Capítulo 28
Will estacionou o seu carro enfrente a casa de Elizabeth, desligou o carro, abriu a porta do motorista e desceu do carro, fechando-a em seguida. Travou as portas do carro com o controle remoto e virou-se de frente para a casa, decidindo demorar-se ali por um momento para criar coragem de se dirigir a porta e tocar a campainha.
Ele observou a casa a sua frente. Havia luzes acesas no andar de baixo e uma luz acesa em uma das janelas do andar de cima, justamente a janela que ele deduzia ser do quarto de Elizabeth. Ele notou que a janela estava aberta, embora a cortina estivesse fechada, porque ele conseguia ouvir a música My Dirty Little Secret de All American Rejects que estava tocando às alturas àquele quarto e, em alguns momentos, notara que a cortina se mexia um pouco, como se balançasse com o vento (é claro, ele ignorou o fato de que não estava ventando aquela noite).
Let me know that I've done wrong
(Deixe-me saber o que foi que eu fiz de errado)
When I've known this all along
(Quando eu soube desde o começo)
I go around a time or two
(Dou voltas várias vezes)
Just to waste my time with you
(Só para desperdiçar o meu tempo com você)
Tell me all that you've thrown away
(Conte-me tudo o que você jogou para o alto)
Find out games you don't wanna play
(Descubra jogos que você não quer jogar)
Neste momento, ele ouviu outro carro passar pelo carro dele e estacionar logo após o carro dele. Will, sem se dar conta, permaneceu onde estava e ficou observando o carro que acabara de chegar. Uma senhora que ele tinha uma vaga lembrança de já ter visto antes, só não conseguia se lembrar onde, saiu do carro pela porta do passageiro e, logo depois dela, um senhor também saiu do carro pela porta do motorista. Will continuou os observando, até o momento que a porta do passageiro do banco do fundo foi aberta e de dentro dela saiu... “Não! Não pode ser!”, Will dizia a si mesmo, mentalmente. Mas ele não estava tendo alucinações, era Bill Collins mesmo o terceiro passageiro daquele carro.
You are the only one that needs to know
(Você é a única que precisa saber)
I'll keep you my dirty little secret
(Eu lhe contarei o meu pequeno segredo pervertido)
(Dirty little secret)
(Meu pequeno segredo pervertido)
Don't tell anyone or you'll be just another regret
(Não conte a ninguém ou você será mais um arrependimento)
(Just another regret, hope that you can keep it)
(Apenas outro arrependimento; espero que você guarde)
My dirty little secret
(O meu pequeno segredo pervertido)
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Elizabeth estava espiando pela janela e viu o momento em que ele parou o carro em frente a sua casa. Ela saiu da janela e ajeitou a cortina, ficando escondida ao lado da janela, espiando por uma brecha em que deixara na cortina. Viu quando ele saiu do carro e ficou observando a sua casa. Então outro carro entrou à rua de sua casa e passou por trás do carro de Will, vindo a estacionar logo após a este.
Viu os Collins descerem do carro e a expressão de tamanha surpresa que se apoderou do rosto de Will ao reconhecer Bill Collins saindo do carro. Elizabeth não conteve a gargalhada que escapou de sua boca ao ver aquela cena. Viu Will voltar o olhar de novo para sua casa e para a sua janela, ficou um pouco apreensiva que ele houvesse escutado a sua risada, mas logo se tranqüilizou porque seria difícil ele conseguir escutar qualquer coisa além da música que ela estava ouvindo às alturas.
Who has to know
(Quem precisa saber)
When we live such fragile lives
(Quando nós vivemos vidas frágeis)
It's the best way we survive
(É a melhor maneira de sobrevivermos)
I go around a time or two
(Dou voltas várias vezes)
Just to waste my time with you
(Só para desperdiçar o meu tempo com você)
Elizabeth continuou a espiar pela janela, não deixando de ver o momento em que Will decidiu se encaminhar até a sua casa, vindo a ser seguido de perto pelos Collins. Ela notou que ele estava desconfiado, pois ficava olhando para trás de tempos em tempos, como se quisesse ter certeza que os Collins ainda o estavam seguindo.
