Capítulo 16
Will ficou o fim daquela tarde de sexta-feira pensando em Elizabeth. Ele ficou repassando mentalmente cada um dos momentos que passara com ela aquela semana. Foi uma semana muito complicada, cheia de confusões. Mas, em comparação em como havia começado, a situação estava melhor. Segunda-feira passada tinha sido uma decepção, Elizabeth sequer estava falando com ele direito. Hoje, no entanto, ela até tinha dito que poderia beijá-lo (pensar nisso o fez sorrir feito bobo). Elizabeth tinha conhecido a sua irmã e Georgiana a adorava, tanto que não parou de falar nela mesmo depois de já terem chegado a sua casa. E insistia em tentar convencer Will a namorá-la (ao que ele concordava intimamente, mas que não pretendia informá-la disso).
Ele ainda estava nervoso com a perspectiva de convidá-la para sair, agora que tinha decidido que devia fazê-lo. Ficava tirando o telefone sem fio da base e colocando-o de volta no momento em que o telefone dava linha. Ligar para Charles e pedir o telefone de Elizabeth tinha sido difícil, ele mal conseguira pronunciar as palavras direito—causando um ataque de riso em Charles; o que só deixou Will ainda mais nervoso. Como conseguiria ligar para ela e conversar com ela, convidá-la para sair, se mal conseguia conversar com o seu melhor amigo a respeito disso?
Pouco antes do jantar, ele decidiu fazer uma nova tentativa. Foi para o seu quarto, para ter mais privacidade, e trancou-se nele. Sentou-se em sua cama com o telefone sem fio em mãos e ficou fitando-o por uns minutos, tentando ganhar coragem. A tarefa era simples—ele ficava se repetindo; é só discar o número do telefone dela, esperar ela atender e convidá-la para sair. O que há de tão difícil nisso?! No entanto, ele estava encontrando dificuldade em conseguir discar os números certos. Sua mão estava tremendo incontroladamente e os seus dedos teimavam em apertar os números errados.
Finalmente, na quarta tentativa, acertou discar o número do telefone dela e deixou o telefone tocar. O seu coração estava acelerado, como se ele estivesse correndo, e, a cada toque da chamada, ele prendia a respiração por uns segundos e a soltava lentamente em seguida. Ele nunca imaginou que pudesse ficar tão tenso em fazer uma ligação, nunca tivera este problema antes. Até as suas mãos estavam começando a suar!
O telefone foi finalmente atendido e Will escutou uma voz de mulher muito aguda, a qual ele reconheceu pertencer a sra. Abbott.
--Alô?!—Ela dizia, num tom quase cantado.—Alô?!—E não recebia nenhuma resposta.—Vamos, querido, diga alguma coisa.—Ela disse, carinhosamente.—Eu sei que você está na linha; eu posso ouvir a sua respiração.—Will entrou em pânico e desligou o telefone.
E ficou se crucificando por tê-lo feito logo em seguida. Agora não poderia ligar de volta, porque ela poderia atender de novo e ia saber que fora ele quem ligara antes. Por que Elizabeth não podia atender ao telefone? Seria tão mais fácil!
Will saiu do quarto revoltado consigo mesmo e se reuniu a sua irmã à sala de música, onde se encontrava o piano de sua irmã. Georgiana estivera praticando a música que Elizabeth lhe dera nas últimas horas, satisfeitíssima consigo mesma. E agora estava tocando a parte da música que tinha conseguido aprender, até então, para a sua mãe, alegremente. A sra. Darcy estava sentada em um dos sofás a um canto da sala, sorrindo para a filha. Will encaminhou-se para perto da mãe e sentou-se ao seu lado, em silêncio.
Quando Georgiana terminou de tocar e virou-se para ver a mãe, notando a presença de Will pela primeira vez, desatou a falar sobre Elizabeth. Will escutava o que a irmã dizia, pela milionésima vez, com o mesmo interesse que teve a primeira vez. Tudo que Georgiana tivesse a dizer sobre Elizabeth era de seu interesse; ela poderia dizer uma coisa ou outra que houvesse se esquecido de mencionar antes.
