Capítulo 27
Will chegou à porta da escola no horário de sempre e ficou aguardando a sua irmã dentro do carro por cinco minutos. Como Georgiana não saiu, imaginou que ela estava tendo uma de suas visitas com Elizabeth e Jane. Ele hesitou bastante antes de desligar o carro e sair dele, mas, enfim, o fez. Travou as suas portas e seguiu em direção a escola, dizendo a si mesmo que não havia nada a temer ao ir vê-la em sua aula de dança. Afinal, estaria saindo com ela esta noite.
Ele entrou na escola e seguiu em direção ao andar em que ficava a sala em que sua irmã tinha aula de piano. Parou diante da porta da sala em que sua irmã tinha aula e ficou escutando o barulho que vinha dela – não havia barulho algum. Mesmo assim, só para ter certeza, abriu a porta da sala e enfiou a cabeça para o lado de dentro. A sala estava vazia, como ele imaginou que estaria. Saiu da sala e fechou a sua porta, virando-se a direção da sala em que Elizabeth estaria tendo aula de dança, ao fim do corredor.
Will viu a porta da sala se abrir e algumas meninas saírem, conversando. Apressadamente entrou na sala em que sua irmã tinha aulas de piano e fechou a porta; havia visto Caroline entre as meninas e não queria falar com ela. Rezou mentalmente para que ela não o houvesse visto e seguisse o seu caminho, indo embora. Ficou parado, em completo silêncio, atrás da porta da sala por quase dez minutos, o que para ele pareceu uma eternidade; escutando, com o ouvido grudado a porta, o barulho de passos passando enfrente da porta e se afastando, no sentindo contrário à sala da aula de dança.
Will esperou que o barulho dos passos ficassem bem distante antes de abrir a porta e colocar a cabeça para fora da sala, espiando. Viu o momento em que o grupo de meninas, em que Caroline estava, virar a esquina ao fim do corredor, então saiu da sala e fechou a porta, aliviado em ter conseguido escapar dela. Enfim, voltou-se novamente a direção da sala de aula de dança e seguiu o seu caminho, ainda cauteloso – não sabia por que, mas ainda estava nervoso em aparecer à aula de dança dela.
Quando já estava na metade do corredor, a porta da sala voltou a se abrir – Will parou de andar e ficou apreensivo quanto a quem estava saindo da sala naquele momento – e a professora de dança saiu. Ela veio em sua direção e, olhando bem para ele, sorriu-lhe. Will permaneceu parado, porque se esqueceu de voltar a andar, e ela se aproximou dele, já lhe dizendo.
--Você é... o namorado de Lizzie, não é? - Ao que Will começou a responder, com a cabeça, negativamente. Mas, parando para pensar, ficou em dúvida; afinal, eles iam começar a sair. E já parou de balançar a cabeça, ao que a professora de dança notou e riu. - Você está procurando por sua irmã? - Ao que Will confirmou com a cabeça, sem dúvidas. - Ela está naquela sala... com Lizzie. - A professora indicou a sua sala de aula e seguiu o seu caminho.
--Obrigado. - Will respondeu, quando ela já havia começado a se afastar dele.
Will voltou a se aproximar da sala de dança e abriu a porta – apenas uma pequena brecha – e espiou o movimento da sala. E, imediatamente, viu Lydia e Catherine andando pela sala de mãos dadas, como se desfilassem, enquanto Elizabeth as observava e cantava a música que estava tocando no aparelho de som da sala, às alturas.
--Why was he holding her hand?
(Por que ele estava segurando a mão dela)
When he's supposed to be mine
(quando ele deveria ser meu?)
Will abriu mais a porta da sala, para poder ter uma visão mais ampla da sala, e ficou parado à porta, encostado ao batente. Não conteve o sorriso que surgiu em seus lábios ao assistir aquela cena – Elizabeth de marias-chiquinhas, a blusa amarrada acima do umbigo, a calça de lycra preta acima do umbigo, usando uma garrafa de água vazia como microfone, de braços cruzados e fazendo biquinho, enquanto cantava o refrão da música.
