Capítulo 13
Elizabeth passou o quarto período daquela quinta-feira lendo o livro que havia locado na biblioteca. Era aula de biologia, uma matéria que ela não conseguia gostar. E, mesmo sentido a sua consciência pesar (pois, por mais que não gostasse da matéria, precisava tirar boas notas para passar de ano e não conseguiria isso se continuasse a aproveitar todas as desculpas que encontrasse para não prestar atenção nas aulas), decidiu que queria terminar de ler aquele livro e devolvê-lo a biblioteca ao fim daquela aula. E sabia que conseguiria ler aqueles últimos dois capítulos em uma hora e meia facilmente.
Elizabeth conseguiu terminar o livro vinte minutos antes de a aula terminar e com isso pode copiar as respostas corretas do exercício de biologia que o profº Yurihshen pôs no quadro negro. Com o fim da aula, Elizabeth recolheu os seus materiais e os guardou em sua mochila. Encaminhando-se a saída da sala, avisou a Lydia e Catherine que estava indo a biblioteca, que as encontrava depois ao auditório.
Bill Collins tentou encurralá-la novamente, esperando por ela ao fim do corredor. Notando a sua presença, Elizabeth resolveu retroceder em seu caminho e tomar outro corredor para a biblioteca. Estando na biblioteca, devolveu o livro e ficou perambulando pelas estantes, em busca de um novo para locar. Como a biblioteca estava praticamente vazia, a maioria dos alunos já estava se dirigindo ao auditório, poderia escolher tranquilamente o livro. Mas estava cansada, os seus olhos teimavam em se encher de lágrimas toda vez que abria o livro e lia a sua orelha. Sem falar que ficava bocejando a todo o tempo. Então, decidiu desistir de sua busca e se encaminhar ao auditório. Deduzia que a palestra já havia começado, o que lhe dava certa segurança de que Bill já teria desistido de esperar por ela e ido procurar um lugar ao auditório para se sentar.
Então, saiu da biblioteca e seguiu em direção ao auditório. Estava certa, afinal; Bill não estava em lugar algum ao alcance de sua vista e, ao entrar no auditório, viu que a palestra havia começado. Caminhou-se para onde sabia que as suas amigas estariam sentadas, unicamente para ver que elas não eram as únicas que estavam lá. Os meninos voltaram a ocupar os lugares próximos as suas amigas. George estava mais uma vez sentado ao lado de Lydia e, surpreendentemente, estavam conversando, aos cochichos; Richard estava sentado após George e ao lado de Catherine, quem estava inquieta; depois de Catherine estava sentada Charlotte e havia um lugar vago após ela, depois havia Will, Charles e Jane.
Elizabeth, como era de se esperar, ocupou o lugar vago ao lado de Charlotte; notando que Will a estava olhando o tempo todo em que ela levou para entrar entre as fileiras de poltronas e ocupar o lugar vago ao seu lado, e que só desviou o olhar para o palco do auditório quando ela se acomodou em sua poltrona.
--Kitty disse que você foi a biblioteca, devolver o livro que havia locado.—Charlotte murmurou para Elizabeth.—Locou algum outro livro?
--Não.—Elizabeth murmurou de volta.—Estou pensando em voltar lá depois da palestra e pegar um.
--Não. Eu estou certa que consigo terminar o meu livro hoje...—Charlotte comentou, recebendo um sorrido de antecipação de prazer de Elizabeth.
--Oh... Você vai trazer ele para mim amanhã, não vai?!—Ela disse com excitação, se remexendo em sua cadeira.
--Era isso o que eu ia dizer!—Charlotte também parecia animada.
Elizabeth passou os instantes seguintes pensando no livro de Charlotte, imaginando que história ela teria escrito desta vez. E questionou a amiga, ainda muito animada.
--Que nome você deu?
--You don’t see me.—Charlotte replicou, continuando a ver os olhos da amiga brilharem de excitação e o seu sorriso só aumentar.
--Tem alguma coisa a ver com a música You don’t see me, de Josie and The Pussycats?—Elizabeth inquiriu, depois de ponderar sobre o nome do livro por alguns minutos; já tentando descobrir sobre o que era o livro.
