Citações

Metade do mundo não consegue compreender os prazeres da outra metade.(Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XXI

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo 21

 

Durante aquela tarde, Charles apareceu a casa de Will para tentar conversar melhor com o amigo. Mas Will foi bastante claro ao lhe dizer que não queria conversar sobre Elizabeth e Richard. Que se esta era a única razão de Charles para estar ali naquele momento, que podia ir embora. Charles, é claro, não acatou a sugestão do amigo e decidiu permanecer em sua casa.

            Eles dois ficaram jogando vídeo game por duas horas sem conversar sobre nada, até que Will inquiriu-lhe sobre Jane.

--Ahh... Nós estamos bem. - Charles respondeu, tranqüilo. - Eu liguei para ela antes de vir para cá e está tudo bem entre a gente. - Garantiu ao amigo. - Ela só queria cuidar de... Lizzie... hoje. - O fim da explicação fez Will voltar a sua atenção ao jogo e mais uma vez os dois caíram em um silêncio total.

            Então a porta da sala de jogos foi aberta e Richard marchou até os dois meninos, com um olhar muito decidido.

--Nós vamos resolver isso hoje. - Ele disse ao primo, quem deu pause em seu controle remoto do video game e recostou-se ao sofá em que ele e Charles estavam sentados, lado a lado. - Eu não estou interessado em Lizzie e nem ela está interessada em mim! - Garantiu ao primo, o fitando nos olhos. - Agora, pare de ser idiota e vá procurar a menina! Desculpe-se pelo tremendo absurdo que você disse ontem à saida do colégio! - Will permaneceu imóvel, sustentando o olhar de Richard. Charles estava inquieto ao seu lado. - Qual é o seu problema? Como é que você pode pensar que eu faria uma coisa dessas com você?! - Will continuou calado, fitando Richard, quem estava de pé a sua frente, gesticulando de forma agitada e ficando cada vez mais irritado com a atitude fria de seu primo. - Nós somos primos e, mais, amigos! Eu nunca faria isso com você! EU NÃO SOU UM TRAIDOR!

--Se é esta a sua única preocupação... - Will começou a dizer, com tranqüilidade, embora estivesse a ponto de explodir. - Não se preocupe mais! Eu já disse que não a quero mais! VOCÊ PODE FICAR COM ELA! - Vindo a ficar mais agressivo ao final.

--Você está ouvindo a bobagem que está dizendo?! - Richard gritou, em resposta, segurando com bastante força os próprios cabelos, a ponto de arrancá-los de tanta raiva que estava sentindo. - Você não está falando sério! Você gosta dela!

--Não! Não gosto! - Will replicou, pondo-se de pé e ficando a centímetros de distância do primo. Os dois se fitando, prontos para um combate. Charles logo se ergueu também, pronto para intervir, caso eles entrassem em atrito físico.

--Gosta sim! - Richard gritou de volta, dando um passo na direção de Will. Charles pôs uma mão no peito de Will e a outra na de Richard, empurrando cada um para um lado, quando Will deu um passo na direção do primo também. - Você está apaixonado por ela! ADMITA!

--Ah é?! Você sabe disso melhor do que eu, certo?! - Will replicou, com sarcasmo, com um sorriso enviesado nos lábios. Charles continuava a empurrar cada um para um lado toda vez que eles teimavam em tentar se aproximar.

--Se você não está apaixonado por Lizzie, prove! - Richard continuou a gritar.

--Eu não tenho que te provar nada! - Will rebateu, aos gritos.

--Porque você não pode! - Richard argumentou. - Porque você gosta dela!

--GOSTO COISA NENHUMA!- Will continuou a negar, gritando aos plenos pulmões. - Mas se você quer que eu prove, eu provo!

--Prova?! - Richard questionou, descrente. - Está certo, então! Saia com outra garota! - Completou, desafiadoramente.

--Como é?! - Charles exclamou. “O que, diabos, Richard pensa que está fazendo?”

--Eu te desafio a convidar uma menina de lá da escola a sair com você! - Richard repetiu, ainda aos berros.

--Não!!--Charles gritou, em resposta, empurrando apenas Richard para longe.

