Capítulo 8
Segunda-feira chegou para ser odiada. A última coisa que Elizabeth queria, ao acordar bem cedo aquela manhã, era ir à escola. Mas, como as coisas raramente aconteciam conforme o que ela desejava, era segunda-feira e ela precisava ir à escola.
No minuto em que abriu os olhos e vislumbrou o teto de seu quarto, as lembranças da tarde passada voltaram a emergir em sua mente. No segundo seguinte, ela estava pulando da cama com toda a energia que possuía e começando o seu dia, proibindo a si mesma de ficar deprimida por causa de uma coisa insignificante.
Um banho foi tudo o que ela precisou para ficar ainda mais desperta. Quando Jane entrou em seu quarto, para saber se ela já tinha levantado da cama, a encontrou enfrente do espelho, penteando o cabelo e cantarolando uma música qualquer que estava tocando em seu rádio, num volume razoavelmente baixo. Elizabeth não conhecia a música direito, então só cantarolava o refrão.
Jane pode perceber que ela parecia estar alegre, em comparação ao final do dia anterior. Então, decidiu deixá-la terminar de se arrumar e desceu para tomar o seu café sozinha. Elizabeth continuou enfrente ao espelho, brincando com o próprio cabelo. Imaginando o que ia fazer com ele aquela manhã. E só apareceu à mesa do café da manhã uns minutos após Jane ter começado a tomar o seu café, na companhia de sua mãe e de seu pai.
--Você está… muito bonita esta manhã, Lizzie.—O sr. Abbott a elogiou, a observando por sobre a sua caneca de café preto, recebendo um lindo sorriso de Elizabeth.
--Obrigada, papai.—Elizabeth estava vestida com um vestido balonê azul marinho, muito colado na altura do busto, mas bastante folgado no restante do corpo, com dois bolsos nas laterais, opostos um ao outro; o vestido ia até cinco dedos acima dos joelhos e ela estava calçando uma bota de salto plataforma, camurça, marrom claro, de bico arredondado, e que ia até a altura do joelho. Ela tinha feito uma única trança no cabelo, que estava descansada sobre o seu ombro direito.
--Muito bonita, mesmo!—A sra. Abbott abriu um sorriso também, com um brilho inusitado nos olhos. Contente que finalmente sua filha mais nova estava começando a se preocupar mais com a sua aparência; imaginando, também, que o motivo para tanto era um garoto.—Agora, por que você não podia ter se vestido desta forma no sábado... quando você saiu com aquele jovem rapaz?!—A sra. Abbott ficou mais séria ao falar isso, recebendo um olhar indiferente da filha.
Jane observou atentamente a reação de Elizabeth àquela referencia de sua mãe ao encontro dela com Will, mas não percebeu nenhuma hostilidade ou mágoa da parte de Elizabeth com relação ao assunto.
Ela apenas agiu como sempre agia quando sua mãe teimava em se intrometer em seus assuntos amorosos: revirou os olhos e fingiu que não estava ouvindo o que sua mãe estava dizendo. Vindo sentar-se a mesa, ao seu lado, e a colocar o seu café da manhã, para que pudesse tomá-lo e ir à escola.
Após o café, as duas irmãs voltaram para os seus respectivos quartos. Elizabeth escovou os dentes e organizou os seus materiais escolares em sua mochila—estilo carteiro, também de camurça, de tom similar ao de sua bota.
De frente para o seu espelho, qual ficava atrás da porta de seu banheiro—naquele momento fechada, para que ela pudesse se admirar no espelho—, Elizabeth colocou a alça de sua mochila no ombro esquerdo, de forma que atravessasse o seu corpo diagonalmente, e saiu do quarto, indo buscar Jane no seu. Estava pronta para ir à escola.
