Capítulo 14
Elizabeth estava sentada ao auditório, guardando os lugares de seus amigos juntamente com Jane. Elas estavam sentadas com sete poltronas entre elas, o que as impediam de conversar. Charlotte estava a umas fileiras abaixo de onde elas estavam sentadas e conversava com David Fitzgerald, enquanto Jane e Elizabeth a observavam com a nítida curiosidade de sempre; Lydia e Catherine ainda não haviam vindo para o auditório e nem nenhum dos meninos.
Elizabeth viu quando Bill Collins subiu os degraus da plataforma do auditório, vindo em direção à plataforma em que ela estava sentada. Olhou para Jane e viu a irmã lhe dirigir um olhar de piedade. Bill passou por Jane, cumprimentando-a brevemente e com a sua educação excessiva, que tanto irritava os outros. E se aproximou de Elizabeth, sentado à poltrona vaga ao lado de Elizabeth. Estava com um sorriso de orelha a orelha, evidentemente satisfeito de ter conseguido a proeza de sentar-se ao lado dela—o que vinha tentando fazer a semana toda.
Ele não perdeu tempo em expressar a sua alegria em conseguir tal feito, dizendo-lhe que estivera buscando esta oportunidade a semana toda. Expressou a sua vontade em convidá-la para sair com ele novamente e disse que já estava começando a perder as esperanças de conseguir uma oportunidade tão perfeita como esta para conseguir fazer o seu convite. E, sem deixar Elizabeth replicar uma só vez, continuou a lhe explicar que tipo de convite estava fazendo a ela—como: aonde pretendia levá-la, o que iam fazer quando chegassem lá e a garantir-lhe que ela se divertiria muito mais neste encontro que pudera ter se divertido em sua vida.
Elizabeth aproveitou o segundo que ele tomou para recuperar o fôlego e engolir a saliva, que já estava se acumulando no canto de sua boca, para lhe dar a sua resposta—a resposta mais evidente.
--Eu não posso sair com você!—Ela respondeu com pressa e veemência.
--E por que não?!—Bill soou surpreso e irritado com a resposta; começando a pensar na possibilidade de ela estar tentando evitá-lo.
--Porque eu já tenho planos para este fim de semana!—Elizabeth não pestanejou em replicar, sem acrescentar o que lhe vinha à mente: “e nenhum deles inclui você!”.
--Você já tem planos para este fim de semana?—Ele inquiriu, com um olhar de incredulidade; como se soubesse de algo que ela não sabia que ele sabia.—Com quem?!—Perguntou em seguida; não com curiosidade, mas como se esperasse pegá-la mentindo. Elizabeth ficou alarmada ao vê-lo olhá-la daquela forma e começou a se perguntar se a mãe dele andara conversando com a sua mãe a seu respeito de novo.
--Eu...—Ela começou a responder, sem a mesma pressa que respondera a sua primeira pergunta. Mas uma voz rouca respondeu por ela, às costas de Bill.
--Comigo.—Ao ouvir a voz de Will, Bill virou-se de costas para encará-lo, com evidente surpresa estampada em seu rosto, e Elizabeth ergueu o olhar para ele, começando a sorrir para Will.—E você está sentado no meu lugar.—Will continuou, ao ver o sorriso que Elizabeth lhe dirigia.
--Estou?—Bill continuava surpreso.
--Sim.—Will respondeu, com a sua seriedade de sempre. Bill ergueu-se da poltrona desajeitadamente.
--Então,... tchau Elizabeth.—Ele disse, virando-se para olhar Elizabeth uma última vez.
--Tchau, Bill!—Elizabeth continuou a sorrir.
Quando Bill conseguiu sair da fileira de cadeiras em que Elizabeth estava sentada, passando por Jane e Charles (quem havia chegado ao mesmo tempo em que Will e que agora estava sentado na poltrona próxima ao corredor, ao lado de Jane), e começou a descer os degraus da plataforma, indo para um nível mais baixo, Elizabeth exclamou, com veemência.
