Capítulo 11
Quarta-feira chegou para despertar Elizabeth com um sorriso no rosto. Surpreendentemente, terça-feira tinha sido muito boa e Elizabeth tinha acordado de excelente humor esta manhã. Elizabeth desligou o seu despertador e levantou-se de sua cama, indo ligar o seu rádio. Ele já estava sintonizado em sua estação predileta, então ela seguiu para o banheiro.
Quando Jane abriu a porta do quarto de Elizabeth, viu a sua cama vazia e ouviu a sua voz vindo do banheiro. Ela estava tomando banho, Jane pode perceber por conseguir ouvir o barulho do chuveiro ao que se aproximar da porta fechada do banheiro, e estava cantando a música que estava tocando no rádio. Jane, então, saiu do quarto de Elizabeth e voltou para o seu, indo fazer o mesmo que Elizabeth estava fazendo.
Elizabeth saiu do banheiro e começou a escolher a roupa que ia usar neste dia. Ela vestiu uma saia de prega quadriculada, que ia até quase dez dedos acima de seu joelho, e era nas tonalidades marrom claro, cinza e branco. Colocou um suéter de algodão branco e com o desenho impresso em preto do rosto de menina gótica, de cabelos longos e franjas, além de ter as seguintes frases impressas: “Bad Girl”, em cima do desenho, e “Gone Worse”, embaixo; e de mangas marrom claro, de gola em V. Depois calçou o mesmo par de botas que usara na segunda-feira. O seu cabelo, como sempre, foi o que ela demorou mais tempo para se decidir quanto ao que fazer. Por fim, penteou-o de forma a deixá-lo solto, mas colocou uma passadeira de crochê da tonalidade marrom escura e, usando o delineador de cachos, fez alguns cachos nas pontas do cabelo.
Ficou na frente do espelho se admirando, enquanto ouvia a música “This is me” de Dream, sorrindo para si mesma. Quando a música acabou, ela se dirigiu ao aparelho de som e o desligou, saindo do quarto logo em seguida e desceu para tomar o seu café. Chegou à cozinha e encontrou Jane sentada a sua cadeira, já tomando o seu café. Jane sorriu ao ver Elizabeth entrando na cozinha, reparando que ela tinha se arrumado mais um pouco neste dia para ir a escola—o que não tinha feito no dia anterior. O sr. Abbott também notou e a cumprimentou por sua aparência, como fizera nas manhãs anteriores. A sra. Abbott não virou-se para olhá-la quando o seu marido cumprimentou a sua aparência, continuou com os seus afazeres. Mas, uma vez que viu a roupa que Elizabeth estava usando, quando Elizabeth se levantou de sua cadeira à mesa do café ao terminar de tomar o seu café, sorriu satisfeita, e a cumprimentou também. Acrescentando:
--Agora, por que você não pode se arrumar assim todos os dias?!—Ao que Elizabeth ignorou, tratando de sair da cozinha e ir para o seu quarto, terminar de se arrumar para ir à escola.
Assim que as meninas Abbott entraram no corredor da sala delas, viram o grupo dos meninos parado enfrente a sua sala. Jane logo sorriu ao ver que Charles estava entre os seus amigos ainda do lado de fora da sala, porque não tinham se encontrado com ele na entrada da escola. Ele estando ali com os amigos era mais fácil para Jane conseguir falar com ele que se ele estivesse dentro de sua sala. Então, ela segurou a mão de Elizabeth e a guiou até o grupo de meninos, vendo que Will estava entre eles—querendo exibir a sua irmã.
Charles abriu um de seus sorrisos de orelha a orelha e parou de falar no meio da resposta a uma pergunta que haviam feito a ele no momento em que viu Jane acercar-se dele. Todos acabaram voltando a sua atenção ao que tinha roubado a atenção de Charles em primeiro lugar, ao perceberem que ele não ia terminar de responder a pergunta, e viram as irmãs Abbott. Vários deles olharam para Charles de forma compreensiva ao perceberem do que se tratava, mas Will já imaginava o motivo da distração de Charles e só virou o rosto na direção que Charles estava olhando porque esperava poder ver Elizabeth na companhia de Jane. E não ficou nada decepcionado.