--Sim.—Charlotte replicou, já ciente do que a amiga estava tentando fazer.
--E...—Mas antes que Elizabeth pudesse fazer a sua pergunta, Charlotte a interrompeu.
--Pare de tentar descobrir sobre o que é o livro, Lizzie.—O tom de Charlotte era evidente de reprovação, apesar de ela estar murmurando.—Você o lerá amanhã.—Mas Elizabeth apenas sorriu para a amiga, ao se acomodar melhor em sua poltrona; sabia que ela não estava irritada de verdade, sabia que ela adorava a animação de Elizabeth para ler os seus livros. Era essa exatamente uma das razões porque Charlotte sempre garantia que Elizabeth fosse a primeira a ler os seus livros, uma vez que estavam prontos.
Elizabeth tentou prestar atenção na palestra, qual era sobre Engenharia Mecânica. Mas não conseguiu; ficava ouvindo partes da música em sua mente e tentando desvendar sobre o que poderia ser o livro, baseando-se na música. Foi então que decidiu pegar o seu MP3 e procurar a música em seus arquivos, para ouvi-la. Abriu a sua mochila, tirou o aparelho de dentro dela, colocou-a no chão, aos seus pés, e ligou o aparelho, voltando a se recostar em sua poltrona e por os fones de ouvido. Ouvindo a música, começou a deixar sua mente vagar por várias hipóteses e cenários diferentes. Decidiu deixar os seus olhos descansarem, então os fechou.
No meio da palestra, Will sentiu Elizabeth recostar a cabeça em seu ombro. Ele virou o rosto automaticamente em sua direção e percebeu que ela tinha os olhos fechados, por debaixo das suas franjas e cílios longos; ficou se perguntando se ela estaria fazendo isso de propósito. Mas logo percebeu que ela estava, genuinamente, dormindo, porque ela estava com a respiração lenta. Ele tentava ver o seu rosto, mas na posição em que se encontrava era difícil enxergá-lo por completo; apenas conseguia ver o contorno de seu nariz e de seus lábios, fechados no formado de um coração. Tentou se mexer para ter uma visão melhor dela, mas estava com receio de acordá-la se se remexesse demais.
Ele recostou a cabeça em sua poltrona e respirou fundo. Tinha que ficar imóvel, não podia acordá-la. Ele mal podia acreditar que ela estava dormindo com a cabeça em seu ombro; o deixava com frio no estomago só de pensar nisso. Se ele conseguisse se mexer só um pouco, poderia olhá-la enquanto ela dorme; poderia até beijá-la! E com esse pensamento em mente, ele voltou a desencostar a cabeça de sua poltrona e tentar se remexer. Mas ela começou a se mexer também, o que voltou a paralisá-lo. Um dos fones de ouvido dela rolou pelo ombro dele e caiu em seu colo, mas ela continuou com a cabeça no ombro dele e com os olhos fechados, ainda dormindo tranquilamente.
Will decidiu não se mexer mais. Conformou-se em tê-la com a cabeça recostada em seu ombro, em poder sentir o distante aroma do shamppo que ela usava (ao encostar o nariz em seu cabelo e sentir o seu perfume) e brincar com o mesmo cacho de cabelo que ela estivera enrolando entre os dedos durante o intervalo daquele dia e que agora estava por sobre o ombro dele, ao alcance de sua mão.
Ao fim da palestra, Will viu todos a sua volta se levantarem de suas poltronas e começarem a se preparar para ir embora. As únicas pessoas que continuavam imóveis em seus lugares eram: Elizabeth, quem ainda estava dormindo, e ele, quem não queria acordá-la. Charles estava de pé ao seu lado, mas virado em direção a Jane, dizendo-lhe algo; ainda não tinha visto que Will estava sentado. Quando se virou em sua direção, com o intuito de sair dali, viu que Will permanecia sentado, olhando para Elizabeth, quem também estava sentada, com a cabeça encostada no ombro de Will. Charles voltou a olhar para Jane e indicou, em silêncio, que ela olhasse na direção de Will e Elizabeth; o que Jane fez e ficou boquiaberta. Aquela era uma visão pela qual ela não esperava.
