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Uma mulher se faz elegante para sua própria satisfação.(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXIX

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Capítulo 29

 

Assim que a sra. Abbott retornou da cozinha, já sem estar usando o seu avental por sob o seu lindo vestido azul marinho, todos foram encaminhados à sala de jantar e ocuparam seus devidos lugares a mesa. O sr. Abbott a uma extremidade da mesa e a sra. Abbott a outra. Elizabeth sentada ao lado da mãe e Will sentado ao seu lado. Do outro lado da mesa estavam sentados os Collins; o sr. Collins sentado ao lado do sr. Abbott, a sra. Collins sentada ao lado da sra. Abbott, e Bill sentado entre os pais.

            O sr. Abbott e o sr. Collins iniciaram uma conversa paralela, sobre os seus respectivos empregos, e a sra. Abbott e a sra. Collins fizeram o mesmo, conversando sobre os seus afazeres cotidianos e as fofocas que ambas tinham tomado conhecimento durante aquela semana. Sobraram apenas os outros três componentes daquele jantar em completo silêncio. Will queria conversar com Elizabeth, mas ele não conseguia chamar a sua atenção; ela parecia-lhe tão focada em comer o que tinha em seu prato. Bill insistia em ficar observando Will Darcy e a ser ignorado por ele. E Elizabeth estava satisfeita; por ora queria ignorar Will por completo, deixá-lo confuso quanto ao que estava acontecendo. Quanto mais desconfortável ele se sentisse, melhor.

            Notando o silêncio entre os jovens, o sr. Abbott decidiu introduzir uma conversa a todos a mesa. Inquiriu aos dois meninos o que eles pretendiam estudar quando completassem o ensino fundamental. Bill Collins finalmente pareceu despertar e notar os demais acompanhantes do jantar. E, satisfeitíssimo, foi o primeiro a responder a pergunta do sr. Abbott.

--Oh, eu pretendo me tornar um professor de matemática. - Elizabeth precisou segurar o riso que quase lhe escapou; ela agradeceu, mentalmente, aos céus por vir a estar formada quando este trágico fato acontecer. Estava certa de que haveria suicídios em massa entre os alunos dele logo após a sua primeira aula, porque ninguém que passasse uma hora e meia ouvindo a Bill Collins poderia escapar com o juízo perfeito. - Eu considero a magistratura uma das profissões mais dignas e honrosas da sociedade. - Bill comentou, usando um de seus tons de voz mais orgulhosos. - Estou extremamente ansioso pelo momento em que terei uma sala repleta de jovens mentes ávidas por conhecimento, que eu terei o prazer de lhes transmitir.

--Quão nobre da sua parte! - A sra. Abbott comentou, admirada. Enquanto Elizabeth o fitava com aversão, pensando: “oh, por favor! Ele irá fritar os neurônios de todos os seus alunos com meia hora de tédio total e causar-lhes uma morte cerebral instantânea!”

--E quanto a você, sr. Darcy? - O sr. Abbott perguntou a Will, dirigindo-se a ele da mesma forma que a filha fazia. Elizabeth virou-se para olhá-lo, para ver a reação dele a tal ato de seu pai. E o viu responder a pergunta com naturalidade (também, é o pai dela; o que mais ele podia fazer?).

--Eu estou dividido entre Administração de Empresas, que foi em quê o meu pai se formou, e Engenharia Física, porque eu sempre gostei de física. - Will respondeu ao pai de Elizabeth. - É claro, se eu decidir estudar ADM, eu provavelmente irei trabalhar com o meu pai após me formar.

--O seu pai é dono de uma companhia? - O sr. Abbott persistiu na conversa.

--Meu avô é o dono. Meu pai assumiu a direção quando o meu avô se aposentou há três anos. - Will respondeu, sentindo-se a vontade com o assunto da conversa.

--Uau! Um negócio de família! - A sra. Abbott exclamou, impressionada. Ele era mais rico que ela imaginava. “Uma companhia inteira!”, ela ponderava. - Então, o seu pai deve estar esperando que você siga o seu exemplo e continue o legado de família.

--Meu pai deseja que eu faça o que gosto. - Will replicou, seriamente. - Eu fiz um estágio à empresa de meu avô durante o verão passado, mas ainda estou em dúvida em seguir esse rumo profissional. - Ele completou, seguro em sua resposta. - O que você pretende fazer na universidade? - Ele aproveitou a oportunidade para inquirir isto a Elizabeth, virando o rosto em sua direção ao lhe dirigir a palavra.

