Capítulo 22
Charles passou aquele fim de semana, desde a Quinta-feira até o Domingo, tentando fazer Will mudar de idéia quanto ao desafio que o seu primo Richard lhe opusera. Mas sem ter sucesso. Charles estava tão zangado com Richard por ter desafiado Will que sequer estava falando com ele.
Richard, por sua vez, passava os seus dias imaginando uma forma mais elaborada de complicar o desafio, para que, finalmente, conseguisse convencer Will a desistir de cumpri-lo. Sabia que Charles estava tentando dissuadir Will de cumprir o desafio, mas não acreditava que o amigo tivesse muitas chances de ser bem sucedido. Will tem esse gênio ruim de lidar – Elizabeth e ele têm tanto em comum, se você pensar a respeito – que, tendo decidido alguma coisa, as chances eram poucas de conseguirem fazê-lo voltar atrás. Então, para Richard a única forma de convencer Will a não seguir adiante com a sua palavra é complicar cada vez mais o desafio.
George estava tranqüilo com toda a situação; para ele, estava até divertido assistir os seus amigos se descabelarem por algo tão simples como aquilo. Não conseguia entender porque Charles e Richard se envolviam tanto na vida amorosa de Will. Se Will estava sendo um idiota, intencionalmente, o problema era dele e não de George, quem não tinha nada a ver com quem Will sai ou deixava de sair.
Will, enquanto isso, estava aliviado com o fato de seu primo ainda não ter lhe indicado quais meninas ele devia convidar para sair. Quanto mais tempo demorasse para Richard se decidir quanto a este ponto, melhor para ele. Não estava ansioso pelo momento em que teria de convidar as meninas para sair. O que iria dizer a elas para convencê-las a sair com ele dentro das circunstancias em que se encontrava? Richard, com certeza, estava se vingando dele por tê-lo acusado de traidor, querendo humilhá-lo deste jeito. Porque ele sabia que seria dispensado por todas as meninas que Richard indicasse para ele convidar para sair e a escola inteira ficaria sabendo, principalmente Elizabeth. E se recriminava todas as vezes que o seu pensamento se voltava a focar em Elizabeth, mesmo que apenas por uns minutos.
A única satisfação de Will durante estes dias era saber que aquela confusão toda não tinha estragado o relacionamento de Charles e Jane, já que os dois voltaram a ficar mais tempo juntos à quinta-feira mesmo. Não estavam ficando tão juntos como quando os dois grupos estavam unidos, mas não estavam mais completamente separados como ficaram nos dias anteriores. E, no Sábado e Domingo, Charles e Jane voltaram a sair e a fazer os seus programinhas, só que desta vez sozinhos.
À segunda-feira as regras do desafio já haviam sido esclarecidas a Will. Ele teria o mês de Outubro inteiro, começando do dia 1º (uma sexta-feira) até o dia 31 (um Domingo), para sair com as cinco meninas. Ao todo, o primo estipulou, que Will deveria ter quatro encontros com cada menina durante aquele mês. O que, por si só, já começou a pesar na consciência de Will. O mês de setembro estava acabando, a sexta-feira da semana seguinte já seria 1º de Outubro, data em que ele deveria ter o seu primeiro encontro com uma das meninas.
Por outro lado, Richard estava quebrando a sua cabeça para escolher as meninas que fariam Will desistir daquele maldito desafio. Era importante que escolhesse as meninas certas, meninas que fizessem com que o desafio se tornasse impossível de ser cumprido. Mas a sua mente estava lhe decepcionando.
--Eu já lhe disse: quer fazer Will desistir dessa história de desafio, escolha as garotas mais horrendas desta escola para ele sair e ele irá desistir, com certeza! - George disse, pela milionésima vez só aquela terça-feira, a Richard, aos cochichos, dentro de sua sala de aula.
--Não. Se Will fosse desistir por causa da beleza, ou a falta de beleza, das garotas ele não deixaria que eu escolhesse as garotas por ele. - Richard argumentou, também aos cochichos. - Ele já pensou nesta possibilidade, com certeza, e não se importa com isso. - Ele garantiu, ao que George não soube o que replicar. - Eu tenho que escolher as garotas por suas personalidades e não pela sua aparência. Tenho que escolher garotas irritantes, convencidas, de preferência bonitas... Para que se Will as convidar para sair, elas não aceitem. Entende? - George não deu uma resposta e Charles sentou ao lado de George, em silêncio. Satisfeito, apenas, em saber o que eles estavam tramando desta vez. - Se eu escolher as meninas “horrendas” desta escola, como você quer, quando ele as convidar para sair, elas irão aceitar, independente de qual seja a situação em que ele fizer o convite.