--Muito obrigada!—Para Will, quem ocupou o lugar ao lado dela, em que Bill estivera sentado, e lhe dirigiu o olhar de satisfação.—Você salvou a minha vida!—O que fez Will dirigir-lhe um sorriso sincero.—Eu poderia até te beijar!—Ela exclamou, sem pensar; o que fez Will ficar sério.—Quero dizer...—Ela deixou a frase morrer, ficando vermelha de vergonha pelo que tinha dito e desviando o olhar do dele. Enquanto ele ficava desejando ter a cara-de-pau que George tinha ou a coragem de seu primo para dizer-lhe para beijá-lo, se era o que ela queria.
Os dois se recostaram em suas poltronas e ficaram em completo silêncio, sentindo-se completamente estranhos. Will estava tentando se decidir se devia convidá-la para sair com ele no fim de semana, como tinha garantido a Bill que fariam, mas não parecia conseguir pronunciar as palavras. E Elizabeth passou a observar o movimento do restante dos alunos. Viu Lydia e Catherine entrarem no auditório na companhia de George e Richard, os quatro riam de alguma coisa que Lydia estava dizendo.
A voz de Lydia estava tão ressonante que despertou Will de seus pensamentos. Ele passou a observá-la também, ao perceber que era isso que Elizabeth estava fazendo. Ele começou a perceber que Lydia e Elizabeth tinham muito pouco em comum, mas eram amigas. Não conseguia ver o porquê. Lydia às vezes era tão mal educada, como quando disse a Elizabeth para não ir a casa dela no sábado pela manhã porque não havia nada que a fizesse acordar cedo, muito menos quando o motivo era um livro. E disse isso bem na frente de Charlotte, quem escrevera o livro e quem é sua amiga.
--Lydia não é uma má pessoa, sabia?—Elizabeth comentou, ao ver a expressão que estava no rosto dele ao observar a amiga dela.—Ela é a pessoa mais honesta que conheço.—Ela continuou quando Will lhe dirigiu o olhar.—Ela pode não ter tanto tato como as demais pessoas tentam ter, mas ela não mente; ela sempre diz o que lhe vem a mente.—Dizendo isso olhando para ele, quem estava se perguntando se ela conseguia ler a sua mente, voltou a observar a sua amiga.—Ela diz algumas coisas que podem ofender as pessoas, mas, na maioria das vezes, ela não pretende ofender ninguém. Ela só não sabe ter limites.
--Não precisa me dizer isso; já deu para perceber.—Will replicou, voltando o seu olhar para Lydia (quem já estava se aproximando da plataforma em que eles estava sentados, na companhia de Catherine, George e Richard).—Aquilo que ela falou do livro da sua amiga mesmo foi...—E voltou a dirigir o olhar a Elizabeth, para ver ela abrir um sorriso para ele.
--Mas Charlotte não se importa.—Elizabeth garantiu.—Na verdade, Charlotte sabe que Lydia adora as histórias que ela escreve; uma prova disso é que ela sempre pede para Charlotte escrever um personagem inspirado nela.—E imitando a voz e as feições da amiga, completou.—Aí sim, você teria uma grande história!—O que fez Will rir. Lydia e o restante do grupo não demoraram a vir ocupar os seus lugares e a palestra não tardou em começar.
Aquela tarde, mais uma vez, Elizabeth decidiu chegar mais cedo para a sua aula de dança. Guardou a partitura da música Time em sua mochila e avisou a Jane que estava indo a escola mais cedo. Jane preferiu ficar em casa, garantindo-lhe que a encontrava mais tarde, na aula de dança. E Elizabeth saiu de casa sozinha.
Elizabeth chegou à escola praticamente no mesmo horário que chegara à quarta-feira passada; desta vez, no entanto, foi direto para a sala em que havia aulas de piano. Parando diante a porta fechada, pode ouvir o som de algumas notas musicais e sorriu ao saber que a menina loira devia estar tocando àquele momento. Abriu a porta com todo o cuidado possível e colocou a cabeça para dentro da sala, ao ouvir a voz da sra. Delacour—ela estava dando algumas orientações a menina loira, quem estava tocando a música Stars and Butterflies (tema principal de “Orgulho e Preconceito”). Elizabeth sorriu ainda mais ao ouvir a música. E quando estava preste a fechar a porta, já do lado de dentro da sala, a sra. Delacour virou-se para encará-la.
--Posso te ajudar com alguma coisa, srta. Abbott?—O tom de sua voz era de uma seriedade apavorante e o olhar que ela dirigia a Elizabeth era um que recomendava que ela pedisse desculpas e se retirasse da sala no mesmo instante.—Deseja falar comigo sobre alguma coisa? ...Se este é o caso, tenha a bondade—tradução: educação.—de aguardar lá fora; agora eu estou dando aula.