--Ela está dormindo?—Jane murmurou para Will, automaticamente, como se tentasse impedir que ela acordasse por causa do barulho; o que era desnecessário, pois o que não faltava naquele auditório naquele momento era barulho, com toda aquela comoção de alunos tentando sair do auditório ao mesmo tempo.
--Ela está.—Will respondeu no mesmo tom de voz, ao dirigir o seu olhar a Jane e a Charles, percebendo, pela primeira vez, que eles os estavam observando.—Ela está dormindo já há um tempo.—Ao dizer isso, ainda com o tom de voz baixo, Will conseguiu ganhar a atenção de Charlotte, Catherine e Richard.
--Oh meu Deus.—Jane murmurou, ultrapassando Charles com cuidado no pouco espaço que havia entre as duas fileiras de poltronas e se acercando de Elizabeth.—Lizzie.—E, imediatamente, começou a chamar por ela.—Lizzie.—Curvando-se sobre a irmã e acariciando suavemente o seu braço.—Lizzie, acorde.
--Hum?—Elizabeth murmurou, ainda de olhos fechados.
--Adorde. Nós temos de ir.
--Hum... De novo não, Jane.—Elizabeth murmurou, sem se remexer. Ainda com os olhos fechados.—Deixe-me dormir.—O que fez Catherine abafar um risinho.
--Lizzie, nós temos de ir.—Jane persistiu.—Eu prometo que eu deixo você dormir assim que chegarmos em casa.—Mas Elizabeth continuava com os olhos fechados e com a respiração lenta.—Você vai poder dormir na sua cama, que é muito mais confortável.
--Aqui está bom.—Elizabeth voltou a murmurar, se aconchegando mais no ombro de Will, fazendo-o sentir o seu estomago dar uma reviravolta.
--Lizzie, Will tem de ir para casa!—Jane replicou, persistentemente; sacudindo o ombro da irmã de leve. Catherine abafou outro risinho, o que chamou a atenção de Lydia e George.
--O que está acontecendo?—Lydia perguntou em alto e bom som, aproximando-se de Catherine e vendo a cena que todos estavam olhando.—Oh meu Deus, Lizzie!—E voltou a exclamar, rindo também.
O que acabou por despertar Elizabeth por completo; quem abriu os olhos para ver Jane de pé a sua frente, curvada em sua direção, e Charles de pé ao lado dela, olhando-a com um jeito engraçado. E de repente estava ciente de onde estava e o que esteve fazendo; virando o rosto na direção de Will e encontrando-o a observá-la, percebendo que estava com a cabeça apoiada no ombro dele. Imediatamente ela se desencostou dele e da sua própria poltrona, permanecendo ainda sentada por mais um minuto, como se tentasse se situar melhor aos acontecimentos que a acometeram— estivera dormindo aquele tempo todo e com a cabeça no ombro de Will. E ela começou a se sentir ridícula.
Will continuava sentado ao seu lado, na mesma posição em que ela o deixou, a observando. Elizabeth estava com medo de olhar para ele e para os outros, pois já havia percebido que Jane e Charles não eram os únicos que os estavam observando. Podia sentir o olhar de Charlotte, Catherine, Richard, Lydia e George sobre ela, além de ouvir cochichos (nas vozes de Lydia e Catherine, aos risinhos).
Elizabeth respirou fundo, levou as duas mãos aos cabelos e começou a enrolá-los, prendendo-o em um coque mal feito ao dar um nó no próprio cabelo, deixando alguns fios escaparem. Will admirava cada um de seus movimentos, apreciando a visão de seu pescoço que agora estava exposto. Ela, então, tirou o outro fone do ouvido, desligou o seu aparelho e enrolou o fio nele, pegando a sua mochila do chão e guardando o MP3 de volta.
--Eu poderia lhes dar uma carona até em casa.—Will ofereceu, olhando de Elizabeth (quem permanecia de costas para ele) para Jane, quem lhe deu um sorriso.