--...e ela é tão legal! Will devia namorá-la!—Georgiana completou, com um olhar desafiador ao irmão.
--Georgiana, seu irmão é quem decide quem ele quer namorar; não você!—A sra. Darcy replicou, para a inconformidade de Georgiana.
--Eu sei, mas...—Georgiana deixou a frase morrer e sua mãe aproveitou a oportunidade para completar.
--E eu não creio que o seu irmão fosse se interessar por uma de suas amiguinhas.
--Mas ela não é uma das minhas amiguinhas!—Georgiana disse, indignada; qual era o problema de seus familiares? Pensavam que ela era assim tão boba! É claro que ela sabia que o seu irmão não ia querer namorar nenhuma de suas amigas de sala! Pelo amor de Deus, nem ela queria que ele namorasse!—Ela é da idade dele!!—A sra. Darcy ficou calada ao ouvir a filha lhe dizer isso com tanta emoção.—E ela é linda!—A sra. Darcy sorriu ao ver a filha defender outra pessoa com tanto afinco.—Não é verdade, Will?
--Ham... sim. Ela é!—Will concordou, sentido-se desconfortável naquela situação e decidindo que era melhor voltar para o seu quarto, tentar mais uma vez ligar para ela.
Entrou em seu quarto e retirou o telefone de sua base, apertando logo o botão de ligar e esperando dar linha. Não vou fraquejar dessa vez! Discou os números corretamente e esperou o telefone ser atendido. Tocou três vezes e a mesma voz disse, num tom cantado.
--Alô?!—E Will voltou a desligar o telefone.
--Eu não posso fazer isso!!!!—Ele exclamou para o seu quarto vazio, colocando o telefone de volta na base.
Will se jogou sobre a cama e ficou fitando o teto do quarto, frustrado. Quem ele ia enganar? Não ia conseguir convidar ela para sair; não conseguiu convidá-la quando estiveram cara-a-cara, por que ia conseguir fazê-lo pelo telefone?A pessoa idiota que disse que é mais fácil convidar uma pessoa para sair por telefone nunca teve que passar por isso!
Seria tão mais fácil se Charles houvesse lhe dado o número do celular de Elizabeth. Mas ele não sabia, teria de perguntar a Jane. E, aí, teria de se explicar; afinal, ela estranharia o fato de seu “namorado” estar querendo saber o número do celular de sua irmã. Charles teria que dizer que era para ele e Will não queria isso. Já tinha dado muitas evidências quanto ao seu interesse em Elizabeth e ainda não sabia como ela se sentia em relação a ele.
O telefone do quarto dele tocou e Will se levantou da cama num pulo, voltando-se para o seu criado-mudo—onde estava o telefone—e observando-o como se estivesse vendo uma cobra preste a lhe dar o bote. A única coisa que passava em sua cabeça naquele momento era: e se o telefone da casa de Elizabeth tiver identificador de chamada e eles já souberem que sou eu quem estivera ligando e desligando?!
O telefone tocou de novo e mais uma vez. Will encaminhou-se para perto do telefone cautelosamente e o tirou da base, atendendo-o.
--Will?—A voz de Charles soou do outro lado da linha e permitiu que Will voltasse a respirar.
--Charles!—Will respondeu, aliviado.
--E aí? Conseguiu falar com ela? Ela aceitou sair com você?—Charles inquiriu, interessadíssimo.
--Ham... não, não...—Will respondeu, desanimado.
--O que?—Charles exclamou, evidentemente surpreso.—Ela disse “não”?
--Não. Eu não consegui falar com ela.—Will respondeu, tranqüilizando o amigo.
--E por que não? O que foi que aconteceu?—A curiosidade de Charles era grande e Will começava a perceber que as coisas estavam piorando; como ele ia explicar a Charles o que tinha acontecido? Não é ruim o suficiente eu ter passado por aquilo, agora tenho que relatar a Charles também?!
--Eu liguei para lá duas vezes e... a mãe dela atendeu; ...eu entrei em pânico e desliguei!—Will fez um esforço enorme em dizer tudo de uma vez e terminar logo com aquilo.
--Você o que?! Will!!!—Charles começou a rir da confissão do amigo.