--Play all my records keep dancing all night
(Toco todos os meus discos e fico dançando a noite inteira)
But leave me alone for a while
(Mas me deixe sozinha por um tempo)
Will viu as outras colegas de dança de Elizabeth se erguerem do chão, onde estiveram fazendo seus alongamentos, e irem para os cantos da sala, abrindo espaço para Elizabeth interpretar a sua música tranquilamente. Enquanto Elizabeth ia para o meio da sala e começava a dançar sozinha, abraçada a si mesma, ao lado de Catherine e Lydia, quais estavam dançando juntas.
--'Till Johnny's dancing with me
(Até que Johnny esteja dançando comigo)
I've got no reason to smile
(Eu não tenho razões para sorrir)
Ele viu Elizabeth tentar tirar Catherine dos braços de Lydia, a puxando pela mão para um lado, enquanto Lydia puxava Catherine pela outra mão, para o outro lado. Então, Elizabeth parecia ter desistido, soltando a mão de Catherine, e Lydia puxou-a para si, quase derrubando Catherine por causa da força que usara – cena que arrancou gargalhadas de todos que estavam assistindo a ela, inclusive ele.
Lydia e Catherine voltaram a dançar juntas, enquanto Elizabeth andava em volta delas e cantava o refrão música, fingindo estar chorando. Até que, cantando:
--You would cry too if it's happened to you
(Você choraria também se isso acontecesse com você)
Elizabeth apontou para alguém que estava sentado a um baquinho e Will, olhando a direção que ela apontava, finalmente encontrou a sua irmã – já vermelha de tanto rir.
--Judy and Johnny just walked through that door
(Judy e Johnny acabaram de entrar pela porta)
Like a queen with her king
(Como uma rainha e o seu rei)
Will voltou a olhar na direção de Elizabeth quando Lydia e Catherine voltaram a desfilar pela sala, de mãos dadas. Elas estavam tão engraçadas em seus papéis quanto Elizabeth, na opinião de Will. Lydia se passando por uma miss em um concurso de beleza e Catherine se passadando por um homem orgulhoso de si mesmo.
--Oh what a birthday surprise
(Oh, que surpresa de aniversário!)
Judy's wearing his ring
(Judy está usando o anel dele)
Will ficou de olhos arregalados quando, ao Lydia se aproximar de Elizabeth, trazendo Catherine pela mão, exibiu um falso anel de noivado e se afastou, com um sorriso de triunfo no rosto, e Elizabeth caiu de joelhos no chão, dramaticamente, e começou a socar o chão.
--It's my party and i'll cry if i want to
(É minha festa e eu choro se eu quiser)
Cry if i want to
(Choro se eu quiser)
Cry if i want to
(Choro se eu quiser)
E depois se deitou no chão, esperneando e cantarolando a música. Para, de repente, voltando a surpreender Will, sentar-se e apontar de novo para Georgiana.
--You would cry too if it's happened to you
(Você choraria também se isso acontecesse com você)
Quase conseguindo que Georgiana caísse do baquinho de costas no chão, de tanto rir. E ele viu Elizabeth voltar a se deitar no chão, esperneando-se, e continuar a interpretar a música. E ele voltou a gargalhar.
--It's my party and i'll cry if i want to
(É minha festa e eu choro se eu quiser)
Cry if i want to
(Choro se eu quiser)
Cry if i want to
(Choro se eu quiser)
You would cry too if it's happened to you
(Você choraria também se isso acontecesse com você)
A professora de dança, quem estivera parada ao lado de Will durante a última parte da música sem ser notada por ele, escolheu aquele momento, quando a música acabou, para se pronunciar.
--Lizzie, você tem visita! - Assustando Will, quem imediatamente se virou de lado para olhá-la e depois voltou a olhar na direção de Elizabeth; e assustando, também, Elizabeth, quem ainda estava deitada no chão quando a srta. Bella se dirigiu a ela e rapidamente se pôs de pé, envergonhada, pensando: “ele estava me assistindo esse tempo todo?!”.