--Eu convido! - Will respondeu, assumindo o jeito desafiador do primo ao falar com ele.

--Não!! - Charles voltou a gritar, voltando-se de frente para Will. - Você não pode! Lizzie vai achar que... - Mas Charles não conseguiu completar a frase, porque Will gritou.

--Eu estou pouco me importando com o que Lizzie vai achar! - Calando Charles. - Amanhã mesmo eu convido uma menina para sair! - Disse a Richard, caminhando em direção a porta da sala e saindo.

--Quero só ver! - Richard respondeu, para a figura de Will em retirada, usando de um tom de voz que demonstrava a sua descrença em suas palavras. 

________________________________

            Elizabeth e Jane chegaram a escola mais cedo àquela tarde e aguardaram a sra. Delacour sair de sua sala de aula, antes de entrarem e se encontrarem com Georgiana. Mesmo Georgiana sendo a irmã de Will, e isso estar gravado à ácido na mente de Elizabeth, ela não podia evitar de se sentir bem em estar com a menina. O seu dia mudou completamente só em vê-la e falar com ela.

            As três divertiram-se ouvindo Georgiana tocar “Time” para elas e depois ficaram brincando de tocar músicas infantis, uma para a outra, rindo das escolhas de cada uma. Jane só conhecia duas músicas bem simples, quais Elizabeth havia ensinado a ela no piano que tinham em casa. Então, ouvia mais que tocava.

            Depois seguiram para a sala em que teriam aula de dança, satisfeitas de terem perdido o final da aula de Caroline e, conseqüentemente, não a terem encontrado. Georgiana foi bem recebida pelas outras meninas, muito mais bem recebida que da primeira vez, e logo se sentiu a vontade em dançar na presença de tantas pessoas mais velhas.

            Ao fim da aula, as meninas recolheram os seus pertences e foram embora. Elizabeth e Jane permaneceram na companhia de Georgiana à frente da escola por mais dez minutos, aguardando a sra. Darcy. Já que, elas foram informadas, seria ela quem viria buscar a menina e não o seu irmão (ao que Elizabeth agradeceu aos céus, mentalmente; não queria vê-lo, muito menos falar com ele).

            A sra. Darcy chegou antes mesmo que as meninas notassem (porque mantinham uma conversa agradável e não sentiram o tempo passar) e desceu do carro para conhecê-las.

--Então, você é a famosa Elizabeth! – Ela comentou, sorridente.

--Famosa? - Elizabeth questionou, insegura. Afinal, ela também era mãe de Will.

--Georgiana não fala em mais ninguém, desde que te conheceu! - O comentário foi o suficiente para tranqüilizar Elizabeth e fazê-la sorrir. - Eu nunca vi a minha filha se afeiçoar a uma pessoa tão rapidamente, antes.

--Bem, é mútuo. - Elizabeth garantiu, ao que Georgiana riu satisfeita. - Eu adoro a sua filha!

--Maravilhoso! ... Eu ouvi que você conheceu o meu filho também. - Ao dizer isso, a sra. Darcy percebeu que Elizabeth empalideceu rapidamente. Ela parou de sorrir e em seu olhar surgiu aquele mesmo gelo que notara no olhar de seu filho.

--Sim. - Elizabeth respondeu, calmamente. - Eu o conheço. - A sra. Darcy soube imediatamente que havia acontecido algo entre os dois. E que não parecia ser coisa boa. - E conheço Richard, Charles e George também. - Elizabeth completou, tentando recuperar o seu ar maroto.

--Sim. E eu fiquei sabendo que você... - A sra. Darcy disse, dirigindo-se a Jane. - é a namorada de Charles.  - Deixando Jane tão vermelha quanto um tomate. - Ele é um rapaz adorável!

--Eu não poderia discordar! - Elizabeth replicou, rindo da irmã.

--Will e Charles são como irmãos! - A sra. Darcy comentou e Elizabeth voltou a perder a animação só de ouvir o seu nome. - Bom... - E a sra. Darcy notou. - está na hora de irmos. - Disse a Georgiana. - Vocês precisam de carona até em casa? - Ela questionou as meninas e, antes que elas pudessem responder, Georgiana exclamou.

