Citações

A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo XX

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Capítulo 20

 

George abandonou Lydia na companhia de Catherine e fez o mesmo caminho que Elizabeth fizera pelo estacionamento dos carros, vendo o momento em que Charles e Richard saíram do caminho do carro de Will e este arrancou com o carro, cantando pneu. George correu para perto dos amigos, questionando-os.

--O que aconteceu? - Já não tinha dúvidas que algo muito ruim havia acontecido e, deduzia, que a forma com que o amigo arrancara com o carro do estacionamento estava relacionado com a forma com que Elizabeth anunciara que estava indo embora.

--Será que você pode me dizer de onde Will tirou a idéia de que você quer Lizzie? - Charles interrogou Richard, soando irritado; enquanto Richard ainda aparentava estar atordoado com tudo o que tinha acontecido.

--Como é que eu vou saber? - Richard replicou, retribuindo o olhar raivoso de Charles com um próprio, estranhando o amigo.

--Você deve ter feito alguma coisa para fazê-lo pensar que... - Charles começou a argumentar, mas Richard logo o respondeu.

--Eu não fiz nada para que ele ficasse pensando que eu quero Elizabeth para mim! - Ficando irritado com as insinuações de Charles a seu respeito.

--Você, por acaso, não contou a ele que já convidou Lizzie para sair com você, contou? - George inquiriu, meio incerto. “Isso explicaria a situação”, ele imaginava.

--Claro que não! - Richard apressou-se em responder, ainda indignado. - Para que eu faria isso? - Ao que George não soube o que responder.

--Espere aí, você convidou Lizzie para sair com você? - Charles parecia espantado com aquela revelação.

--Há muito tempo. - Richard tratou de explicar. - Foi logo após eu ser trasferido para Austen House... - Argumentou. - Eu a mal conhecia na época... - Como se isso, por si só, fosse o bastante. - E ela nem quis sair comigo! - Concluiu, exaltado.

--É! - George começou a sorrir. - Eu ainda me lembro como ela te deu o fora! - Ele comentou, continuando a sorrir ao relembrar, o que para ele era uma doce memória. - “Desculpe-me, Richard, mas você não faz o meu tipo!”

--Obrigado por me lembrar disso! - Richard reclamou, com desgosto.

--Ahh... É... Ela achava que ele não passava de um novato que estava louco para ficar com todas as meninas bonitas do colégio. - George continuou, sem se incomodar com o jeito do amigo. - Mas, também, era o que você era... na época!

--Isso não vem ao caso, agora! - Richard exclamou, ainda mais irritado. - O que importa é que Will não sabe disso e eu não fiz nada para que ele pensasse que eu quero Lizzie para mim!

--E você não quer? - Charles inquiriu, de forma acusadora.

--Charles! - Richard exclamou, espantado com a insinuação do amigo.

--O que?! Não seria a primeira vez! - Charles argumentou, ainda suspeitando de Richard.

--Não seria a primeira vez?! - Richard questionou, ainda espantado com a audácia de Charles em acusá-lo daquela forma. - Quando foi que você me viu dar em cima de uma menina por quem o meu primo estava apaixonado?

--Você e Will viviam disputando as garotas em Scott Johnson's High! - Charles respondeu.

--Disputávamos as garotas que nenhum de nós estava realmente interessado! - Richard rebateu. - Nunca, nem uma vez sequer, eu dei em cima de uma menina por quem Will estivesse apaixonado! - Richard continuou, espumando de raiva. - Então, pare de me acusar de traidor! - Todos ficaram em silêncio por um longo minuto, acalmando os nervosos. - Além do mais, eu nunca faria isso com Lizzie! - Richard voltou a exclamar, desistindo de se acalmar. - Eu nunca entraria num tipo de jogo com o meu primo, para vê quem  é o melhor e quem fica com a garota, usando Lizzie como uma espécie de prêmio! - Ele persisitiu, ainda com o tom de voz exaltado; sem se incomodar se eles já estavam chamando mais atenção do que desejavam. - Ela é minha amiga!

--Tudo bem! - Charles se rendeu àquela enxurrada de argumentos que ele não podia contradizer. - Esquece o que eu disse! - E os três finalmente começaram a perceber que vários outros colegas estavam parados a alguns passos de distância deles, escutando a discussão. - É melhor a gente conversar sobre isso em outro lugar. - Charles disse, olhando as pessoas as seu redor.