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Will chegou à escola com um de seus piores humores. Georgiana o abandonou assim que eles adentraram os portões da escola, indo juntar-se às suas amigas. Ela estava sorridente e bem humorada, o que deixava Will ainda mais irritado. É segunda-feira, pelo amor de Deus. O que pode haver de interessante numa segunda-feira para deixá-la assim tão bem disposta?! Ele se perguntava, ao observar a irmã conversar, sorridente, com suas amiguinhas, à medida que adentravam na escola.
Antes de alcançar o corredor de sua sala, Will encontrou-se com Richard e George. Os dois estavam parados no meio do corredor, conversando amistosamente com outros colegas de sala. Todos eles estavam bem humorados, Will percebeu de longe. E queria poder passar por eles sem ser visto, o que era impossível. George logo o viu e o convidou, ou melhor, intimou-o a juntar-se a eles.
Will acercou-se dos meninos, mas não participou da conversa. George e Richard discutiam com os outros meninos um jogo de futebol que eles iam jogar aquela semana contra um time de outra escola, a antiga escola de Will e Charles. Por isso os meninos estavam tão empenhados em trazer Will para a sua conversa, queriam que ele fornecesse alguma informação sobre o time adversário. Ao que Will deu pouca atenção.
Era tão frustrante a atitude de Will que Richard ficou aliviado ao ver Charles se aproximarem deles, trazendo consigo Jane—os dois tinham se encontrado à entrada da escola e logo deram as mãos, procedendo assim por todos os corredores. Charles, certamente, seria melhor informante que Will.
--Charles!—Richard gritou por ele.—Venha cá!—Ao que Charles atendeu, ainda trazendo Jane com ele.
--Bom dia!—Charles cumprimentou a todos os meninos; tinha um sorriso que ia de orelha a orelha e todos sabiam por que.
--Boa dia.—Jane também os cumprimentou, mas timidamente. Todos os meninos responderam mais fervorosamente ao cumprimento dela que ao de Charles.
--Lizzie!—Richard exclamou, quando viu Elizabeth se aproximar deles também, logo após Jane. Conseguindo, finalmente, despertar a atenção de Will, quem estava encostado à parede e olhando fixamente para a parede oposta a que estava encostado, sem piscar uma única vez.
--Bom dia, Richard.—Elizabeth o cumprimentou, sorrindo amavelmente.
Will a fitou, da cabeça aos pés, e prendeu a respiração. Quando ia lhe dar um “bom dia”, foi interrompido por George.
--Minha nossa!—George exclamou, também ficando boquiaberto, como vários outros meninos tinham ficado.
--George,...—Elizabeth cruzou a frente de Will, ignorando-o, e se aproximou de George; estendendo a mão até o seu queixo, fechou a sua boca, dizendo-lhe.—você está babando.—Com o seu tom brincalhão.
--Por uma boa razão.—George murmurou, mas alto o suficiente para ela ouvir.
Elizabeth apenas sorriu para ele e seguiu o seu caminho, afastando-se da roda de meninos. Will se desencostou da parede e virou-se na direção que ela estava andando, apenas para poder observá-la se afastando deles. Não deixando de perceber que alguns dos outros meninos tiveram atitude similar a ele, também se virando na direção que ela estava indo para poder observá-la.
Jane logo se despediu de Charles e apressou-se em seguir Elizabeth, indo alcançá-la um pouco antes de ela dobrar a esquina ao fim do corredor. Will finalmente conseguiu dar sua atenção aos meninos, depois de não tê-la mais no alcance de sua vista.
Vindo ouvir, claramente, quando um dos meninos inquiriu a Charles se ele estava namorando Jane Rose Abbott. E, olhando o amigo, o viu sorrir e não dar nenhuma resposta concreta, apenas tentar enrolar os meninos. Will sabia o que estava passando pela mente do amigo: ele e Jane estavam saindo, mas estavam namorando? Bem, eles ainda não tinham discutido isso, pelo que Will sabia.