--Sim! Venham com a gente! - Agarrando a mão de Elizabeth e a arrastando ao carro de sua mãe, uma BMW do novo modelo.

--Por que eu não estou surpresa? - Elizabeth comentou, voltando a sorrir. - Um alemão!

--Como? - A sra. Darcy inquiriu, não entendendo o seu comentário.

--Oh, não é nada. - Elizabeth respondeu, ainda sorrindo. - É só uma pegadinha que eu fiz com Wi... - E deixou a frase morrer. “Porque eu tinha que mencionar isso?!”

            A sra. Darcy, mais uma vez, notou o seu constrangimento. Mas não fez comentário algum. Todas elas entraram no carro e a sra. Darcy as levou até a casa das irmãs Abbott. As meninas convidaram mãe e filha para entrar, mas, mesmo sobre protestos de Georgiana, a sra. Darcy declinou o convite. Respondeu-lhes que ainda tinha muito o que fazer no fim daquela tarde e precisava deixar Georgiana em casa, antes de voltar a sua clínica. 

            As meninas entenderam, agradeceram a carona e se despediram, entrando em casa. E só, então, a sra. Darcy e Georgiana foram embora. 

___________________________________

            Charles e Richard saíram da casa de Will e andaram pela rua por uns cinco minutos, em direção a casa de Richard. Então, Charles parou de andar e fez Richard seguir o seu exemplo, ao exclamar.

--O que você pensa que está fazendo? - Extremamente irritado. - Que história é essa de desafiar Will a sair com outra garota?! ...E você ainda quer que eu acredite que você não está interessado em Lizzie?!

--Eu não estou! – Richard replicou, também irritado. - E pode se acalmar! Will não vai convidar ninguém para sair! ...Ele não é tão estúpido a ponto de fazer uma coisa dessas! - E seguiu o seu caminho, indo para casa.

            Charles voltou a se ver abandonado por seu amigo, então voltou o caminho que tomara e seguiu para a sua casa. Ainda insatisfeito com a explicação de Richard e certo de que tudo só ia piorar dali em diante.

______________________________

            A sra. Darcy pretendia deixar Georgiana em casa e retornar a sua clínica, mas, ao entrar em casa rapidamente, ouviu o relato de sua governanta que Will havia discutido com o seu primo e com o seu amigo Charles durante aquela tarde. Então, a sra. Darcy decidiu demorar-se em casa mais um pouco e averiguar o que tinha acontecido com Will e os outros meninos.

            Foi procurar o seu filho em seu quarto, encontrando-o deitado na cama, fitando o teto de seu quarto, no mais completo silêncio. A televisão não estava ligada, o rádio não estava ligado, muito menos o seu computador. O que era estranho; Will nunca foi de ficar largado em sua cama, numa espécie de transe.

            Foi preciso a sra. Darcy chamar por ele para que ele notasse a sua presença, já dentro de seu quarto e à porta fechada.

--Mirian contou-me que você discutiu com Richard e Charles hoje a tarde. - A sra. Darcy comentou, observando o seu filho atentamente.

--Não foi nada. - Will respondeu, ainda deitado na cama, apenas com o rosto virado em sua direção.

            A sra. Darcy permaneceu o fitando, como se o avaliasse. Will sustentou o seu olhar. Então ela mudou de idéia.

--Bem, eu já fui buscar a sua irmã e só vim aqui deixá-la... - Will notou que ela decidira mudar de assunto intencionalmente, notando que ele não viria a lhe dizer o que realmente estava acontecendo. - E enquanto a estava à sua escola, acabei por conhecer a famosa Elizabeth de que Georgiana tanto fala. - Will desviou o olhar de sua mãe ao ouvi-la pronunciar o nome de Elizabeth e voltou a direcioná-lo ao teto do quarto. - E devo admitir, é uma menina maravilhosa! - Will se sentou a cama e depois se levantou, dando as costas a mãe e se encaminhando até a estante em que ficava o seu aparelho de som. - Muito inteligente, divertida, bonita... - A sra. Darcy continuou, mas sem deixar de notar a reação do filho àquele tópico da conversa.