--Na verdade,...—Elizabeth, no entanto, não correu; sustentou o olhar azedo que a sra. Delacour estava lhe dirigindo e disse, com toda a educação que possuía.—eu estava imaginando se seria possível... sentar-me em uma das cadeiras no fundo da sala e assistir a sua aula.—A sra. Delacour ficou um segundo apenas em silêncio, totalmente surpresa com a ousadia da menina. Mas logo se recuperou e disse.
--Não. Isso não será possível.—Com um olhar severo dirigido a Elizabeth.—Queira se retirar.
--Ahh... Ok, então.—Elizabeth disse, incerta do que fazer. Olhou rapidamente para a menina loira, quem tinha parado de tocar o piano e estava sentada de lado, para poder olhar para Elizabeth, e lhe dirigiu um pequeno sorriso.—Eu vou me retirar, então.—Elizabeth disse, em seguida, olhando para a sra. Delacour; olhando de volta para a menina loira, piscou para ela (quem sorriu em resposta) e virou as costas; abriu a porta e saiu da sala, sem ver o momento em que a sra. Delacour dirigiu um olhar de reprovação a menina loira, fazendo-a voltar a sentar-se de frente para o piano.
Elizabeth sentou-se ao chão ao lado da porta da sala em que a sra. Delacour estava dando aula, abriu a sua mochila, tirou o livro de Charlotte de dentro, abriu-o na página em que tinha interrompido a sua leitura e a retomou, ainda ouvindo as notas do piano. Um bom tempo depois, o som que vinha da sala de aula cessou e um minuto depois a porta da sala se abriu. A sra. Delacour quase passou por cima de Elizabeth ao sair da sala, porque não a tinha visto sentada ao chão. Parou no exato momento em que ia pisar em sua mão. Ficou parada, de pé, olhando para Elizabeth, ainda sentada ao chão, com o olhar erguido para ela.
--Srta. Abbott!—A sra. Delacour exclamou, deixando transparecer sua irritação.—O que você está fazendo aí?
--Esperando...—Elizabeth começou a responder, ao mesmo tempo em que fechava o livro e o guardava na mochila.
--Esperando?!—Mas a sra. Delacour a interrompeu.—Sentada no chão?! Não conseguiu encontrar um lugar mais apropriado para se sentar?!—Ela parecia indignada.
--Não.—Elizabeth replicou, sem vergonha alguma. Ela se ergueu do chão e pôs a alça da mochila no ombro.
--O que você quer?—A sra. Delacour inquiriu, com um olhar de desgosto para Elizabeth.
--Com a senhora, nada.—Elizabeth respondeu, sem demonstrar sentir medo.—Eu estava esperando por sua aluna, na verdade.—E completou a sua resposta.
--Ahh.. sim. Claro.—A sra. Delacour dirigiu o olhar para a porta por onde tinha saído, que estava entreaberta.—Ela é uma boa aluna.—Comentou, voltando a olhar para Elizabeth. Quem logo percebeu, pelo seu tom de voz, que aquelas palavras tinham mais significados que um simples elogio.
--Tão diferente de mim, não é?—Elizabeth replicou, com um olhar impertinente.
--Você não era uma má aluna, srta. Abbott; apenas, precisava se dedicar mais aos seus treinos.
--Sim, claro. Porque nenhuma excelência é conquistada sem a prática constante!—Elizabeth argumentou, com ar de deboche.
--Corretamente.—A sra. Delacour confirmou, seriamente.—Bem, tenha uma boa tarde, srta. Abbott.—E com isso ultrapassou Elizabeth e seguiu o seu caminho.
--Igualmente, sra. Delacour.—Elizabeth respondeu para a figura em retirada. Depois entrou na sala, fechando a porta a suas costas.—Oi!—Ela cumprimentou a menina loira assim que entrou.
--Oi!—Quem sorriu amigavelmente quando a viu.—Eu quase não acreditei quando ela te expulsou da sala.—Ela comentou, com veemência.
--Sim; ela não é um amor?!—Elizabeth replicou com sarcasmo.
--Não.—A menina loira respondeu, sinceramente. O que fez Elizabeth rir com vontade.
