Citações

Porque eu não adotarei este mesquinho e desastrado hábito, que têm os autores de romances, de depreciar, para descrédito do gênero, toda uma categoria de obras das quais eles mesmos têm aumentado o número. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXV

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Capítulo 25

 

Elizabeth andou em tempo recorde até o ponto de ônibus – é engraçado as coisas que seu corpo permite que você faça quando se está zangado e não tem onde extravasar a energia acumulada. Jane e Charlotte quase não conseguiram acompanhar os seus passos, enquanto que Lydia e Catherine precisaram correr para alcançá-las.

            Ela parou ao ponto de ônibus e respirou fundo, repetidas vezes, para conseguir acalmar as batidas de seu coração. As lágrimas de raiva, escondidas aos cantos de seus olhos, ela tratou de secar antes que rolassem em seu rosto; proibindo a si mesma de voltar a chorar por causa dele. Estava cansada de ficar chorando por tudo.

            Quando todas as meninas estavam reunidas ao seu redor, esperando que ela começasse a chorar ou gritar, ou expressar a sua angustia de alguma forma, Elizabeth apenas concentrou-se em se acalmar. Ela ainda não estava em casa, na privacidade do seu quarto, para se permitir tão luxo; a última coisa que queria agora é ser um espetáculo para olhos alheios.

--Eu não acredito que ele fez aquilo! - Jane comentou, cansada daquele silêncio ensurdecedor. - Mas eu acho que você se excedeu um pouco, Lizzie.

--Não! ...Eu não disse nem metade das coisas que estão entaladas na minha garganta. - Elizabeth respondeu, não mais escondendo a fúria que estava guardada dentro de seu peito. - Ele merecia mais! E se Ana não tivesse chegado...

--Você teria nockouteado ele. - Jane completou a resposta por ela, quando Elizabeth ficou sem palavras.

--É! - Lydia exclamou, concordando. - isso teria sido demais!

--Não! - Jane apressou-se em dizer. - Não teria. -Silenciando Lydia e limpando o sorriso de seu rosto. - Nós estamos em propriedade da escola, Lydia, e não estamos mais no ginásio. - Jane continuou, no seu tom de irmã mais velha. - Não podemos mais nos dar este luxo.

--Eu sei. - Elizabeth respondeu, voltando a tentar se acalmar.

--É melhor a gente ir para casa. - Jane disse. - Agora. - E com isso, as meninas começaram a se despedir.

            Pouco tempo depois, as irmãs Abbott estavam no ônibus à caminho de casa.

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            Will entrou no carro e fechou a porta, mas não teve outra ação. Georgiana entrou no carro e ocupou o lugar ao seu lado, ainda chateada com ele. Os dois ficaram sentados, em silêncio, dentro do carro, ainda no estacionamento da escola. Georgiana colocou o seu cinto de segurança e ficou esperando que o irmão ligasse o carro, para que fossem embora. Mas ele continuou parado, olhando para o pára-brisa do carro como se estivesse hipnotizado por ele.

--O que foi que você fez de errado?! - Georgiana o questionou, finalmente chamando sua atenção.

--Nada disso é da sua conta! - Will respondeu, ficando nervoso.

--Ela é minha amiga! - Georgiana replicou.

--E eu sou seu irmão! - Will rebateu, alterando o seu tom de voz.

            Imediatamente, ele ligou o carro, puxou o cinto de segurança e arrancou com o carro do estacionamento. Mais uma vez, Georgiana precisou rezar para chegar a casa viva, porque Will voltou a dirigir feito um louco.

            Quando ele estacionou o carro ao lado do carro de sua mãe (o que indicava que ela já estava em casa, esperando por eles para almoçar), Georgiana apressou-se a descer do carro antes dele e entrar em casa, fechando a porta de entrada com força, sem esperar por ele. Will entrou em casa um pouco depois e ainda encontrou a sua irmã falando com a sua mãe.

--O que foi que aconteceu? - A sra. Darcy perguntou, assombrada. Georgiana nunca tinha chegado a casa naquele estado antes.

--Will é um idiota! - Georgiana respondeu, exaltada, e foi para o quarto, para se trocar para o almoço.

            Quando Will entrou à sala de estar, sua mãe lhe fez a mesma pergunta; ao que ele respondeu.

--Ela não te disse? Eu sou um idiota. - E também seguiu para o seu quarto.