            Will logo ligou o aparelho de som e começou a mexer em seus CDs, como se estivesse procurando um bom CD para escutar naquele momento. Apenas para se manter ocupado.

--Eu gostei muito dela! - A sra. Darcy comentou, o observando mais atentamente.

            Will começou a resmungar, mentalmente, enquanto ainda remexia nos CDs, deixando de prestar atenção no que sua mãe estava comentando. “Ótimo! Todos nesta casa gostam de Lizzie! Maravilha!!! ...Exceto meu pai, porque ainda não a conhece. Mas, tenho certeza, assim que a conhecer, também irá adorar Lizzie! E, então, serão todos! ...Espere aí, todos não! Eu não gosto dela! EU NÃO GOSTO DELA!”. E, num assomo de raiva, recolocou os CDs de volta na prateleira, sem reorganizá-los. “EU NÃO GOSTO DELA!”

            A sra. Darcy ficou em silêncio durante os minutos seguinte, o observando ali parado, de costas para ela, depois de ter colocado os CDs que tinha em mãos de volta na prateleira, de forma violenta, como se os CDs o tivessem picado. Então disse:

--Houve uma coisa que ela disse que eu não entendi... Logo depois de ela ver o meu carro... - Will continuava de costas para ela, mas ela percebeu que ele estava prestando atenção ao que ela estava dizendo naquele momento. - ela fez um comentário estranho sobre alemães. - Will voltou-se para olhar a mãe ao ouvi-la dizer isso e a sra. Darcy percebeu que ele sabia do que ela estava falando. - Ela tentou explicar... Aparentemente, está relacionado com alguma piada, eu não sei direito. - A sra. Darcy concluiu e Will voltou a lhe dar as costas. - E conheci a irmã dela, Jane. - A sra. Darcy percebeu que era o momento de mudar de assunto. - A namorada de Charles, não é?

--Sim. - Will respondeu, simplesmente, sem querer render muito aquela conversa. E logo voltou a remexer em seus CDs, fingindo estar ocupado com alguma coisa.

--Bem, eu preciso ir agora... - A sra. Darcy disse, caminhando em direção a porta do quarto, para o alívio de Will. Ela estava satisfeita com o que vira, o comportamento de seu filho só confirmavam suas suspeitas.

            Will voltou a desligar o aparelho de som quando sua mãe fechou a porta de seu quarto e caminhou de volta para a cama, jogando-se sobre ela desleixadamente. “EU NÃO GOSTO DELA!”, ele repetiu para si mesmo, tentando se convencer. “Eu vou provar para todo mundo que não gosto dela!”, ele se prometia, incluindo-se entre as pessoas a quem iria provar que não gostava dela ao usar a expressão “todo mundo”.

            Então, no dia seguinte, foi a escola decidido a agir sobre o desafio que Richard lhe fez. Convidaria uma garota para sair com ele naquele fim de semana e esqueceria de Elizabeth por completo, tinha certeza! Só precisava descobrir quem convidar para sair; porque, ao olhar ao seu redor durante o intervalo, não conseguia se imaginar saindo com ninguém. “Ninguém além de Elizabeth!”, a frase surgiu em sua mente como num letreiro em luzes de neon; Will afastou esse pensamento rapidamente, como quem espanta uma mosca enjoada que fica buzinando em seu ouvido.

            À volta a sua sala de aula, andando pelo corredor, permaneceu a observar cada uma das garotas que cruzavam o seu caminho, perguntando-se se sairiam com uma ou outra, sempre chegando a mesma afirmação: nem mesmo por cinco segundos!  Até o momento em que Elizabeth passou em sua frente, seguindo para a sua sala de aula, e Will se viu obrigado a fechar os olhos, sentindo-se como se houvesse acabado de levar um choque, e virar o rosto em outra direção, para que conseguisse resistir à vontade que sentia de segui-la por todo o corredor com o olhar.

