos também teriam muito a relatar sobre as suas respectivas noites.

            Assim que entraram na casa de Richard, Will e Charles encontraram-se com Mathew, irmão do meio de Richard. Ele havia acabado de acordar e estava com o rosto todo amassado, além de um ar sonolento. Passou pelos garotos sem lhes dirigir a palavra e seguiu em direção a cozinha; Charles inquiriu a Will se havia algo de errado com ele, porque Mathew sempre foi um rapaz divertido – até mesmo mais divertido que Richard. Will lhe assegurou que não havia nada de errado com ele, apenas que ele estava acabando de acordar e estava sonolento; nestas ocasiões ele raramente percebia o mundo a sua volta.

            Os dois foram ao quarto de Richard, pois foi onde a governanta os recomendou a procurar por ele, e encontraram Richard sentado diante de sua escrivaninha, fazendo suas atividades escolares. Will e Charles pararam a entrada do quarto de Richard e se entreolharam. Aquela era uma imagem por qual eles não esperavam ao entrar no quarto dele. Richard sempre deixava para fazer as suas atividades de última hora, principalmente aos fins de semana, pois sempre tinha muitas outras coisas mais interessantes a fazer – mesmo que a coisa mais interessante a se fazer fosse fazer nada em absoluto.

            Charles adentrou o quarto e se acercou de Richard, enquanto Will fechava a porta do quarto e o seguia em sua atitude. Richard olhou rapidamente para eles, para saber quem havia acabado de entrar em seu quarto, depois retornou a sua atenção aos seus livros e cadernos. Ambos ficaram parados de pé próximos a escrivaninha de Richard, sendo ignorados por ele.

--Richard, o que está fazendo? - Will resolveu inquirir.

--Atividade de matemática. - Richard respondeu.

--Por quê? - Charles questionou. Nem ele havia feito a dele ainda; embora fosse o único do grupo a fazer as atividades com dias de antecedência, ainda havia vários dias para fazer esta atividade especifica.

--Porque me deu vontade. - Richard respondeu. Will se aproximou mais dos livros que estavam abertos sobre a escrivaninha e notou que todas as outras atividades que receberam dos professores de diversas matérias já haviam sido feitas.

--Você passou a noite toda fazendo os exercícios de casa? - Will perguntou, assombrado, ao erguer o livro de Literatura e encontrar a resposta de todas as quinze perguntas sobre o texto mais chato que tentara ler já devidamente escrita ao caderno de Richard, depositado ao lado.

--Para ser sincero, sim. - Richard respondeu, sem erguer o olhar do seu caderno ou interromper a sua atividade.

--Mas... por que? - Charles inquiriu, alarmado.

--Eu não tinha mais nada para fazer. - Richard respondeu, de mau gosto.

--E quanto a dormir? - Will inquiriu, já estando seriamente preocupado. Era evidente que alguma coisa estava acontecendo. Richard perder uma noite de sono para poder fazer seus deveres de casa? Nunca!

--Eu tive insônia. - Richard replicou, irritado.

--Richard, aconteceu alguma coisa? - Charles perguntou, seriamente.

--Não. - Richard respondeu. E para não dar oportunidade aos outros dois de continuar o seu interrogatório, Richard parou de fazer seus exercícios, virou a cadeira em que estava sentado na direção dos dois amigos e inquiriu-lhes. - Por que vocês vieram aqui?

--Para te contar o que aconteceu ontem. - Will respondeu, estranhando ainda mais o comportamento do primo.

--Contar o que?! - Richard se exaltou. - Eu não preciso que me contem nada!

--O que?! - Charles e Will exclamaram juntos. - Qual é o seu problema, Richard? - Ambos inquiriram em união.

--Eu não tenho problema algum, só não estou com paciência para ouvir o que quer que seja que vocês tenham para contar!

--Você não quer ouvir o que eu tenho a dizer sobre Lizzie? - Will perguntou-lhe, confuso por causa do comportamento do primo.

--Oh... é sobre isso que vocês querem falar? - Richard perguntou-lhes, diminuindo um pouco a expressão carrancuda que tinha no rosto. - Então... Fala logo! - Mas logo completou, sem paciência. - O que aconteceu? Você descobriu o que tinha para descobrir?

--Sim. - Will respondeu, ainda preocupado com o comportamento estranho do primo. - Quer dizer, não. ...Mais ou menos. - Mas logo voltou a sua atenção para os seus próprios problemas e o que o havia trazido ali.