--Não, obrigada.—Elizabeth replicou, imediatamente. Ainda evitando olhar para ele.—Nós podemos pegar o nosso ônibus, tranquilamente.—E ergueu-se de sua poltrona, colocando a alça da mochila no ombro e tentou sair de lá o mais rápido que conseguiu, sentindo o seu rosto arder de rubor.—Vocês vão ficar parados aí o resto do dia?!—Ela questionou aos demais, irritada. O que fez Charlotte virar-se na direção da saída e começar a apressar os outros para saírem também.
Do lado de fora do colégio, Elizabeth precisou esperar por Jane, quem havia ficado para trás na companhia de Charles e Will quando Elizabeth saiu do auditório às pressas. Em conseqüência disso, a irmã se acercou dela ainda na companhia dos dois meninos em questão; vindo a receber novas ofertas de carona, desta vez de ambos os garotos. As quais ela voltou a recusar, mas mais delicadamente desta vez, pois já havia se recuperado do embaraço. Capaz até de fazer um comentário com Will.
--Você podia ter me acordado ou... empurrado para o outro lado.—Ao que ele respondeu, com bastante sinceridade.
--Mas você não estava me incomodando.—Pelo contrário, ele pensou, eu gostei muito!
--Bem, nós devemos ir agora...—Jane disse, ganhando a atenção de Elizabeth, quem estivera perdida na imensidão do azul dos olhos de Will.—Senão vamos perder o nosso ônibus.
--Certo.—Elizabeth concordou.—Então, boa noite.—Ela disse, olhando para os meninos.—Quero dizer, tchau!—Ela corrigiu apressadamente e deu-lhe as costas, afastando-se deles; voltando a sentir o seu rosto arder de rubor.
--Tchau!—Charles e Will responderam juntos. Jane despediu-se de Charles e apressou-se em acompanhar Elizabeth. Charles aproximou-se de Will e bateu em seu ombro, levemente, em um cumprimento, como se lhe dissesse: “parabéns!”. E os dois seguiram na direção oposta a que as meninas haviam tomado, voltando para o estacionamento da escola.
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Will se aproximou de seu carro ao estacionamento da escola, onde a sua irmã esperava por ele na companhia de duas amiguinhas de sala. Charles estava com ele e Will estava ciente que o seu amigo vinha lhe dirigindo olhares engraçados e meio sorrisos desde que se despediram das meninas, mas tentava ignorá-lo. Sentia uma vontade imensa de sorrir, mas tentava se controlar.
Ao passar por sua irmã, seguindo em direção a porta do motorista de seu carro, viu que as amigas de Georgiana estava entusiasmadas em vê-los. E quando Charles cumprimentou-as também com um rápido sorriso, ao cumprimentar Georgiana, ouviu as meninas suspirarem, sonhadoramente, e, ao olhar para elas, viu que elas estavam corando. Will despediu-se de Charles e entrou no carro, enquanto Charles seguia o seu caminho, indo à direção do seu próprio carro.
Georgiana entrou no carro depois dele, em silêncio. Ele não disse nada a ela, tão pouco. Colocou o cinto de segurança e a chave do carro na ignição, ligando o carro. Georgiana já tinha colocado o cinto de segurança também, então ele tirou o carro do estacionamento. Enquanto estava a caminho de casa, ficou lembrando de Elizabeth dormindo com a cabeça apoiada em seu ombro e começou a sorrir.
--Por que você está sorrindo?—Georgiana perguntou a ele, curiosa.
--Ham?—Will replicou; não havia ouvido o que ela disse.
--Por que você está sorrindo?—Georgiana continuou a olhar para ele com curiosidade, além de estar sorrindo também.
--Nada.—Will respondeu, desviando o olhar de sua irmã.
--Oh, por favor, Will! Você está com essa cara de bobo desde que saímos da escola!—Georgiana comentou, deixando Will sem graça.—Quando você se aproximou de mim na companhia de Charles, no estacionamento, você já estava sorrindo feito bobo!—Mas Will permaneceu calado e com o olhar fixo na estrada.—Por favor, diga que não foi Caroline que o deixou sorrindo desse jeito!—Georgiana insistiu, com um tom de desgosto na voz.