--Você tem razão. - George, enfim, concedeu.
--Então, pense. Quais garotas nesta escola são bonitas, convencidas e extremamente irritantes? ...Garotas com que Will nunca vai querer sair... Que ele vai fugir como o Diabo foge da cruz.
--Você quer dizer, garotas que tenham o mesmo efeito em Will que Caroline tem? - George questionou, pensativo.
--Isso!!!! - Richard exclamou, levantando-se de sua carteira de tanta empolgação, chamando atenção para si mesmo. - Como eu não pensei nisso antes? Caroline!!!! - Ele continuou, voltando a cochichar para os amigos. George e Charles ficaram olhando para ele, ali de pé, com uma feição de pura felicidade. - Esta, sim, é uma boa idéia! - Ele disse, dirigindo-se a George, e voltando a se sentar em sua carteira. - Agora, só falta descobrir outras quatro garotas iguais a Caroline para Will convidar a sair.
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Durante aquela quarta-feira Elizabeth já estava mais reconciliada com toda aquela situação. A sua raiva estava devidamente guardada em algum lugar dentro dela, enquanto que por fora ela transparecia ser a mesma garota moleca de sempre. Quando estava com as amigas, comportava-se da forma mais bem disposta possível, fazendo brincadeiras e gozações com todas elas. Quando estava sozinha, mantinha sempre um romance em mãos para ter com o que se ocupar e o MP3 ligado, com os fones nos ouvidos, para não precisar ouvir mais nenhuma fofoca.
George, por incrível que parecesse, vinha passando mais tempo com as meninas com o passar dos dias. Ele ia e vinha entre os dois grupos mais vezes que o próprio Charles – quem sentia-se um amigo imprestável quando ficava muito tempo longe de Will, quando sabia pelo que o amigo estava passando – por isso, parecia-lhe até que Elizabeth estava pouco se importando com Will e toda aquela confusão com Richard. Enquanto os outros estavam quebrando a cabeça, preocupados com o que ela vai pensar ou o que ela vai sentir quando Will começar a sair com outras meninas. Para George, ela não sentiria nada. Mas decidiu guardar a sua opinião, porque sabia que nenhum dos outros meninos iam lhe dar muita atenção, mesmo.
Richard terminou de ler o livro de Charlotte depois do intervalo e foi entregá-lo a Elizabeth, indo procurá-la em sua sala de aula. Parando a porta de sua sala, pôs a cabeça para dentro e notou que não havia nenhum professor ali ainda. Entrou mais um pouco na sala, mais ainda permanecendo à sua porta, e chamou por ela, ganhando a atenção dos outros alunos que já se encontravam na sala àquele momento.
Elizabeth ergueu-se de sua carteira, onde estivera sentada, terminando de ler o romance que havia locado na segunda-feira, e, sorrindo, veio ao seu encontro. Assim que ela estava próxima o suficiente, ele ergueu o livro para ela. Deliberadamente, o fez, para que os alunos que estavam presenciando aquela cena soubessem porque ele tinha vindo até ali, falar com ela. Não queria mais ouvir rumores com o seu nome, piorando a situação com o seu primo.
Elizabeth aceitou o livro e logo começou a inquiri-lo.
--Leu? Gostou?
--Absolutamente. - Richard respondeu, dando-lhe um meio sorriso amarelo. Ele estava se sentindo desconfortável perto dela. Sabia que o desafio que fizera ao primo a afetaria e não conseguia deixar de se sentir culpado.
--Há algo errado? - Elizabeth inquiriu, percebendo a frieza dele. Ele não estava fazendo gracinhas ou comentários indiretos.
--Não. - Richard replicou, rapidamente.
--Vamos, Richard. - Elizabeth olhou de forma impertinente, pronta para brincar com ele, numa tentativa de desanuviar a expressão de seu rosto. - Você está me dando aquele olhar!
--Que olhar? - Richard inquiriu.
--De quem fez algo de errado!- Elizabeth riu.
--Eu? Não!! - Richard replicou, com emoção. Elizabeth parou de rir, percebendo que realmente alguma coisa estava acontecendo. - Eu não fiz nada de errado.