--Mas... ela lhe fez um elogio.—Elizabeth comentou.
--Sim. Ela fez.—O que trouxe um sorriso ao rosto da menina.
--Bem, eu vim aqui para lhe dar isso.—Elizabeth se aproximou mais da menina, tirou a alça da mochila do ombro e apoiou a mochila em uma das cadeiras; abriu a mochila e tirou as partituras de dentro dela, entregando-a a menina.—É uma música chamada Time, de Chantal Kreviazuk. É tocada num piano e é muito bonita, além de ser mais animada em comparação com a que eu toquei para você na quarta-feira.
--Obrigada!—A menina aceitou as partituras e já começou a folheá-las, com um brilho no olhar.
--Agora suas colegas de sala não podem mais lhe acusar de só estar aprendendo música de “gente morta”.
--Obrigada!—A menina loira repetiu, direcionando o seu olhar para Elizabeth e sorrindo.—Muito obrigada, mesmo.—Voltando a olhar para a partitura da música.—Mas as meninas já não estão mais pegando tanto no meu pé porque eu tomo aulas de piano.—Ela comentou, satisfeita.
--Ah não?—Elizabeth questionou, sentando-se na cadeira mais próxima.
--Não.—A menina loira seguiu o seu exemplo e também sentou-se em uma cadeira, ficando de frente para Elizabeth.—Eu disse a elas o que você tinha me dito e elas nunca mais pegaram no meu pé. E depois, quando viram o meu irmão e o meu primo, no outro dia, ficaram muito felizes de me conhecerem.
--Oh... Isso é...—Elizabeth não sabia ao certo o que dizer.—falsidade.—E preferiu ser sincera.
--Eu sei. Mas eu não gosto muito das meninas que disseram isso; então, não me importo.—A menina continuou, ainda satisfeita, olhando para a partitura que tinha em mãos.—Já estou até acostumada. No meu outro colégio também era assim. Meu irmão sempre fez muito sucesso.
--É mesmo?—Elizabeth riu, lembrando-se quando tinha aquela idade e ficava suspirando pelos meninos mais velhos.
--Você tem namorado?—A menina loira inquiriu, de repente, erguendo o rosto para olhar Elizabeth com expectativa.
--Ah... não.—Elizabeth respondeu, imaginando aonde a menina queria chegar com aquela pergunta.
--Meu irmão também não tem namorada.—A menina comentou, sorrindo maliciosamente.
--Mesmo?—Elizabeth preferiu fingir não estar entendendo aonde ela queria chegar.—Isso me surpreende, já que você disse que ele sempre faz sucesso com as meninas.
--E ele faz!—A menina respondeu com veemência.—Ele é um gato!
--E por que ele não tem uma namorada?—Elizabeth replicou, divertindo-se com o jeito da menina de defender o próprio irmão.
--Porque ele tinha terminado com uma garota alguns meses atrás, quem era da sala dele no nosso antigo colégio, e depois disso não namorou mais ninguém. ...Assim... que tenha levado lá em casa.—Ela explicou, prontamente.—Ele ainda não encontrou a garota certa.
--Sei.—Elizabeth decidiu não fazer outro comentário; querendo ver se a menina diria alguma coisa com relação a ela, como acreditava que ela diria.
--Não é por falta de opção.—A menina continuou, fazendo Elizabeth voltar a rir.—Tem uma menina mesmo que eu tenho certeza que quer ser a namorada dele.—Elizabeth parou de rir, mas continuou com um meio sorriso nos lábios.—Ela é bonita e tudo, mas... é chata.
--Bem, talvez o seu irmão não ache que ela é chata.—Elizabeth argumentou.—Talvez ele goste dela.—Ao que a menina não demorou em protestar.
--Ah não! Ele não gosta dela. Ele também acha que ela é chata!
--Ele disse isso?—Elizabeth inquiriu, por pura curiosidade.
--Não precisou. Eu pude ver na cara dele quando ela estava lá em casa no fim de semana passado.
--Oh...—Neste ponto Elizabeth ficou mais séria; não podia deixar a menina se enganar.—Se ele a levou a sua casa é porque gosta dela.
--Não. Ele não levou. Os pais dela conhecem os meus pais e eles foram convidados para almoçar lá.—Aqui não houve discussão.—E ele ficou todo o tempo tentando se livrar dela, fazendo ela conversar comigo... Ela foi a única que não percebeu.