Mas antes que qualquer um deles pudesse dizer qualquer coisa para as meninas Abbott, Brian Sanders, um menino que estava em um outro grupo de garotos um pouco antes do grupo de Will, chamou a atenção das meninas quando elas cruzaram o caminho na frente deles.
--Hey, hey... você, você...—Ele disse, como se cantarolasse as palavras, fazendo com que Elizabeth e Jane parassem de andar e virassem o rosto na sua direção.—Você podia ser minha namorada!—Ele disse, olhando para Elizabeth, quem virou o corpo na sua direção e o olhou da cabeça aos pés. Depois inclinou a cabeça para o lado e o fitou nos olhos, com um olhar pensativo, para dizer em seguida.
--Nah!—Balançando a cabeça, negativamente.—Eu acho que não.—Completou e começou a lhe dar as costas. Então, virou o rosto na sua direção de novo e disse.—Mas obrigada pela consideração.—E sorriu maliciosamente para irmã, ao seguir o seu caminho, o que fez os amigos de Brian caírem na risada.
--Lizzie, você é tão cruel!—Jane riu.
As duas irmãs se aproximaram do grupo de meninos e pararam no momento em que Charles adiantou alguns passos e se aproximou de Jane, quem logo largou a mão de Elizabeth. O casal trocou um rápido selinho.
--Você está muito bonita hoje.—Ele disse a Jane, ao ouvido, vindo a segurar em sua mão.—Oi, Lizzie—Ele olhou para Elizabeth ao cumprimentá-la, sorrindo.—Adorei a sua blusa!—Ele completou, observando com interesse o desenho do suéter de Elizabeth e os dizeres impressos nele.
--É a minha predileta.—Elizabeth informou, achando graça a forma que ele olhava a sua blusa, ficando com a testa franzida por uns segundos.
Elizabeth, então, olhou para Will. Ele a estava fitando; não sorria, apenas a observava, intensamente. Mas a sua atenção logo foi roubada pelo comentário que George fez logo em seguida.
--Ham... Lizzie.—Ele disse, o que a fez olhar em sua direção.—Aquela música que você estava cantando ontem antes da palestra começar...
--Sim?—Elizabeth inquiriu, prendendo uma risada, interessada em saber o que ele tinha a dizer sobre a música.—O que tem a música?
--Foi uma escolha interessante de música.—Ele comentou, também prendendo um sorriso. Enquanto Richard e Charles já começavam a rir, e Will apenas a observava.
--Você acha?—Elizabeth replicou, já imaginando que Charles devia ter feito algum comentário com ele a respeito da música, ainda tentando se controlar para não rir.
--Sim.—George garantiu.—Foi uma performance muito interessante de se assistir.
--Bem, obrigada! Eu acho que as meninas vão ficar contentes quando souberem que você gostou.—Elizabeth finalmente riu, não conseguindo mais se controlar. E depois se afastou dos meninos.
Ao tentar entrar em sua sala, esbarrou-se em Catherine e Lydia. As duas meninas, automaticamente, fizeram Elizabeth mudar a direção em que estava indo e acompanhá-las até o bebedouro, um pouco mais adiante ao corredor. Elizabeth deixou-se levar por elas por livre e espontânea vontade, queria contar a elas o que George havia lhe dito minutos atrás.
Lydia estava lhe dizendo que assim que chegaram à escola, ela e Catherine, ouviram comentários de alguns meninos pelos corredores, todos comentando a pequena “performance” que elas fizeram durante a palestra do dia anterior. Lydia parecia satisfeita, pois ouviu apenas elogios até aquele momento.
--Victor, da nossa turma, perguntou-me o que nós iríamos cantar hoje!—Ela terminou, rindo.
--Bem, acho que nós podemos pensar a respeito.—Elizabeth replicou, com um ar brincalhão em sua voz. E depois disse.—Eu também ouvi alguns elogios. E advinha de quem!—Ela disse a Lydia, diretamente.