Elizabeth apressou-se em desamarrar a blusa, para que ela cobrisse a calça de lycra que ainda estava acima de seu umbigo. E, para divergir às atenções dela, disse a Georgiana.
--Ana, seu irmão veio lhe buscar!
Georgiana se ergueu do banquinho, ainda rindo, e caminhou para perto do irmão.
--Will, você viu? - Perguntando-lhe, animada. - Não foi hilário? - Ao que o irmão riu e confirmou com a cabeça. Deixando Elizabeth ainda mais envergonhada; “Meus Deus, me mate!”, ela implorava, mentalmente.
A srta. Bella, notando o constrangimento de Elizabeth, veio ao seu socorro. Dizendo a ela, assim como à suas amigas, para tomar seus lugares na sala, porque estava dando inicio a sua aula de dança naquele mesmo instante. Jane, Charlotte, Catherine e Lydia se encaminharam para o fundo da sala, juntando-se as demais colegas de turma, e Elizabeth decidiu que precisava, pelo menos, se despedir de Georgiana, para não correr o risco de ser mal educada. Então, caminhou para perto da menina e de Will, conseqüentemente.
--Eu não devia ficar surpreso, mas não consigo evitar! De onde, exatamente, você tirou esta música? - Will questionou-lhe, sorrindo.
--Você pode rir de mim o quanto quiser, sr. Darcy. - Elizabeth respondeu, tentando não ficar corada. - Mas fique ciente de que eu não vou deixar barato. - Will tentou conter o seu sorriso, mas o tom com que ela lhe falara não foi assustador, embora, sem dúvida, ameaçador. - Então,... eu preciso... - E virou-se de lado, indicando as outras meninas. - me juntar a elas. - Tentando se despedir. - Ana, não se esqueça de pedir permissão aos seus pais.
--Eu não vou esquecer. - Georgiana garantiu.
--Para que? - Will inquiriu, mas foi ignorado pelas duas propositalmente.
--Eu te ligo amanhã de manhã para saber a resposta. - Elizabeth disse a Georgiana, quem concordou com um aceno de cabeça.
--Tchau, Lizzie! - Georgiana despediu-se, já se dirigindo a porta.
--Tchau! - Elizabeth também já começou a andar em direção ao centro da sala.
--Espere! - Will disse a ambas, fazendo com que elas parassem no meio de seus caminhos e retornassem para perto dele. - Nós poderíamos ficar... Georgiana e eu poderíamos assistir a sua aula e... - Enquanto ele dizia isso, Georgiana começou a rir e a concordar com a cabeça, alegremente, enquanto Elizabeth ficava apreensiva, pensando: “eu acho que você já assistiu mais do que devia por um dia, sr. Darcy!” - depois levar você e Jane em casa, de carro. - Will concluiu, distraidamente. E, dando um passo na direção de Elizabeth, ergueu a mão e passou no rosto dela, soltando uma mecha do cabelo dela (ainda amarrado em duas marias-chiquinhas) que estava grudado em seu rosto.
--É muita gentileza sua, sr. Darcy... - Elizabeth respondeu, dando um passo para trás e se afastando da mão dele. Will estava em dúvida se ela estava se referindo à sua proposta de levá-la em casa ou ao seu gesto há pouco, mas ela logo esclareceu. - Mas Jane e eu podemos pegar o nosso ônibus de volta para casa sem muitos problemas. - Elizabeth respondeu, tentando não ficar ainda mais ruborizada. Georgiana ficou desanimada, perguntando-se se eles não tinham se acertado mesmo, como Jane havia afirmado que tinha acontecido; e Will começou a achar que a sua suspeita, de que não era uma boa idéia ter aparecido ali, estava correta. - Eu te vejo de noite! - Mas, ambos, ao ouvi-la dizer isso, principalmente, a forma que ela sorriu ao dizer isso, sentiram cada pensamento negativo que eles podiam ter sendo apagados.