E Will sabia que no momento em que Charles tivesse conseguido pedir Jane para ser sua namorada e ela aceitasse, ou não—o que ele duvidava profundamente que aconteceria—ele seria o primeiro a quem Charles ia contar.
Will, então, trouxe o assunto do jogo de volta a atenção dos meninos, poupando, assim, Charles de dar mais explicações aos demais garotos. Will desejava que Charles tivesse a ousadia de lhes dizer que não era da conta deles, mas sabia que isto era algo que Charles nunca faria—não era de seu caráter ser assim tão rude.
Eles conversaram por uns dez minutos, e depois os meninos seguiram para as suas respectivas salas. Deixando o quarteto a sois. Charles então se virou para Will e o agradeceu por sua intromissão.
--Eu tenho que te contar uma coisa...—Charles começou a lhe dizer, usando de um tom como se fosse lhe contar um segredo. Will logo se perguntou se Charles tinha pedido Jane em namoro e, se tinha, se a sua presunção de que Jane aceitaria estaria errada. Afinal, se ele tivesse perguntado e ela aceitado, ele não teria motivos para não dar uma resposta direta e clara aos outros meninos sobre o relacionamento dele com Jane. Seria até aconselhável que o fizesse, prevenindo-os de tentar galantear a sua namorada.
--O que é?—Will inquiriu; George e Richard aproximaram-se dos dois para ouvir a conversa também, curiosos.
--É sobre Lizzie.—Charles respondeu, murmurando.
--O que? Diga-me!—Will exigiu imediatamente; o que só aumentou a curiosidade dos outros dois, os quais apenas escutavam a conversa em silêncio.
--Eu acho que...—Charles começou a dizer, inseguro.
--O que?—Só deixando Will mais exasperado.
--Will, querido!—Veio à voz estridente de Caroline logo atrás deles, fazendo com que Will virar-se para encará-la com um de seus olhares mais hostis.
--Caroline.—Will correspondeu ao cumprimento, entre dentes cerrados.
--Oh, você tem uma irmã tão adorável!—Ela comentou, aproximando-se ainda mais dele.—Eu acabei de cruzar com ela.—Caroline disse isso ao mesmo tempo em que o segurava pelo braço, entrelaçando o próprio braço no dele e o fazendo virar na direção que ela estava seguindo, para que ele a acompanhasse a até a sua sala.—Garota adorável!
--Sim, ela é!—Will tentou, educadamente, soltar o seu braço, mas Caroline tinha se apoderado dele de uma forma que era impossível fazê-lo de forma educada.—Caroline...—Will tentou chamar sua atenção, mas ela continuava as suas explanações quanto a irmã dele, sem dar-lhe a sua atenção.—Caroline, por favor, meu braço.—Will foi obrigado a começar a andar, à medida que ela o guiava pelo corredor.—Caroline?—Will tentou falar mais alto, mas ela insistia em ignorá-lo.
--...e aquele cabelo loiro, tão fino que ela tem. A pele tão delicada. Um anjo de menina!—Ela continuava a falar, interminavelmente, ainda levando Will pelo braço por todo o corredor.
Will olhou para trás quando estava preste a virar a esquina do corredor e viu que tanto Richard quanto George riam da situação em que ele estava. Apenas Charles parecia pensativo. Will queria saber o que Charles tinha para dizer sobre Elizabeth e Caroline o estava levanto para longe dele.
--Caroline, meu braço!—Will exclamou, puxando com violência o braço que Caroline segurava. Finalmente conseguindo a sua atenção.
--Oh, querido, desculpe-me!—Caroline respondeu, sorridente, deixando que ele livrasse o próprio braço de suas garras.
--Tudo bem.—Will replicou, ansioso para voltar para onde tinha deixado Charles.