--Will?—Catherine inquiriu, já sorrindo. Recebendo um olhar atravessado de Elizabeth, quem estava pensando: o que? Minha vida gira entorno do sr. Darcy, agora?!
--Não.—Elizabeth respondeu, voltando a olhar para Lydia e esperar pela resposta dela.
--George!—Lydia abriu um sorriso maior ainda.
--Precisamente.—Elizabeth replicou.—Ele ficou muito impressionado, principalmente com a escolha da música que cantamos.—Catherine e Lydia logo ficaram dando os seus risinhos.
--Então, ele ficou impressionado?!—Lydia repetiu, sorridente, entusiasmada.
--Muito.—Elizabeth reafirmou.
--Psiu!—Catherine chamou as suas atenções.—Ele está vindo para cá!—As três ficaram em silêncio imediatamente e viraram-se na direção em que ele estava, vendo-o acercar-se delas, sozinho.
Lydia prendeu a respiração e segurou na mão de Catherine, enquanto George vinha em sua direção, olhando exatamente para ela. Elizabeth abriu caminho para George, dando um passo para trás, e ele parou na frente de Lydia.
--Bom dia, meninas.—Ele disse, sorrindo para Lydia; inclinou-se no bebedouro e começou a beber água.
Elizabeth ficou vermelha de tanto prender a risada, ao observar a forma que Lydia olhava George beber água no bebedouro, com o olhar sonhador. Então, ele terminou de beber água, ficou ereto e piscou para Lydia antes de lhe dar as costas e se afastar. Permitindo, finalmente, que Lydia voltasse a respirar.
--Você viu?!—Ela exclamou, exasperada.—Ele piscou pra mim!—Enquanto Catherine e Elizabeth caiam na risada.—Ele piscou pra mim!—Lydia repetiu, voltando a ficar com o mesmo olhar sonhador ao observá-lo se afastar delas e se reaproximar do seu grupo de amigos.
--Vamos!—Elizabeth segurou na mão dela e começou a puxá-la.—Vamos pra sala.—E Catherine as acompanhou.
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Patético! Era como Will estava se sentido naquele momento, sentado em sua mesa ao refeitório da escola, observando Elizabeth a distância. Ela estava mais uma vez com um livro literário apoiado na mesa, lendo enquanto ouvia música em seu MP3. Tinha o cotovelo apoiado na mesa, ao lado do livro que estava lendo e o queixo apoiado na palma da mão, e a outra mão livre; a qual, de tempos em tempos, virava uma folha do livro ou então ficava enrolando um cacho de cabelo entre os dedos, distraidamente. E a sua bandeja de comida estava afastada, pois já tinha terminado de lanchar.
Uma distração! Ele não conseguia comer. Ficava a fitá-la, fixamente. Não escutava a conversa de seus amigos, embora eles conversassem animadamente bem ao seu lado. Ele estava pior que Charles! Charles pelo menos conseguia manter uma conversa coerente com seus amigos nestes momentos, enquanto ele sequer ouvia o que eles diziam. “Qual é o problema comigo? Ela é só mais uma menina!”, ele se dizia mentalmente, desviando o seu olhar dela e tentando começar a comer. “Pare de ficar encarando ela!”.
O sinal tocou e ele acabou dando graças a Deus. Não ia conseguir comer mesmo, era melhor ir logo para a sua sala de aula. Assim ele parava de se torturar, já que não poderia mais ficar a observá-la. Ergueu-se de sua cadeira e foi descartar a sua bandeja apropriadamente; logo em seguida seguiu o caminho para fora do refeitório, sem esperar por seus amigos. Os quais acharam o seu comportamento muito estranho.
“Ela nem está falando comigo!”, ele reclamava, mentalmente, enquanto caminhava pelo corredor em direção a sua sala de aula. “E aquela história do beijo. O que ela quis dizer com aquilo?! Será que ela estava falando sério?!”, e logo sorriu ao pensar nesta possibilidade. “Ela podia estar apenas tentando impressionar as meninas da sala dela.”, então perdeu o sorriso dos lábios. “Afinal, elas não passam de um bando de enxeridas! E Lizzie gosta de tirar sarro dessas pessoas.”