--Me divertir. - Elizabeth respondeu, displicentemente. Will riu para ela ao ouvir a sua resposta, sabia que ela estava brincando. Mas a sra. Abbott revirou os olhos, sem paciência.

--Eu quis dizer, profissionalmente. - Will especificou.

--Eu não sei, ainda. - Elizabeth desviou o seu olhar dele, porque ele estava roubando a sua concentração, e respondeu mais seriamente. - Mas ainda tenho dois anos para decidir entre: Jornalismo, Publicidade e Propaganda, ou Direito.

            Depois disso, a conversa ainda rendeu entorno das universidades que cada um pretendia freqüentar e mais uma vez a sra. Abbott ficou impressionada quando Will disse que estava indeciso entre Cambridge, onde seus pais cursaram o ensino superior, Oxford onde dois de seus primos, ambos irmãos de Richard, cursavam e a universidade de St. Andrews. Todas as universidades de grande prestígio.

            Will quis saber que universidade Elizabeth pretendia freqüentar e ela, desfazendo-se de sua pergunta, respondeu-lhe que a universidade que o seu pai pudesse pagar, num tom de brincadeira. Completando a sua resposta, explicou-lhe que eles não eram tão ricos quanto ele, se ele ainda não havia notado. O que deixou Will se perguntando se ela estaria pensando que ele estava tentando se gabar da situação financeira de seus familiares, o que não era a sua intenção. E o fez ficar em silêncio o resto do jantar.

            Após o jantar, todos voltaram para a sala de estar e ficaram degustando de uma xícara de chá que a sra. Abbott fez e Elizabeth lhe ajudou a servir. O sr. Abbott retornou a sua poltrona, o sr. Collins, Bill e Will ocuparam um sofá, a sra. Collins e a sra. Abbott ocupou outro sofá e Elizabeth decidiu que sentaria-se ao banquinho de seu piano, para não ter de ir buscar uma cadeira à cozinha. Notando a sua atitude, Will ergueu-se de seu lugar ao sofá e foi sentar-se ao seu lado, ao banquinho do piano. O sr. Abbott o seguiu com o olhar e sorriu ao ver o que ele acabara de fazer, principalmente ao perceber que Elizabeth parecia surpresa com a sua atitude.

--Algo de errado com o lugar em que estava sentado, sr. Darcy? - Elizabeth inquiriu-lhe, num tom de conversa reservado.

--Não. - Will respondeu, naturalmente. - Acho que me acostumei a sentar-me ao seu lado. - Completou, displicentemente, usando do mesmo tom reservado que ela usara ao falar com ele. - Então, este é o seu piano? - Inquiriu-lhe, ao fitá-la nos olhos e perceber que a tinha deixado sem palavras uma segunda vez.

--Sim. - Elizabeth respondeu, desviando o olhar dele, porque, mais uma vez, ele estava roubando-lhe a concentração.

--Toque algo para mim. - Ele pediu, fazendo com que ela voltasse a olhar para ele.

--... - Elizabeth hesitou por um momento e depois disse, sorrindo para ele com malícia. - Eu tenho uma idéia melhor. - E, voltando-se para os demais ocupantes da sala, disse. - Pessoal, sr. Darcy, aqui, deseja tocar uma música para vocês! - Ela disse após conseguir ganhar a atenção de todos, deixando Will branco feito papel pela segunda vez esta noite.

--O que? Não! - Will apressou-se em dizer.

--Como não, sr. Darcy? - Elizabeth voltou-se para ele, rindo. - Não seja tímido. Você, há pouco, me disse que gostaria de tocar uma música para todos nós ouvirmos. - Elizabeth persistiu. - Agora, eu sei que meu piano não se compara ao que você tem em casa, mas... eu tenho certeza que posso encontrar um partitura adequada ao seu nível para que você possa tocar. - Ela continuou, em tom de deboche.

--Elizabeth, eu não sei tocar piano. - Will confessou, exasperado por se encontrar naquela situação; todos à sala o fitavam, aguardando que ele realmente tocasse para eles. - Minha irmã sabe, mas eu não!

--Ora, sr. Darcy, não seja modesto! - Elizabeth continuou a insistir que ele tocasse. - Eu sei que você não é nenhum Beethoven, mas tenho certeza que você consegue extrair algumas notas para nós, não?