--Está certo. - Elizabeth voltou a se acalmar, dizendo a si mesma que estava ficando paranóica. - Você não fez nada... - Ela disse, voltando a sorrir de forma moleca. - ainda. - O que fez Richard erguer uma sobrancelha, numa expressão desconfiada. “Será que ela já sabe? Quem contou a ela?!” - Mais lembre-se do que eu lhe disse. - Elizabeth continuou. - Charlotte é um bom partido, não vai ficar dando mole por muito tempo. - Ela completou, num tom de voz baixo, para que só ele ouvisse. E viu Richard rir, aliviado. - Eu pensei que o livro fosse lhe ajudar, mas parece que ele não lhe deu muita inspiração! - Richard passou a mão no cabelo, nervosamente. Por um momento pensou que tinha sido descoberto; o coração dele estava batendo tão acelerado.
--Você deve estar pensando que eu sou um péssimo pretendente à sua amiga, agindo tão devagar quanto uma tartaruga, certo? - Ele comentou, finalmente conseguindo assumir sua postura relaxada.
--Não seja tão duro consigo mesmo. - Elizabeth replicou; dando-lhe uma piscadela de olho, disse. - Você chega lá. - E retornou para a sua carteira, vendo que o professor já se dirigia a sua sala. E Richard foi embora.
Quando Catherine entrou na sala com Lydia, Elizabeth lhe entregou o livro, informando que Richard tinha acabado de aparecer ali para entregá-lo a ela.
Durante o breve intervalo antes da última aula, Elizabeth aproveitou para devolver o livro na biblioteca e tentar locar outro. Quando se aproximava da biblioteca, esbarrou-se em Bill Collins. Como ela não o viu a sua frente? Ela não sabia responder. Ultimamente, vinha usando de uma espécie de valvula de escape quando estava andando pelos corredores da escola sozinha, de forma que malmente dava atenção à quem estivesse passando ao seu lado. Assim evitava notar os olhares que recebia ou os comentários alheios sobre a ela. Mas, hoje, dava tudo para estar prestando atenção a quem estivesse ao seu redor. Se o houvesse notado, poderia tê-lo evitado.
--Elizabeth. - Ele disse, por incrível que pareça, sorrindo. Elizabeth tirou os fones do seu MP3 dos ouvidos, para poder ouvi-lo. Foi um reflexo, ela queria não tê-lo feito. - Eu estive querendo falar com você. - Ele disse; ela suspirou, sem paciência. - Eu lhe devo desculpas pela nossa última conversa. - Ele disse, pondo a mão no peito e fazendo uma reverência. Elizabeth riria da situação se ainda fosse a mesma Elizabeth do começo do ano, mas não o era mais. Aquilo a estava irritando ainda mais. - Eu admito que fui muito rude da minha parte insinuar tais coisas a seu respeito, baseando-me em rumores... - Ele ergueu o olhar para ela. - Quando bem sei que as más línguas sempre distorcem fatos ao seu melhor agrado. - Continuou. - Mas você também deve admitir a sua quota de culpa, já que também foi bastante rude comigo durante nossa última conversa. - Ele comentou, assumindo uma postura mais segura de si. - Eu fiquei muito magoado no momento, mas já esqueci. - E concluiu, sentindo-se bem consigo mesmo por ser tão benevolente.
--Ah é, mesmo? - Elizabeth questionou, com sarcasmo, então deu a volta entorno dele, recolocando os fones no ouvido, e seguiu o seu caminho até a biblioteca. Deixando-o, mais uma vez, sozinho, no meio do corredor, com uma expressão de quem fora contrariado.
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Will a viu passar ao corredor de estante de livros depois do que ele estava e ficou a segui-la, observando-a por entre as prateleiras das estantes, por sobre os livros. Ela não o tinha visto, disso ele tinha certeza. Ela estava distraída, balançando a cabeça - ele deduzia - no ritmo da música que estava tocando em seu MP3, e olhava as prateleiras da estante de livro do outro lado, de forma que ela ficasse de costas para ele.
Will colocou os dois braços cruzados sobre a prateleira e apoiou a testa sobre eles, ficando com os olhos na altura da brecha que existia entre uma pilha de livros e a prateleira acima, repleta de outros livros, da estante em que havia se encostado. Sentia-se extremamente ridículo e frustrado. Havia se prometido a não fazer mais isso, mas ela o havia pego de surpresa. Não estava preparado para vê-la ali.