Ele entrou na sala de aula e se encaminhou para a sua carteira, indo sentar-se. “Ela devia estar de gozação! Ela não diria aquilo na frente de todo mundo da sala se estivesse falando sério! Ou diria?!” Ele abriu o seu caderno displicentemente. “Se Charles pudesse descobrir alguma coisa com Jane, aí sim! Em Jane eu acreditaria. Ela e Lizzie são tão amigas; Jane, certamente, sabe o que Lizzie acha de mim.” Ele ergueu a cabeça e viu Charles entrando na sala de aula, vindo em sua direção. “Eu poderia pedir a Charles para tentar descobrir alguma coisa com Jane. Mas será que ela diria alguma coisa para ele? Se Lizzie pedisse a ela para não dizer nada, ela não diria. Nem mesmo para Charles! Ou diria?!”
--Algum problema, Will?—Charles bateu no ombro de Will ao passar por ele em sua carteira e ir se sentar na carteira atrás da dele, conseguindo que ele lhe dirigisse o olhar.
--Não.—“Eu podia pedir a ele agora. Richard e George não estão por perto.”, Will observou que George e Richard estavam ainda do lado de fora da sala.
--Tem certeza?—Charles parecia estar lendo a mente de Will, percebendo a hesitação dele.
--Sim.—“Não. Quem eu estou enganado?! Ela não gosta de você! Ela foi muito clara no refeitório, na segunda-feira, quando você foi explicar a situação com Caroline! E ela não está falando com você! Nem mesmo depois de você ter explicado tudo, ela continua sem falar com você!”
Will voltou a olhar para o próprio caderno, mas sem prestar atenção realmente nele. O professor entrou na sala e George e Richard passaram por ele e Charles, indo ocupar os seus devidos lugares. E Will continuava inconsciente disso tudo, perdido em seus próprios pensamentos. “Mas você também não está falando com ela! Você só encara! Mas falar, que é bom, nada! Ela pode achar que você não está falando com ela!”. Ele ergueu o rosto e viu que o professor tinha entrado na sala, então tentou prestar atenção no que ele estava dizendo e no que ele escrevia no quadro.
A aula terminou, mas Will não conseguiu prestar atenção em nada. O máximo que conseguiu fazer durante aquela aula, antes de se perder mais uma vez em milhares de perguntas, foi abrir o caderno na matéria correta e pegar uma caneta. “Eu devia tentar falar com ela! Vê se ela fala comigo. Quem sabe…”, ele ponderava a medida que saía da sala de aula e seguia, na companhia de Charles, George e Richard, para o auditório.
Os três sentaram-se juntos na mesma fileira de sempre e na mesma ordem de sempre, enquanto Charles continuava a subir mais alguns degraus e ir se sentar com Jane, quem já se encontrava no auditório naquele momento. Will observou rapidamente, ao sentar-se em sua poltrona, que Elizabeth ainda não estava lá. Jane estava apenas na companhia de Charlotte. O que significava que Elizabeth ainda ia vir para o auditório e passaria por ele ao se encaminhar para o seu lugar na platéia do auditório. “Você devia tentar falar com ela quando ela passar por você.”, ele se dizia.
Quando ela entrou no auditório, sendo seguida por Lydia e Catherine, Will sentiu o seu coração acelerar de antecipação pelo momento em que ela ia passar ao seu lado e ele falaria com ela. Ela se dirigiu a escada enquanto passeava pela platéia com o olhar. Olhou para ele, fazendo com que ele prendesse a respiração, e o fitou por um momento, enquanto subia os degraus. À medida que se aproximava dele, desviou o olhar para as amigas e comentou alguma coisa—algo que fez Lydia sorrir satisfeita. Will desviou o olhar rapidamente para George e o viu a observá-las também. Will logo voltou a dirigir o seu olhar para Elizabeth, pois não podia perder o momento em que ela passasse ao seu lado e, com isso, perdesse a oportunidade de falar com ela.