Tell me all that you've thrown away
(Diga-me o que você jogou para o alto)
Find out games you don't wanna play
(Descubra jogos que você não quer jogar)
You are the only one that needs to know
(Você é o único que precisa saber)
Elizabeth os perdeu de vista quando eles subiram os degraus da escada da varanda e se encaminharam até a porta de sua casa, então correu para a porta de seu quarto e a abriu com bastante cuidado. Saiu do quarto sem fazer muito barulho – embora o fato de abrir a porta de seu quarto com o rádio ainda ligado com o volume alto fosse barulho suficiente para chamar a atenção de qualquer pessoa que estivesse com o mínimo de atenção, não foi descoberta por nenhum dos outros ocupantes da casa. Sua mãe estava nervosa demais com os últimos preparativos daquele jantar para prestar atenção aos seus movimentos e seu pai estava tentando se preparar mentalmente para aquele jantar e, tão pouco, estava preocupado com as suas tramas.
Elizabeth correu para o último degrau da escada e se encolheu a um canto; para conseguir ter uma visão da porta de entrada, mas não ser vista por quem estivesse lá embaixo. E ali ficou, esperando o momento em que a porta seria aberta por um de seus pais e os convidados da noite seriam recebidos.
I'll keep you my dirty little secret
(Eu lhe contarei o meu pequeno segredo pervertido)
(Dirty little secret)
(Pequeno segredo pervertido)
Don't tell anyone or you'll be just another regret
(Não conte a ninguém ou você será só outro arrependimento)
(Just another regret, hope that you can keep it)
(Só outro arrependimento; espero que você o guarde)
My dirty little secret
(Meu pequeno segredo pervertido)
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Will parou diante da porta da casa de Elizabeth e tocou a campainha, ainda preocupado com o fato de ter três pessoas paradas às suas costas, sendo que uma delas era justamente Bill Collins. A esta altura já havia conseguido se lembrar onde havia visto a senhora, qual reconhecera ser a mãe de Bill. E, por lógica, deduziu que o senhor só podia ser o pai de Bill. O que ainda não conseguira entender era por que os Collins estavam ali.
A porta da frente foi aberta e Will se viu diante de uma sra. Abbott muito agitada. Ela estava usando um avental de cozinha por cima de um vestido muito bonito, o seu cabelo estava muito bem penteado, em um coque elaborado, e estava muito perfumada. Ela o recebeu com um grande sorriso, imediatamente o convidando – os convidando, na verdade – a entrar em sua casa. Assim que todos fizeram isso, ela fechou a porta e caminhou até o pé da escada, começando a gritar.
--Lizzie! - E depois retornou para perto deles, finalmente vindo a notar a presença de Will.
A sra. Abbott sorriu amavelmente para ele, mas ficou se perguntando o que ele estava fazendo ali. Quando abriu a porta de casa e recebeu a todos, não deu muita atenção a nenhum deles. Estava pensando no molho da carne que ainda estava no fogo, em sua filha que ainda não havia aparecido a sua frente desde o finalzinho da tarde e ela não sabia se já havia se arrumado para o jantar, no marido que também estava recolhido em seu quarto e não era de nenhuma serventia, sequer para abrir a porta e receber os convidados.
Agora que estava focada em receber adequadamente os convidados, pelo menos até que um dos outros componente de sua família resolvesse lhe substituir na tarefa, pode perceber a presença de Will.
--Boa noite, querido. - Ela lhe disse, sorridente. Estava pensando numa forma educada de lhe inquirir o que ele estava fazendo ali. - Como vai?
--Boa noite, senhora. Eu estou bem, obrigado. - Will respondeu, desconfortável. Ela sorria tanto e o chamara de querido, por um momento o fez lembrar-se de Caroline.