--Charles, por favor!—Irritando Will.—Não comece com isso de novo!
--Desculpe-me, mas...—Charles deixou a frase morrer, ainda tentando se controlar para não voltar a rir.—Olhe, Jane e eu vamos nos encontrar no Basement mais tarde... É bem provável que Lizzie vá estar lá também...—Charles argumentou, calmamente.
--Você está certo!—Mas Will replicou com energia.—Por que eu não pensei nisso?!—Eu posso, facilmente, encontrá-la no pub.—Obrigado, Charles!!—Will exclamou, fazendo Charles voltar a rir.
--Disponha!—Foi a resposta de Charles à alegria do amigo.—Pra isso que servem os amigos!!
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Elizabeth estava deitada em sua cama, fitando o teto do seu quarto, pensativa. Passara a sua tarde toda assim, com os pés cruzados, as mãos escondidas debaixo do travesseiro e a cabeça apoiada sobre ele, pensando em Fiztwilliam Darcy. Ela, simplesmente, não conseguia entender ele. Como ele podia agir da forma que agiu na presença de Bill pela manhã e ter uma postura totalmente avessa enfrente a Georgiana, Richard e Caroline pela tarde. A única explicação que ela conseguia pensar naquele momento era que ela estava vendo coisas demais nas ações dele. Ele, provavelmente, apenas quis ajudá-la com Bill pela manhã, por isso disse o que disse. Senão teria agido em sua palavra e a convidado para sair.
Elizabeth suspirou e virou-se na cama, deitando-se de lado. Passou a fitar a o seu armário de roupa, o seu rack e os seus materiais da escola. Lembrando-se do livro de Charlotte, levantou-se da cama e caminhou até a sua cadeira enfrente ao rack, abrindo a sua mochila e retirando o caderno qual Charlotte tinha transformado em livro. Depois retornou para sua cama, deitando-se de barriga para cima e abrindo o livro na página em que tinha interrompido a sua leitura àquela tarde.
Depois do jantar, Elizabeth voltou para o seu quarto e se ocupou com a mesma atividade daquela tarde. Quando Jane entrou em seu quarto por volta das oito horas da noite para confirmar se Elizabeth estaria a acompanhando até Basement esta noite, a encontrou deitada em sua cama, com o livro de Charlotte aberto sobre a sua barriga e sorrindo com o que estava lendo.
--Lizzie, você tem certeza de que não quer me acompanhar até o Basement?—Jane inquiriu, notando que sua irmã estava vestida para dormir.
--Hum?—Elizabeth murmurou, sem tirar os olhos do livro.
--Ao Basement. Você tem certeza de que não quer ir comigo?
--Hum-hum.
--Por que você não quer ir?—Jane inquiriu.
--Hum-hum.—Elizabeth replicou, ainda sem tirar os olhos do livro.
--Lizzie, você está ouvindo o que eu estou falando?
--Hum-hum.
--E o que foi que eu disse?
--Hum?
--Lizzie?—Elizabeth não respondeu nada.—...Lizzie, você acha que se eu raspar as laterais da minha cabeça e pintar o restante do cabelo num tom rosa-choque, num moicano irado, Charles irá gostar?
--Hum-hum.
--Lizzie!!!—Jane exclamou, conseguindo que a sua irmã dirigisse-lhe o olhar.
--O que?!
--Você ouviu o que eu disse?
--Não. Desculpe-me.—Elizabeth se sentou na cama ao ver a expressão irritada de Jane.—Eu estou ouvindo agora; o que você estava dizendo?—Jane logo perdeu aquela expressão do rosto, porque não conseguia ficar zangada com Elizabeth por muito tempo, e disse.
--Você tem certeza que não quer ir ao Basement comigo?
--Absoluta.—Elizabeth replicou e voltou a se deitar em sua cama, reabrindo o livro.
--Por que não? Você sabe que você não vai segurar vela de ninguém, porque o resto do pessoal vai estar lá para te fazer companhia.
--Eu sei.