            Nenhum dos irmãos falou durante o almoço; nem com a mãe, muito menos um com o outro. A sra. Darcy saiu de casa para ir para a sua clinica àquela tarde sem entender o que estava acontecendo.

_____________________________

            Quando as irmãs Abbott chegarão a casa, encontraram a sra. Abbott em um de seus melhores humores. Ela veio da cozinha sorridente, para receber as filhas, assim que ouviu o barulho da porta sendo fechada. Encontrou Jane ainda ao foyer e Elizabeth já no meio da escada, parecendo estar com pressa de chegar ao seu topo. A sra. Abbott então apressou-se em contar  sua novidade.

--Meninas, não vão adivinhar o que tenho para lhes contar. - Comentou, excitada.

--Eu não quero saber! - Elizabeth respondeu, já alcançando o topo da escada.

--Elizabeth Ann Abbott, pare bem aí! - Imediatamente, Elizabeth estancou ao último degrau da escada. - Não me importa o que você diga ou quantas portas você bata; hoje, você vai ouvir o que eu tenho a dizer! - Disse, em um tom autoritário. - Principalmente, porque a novidade que tenho diz mais respeito a você que a qualquer outra pessoa dessa casa! - Ao ouvir esta parte, Elizabeth ficou logo alarmada. - Amanhã, o sr. e a  sra Collins, juntamente com aquele filho adorável deles, estarão vindo jantar aqui conosco. - Os olhos de Elizabeth se arregalaram ao ouvir a noticia e antes que ela pudesse protestar, a sra. Abbott continuou. - E você, mocinha, vai se comportar direitinho! Eu não vou tolerar nenhuma das suas gracinhas ou destrato com os Collins! Entendeu bem?! - Elizabeth não lhe respondeu, apenas foi para o seu quarto.

            “É só o que me faltava! ...Sim! Este dia está sendo ótimo!”, pensou com sarcasmo.  

______________________________

            De tarde todos os meninos se reunirão na casa de Will; precisavam conversar sobre o que tinha acontecido no estacionamento da escola, tentar entender como tinha acontecido. Will, embora tivesse passado o tempo todo, desde que chegara a casa até a chegada dos meninos no meio da tarde, tentando entender como foi que tudo aconteceu, não conseguira. Não conseguia dizer o que o havia levado a ir até ela e convidá-la para sair, embora pudesse descrever cada coisa que foi dita desde o momento que pronunciara o seu nome em voz alta naquele estacionamento.

            E o seu estado de atordoamento facilmente se transformou em rancor e, mais, fúria, quando o seu primo começou a questioná-lo, usando do mesmo tom que Georgiana usara no estacionamento, no carro e em casa, para falar com ele ou dele.

--Eu não acredito que você convidou Lizzie para sair! - Richard estava exasperado.

--Você me desafiou a convidar ela para sair, lembra-se?! - Will replicou, enraivecido; segurando-se para não bater no primo, como vem desejando fazer há vários dias.

--Mas você não devia tê-la convidado! - Richard replicou, no mesmo tom. - Não era para você ter convidado! - Ficando agitado, sentindo uma vontade enorme de pegar o primo pelos braços e sacudi-lo. - Você não a convida para sair porque gosta dela, mas a convida para sair porque eu te desafiei?!

--Eu não gosto dela! - Will disse, voltando a negar os seus sentimentos. Do que adiantava admiti-los agora, depois que ela o humilhara na frente de todos?

--Ahh faça-me um favor, pare com isso! - Richard respondeu, sem paciência. - Se você não gosta dela, por que essa cara de desespero? - Will ficou calado por um tempo, depois respondeu.

--Por que você se importa? - Dando um passo na direção do primo, fechando a mão e formando punhos. - Não era isso que você queria? Então... Agora você está livre para ficar com ela! Porque ela não vai olhar mais na minha cara!

--Dá para você parar de dizer para eu ficar com Lizzie? - Richard também deu um passo em direção de Will, também fechando as mãos e formando punhos. George se aproximou de Richard, pronto para segurá-lo, enquanto Charles se aproximava de Will, com o mesmo intuito de George. - Eu não quero Lizzie, eu não gosto de Lizzie!

--Ahh não?! - Will replicou, aos berros, descrente nas palavras do primo.

--Não! É de Charlotte que eu gosto! - Richard gritou de volta, continuando a caminhar na direção do primo.

--O que?!! - Will, Charles e George exclamaram, perplexos com a revelação, aponto de Will parar de andar em direção ao primo.