Will tinha vindo à biblioteca pegar um livro de Biologia para fazer um trabalho e, como não tinha muito costume de vir à biblioteca, estava meio perdido, perambulando pelas estantes. Então ela passou ao fim do corredor em que ele estava, sem olhar na sua direção, e entrou no corredor seguinte. E ele ficou paralisado, os seus pés se recusavam se mexer; recusavam-se a dar as costas a ela e seguir o caminho contrário, pondo-o mais longe dela o possível. Eles queriam ficar ali e só se moveram quando ela seguiu em direção ao fundo do seu corredor de estantes, saindo do campo de visão de Will. Então ele passou a segui-la; pois os seus pés assumiram o controle e fizeram o mesmo caminho que ela, só que ao seu corredor de estantes. Quando ela parou, ele também parou.
E ali estava ele, debruçado a estante, esquecido do motivo de ter vindo à biblioteca, e só se importando com ela. “Se ela não fosse tão...isso não seria tão difícil!”, ele si dizia, em mente. Então ela virou em sua direção, procurando por um livro a outra estante. Will apressou-se em se esconder, se desencostando da prateleira e se agachando. De onde estava, ainda podia ver as pernas dela, pela brecha entre as prateleiras inferiores. E ela tinha parado bem na frente dele; se ele não houvesse sido rápido, ela o teria visto.
Ela ficou ali, parada diante dele, por uns dois minutos. Os dois minutos mais longos da vida de Will, em que seu coração batia acelerado. “E se alguém o visse ali, agachado? E se ela o visse ali, agachado?”, ele se questionava, alarmado. Mas não podia se mexer; se o fizesse, ela o veria, certamente. Então ela se moveu para o lado, andando e saindo do seu campo de visão. Will pôs-se de pé num pulo e voltou a olhar pela brecha das prateleiras, procurando por ela. Tinha que saber onde ela estava. Andou na mesma direção em que ela tinha seguido e a encontrou.
Elizabeth estava parada, virada de frente para ele, mas com a cabeça baixa. Segurava dois livros nas mãos e os examinava, um de cada vez, com uma expressão séria no rosto. Parecia indecisa quanto a qual levar. Will voltou a se debruçar à estante e a apoiar a testa nos braços, fitando-a fixamente. Como ele já a tinha visto fazer em outras ocasiões antes, Elizabeth começou a cantarolar a música que estava ouvindo.
--One step forward making two steps back... My, oh my...
(Um passo para frente resultando em dois passos para trás. Deus, oh Deus.)
Buying pity on the bad boy´s back for life.
(Comprando dó na volta do canalha para vida.)
Lining up for the grand illusion.
(Formando fila para a grande ilusão.)
No answers for no questions asked
(Sem respostas para perguntas não feitas)
Lining up for the execution, without knowing why...
(Formando fila para a execução, sem saber por que...)
Ele sentiu o coração dele derreter um pouquinho ao som da voz dela. Fazia dias que não a escutava.
--You keep watching from your picket fence
(Você fica observando da sua cerca)
“Será que ela me viu aqui?”, ele quase se agachou e se escondeu de novo. Mas ela não parecia ter notado a sua presença, pois continuava de cabeça baixa, cantarolando a música enquanto analisava os livros que tinha em mãos.
--You keep talking but it makes no sense
(Você continua falando, mas não faz sentido)
You say we´re not responsible, but we are, we are.
(Você diz que nós não somos responsáveis, mas nós somos, nós somos)
You wash your hands, you come out clean
(Você lava as suas mãos, você se apresenta limpo)
But you fail to recognize, the enemy is within.
(Mas falha em reconhecer, o inimigo está dentro de você)
You say we´re not responsible, but we are, we are.
(Você diz que nós não somos responsáveis, mas nós somos, não somos)
We are.
(Nós somos)
Ele sentia como se ela estivesse cantando uma música sobre ele. Porque ele se via descrito naquelas palavras: culpando o primo, quando ele já não tinha mais certeza de nada; ignorando o inimigo dentro dele, aquele que tomava as decisões quando ele perdia a cabeça e que o metia em mais confusões do que ele desejava; e que depois não queria assumir a responsabilidade dos seus próprios atos.
--It´s all about power, by taking control
(É tudo pelo poder, por assumir o controle)
Breaking the will, erasing the soul.