--Oh, Will, querido!—Caroline voltou a chamar por ele, quando percebeu que ele começava a dar uns passos para trás.—Você não está indo na direção errada?—Ela disse, fazendo-o parar de andar.—Sua sala não fica naquela direção?—Caroline apontou para a direção em que ela estava indo, fazendo Will estender o seu olhar para o corredor diante dele, vendo Elizabeth parada enfrente a porta de uma das salas, na companhia de Jane. Ambas estavam olhando para ele e Caroline.
--Sim.—Will respondeu, permanecendo no mesmo lugar por um tempo, observando Elizabeth. Ela disse algo a Jane e deu-lhe as costas, entrando na sala.—Mas eu não estou indo para a sala agora.—Ele terminou de responder, virando-se de costas para Caroline sem esperar por uma resposta dela e voltou o caminho que tinha feito. Tinha que saber de Charles o que ele queria lhe dizer sobre Elizabeth.
Não precisou voltar muitos passos, pois logo após virar a esquina dos corredores encontrou-se com o seu amigo. Os outros três meninos tinham resolvido também seguir na direção em que Caroline tinha forçado Will a tomar e irem para a sala, quando foram interceptados por Will.
--O que era que você queria me dizer sobre Elizabeth?—Will exigiu de Charles, postando-se na frente do amigo, impedindo que ele seguisse o seu caminho.
--Ela acha que você está namorando Caroline.—Charles respondeu.
--O que?!—Ao que os três amigos exclamaram juntos.
--Ela acha que você está namorando Caroline.—Charles repetiu, com veemência.—Ontem, quando eu as levei para casa, ela e Jane, eu tentei explicar porque Caroline tinha lhe acompanhado a casa de Richard e ela...—Charles fez uma pausa para respirar, mas Will, impaciente, logo reclamou.
--Ela o que?!—Enquanto George e Richard trocavam olhares intrigados.
--Ela disse que eu não precisava explicar nada a ela. Que ela não tinha interesse em saber o que você fazia ou deixava de fazer com a sua namorada!—Charles explicou.
--Ela enlouqueceu?—Will exclamou.—De onde ela tirou a idéia que eu estou namorando Caroline?!—Will não conseguia acreditar no que tinha ouvido.—Você disse a ela que eu não estava?!—Will voltou a inquirir a Charles, irritado.
--Bem, não.—Charles respondeu, com um olhar clemente. Sabia que Will ia ficar mais irritado.
--E por que não?!—O que se concretizou, porque Will praticamente gritou a pergunta ao amigo.
--Ela não deixou.—Charles apressou-se em responder.—Ela saiu do carro e correu para dentro de casa antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.—Will diminuiu um pouco a sua irritação para com o amigo; afinal, que culpa Charles tinha?—E quando eu quis explicar a Jane, ela também saiu do carro. Ela nem se despediu de mim!
--As garotas são sempre assim: dramáticas!—George comentou; recebendo um olhar reprovativo de Charles e um enfurecido de Will. O que serviu para ele se calar.
--E esta manhã... Eu preferi nem mencionar.—Charles confessou. Charles não queria correr o risco de irritar Jane e Will pode deduzir isso pelo seu comentário.
--Tudo bem.—Will replicou, já com o seu tom natural de voz.—Vamos para sala.—E voltou a fazer o caminho que tinha desfeito.
--Você vai explicar a ela...—Mas antes que Charles pudesse terminar a frase, Will respondeu.
--Não.—E continuou andando.—Eu não estou namorando Caroline e ela vai perceber isso sozinha. Eu não tenho porque me explicar a ela.—Deixando transparecer ainda um pouco de sua raiva no seu tom de voz.
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Elizabeth passou as três primeiras aulas daquela manhã pensando na imagem que vira antes do primeiro horário: Will e Caroline de braços dados pelos corredores da escola; ela chamando-o de “querido”. Ela passou os intervalos seguintes evitando sair no corredor; a última coisa que queria era voltar a ver aquela cena. Odeio ele! Odeio ele! ODEIO ELE!