Quando ela, finalmente, subiu o último degrau que faltava para alcançar a plataforma em que ele estava sentado, estando praticamente ao lado dele, Will abriu a boca para cumprimentá-la. Mas George conseguiu vencê-lo e chamou a sua atenção para si, a qual, no instante anterior, estava fixa em Will.
--Você irá se sentar com a gente desta vez, Lizzie?—Fazendo com que ela parasse de andar, ficando de pé bem ao lado da poltrona de Will. E Will virasse o rosto na direção de George, furioso por ele tê-lo atrapalhado.—Todas vocês podiam sentar-se aqui!—George completou, dirigindo um sorriso a Lydia e Catherine.—Como vocês podem ver, há bastante espaço.—Ele gesticulou para as cadeiras vagas ao lado dele.
Elizabeth estava sorrindo, pensando em aceitar o convite. Mas, ao olhar para Will—o jeito que ele olhava para George—perdeu o sorriso do rosto e mudou de idéia. Ele, certamente, não a queria ali; por que mais estaria olhando para George daquela forma?
--Não.—Ela respondeu, voltando a dirigir o seu olhar para George, deixando de ver, com isso, o momento em que Will dirigiu a ela um olhar de decepção por causa de sua resposta.
--Lizzie.—Lydia murmurou atrás de Elizabeth, à medida que beliscava o seu braço, discretamente.
--Mas...—Elizabeth, entendendo o gesto da amiga, completou, voltando a sorrir abertamente para George.—vocês estão convidados a sentar-se conosco lá em cima,—E olhou para Will.— ...se quiserem!—Deixando Will com o seu coração batendo violentamente.
--Absolutamente!—George ergueu-se de sua poltrona num pulo ao ouvir tal convite, o que fez Lydia e Catherine abafarem risinhos.
--Indiquem o caminho.—Richard disse, também erguendo-se de sua poltrona, parando de pé do outro lado de Will, quem ainda estava sentado.
Elizabeth então voltou a subir o restante dos degraus, sendo seguida por Lydia e Catherine. Will estava sem reação, então Richard passou por ele e George o seguiu. Só então Will se ergueu de sua poltrona e começou a seguir os meninos.
--Will, querido!—A voz estridente de Caroline paralisou os três amigos na escada, fazendo-os virar-se de lado e lhe dirigirem o olhar.—Aonde vocês estão indo? A palestra vai começar daqui há pouco.—Ela vinha subindo os degraus da escada, com o intuito de sentar-se novamente com eles.
--Ah... nós vamos nos sentar com as meninas lá em cima, Caroline.—Will respondeu, sorrindo para ela, satisfeito em lhe dizer tais coisas.—Com Lizzie e as amigas dela.—Ele completou, ficando com o sorriso maior ainda ao ver a feição de desgosto que se apoderou de Caroline naquele instante.
Will logo lhe deu as costas, antes que ela pudesse se convidar a acompanhá-los, e empurrou George, colocando uma das mãos em suas costas e o impulsionando para frente. E os três continuaram a subir o restante dos degraus que faltavam, aproximando-se da fileira de poltronas em que Elizabeth estava sentada com as suas amigas. Foi então que ele viu a ordem em que às meninas estavam sentadas: Elizabeth, Lydia, Catherine, Charlotte, Jane e Charles. Os lugares vagos vinham depois de Charles, o que significava que ele ficaria sentado bem longe dela. O que o fez voltar a perder o sorriso.
--Ah não!—Richard protestou, parando enfrente a Elizabeth, recebendo um olhar surpreso dela.—Assim não vai dar!—Richard permaneceu com o seu tom de protesto.—Eu não vim para cá para me sentar longe de você!—Ele completou, já deixando transparecer um pouco o seu tom de brincadeira em sua voz. Recebendo um sorriso de Elizabeth, enquanto as outras meninas olhavam de um para o outro, abafando seus risinhos.—Não mesmo.—Ele estendeu a mão para Elizabeth, quem a tomou, e a ergueu de sua poltrona.—Você irá se sentar comigo e...George se senta no seu lugar.—Ao que Elizabeth, finalmente, entendeu aonde ele queria chegar e começou a segui-lo, indo sentar-se a cadeira vaga ao lado da que Richard ocupou, ao lado de Charles.—Agora sim!—Richard disse a Elizabeth, no momento em que George sentava-se na poltrona que Elizabeth estivera sentada, ao lado de Lydia, e abria o caminho para Will ir sentar-se a cadeira vaga ao lado de Elizabeth.—Agora está muito melhor!—Richard comentou, piscando para Will, com ar de conspiração, quando Will passou na sua frente e foi se sentar após Elizabeth.