--Como?!—Recebendo o olhar de incredulidade do irmão.—Não!!—Ele respondeu com veemência.
--Ótimo!—Georgiana não tentou esconder o seu alivio com a resposta do seu irmão.
Eles seguiram o resto da viagem em silêncio. Will voltou a pensar em Elizabeth, mas controlou-se para não rir “feito bobo” e voltar a chamar a atenção de sua irmã. Enquanto Georgiana voltava a prestar atenção nele, reparando que ele continuava estranhamente contente.
Will permaneceu assim o resto do dia, como se estivesse andando em nuvens. Estava sempre distraído, nunca sabia quando alguém estava falando com ele. E, várias vezes, pegou-se durante aquela tarde imaginando se Elizabeth estaria dormindo àquele momento e o que estaria sonhando.
Elizabeth realmente dormiu aquela tarde. Depois que almoçou e tomou um banho, deitou-se em sua cama e dormiu até o começo da noite. Ficava tendo sonhos muito confusos, os quais geralmente começavam com ela lendo o livro que Charlotte havia escrito e terminavam com ela sendo um de seus personagens. Em um desses sonhos, ela estava de volta ao auditório da escola, sentada ao lado de Will e caia no sono mais uma vez, encostando a cabeça no ombro dele. Começava a sonhar com ele e acabava declarando que estava apaixonada por ele enquanto dormia. E quando acordava, todos tinham ouvido e ficavam olhando para ela, rindo do que tinham ouvido—até mesmo ele! E a voz de Charlotte começava a ecoar por todo o auditório e todos ouviam Charlotte narrar o que tinha acabado de acontecer, como ela narrava as suas histórias, deixando Elizabeth ainda mais constrangida, deixando o seu rosto num tom escarlate de rubor.
Na sexta-feira tudo parecia maravilhoso. Will chegou à escola cedo, conseguiu evitar Caroline e a mania que ela tinha de agarrá-lo pelo braço quando estava falando com ele. Viu Elizabeth quando ela chegou à escola e ela estava tão bonita quanto os dias anteriores. Os dois trocaram algumas breves palavras quando estavam na sua costumeira roda de amigos antes de ela entrar na sala e ele seguir para a sua, juntamente com Charles, Richard e George.
Durante o intervalo, voltaram a sentarem-se juntos à mesma mesa. Mais uma vez, ele sentou-se de frente para ela, embora os demais tenham sentado em posições diferentes—Richard estava sentado de frente para Catherine, George e Lydia estavam sentados lado a lado. Charlotte estava sentada ao lado de Elizabeth, e esta, por sua vez, estava empolgada lendo o livro de Charlotte. E ele, como sempre, estava admirado com a satisfação que ela sentia ao ler aquele livro, pois ela ria sozinha a cada minuto ou então exclamava “eu não acredito!” e olhava para Charlotte, sorrindo.
--Oh,.. ele é tão cego!—Ela exclamou, olhando para Charlotte irritada com alguma coisa que ela tinha acabado de ler.
--Não é mesmo?!—Mas Charlotte riu para ela, satisfeitíssima.—Mas ela vai dar um jeito nele!
--O que?—Richard inquiriu.—Quem é cego?!—Mas Elizabeth sequer lhe dirigiu o olhar, voltou a ler o livro (excitada para descobrir como a heroína do livro ia dar um jeito no herói).
--Oh, não ligue para ela.—Catherine replicou.—Ela está lendo o livro que Charlotte escreveu.
--Oh meu Deus!—Elizabeth voltou a exclamar; desta vez, aos risos.—Ela o jogou dentro d’água!?—E voltou a olhar para Charlotte, boquiaberta.—Ela o jogou dentro do d’água?!—E repetiu, ainda aos risos; o que fez Charlotte e Jane rirem.