--Por favor, decida-se! - Richard resmungou, irritado.

--Eu acho que sim. - Will respondeu, mais seguro.

--E? Por que Lizzie mudou de idéia quanto a sair com você? - Richard voltou a questioná-lo com o mesmo tom de voz.

--Bill Collins. - Will respondeu-lhe simplesmente isso.

--Bill Collins?! - Richard e Charles exclamaram juntos, sem conseguir entendê-lo.

--Sim. Bill Collins. - Will repetiu e, indo sentar-se à cama de Richard, completou. - Ontem foi... totalmente diferente do que eu pudesse ter imaginado que seria. - Assim que ele começou a relatar como havia sido a sua noite, Richard mudou a sua postura hostil e ficou mais receptivo. Charles procurou sentar-se também. - Quando eu cheguei a casa dela, fui imediatamente surpreendido pela chegada de Bill Collins e seus pais. - As expressões de Charles e de Richard eram de completa confusão. - Se isso não fosse surpresa suficiente, quando eu fui em direção a casa de Elizabeth, eles me seguiram. - Richard e Charles trocaram olhares mais confusos ainda. - A sra. Abbott nos atendeu e nos mandou entrar, indo chamar Lizzie. Ela gritava ao pé da escada por Elizabeth, mas ela não descia. O sr. Abbott apareceu e nos levou para a sala de estar, e foi então que Elizabeth apareceu. - Richard e Charles aparentaram estar mais aliviados; ambos já estavam começando a pensar que Elizabeth havia arrumado uma pegadinha para ele, mandando-o buscá-la em casa, mas não estando lá quando ele fosse buscá-la. - Então, eu perguntei a ela se ela já estava pronta para sair comigo e a mãe dela começou a ter um ataque, reclamando que havia marcado um jantar em “família” e ela não podia faltar! - Richard e Charles estavam boquiabertos. - Então ela disse que não ia a lugar algum, que ia ficar para o tal jantar... Ela só não, eu também!

--Como é que é?! - Richard e Charles exclamaram em união, novamente.

--Exatamente o que eu disse. - Will respondeu. - Ela disse a mãe dela que havia me convidado para o jantar em “família”. E foi o que eu fiz ontem à noite: jantei com o sr. e a sra. Abbott, o sr. e a sra. Collins, Bill Collins e Elizabeth. - Charles e Richard estavam sem palavras.

            Neste momento George abriu a porta do quarto de Richard e entrou no quarto, cumprimentando os garotos. Quis saber sobre o que eles estavam falando, ao que Charles tratou de lhe informar.

--Bem que eu estranhei o fato de Jane não querer conversar sobre vocês dois ontem. - Charles disse a Will. - Eu comentei com ela que talvez nós devêssemos ligar para um de vocês dois, perguntar se vocês não queriam se juntar a nós e assistir a uma sessão de cinema. E ela me respondeu que não acreditava que a irmã dela fosse querer. - Charles relatou. - Quando eu perguntei por que; se ela sabia se Elizabeth já tinha planejado alguma coisa para vocês dois, ela me disse que não queria falar a respeito; que era para eu perguntar a você hoje e que, se você quisesse, você me contava.

--Então, ela sabia que Lizzie estava aprontando uma enrascada para você. - George argumentou. - Um jantar com a família dela e a família de Bill Collins, esta foi uma jogada de mestre!

--Não foi assim tão ruim! - Will garantiu, surpreendendo a todos. - Eu falo sério. - Como todos os três continuaram a olhá-lo com uma expressão de descrença, Will explicou. - Eu pensei que ia ser bem pior quando ouvi a notícia de que íamos passar a noite na casa dela, na companhia de sua família e da de Bill Collins. Mas não foi tão ruim. - Ele reafirmou com mais convicção. - O sr. Abbott é gente boa e... Eu admito, eu preferia ter passado a noite com Lizzie, a sóis, mas... Pelo menos, nós não brigamos. - Neste ponto os meninos também concordaram. - Eu só não sei o que fazer de agora em diante. - Will completou, aguardando conselhos dos amigos. - Quero dizer, agora que sei que ela só aceitou participar deste desafio porque, presumo eu, a mãe dela voltou a pressioná-la a sair com Bill, o que eu faço?