--Lizzie! - A sra. Abbott desistiu daquela conversa; não teria uma forma educada de lhe inquirir o motivo de estar ali. Ela sabia a pessoa que poderia lhe dar esta resposta. - Lizzie! - E, retornando ao pé da escada, voltou a chamar a sua filha, aos gritos. - Lizzie!
Who has to know
(Quem precisa saber)
The way she feels inside (inside)
(Como ela se sente por dentro)
Those thoughts I can't deny (deny)
(Estes pensamentos que eu não posso negar)
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Elizabeth estava se segurando para não rir aquele tempo todo. Quando a porta foi aberta por sua mãe, Will estava tentando olhar para os Collins por cima dos ombros e virou-se rapidamente para fitar a sra. Abbott. Ele havia aberto a boca para lhe dizer alguma coisa – um cumprimento, talvez – mas a sra. Abbott se antecipou a ele e o convidou a entrar. E ele o fez, ainda preocupado com o fato de ainda estar sendo seguido pelos Collins – volta e meia ele olhava para eles por sobre os ombros.
A sra. Abbott os deixou reunidos ao foyer e se encaminhou ao pé da escada, olhando para cima – Elizabeth precisou se encolher mais ainda em seu canto para não ser vista – e gritou por ela.
--Lizzie!
Voltando em seguida para perto dos convidados. Então, Elizabeth notou que foi neste momento que a sua mãe realmente viu Will Darcy pela primeira vez esta noite. Ela ia passar por ele e comentar algo com a sra. Collins, quando o viu e ficou parada, olhando para ele. Então, disse, no tom de voz mais amigável que conseguiu proferir – amigável demais, Elizabeth notou; sinal de que estava começando a se sentir contrariada, mas não queria demonstrar.
--Boa noite, querido. - Ela disse e sorriu para ele, voltando para perto dele e se esquecendo da sra. Collins momentaneamente. - Como vai?
--Boa noite, senhora. - Elizabeth viu Will fazer uma careta ao lhe cumprimentar, como se tentasse afastar um pensamento ruim da cabeça. - Eu estou bem, obrigado. - E depois sorrir; não um de seus sorrisos espontâneos, mas um sorriso educado. O que fez com que Elizabeth tivesse mais vontade de rir ainda.
--Lizzie! - E Elizabeth percebeu que a mãe tinha perdido a paciência naquele momento, pela forma que deu as costas a Will e se dirigiu ao pé da escada de novo, chamando por ela. - Lizzie! - A sra. Abbott tinha uma expressão dura no rosto, o que só confirmou as suspeitas de Elizabeth. Ela já sabia que a presença de Will na sua casa àquele momento era obra sua.
Elizabeth se encolheu ainda mais em seu canto, colocando as duas mãos na boca, para abafar a sua risada. E, neste exato momento, ela ouviu, à suas costas.
--Hum-hum. - O sr. Abbott pigarreou alto, parado a um passo de Elizabeth.
--Oi, papai. - Elizabeth sorriu-lhe, um sorriso culpado, ao olhar para ele.
--Vamos! - O sr. Abbot sorriu de volta, mas um sorriso compreensivo. - Vamos descer antes que sua mãe decida subir e te buscar. - Ele deu um passo em direção a escada. - Não vai ser tão ruim assim. - Ele tentou consolá-la.
--Num minuto. - Elizabeth respondeu, erguendo-se do lugar onde estava escondida, cautelosamente, para não ser vista pela mãe ou qualquer outro convidado, e se dirigiu ao seu quarto. - Eu só vou... desligar o rádio. - Disse ao pai, já indo em direção a porta de seu quarto, que estava entreaberta.
--Tudo bem. - O sr. Abbott respondeu, começando a descer a escada.
--Lizzie! - Elizabeth ouviu a sua mãe voltar a ressonar ao pé da escada.
--Minha querida, não há motivo para esta gritaria. - O sr. Abbott comentou, já a metade da escada.