--Eu vou para casa. - Richard, no entanto, tinha dado a história por encerrada. Deu as costas para os amigos e seguiu em direção ao seu carro.

--É, eu também. - George concordou, tomando a mesma atitude que Richard. Charles não teve outra escolha, a não ser fazer o mesmo.

___________________________________________

            Assim que entrou em casa, Elizabeth ouviu a voz de sua mãe ressonar da cozinha. Jane entrou logo em seguida, fechando a porta de casa. Então, a sra. Abbott surgiu a porta que ligava a sala a cozinha, sorridente e excitada.

--Meninas, não fazem idéia do que ouvi hoje na sede do conselho! - A sra. Abbott exclamou, enxugando as mãos em um pano de prato. - A sra. Bright...

--Eu não quero saber, mamãe! - Elizabeth a interrompeu, à medida que atravessava o foyer de entrada de casa e seguia em direção a escada, escalando-a rapidamente.

--O que aconteceu com ela? - A sra. Abbott inquiriu a Jane, quando ouviu a porta do quarto de Elizabeth ser batida com bastante força.

--Nada. - Jane respondeu, sem muito jeito. Também indo em direção a escada. - Ela está com... dor de cabeça... - Completou, quando estava começando a subir alguns degraus. - Só isso!

--Sabe de uma coisa, Jane? - A sra. Abbott disse, pacientemente. - Você nunca soube mentir! - Fazendo Jane estancar no meio da escada e dirigir um olhar misericordioso a mãe. - O que foi que aconteceu com a sua irmã?

--Eu não sei... - Jane respondeu, sinceramente. - ainda. -Completou. - Posso subir e... tentar descobrir alguma coisa? - Pediu a mãe, com o seu jeito meigo.

--Vá em frente. - A sra. Abbott concedeu, voltando para a cozinha para terminar de aprontar o almoço.

            Enquanto isso, Elizabeth já havia entrado no quarto, atravessado-o a passos pesados, indo em direção a cama, retirando a alça de sua mochila do ombro e a atirando ao chão pelo caminho, e se atirando a cama. Agarrou uma almofada em formato de coração que ficava sobre a sua cama, a mordeu com bastante violência, fazendo minúsculos buracos nela, e gritou, usando a almofada para abafar o seu grito.

            “Aquele... estúpido, idiota, canalha... Como ele ousa? Como ele ousa?! ...Me oferecendo ao primo como se eu fosse um simples objeto descartável que ele usou e não quer mais!!!! Ahh... Mas ele me paga! ELE ME PAGA!! ELE ME PAGA!!!” Ela estava gritando por dentro de tanta raiva que estava sentindo. E, precisando descarregar sua raiva em alguma coisa, tirou a almofada da boca e começou a socá-la, usando  toda a sua força e energia nesta atividade. Vindo a rasgá-la, fazendo com que as espumas começassem a se espalhar sobre a sua cama a cada novo soco que proferia contra a almofada rasgada.

            Em um assomo ainda maior de raiva, ao ver o que tinha feito com a almofada, a atirou do outro lado do quarto, fazendo com que vários pedacinhos de espuma caíssem pelo chão de seu quarto na trajetória de vôo da almofada, de sua cama até a porta. A atingindo, justamente, quando Jane ia entrar em seu quarto.

--Lizzie! - Jane exclamou, antes de fechar a porta, segundos antes de a porta ser atingida pela almofada. Elizabeth, pelo susto que tomara ao ver que quase atingira Jane, caiu da cama, num baque surdo, e ficou sentada ao chão, ao lado da sua cama. - Oh, Lizzie! - Jane voltou a abrir a porta do quarto, entrou e fechou a porta, vendo a almofada ao chão perto da porta, as espumas espalhadas pelo chão do quarto e a irmã sentada ao chão, ainda lívida de raiva.

--Jane, eu me odeio! - Elizabeth exclamou, enfurecida.

--Não diga isso! - Jane ficou assustada ao vê-la daquele jeito.

--Eu fui tão cega!

--O que aconteceu? - Jane se aproximou da irmã, ajoelhando-se no chão à sua frente.