--Não! - Ele garantiu, desesperado; deixando-a com uma vontade enorme de gargalhar.

--Já é suficiente, Lizzie! - O sr. Abbott decidiu vir em seu socorro. - O menino vai ter uma parada cardíaca daqui há pouco se você insistir que ele toque piano. - Elizabeth dirigiu um olhar clemente ao pai, como se lhe dissesse: “deixe-me brincar com ele só mais um pouquinho!”; o que fez o sr. Abbott sorrir e lhe dizer. - Por que você não toca alguma coisa, se deseja tanto ouvir um pouco de música?! - Deixando-a boquiaberta e Will saltar o ar que estivera prendendo, aliviado. - Eu até gostaria disso, há tempos que não a escuto tocar nada.

--Sim, querida, toque alguma coisa para nós! - A sra. Abbott requisitou, querendo exibir os talentos da filha para os convidados.

            Elizabeth soube imediatamente a razão para a sua mãe querer ouvi-la tocar, mas não podia se negar a atender um pedido de seu pai. Então Elizabeth virou-se no banquinho, sentando-se de frente para o piano e pegou a primeira partitura que havia dentro de um cestinho ao lado do piano. Ela não escolheu a música, apenas pegou a primeira sobre a pilha de partituras. Qual, por acaso, era a Sleep de Azure Ray, música que Elizabeth havia imprimido a partitura de um site da internet há algumas semanas. E começou a tocá-la, com Will ainda sentado ao seu lado; no entanto, já virado de frente para o piano também.

--Fill these spaces up with days

(Encha este espaço com dias)

In my room... you can go you can stay

(Em meu quarto... você pode ir, você pode ficar)

I can't sleep... I can't speak to you

(Eu não consigo dormir... Eu não consigo falar com você)

I Can't sleep

(Eu não consigo dormir)

            Will ficou escutando ela tocar e cantar a música encantado. Ele já tinha escutado ela cantar antes, mas nunca a ouvira cantar e tocar ao mesmo tempo. E ela parecia tão tranqüila e serena enquanto tocava aquela música.  

--Now these years locked in my drawer

(Agora todos estes anos trancados em minha gaveta)

I'll open to see... just to be sure

(Eu abrirei para ver... só para ter certeza)

I can't sleep... I can't speak to you

(Eu não consigo dormir... Eu não consigo falar com você)

I can't sleep

(Eu não consigo dormir)

            Logo o seu pensamento se perdeu em imagens do dia em que os dois saíram juntos com Charles e Jane e foram ao cinema. Cada uma das provocações que sofrera naquele dia, todos os sorrisos e olhares impertinentes que ela lhe dirigiu. O cheiro de seu perfume, o brilho em seus olhos e o gosto de sua boca. “Espere um pouco, eu conheço esta música!”, ele exclamou, mentalmente.

--And so I'm reaching out for the one

(Então, eu estou tentando alcançar alguém)

And so I've learned the meaning of the sun

(Então, eu aprendi o significado do sol)

And all this like a message comes to shift my point of view

(E tudo isso é como uma mensagem que veio mudar o meu ponto de vista)

I'm watching through my own light

(Enquanto eu observo pela minha própria luz)

As it tints the shade of you

(Quando ela começa a colorir as sombras em você)

Hold my wine... hold it in

(Segure o meu vinho... mantenha o seguro)

Nobody's lost... but nobody wins

(Ninguém perde... mas ninguém ganha)

I can't sleep... I can't speak to you

(Eu não consigo dormir... Eu não consigo falar com você)

I Can't sleep

(Eu não consigo dormir)

            Will ficou olhando-a, surpreso. Perguntando-se se ela estaria tentando lhe dizer alguma coisa ao tocar justamente esta música quando ele estava, mais uma vez, sentado ao seu lado. Enquanto Elizabeth seguia tocando a música e cantando-a, sem dirigir o olhar a ele uma vez sequer. Queria esquecer-se de que ele estava sentado ao seu lado, senão não conseguiria tocar a música sem errar. Por isso, quando não estava olhando fixamente para a partitura, fechava os olhos.