--Como não? - A sra. Abbott rebateu. - Eu não estaria gritando se a sua filha estivesse aqui embaixo, recebendo as visitas, como deveria fazer, ao invés de ficar trancada em seu quarto, com o volume do rádio a estas alturas! - Elizabeth voltou rapidamente para o seu esconderijo e continuou assistindo a cena lá embaixo.
--Ela já vai descer. - O sr. Abbott assegurou, com tranqüilidade.
--Eu não sei a quem esta menina puxou. - A sra. Abbott prosseguiu com suas reclamações, esquecendo-se das visitas. - Por que, meu Deus, ela tem de se comportar dessa forma? Eu não sei! - Ela comentou, exasperada. - Custava ouvir música num volume adequado? E que tipo de música é esta, afinal?
--Como eu saberia? - O sr. Abbott respondeu, com o seu humor normal. - Boa noite. - Ele disse, caminhando para perto dos convidados e os cumprimentando.
--Boa noite. - Os convidados responderam, em união.
--Vamos entrando. - O sr. Abbott aconselhou, encaminhando os convidados à sala de estar. - Sentem-se. - Ele os indicou os dois sofás à sala. - Fiquem a vontade. - Indo ocupar a sua poltrona.
Todos os convidados foram ocupar um lugar ao sofá. Will fez o que lhe foi recomendado de forma hesitante. O sr. Abbott o estava fitando o tempo todo, o que o deixava ainda mais desconfortável.
O sr. Abbott o tinha notado assim que desceu a escada e, primeiramente, ficou se perguntando quem era ele. Sabia que não pertencia a família dos Collins, com certeza. Mas logo não teve dúvidas de que ele estava ali por causa de alguma idéia de sua filha para escapar daquele jantar.
Elizabeth decidiu que era o momento de descer, então correu para o seu quarto e desligou o seu rádio. Voltou apressadamente para a escada e a desceu, correndo. Apareceu a sala de estar com naturalidade e cumprimentou todos os convidados rapidamente – esquecendo-se de Will, propositalmente. Ele, por sua vez, ergueu-se de seu lugar ao sofá e lhe inquiriu.
--Você já está pronta? - Elizabeth notou a aflição dele em sair dali o mais rápido possível, o que a fez aumentar o seu sorriso.
--O que você acha? - Elizabeth respondeu, virando-se para ele e esperando o seu veredicto. Will a olhou dos pés a cabeça (todos à sala estavam prestando bastante atenção ao diálogo dos dois, principalmente os Abbotts), e notou que ela estava muito bonita. Quando ia responder isso, voltou a fitar os seus pés. Ela ainda estava com os pés descalços.
Quando ele ia lhe informar tal fato, notou que ela também não estava com sua bolsa em mãos ou um casaco jeans, ou de qualquer outro material – o que ela ia precisar, se queria sair de casa numa noite de outono. Mas, antes mesmo que ele pudesse expor suas observações, a sra. Abbott disse, não muito contente.
--Onde você pensa que vai, mocinha? - Fazendo Elizabeth virar-se de frente para ela. - Eu me lembro de ter sido bem clara quando lhe avisei do jantar de família esta noite.
--Não se preocupe, mamãe. Eu não vou a lugar algum. - Elizabeth respondeu, sorrindo, deixando Will boquiaberto. E a sra. Abbott dirigiu um olhar significativo em direção a Will, como se perguntasse a Elizabeth o que ele estava fazendo ali. - Oh, o sr. Darcy irá jantar conosco. - Elizabeth respondeu a sua pergunta silenciosa, deixando Will ainda mais espantado. - A senhora disse que nós, Jane e eu, poderíamos convidar alguém para o jantar, se quiséssemos. - Elizabeth continuou, com naturalidade. A sra. Abbott ia replicar que dera permissão a Jane para convidar Charles, mas decidiu não fazê-lo. Não queria ser rude com Will; afinal, a culpa não era dele e sim de Elizabeth, quem distorcera as suas palavras intencionalmente, como sempre. - Então, eu o convidei. - Elizabeth concluiu, voltando-se de frente para ele de novo, sorrindo. Notando que ele ainda estava de pé e com o rosto pálido. O que a fez sorrir ainda mais. - Sente-se, sr. Darcy. Sinta-se em casa! - Aconselhou-o, agradavelmente. O que Will obedeceu, por que não sabia mais o que fazer.