--Oh, pare, Lizzie!—Lydia reclamou, do outro lado da mesa, onde estava sentada.—Eu não quero ouvir; eu ainda não li o livro e quero lê-lo! E não vai ter graça nenhuma de ler o livro se eu já souber todas as melhores partes porque você não consegue ficar calada!—E estava realmente irritada ao dizer isso, o que fez Elizabeth rir ainda mais; Lydia irritada era uma coisa muito engraçada de se ver.—Eu não sei porque Lizzie tem de ser a primeira de nós a ler o livro, quando fui eu quem pediu para ler primeiro desta vez!
--Ela jogou quem dentro d’água?—Richard inquiriu, ignorando os protestos de Lydia. O que fez Lydia bufar de raiva e calar-se.—E quem é ela?
--São dois personagens do livro de Charlotte, “You don’t see me”.—Jane respondeu.
--E um dos personagens jogou o outro dentro d’água? Numa piscina?—Ele inquiriu, curioso. Todos estavam prestando atenção, porque também estavam curiosos.
--Não, num lago.—Charlotte respondeu.
--E por que ela fez isso?—Richard questionou.
--Porque ele é um idiota e mereceu!—Elizabeth respondeu a pergunta de Richard, com bastante emoção. E, dirigindo o olhar para Charlotte, disse.—Era exatamente isso o que eu faria no lugar dela!
--Foi exatamente o que eu pensei!—Charlotte replicou, sorrindo.—Era exatamente isso o que você faria!—O que fez Elizabeth sorrir ainda mais e voltar a sua atenção para o livro. Mas a atenção dela foi roubada, quando ela ouviu a voz de Will.
--O que isso significa?—Ele inquiriu a Charlotte, quem dirigiu o seu olhar a ele, juntamente com Elizabeth e o restante do grupo.—Você criou um personagem inspirado em Elizabeth?
--Não, necessariamente.—Charlotte respondeu e voltou a ficar em silêncio, embora Will permanecesse a encará-la, esperando mais explicações.
--Charlotte, ás vezes, dá a um de seus personagens algumas características de uma de nós,—No entanto, foi Catherine quem respondeu a sua pergunta.—ou cria uma cena baseada em um fato que já aconteceu com uma de nós.
--Sério?—Richard questionou, fitando Charlotte com interesse.—Conte-me uma.—E requereu a escritora, quem estava ficando vermelha de vergonha.
--Não, porque eu ainda não li o livro!—Lydia reclamou, recebendo um olhar irritado de Richard.
--Não precisa ser deste livro.—Richard disse, logo em seguida. E redirecionando seu olhar para Charlotte, refez o seu pedido.—Pelo o que eu entendi, você já fez outras cenas baseadas num fato real, certo?—Ao que Charlotte respondeu positivamente com um aceno de cabeça, timidamente. Elizabeth esqueceu-se totalmente do livro, porque o que estava acontecendo com a sua amiga naquele momento era muito mais interessante. Nunca vira Charlotte ficar tão vermelha e tímida na frente de alguém antes.—Conte-me uma, então.
--Teve uma vez que ela escreveu sobre como Elizabeth deu fora em um menino na sétima série; lembra, Lizzie?—Catherine comentou.—Ele não largava de seu pé, não importava quantas vezes você recusasse sair com ele.
--Oh, sim!—Elizabeth riu, maliciosamente.
--Mesmo?—Will questionou, tendo o seu interesse despertado.—Como foi isso?—O que fez Elizabeth olhar para ele, com os olhos brilhando, e prender uma risada.
--Ela disse que minha mãe tinha prometido ela a Deus quando ela nasceu, porque, supostamente, ela tinha uma doença séria do coração e não teria mais de alguns meses de vida; que só um milagre poderia curá-la.—Jane explicou, aos risos.—E que, por isso, o destino dela era ser freira!—Todos estavam gargalhando a esta altura.—E ameaçou converter o menino a nossa religião!—Jane completou, o que fez todos rirem mais alto.
--Eu não sabia que a sua família era assim tão religiosa.—Charles comentou, tentando controlar o seu ataque de riso; ele estava vermelho de tanto rir.