E ficou ainda mais irritada quando uma das coordenadoras da escola adentrou na sua sala no meio do terceiro horário para dar um aviso. Os alunos do segundo grau teriam o seu último horário naquela semana substituído por uma série de palestras referentes aos cursos universitários.
Seria uma benção para Elizabeth, não ter de prestar atenção nas aulas que teria nos últimos horários durante uma semana, se não fosse pelo pequeno detalhe: a palestra seria no auditório da escola e para todos os alunos do segundo grau do ensino médio. O que significava que todas as turmas, inclusive a de Will, estaria no auditório simultaneamente; ou seja, ela o veria. Ele e Caroline! Como se o recreio não fosse o suficiente!
E para completar a sua raiva, as duas meninas que estavam sentadas ao seu lado não paravam de falar em Will e Caroline. Aparentemente, uma delas tinha entrado no banheiro feminino no intervalo passado das aulas e entreouvido uma conversa de Caroline e Sabrina a respeito da tarde de domingo que Caroline tinha passado com Will e seus familiares. As duas também comentavam que não estavam surpresas com o “namoro” dos dois, já que previam que um menino como ele certamente se interessaria pela outra menina mais bonita da escola—já que Jane estava “namorando” Charles.
Que bom! Todo mundo percebeu que ele se interessou por Caroline e eu fui a única que achou que ele não gostava dela! Estúpida!!
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Quando Will saiu de sua sala ao intervalo, dirigindo-se ao refeitório na companhia de George e Richard, foi abordado por Bill. Bill estava com um sorriso de satisfação no rosto e dirigiu-se a Will com a maior naturalidade, como se sempre conversassem um com o outro.
--Eu fui informado que eu não estarei mais competindo com você pela atenção de minha queria Elizabeth.—Ele comentou, recebendo um olhar confuso de Will, um surpreso de George e um divertido de Richard.—Como eu disse, eu fui informado que você dirigiu suas atenções em outra direção e ouso dizer, com todo respeito, muito bem direcionada!—Bill continuou a falar, não permitindo que Will replicasse.—É um pena, porque estava gostando da idéia de tê-lo como meu oponente!—Encerrou, rindo para Will; quem observava-o com a testa franzida.
--...—Quem abriu a boca para dar-lhe uma resposta, mas preferiu ignorá-lo e seguir o seu caminho.
--É impressão minha, ou todo mundo está pensando que você está namorando Caroline?—George inquiriu a Will, continuando a acompanhá-lo.
--Não é impressão sua!—Richard respondeu por Will, quem permaneceu calado, pensativo.—No entanto, eu gostaria de saber de onde Bill tirou a idéia de que você estaria disputando com ele pelas atenções de Elizabeth?—Richard inquiriu a Will, sorrindo e olhando o primo de forma divertida. Sabia que Will tinha interesse na menina, mas não sabia que outras pessoas já tinham percebido isso, principalmente se esta pessoa era Bill Collins.
--É. Eu também!—George disse, ansioso pela resposta de Will.
--Vão continuar querendo saber!—Will replicou, entrando no refeitório e indo providenciar o seu lanche.
Antes de eles irem sentar-se a uma mesa, Charles aproximou-se deles na companhia de Jane. Os meninos logo deduziram que o assunto teria de ser encerrado— pois Richard e George continuavam a inquirir Will sobre Bill e Elizabeth, embora Will permanecesse mais calado que nunca.
Quando Charles convidou Jane a se sentar com ele e os meninos, Jane respondeu que preferia ir sentar-se com a sua irmã. Will percebeu que Jane estava falando com todos naturalmente, mas quase nunca dirigia a palavra a ele. E quando ela saiu de perto de Charles, Will disse.
--Ela não está falando comigo!—Recebendo um olhar intrigado de Charles.
--Quem? Jane?—Charles replicou, assustado.
--Lizzie.—Will respondeu.—Ela me ignorou completamente está manhã! Falou com Richard e com George, mas me ignorou! Sequer olhou pra mim!