A sra. Abbott, procurando alguma coisa para reclamar a respeito, olhou a filha da cabeça aos pés. A aparência dela estava impecável – assim parecia. Elizabeth havia escovado os cabelos, estava de batom e tinha passado lápis nos olhos, estava usando uma suéter preta que muito agradara a sra. Abbott, e a sua calça jeans era quase nova e muito bonita, num tom azul claro. Então a sra. Abbott viu os seus pés descalços, tendo a sua vontade atendida. Encontrara algo do que reclamar.
--O que você pensa que está fazendo com os pés descalços? -Perguntou-lhe, zangada. - Suba agora mesmo e calce os pés! - Ordenou, capturando de volta a atenção da filha. - Onde já se viu ficar descalça num jantar como este?
--Eu não vou ficar descalça, mamãe. - Elizabeth replicou, caminhando para perto do seu piano ao fundo da sala.
--Claro que não vai! - A sra. Abbott disse, num tom reprovativo, observando os seus passos.
Elizabeth calçou suas pantufas de Taz Mania que estava ao chão, ao lado do baquinho do seu piano, e virou-se de frente para mãe, sorridente. O sr. Abbott abriu um sorriso com a artimanha da filha, sabia que ela estava tentando tirar a mãe do sério. Will também sorriu, ele já estava estranhando ela ainda não ter aparecido com nada do tipo àquela noite. A sra. Abbott parecia ter sido atingida por um bastão, ficou vermelha e parecia ter perdido a fala por um momento. Então, exclamou, ainda mais irritada.
--Deixe de brincadeiras, Elizabeth! Eu já estou perdendo a paciência com você! - Os Collins estavam pasmos com tal comportamento na frente deles, permanecendo em silêncio o tempo todo. - Ora, veja se isso tem cabimento! Suba agora e ponha sapatos adequados!
--O que há de errado com os que estou usando? - Elizabeth inquiriu, franzindo a testa. E, caminhando para frente do pai, perguntou-lhe. - Como eu estou?
--Linda. - O sr. Abbott respondeu, sorrindo para a filha. Divertindo-se imensamente.
--Não adianta usar este truque comigo, porque não irá funcionar desta vez, Elizabeth! - A sra. Abbott rebateu. - O seu pai vai sempre concordar com qualquer coisa que você faça! E não é com a opinião dele que você tem de se preocupar, mas com a dos nossos convidados. - Continuou, com um tom de voz nervoso. - O que eles não devem estar pensando? - Completou, exasperada, olhando para cada um dos convidados com uma expressão clemente no rosto, como se lhes pedisse desculpas pelo comportamento da filha.
O sr. Collins sorriu-lhe, de forma reconfortante; a sra. Collins balançou a cabeça positivamente, concordando com a sra. Abbott; Bill estava olhando fixamente para Will e não parecia estar prestando atenção na conversa. E Will estava olhando Elizabeth, já com um sorriso maior nos lábios.
--Nós podemos resolver este impasse facilmente inquirindo aos convidados o que eles acham a respeito disso. - O sr. Abbott sugeriu, com tranqüilidade. - Diga-me, filho, o que você acha. - Dirigiu a Will a pergunta, fazendo Elizabeth virar-se de frente para ele e fitá-lo nos olhos, erguendo uma das sombracelhas (como se lhe desafiasse a dar uma resposta desfavorável a ela).