(Quebrando a vontade, apagando a alma)
They suck us dry till there´s nothing left.
(Eles nos sugam, secam até não restar mais nada)
My, oh my. My, oh my.
(Deus, oh Deus. Deus, oh Deus.)
Ele notou que ela cantou esta parte da música com mais gosto. “Será que é assim que ela está se sentindo?”, ele se perguntava. “Sugada? Sem restar mais nada?”. Mas logo afastou esse pensamento da cabeça. “Por que ela se sentiria assim, afinal? Ela não tem motivos para se sentir assim! A vida dela deve estar uma maravilha sem mim! Ela, certamente, não está sentindo a minha falta!”
--We are, we are, we are...
(Nós somos, nós somos, nós somos)
It´s all about power, by taking control!
(É tudo pelo poder, por assumir o controle)
Ela terminou de escolher o seu livro e foi embora. Will parou de se esconder atrás das estantes e decidiu ir embora também, irritado consigo mesmo. Ele estava fora de controle. Como deixou isso acontecer, devia ter sido mais forte. Não devia ter ficado a espionando daquela forma; como a esqueceria, se não conseguia se controlar?
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Richard precisou sondar algumas das meninas da escola até conseguir selecionar três, das quatro que lhe faltavam. E as suas escolhas não podiam ser melhores. Duas das meninas ele já havia ficado, então tinha uma experiência própria para comprovar a sua decisão. Arrependera-se terminantemente de ter desejado sair com todas as meninas mais bonitas da escola logo quando fora transferido a Austen House em parte por causa destas duas meninas. Os seus encontros com elas foram os piores de sua vida; assim que começou, ele desejou que houvesse terminando. E nunca mais deteu-se à companhia delas mais que o necessário para ser educado. Sabia que elas seriam perfeitas para os seus planos com relação a Will.
No entanto, estava tendo dificuldades em encontrar a última menina. Ninguém lhe parecia ruim o suficiente para ser boa para o desafio. Então decidiu informar as suas primeiras escolhas ao primo, pois, caso Will desistisse do desafio só em ouvir que uma das suas escolhidas é Caroline, ele não precisaria mais se preocupar em encontrar a quinta e última menina.
Will já estava achando que o seu primo tinha se esquecido do desafio, já que haviam se passado tantos dias e Richard não tinha voltado a mencioná-lo; permitindo a ele se tranqüilizar um pouco. Afinal, para que ele ia querer sair um mês com cinco meninas por quem não tinha interesse algum? Arrependera-se terminantemente de ter aceitado aquele maldito desafio. “Mas eu estava com raiva. Eu sempre enfio os pés pelas mãos quando estou com raiva!”, ele ponderava. “Tenho que me controlar mais, daqui em diante!”, e se prometia.
Então Richard o procurou naquele mesmo dia, em sua casa, para lhe dizer quais meninas ele devia convidar para sair. Para o total desespero de Will.
--Caroline?! - Will se levantou da cama, onde estivera jogado desleixadamente antes mesmo de primo entrar em seu quarto. - Não!!! Qualquer uma, menos Caroline!
--Eu escolhi Caroline! - Richard replicou, com uma expressão de satisfação estampada em seu rosto. - Ela é a minha primeira e, até, mais importante escolha! - Garantiu, enquanto o rosto de seu primo se contorcia numa careta de desgosto. - Qual é? Não vai ser tão ruim assim! - Richard garantiu, mas não resistiu ao ver a cara de fúria do seu primo e começou a rir.
--Você está querendo me torturar! - Will reclamou.
--Torturar você?! - Richard fingiu estar ofendido. - Como eu posso estar querendo torturar você? Eu o desafiei a sair por um mês inteiro com cinco garotas, o que, vamos concordar, muitos meninos sonham em conseguir um dia; eu escolhi somente garotas bonitas e populares, quais todos os garotos daquela escola desejam sair pelo menos uma vez, ao invés de escolher barangas... E você diz que eu estou tentando lhe torturar? - Richard estava se divertindo, finalmente. Seu plano estava indo do jeito que ele queria. Lá estava Will, andando de um lado para o outro, espumando de raiva, pronto para desistir.
--Escolha outra menina, qualquer menina, menos Caroline!