--Então? Vamos, Lizzie.—Elizabeth não respondeu nada e tentou continuar lendo o livro.—Eu sei que Will vai estar lá e...—Elizabeth parou de ler, mas não dirigiu o seu olhar a sua irmã.—eu tenho certeza que ele gostaria de ter a sua companhia.—Ouvindo isso, Elizabeth resmungou.
--Eu duvido.—O que chamou a atenção de Jane, quem notara que, apesar de ela não olhar em sua direção, os seus olhos estavam parados em um ponto fixo do livro de Charlotte.
--Por que você diz isso? Eu pensei que vocês dois já estivessem se dando bem... de novo.
--Sim.—Elizabeth replicou, dirigindo o olhar para a irmã brevemente.—Mas não do jeito que você está pensando
--O que você quer dizer com isso?—Jane inquiriu, soando confusa. De que outra forma eles poderiam estar se dando bem?
--Ele não está interessado em mim do jeito que você está pensando.—Elizabeth replicou, ainda com o olhar fixo no livro de Charlotte.
--Por que você acha isso? Eu acho que é bem obvio que ele está interessado em você!—Jane disse, observando a irmã.—Se você tivesse visto o jeito que ele ficou te olhando duran...
--Se ele estivesse mesmo interessado em mim...—Elizabeth interrompeu o que Jane estava dizendo, dirigindo um olhar frio à irmã ao lhe dizer tais coisas.—teria me convidado para sair este fim de semana, como tinha garantido a Bill Collins que íamos fazer.—Jane abriu a boca para replicar, mas Elizabeth continuou.—E... não teria agido do jeito que agiu durante esta tarde na frente de Caroline.
--Lizzie,...—Jane tentou remediar mais uma vez, mas Elizabeth voltou a interrompê-la.
--Além do mais, eu prometi a Lydia que terminaria de ler o livro de Charlotte hoje e o entregaria a ela amanhã.—Ao dizer isso, ela voltou a olhar para o livro.—Então,... Não, eu não vou ao Basement hoje. Eu prefiro ficar aqui e terminar de ler o livro de Charlotte.—Ouvindo o tom decidido de Elizabeth, Jane soube que não havia nada que pudesse fazer para fazê-la mudar de idéia.—Vá e divirta-se sem mim!—E, dirigindo um olhar moleque para irmã, completou.—Eu tenho certeza que Charles estará muito bem disposto em te ajudar com isso!—Deixando Jane corada.
--Só você mesmo...—Jane murmurou, dando-lhe as costas e caminhando até a porta do quarto.—Então, boa noite!—Ela disse ao abrir a porta do quarto e sair, ao menos satisfeita que a sua irmã não parecia estar chateada. Se estivesse, não faria aquele último comentário.
--Boa noite!—Elizabeth respondeu, voltando a dar sua atenção ao livro de Charlotte, finalmente, continuando a sua leitura.
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Will chegou a Basement por volta das oito e meia, acompanhado por seu primo e George. Assim que entraram no pub, os três amigos se separaram. George havia avistado Lydia e fora cumprimentá-la, Richard o acompanhou porque Catherine e Charlotte estavam com ela. Will não vira Elizabeth ou Jane em parte alguma e, como Charles ainda não tinha chegado, deduziu que elas deviam estar a caminho. Então, caminhou para o bar e sentou-se em um de seus banquinhos.
Pouco tempo depois, Charles chegou ao pub e encaminhou-se para perto de Will. Charles ocupou o banquinho vago ao lado de Will e os dois ficaram aguardando a chegada das irmãs Abbott. Quando Jane apareceu sozinha e explicou aos dois garotos que Elizabeth tinha decidido permanecer em casa e terminar de ler o livro de Charlotte, Charles dirigiu a Will um olhar condescendente e Jane notou a expressão de decepção que estava evidente no rosto de Will. E ela não conseguia entender como a sua irmã não conseguia notar isso; é tão evidente o interesse dele nela. Só ela quem não notava.