--Pessoalmente, eu prefiro Tico e Teco a Taz Mania, mas... eu acho que está perfeita do jeito que está! - A resposta dele agradou muito ao sr. Abbott, quem teve a sua curiosidade aumentada consideravelmente quanto a este menino sentado a sua frente; e Elizabeth precisou se conter para não sorrir feito boba ao ouvir o seu elogio, mas não conseguiu evitar ficar ruborizada sob o olhar intenso que ele lhe dirigia.
--Ora, sr. Darcy, você me surpreende. - Ela disse, tentando soar displicente. - Você nunca me pareceu do tipo de garoto que gosta de cartoons.
--Há muitas coisas ao meu respeito que você ainda não sabe! - Will rebateu, silenciando-a.
A sra. Abbott, assim como os Collins, olhavam de um ao outro, como se assistissem a uma partida de tênis, em completo silêncio. O sr. Abbott sorria ainda mais ao fim deste diálogo, aprovando o menino que estava sentado a sua frente e que ele podia dizer, com uma certa segurança, gostava de sua filha, e muito. E para ajudar a sua filha, quem ainda estava de pé a sua frente, de frente para Will, calada, ele disse.
--Lizzie, eu estou curioso. - Fazendo com que ela voltasse-se para ele. - Por que você insiste em chamá-lo de “sr. Darcy”? - Elizabeth sorriu ao escutar a sua pergunta, ficando satisfeita em tratar daquele assunto.
--Porque é o nome dele. - Elizabeth disse ao pai. - Fitzwilliam Darcy. - Falando cada uma das palavras com gosto.
--Como o personagem do livro de Jane Austen? - O sr. Abbott perguntou, demonstrando interesse no assunto.
--Precisamente. - Elizabeth replicou, ainda mais satisfeita com a atitude de seu pai em não deixar o assunto morrer. - Não que ele goste de ser lembrado disto! - Ela comentou, voltando-se para olhá-lo rapidamente; dirigindo-lhe um sorriso zombeteiro antes de voltar a olhar para o pai, aguardando o seu novo comentário.
--Como se isso alguma vez a impedisse de me lembrar disso! - Foi Will, no entanto, quem fez o comentário seguinte, fazendo com que ela voltasse a lhe olhar novamente. E encontrando-o a sorrir para ela, mais uma vez deixando-a sem reação.
--Bem, você devia considerar isso como um elogio. - O sr. Abbott replicou, fazendo Elizabeth voltar a dirigir o seu olhar a ele. - Afinal, “Orgulho e Preconceito” é o livro predileto da minha Lizzie; eu já perdi a conta de quantas vezes ela já o leu.
--Não o suficiente, obviamente. - Elizabeth comentou.
--Sem falar no filme. - O sr. Abbott continuou. - Ela me fez comprar o DVD e já o assistiu inúmeras vezes também. Ela, provavelmente, deve saber todas as falas do filme.
--Nem todas. - Elizabeth o corrigiu.
--Oh sim! - A sra. Abbott resolveu entrar na conversa. - E o “sr. Darcy” é, sem dúvida, o personagem predileto dela! - Neste ponto Elizabeth ficou em completo silêncio; a sua mãe estava lhe entregando de bandeja a Will Darcy. - Não sei quantas vezes fui testemunha de seus suspiros por causa dele.
--Mamãe! - Elizabeth exclamou, vermelha de vergonha feito um pimentão. O que fez Will deixar escapar uma pequena gargalhada, recebendo um olhar atravessado de Elizabeth.
--É a segunda vez, só hoje! - Ela disse a ele, num tom reprovatório. Fazendo-o se questionar sobre o que ela estava falando, vindo a deixar de sorrir.
--Minha querida, eu estou sentindo um cheiro de queimado. - O sr. Abbott disse a sua esposa.
--Oh meu Deus, meu molho! - A sra. Abbott exclamou, pondo a mão na cabeça e correndo para a cozinha. Com toda aquela confusão ela havia se esquecido que deixara o molho ao fogo quando fora atender a porta.