--Por quê? Eu estou sendo bonzinho com você! - Richard afirmou, tentando controlar o riso. - Caroline vai ser a menina mais fácil para você convidar para sair, pela forma que ela fica correndo atrás de você. - Richard completou.
--Richard! - Will parou de frente para o primo, pela primeira vez, com um olhar suplicante. - Por favor, escolha outra menina!
--Não. - Richard respondeu, sem piedade. - Você pode desistir do desafio, se acha que é tão difícil assim para você sair com outras meninas! - E não conteve a expressão de triunfo que surgiu em seu rosto, o que fez o olhar de Will se estreitar e ele perceber exatamente o que o primo estava tentando fazer.
E, mais uma vez, Will se deixou dominar pela raiva que sentia de si mesmo, por estar preso naquela situação, de Richard, por tê-lo colocado nela, e de Elizabeth, por não sair de sua cabeça, nem mesmo naquele momento.
--Não. - Respondeu, decidido. - Que seja Caroline! Eu não me importo! - Deixando Richard boquiaberto, momentaneamente. “Não é possível! Ele não vai desistir!”
--Ok. - Richard respondeu, incerto. “O que eu vou fazer agora?”, Richard se perguntava; as suas idéias para fazer Will desistir dessa loucura estavam se acabando.
--Você ainda não disse quem é a quinta menina. - Will comentou, já resignado com o seu destino.
--Ham... - Richard o olhou, sem responder. Ainda estava abalado. - Ahh é... Eu ainda não escolhi. Mas... não precisa se preocupar. Assim que me decidir, eu lhe informo!
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Elizabeth e Jane voltaram a chegar à escola no período da tarde e prestaram uma visita a Georgiana. Quem não podia ter ficado mais contente em recebê-las. Elizabeth tinha se dado o trabalho de procurar outra música à Internet e imprimir a sua partitura, para poder dá-la a Georgiana. Sua escolha desta vez foi muito mais fácil e não precisou perder uma noite navegando na Internet para encontrá-la. Assim, quando entregou as folhas com a partitura de Clocks, de ColdPlay, a Georgiana estava bastante descansada. Ficando ainda mais satisfeita em ver o sorriso da menina por sua consideração.
Ao final da aula de dança, Elizabeth, Jane e as outras meninas decidiram passear pelo shopping, tomar um chocolate quente e olhar algumas vitrines. Um programa bem feminino, unicamente para distrair todas elas. Havia um tempo em que não faziam um programa desses. Lydia, sem a presença de George ou nenhum de seus amigos, começou a andar a frente das meninas, juntamente com Catherine, para paquerar os meninos por quem passavam, à medida que passeavam pelos corredores de lojas do shopping. Enquanto as outras três ficavam para trás, olhando vitrines e achando graça do comportamento das outras duas.
Quando as garotas se sentaram a uma mesa, à praça de alimentos, com suas canecas de chocolate quente, Jane inquiriu a Lydia como era possível ela se comportar daquele jeito, quando ela estava, finalmente, namorando George. Lydia logo lhe respondeu que ela só estava paquerando, que não havia mal algum em olhar. E concluiu afirmando que George não estava ali para vê, terminando com aquela conhecida frase: “o que os olhos não vêem o coração não sente!”, com um jeito atrevido. Recebendo a total desaprovação de Jane.
Aproveitando o tópico da conversa, Elizabeth introduziu uma pequena inquisição da vida amorosa de Charlotte.
--Então, como estão as coisas entre você e David Fitzgerald? - Foi a primeira pergunta que fez a amiga, recebendo a atenção, não só de Charlotte, mas de todas as outras.
--Você sabe... Indo. - Charlotte respondeu, tentando se desfazer do assunto.
--Como? - Mas Elizabeth insistiu.
--Como sempre. - Charlotte respondeu, ainda relutante. Mas, olhando para Elizabeth, notou que ela esperava por mais detalhes e acabou concedendo; afinal, são amigas. - Ele... - Charlotte respirou fundo. - Ele não quer namorar sério. Diz que é muito novo para isso. - Jane não pode conter uma leve expressão de surpresa, enquanto Elizabeth, Lydia e Catherine fizeram caretas. Todas as três consideraram que aquela explicação soava mais como uma desculpa esfarrapada. - Então a gente fica. - Charlotte continuou. - Ele me liga de vez em quando, nós vamos ao cinema ou à pizzaria... Nós nos encontramos no Basement e, quando sentimos vontade, ficamos...