Todos ficaram em silêncio durante os dois minutos seguintes, cada um perdido em seus próprios pensamentos—a grande maioria sobre a pessoa que estava sentada ao seu lado. Richard sorria para si mesmo, satisfeito com a sua inteligência em armar para os seus amigos com tanta facilidade. George e Will estavam agradecendo mentalmente a ajuda de Richard. Lydia estava tentando se controlar, mas sentia uma vontade enorme de ficar rindo. E Elizabeth tentava acalmar-se e não ficar pensando em Will, quem estava sentado bem ao lado dela. A última vez em que eles estiveram sentados juntos dessa forma foi dentro do carro dele, no dia em que foram ao cinema, e aquela ocasião acabou em beijo.
Então George virou-se para encarar Lydia e disse.
--O que vocês vão cantar hoje?—Fazendo-a ter um sobressalto em sua poltrona e gritar.
--Lizzie!—Desencostando-se de sua poltrona e virando o rosto na direção em que Elizabeth estava sentada.
--Sim, Lydia.—Elizabeth também se desencostou de sua poltrona e virou o rosto na direção de Lydia. Quem percebeu que Elizabeth estava ruborizada.
--Ah...—Lydia quase esquecia o que queria com ela ao vê-la tão vermelha.—o que vamos cantar hoje?
--Eu não sei.—Elizabeth respondeu, constrangida, permanecendo desencostada de sua poltrona e a olhar para Lydia; quem, aos poucos, voltou a se recostar em sua poltrona, sob o olhar divertido de George, quem estava adorando o nervosismo dela por causa de sua presença.—Alguma sugestão?—Elizabeth disse, sem direcionar a pergunta a ninguém. E percebeu que Richard e George pareciam estar pensando numa resposta.
--Por que você não canta uma das músicas que você estava ouvido hoje durante o intervalo?—Elizabeth ouviu a voz rouca de Will às suas costas, o que a fez virar o rosto na sua direção e fitá-lo nos olhos, o que ela estava tentando evitar até então.
--Que eu estava escutando durante o intervalo?—Elizabeth o inquiriu, perguntando-se como ele sabia que ela estivera ouvindo música durante o intervalo.
--S-sim.—Ele respondeu, tentando não gaguejar.—O que você estava ouvindo durante o intervalo?—“Acalme-se, Will.”
--Ah...—Elizabeth abriu a boca e voltou a fechá-la, mas sem responder a pergunta. “O que era mesmo que eu estava escutando no intervalo? Por que eu não consigo me lembrar do que eu estava ouvindo no intervalo?”, enquanto Will aguardava paciente pela resposta dela e os outros, principalmente Richard, observava os dois com bastante interesse. “Ah é, lembrei! Josie and The Pussycats!”—Josie and The Pussycats.—Elizabeth respondeu, sorrindo para Will, satisfeita que tinha conseguido lembrar o que estivera ouvindo no intervalo.
--Oh.—E foi a vez de Will ficar bobo; “Ela sorriu para mim!”.
--Ah... eu conheço este grupo! É aquele grupo em que as mulheres pegam fogo no final do clipe!—George comentou, de sua cadeira, fazendo Elizabeth virar o rosto na sua direção.—Eu gosto daquele clipe!—Ele disse com empolgação, fazendo as meninas rirem dele.
--Não.—E Elizabeth replicar.—Elas são as Pussycats Dolls.—Recebendo um olhar intrigado de George.—Eu estou falando de Josie and The Pussycats. São duas bandas diferentes.
--Oh, ok.—George murmurou.