--And so I'm reaching out for the one

(Então, eu estou tentando alcançar alguém)

And so I've learned the meaning of the sun

(Então, eu aprendi o significado do sol)

And all this like a message comes to shift my point of view

(E tudo isso é como uma mensagem que veio mudar o meu ponto de vista)

I'm watching through my own light

(Enquanto eu observo pela minha própria luz)

As it tints the shade of you

(Quando ela começa a colorir as sombras em você)

I can't sleep... I can't speak to you

(Eu não consigo dormir... Eu não consigo falar com você)

I Can't sleep

(Eu não consigo dormir)

I can't sleep... I can't speak to you

(Eu não consigo dormir... Eu não consigo falar com você)

I Can't sleep

(Eu não consigo dormir)

            Quando Elizabeth terminou de tocar a música, sua mãe começou uma salva de palmas que foi seguida pelos demais convidados de forma contida – exceto Will, quem ainda estava perdido em pensamentos para prestar atenção ao que estava acontecendo ao seu redor. Ele ficou olhando para o perfil do rosto dela, até que ela olhou em sua direção.

--Eu conheço essa música. - Ele disse a ela, somente a ela, num tom de voz baixo. - Eu me lembro dessa música. - Ele completou, fitando-a nos olhos.

            Elizabeth virou o rosto na direção da partitura da música e leu o nome da música, ficando boquiaberta. “Eu acabei de tocar essa música!”, ela não conseguia acreditar que tinha acabado de tocar essa música. Sentiu o coração acelerar rapidamente e suas mãos começaram a suar. “Qual é o seu problema, Elizabeth? Como você pôde tocar essa música na frente dele?!”, ela se recriminava, mentalmente. “Acalme-se! Ou ele vai notar que você está nervosa! Finja que não sabe sobre o que ele está falando!”, ela disse a si mesma, ainda sem olhar para ele. “Afinal, quem garante que vocês dois estão pensando na mesma coisa?! Ele, provavelmente, está falando de algo totalmente diferente. ..É! É isso! Ele deve estar falando sobre outra coisa! Como ele poderia se lembrar dessa música?! Só porque você ficou obcecada por ela, não significa que ele também ficou!”. Ela ficou dizendo a si mesma, mentalmente, até conseguir acalmar-se o suficiente para poder olhar para ele e fingir que não estava acontecendo nada demais.

--Conhece? ...Claro que conhece. - Ela comentou, tentando soar displicente, mas ainda deixando transparecer certo nervosismo em seu tom de voz. - Ora, sr. Darcy, esta é uma música comum! - Elizabeth disse, no seu tom normal de voz. - Você, provavelmente, já deve tê-la ouvido antes... no rádio. - Mas logo voltou a se recriminar por este comentário também: “ouviu no rádio? O que você está tentando fazer? Reavivar a memória dele, ou o que?!”. E, imediatamente, virou o rosto em outra direção, voltando a fitar a partitura da música.

--Sim. - Will sorriu; soube ali mesmo que ela também se lembrava da ocasião. - Foi no rádio que eu a ouvi. - Afirmou, ainda sorrindo. Elizabeth olhou para ele rapidamente e ergueu-se de seu banquinho, ao ver que ele estava sorrindo para ela.

--Me deu uma sede. - Disse, saindo da sala e indo para a cozinha.

            Elizabeth ficou à cozinha por muito mais tempo que o necessário para beber um copo com água. Se questionando como isso havia acontecido. A noite devia ser a respeito de vingar-se dele, deixá-lo deslocado e perdido. E não sorrindo para ela. E ela sabia que estava indo tão bem, pelo menos até sentar-se naquele banquinho de piano. “Maldito banco!”, ela espumava de raiva. “É tudo sua culpa! Se eu tivesse sentado em outro lugar isso não teria acontecido!”. Ela sabia que aquele era um pensamento irracional, mas não conseguia evitar. Ela precisava culpar outra pessoa.

            Will ficou a sala, olhando para a porta por onde Elizabeth tinha passado e ainda não havia retornado. Ficou se perguntando se havia falado demais, mais uma vez, ou se ela sequer fazia idéia do que ele estava falando. O sr. Abbott permaneceu observando-o de onde estava sentado, sem deixar de dar atenção ao sr. Collins e a responder aos seus comentários com um próprio, sempre muito bem posicionado e inteligente. A sra. Abbott voltou a conversar com a sra. Collins e tentou trazer Bill para a sua conversa; o menino estivera calado desde que retornaram da mesa do jantar e não parecia contente por ter sido esquecido pelos demais. Ele ficou satisfeito em receber atenção, mesmo que da sra. Abbott ao invés de sua filha, e com grande satisfação passou a dar a sua opinião na conversa que a sua mãe a sra. Abbott estavam tendo, mesmo que o assunto não tivesse muito a ver com jovens de sua idade.