--Você quer dizer: quando ele sente vontade! - Lydia replicou, demonstrando a sua revolta.
--Lydia! - Jane chamou a sua atenção. Sabia que Charlotte não queria ouvir isso, mesmo que fosse verdade.
--O que?! - Lydia respondeu.
--Nós não estamos aqui para julgar! - Jane respondeu, o que calou Lydia.
--Mas estamos aqui para ajudar. - Elizabeth se intrometeu. - Você está satisfeita com isso? - Inquiriu a Charlotte.
--Estou. - Charlotte respondeu, mas viu no rosto da amiga um olhar de descrença. - Lizzie,... eu estou sendo sincera. Eu gosto de David, gosto de ficar com ele... Mas não estou apaixonada por ele.
--Charlotte, ... você é tão... contida. - Elizabeth argumentou. Este era um dos motivos porque ela achava que Richard ia ser o par perfeito para Charlotte; ele, certamente, traria um pouco mais de emoção à vida da amiga.
--Bem, eu não sou você, Lizzie. - Charlotte respondeu, na defensiva. - Impulsiva, apaixonada...
--Você pode não ser impulsiva, mas é apaixonada sim! - Elizabeth respondeu, com emoção, e viu a amiga balançar a cabeça, negativamente. - É sim! Apenas leia os seus livros! - Então, as outras meninas começaram a concordar com Elizabeth.
--Mesmo que seja verdade... - Charlotte concedeu. - Para que eu ia querer me apaixonar? - Charlotte questionou.
--E por que não? - Lydia inquiriu-a, surpresa.
--Sentir como se estivesse numa montanha-russa... Os altos e baixos, as reviravoltas, ansiedade, incertezas... - Charlotte começou a argumentar. - Eu não quero isso.
--É claro que quer. - Jane garantiu. - É maravilhoso!
--Não é não! - Charlotte continuou, mais emocionada. - Olhe para Lizzie! - Elizabeth fitou a amiga, sem entender o que ela queria dizer ao usá-la como referência. - Você é tão entregue em tudo o que você faz! - Charlotte estava olhando-a nos olhos, enquanto Elizabeth sustentava o seu olhar, apreensiva. “Por que eu acho que não vou gostar do que vou ouvir?!”, Elizabeth se questionava. - Você deu o seu coração tão inteiramente e olha só o que recebeu em troca! - Elizabeth desviou o olhar da amiga, sentindo um nó surgir instantaneamente em sua garganta. Mas sorriu e disse, com a voz falhando.
--Quem disse que eu dei o meu coração? - Voltando a olhar para Charlotte. E ela viu surgir lágrimas nos olhos de Elizabeth.
--Lizzie... - Charlotte desejou poder retirar tudo o que havia dito.
--Mesmo que... - Mas Elizabeth a interrompeu. - você esteja certa... Não significa que o mesmo vá acontecer com você. - Ela argumentou, segurando o choro. - Olhe para Jane e Lydia... - Ela indicou a irmã, quem a estava olhando com um ar de consolo, e Lydia, que a fitava com pena. - Elas estão aqui para provar que, às vezes, as coisas dão muito certo.
--Exatamente! - Catherine exclamou, com emoção. Tentando desviar as atenções de Elizabeth para ela, em socorro à amiga. - E elas dão mesmo! - E a animação dela ao dizer tais coisas fez Elizabeth rir (rir para não chorar), aproveitando a distração das amigas para limpar as suas poucas lágrimas.
--Precisamente. - Elizabeth continuou, recuperando-se rapidamente daquele mal estar. - E a única ansiedade que você vai sentir é de estar com o menino de quem você gosta, quando você souber que vocês vão se encontrar... - E já estava sorrindo novamente.
--E ele vai te dar frio na barriga, só de olhar para você. - Jane juntou-se a ela.
--E vai dizer que gosta de você do jeito que você é! - Lydia completou; o que só fez o sorriso no rosto de Elizabeth aumentar; ela sabia que ambas estavam falando por experiência própria.
--Você só precisa achar a pessoas certa! - Catherine argumentou.
--Talvez você já tenha achado, só que não descobriu ainda. - Elizabeth completou, pensando em Richard.
--O que é tudo isso? Uma emboscada? - Charlotte perguntou, fingindo estar assustada. - Vocês planejaram isso? - Ao que as meninas apenas riram.