--Eu... gosto de ...Charlotte. - Richard repetiu, com um tom de voz mais ameno. - Eu quero Charlotte. - Continuou, soando mais decidido. Os outros três permaneceram calados, o fitando, como se o não conhecessem.

--Charlotte? - George perguntou. - Da nossa escola? Amiga de Lizzie, Lydia, Jane, Cath... - Ele não precisou terminar de listar os nomes, porque Richard respondeu, sem paciência.

--Sim! - E, se sentindo incomodado com a forma com eles o olhavam, completou, tentando encerrar aquele assunto de uma vez só. - E Lizzie sabe! - Disse isso para Will. - Porque todas as vezes que você me viu conversando com ela, ou eu estava falando sobre você e ela ou sobre mim e Charlotte! - E esta nova revelação fez Will procurar um lugar para se sentar. E, depois de um momento, colocar a mão na cabeça, pensando: “que merda foi que eu fiz?!”

--Por que você não disse isso antes? - Charles perguntou a Richard, conseguindo fazer com que Will erguesse a cabeça e olhasse para o primo, esperando a sua resposta.

--Por quê? Ora... - Richard ficou inquieto. - Porque sim!

-- “Porque sim”? - Will questionou, voltando a se irritar. - Por que sim?

--Eu... - Richard continuou a hesitar a responder aquela pergunta. - Eu não... queria que vocês soubessem que... eu estava interessado em uma menina que mal olha para mim! - Richard, enfim, respondeu. - George já fica tirando sarro da minha cara por muito menos; eu não queria lhe dar mais munição, obrigado! - Richard completou, dirigindo olhares raivosos na direção de George. - Charlotte... Ela está com David e... Eu... - E desistiu de completar a frase.

--Fala sério! - George bufou. - Vocês dois são doidos! - Ganhando a atenção de todos. - Vocês se meteram nesta confusão toda só porque não tinham coragem de marcha até a garota de quem gosta e convidá-la para sair?! - George os recriminou, pensando: “ e sou eu quem não deve ser levado a sério neste grupo!” - Vocês já consideraram fazer terapia? - Questionou-os, seriamente. - Porque os dois são malucos! ...Muito parecidos nas loucuras... - E, falando mais para si que para os outros, concluiu. - Deve ser porque são primos.

--E você está começando a parecer muito com a sua namorada! – Will replicou, com raiva. Ele não tinha desejo algum de ouvir aquilo naquele momento. Não precisava ser lembrado de que fizera uma besteira, tinha pleno conhecimento disso.

--Hei! Não meta Lydia no meio desta confusão! - George se exaltou. - Ela não fez nada de errado... - Continuou no mesmo tom, mas o diminuiu ao dizer. - desta vez. - E, voltando a assumir a postura de quem está dando um sermão a meninos levados, continuou. - Vocês dois se colocaram nesta situação sozinhos.

            Os três amigos não sabiam se estavam mais surpresos com o fato de George estar lhes dando uma lição, ou pelo fato de ele defender Lydia com tanto afinco. Era incrível como todos eles tinham se apaixonado por meninas de um mesmo grupo, mas, felizmente, meninas diferentes (mesmo que, alguns deles, só tenham tomado conhecimento disso naquele momento).

--Ei, sozinhos, não! - Will replicou, voltando a se erguer do degrau da escada do jardim lateral da sua casa, onde estavam reunidos conversando (para não chamar a atenção de Georgiana ou da governanta). - Ele me pôs nesta confusão quando me desafiou a convidar cinco meninas para sair! - Ele acusou o primo. - E ainda incluiu Lizzie!

--Eu não te obriguei a nada! - Richard replicou. - Além do mais, eu não precisaria ter lhe desafiado a nada se você tivesse me ouvido desde o começo e acreditado quando eu lhe disse que não estava interessado em Lizzie! - Will voltou a ficar calado. - Será que você pode me explicar de onde você tirou a idéia de que eu ia encorajar você a gostar de uma menina unicamente para tentar roubá-la de você depois? - Ele disse isso com calma, mas não recebeu resposta alguma.

            Will sabia que aquilo parecia loucura agora que estava tudo esclarecido, mas à época fazia tanta lógica para ele. Que ele não sabia o que dizer agora.

--Que é que eu faço agora? - Perguntou a todos, deixando transparecer o seu desespero no seu tom de voz.