--É impressão sua.—Charles replicou, mais aliviado em saber que ele não estava falando de Jane.
--E Jane também está diferente comigo!—Will continuou.—Deve ser por isso que ela não quis sentar com a gente!
--Não diga bobagens!—Charles argumentou.
--Você está ficando paranóico!—George comentou.—Por que Elizabeth não estaria falando com você?—George ainda não tinha conseguido juntar as peças do quebra-cabeça como Richard já tinha.
Mas Will não respondeu. Ele devolveu a sua bandeja de comida ao balcão onde estava servido a comida e abandonou os meninos, seguindo em direção a mesa em que Elizabeth estava sentada.
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Quando Jane sentou-se a mesa em que Elizabeth e Charlotte estavam sentadas, recebeu um olhar inquisitivo de Elizabeth. Jane apenas olhou na direção de Will e não respondeu nada. Elizabeth ia lhe dizer para não deixar de ficar com Charles por causa da presença de Will, quem não tinha nada a ver com ela e Charles, quando Catherine e Lydia sentaram-se a mesa também, eufóricas, e começaram a falar, com um tom de conspiração, com Elizabeth.
--É verdade?—As duas disseram juntas, sorridentes.—É verdade, Lizzie?
--O que?—Elizabeth inquiriu.
--Que você e Will saíram juntos, num encontro?—Lydia replicou, energeticamente.
--Como vocês sabem disso?—Elizabeth deixou escapar, por estar surpresa.
--É verdade?!—As duas repetiram; somadas por Charlotte, quem também ficou surpresa.
--Sim.—Elizabeth respondeu, rapidamente. E logo inquiriu, antes que elas voltassem a lhe perguntar qualquer coisa.—E como vocês sabem?—Ainda sem esconder a sua surpresa.
--Bem,...—Catherine começou.—todo mundo já sabe!—E começou a rir.
--Como?—Jane inquiriu, quem também estava surpresa.
--Todo mundo está comentando!—Lydia argumentou.—A gente ouviu no corredor, de uma menina do segundo ano, que alguém contou para ela que Bill contou para alguém que Will era o adversário dele...
--Muito satisfeito, pelo visto!—Catherine completou.
--…que vocês dois tinham saído juntos...—Lydia continuou.
--E, depois, uma menina agora na entrada do refeitório estava comentando uma conversa que tinha entreouvido entre Bill e Will a seu respeito.—Catherine completou; Elizabeth estava sem palavras.—E então? Quando foi? Como foi?—Catherine inquiriu.
--Sim. Conte!—Lydia ajudou-a.
--Foi no sábado.—Elizabeth respondeu, de forma ausente. Ainda estava pensando no que tinha ouvido.—E só sai com ele porque estava tentando evitar sair com Bill uma segunda vez!—Ela completou, voltando a ficar irritada. Que droga! Será que eu não posso esquecer esse assunto?!
De repente as meninas ficaram em completo silêncio, observando Elizabeth com olhares estranhos. Elizabeth sabia que não tinha sido assim tão rude na sua resposta para receber tais olhares, então retribuiu o olhar que estava recebendo das amigas. Vindo a ser indicada, com a cabeça, por Charlotte a olhar para o seu lado direito. Elizabeth virou o rosto na direção em que Charlotte tinha indicado e viu que Will estava parado ali, olhando diretamente para ela. Meu Deus, há quanto tempo ele está aí?