--O.k.! - Não restou nenhuma outra saída aos dois irmãos a não ser concordar, sorrindo. - Tchau! - Eles responderam em conjunto e saíram da sala.
Georgiana ficou observando o irmão atentamente o caminho todo, da saída da escola até o carro dele, em silêncio. Mas, assim que estavam os dois dentro do carro, ela disse, enquanto colocava o cinto de segurança.
--O que ela quis dizer com: “eu te vejo de noite”? - Recebendo um olhar de incredulidade do irmão.
--Eu não me lembro de ter a obrigação de me reportar a você. - Will respondeu, pondo a chave na ignição e ligando o carro.
--Vamos, Will! - Georgiana exclamou, clemente. - Conte-me! - Mas Will permaneceu calado. - Tudo bem! Você não quer me contar, ótimo! - Georgiana replicou, ficando um pouco irritada. - Então eu não vou te contar o que eu vou fazer com Lizzie durante o sábado! - Conseguindo despertar a curiosidade do irmão.
--Me conte! - Will exigiu, voltando-se para olhar a irmã.
--Só se você me contar primeiro! - Georgiana rebateu.
--Você me conta primeiro! - Will replicou e ligou o carro, retirando o carro da vaga do estacionamento e seguindo viagem para casa.
Eles seguiram metade do caminho discutindo quem devia ser o primeiro a falar e, ao fim, Will contou que iria sair com Elizabeth àquela noite. Ao que Georgiana quis saber detalhes, mas ele se negou a dar. Vindo a exigir saber quais eram os planos dela com Elizabeth ao sábado. O que Georgiana contou, satisfeitíssima por sinal.
Às sete horas da noite, Georgiana havia conseguido a permissão dos pais para sair com Elizabeth no dia seguinte. Estava tão excitada com a noticia que queria contar a Elizabeth imediatamente. Haviam combinado que Elizabeth ligaria para ela no dia seguinte, mas não conseguiria esperar até lá para falar com ela. Queria ligar para ela naquele momento, mas não sabia o número do seu telefone.
--Georgiana, a sua amiga não disse que ia ligar para você amanhã? - Fedrerick Darcy questionou-lhe.
--Sim, papai, ela disse. Mas eu quero falar com ela agora. - Georgiana replicou, com o telefone sem fio em mãos. - Eu vou perguntar a Will o telefone dela. - Georgiana disse, animada.
--E por que o seu irmão saberia o telefone da sua amiga? - Frederick questionou-lhe. Hannah riu-se da pergunta; o seu marido realmente não fazia idéia dos últimos acontecimentos.
--Por que... – “ele gosta dela!”, era a resposta de Georgiana à pergunta de seu pai, mas Will resolveu aparecer à sala de estar naquele exato momento e inquirir.
--Estão falando o que de mim?
--Will, qual é o telefone de Lizzie? - Georgiana, ficando empolgada novamente, se antecipou à resposta que seu pai ia dar a pergunta de Will e inquiriu-lhe isto.
--3245-7859. - Will respondeu, por um ato reflexivo; já havia tentado ligar para ela tantas vezes, sem ter sucesso na tarefa, que sabia o telefone dela de cor.
Georgiana discou o número, contentemente, enquanto Hannah e Frederick observavam o seu filho atentamente. Ambos tinham notado que Will sabia o telefone dela de cor; Hannah sorriu, cada vez mais segura de que sua filha tinha razão quanto ao seu irmão e a Elizabeth, e Fredirick começou a despertar suspeitas nesta mesma direção. Pois, um fato notório em relação a Will é que nunca fora muito bom em gravar números, só conseguia gravar aqueles quais faz ligações constantes; ou seja, ele só sabe de cor os números de telefones das pessoas mais próximas a ele (seus pais, seu primo, Charles e George).