--Aproveita a oportunidade que ela está lhe dando. - George respondeu com segurança, como se lhe desse a resposta mais obvia possível.

--Aproveitar o que? - Will perguntou-lhe, enquanto os outros também pareciam estar confusos com a resposta de George.

--Ela concordou sair com você por um mês, não é verdade? - Ele perguntou a Will, quem confirmou com a cabeça. - São mais três encontros, estou certo? - Ele continuou a questioná-lo, ao que Will repetiu o gesto, confirmando. - Então, você tem mais três oportunidades para sair com ela e conseguir que ela, não só te perdoe, queira ficar com você! - Will olhou para Charles, vendo que o amigo estava pensando nas palavras de George, e olhou para Richard, que estava estranhamente quieto.

--E quanto às outras meninas? - Will voltou-se para George, que era o único que parecia estar disposto a opinar naquele momento. - O que eu faço em relação a elas? Eu não posso sair com cinco meninas! - Will exclamou, inconformado.

--Por que não? - George inquiriu-lhe, surpreso. - Você já conseguiu o mais difícil, que é fazer com que elas aceitassem sair com você sabendo que você está saindo com outras garotas ao mesmo tempo.

--Porque eu não quero sair com nenhum delas! - Will respondeu, exasperado. - Eu só quero sair com Elizabeth. - George segurou uma risada, achava engraçado o comportamento de Will; há poucos dias se negava admitir interesse na menina, agora era só o que sabia fazer.

--Mas para você continuar a sair com ela, vai ter que sair com as outras. - George comentou e, notando que Will dirigia-lhe um olhar de incredulidade, como se considerasse que o que ele disse um absurdo, completou a sua linha de raciocínio. - Se você disser para outras garotas que o desafio foi cancelado e que não quer sair com nenhuma delas, estará desobrigando Elizabeth de sair com você por um mês e lhe dando a oportunidade de voltar a ficar do jeito que vocês estavam antes, sem se falar direito! - E, voltando a assumir aquela postura de quem está lhe dando uma lição, disse. - É isso o que você quer?

--É claro que não! - Will respondeu imediatamente.

            A opinião de George não lhe parecia totalmente fora da lógica, mas, ainda assim, Will estava receoso em segui-la. Sair com cinco meninas, quatro delas quais ele não tinha interesse algum, por um mês inteiro; ele estava pronto para isso?!

--O que você acha, Richard? - Virou-se para o primo ao inquiri-lo isto.

--Eu não sei. - Richard respondeu sem emoção. - Francamente, eu não acho que sou a pessoa adequada para lhe dar conselhos. - Completou, dando as costas ao primo e voltando a debruçar-se sobre os livros.

--Como é? - Will estranhou mais uma vez o seu comportamento; ele só não, Charles também voltou a ficar apreensivo quanto ao jeito de Richard.

--Fala sério, Will! - Richard começou a respondê-lo, voltando-se para encará-lo com uma expressão irritada no rosto. - Eu te coloquei nesta confusão, você realmente acha que eu sou a pessoa mais adequada a lhe dar conselhos?! - E, voltando a lhe dar as costas, completou. - Eu não sou bom para resolver os meus próprios problemas, quanto mais os seus! - Num resmungo quase inaudível.

--Do que você está falando? - Will e Charles perguntaram em união.

--O que? Ele não lhes contou o que aconteceu ontem? - George questionou-lhes, aparentemente surpreso. Richard permaneceu de costas para os três meninos e retornou a sua atenção aos seus exercícios.

--Contar o que? O que aconteceu ontem? - Charles e Will voltaram a questionar em união, só que a George desta vez.