            Elizabeth retornou da cozinha e ofereceu-se a recolher as xícaras de chá de todos, levando-as de volta para a cozinha. Assim evitava ter de retornar ao seu lugar ao banquinho do piano, ao lado de Will. Depois de recolher todas as xícaras e levá-las a cozinha, as colocando a pia de lavar pratos, demorou-se ali por uns dois minutos por nenhum motivo, além de não querer retornar a sala de estar.

            Enfim, quando retornou a sala de estar, sem ter mais nenhuma desculpa para se ausentar, o sr. Collins estava se erguendo de seu lugar ao sofá e se despedindo de seu pai e sua mãe. Seguindo o seu exemplo, a sra. Collins e Bill fizeram o mesmo, também se erguendo do sofá e se despedindo da sra. Abbott e depois do sr. Abbott. Depois disso os três Collins se despediram de Will e viraram-se de frente para ela; uma a um, começaram a se despedir dela. O sr. Collins a cumprimentou com um aperto de mão, a sra. Collins lhe deu dois beijos no rosto, um de cada lado, e Bill, aproveitando-se da desculpa, seguiu o exemplo de sua mãe, segurando-a pelos braços, como se quisesse se certificar de que ela não lhe escaparia, e deu-lhe dois beijos no rosto. Elizabeth fez uma careta (não conseguiu evitar) ao sentir o toque de seus lábios molhados as suas bochechas e apressou a limpá-las assim que os Collins deram-lhe as costas e se dirigiram a porta de sua casa.

            A sra. Abbott acompanhou os Collins até a porta, enquanto Elizabeth e o sr. Abbott permaneciam a sala de estar com Will. Ele ainda estava sentado ao banco do piano, olhando para uma Elizabeth que permanecia de pé próxima ao corredor que ligava a sala a cozinha. E o sr. Abbott observava os dois se fitarem a distancia, divertindo-se bastante. Ele estava pensando consigo mesmo o quão errado estava ao imaginar que este jantar seria chato; na verdade, ele nunca havia se divertindo tanto num jantar que a sua esposa havia preparado para receber alguma das famílias da comunidade como se divertira neste.

            Will decidiu que precisavam conversar sobre alguma coisa. Que não faziam sentido ficarem ali calados, apenas se olhando. E, lembrando-se sua irmã, em como ela nunca parecia ter problemas em encontrar sobre o que conversar com Elizabeth, comentou que os seus pais haviam dado permissão a Georgiana para sair com ela e que Georgiana tivera a intenção de ligar para ela, para lhe informar tal novidade, ainda esta mesma noite, mas que desistira. Elizabeth ficou animada com a noticia, mas logo eles voltaram a ficar em silêncio novamente. 

            Quando a sra. Abbott retornou a sala, oferecendo a Will outra xícara de chá e um bolinho de aveia, ele decidiu que também deveria ir embora. Ergueu-se de seu banquinho e dirigiu-se ao sr. Abbott. O pai de Elizabeth também se levantou e estendeu-lhe a mão, em cumprimento.

--Foi bastante interessante lhe conhecer, sr. Darcy. - O sr. Abbott comentou, ao apertar-lhe a mão.

--Obrigado, senhor. - Will respondeu; ele não sabia se estava sendo elogiado, mas preferiu considerar o comentário do pai de Elizabeth como um elogio. - Igualmente.

            Dirigindo-se a mãe de Elizabeth, também lhe ergueu a mão, para cumprimentá-la.

--Ora, o que é isso, querido? - A sra. Abbott sorriu-lhe e, adiantando-se a ele, deu-lhe dois beijinhos no rosto. Deixando-o encabulado e sem palavras. - Volte sempre que quiser! - Ela comentou, o acompanhando, quando ele se encaminhou até a porta.

            Elizabeth o seguiu até o foyer, juntamente com a sua mãe e o seu pai. Quando eles pararam a porta de sua casa, a sra. Abbott a abriu para ele e Will olhou na direção de Elizabeth, aguardando que ela saísse em sua frente (o cavalheiro que era não permitiria que ele fosse descortês com ela). Elizabeth sustentou o seu olhar e disse-lhe, sorrindo com malicia mais uma vez.