--Por que você está ligando para Lizzie? - Will perguntou a irmã, incomodado. “Como é possível ser eu quem irá a sair com ela por um mês e é você quem ficava conversando ao telefone com ela?!”, ele se perguntava, olhando com um pouco de hostilidade para irmã; quem ainda sorria para ele, esperando que o telefone fosse atendido.
--Eu quero dizer a ela que mamãe e papai deram permissão para eu sair com ela amanhã. - Georgiana lhe informou, satisfeita em dizer tais coisas.
--Ela não ficou de te ligar amanhã? - Will perguntou, indo se sentar ao lado de seu pai.
--Sim. Mas eu quero contar a ela hoje. - Georgiana respondeu, já começando a ficar sem paciência. “Quantas vezes eu vou ter que ficar repetindo isso?”.
--Eu posso dizer a ela, se você quiser, quando eu a vir mais tarde. - Will ofereceu, despertando a curiosidade de seus pais ainda mais ao dar-lhes mais este pedaço de informação.
--Não, obrigada! - Georgiana respondeu; olhando-o atravessado, completou. - Eu prefiro não correr o risco de você voltar a chateá-la e se esquecer de novo de lhe dar o meu recado, como você fez da última vez!
--Espere aí, o que está acontecendo? - Frederick inquiriu, antes que Will rebatesse a resposta malcriada de sua irmã. - Quem é está tal de Lizzie? - Quando Georgiana havia lhe pedido permissão para ir a uma festa com uma amiguinha, ele deduziu que era uma menina da sala dela. A sua esposa havia lhe garantido que conhecia a menina e que confiava nela o bastante para dar permissão a Georgiana para ir a tal festa; então ele concordou. Agora estava extremamente curioso para saber mais.
--Elizabeth. - Georgiana respondeu. - Ela é a sua nora. - Completou, deixando o irmão branco feito papel, o pai boquiaberto e a mãe rindo ainda mais, pensando consigo mesma: “já chegamos neste ponto?”.
--Minha nora? - Frederick questionou, mas olhando para Will.
--... - Quem não sabia o que dizer.
--É. Eles vão sair hoje. - Georgiana respondeu por ele, recebendo um olhar atravessado do irmão. - O que?! Você mesmo me disse que ia sair com ela! - Ela continuou, desistindo de falar com Elizabeth ao telefone e desligando o aparelho.
--E então? - Frederick continuou a dirigir a sua pergunta a Will. - Você está namorando?
--Não. - Will respondeu, envergonhado.
--Pare de mentir! - Georgiana exclamou.
--Georgiana! - A sra. Darcy a repreendeu. - Deixe o seu irmão falar. - Georgiana cruzou os braços, ainda com o telefone em mãos, e se sentou ao outro sofá, de frente para o irmão.
--Nós não estamos namorando... - Will começou a dizer, mas Georgiana, inquieta, completou.
--Ainda. - E, mesmo notando que ambos os seus pais lhe dirigiam olhares de reprovação, continuou. - Mas eu sei que ele gosta dela! - E, ainda mais convicta de estar certa, disse ao pai. - Ele até deixa que ela o chame de “sr. Darcy”!
--É mesmo? - Frederick finalmente riu, fazendo Will ter certeza que não conseguiria fugir daquela conversa depois disso.
--É! - Georgiana respondeu, contente. Finalmente, alguém a havia levado a sério nesta casa.
--Ela é uma menina muito bonita e simpática. - Hannah comentou.
--Ahh, você já a conheceu! - Frederick comentou.
--Sim. Ela e a irmã dela. - Hannah continuou. - Quem, por acaso, é a namorada de Charles.
--Não diga! - Frederick comentou, considerando que tudo estava começando a fazer sentido. - Bem, então, quando é que eu vou conhecer a sua Elizabeth? - Frederick voltou a questionar o filho; quem, num ato de exasperação, desencostou-se do sofá, e, ao responder a pergunta, começou a gesticular com muita expressão.