--Charlotte Hudson e David Fitzgerald estão namorando... Oficialmente! - George informou-lhes; Will ficou momentaneamente boquiaberto e observando o primo, recriminou-se por ter estado só preocupado com ele mesmo. Richard estava numa situação pior que a dele; pelo menos, Elizabeth não estava namorando outra pessoa. - Quando a gente chegou lá no Basement ontem... - George começou a relatar, ganhando a atenção de Will de volta. - nós vimos Charlotte e David do lado de fora... Eles pareciam estar discutindo. - Richard respirou fundo e começou a escrever freneticamente em seu caderno. - Eu pensei que eles fossem terminar definitivamente e que Richard finalmente fosse ter a sua chance com ela... - Richard virou a folha de seu caderno com tanta violência que arrancou metade da folha. Ele, então, terminou o feito, a amassando e jogando-a no cesto de lixo ao lado de sua escrivaninha, retornando a sua prévia atividade como se nada houvesse ocorrido. - Aí... depois da meia noite, Charlotte e David apareceram no porão e seguiram caminhos diferentes... - George continuou com o seu relato. - Charlotte quis conversar com Lydia e eu deixei que elas fossem para um canto, logo Catherine juntou-se a elas. ..Eu pensei: Charlotte deve estar chateada por ter terminado o namoro e está querendo que as amigas a console. - Richard parou de escrever, mas continuou de costas para os meninos, segurando o seu lápis com bastante força. - Pouco tempo depois, David foi até elas e Charlotte voltou a sair com ele, e Lydia voltou para perto de mim... Eu quis saber o que tinha acontecido, porque ela estava com uma expressão de... surpresa no rosto. Então ela disse que a partir daquela noite Charlotte e David eram um casal, oficialmente.

--Que merda!! - Charles exclamou.

--Aha!! - A porta do quarto de Richard foi escancarada num movimento brusco e os dois irmãos mais velhos de Richard, gêmeos idênticos, entraram no quarto. - Então o meu irmãozinho está sofrendo por uma garota! - Mathew exclamou, o mais novo dos gêmeos.

--Então, é por causa de uma garota que ele estava acordado até muito tarde ontem, escutando Radiohead... - Thomas o acompanhou, rindo.

--Eu nunca imaginei que este dia chegaria... - Mathew continuou. - Don Juan Richard perdendo uma noite de sono por causa de uma garota. - Ele brincou, com tom de zombaria.

--Nem eu! - Thomas garantiu.

--Veja como a vida é engraçada. - Mathew começou a passear pelo quarto de Richard, sendo seguido por Thomas, enquanto os outros meninos os observavam, sem reação alguma. - Ano passado, Will estava sendo suspenso da escola porque brigou com outro menino por causa de uma garota que tinha dado o fora nele...

--Enquanto Richard estava dividido entre três garotas, sem saber com qual desejava sair... - Thomas o ajudou, completando as suas falas.

--Hoje, Will está saindo com cinco meninas... - Mathew voltou a falar, usando de um tom de admiração.

--Isto eu nunca poderia imaginar!!! - Thomas riu.

--Enquanto o meu irmãozinho está sofrendo porque foi rejeitado! - Ambos riram. Richard se ergueu de sua cadeira num assomo de raiva e dirigiu-se aos irmãos, aos gritos.

--Saiam do meu quarto! - Empurrando-os em direção a porta, enquanto eles riam-se. - Fora!!! - Richard bateu a porta na cara deles.

_________________________

            Elizabeth chegou à casa da aniversariante no horário combinado com Mary e já a encontrou lá, enfrente a casa da menina, a aguardando. As duas ainda ficaram a entrada da casa, porque precisavam esperar por Georgiana. Elas marcaram de chegar a festa meia hora antes desta começar para que elas pudessem armar o material de Mary, para que tudo estivesse pronto quando os convidados começassem a chegar.

            A casa da aniversariante era em um bairro chique, cheio de casarões. E a entrada da casa estava devidamente arrumada, com um jardim perfeito, digno de revista de paisagismo. Mary chegou a comentar com Elizabeth que a primeira vez que prestara serviços de DJ neste bairro sentiu-se bastante deslocada ao ver tanto luxo; os aniversários de meninas de dez anos naquele bairro eram muito mais bem produzidos que os aniversários de quinze anos que ela já havia ido como convidada. Mas, esta era quarta vez que trabalhava nesta área, já estava acostumada. Embora, admitisse, a presença de Elizabeth ali a estava tranqüilizando ainda mais.

            Elizabeth não negou que estava impressionada com o que estava vendo, mas não estava se sentindo deslocada ou intimidada por causa do luxo. Considerava aquilo um exagero desnecessário, mas cada pessoa tinha o direito de gastar o seu dinheiro como bem entendesse. Elizabeth estava mais animada com a prospectiva da chegada de Georgiana. Sabia que a menina ficaria encantada com a atividade de um DJ e estava ansiosa para poder ver a reação da menina quando elas começassem a trabalhar durante esta festa.

--Você ficou sabendo da novidade da festa de Halloween este ano? - Mary perguntou a Elizabeth.