--Ele me ofereceu a Richard... como se eu fosse um objeto descartável... - Elizabeth explicou, voltando-se para sua cama e pegando o seu travesseiro; segurando-o com todas as suas forças e o contorcendo. - Como uma coisa que ele usou e não quer mais!

--O que?! - Jane não conseguia entendê-la. - Como?! Quem?!

--WILL!!!!!! - Elizabeth gritou a resposta. - Ele disse a Richard: “se você quer Lizzie... fique com ela! Eu não a quero mais!” - Elizabeth o imitou, no modo de falar e tom de voz, deixando Jane boquiaberta.

--Ele não disse isso! - Jane não conseguia acreditar. - Por que ele diria isso?! - O que fez Elizabeth apertar o travesseiro contra o rosto e gritar novamente.

--Ahh!!!!!!!! - Jane correu a tirar o travesseiro da sua mão.

--Acalme-se, querida! - E tentou consolar a irmã.

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            Will entrou em casa sendo seguido por uma Georgiana assustada. Ele tinha dirigido feito louco até entrar na rua em que moravam, fazendo-a se segurar em seu banco e rezar para chegar em casa inteira. Will caminhou decidido em direção ao seu próprio quarto, ainda seguido de perto por sua irmã, quem estava indo para o seu próprio quarto (uma porta após a de Will). Ele, então, virou-se para ela, fazendo-a parar de andar e erguer o olhar para ele, sem esconder que estava com medo dele, e lhe disse.

--Amanhã... - Ele começou a dizer, ainda usando de um tom de voz irritado. - Eu não vou te buscar na escola... amanhã de tarde! - Concluiu, tentando continuar o seu caminho.

--Mas, Will,... - Georgiana o impediu de entrar em seu quarto, fazendo-o voltar-se para fitá-la novamente. - Você prometeu! - Ela reclamou, chateada.

--Esqueça, Georgiana! - Ele garantiu, dando-lhe as costas definitivamente e entrando em seu quarto, batendo a porta em seu rosto.

            Georgiana ficou parada ali, por uns dois minutos, indignada. Mas não ousou abrir a porta do quarto dele e reclamar por ser tratada daquela forma. No entanto, quando sua mãe chegou em casa, contou-lhe o que tinha acontecido. A sra. Darcy prometeu-lhe conversar com Will, o que, por fim, acalmou a menina. Ele estava arruinando os planos dela!

            À mesa do almoço, a sra. Darcy cumpriu a sua promessa e tentou conversar com Will. Estavam ela, Georgiana e Will, somente, reunidos à mesa para almoçar. O sr. Darcy não tinha o costume de almoçar em casa, mas em um restaurante próximo de seu escritório. Raras eram as oportunidades em que ele conseguia vir almoçar em casa, com a sua família. A sra. Darcy, no entanto, por possuir a sua própria clínica de odontologia, conseguia fazer o seu próprio horário e era mais comum que viesse almoçar em casa, com os seus filhos.

--Georgiana me contou que você voltou atrás em sua palavra quanto a ir buscá-la amanhã de tarde no colégio. - Ela comentou com o filho, de forma neutra.

--É verdade. - Will respondeu, de forma controlada, mas sem dirigir o olhar para sua mãe, ficando a fitar o seu prato de comida (ainda intocado).

--Por que? - A sra. Darcy o fitou ao inquiri-lo isto.

--Eu não quero falar a respeito. - Will respondeu, ainda com um tom de voz controlado, mas dirigindo um olhar bastante significativo a sua mãe (como gelo). O qual a sra. Darcy sustentou por um bom tempo, pensativa.

--Está certo. - Disse, voltando-se para olhar Georgiana (quem observava a cena no mais profundo silêncio, quase prendendo a respiração para não fazer mais barulho) e disse-lhe com tranqüilidade.

--Eu vou buscá-la amanhã, filha. - Permitindo que Will voltasse a fitar o próprio prato de comida e fazendo Georgiana abrir a boca, para contestar sua decisão, mas desistir.

            “Se até minha mãe não pode mudar a cabeça dele, como eu vou conseguir?”, ela ponderava, observando o irmão fingir que estava comendo. “Por que ele tem de estragar tudo?!”.

            Quando Will desistiu de fingir que estava comendo e retirou-se da mesa, voltando para o seu quarto, Georgiana voltou a reclamar com a sua mãe.