--...—Will abriu a boca, mas não disse nada. Elizabeth continuou a olhar para ele, em silêncio. Todas as meninas estavam olhando para ele, até os amigos dele estavam olhando para ele, de longe.—Eu não estou namorando Caroline!—Ele disse, rapidamente.—Sequer estou saindo com ela!—E continuou, mas mais controlado. Continuando a receber um olhar penetrante de Elizabeth; enquanto as amigas delas, exceto Jane, prendiam risos. Jane também o observava, mas com um olhar surpreso por causa da revelação.—Eu pensei que você devia saber.—Will disse, olhando somente para Elizabeth. Quem finalmente olhou em outra direção, começando a piscar os olhos. Ela não voltou a dirigir-lhe o olhar por dois minutos, dois minutos em que ele permaneceu no mesmo lugar e observando-a atentamente. Então ela voltou a erguer o olhar para ele e disse-lhe:
--Há outra coisa que você acha que eu deva saber, sr. Darcy?—Elizabeth foi fria ao lhe dizer isso, para a surpresa dele e de todas as meninas.
--...Não.—Ele respondeu, parecendo confuso.—Não.—E logo começou a se afastar.
--Lizzie!—Lydia exclamou, ainda observando Will seguir o seu caminho rapidamente, saindo do refeitório.—Você é tão má!—E começar a rir.
--É, Lizzie. Deu até pena dele!—Charlotte comentou.
--Por que você fez isso?!—Foi a pergunta de Jane, dirigindo um olhar de reprovação a Elizabeth. Quem desviou o seu olhar de sua irmã e não respondeu a sua pergunta, enquanto Lydia e Catherine continuavam a rir descontroladamente por causa do que tinham presenciado.
Por que ela tinha feito isso? Ela sabia. Ainda estava com raiva dele e não conseguia aplacar esta raiva assim tão facilmente. E daí que ele não está namorando ela, ou saindo com ela?! É só uma questão de tempo para que isso aconteça, pela forma que ela fica dependurada nele o tempo todo! Afinal, se ele não tivesse interesse algum nela, já teria dito isso! Mas não! Continua aceitando as atenções dela! POIS, QUE FIQUE COM ELA! E com isso ela se levantou de seu lugar, esquecendo-se de terminar o seu lanche, e também decidiu sair do refeitório.
--Por que ele veio explicar a Lizzie que não estava saindo com Caroline?—Lydia perguntou no momento em que Elizabeth começou a se erguer de seu lugar a mesa.—Por que você ia pensar que ele e Caroline estão namorando?—Mas Elizabeth não respondeu a sua pergunta, apenas afastou-se da mesa em que estava sentada.—Jane?—Mas Jane também preferiu não responder aquela pergunta.
Quando o intervalo terminou e Elizabeth estava de volta a sua sala de aula, as mesmas meninas que estiveram falando de Will e Caroline durante a aula antes do intervalo voltaram a discutir o assunto, incluindo Elizabeth no enredo da discussão. Elas ficaram cochichando uma com a outra durante toda a aula; e, embora estivessem falando baixo o bastante para que o professor não percebesse que elas estavam conversando, Elizabeth conseguiu escutar toda a conversa.
Uma delas contava a outra que, aparentemente, Will e Caroline não estavam namorando, sequer saindo juntos. E a outra inquiria como ela sabia disso. Então, a primiera respondia que era o que todos ficaram comentando no final do intervalo. Que o próprio Will tinha dito que não estava namorando ou saindo com Caroline a Elizabeth—aí as duas olharam para Elizabeth, quem fingiu estar concentrada na aula. A segunda, então, inquiriu por que Will teria negado o seu “envolvimento” com Caroline a Elizabeth, e a outra respondeu que, aparentemente, os dois estavam saindo, ou tinham saído juntos (ela não sabia dizer ao certo).
A segunda expressou dificuldade em acreditar no que estava ouvido e voltou a observar Elizabeth—quem estava ficando cada vez mais irritada, mas fingia não estar as ouvindo. A primeira, então, disse que tinha certeza que havia algo entre Elizabeth e Will, pois, se não fosse suficiente à atitude de Will em comunicar a Elizabeth que não estava envolvido com Caroline, a de Bill Collins, em confrontar Will pouco antes do intervalo no meio do corredor, seria. Fazendo a segunda exclamar um: “mentira!’; recebendo um “shi!” da primeira.