--Você tem que acabar com esta história de desafio. - Charles respondeu. - Tem que dizer a todas as meninas que não vai sair com nenhuma delas, que tudo não passou de um erro!

--Isso! - Richard concordou. - E depois você vai pedir desculpa a Lizzie!

--Certo. - Will respondeu, como se estivesse tomando nota de tudo mentalmente.

--Eu acho que ele devia esperar um tempo antes de pedir desculpas a ela. - George disse. - Agora ela está com raiva, não vai ouvir ele!

--George tem razão. - Richard concordou. - Talvez seja melhor você esperar alguns dias... Até segunda, talvez. - Ele completou. - Assim ela terá o fim de semana para se acalmar um pouco.

--Certo. - Will voltou a concordar da mesma forma que antes.

--Eu não acho que ele deva esperar! - Charles se opôs. - Ela pode pensar que você demorou demais para se arrepender e ficar ainda mais zangada! - E o argumento dele também pareceu ter sentido. - Eu acho que você deve pedir desculpas amanhã e continuar pedindo desculpas até ela aceitar!

            Will voltou a pôr as mãos na cabeça. O que ele devia fazer? Como ele ia conseguir sair dessa?

--Não se preocupe, nós vamos ajudar. - Richard garantiu, conseguindo que ele voltasse a erguer a cabeça. - Eu vou conversar com ela... e vou dizer que você estava sofrendo de um distúrbio mental no momento e que não fazia idéia do que estava fazendo.

--Muito engraçado! - Will replicou, sem sorrir.

--Eu estou falando sério! - Richard rebateu.

            Will passou o resto do seu dia, até o momento que conseguiu dormir (muito tarde da noite, tendo um sono inquieto), ponderando todos os conselhos que ouvira de seus amigos aquele final de tarde. Ainda não sabia exatamente o que fazer no dia seguinte com relação à Elizabeth. Apenas sabia que devia terminar – entre aspas, já que sequer havia começado – com as meninas assim que as encontrasse na escola. Não podia perder tempo.

______________________________

            Jane ficou ouvindo Elizabeth escutar a mesma música várias e várias vezes, trancada em seu quarto.  Caught out There de Kelis, ela sabia perfeitamente porque ela escolhera exatamente aquela música, principalmente quando ouvia Elizabeth cantar tão alto quanto a cantora a parte da música que dizia: “I hate you so much right now!” (Eu odeio tanto você neste momento!). Ela só não tinha certeza se Elizabeth estava com mais raiva de Will ou de sua mãe, por causa de suas armações com relação a Bill Collins. 

            Quando chegou à hora do jantar, Elizabeth já tinha extravasado boa parte da raiva que estava sentindo. Permitindo que conseguisse comer um pouco, antes de voltar a se trancar em seu quarto pelo resto da noite. 

            De manhã, após uma noite de pouco sono, tentou ocupar a sua mente com o problema mais urgente naquele momento. Sua mãe e Bill Collins. Aquele jantar não estava lhe parecendo boa coisa, mas não conseguia imaginar uma forma de escapar dele. Talvez se tivesse um encontro com um menino, sua mãe não ficaria tão zangada se ela fugisse do jantar; mas não conseguiria arranjar um encontro do dia para noite.

            Se houvesse alguém que pudesse fingir estar saindo com ela; sabia que Richard não se negaria a lhe fazer esse favor, mas não queria correr o risco de dar a Charlotte à impressão errada de novo. George e Charles eram cartas fora do baralho. O que não sobrava mais ninguém. Precisava pensar em outra opção.

            Chegou à escola e mais uma vez precisou ignorar os olhares curiosos que recebeu, ou cochichos que ouviu e as perguntas impertinentes que lhes foram feitas. Acercou-se das suas amigas e lhes contou o seu problema. Nenhuma delas soube lhe dar uma sugestão realmente boa de como escapar deste jantar. No fim, Jane tentou lhe consolar, dizendo que estaria ao seu lado a noite toda, lhe dando apoio moral. Garantiu, também, que não convidaria Charles para este jantar, embora sua mãe houvesse sugerido que o fizesse. Ao que Elizabeth agradeceu; a última coisa de que precisaria num momento como este era de platéia. Não que considerasse Charles um dos mexeriqueiros da escola. Somente achava que quanto menos testemunha de sua tortura, melhor!