--Nós não somos!—Jane replicou, ainda rindo.—Acreditamos em Deus, mas não somos uma família assim... fervorosa.—Will olhava Elizabeth com um olhar que ela não conseguia compreender ao certo e ria como os outros.
--Então, você mentiu!—Ele brincou com ela.
--Por favor! Se eu menti foi porque ele pediu.—Elizabeth respondeu, parando de rir, mas ainda com um brilho de satisfação nos olhos.—Além do mais, qualquer um que me conheça sabe que eu não tenho vocação alguma para ser freira!
--Conte mais uma.—Charles pediu, alegremente.
--Hum...—Lydia olhou para Charles com um brilho no olhar e disse.—Teve uma vez que ela descreveu uma cena em que a personagem terminava o namoro com o menino, dando-lhe um soco e o levando a knockout.—Lydia comentou.
--E você fez isso?—Will perguntou a Elizabeth, sentindo que estava descobrindo muitas coisas sobre ela.
--Não.—Elizabeth respondeu, voltando a sorrir.—Jane fez.
--O que?!—Charles exclamou, alarmado. O que fez todos rirem e Jane ficar vermelha. George deu um tapa de leve no ombro de Charles, como se disse: “cuidado!” .—Você terminou com um de seus namorados ...socando-o?—Charles continuou alarmado.
--Não.—Jane respondeu, tentando tranqüilizá-lo.
--Mas ela disse...—Charles continuava nervoso, apontando um dedo acusatório na direção de Lydia.
--Jane bateu num menino que estava me abusando.—Elizabeth respondeu.—Eu era quinta série, ele oitava; ele sempre me abusava e naquele dia tinha conseguido me deixar aos prantos de raiva;—Ao ouvir a resposta de Elizabeth, Charles foi acalmando.—então, Jane foi atrás dele e o knockoutou na frente de todos os amigos dele.—Elizabeth concluiu a sua narração dirigindo um olhar cheio de orgulho a Jane, quem sorriu timidamente para a irmã.
--Quem te ensinou a knockoutear alguém?—Richard perguntou, surpreso.
--Lizzie.—Jane respondeu; e foi a vez dela de dirigir um olhar cheio de orgulho a irmã.
--Então, por que você não o knockoutou?—Will perguntou a Elizabeth.
--Eu não poderia.—Elizabeth respondeu, olhando para ele.—Eu era apaixonada por ele.
--Oh...—Ela ouviu um sonoro assomo de todos os meninos.
--E, se algum dia eu tive qualquer chance com ele, depois disso eu não tive mais!
--Porque ele ficou com raiva de você e de sua irmã!—George argumentou.
--Não.—Elizabeth replicou, sorrindo.—Pelo contrário, ele nunca mais implicou comigo!
--Ele ficou com medo?—Will inquiriu.
--Não. Ele se apaixonou...—Elizabeth disse, recebendo um olhar confuso de cada um dos meninos.—por Jane.—E em seguida todos eles voltaram a ter o mesmo assomo.
--Oh...—Depois disso, recaiu um silêncio sobre todos a mesa. Elizabeth voltou a ler o livro e em pouco tempo estava tendo mais um de seus arroubos de excitação. O que voltou a despertar a curiosidade de Richard, quem começou a fazer perguntas a Elizabeth quanto ao que estava acontecendo, e a fazer Lydia reclamar.
--Acalme-se, Lydia!—Elizabeth replicou depois de um tempo, seriamente.—Eu não vou dizer mais nada.—O que calou Lydia.—E prometo que vou terminar de ler o livro hoje de noite e levo-o para você em sua casa amanhã de manhã, bem cedo.
--Você ficou maluca?!—Lydia exclamou.—Não há nada que me faça acordar cedo numa manhã de sábado! Muito menos para ler um livro!
--Tudo bem, eu levo na sua casa pela tarde.—Elizabeth replicou, satisfeita. Sabia que estaria muito cansada para acordar cedo no sábado se ia ficar lendo o livro até mais tarde esta noite.