Dez e meia George e Richard se encaminharam para perto de Will, quem continuava no mesmo banquinho ao balcão do bar, sozinho. Charles e Jane tinham ido ocupar uma das mesas ao salão, o convidaram a acompanhá-los, mas, obviamente, Will declinou o convite—estava longe de querer estragar a noite de seu amigo só porque a sua não estava sendo do jeito que ele imaginara que seria. Então, quando Richard e George o convidaram a acompanhá-los até o porão, Will ficou pensando no por que de ele ainda estar ali, qual era o seu propósito em permanecer ali se não ia ver Elizabeth. Já devia ter ido embora há muito tempo. E quando informou aos amigos que estava indo embora, ouviu em resposta.
--Indo embora? Por quê? Só porque Lizzie não está aqui?—George exclamou.—Cara, você está pior do que Charles!
--Como é?!—Will replicou.
--Você me ouviu.—George disse.—A sua vida gira entorno de Elizabeth Abbott agora? Você não pode se divertir com os seus amigos se ela não estiver por perto?—As perguntas de George silenciaram Will e o fizeram ficar pensando no que ele dissera.
--É, Will!—Richard concordou.—Você está sentado neste banquinho com uma cara de cachorro perdido desde que Jane chegou aqui sem Lizzie... Isso, por si só, já é um prato cheio para fofoca... Se você for embora tão cedo, nós vamos passar a segunda-feira inteira ouvindo historinhas a respeito disso!
--Sabe qual é o seu problema?—George perguntou.—Tática!—Will lhe dirigiu um olhar confuso.—Você não tem uma; você é muito obvio! Tá na cara que ela já sabe que você está a fim dela e agora está bancando a difícil.—Ele explicou.—Não seria a primeira vez!—George completou e, olhando significativamente para Richard, disse.—Seria, Richard?—Recebendo um olhar atravessado do amigo, o qual não escapou a percepção de Will.
--Do que você está falando?—Will inquiriu.
--Tome a mim, por exemplo.—George continuou como se não houvesse mencionado Richard.—Eu já fiz tudo o que tinha para fazer esta noite, agora é só esperar para colher os frutos.
--Ham?—Will não entendeu nada; até Richard dirigiu um olhar confuso em direção a George.
--Vamos lá para baixo e você verá com os seus próprios olhos do que eu estou falando.—Will acabou aceitando acompanhá-los; meio a contragosto ele seguiu os amigos até o porão.
Chegando a discoteca, ocuparam um canto do salão e ficaram observando o movimento. Will viu Lydia e Catherine conversando próximas a uma pilastra, Charlotte estava um pouco mais distantes delas e estava conversando com David novamente—Richard notou também. Caroline e suas amigas estavam dançando e Will começou a se arrepender de ter ficado por ali. Sabia que assim que ela notasse a sua presença viria falar com ele.
--Você não vai chamar Lydia para dançar?—Richard inquiriu George.
--Não.—George respondeu, simplesmente.
--Por que não?—Richard inquiriu, surpreso.—Eu pensei que vocês dois estivessem... a beira de...—Will voltou-se para observar o amigo e viu George sorrir e concordar, silenciosamente.—Então? Eu não estou entendendo! Por que você não vai chamá-la para dançar?
--Tática.—George respondeu.—Como eu disse: eu já fiz a minha parte esta noite. Agora é a vez dela.
--Você não pode estar realmente achando que Lydia irá te chamar para dançar!—Will riu, mas George voltou a concordar, silenciosamente.—Você está brincando!—Will comentou, incrédulo.
--Nunca falei tão sério antes.—Foi a resposta que recebeu de George.
--Lydia não vai te chamar para dançar, George! Ela é uma menina!—Will argumentou.
--Você quer apostar?—George replicou, confiante. Will o fitou por um momento e pensou nas possibilidades. É verdade que Lydia é a menina mais maluquinha e impetuosa que ele já conheceu, além de que Elizabeth tinha lhe dito que Lydia era sincera ao extremo e quase nunca sabia ter limites. Será que ela seria impetuosa quanto a isto também?
--Não.—Will respondeu.—Eu não quero apostar nada.
Passaram-se várias músicas e Lydia continuava no mesmo lugar na companhia de Catherine. O máximo que fazia era dirigir um olhar na direção de George e fazer um comentário ou outro com a sua amiga. Charlotte se aproximou delas por um momento e depois saiu do porão na companhia de David. Então Lydia abandonou Catherine e se acercou dos meninos.