--Georgiana, eu já disse que eu irei buscá-la amanhã.- A sra. Darcy tentava remediar a situação.

--Mas eu queria que Will fosse! -  Georgiana insistia. - Como eu vou conseguir com que ele namore Lizzie, se ele fica fugindo desse jeito?!

--Georgiana, quantas vezes eu vou ter de lhe dizer que você não pode forçar o seu irmão a fazer alguma coisa que ele não quer?! - A sra. Darcy a reprovou, erguendo-se de seu lugar à mesa ao terminar de almoçar. - Principalmente, namorar alguém de quem ele não gosta!

--Mas ele gosta dela! - Georgiana replicou, inconformada com o fato de sua mãe não querer entendê-la e apoiá-la. - Eu não já disse que ele gosta dela?! Ele não se incomoda quando ela o chama de “sr. Darcy”... E ...E Richard me deu aquele olhar, sabe? AQUELE olhar! - Georgiana argumentava, seguindo a mãe até o seu quarto.

--Sim, você disse. - A sra. Darcy respondeu, sorrindo por ver a filha defender aquela causa com tanto afinco. Nunca tinha visto a sua filha se afeiçoar a uma pessoa tão rapidamente antes. - E, eu confesso, essa menina tem a minha admiração por conseguir tal feito. O seu irmão já me cansou de tanto reclamar por eu ter-lhe dado o nome que dei!

--Ela é perfeita para ele! - Georgiana garantiu, fazendo sua mãe dar uma pequena gargalhada.

--Ela é? - E voltar-se para fitá-la. - Bem, se você estiver certa... Se ela for mesmo perfeita para ele e ele gostar mesmo dela, e vice-versa, eu tenho certeza de que eles ficarão juntos, eventualmente.

--Eventualmente?! - Georgiana exclamou, ainda mais inconformada. - Isso pode demorar meses, anos! - O que fez a sra. Darcy voltar a rir.

--Meu amor, você não pode querer resolver tudo num piscar de olhos! - Ela disse a filha, num tom bastante maternal. - Você não pode mudar a ordem das coisas. Você não pode pressionar o seu irmão a fazer as coisas mais rápido do que ele consegue lidar... Ao invés de juntá-los, você pode vir a separá-los. - Georgiana a escutou em completo silêncio, tomando nota de cada uma de suas palavras. - Eu me lembro muito bem como é ter dez anos e querer colocar a carroça na frente dos bois.

--Hã?! - Georgiana arregalou os olhos ao ouvir o seu último comentário, o que fez a sra. Darcy voltar a gargalhar.

--Meu Deus, eu estou mesmo velha! - Comentou, ainda rindo.

            Georgiana não tentou mais argumentar com sua mãe depois desta conversa. Passou a sua tarde à sala de música, praticando a música que Elizabeth havia lhe dado a partitura. Havia combinado com Elizabeth de ela chegar mais cedo e ouvi-la tocar a música, depois que a sra. Delacour já houvesse ido embora. E, embora não conseguisse descobrir uma forma de reverter a situação com relação a seu irmão e Elizabeth, não havia desistido de juntá-los.

            Will, por sua vez, estava deitado em sua cama, fitando o teto de seu quarto, ouvindo o seu estômago reclamar audivelmente, mas continuando a ignorá-lo. “Eu consegui de novo! Agora ela me odeia, com toda certeza! ... Ahhh, pare com isso!!! Mesmo se você não tivesse feito o que fez, que diferença faria? Ela ainda estaria interessada em Richard e não em você! Idiota! Burro!! ...O melhor que você faz é esquecê-la!”

            E ficou satisfeito em ter conseguido se livrar da obrigação de ter de buscar a sua irmã à escola, na tarde do dia seguinte. Assim evitaria muitos transtornos. Agora só precisava evitá-la na escola durante as manhãs. Era o que precisava fazer!

____________________________________

            A quarta-feira foi recebida por todos com pouca cordialidade. E a manhã, como se espelhasse o humor das pessoas daquele grupo de amigos em geral, amanheceu nublada, ocorrendo vários momentos em que chovia ininterruptamente. Jane e Elizabeth tomaram o seu café da manhã, sob o olhar atento de ambos os seus pais, em completo silêncio e seguiram para a escola da mesma forma. Unidas em tudo, principalmente na dor, prometeram-se fazer companhia a outra o dia inteiro.