--Isso acontece!—Elizabeth começou a se lembrar de Bill Collins.
--Ela é tão chata! Fica ligando pra lá o tempo todo, querendo falar com o meu irmão. E ele sempre diz para dizer que não está em casa.—A menina loira riu e Elizabeth a acompanhou, identificando-se muito com aquela situação.—E quando ela me vê no corredor, aqui na escola, fica me chamando de “querida Georgiana”!—Ela fez uma careta ao dizer isso.
--Georgiana?—Elizabeth perguntou.
--Sim. Eu, Georgiana. ...Mas as meninas da minha sala me chamam de Ana, porque o meu nome é muito grande.—Elizabeth sorriu; o nome dela não era exatamente pequeno, tão pouco.—Elas dizem que quando der tempo para elas terminarem de pronunciar o meu nome por inteiro eu já vou ter sido atropelada por um ônibus.—O comentário fez Elizabeth rir ainda mais.
--Meu nome é Elizabeth. Não tão diferente do seu.—Disse.—Os meus amigos geralmente me chama de Lizzie.
--Então,... Lizzie, você quer conhecer o meu irmão?—Georgiana finalmente chegou a pergunta que queria fazer desde que viu Elizabeth entrar a primeira vez naquela sala esta tarde.—Ele é muito bonito.
--Sim, você já disse isso.—Elizabeth dirigiu um de seus olhares maliciosos a menina, como se lhe dissesse que já imaginava que era isso o que ela queria.
--E ele é legal.
--Sim, você também já disse isso.
--E ele não tem namorada; você disse que não tem namorado.—Georgiana persistiu, dirigindo um olhar piedoso a Elizabeth. Quem estava começando a se perguntar como ia conseguir dizer não a ela, com ela a olhando daquele jeito.—E você é tão legal; eu sei que o meu irmão vai gostar de você!—Georgiana concluiu com veemência.
--Eu...—Elizabeth não sabia o que dizer; já estava tendo trabalho em se livrar de Bill, não precisava arranjar outro menino naquele momento.—Eu não sei, Ana. Eu...
--Você vai gostar dele, eu garanto.—Georgiana insistiu.—Se não gostar...—Georgiana ficou pensando por um segundo.—eu te apresento o meu primo!—E depois conclui, com energia; fazendo Elizabeth gargalhar.
--O que é isso? Você está leiloando a sua família?—Elizabeth perguntou, ainda rindo.
--Ah, vamos, Lizzie. Deixe-me te apresentar o meu irmão e o meu primo.—Georgiana não se abateu com o jeito de Elizabeth.—Eu lhe asseguro que você não vai se arrepender. Os dois são gatos!
--Tudo bem, então.—Elizabeth cedeu.—Você pode me apresentar ao seu irmão e ao seu primo.—Georgiana vibrou de alegria ao ouvir a resposta de Elizabeth.
--Ótimo!—Georgiana pôs-se de pé num pulo e segurou Elizabeth pela mão.—Então venha comigo lá fora...—Ela fez Elizabeth se erguer de sua cadeira e carregar a mochila consigo, seguindo em direção a porta, sendo levada por ela pela mão.—Ele já deve estar lá fora, me esperando; eu apresento você a ele!
--Ah... não! Hoje não, Ana.—Elizabeth impediu que Georgiana continuasse a puxá-la e parou de andar quando as duas alcançaram o corredor.—Na verdade, eu já estou atrasada para a minha aula de dança...—Elizabeth indicou a porta ao fim do corredor.—Então, eu preciso ir. Um outro dia você me apresenta a ele.—Georgiana a fitou com um olhar de decepção, mas concordou.
--Tudo bem, então.
--Tchau, Ana!—Elizabeth disse, apressando-se em ir para a sua sala de aula.
--Tchau, Lizzie.—Georgiana respondeu, seguindo na direção oposta.
Elizabeth entrou na sala de aula, encaminhando-se para perto da sua irmã e das suas amigas, que estavam ao fundo da sala. Elizabeth estava sorrindo e se sentindo aliviada; tinha conseguido adiar conhecer esse tal irmão de sua nova amiga. Precisava contar a Jane.