            Richard riu, sarcasticamente, ao ver o jeito do primo quando Elizabeth passou ao seu lado. Achava a atitude do primo incrivelmente irritante, ele estava agindo como um perfeito idiota. Mas não sabia como fazê-lo ver isso. E a raiva que sentia fazia com que ele só piorasse a situação, como havia feito na tarde anterior com aquele estúpido desafio; sim, já estava profundamente arrependido de ter desafiado o primo e rezada secretamente para que o que disse a Charles se concretizasse, e Will não fosse tão burro a ponto de agir sobre aquele desafio.

            Para o desespero de Richard, naquele mesmo instante, Will desistiu de ficar escolhendo uma menina para sair com ele e decidiu convidar a primeira menina que cruzasse o seu caminho. Informou aos seus amigos o que ia fazer assim que viu uma ruiva baixinha do segundo ano, chamada Luiza Bright, cruzar o seu caminho e ir beber água ao bebedouro. Conseguindo paralisar Charles no meio do corredor, George começou a rir, bastante surpreso, e Richard ficou branco, feito um papel.

            Will caminhou até a menina e quando ergueu a mão, para segurar a menina pelo braço e fazê-la virar-se de frente para ele, sentiu alguém segurá-lo pelo braço e arrastá-lo pelo corredor, indo à direção contraria a que ele queria. Will tentou se desvencilhar da mão de Richard, mas Charles correu a ajudar Richard a levar Will embora dali. George, retardatário, tentou alcançar os meninos, mas ainda estava tendo um ataque de riso.

            Os meninos levaram Will até o banheiro e o prenderam lá dentro. Quando George entrou no banheiro, Richard travou a porta de entrada, depois de ter certificado que todos os cubículos estavam vazios e eles estavam sozinhos no banheiro, voltando para perto do primo.

--Eu estou retirando o desafio que lhe fiz ontem! - Richard disse, decididamente. Charles concordou com a cabeça, veemente.

--Você não pode fazer isso! - Will protestou.

--Claro que posso! - Richard garantiu.

--Não. Não pode! - Will persistiu.

--Posso sim! - Richard replicou, sentindo-se idiota; voltariam a discutir da mesma forma que o dia anterior, em que um afirmava uma coisa e o outro corria a contradizê-la? - Eu fiz o desafio, posso retirá-lo, se quiser! - Richard afirmou, irritado. - E eu estou retirando o desafio.

--Isso! - Charles continuou a concordar.

--Não me importa! - Will respondeu. - Eu vou convidar aquela menina para sair e fim de história! - Will tentou passar pelo primo e sair do banheiro, vindo a ser segurando por Richard, Charles e George, quem, finalmente, tinha parado de rir. - Me larguem! -Will debateu-se, soltando-se dos meninos e dando uns passos para trás, mantendo-se longe deles.

--Will, Richard retirou o desafio, você não precisa mais convidar ninguém para sair com você! - Charles argumentou, agitado.

--Não me interessa! - Will respondeu. - Eu vou convidar aquela menina para sair e ponto final!

--Tudo bem, você quer continuar com o desafio... Pra mim tudo bem! - Richard disse, sem paciência. Mas com a cabeça a mil, tentando descobrir uma maneira de reverter à situação. - Mas eu estou mudando o desafio! - Ele afirmou, mais decidido desta vez.

--Como é?! - Charles perguntou, bobo. “O que é que ele vai inventar desta vez?!”

--Eu vou mudar o desafio. - Richard repetiu. Em sua mente, ele sabia que Will estava decidido e não voltaria a atrás. A única solução era inventar um desafio mais difícil para ele, um que Will não fosse capaz de realizar e que , por isso, sequer tentaria. - Um desafio, como os dos velhos tempos, deve ser muito mais difícil que simplesmente convidar uma garota para sair uma vez. - Charles começou a ficar enfezado com Richard de novo, não estava gostando do que estava ouvindo. Enquanto Will e George o ouviam atentamente. - É isso! - Richard continuou, formulando um desafio impossível em mente. - Eu te desafio a convidar cinco garotas para sair com você durante um mês inteiro!

--Como é que é?! - Os outros três garotos exclamaram, assombrados.

--É isso aí!- Richard repetiu. - Você vai ter que convencer cinco garotas deste colégio a sair com você durante um mês inteiro!