--George?—Lydia disse de forma decidida ao deparar-se com ele.
--Sim, Lydia.—George sorriu amigavelmente para ela.
--Você não vai me chamar para dançar?—O tom de voz dela era de indignação; Will e Richard ficaram boquiabertos.
--Bem,...—George abriu um sorriso maior ainda e disse.—Na verdade, eu estava me fazendo a mesma pergunta!
--Ham?—Lydia replicou, perdendo um pouco a postura decidida de antes.—Você estava esperando que... eu viesse te chamar para dançar?—Ela inquiriu, confusa. E George confirmou com a cabeça, sorrindo para ela da mesma forma.—Você não acha que eu estou sendo oferecida por estar te chamando para dançar?—Ele balançou a cabeça, negativamente.
--Oferecida, não. Direta!—Ele argumentou e, aproximando-se mais dela, lhe disse ao ouvido.—E eu gosto disso em você!—Num tom sedutor; o que fez Lydia corar e sorrir.
--Mesmo?—Lydia murmurou, ao que George piscou para ela.
--Venha! Vamos dançar.—Ele disse, segurando na mão dela. E, antes de seguirem para a pista de dança, ele virou-se para os seus amigos, quais continuavam boquiabertos com o que tinham acabado de presenciar, e disse.—Eu encerro o meu caso!—E levou Lydia para a pista de dança.
--Que caso?—Will e Richard ouviram Lydia inquirir a George quando eles se afastaram.
--Inacreditável!—Will exclamou.
--Tática, meu amigo!—Richard disse, imitando George.—Tática.—E os dois riram.
--Will!—Will ouviu uma voz aguda de uma menina às suas costas.—Richard!—E os dois amigos viraram-se na direção da voz.—Que surpresa!—A menina exclamou, sorridente.—Eu não estava esperando ver vocês dois aqui!
--Caitlin!!—Will e Richard exclamaram em união.—O que você está fazendo aqui?—E a menina se aproximou mais dos dois.
--Bem, eu cansei da mesmice do Underground Night Club e decide sair com alguns amigos em busca de um novo point.—A menina replicou, sorridente, indicando os seus amigos, os quais estavam distantes deles.
--Oh.—Will e Richard olharam na direção em que ela indicara e observaram o grupo de amigos dela. Nenhum deles reconheceu nenhum dos componentes do grupo.
--Então... é aqui que vocês dois têm se escondido este tempo todo!—Caitlin comentou, olhando a sua volta.
--Eu não diria que nós estamos nos escondendo, Caitlin.—Richard replicou.
--É mesmo? O que você diria que estão fazendo, então?—Caitlin lhe dirigiu um olhar desafiador.—Eu não tenho tido notícias suas desde que você deixou Scott Johnson’s High, Richard.—Ela argumentou, exageradamente.
--Você sabe que isso não é verdade.—Richard disse, mas ela o ignorou.
--Na verdade, eu não tenho tido notícias suas tão pouco, Will.—Ela dirigiu o seu olhar desafiador a Will, quem lhe retribuiu com um enojado.—O que há com vocês, meninos?—Ela continuou, ignorando o olhar que recebeu de Will.—É só mudar de escola que se esquecem dos amigos!
--Eu não nos chamaria de “amigos”, Caitlin.—Will replicou, sem cerimônia.
--E do que você nos chamaria então, Will?—A menina persistiu.
--Nada.—Will respondeu.
--Mesmo?—A menina disse, incrédula.—E aquelas horas todas que passamos um na companhia do outro foram o que?—O seu tom de voz ficava cada vez mais sério e desafiador.
--Como eu disse: nada.—Will replicou, com o mesmo tom de antes.
--Galera, que isso?!—Richard interveio.
--Hei...—George aproximou-se deles na companhia de Lydia.—Eu conheço você!—Ele disse, apontando para Caitlin; tinha notado a presença da menina na companhia dos seus amigos da pista de dança e ficou curioso quanto ao que podia estar acontecendo.