--Boa noite, sr. Darcy. - E fez o caminho de volta até a escada e começou a subir os primeiros degraus.

--Onde você está indo, Lizzie? - A sra. Abbott inquiriu-lhe. - Não irá acompanhar o seu convidado até o carro?

--É claro... - Elizabeth começou a responder, parando ao terceiro degrau da escada e virando-se de frente para a porta de sua casa. - que não! Por que eu faria isso?! - Inquiriu de volta, como se considerasse a idéia de sua mãe um grande absurdo. - O sr. Darcy pode muito bem encontrar o caminho até o seu próprio carro sem a minha ajuda! Ele só precisa procurar pela única espaçonave que estiver estacionada na frente da nossa casa que irá encontrar o seu carro! - Ela comentou, sorrindo para ele de forma impertinente.

--Que absurdo é esse, Elizabeth?! - A sra. Abbott exclamou, irritadíssima.

--Tudo bem. - Will replicou. - Ela tem razão. - Ele continuou, assim que a sra. Abbott dirigiu o seu olhar a ele. - Meu carro está estacionado bem aqui na frente; eu não terei problema algum em encontrá-lo. - Ele concluiu, olhando para Elizabeth.

--Boa noite, sr. Darcy! - Elizabeth sorriu-lhe e deu-lhe as costas, voltando a subir a escada.

--Boa noite. - Will respondeu, observando-a subir a escada e sumir do seu campo de visão. - Boa noite! - Ele disse a sra. Abbott e ao sr. Abbott antes de sair.

--Boa noite! - Os pais de Elizabeth responderam, em união e depois a sra. Abbott fechou a porta. - Esta sua filha...! - A sra. Abbott resmungou ao marido, indo em direção a cozinha com o intuito de organizar a bagunça que ficara após aquele jantar.

            O sr. Abbott observou a mulher ir para a cozinha e depois subiu a escada, indo ao quarto da filha. Abriu a porta do quarto e a encontrou espiando pela janela, escondida atrás da cortina, Will indo embora.

--Eu sabia que você estaria aí. - Disse-lhe, assustando-a.

--Papai, você me deu um susto. - Elizabeth comentou, colocando a mão sobre o coração e sentindo-o bater acelerado.

--Gostaria de me explicar o que significou esta noite? - O sr. Abbott inquiriu-lhe, fechando a porta e caminhando para perto dela. Também vindo a espiar pela janela.

--O que você quer dizer com isso? - Elizabeth replicou, observando o pai.

--Você estava provocando aquele menino a noite inteira. - Jonathan respondeu, voltando-se para fitar a filha nos olhos. - Você está fazendo um de seus testes com ele? Para ver se ele desiste de você?

--De certa forma, sim. - Elizabeth respondeu. Ela estava realmente tentando testar a paciência dele, tentando afugentá-lo.

--Então, boa sorte, querida! - O sr. Abbott disse-lhe, encaminhando-se a porta do quarto. - Porque eu acho que você encontrou alguém a sua altura desta vez!

--O que você quer dizer com isso? - Elizabeth questionou-lhe, dando as costas completamente a janela e fitando o seu pai.

--Simplesmente, que... - O sr. Abbott começou a responder, voltando-se para fitá-la quando alcançou a porta. - houve vários momentos esta noite que eu jurava que ele se levantaria do sofá ou da cadeira à mesa do jantar e iria embora o mais rápido que conseguisse; mas ele ficou imóvel no mesmo lugar, calmo. - E, abrindo a porta, completou. - Eu não creio que ele irá desistir facilmente.

--Mesmo? - Elizabeth replicou, pensativa.

--Mesmo. - O sr. Abbott disse e, rindo, completou. - Eu gostei dele.

--Papai! - Elizabeth exclamou, abismada com o comentário do pai.

--Ao menos, ele é melhor que Bill Collins! - O sr. Abbott completou, rindo do jeito da filha.

--... - Elizabeth não resistiu a este comentário e deixou escapar uma pequena gargalhada. - Qualquer um é melhor que Bill Collins! - Ela comentou, fazendo o seu pai rir.

--Boa noite, querida!

--Boa noite, papai! - Elizabeth respondeu e seu pai fechou a porta de seu quarto, a deixando com a cabeça tomada de pensamentos sobre Will Darcy.

 

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