--Josie and The Pussycats são de um filme, na verdade.—Lydia disse, a primeira vez que falou por iniciativa própria com George. Quem voltou a dirigir o seu olhar para ela e sorrir, fazendo-a voltar a se calar.
--Costumava ser um desenho, eu acho. E depois fizeram um filme e... eu baixei algumas músicas de que gostei do filme pela Internet.—Elizabeth explicou.
--Cante uma delas, então.—Will disse, fazendo Elizabeth voltar a olhar em sua direção. Ela já começava se imaginar cantando You don’t see me para Will. “Ah, ia ser um grande espetáculo, com toda certeza!”, sustentando o olhar que ele lhe dava, mas sem dizer nada. Depois de alguns minutos assim, Elizabeth voltou a ter consciência de que os outros esperavam que ela começasse a cantar. Então disse.
--Não. Eu tenho uma idéia melhor.—Ela sorriu maliciosamente para Will; então começou a cantar outra música.—I hate the world today…You're so good to me…—Charlotte começou a rir instantaneamente.—I know but I can't change…tried to tell you…—Jane começou a prestar atenção, pois reconheceu a letra da música.—but you look at me like maybe I'm an angel underneath…—Elizabeth voltou a olhar para Will e sorrir maliciosamente.—innocent and sweet…—Lydia reconheceu a música e cochichou no ouvido de Catherine.—Yesterday I cried…You must have been relieved to see the softer side…I can understand how you'd be so confused…I don't envy you…I'm a little bit of everything…all rolled into one…—E todas as meninas começaram a cantar juntas o refrão, até mesmo Jane.—I'm a bitch, I'm a lover…I'm a child, I'm a mother…I'm a sinner, I'm a saint…—Charles observava Jane cantar alegremente com a irmã, boquiaberto.—I do not feel ashamed…I'm your hell, I'm your dream…I'm nothing in between…You know you wouldn't want it any other way…—Todos os meninos ficaram surpresos, até que começaram a ter um ataque de risos. Chamando mais atenção que as meninas cantando.—So take me as I am…—Charlotte e Jane começaram a ficar sem graça por causa da quantidade de pessoas que estavam olhando para elas e pararam de cantar, mas Elizabeth, Lydia e Catherine continuaram.—This may mean you'll have to be a stronger man…Rest assured that when I start to make you nervous…and I'm going to extremes… tomorrow I will change…and today won't mean a thing…—Mas voltaram a cantar baixinho de novo durante o refrão, entre risos.—I'm a bitch, I'm a lover…I'm a child, I'm a mother…I'm a sinner, I'm a saint…I do not feel ashamed…I'm your hell, I'm your dream…I'm nothing in between…You know you wouldn't want it any other way…—Então Catherine e Lydia esqueceram esta parte da música e ficaram em silêncio, enquanto as outras três seguiam cantando..—Just when you think you've got me figured out…the season's already changing…I think it's cool you do what you do…and don't try to save me…—Mas voltaram a cantar com mais animação no refrão.— I'm a bitch, I'm a lover…I'm a child, I'm a mother…I'm a sinner, I'm a saint…I do not feel ashamed…I'm your hell, I'm your dream…I'm nothing in between…You know you wouldn't want it any other way… I'm a bitch, I'm a tease…I'm a goddess on my knees…when you hurt, when you suffer…I'm your angel undercover…I've been numbed, I'm revived…can't say I'm not alive…You know I wouldn't want it any other way.
Quando as garotas terminaram a música, iniciou-se uma salva de palmas por todo o auditório, que causou um ataque de riso maior ainda nas meninas. Jane estava completamente constrangida, com o rosto todo vermelho.
--Vocês têm certeza de que não têm vergonha?—Will inquiriu, rindo.
--De onde vocês tiraram esta música?—George perguntou, depois que as meninas pararam de rir.
--Do filme: Do que as mulheres gostam, com Mel Gibson.—Lydia respondeu.
--Então você poderia me responder: do que as mulheres gostam?—Ele inquiriu de volta, fazendo Lydia rir mais uma vez.
--Bem, você devia assistir ao filme para descobrir!—E respondeu, entre risos.