--Que novidade? - Elizabeth questionou-lhe, curiosa. Não sabia de nenhuma novidade que envolvesse a festa de Halloween da escola deste ano.

--A festa de lá da escola vai ser em conjunto com a festa de Halloween de Johnson's High, no salão de festa da Johnson's High.

--Por quê? - Elizabeth questionou, estranhando esta novidade.

--Os rumores circulando na escola é de que os diretores das duas escolas resolveram terminar com a rivalidade que existe entre elas e decidiram dar esta festa em comunhão. - Mary explicou.

--Como se uma única festa fosse resolver todas as picuinhas que existem entre as duas escolas. - Elizabeth comentou, sarcasticamente.

--Sim! - Mary concordou. - Mas... Não vai ser só a festa de Halloween... Eles vão fazer uma espécie de gincana, uma Caça ao Tesouro, na semana anterior a festa de Halloween, onde cada escola vai ter que cumprir uma quantidade de tarefas para arrecadar dinheiro para doar a um orfanato ao fim do ano...

--Mesmo? - Elizabeth ficou animada com a novidade.

--Que também vai ser em união com a Johnson's High. - Mary completou, o que fez o sorriso de Elizabeth diminuir consideravelmente.

            Elizabeth imediatamente começou imaginar que experiência maravilhosa ia ser ficar na companhia de Madson e Caitlin durante tais ocasiões, estando, ela, namorando Will ao mesmo tempo em que outras quatro garotas. Perfeito!!!

--Eu não me incomodo em dividir a festa de Halloween com os alunos de Johnson's High... - Mary comentou, recuperando a atenção de Elizabeth. - A única coisa que me incomoda é que eu não vou poder trabalhar de DJ durante a festa, porque a Johnson's High já tem um DJ oficial contratado para trabalhar nas suas festas... Um de seus ex-alunos, que hoje já está na universidade... - Mary comentou, levemente irritada. - Eu só vou poder trabalhar na festa de Halloween do ginásio, porque esta, embora ainda em comunhão com a do Johnson's High, vai ser lá na escola mesmo e lá quem manda somos nós! - Ela completou, com um orgulho digno de estudantes da Austen House (que negam ser rivais da Johnson's High, mas, no fundo, são).

--Mary, esta é uma boa notícia! - Elizabeth exclamou, sorrindo, embora Mary lhe dirigisse um meio sorriso. - Assim você vai poder se divertir durante a festa de Halloween, ao invés de estar trabalhando.

--Mas eu me divirto trabalhando! - Mary replicou, indignada. - O que eu vou fazer para me divertir na festa de Halloween se não posso atuar como DJ?!

--Dançar. - Elizabeth respondeu, com simplicidade.

--Você sabe que eu não gosto de dançar. - Mary replicou, sem paciência. Elizabeth riu.

--Unicamente porque nunca tentou. - Elizabeth comentou, sorrindo do olhar de incredulidade que a amiga lhe dirigia. - Você vai ver, você vai gostar! - Mary balançou a cabeça, negativamente. Mas não disse mais nada. 

            As meninas viram quando um SUV passou enfrente a casa e diminuiu a velocidade, indo fazer o retorno no final da rua. Elizabeth não reconheceu o carro como sendo o da sra. Darcy ou de Will. Mas tinha tido a impressão de ter visto uma menina de cabelos loiros muito parecia com Georgiana sentada ao banco de passageiro da frente. Então, deduziu que aquele era o carro do pai de Georgiana.

            O carro diminuiu ainda mais a velocidade ao se reaproximar da casa em que elas estavam paradas a frente, até que parou. O motor foi desligado e a porta do lado do passageiro foi aberta, permitindo que Georgiana saísse do carro. A porta do motorista também foi aberta e um senhor de 48 anos, com cabelos charmosamente grisalhos e uma postura altiva saiu do carro e fechou a sua porta. Georgiana postou-se ao seu lado e ele perguntou-lhe algo, ao que ela respondeu num cochicho. Ele travou a porta de seu carro com o controle remoto e os dois começaram a andar em direção das meninas. Elizabeth notou que o sr. Darcy a estava olhando com bastante atenção, até que virou o rosto na direção da filha e lhe disse mais alguma coisa, que fez com que a testa de Georgiana franzisse antes de ela lhe dar uma resposta, a qual fez o sr. Darcy rir e voltar a olhar na direção de Elizabeth.

 

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