--Por favor, pai, eu ainda não estou namorando Lizzie e o senhor já quer conhecê-la?! - Olhando o pai, seriamente.
--Viu?! - Georgiana se ergueu do sofá com um pulo e exclamou. - Ele admitiu! Ainda! - Ela exclamou, alegremente, apontando um dedo acusador ao irmão. - “Eu ainda não estou namorando...”! - Ela repetiu a resposta dele, dando bastante ênfase ao “ainda”. O que fez Will se recostar ao sofá, deslizando as costas nele e se afundando ao máximo, além de pegar uma das almofadas e colocar no rosto, escondendo-se. - Eu estava certa! - Georgiana continuou a exclamar, excitada, arrancando gargalhadas de ambos os pais.
--Já chega! - Will atirou a almofada na irmã (quem não esperava e ficou boquiaberta, depois de ser atingida pela almofada e esta cair aos seus pés) e se levantou do sofá, saindo da sala.
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Elizabeth estava começando a ficar agitada à medida que as horas passavam. Faltava apenas mais uma hora; “só mais uma”, ela repetia mentalmente. Ela já tinha separado a roupa que iria usar e já podia começar a se arrumar. Queria estar pronta antes mesmo de ele chegar e, como sabia que ele é sempre pontual, precisava começar a se arrumar logo se queria conseguir atingir tal meta.
Jane entrou em seu quarto quando ela estava no banheiro, já tomando banho, e viu a roupa que ela havia separado em cima da cama. Elizabeth tinha escolhido usar a sua calça jeans predileta e o seu suéter preto favorito. Jane logo deduziu que ela pretendia se produzir para o tal jantar, o que agradaria a sra. Abbott.
Jane sentou-se ao pé da cama de Elizabeth e ficou esperando o momento em que ela sairia do banheiro. Queria tentar convencê-la a mudar de idéia uma última vez antes de sair de casa e ir se encontrar com Charles. Porque ela, ao menos, não queria mais estar presente durante aquele jantar.
Elizabeth saiu do banheiro e encontrou a sua irmã sentada a sua cama. Jane estava vestida para ir se encontrar com Charles. Os dois haviam feito planos de irem ao cinema e pegarem uma das últimas sessões; assim, ela estaria voltando para casa, praticamente, no mesmo horário em que o jantar “familiar” em sua casa estivesse acabando.
--Você está muito bonita, Jane. - Elizabeth a cumprimentou, sorridente, ao mesmo tempo em que secava o seu cabelo com uma toalha.
--E eu tenho certeza de que você ficará igualmente bonita hoje à noite. - Jane replicou, segurando a suéter preto que Elizabeth havia separado para usar. Elizabeth apenas lhe sorriu e continuou a secar o seu cabelo. - Lizzie... - Jane começou, hesitante. - Há ainda tempo para você mudar de idéia. Você podia ligar para ele e dizer para ele não vir, é melhor... - Mas antes que ela pudesse continuar, Elizabeth respondeu.
--Eu não vou mudar de idéia, Jane. - Seriamente. - Se lhe servir de consolo, eu prometo não comer o sr. Darcy como prato principal neste jantar. - Completou, voltando a sorrir maliciosamente para a irmã.
Jane ergueu-se de seu lugar e atravessou o quarto da irmã, indo em direção a porta.
--Aproveite o cinema com Charles.
--Obrigada! - Jane respondeu, abrindo a porta do quarto da irmã. - E não se preocupe, eu não vou fazer comentário algum sobre você e Will com Charles. - Elizabeth sorriu-lhe, agradecendo. E Jane saiu, fechando a porta às suas costas.
Elizabeth voltou a se concentrar em se arrumar. Precisava se vestir, escovar os cabelos, passar um perfume e um pouco de batom não lhe faria mal algum. Antes, no entanto, decidiu que precisava de um pouco de música, então ligou o seu aparelho de som e aumentou bastante o seu volume. Agora sim, poderia continuar a se produzir, sentia-se imensamente inspirada.