            Bill Collins, animadíssimo com as perspectiva daquele jantar, fez questão de procurar Elizabeth bem cedo aquela manhã para expressar-lhe o seu contentamento. A encontrou ainda do lado de fora da sala, rodeada pelas amigas, ainda discutindo a melhor maneira de escapar do mesmo jantar. A convidou para uma conversa privada, ao que Elizabeth apenas concedeu-lhe dar três passos para longe das amigas.

--O que você quer? - Perguntou-lhe, sem rodeios.

--Te dizer o quão feliz estou com o seu convite para jantar em sua casa esta noite. - Ele disse, sorrindo de orelha a orelha.

--Eu não lhe convidei, foi a minha mãe. - Elizabeth rebateu, enojada.

--Sim. A sua mãe. - Mas ele não pareceu se importar com isso. - Confesso que se este convite fosse feito a mim há alguns dias atrás, ficaria relutante em aceitar. - Ele prosseguiu, como se estivessem tendo uma conversa agradável. - Mas, depois do incidente de ontem no estacionamento, fico encantado com o privilégio de ter a sua companhia por toda uma noite. - Continuou, tentando soar galante, mas falhando terrivelmente. Deixando Elizabeth com arrepios na espinha (daqueles que você sente quando está vendo filme de terror assustador). - Eu fiquei muito impressionado com a sua integridade e hoje sinto orgulho de me relacionar com você! - Elizabeth ficou boquiaberta; antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele prosseguiu (como sempre!) - Ter um jantar de família é um passo muito importante num relacionamento de um casal e... - Continuou, não deixando que ela protestasse. - devo dizer, um passo que me vejo ansioso para dar com você! - E tentou segurar a mão de Elizabeth, quem a recolheu rapidamente e deu um passo para trás.

            Neste momento, Elizabeth viu Will cruzar o corredor a sua frente. Ele olhou em sua direção, com pesar, e desviou o olhar rapidamente. Elizabeth não soube explicar como chegou a tomar tal decisão, mas o estava seguindo antes que Bill Collins pudesse dizer mais uma palavra; o abandonando falando sozinho, mais uma vez.

__________________________

            Will a viu conversando com Bill, olhou para ela quando cruzou o seu caminho, mas desviou o olhar rapidamente. Sentia-se envergonhado demais ainda para poder encará-la de frente. O que tornava difícil a parte de lhe pedir desculpas. Enquanto isso, decidiu se ocupar com a outra parte do seu problema. Ainda não tinha conseguido informar a nenhuma das meninas sobre o cancelamento do desafio.

            Ele continuou andando pelo corredor, até avistar Clarice. Era o momento, ele sabia. Então começou a andar na direção dela. Até que ouviu:

--Sr. Darcy? - À suas costas, mais próxima dele que ele imaginou que ela chegaria depois do dia anterior.

            Will parou de andar e virou-se de frente para ela sem hesitar. Se ela queria falar com ele, ele teria de criar coragem para fazer o mesmo e aproveitar o momento para se desculpar.

--Eu queria lhe ped... - Ele começou a dizer, mas ela o fez se calar (e permanecer calado por dois minutos) ao dizer.

--Você ainda quer que eu saia com você? - Ele ficou olhando para ela, com a testa franzida, perguntando-se se teria ouvido direito. - Ontem você me perguntou se eu queria sair com você. - Elizabeth resolveu continuar a falar, já que ele tinha ficado mudo. - Você ainda quer que eu saia com você? - Mas ele continuou calado. Então ela disse. - Não? Ok. - E começou a lhe dar as costas.

--Não! Espere! - Will finalmente conseguiu dizer alguma coisa. Elizabeth voltou a virar-se de frente para ele. - Eu quero. - Ele respondeu. - Mas não... - Mas Elizabeth voltou a interrompê-lo.

--Ótimo! - Deu-lhe um meio sorriso e completou. - Esteja à minha casa hoje, às oito horas da noite. - E tentou lhe dar as costas, mas ele voltou a chamar por ela.

--Como? - O que a fez voltar-se de frente para ele de novo.

--Hoje, minha casa, às oito da noite. - Ela respondeu, já começando a ficar sem paciência. E tentou voltar a lhe dar as costas.

--Eu não posso... hoje... a noite. - Will disse, pensando no encontro com Clarice que ainda não havia conseguido desmarcar. - Eu tenho out... - Mas preferiu deixar de dar-lhe esta informação.