Elas ficaram em silêncio por um tempo, para ver se o professor tinha notado que elas estavam conversando e, depois de constatar que não, voltaram a conversar. A segunda dirigiu um olhar a Elizabeth e, sorrindo, virou o rosto na direção da amiga, voltando a cochichar.
--Quando foi que eles saíram, hem?
--No sábado.—Elizabeth respondeu, alto suficiente para fazer algumas cabeças virarem em sua direção, inclusive as das duas meninas que estiveram falando sobre ela.—Vocês estariam interessadas em saber se ele beija bem, também?—Apesar de dizer aquelas palavras num tom divertido, a sua expressão facial era de irritação. E as duas meninas ficaram boquiabertas, olhando fixamente para ela.
--Srta. Abbott.—O professor de geografia chamou sua atenção, fazendo não só a cabeça dela virar na sua direção, como a de todos os outros alunos que estiveram prestando a atenção ao que ela estava dizendo.—Há algum problema?
--Eu preciso ir ao banheiro.—Elizabeth replicou, permanecendo sentada e calma.
--Tudo bem.—O professor concedeu permissão para que ela se ausentasse da sala; então, ela se levantou de seu lugar e começou a caminhar para a frente da sala, ciente de que todos estavam a observando.—Nada de ficar passeando pelos corredores!—O professor avisou assim que ela alcançou a porta da sala. Ao que ela concordou, silenciosamente, com a cabeça.
Elizabeth ficou andando de um lado para o outro dentro do banheiro feminino, tentando se acalmar. Ela estava irritada, não só com as meninas de suas sala—aquelas bisbilhoteiras, fofoqueiras!—como consigo mesma também. Já estava mais que arrependida pela forma que respondeu a Will quando ele veio lhe explicar que não estava “envolvido” com Caroline.
Ela ainda estava no banheiro quando o sinal tocou para anunciar o último horário. Elizabeth logo se lembrou de que haveria a primeira palestra daquela semana. No entanto, ao invés de sair do banheiro e seguir para o auditório, ela voltou para a sua sala de aula. Como tinha deixado todos os seus materiais na sala, tudo desorganizado, precisaria voltar lá e recolhê-los antes de ir ao auditório, como o restante dos alunos já estavam fazendo.
Quando já tinha reorganizado os seus materiais na mochila e se aproximava do auditório, foi interceptada por Bill Collins. Ele estava na frente da entrada do auditório, evidentemente esperando por ela, e acercou-se dela assim que a viu aproxima-se do auditório.
--Aí está você!—Ele exclamou, já se aproximando.—Estive esperando por você.
--E eu tenho certeza que você irá me explicar por quê.—Ela replicou, com um tom de desgosto na voz, pois preferia que ele se calasse e a deixasse em paz.
--Absolutamente.—Ele respondeu, satisfeitíssimo.—Eu fui informado que Will Darcy não é mais um corrente meu, embora eu estivesse começando a gostar da idéia; estou certo que você ficara disposta a abrir o nosso relacionamento a todos.—Elizabeth o observou com incredulidade.—Agora que Will não mais disputará por sua atenção, eu sou o seu único pretendente!
--Eu não contaria com isso!—Elizabeth ouviu uma voz rouca bem as suas costas e sentiu o seu coração pular, virando-se na direção que a voz indicava e deparando-se com... Richard.—Posso te acompanhar ao seu lugar, Lizzie?—Richard disse, oferecendo-lhe o braço e sorrindo para ela. Quem sorriu de volta e imediatamente aceitou, entrelaçando o seu braço no dele.
Eles dois cruzaram a frente de Bill e entraram no auditório, de braços dados. Elizabeth se perguntando se o comentário de Richard às insinuações de Bill, quanto ele ser o seu único pretendente, tinha a ver com Will ou com ele mesmo.