            Chegaram a escola e logo foram abordadas por Catherine, Charlotte e Lydia. As amigas, que haviam chegado a apenas cinco minutos antes das irmãs Abbott, já haviam ouvido todos os tipos de comentários e passado por todo tipo de inquisição quanto aos eventos do dia anterior, à saída do colégio. E agora estavam, elas, curiosas quanto a estes eventos também.

--Você e Richard! - Lydia exclamou, apontando um dedo acusador a Elizabeth, quem parou ao corredor da escola, atônita quanto ao que responder. - E Will?!

--Eu não tenho nada com Richard! - Elizabeth respondeu, ofendida. Lydia olhou para Catherine, revirando os olhos, em um evidente sinal de desconfiança. Catherine fitou a amiga, incerta. E Charlotte permaneceu da mesma forma, como se ainda averiguasse a situação. - Eu estou dizendo a verdade! - Elizabeth se exasperou e, virando-se para Charlotte, disse. - Você acredita em mim, não acredita?

--Bem... - Charlotte hesitou.

--Charlotte! - Deixando Elizabeth ainda mais nervosa.

--Que você não está interessada nele dessa forma, todas nós sabemos. - Charlotte garantiu, embora Lydia bufasse em discordância. - Mas... ele ... Bem, Lizzie, ele te convidou para sair uma vez! - Charlotte argumentou, ao que Lydia aprovou, veemente.

--Há muito tempo atrás! - Elizabeth garantiu, ainda mais exasperada. “Isso não pode estar acontecendo! Charlotte não pode pensar que Richard gosta de mim! Isso vai estragar tudo!!” - Ele só gosta de mim como amiga, agora!

--Você não pode garantir isso! - Charlotte replicou. - Você não está dentro da cabeça dele para saber se isto é verdade ou não.

--Mas eu sei que é verdade! - Elizabeth replicou, com veemência.

--E como é que você sabe? - Lydia questionou, pronta para rebater qualquer desculpa que Elizabeth inventasse.

--Porque ele gosta de outra pessoa! - Elizabeth respondeu, sem querer. E logo pôs a mão na boca, para calar qualquer outra informação.

--Quem?! - Todas as meninas questionaram, num tom de segredo.

--Não posso dizer! - Elizabeth respondeu. - Ele me fez prometer que não diria! - E abandonou as amigas. Seguindo em direção a sua sala de aula.

________________________________

            Will chegou a escola como se estivesse em um transe. Passeou pelos corredores, ouvindo cochichos de várias pessoas ao seu redor, mas não deu a mínima importância. Sabia que era o alvo de olhares indiscretos e daqueles cochichos, mas fingia não estar notando nada e, mais, fingia não se importar. Mas quando foi parado à entrada de sua sala, por Caroline, não pode ficar mais em silêncio.

--Oh Will, querido! - Caroline se acercou dele e, como sempre fazia, tomou-lhe o braço como apoio. - Nossa, depois das coisas que eu ouvi hoje... Eu nem consigo imaginar como você possa estar se sentindo. - Ela comentou, num tom de voz amoroso. - Honestamente, eu sempre soube que algo assim poderia acontecer... Veja bem, ela é tão... - E fez uma careta de desgosto. - Eu não faço idéia o que o seu primo viu nela, mas tenho certeza que... - Antes que ela pudesse concluir, ele parou de andar, virou-se de frente para ela, retirou o braço dela do seu e lhe disse, num tom extremamente educado.

--Caroline, eu não estou com humor para agüentar as suas ladainhas hoje. - E seguiu o seu caminho até a sua sala, sozinho, abandonando Caroline ao corredor, paralisada.

--Bem,... - Ela começou a dizer, para ninguém. Ele tinha sido tão educado ao lhe dizer aquilo que ela se viu obrigada a não levar para o pessoal a parte em que ele se referiu às “suas ladainhas”. Ele estava zangado e ela, como uma mulher compreensiva que era, entendia ele perfeitamente.

            Então foi procurar a sua amiga e ir para a sua própria sala.