--Você é George, estou certa?—Caitlin replicou, sorrindo para George; quem confirmou com a cabeça.—Eu me lembro de você!—Ela disse.—Você é o amigo tarado de Richard de Austen House.—Caitlin comentou; os dois se conheceram através de Richard numa festa em Scott Johnson’s High, um ano após Richard ter se transferido para Austen House.
--Sim!—Richard disse, rindo.—Você, com certeza, se lembra dele!—Recebendo um olhar atravessado de George. Lydia ainda estava plantada ao seu lado, segurando sua mão, e a expressão no seu rosto só endurecia a cada palavra que estava ouvindo.
--Quem é você?—Ela exigiu saber.
--Eu sou Caitlin.—A menina respondeu, olhando para Lydia pela primeira vez.—Amiga de Will e Richard de Scott Johnson’s High.—Will revirou os olhos ao ouvi-la se denominar sua amiga.—Quem é você?—Ela inquiriu, no mesmo tom de Lydia.
--Ela é Lydia.—Richard respondeu.
--Namorada de George.—Lydia completou, recebendo olhares surpresos de todos.
--Sério?—Mas foi Caitlin quem o expressou.—George tem namorada?!
--Eu tenho.—George disse, sem hesitar, quando se recuperou da surpresa também. Deixando Richard e Will ainda mais surpresos. Como é possível que eles sejam namorados?, Will se perguntava; eles tinham dançado apenas uma música e já eram namorados?! E eles, por acaso, já se beijaram?! ...É! Talvez eu precise mudar de tática!, Will ponderava.
E foi pensando nisso que Will se afastou do grupo de amigos sem dizer nada a ninguém, encaminhando-se em direção a pilastra em que Lydia estivera encostada na companhia de Catherine antes de vir convidar George para dançar. Ele colocou as duas mãos dentro dos bolsos de sua calça jeans e encostou as costas na pilastra, batendo de leve a cabeça nela ao olhar para o teto do salão.
--Você está bem?—Ele ouviu uma menina que estava parada ao seu lado lhe perguntar, então inclinou a cabeça para baixo para olhá-la.
--Eu estou bem, Kitty.—Ele respondeu, recebendo um meio sorriso de encorajamento da menina. Catherine, então, olhou em outra direção, para virar-se de frente para ele de novo e dizer.
--Eu acho que você devia ir embora!—Com um tom urgente em sua voz.
--Ham?—Pegando Will de surpresa.
--E rápido!—Ela completou, indicando para ele olhar na direção oposta a que ele estava olhando. Mas antes que ele fizesse isso, ouviu outra voz aguda de menina:
--Will, querido!
--Oh Deus!—Will respirou fundo.
--Tarde demais!—Catherine murmurou para ele, virando-se na outra direção, com o intuito de ir embora.
--Hei!—Will tirou a mão do bolso de sua calça rapidamente e segurou Catherine pelo pulso, fazendo-a parar no lugar em que estava e virar-se para ele de novo.—Não me deixe sozinho com ela!—Ele implorou, num murmúrio. Catherine não esperava por isso, então ficou parada no mesmo lugar, sem saber o que dizer.
--Will, querido, por que você está aqui sozinho?!—Caroline o puxou pelo braço, para que ele virasse-se de frente para ela.
--Eu não estou sozinho, Caroline.—Will respondeu, a contragosto, tomando o seu braço de volta.—Você não está vendo Kitty ao meu lado?—O olhar de Caroline se estreitou e ela o dirigiu a Kitty, evidentemente irritada por causa da sua presença.
--Claro!—Ela disse.—Oi, Kitty!—E dirigiu um falso sorriso a Catherine.
--Oi, Caroline!—Catherine respondeu, mas sem sorrir.
--Hum... Parece-me que você não está com um bom humor!—Caroline comentou, com fingida preocupação.—Mas quem não ficaria? Todas as suas amigas conseguiram arranjar um garoto para esta noite, só você que não!—E logo dirigiu um olhar malicioso para Catherine. Deixando Will boquiaberto.
--Bem, eu acho que você deve entender como é!—Catherine replicou, sem hesitar.—Afinal, você se encontra na mesma situação que eu!—E foi a vez de Caroline de ficar boquiaberta. E Will começou a gargalhar.