--Não pode? - Elizabeth inquiriu-lhe, com um olhar penetrante. Ele sentiu como se ela pudesse ler a sua mente. - Tudo bem, então! - Ela respondeu, com naturalidade. - Esqueça o que acabamos de conversar, então. - E, mais uma vez, tentou se afastar dele.

--Não. - Ele a segurou pelo pulso. Ela virou-se de frente para ele, olhou para a mão dele que segurava o seu pulso e de volta para ele. Ele a soltou imediatamente. - Desculpe... Eu não... Eu estarei em sua casa hoje à noite... às oito.

--Ok. - Elizabeth voltou a replicar sem muita emoção. Dando aquela conversa com encerrada, finalmente, deu-lhe as costas. Afastou-se dele três passos quando ele voltou a chamar por ela.

--Elizabeth? - Will caminhou atrás dela, de forma que estavam novamente próximos quando ela virou-se de frente para ele. - O que fez você mudar de idéia? - Elizabeth o fitou com interesse; aí está um pergunta que ela não esperava que ele fizesse.

--Ora, sr. Darcy! - Disse-lhe, seriamente. - A sua aparência, é claro. - E deu-lhe as costas, começando a rir como se houvesse acabado de ouvir uma piada muito engraçada.

______________________________

            Elizabeth voltou a se acercar das amigas, ainda rindo. Todas elas estavam boquiabertas com o que presenciaram – assim como várias outras pessoas presentes naquele corredor. Jane logo quis saber o que tinha acontecido com Elizabeth para fazê-la agir daquele jeito. Ao que Elizabeth respondeu, com bom humor.

--Jane, eu só estou seguindo o conselho de Charlotte. - Ao que Jane dirigiu-lhe um olhar confuso, ao dizer.

--Que conselho?

--De voltar a ser eu mesma! - Elizabeth continuou a responder a suas perguntas com um sorriso no rosto e um brilho no olhar.

--E o que isso significa, exatamente? - Jane prosseguiu, ainda sem entendê-la. - O que você vai fazer exatamente?

--Ele não quer que eu seja a “namorada” dele por um mês? - Elizabeth disse, diminuindo o tom de voz, de forma que as únicas pessoas a escutá-la fossem a sua irmã e amigas. - É exatamente o que eu vou ser... - Completou; Jane logo percebeu que o brilho no olhar dela é o mesmo de quando ela está planejando fazer uma travessura. - E farei da vida dele um inferno!

--Isso! - Lydia comemorou; rindo, dando pulinhos e batendo as mãos; enquanto Catherine apenas ria.

--Lizzie,... - Jane começou a dizer e só de olhar para ela, Elizabeth soube que ela reprovava a sua atitude.

--Nem comece, Jane! - Disse-lhe logo. - Eu vou fazer isso, não importa o que você diga! - Elizabeth lhe garantiu, Jane viu que não podia fazer mais nada; pois, uma vez ela estando decidida, não tinha quem lhe fizesse voltar atrás. - Se você não quiser fazer parte disso, não precisa estar presente no jantar hoje à noite. Marque um programa com Charles e saia com ele; só não ouse levá-lo lá para casa! - Disse, num tom autoritário. - Eu quero o sr. Darcy sozinho esta noite! - Completou, com um sorriso maldoso; que contagiou ainda mais Lydia (quem voltou a pular, bater palmas e a rir).

--Você o convidou para o jantar que mamãe está fazendo para receber os Collins? - Jane inquiriu, surpresa.

--Claro. - Elizabeth riu ainda mais.

--Mas, Lizzie, mamãe... - E, mais uma vez, antes que Jane pudesse completar, Elizabeth disse.

--Ela disse que eu não podia faltar ao jantar, não falou nada sobre não poder convidar mais alguém! - E, rindo, entrou na sala de aula, deixando as amigas paradas a porta de sua sala.

            Jane ainda boba; Lydia contentíssima, desejando ter sido convidada para o jantar só para presenciar a cena (a cara de Will Darcy ao ver o que Elizabeth tinha preparado para ele e a cara dos Collins ao ver Will Darcy presente no seu jantar de “família”); Catherine estava quase tão empolgada quanto Lydia (unicamente porque Elizabeth parecia estar feliz, pessoalmente não tinha certeza se vingança era uma conduta recomendável); e Charlotte já começava prevê o futuro (pois, tinha certeza, Elizabeth estava abocanhando um pedaço maior que conseguiria mastigar).

 

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