            Will caminhou entre as carteiras e seguiu em direção a uma das carteiras vagas ao fundo da sala, indo ocupar a carteira à frente da que Charles estava sentado. Will estranhou encontrar o amigo ali, porque normalmente Charles estaria com Jane; então Charles lhe disse que Jane estava ocupada com outras coisas naquele momento. Will preferiu não fazer nenhum comentário a respeito, prevendo que, o que quer que fosse que Jane estivesse fazendo naquele momento, estaria relacionado com Elizabeth e ele não queria falar dela.

            Então Richard também entrou na sala e seguiu o caminho entre as carteiras, indo ocupar a carteira vazia ao lado da de Charles, em completo silêncio. Charles e Will ergueram a cabeça para vê-lo chegar e depois desviaram seus olhares para outros lugares, tratando de se ocuparem com alguma coisa. Richard abriu a sua mochila e pegou o livro de Charlotte, o abrindo na página em que havia parado na noite anterior e prosseguindo com a sua leitura. Charles e Will voltaram a olhar para ele, mas não disseram nada. Ambos viram o que ele estava lendo, mas não faziam idéia do que se tratava. A única coisa que sabiam era que se tratava do mesmo caderno que Elizabeth havia lhe entregado no dia anterior, à saída do colégio.

            George entrou na sala, evidentemente emburrado com alguma coisa, e foi ocupar a cadeira vaga enfrente a de Richard. Dizendo-lhe, de mau humor, que Lydia o havia despensado para ficar fofocando com as suas amigas.

--Ela preferiu ficar numa roda de meninas a ficar comigo! - Ele dizia, indignado. Fazendo Richard rir e voltar a dar sua atenção a leitura. - O que é isto que você está lendo? - George tentou tomar o caderno das mãos de Richard, mas ele foi mais rápido, o fechando e guardando na mochila.

--Nada. - Voltando a ganhar a atenção dos outros dois amigos.

            Ao intervalo daquele dia, nada pareceu mudar. As meninas continuaram reunidas em uma mesa (exceto por Lydia, quem havia decidido se sentar com George) e os meninos sentados em outra mesa (como de se esperar, George não estava entre eles, mas em outra mesa com Lydia, somente). À mesa dos meninos, não havia muita conversa. Eles pareciam concentrados em lanchar, como se esta atividade fosse muito importante para ser negligenciada durante qualquer tipo de conversa. Já à mesa das meninas, existia um pouco de conversação. Mas nada de muita circunstância, já que o assunto que a maioria delas queria discutir era o único que Elizabeth desejava enterrar e esquecer. 

_________________________________

            Voltando para a sala de aula, após o intervalo, Elizabeth viu Bill Collins olhá-la de uma forma estranha e vir em sua direção. Respirou fundo e prometeu-se que não iria descarregar a sua raiva nele; um, porque se o fizesse ali, no corredor da escola, na frente de toda aquela gente, daria mais munição para as outras pessoas continuarem a falar dela; dois, porque, se o fizesse, a sra. Abbott ficaria sabendo, com certeza, e ela não teria mais sossego, sua mãe garantiria isso.

--Você sabe que você me surpreende a cada dia! - Ele comentou, sorridente. - Primos!! - fazendo Elizabeth fechar os olhos e voltar a respirar fundo. - Brigando por você!

--Bill,... - Quando ela tentou falar, ele continuou, a interrompendo.

--Quero dizer, eu sei que você é uma menina bastante desejável! - Ele garantiu. - Eu tenho olhos! - Disse, como se gabasse de algum talento excepcional. - Mas não fazia idéia de que você era do tipo de garota que faz este tipo de joguinho!

--Escute bem, seu idiota! - Elizabeth exclamou, perdendo totalmente a paciência. Todos que estavam naquele corredor, sem nenhuma exceção, pararam o que estava fazendo e voltaram-se para observar os dois e ouvir a sua conversa. Inclusive Will e seus amigos (amigos sim; pois, mesmo estando brigados, isso não mudaria tão facilmente). - Eu não me importo com o que você ouviu ou pensa a meu respeito...APENAS ME DEIXE EM PAZ! - Ela completou, saindo de perto dele e seguindo para a sua sala de aula.

            Bill ficou parado onde ela o havia deixado, em completo silêncio. Enquanto os demais espectadores o fitavam; uns com olhares de curiosidade, outros de gozação. 

 

 

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