--Isso é impossível! - George comentou. - Quem é a garota que vai se prestar a este papel de sair com um cara por tanto tempo, quando ele está saindo com outra? ...E da mesma escola! - Richard sorriu ao ouvir isso, porque era esta a idéia.

--Por isso que se chama de desafio! Se fosse fácil, não seria um desafio! - Charles ficou calado, ainda olhando Richard atravessado, mas começando a compreendê-lo.

            Will também ficou calado por um tempo, pensando no novo desafio que o seu primo lhe propôs. George estava certo, nenhuma menina ia se prestar a este papel. Além do que, sair uma vez com uma menina por quem não tinha interesse é uma coisa, mas sair com cinco meninas diferentes, pelas quais ele não tinha interesse algum, durante um mês inteiro era outra totalmente diferente. Sem falar que ele teve uma dificuldade enorme em decidir que menina convidar para sair, quanto mais cinco. “E Elizabeth... Ela nunca mais vai olhar na minha cara se eu começar a sair com cinco meninas de uma vez!”, ele pensou, alarmado. “Pare com isso! Você está fazendo justamente isso para parar de pensar nela!”, ele se reprovou.

            Quando olhou para o primo, viu em seu rosto um sorriso de satisfação. Tinha certeza que o primo sabia exatamente o que estava passando em sua cabeça, então ficou ainda mais enraivecido. O que o levou a dizer.

--Desafio aceito! - Surpreendendo a todos e apagando o sorriso do rosto de Richard. - Mas... você vai escolher as meninas... - Disse a Richard. - porque para mim não faz a mínima diferença! - E, aproveitando o estado de transtorno dos amigos com a noticia, passou por eles e saiu do banheiro.

--Viu o que você fez! - Charles gritou para Richard, espumando de raiva. - Você e as suas idéias brilhantes! - Saindo do banheiro atrás de Will.

________________________________

            Elizabeth voltou para casa àquela quinta-feira chateada com Jane. Não queria mais que a sua irmã ficasse às voltas com ela o dia inteiro, enquanto negligenciava Charles. Elizabeth não queria uma babá, estava bem. E não queria que Jane se afastasse de Charles por causa dela e de Will. A história deles dois não tinha nada a ver com ela e Charles.

            E o seu mau humor só veio a piorar quando se encontrou com a sra. Abbott, quem havia descoberto, àquela manhã ao conselho de sua comunidade, os acontecimentos de terça e quarta-feira, através da sra. Collins. Quem havia feito questão de aparecer ao conselho àquela manhã para conversar com a sra. Abbott sobre a forma que a filha caçula dela trava o seu filho.

            Mas, para a surpresa das duas irmãs Abbott, quem esperavam que a sra. Abbott reprovasse a atitude de Elizabeth para com Bill assim que soubesse dos acontecimentos, a sra. Abbott parecia extremamente satisfeita com a novidade que ouvira. Chegando a congratular a filha pela sua presença de espírito.

--Agora, eu sempre soube que você não me decepcionaria, que era apenas uma questão de tempo para você tomar juízo! - Ela comentava, alegremente, enchendo o prato da filha de comida. - Três meninos! ...Ahh, que formidável! - E voltou-se para encher o prato de Jane de comida, deixando de ver a troca de olhares exasperados das filhas. - E dois sendo primos! - A sra. Abbott começou a gargalhar. - Ai, ai, ai!! Você está me saindo melhor que a encomenda! - Ela brindou Elizabeth com um olhar de orgulho e ocupou-se de encher o seu prato de comida.

            E assim decorreu todo o almoço, até as suas filhas cansarem de fingir que não a estavam ouvindo e foram para os seus respectivos quartos, usando a desculpa de que tinham muitos deveres escolares para fazer. A sra. Abbott não se incomodou, ficou à cozinha sozinha, lavando os pratos, e felicitando a si mesma pelas filhas maravilhosas que tinha. Sem pensar, uma vez sequer, no fator Bill Collins e a discussão que Elizabeth tivera com ele.

 

 

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49605)
United States flag 6%United States (4824)
Portugal flag 5%Portugal (3763)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1438)
Ukraine flag <1%Ukraine (473)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (318)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)